Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

4.11.07

Nonô Marimbondo: ORGULHO DE SER SAPATEIRO...

Nonô Marimbondo:

ORGULHO DE SER SAPATEIRO...

Nota do autor sobre os Sapateiros da região do Petróleo: Eram eles que criavam a arte que a todos serviam. Desde o “saltinho, a famosa e econômica plaqueta do lado que a gente gastava mais até a meia sola e solado inteiro”. Todos participavam das transformações da sociedade e não conheço nenhum Sapateiro, em todos os países do mundo, que não tenham tido participação em algum movimento social e de transformação da sociedade. Honra a eles: Natalino Crespo, Djecyr Nunes da Gama, Valdo Rocha, Orlando, Zé Bonito, Hélio Barbosa, Pelé, José Pacheco, Mazinho do Morro de São Jorge, Fubeca, José Silva –Bonga -, Zamir e tantos outros que fizeram a história andar mais elegante...

Negro, canela fina, alegre, elegante, olhar que demonstrava inteligência e muito bom de bola. Além disso, era um exímio maestro do trato com a faca amolada em sua profissão de Sapateiro.

Em suas andanças pelas acontecências das ruas empoeiradas da região de petróleo, Nonô Marimbondo sabia driblar com os preconceitos numa época em que “havia um engraçado de mau gosto brincar com piadas de negros, de mulheres e de portugueses”. Sua presença nas esquinas da vida, nos anos de 1940 ate 1960 foi sempre a figura de um descendente de reinados africanos. Canela fina, osso duro nas “bolas divididas” nos campos de futebol e de peladas, era uma presa fácil para quem pensava que ia intimidar sua figura magra e elegantemente frágil. Uma cintura fina, uma bunda arrebitada e que daí o apelido de “Nono Marimbondo”. Olhando ele de lado, como que examinando seus gestos e passos compassados, a gente via de fato o seu pareci mento com um Marimbondo.

A vida pacata das cidades de interior deve estar cheia de figuras amenas que se destacam sem que saibam na reminiscência dos que buscam retratar os cotidianos. São personagens que nascem com o carimbo da simpatia e que, no decurso de suas existência cimentam afeto e carinho.

Devia ter eu uns 15 anos e o Nonô uns 26 ou 27 penso. Nas idas e vindas pelas ruas esburacadas pelas chuvas torrenciais dos meses de outubro e novembro. A região de petróleo, suas ruas e vielas eram todas de chão batido. Não havia asfalto nem paralelepípedo. Nem tampouco estes buracos que beiram as calçadas que dizem ser para “escoar águas”. As chuvas eram iguais as que estão vindo hoje. Havia um escoamento natural e jamais vimos à região ser alagada. Crianças das Ruas do Centro iam e vinham até as Ruas dos Cajueiros, da Praça da Luz e da Rua da Boa Vista. Andanças que eram vigiadas por alguns “mais velhos”. Assim foi que conheci o Nonô Marimbondo. No começo fiquei meio sem jeito de chamá-lo pelo nome que atendia os mais velhos que ele. Confesso que tive receio dele não gostar e, com isso, impedir uma amizade que duraria por muitos anos. A voz deste lindo negro, quando o chamei pelo nome conhecido, veio em som de harmoniosa sinfonia de afeto e carinho. Poucas vezes, a não ser em casa com minha avó e mãe pude ver esta sonoridade de amor em forma de fala. “Antes mesmo que eu me fizesse presente e me colocasse às condições de começar um diálogo, ele foi dizendo:” - Menino, você é filho do meu Mestre Gama, Ele me ensinou a arte de modelar couro e fazer meia sola. E continuava: Se hoje eu não preciso pedir emprego e ter que me submeter aos desígnios de um patronato cruel eu devo ao seu pai Djecyr Nunes da Gama.” Eu não tinha nenhuma idéia do que Nonô estava dizendo. Sabia que meu era Sapateiro, modelista de calçados, que estava na Argentina modelando para o Presidente Perón e Evita seus sapatos Luiz 15 de salto alto etc. Eu sábia de tudo isso por que a minha mãe dizia e eu recebia cartas dele de lá... Mas não entendia todo este orgulho que brotava nos olhos negros misturados com um castanho azul que ele não escondia. Fruto de uma criação voltada para ser doutor, advogado ou professor, como que eu ia entender, com 15 anos o “orgulho de ser sapateiro” que o brotamento de olhar de Nono Marimbondo deixava no ar e o fazia ficar belamente feliz...

O tempo, senhor de tudo que separa existências, fez com que poucas vezes pudesse rever o aprendiz de meu pai. Todas às vezes, no entanto, o encantamento da voz tinha entrada de trancas nem cadeados no interior de meu ser. Acho até, que vozes como a Nono Marimbondo, habitam o interior do ID em cada ser que tenha tido contacto com seres como ele.

O que seria dos seres humanos, todos sem distinção, se não tivessem dentro das profundezas de seu ser, vozes carinhosas e afetivas. Acho que elas que comandam os lindos sonhos coloridos e vôos noturnos... È a certeza da volta ao corpo vigiado por estes sonoros sons que habitam o interior do ID...

As poucas pessoas que conheciam a genética de Nono dão conta que era filho de um ferroviário dos anos 20/30 e que se tornou famoso em toda a região de ferrovia pelas suas caminhadas e corridas antes e depois que o “Buso” se fazia prsente aos ouvidos das cidades. Um atlético “Negão” deixou suas pegadas nas nossas esquinas e becos e nos presenteou o bom Nono...

Soube da morte de Nonô. Grande desportista. Grandes homens de nossas ruas, hoje asfaltadas, frias e com chuvas que inundam casas nos Cajueiros e bairros Pobres de minha Rica Macaé-Capital Brasileira de Petróleo... Que estranho paradoxo: A região mais Rica do Brasil. Políticos ricos e um POVO sem casas para morar e, as que habitam, estão inundadas e seus filhos sofrendo as doenças que nascem no após...

Pensei, recordando o velho Nono em seu Orgulho de ser Sapateiro: Não seria o fim dos Sapateiros, dos Alfaiates, dos Gráficos e dos verdadeiros Mestres da Arte uma obra do Capitalismo que objetiva massificar o POVO com drogas, religiosidade fanática e destruição da cultura popular?

O menino de 15 anos chegou aos 70...

Velhos malandros que “vaga voavam” com ginga em corpos flácidos e elegantes não habitam mais os Cajueiros, Aroeira, Praia Campista e Boa Vista. As ausências de Frevo, Cata-Quiabo, Teixeira, Flavinho, Gordo, Mistral, Sarta N’ água, Água Viva, Manél das 7 em porta, Miguel, Djalma e Turrinha têm outras moradas. Aqui ficamos para homenageá-los com vulto de nossas Ruas Empoeiradas... José Milbs de Lacerda Gama - www.jornalorebate.com

28.10.07

HONRAS AO INSTITUTO DA DEFENSORIA PÚBLICA...


Luiz Felipe Millem Silveira:

JUDICIÁRIO AO LADO DO POVO E POR ELE É A BELA MISSÃO DO INSTITUTO DA DEFENSORIA

Num mundo cada dia mais desumano com o capitalismo dando seus últimos suspiros, deixando ao sair, um universo cheio de desnível social e violento, é bom a gente que faz uma imprensa livre e independente das benesses que caem das mesas dos poderes constituídos, tomar conhecimento da presença no Judiciário de jovens Defensores Públicos que honra a missão de estar ao lado do POVO e das pessoas que sofrem com o constante desprezo com o proletariado.

Em Rio das Ostras, uma cidadezinha situada no Estado do Rio de Janeiro, a presença de um jovem Defensor faz com que o Judiciário seja a mola impulsionadora da justiça. As pessoas chegam e encontram o jovem Luiz Felipe Millen Silveira que encampa os problemas dos carentes de justiça e abre o verdadeiro caminho que o judiciário deverá abrir em toda a sua trajetória que é "fazer justiça para quem precise dela e que não pisque os olhos para os poderosos".

Luiz Felipe honra o Instituto da Defensoria Pública e, observado a distância pelo "O REBATE", na web site www.jornalorebate.com que, sem ser notado conversou com dezenas de pessoas que buscam justiça neste setor do judiciário onde a "grana" jamais entra. Ouvimos e sentimos o carinho e o afeto que brotam do olhar atento à lei e o coração voltado para o POVO, que caracteriza a atuação deste jovem Defensor.

Quando eu, ainda jovem, no alto dos meus 20 anos, na Faculdade de Direito, pude aprender e respeitar uma frase que nunca vou esquecer. "Toga, Manto Sagrado da Lei"... Como é bom saber que nem tudo está perdido.

Está de parabéns o Instituto da Defensoria e o Povo sofrido de Rio das Ostras que encontram o judiciário ao seu lado.

Na reta final de um capitalismo que agoniza onde alguns Juizes e Desembargadores vendem sentenças e se corrompem com os políticos que usam o Poder judiciário como seus escudeiros, é muito salutar a presença de Defensores Públicos como o Doutor Luiz Felipe Millen Silveira...(José Milbs editor de O REBATE, www.jornalorebate.com 75 anos de histórias na Região de Petróleo).

Voa, minha linda Borboleta...

Voa que a Vida é tão boaaa..

Quando se tem Amor no coração...


22.10.07

Você gosta de Amora? vou dizer sua mãe e seu pai que você namora....

QUANDO MEUS FILHOS TINHAM 11 OU 12 ANOS....

“Você gosta de Amora?”...

Com minhas idas e vindas, no início dos anos 2000, para levar meu filho José Paulo ao colégio Estadual Luíz Reid e visitar minha outra filha Laís no colégio Estadual Mathias Netto, tenho feito amizades com meninas e meninos de l1 e l2 anos que me passam informações preciosas de suas vivências e me fazem entender melhor o belo de suas falas nem sempre ouvidas por maiores que não entendem, ou se fazem de “não entendidos” nos seus conhecimentos e belezas que só esta idade pode ter e uma só vez na existência humana.

Quando Luís Cláudio, hoje com 40 anos, tinha seus l3 ou l4 anos, e caminhava para o que se chama adolescência, minha outra filha Aninha tinha 11 ou 12 anos. Assim como hoje, no início do século XXI, o José Paulo e Laís teem 11 para 12. Esta época floresce as amizades e muitas ficam passeando na existência nossa até o final da vida. Dizia meu amigo Otavianno Canela, do alto dos seus 100 anos, que “o filme é que acaba, como se na cabeça tivesse longas fitas que iam se renovando a cada dia vivido e a cada sonho sonhado. Era como se a gente, na saúde do dia a dia renovasse estes filmes, e que as doenças iam queimando, queimando, até que ele parava de andar”. Canela sacou isso e me disse, momentos antes de falecer nos anos 90: “Zé Milbs, acho que meu filme está acabando. Ri para alegrá-lo mais tinha certeza de sua descoberta.

As crianças, no meu caso, os filhos, passam para a gente as suas belezas em amizades e afetos. Não posso esquecer os amigos de Luís Cláudio, hoje grandes e pais de outras crianças. Ele brincava e andava com Rogério, Paulo Henrique , “Boi Lambeu”, Máximo, Zé Eduardo, “Tonico”, “Marquinho Pintado”, “Alexandre Menos Um”, “Maurício Sujeira”, André Peixoto, “Ary Jaburu”, Alex irmão de Nélio, Jurandi, “Beto”, Evandro, “Janinho Mancebo”, Filipe Guedes, “Dadate,” “Valzinho”, Zé Fernandes, “Cezinha”, “Faeca”, “Zé” eram pessoas que iam e vinham na vida de Luís Cláudio que junto com Aninha habitavam seus mundos e criaram raízes profundas na história de Macaé já no tempo próximo aos anos 80.

Esta geração representa o seguimento da minha geração e dos pais deles que foram meus contemporâneos nesta Macaé que tento retratar em meus escritos.

Minha filha “Aninha” vinha sempre com Gizele, Fabiene, Daniella, Dany Drumond, Larissa, Aparecida, Simone, Suzane, Vanessa, “Valerinha” que morava na casa de “Carlito Gonçalves” e outras e muitas que juntos com as amizades formavam o mundo que eu revia, nas minhas infâncias de antanho.

Muitas destas crianças tinham afinidades com o meu passado havidos com os pais como era o caso, para citar apenas um dos muitos, como Isabel de “Lulu” que era pai da meiga e pura Fabiene que ainda tenho na minha cabeça sua voz me abraçando e me chamando de “Seu Zelmildo”.”Seu Zelmildo” que ela levou para o céu num triste desastre quea vitimou com Izabel, sua mãe. uma linda loirinha que estudou comigo no Colégio dos Cajueiros e que, mais tarde, iria se casar com “Lulu” de dona Conceição, vizinha de Inês e Lúcia, outro patamar das histórias de nossas infâncias...

Esta fase triste fez com que esta geração de meus filhos sofresse um baque humano, igualado apenas com o que vitimou “Beto” e Evandro, do grupo de Luís Cláudio.

          AS CRIANÇAS

Lais estudava no Mathias Netto conversei com uma linda e doce menina de sua idade que, no decorrer do tempo foi me encorajando em meus escondidos temores existências e me passou encoramento.. Ela relatava que era neta de um dos meus bons amigos, cujo nome evito publicar porque pode ferir sensibilidades. Erica falava de suas alegrias e frustrações. Alegrias por estar no colégio, na 4ª série, ter 11 aninhos e ser colega de Laís que se elegia neste dia Rainha do Colégio em eleição. Sua voz trazia a meiguice dos seus ll anos e uma linda ruga de preocupação tomava-lhe conta da face como que sentindo a ausência de um ser que para ela tinha e tem a importância dos deuses. Saudades de suas tias. Avós e tios...Erica tem um lindo olhar que sempre parece espreitar algo.Mais tarde revi Erica no Grupo de Escoteiro.

No colégio Luiz Reid, conheci Eduarda, muito precose nos seus 11 anos. Todos de sua sala tem mais de 11. Não tem história nas raízes de Macaé porque sua mãe veio do Paraná e ela tem apenas 2 anos morando em Macaé. Meu conhecimento da Eduarda , da turma 502, do colégio, foi um destes momentos que não se sabe nem como começa nem como existe. Era uma época pré natalina e eu estava encostado no muro defronte a porta que dá aceso ao saguão principal do educandário.

Zé Paulo demorava a chegar e algumas meninas saiam com árvores de natal feitas por suas mãos e com os métodos simples e rústicos. Algumas árvores eram ornadas com pipocas, outras com copinhos de plásticos etc.

Era o belo desta época representado pelo belo dos educandários Estaduais que fazem do artesanato o caminho mais curto contra a avalanche capitalista e burguesa que invade nossas raízes cristãos com ofertas e mais ofertas de presentes que nada mais é que a própria negação do verdadeiro sentido cristão. Ainda existe, pensava comigo, reações naturais que se põem em confronto com esta massificação comercial natalina que teima em transformar tudo em compra e faturamento que vão encher os piscas-piscas de comerciantes e empresários malandros.

Voltando a meu encostamento no mural de fronte ao colégio pude ver o vulto pequenino e sutilmente belo de Eduarda com sua obra natalina nos braços.

Às costas trazia uma mochila preta quase comum a todas da sua idade. Uma rápida parada no portal minha atenção foi chamada por que ela, com as mãos ia destruindo todo o trabalho que deveria ter sido de horas na confecção desta arvorezinha que pensei ser sua oferta em casa para pai e mãe. Deixou-me curioso, no entanto que ela. ao fazer a destruição tirava os ornamentos que brilhavam e ofereciam a uma outra menina que, sob seus braços, abraçava outra árvore de Natal. Esta feita e ornada de pipocas brancas.

Eduarda, ao tempo que me parecia destrutiva na obra, contrabalançava a personalidade com este gesto que mais parecia uma ação socialmente pura e divina.

Lembrei-me do sertanista Vilasboas falando da pureza da mãe índia na criação do menino que quebrava o brinquedo só quando feito etc. Vi que não tinha muita relação com o indiozinho a ação de Eduarda mais, me veio alguns pingos de profundo afeto e curiosidade sobre esta menina paranaense e com olhar de liderança latente. Como Estava chovendo todos se acotovelavam e ela se aproximou de mim depois de pisar com força o que restou de sua árvore de natal.

Ainda passava para sua amiguinha pobre os últimos ornamentos, que eram delicadamente postos na mochila da menina, quando eu lhe sussurrei aos seus olhos morenos e profundamente tristes. Sua árvore de Natal é muito bonita!. Como que se faz isso?

Neste momento eu fiz ressuscitar dos chãos cacos de sua obra e pude sentir que a árvore voltava a habitar seus braços brancos e de uma finura angelical. Na espiritualidade deste momento onde os centésimos de segundos só são vencidos pela força rápida do olhar, pude sentir em seu gesto a saudada da árvore destruída materialmente e recomposta na inexistência da matéria.

Eduarda deixou os olhos nitidamente angelicais caírem no absorto do momento e me disse com uma voz que saía de dentro de seu ser e invadia o local onde só eu pude ouvir Se você quiser eu vou fazer outra para te mostrar amanha. Farei de pipocas brancas, ficarão lindas.

Insisti que gostaria que fosse de copinhos brancos de plásticos que achei mais bonito. Eu forçava e com isso queria que ela deixasse que eu visse no invisível do momento o visível ato que lhe fez destruir a obra.

Conversamos amenidades e ela me falou de sua existência em Macaé/ do pai que ficou em Curitiba. Da mãe que tava viajando para São Paulo e tinha sido vitima de um assalto lá, do padrasto e da irmãzinha de 6 anos.

Eduardo, falava e abriu um lindo leque existencial pondo a mostra uma menina criativa e profundamente sensível e inteligente. As suas articulações mentais vinham com início e fim.

Não era uma menina igual. Ela era diferenciada das pessoas comuns que vejo e falo no dia a dia de minhas pesquisas sobre o comportamento humano

. Sua aparência física tinha, agora lembro, um parecimento com Erica. Ambas muito branquinhas, magras e belas. Seus olhares se pareciam no piscar curioso e as falas também eram falas penetrantemente puras, desconfiadas e firmes,

Destas falas que invadem nosso ser e ficam ecoando no nosso coração, se misturando ao vital e dando fortalecimento e revigorando a gente. Entre Eduarda e a outra menina, além dos belos, pude sentir a coerência da presença de seus pais. Seria a proximidade do Natal que fazia esta transferência para o meu entendimento ou era mesmo as ausência algo que eterniza a existência de toda criança.?

Ai me veio a memória meus l1 anos quando não tinha a presença de meu pai. Éramos então iguais. Eu, Erica e Eduarda estávamos sentindo as mesmas faltas.

Eu de meu pai que se separou de minha mãe e foi para São Paulo, Erica do dela e Eduarda idem.

Esta trilogia de ausências e amor me fazia matutar no fortalecimento que fazem na gente. Eduarda, eu e Érica temos que criar, e criamos, um momento de eterna ausência, que poderá e será o nosso cimento para a formação de nossa própria personalidade. Longe de criar o desejo da presença da ausência a gente criou o valor do conhecimento da ausência e cimentamos a formação de idéias que passamos a usar no fortalecimento de nossa relação com o mundo.

Érica aconselhando que deveria ir mesmo ver Laís ser eleita rainha, sentir sua alegria do pai na platéia e dedicar a mim sua vitória como seu ídolo. Érica me fez chutar o balde de uma sociedade hipócrita e fui ver a Coroação de lais Rainha do Colégio Mathias Netto...

Eduarda me dizendo do belo refazer uma obra que lhe foi pedida sem o rancor da agressividade e eu dizendo para elas “que a ausência da presença que sempre quis ter e não tive me deu outras forças, outras formas de ver o mundo, mesmo sabendo que faltava alguns copinhos na árvore de natal de minha existência”.

Minha infância longe de meu pai fez-me entender as ausências destes anjos em seus sentimentos escondidos.

    O CONTO DA JOANINHA DE EDUARDA

No outro dia voltei a ter com Eduarda. Agora já amigos, falava de sua religiosidade, dos seus medos em matemática e de sua existência de menininha. Dizia de sua cidadezinha Guarapuava que fica no Paraná, e que para ir para ela pegava o ônibus de Foz do Iguaçu e que sua avó mora com uma tia avó dela num sitio onde tem cachorros, gatos, árvores e um belo balanço. A cidade ela me diz que tem muitas casas bonitas e de madeiras. Seus olhos brilham de carinho quando se refere a sua existência em Guarapuava...

Eduarda tinha escrito uma historinha que, sabedor que eu estava escrevendo um livro, queria me mostrar. E aí vai um dos momentos mais lindos deste livro. Público na integra sem mudar nada.

      JOANA, A JOANINHA MENTIROSA

Era uma vez, numa cidadezinha uma joaninha chamada Joana. Em um belo dia, ela gritou correndo pela cidade.

-Socorro! Socorro! entrem em suas casas. Tem um pássaro vindo para cá!

Bem na hora que as joaninhas entravam ela caía na gargalhada dizendo.

-Seus bobos, vocês acreditaram! E todo mundo saiu de casa dizendo.

-Que menina mais mentirosa!

No outro dia ela aproveitou o que todos tinham esquecido e saiu gritando novamente.

- SOCORRO! SOCORRO! um pássaro está vindo para a nossa cidade!

Aconteceu o mesmo. Todos se esconderam e ela riu dizendo.

-Vocês são tolos demais! E eles não gostaram nada disso.

Novamente no outro dia ela gritou.

-SOCORRO! SOCORRO! Agora é verdade , vão para suas casas o pássaro está vindo!

Como quase ninguém acreditou só os que entraram nas casas se salvaram, e o resto? Morreram comidos pelo pássaro.

Moral: Não minta

E se exagerar não diga nunca mais.Eduarda turma 502 C.E. Luiz Reid.

17.10.07

HOMENAGEM AO MEU AMIGO WILLY DE MIRANDA COOPER

JOGOS DE BOTÃO PELAS VARANDAS..

Devia ter uns oito para dez anos quando fui a um Estádio de Futebol. Naquela época a gente jogava botão nas varandas de Seu Thiers Pereira de Azevedo, Dona Olga, às vezes, transpondo as barreiras das ruas, na casa de Osmar “Cascalho” que ficava na Rua do Sacramento onde residia Valdir e seus familiares.

Nossos joga­dores eram os craques dos times que escolhíamos para torcer. No Rio eu era Vasco, em São Paulo era Corinthians, Telmo era Flamengo no Rio e Palmeiras em São Paulo. Cláudio Moacyr era Fluminense e São Paulo. Levy também era Fluminense. Os demais se espalhavam. Tinha até um colega que, sofrendo influência de João Pinto, esposo de Dona Elmira e irmão de Titinha do Independente, torcia para o São Cristóvão. João Pinto era um dos poucos, senão o único torcedor do São Cristóvão em Macaé.

o América tinha Dudu Trindade e Jorge Siqueira como torcedores e o velho Bangu, apenas o Dodosinho filho de seu Hipólito. Dudu Trindade, avô de meu neto Jose Paulo, nos anos 2000, sempre brincava que o América não perdia há muito tempo. E ele, ainda menino alegre e inocente, perguntava: por quê? E ele, como se tivesse “pegado ele”, dizia: é por que não tem jogado...

As nossas tardes-noites sempre eram alegres na Rua do Meio. Um dia, em companhia dos mais velhos, se não me engano Walber, “Pau Puro”, “Manoelito”, “Parrudo”, Luiz Almeida, Mirian, Nelsinho e Simário, fomos ver um jogo de futebol no FORTE MARECHAL HERMES (naquele tempo acho que não tinha o Estádio Expedicionário). A minha memória infantil jamais esquece aquele jogo. Era Americano x Fluminense.

... Acho até que Grebe, “Maleta” e “Betinho” estavam nas arquibancadas vendo as jogadas de Fubeca e Padaria.”Bill” se recorda até dos passes destes símbolos do nosso passado esportivo. Willy de Miranda Cooper, meu velho amigo de Senai, Rua do Meio, O REBATE e das políticas, é um dos mais “guardativos memoriais de nossa cidade”. Lembra-se de tudo...

Eu torcia para o Americano e era também torcedor da Lyra dos Conspira­dores. O jogo mal começou e já identificamos nossos heróis. “Têca”, “Alfredinho”, “Sinhô,” “Bené”, Fubeca (como foi que Garrincha aprendeu os dribles deste bom sapateiro dos Cajueiros)?

“Padaria”, Oséas, “Biriba”, Aymar Coelho, João Reis e Benoni. Na ponta, correndo como uma flecha, pra lá e pra cá, “Geraldinho” irmão de Cláudio Moacyr (acho que vem dai ele ser Fluminense). Que gente boa de bola, meu Deus! O pior é que tudo era em Macaé numa década de ouro do nosso bom futebol.

À tardinha voltamos todos para casa. Minha avó e Gilda discutiam com Dona “Lalate” e Dona Olga a minha demora e de Rubinho, Renato e Roulien. As mães e avós dos anos 50 eram iguais as do início do milênio. Apesar dos avanços da tecnologia e dos computadores o coração e o sentimento são o mesmo em toda a extensão do humano.

... Jogos de boião pelas varandas...

No outro dia não deu outra: “Péia de Bené’ no chute certeiro do botão feito de casca de coco. Ia me esquecendo: havia uma “cumbuca’ que nós nos orgulhávamos. Um dia eu vou falar sobre ela. A “Cumbuca” era um buraco no cimentado da varanda onde se podiam esconder alguns jogadores. Uma pequena expropriação infantil...

“o Cravo brigou com a rosa

Debaixo do Manacá..

O Cravo saiu ferido..

A rosa "pôs-se" a chorar “...

8.10.07

CERJ, CEDAE E SERASA INIMIGOS DO POVO...

Cerj, Ampla e Cedae as mesmas maldades históricas...


Cortar luz de quem não pode pagar, água e outras coisas fazem parte da maldade destas frias organizações. Ainda temos agora uma tal de Serasa que abriga gente que pensa pelo bolso. Como se, ao morrer, pudessem levar seus caixões cheios das granas que extorquiram dos pobres devedores.

Foto: Rui Porto Filho(A minha amiga Detinha, a bela Soterapolitana que, nos anos 30, fez bater forte do coração do meu professor de Física e Qumica na Escola Ferroviária 8-1 Senai, nos anos 53, 54 e 55, feliz ainda pode ver o "não esquecimento" das histórias. Noêmia não teve a mesma sorte...


II

Em Macaé esta maldade desumana se abateu sobre dona Noêmia Mello, dona e herdeira do local onde funciona o SOLAR DOS MELLOS. Noêmia, filha do Cezar Mello, jornalista combativo dos anos de 1860, era irmã solteira do Clóves Mello, que foi um dos mais conhecidos “pequeno comerciante” nos anos de 1900 e que foi pai do meu amigo e redator nos anos 70, Euzébio Luiz da Costa Mello.

III

Noêmia vivia só no Casarão. Personalidade era o que não lhe faltava e não se sentia bem com as constantes cobranças de Água e Luz que recebia em sua porta. Depois de muita aporrinharão com as cobranças e as ameaças que vinham de “paus mandados” dos chefes destes órgãos, Noêmia não fez outra coisa: Deixou que fossem cortadas estas mazelas (estas coisas horrorosas como diria Euzébio) que deveriam ser fornecidas de graça para o POVO.

Luz, Agua, Transporte, Moradia são sinônimos de direitos do POVO. Se o dinheiro desviado em comissões, falcatruas dos governantes e mordomias fossem cortados estes bens primordiais, ao certo, voltariam para os pobres...

IV

Livre destas especulações, Noêmia se auto-exilou no “Casarão do Cezar Mello” como era conhecido o "Solar dos Mellos". Iluminado nos anos de glória do jornal O SECULO, recebendo os bajuladores do PODER que viviam a procura de matérias, a “menina Noêmia dos anos de 1870”, terminou seus últimos dias de vida no Asilo da Velhice Desamparada que, por ironia da história foi uma entidades fundada pela campanha que empreendeu seu pai pelo jornal O SECULO.

V

O final triste de Noêmia Mello, a “Tia Noêmia” que tão carinhosamente o meu bom “Zebinho” sonorizava com sua meiga e harmoniosa fala, sirva de alerta aos detentores do “poder transitória” desta cidade de pouca memória e muitos memorialistas de plantão.

Noêmia morreu pobre, semi abandonada num asilo de Macaé. Nem sei como que a Prefeitura Municipal conseguiu dela, já sem herdeiros, a transferência do imóvel para que tenha sido criado o SOLAR DOS MELLOS...

As más linguas que cortam nas esquinas e vielas das ruas asfaltadas desta cidade falam aos cantos, sussurados para que não sejam ouvidos, que existe uma Mafia que ronda, como lobos famintos, as pessoas que tem imóvel e vivem sós. Objetivam tirar deles os bens e, na melhor das hipóteses, ficarem com algum lucro pessoal. Não acredito que com Noêmia tenha sido assim. Afirmam, estas comprida linguas, que estes lobos são gente "fina" que até deixam a mostra uma religiosidade latente...

VI

Quando eu, nos anos 70 e 80 viajava com Euzébio para cidades do RJ na luta pela sobrevivência do "O REBATE" e na criação de nosso ex PT, eu dizia: “Euzébio, você precisa arranjar um herdeiro. Você é filho único de Clóves, Noêmia é solteira, perpetuar o sangue dos Mellos é sua missão. Ele ria, com a gargalhada natural que expunha seu lindo interior de menino/macaense e sentenciava: “Milbs, tem tempo. Ainda não encontrei a minha princesa encantada “...

Com sua morte, tràgicamente no acidente de carros na estrada Macaé/Rio das Ostras, Euzébio não teve tempo para encontrar sua Princesa e, a Princesinha do Atlântico” não perdeu tempo: abocanhou a Casa dos Mellos e hoje nem deve ter nada que homenageia Noêmia Mello a filha a mais rebelde do Cezar Mello e tia do jornalista e poeta "Zebinho" Mello... (José Milbs de Lacerda Gama, futuro historiador e jornalista).

29.9.07

PULANDO DE GALHOS EM GALHOS DA RUA DO MEIO ATÉ OS BAIRROS....

OS BAIRROS MIRAMAR E VISCONDE, Filhinha. Odila Araujo, Anita Alvarez Parada e dona Yayá Vieira... das nossas Histórias

Uma das primeiras famílias que habitaram os bairros Miramar e Visconde de Araújo, foi a de Filhinha, esposa de Tolizano. Ela mãe de José Carlos e umas outras meninas que se casaram. Uma se casou com José um ferroviário e a outra com Herval Meireles um colega meu do SENAI e irmaoirmão de Meirelles da Sucan. Filhinha era prima de minha bisavó e ia na casa dela sempre com minha avó Nhasinha. Retratei este fato numa crônica no livro “Cabelos Brancos” e publicada no jornal “O REBATE”.

Era um menino de l0 anos e a caminhada da Rua do Meio até a casa de Filhinha parecia uma viagem. Por entre troncos de árvores e, vendo saltitar nas valas límpidas ( hoje um valão fédido que corta toda a extensão dos bairros), piabas e muriongos eu podia dimensionar uma vegetação florida e um mundo todo de natural essência. Ia com minha avó que por sua vez fazia todo o trajeto me colocando a par das existências humanas de Macaé e de Sua Gente que ela tanto conhecia e era conhecida.

Foi assim, nesta longa conversa de uma caminhada celestial/terrena que eu ia sabendo das existenciasexistências das histórias vivas de Macaé. Jamais, eu e minha avó podíamos imaginar que isto viria a ser publicado...Quando a gente passava pela Praça da Igreja era de dona Artemia, maemãe de Pilar, Anita, Cezário, Tonito e Ermínia que ela falava. Daí em diante o tempo formava um rosário de gente de um tempo que eu pouco vivi. Lafaiettte Vieira de Faetinho e Walter, Joaquim Santos, Jose´Siqueira de dona Delzinha, Yayá Vieira, , Joaquim Santos. ConceiçaoConceição Prata eram sonoridades humanas que entravam em minha cabeça com carinho ev amor na pessoa que me familiarizava no tempo.

As longas conversas formatavam nosso entendimento e formava o conhecimento que só a fala humana pode fazer.

II

Andávamos por ruas e vielas onde hoje existem o Banco do Brasil, a Fafima e o Luiz Reid. Arvores, gente de cavalo e muitas bicicletas. Alguns cumprimentavam, outros nos olhavam e a caminhada era elegantemente/ linda. Soltando das suas mãos eu pulando por entre galhos, espantando a passarinhada, vendo preás e gambás que corriam por entre matos e cercas que pareciam não Ter fim. Era assim onde hoje tem o ABC e o Hotel Portugal.

Algumas casas de ferroviários com cercas de restos de trens e só. Era esta pura cidade que percorria com minha avó da Rua do Meio até o que é hoje o Bairro Miramar.

Chegávamos na casa de Filhinha que era a única casa do Bairro onde tinha uma espécie de Quitandinha ao lado. A linha de trens ficava a uns 40 metros da casa e havia uma caixa d’ água, a direita, onde o Expresso o Noturno e o Rápido eram abastecidos O apito vinha de longe entrando pelos nossos curiosos ouvidos de meninos... .. Este apito tinha o tom harmonioso de uma época de belíssima transformação de Macaé. Era o ano de l949 e todo o potencial de Ferrovia estava voltado para Macaé como está, neste início de Século, para o Petróleo.

A vida de Macaé começava a ter modificações estruturais e culturais com a vinda de centenas de homens e mulheres transferidas. Muitos em busca de emprego na então Leopoldina.

A casa de Filhinha foi o marco que deu inicio a criação deste bairro e o José Carlos, que ainda esta morando lá, tem as fotos que marcaram sua infância no grande quintal com a geografia da época.

A vida do bairro teve inicio com dezenas de famílias de ferroviários que compraram seus lotes e foram cimentando uma nova história macaense e forjando, no suor das oficinas de Imbetiba, a vida e a cultura de novas gerações, que se misturaram e formaram uma Macaé ecléticamente genética e mais apurada.

DONA ODILA ARAÚJO

Pouca gente sabe que temos uma dama que fez história no Teatro Brasileiro. Era mesmo uma macaense que saindo de Macaé, brilhou nos conhecimentos da vida teatral no Rio de Janeiro. Dona Odila Araujo mãe de Cordely. Esta talvez mais conhecida por ser jovem e habitar em nosso cotidiano. Cordely como sua mãe também fez Teatro. Eu sempre ouvia falar em dona Odila por Tutuca e Jojó. A gente andava junto desde os tempos de estudante e sempre Ruy me falava de suas tia, irmã de sua mãe.

O teatro veio para esta macaense como para a maioria dos grandes em suas várias profissões. Chegou a ela como vendedora de ingressos e projetou-se no palco pelo talento que soube desenvolver na filha Cordely. Ainda morando em Macaé e chegando aos 90 anos ela mesma me contou o que falo e escrevo.

II

O Rio de Janeiro nos anos 40, mais preciso em l943, viu chegar alguns valores do interior que fizeram historias. Dona Odila foi uma delas. Trabalhando no antigo Rex e Capitólio esta mulher, nascida na Rua Alfredo Backer numero l, em Macaé, mudaria sua historia e se firmaria com brilho na vida do Teatro Brasileiro.

Teatro Gloria na Cinelândia perto do Amarelinho fazendo bilheteria e secretariando os mais famosos artistas da época ela foi se firmando e formando sua história. Do tempo em que se selava os ingressos e se conheciam os freqüentadores por nomes e por cadeiras. O teatro do Rio engatinhava.

No Fênix como secretária, depois foi com Dulcina e Odilon para o Teatro ginástico da Graça Aranha; Ela sempre que se refere ao Odilon ainda usa o doutor Odilon.

Assim esta pequenina mulher macaense foi sendo pilar na teatrologia nacional onde sua filha Cordelly trabalhava nas peças de Nelson Rodrigues amigo pessoal de dona Odila de quem fala que era uma pessoa muito perguntativa. Nelson gostava de secar as pessoas com pergunta. Fala isso e sorri. Por 12 anos ficou com Dulcina e o Dr. Odilon.

Depois Meson de France. Eva Tudor, sempre vem até Macaé visitá-la e Odila ainda tem saudades do Rio, de sua casa em Copacabana e Lido onde se reuniam os seus amigos de teatro. Rodolpho Mayer, Floriano Faissal, Iara Cortes, Dayse Lucidi, Jece Valadão. Agildo Ribeiro, Paulo Nosling são alguns dos seus amigos recordativos.

Fala com sensibilidade especial sobre Sérgio Cardoso e relata que foi com Sérgio, que Tarcísio Meira teve seu primeiro papel no teatro.

Acha que o mais lindo do teatro é quando a companhia viaja. Conheceu o Brasil todo nas companhias que trabalhou. Cordelly trabalhou em 7 gatinhos de Nelson Rodrigues e ela fala com orgulho de seu neto Cláudio José Araújo Motta que ela criou e hoje é um dos mais renomados químicos do país e que leciona mestrado nas Ufrj.

Este seu neto é um dos mais importantes expoente do mundo em sua formação. Estudou no Luiz Reid nos anos 70. Orgulha- se de ter sido amiga de Agildo Barata e Ney Braga. Ë irmã de dona Odiléa mãe de Jojó, Julinho e Tutuca. Seus últimos dias foram vividos na Rua Conde de Araruama.

Vizinha de António Parodi ela viveu seus encantados dias de belas recordações. O olhar fixamente preso no belo do Rio de Janeiro e suas recordações faziam de dona Odilha a mais autentica das harmonias com o belo.

Sua morte foi a morte de uma história viva da cultura do teatro brasileiro...

25.9.07

VIOLENCIA SEM LIMITES EM NOSSA REGIÃO...

ANA LUIZA QUEIRÓZ MATOSO SIQUEIRA É ASSASSINADA EM MACAÉ.

Vitima da crueldade humana, seqüestrada, espancada e morta em pleno vigor de sua existência. Aninha estava administrando o estacionamento de sua propriedade em frente ao Colégio Luiz Reid. Viúva do conhecido patologista clínico Jair Picanço Siqueira, Ana Luiza era uma pessoa alegre, feliz e não se importava com a herança recebida. Mantinha uma vida simples, herdada de sua mãe Heleosina Matoso que era uma das mais antigas funcionárias da prefeitura.

Aninha estudou em colégios públicos. Formou-se em pedagogia mais vivia para o lar. Preocupada com o futuro de sua filha ela jamais podia imaginar que a violência que cresce na cidade pudesse abater-se sobre sua família. Morava na residência da família dos Pincanços Siqueiras sem se importar com o que viria acontecer.

Seqüestrada, torturada e morta este vulto de nossa história é mais uma vítima da sanha avassaladora dos criminosos que vivem na região.

TRECHOS DAS HISTÓRIAS VIVAS DA REGIÃO

DE ROLDÃO PEREIRA, BACELLAR E A VIDA BOEMIA NA REGIÃO........................................ José Milbs

BINHO BACELLAR

Celso Rubens de Campos Bacellar

Nas aulas noturnas do Ginásio Macaense, que era de ensino particular mantido por uma Fundação, comecei a ter novos amigos. Diferentes dos de infância ou do SENAI. Embora estes continuassem sendo parte da harmonia afetiva de minha existência macaense, outros passaram a habitar meu mundo. Celso Rubens de Campos Bacelar era irmão mais novo de Bebeto, do mesmo sobrenome desse meu colega de SENAI e de estripulias no “Bar Mocambo” de Seu Nicomedes.

Era neste bar, deste homem lindamente gentil que a gente escondia as roupas nas matanças de aulas e fazíamos nossas primeira investidas na marginalidade pura de uma cidade ainda pura...

O pai de Binho e Bebeto era o vereador Jayme Bacellar, que como Chefe da Estação, tinha sido eleito vereador por dois mandatos. Seu Jayme Reunia em sua casa, na rua Júlio Olivier, perto da Rinha de Galo, expoentes da vida social de Macaé como Roldão Pereira que foi brutalmente assassinado em frente a sua casa por Jamil da Rodagem, bairro de Carapebus, Jamil foi preso, condenado, cumpriu pena e foi posto em liberdade.

Roldão era de uma das mais tradicionais famílias macaenses do final de século. Irmão de Nilton Carlos jornalista internacional e ex repórter do “O REBATE” nos anos 40, Sua morte trouxe grande comoção para toda a comunidade, que exigiu justiça.

II

Com Binho Bacellar comecei o que se chama hoje dia de “colar com fulano”. Colamos um no outro e daí formou-se uma amizade muito bonita. Cinemas, bailes, o primeiro chope, a primeira namorada enfim errávamos juntos e juntos sempre saíamos de casa.

As vezes tinha que sair de noite para as fugidas da juventude numa cidade ainda tímida e pura. Era Alan Guerra, o “Birosca” juntamente com Ferdinando Agostinho que tinham de ir pedir a minha avó para eu ir e se comprometiam em me trazer de volta antes sempre das 22 horas. Minha avó, nem de longe imaginava que Alan tinha sido expulso de Macaé pelo Delegado Jonathan Desertos Bastos como pessoa não grata a nossa comunidade. Valia mais que uma intespestiva ação de um policial desprovido de senso de humor a historicidade de Alan como membro de uma das mais ilustres familias da região.

Alan cumpria direitinho a intimação até porque como sobrinho do Camilo Nogueira da Gama tinha crédito na família.

Mais tarde Birosca escreveu no jornal que dirigi. No “O REBATE”. Tinha a coluna “Desfolhando a Margarida” e juntamente com Armando, Luiz Pinheiro, Osmar Sardenberg, Lecino Mello, Euzebio Mello, Padre Nabais, Padre Armindo, Pastor Edmundo, Dilton Pereira, Jairo Vasconcellos. Tonito Parada, Álvaro Bastos, Tem Mello, , Mirto, Cláudio Upiano e outros formavam a equipe mais eclética e democrática da imprensa macaense. Esta tônica era a essência cultural do “O REBATE” no final da década de 60 até meados dos anos 70.

Esta turma de Ferdinando e Alan está uma geração a frente da minha mais suas histórias e feitos correram gerações e muitas delas ainda fazem partes de belíssimas gargalhadas de fazerem balançar e tremer dentaduras reluzentes.

III

Contam que no trecho da rua Conde de Araruama até a Marechal Deodoro tinha um correr de casas com telhadas interligados. Brabinho e Abelardo estavam procurando pombos quando Brabinho desabou onde era a Fabrica Lynce, de Lacerda, e caiu dentro do tonel de cachaça Itaquira que tinha acabado de chegar de Carapebus, para distribuir.

Ferdinando inventou que havia defecado no tonel e o caso ficou sob suspeita até hoje. Quase que Antenor teve de se haver com Elias para ressarcimento.

Quando contei este fato a meu filho Luís Cláudio ele falou que deveria haver algo genético neste tipo de tombo furtivo porque o Cássio, filho de Brabinho e seu colega de Colégio no Luiz Reid, também caiu do telhado do Luiz Reid nos anos 80. Quando ele, “Xereleco” e André Peixoto procuravam fugir das aulas. Foram acusados injustamente de tentarem furtar o bar de João Machado irmão do Flaubert...

IV

Havia um Café onde depois foi feita a “Sorveteria Vem Cá” de Elísio e Casimiro Abreu. Neste bar tinha um garçom feio, com olhos esbugalhados, revezados para o centro da testa de onde convergiam uma morbidez de fazer inveja os personagens de Dante. Este garçom era chicoteado por Célio Ferraz, Birosca, Ferdinando e Brabinho. Engolia a seco por que havia, como hoje ainda existe, um certo respeito por gente enturmada.

Passados 40 anos, um dia o Célio estava num bairro de Caxias, tomando uma cerveja numa esquina, quando viu um vulto de óculos escuros, um grande rádio de pilha tocando música rancheira e com uma roupa totalmente identificada com o personagem de sua juventude. Quando ele chegou mais perto não havia dúvida. Era mesmo o Garçon “Puaba”. Célio, mirando o personagem e apontando para Ferdinando brada nas alturas: ........Puabaaaaa... Incontinente recebeu a chegada do velho garçom bem perto de seu rosto que sentenciou algo que devia estar engasgado em sua garganta. ///Puaba é a puta que o parillll. Célio entendeu e, depois de um intervalo onde o afeto suplanta as diferenciações de credo, religião e política, abraçaram-se longamente.

Naqueles anos 40, Manoel Maia vendia Caqui, Bueno Agostinho trabalhava ensacando Sal na Rua Sacadura Cabral no Rio de Janeiro e Dodô do bicho trabalhava na Fábrica de Sandálias de Landor Pereira, pai de Fred e Fernando. As nossas ruas tinham em suas poeiras as verdadeiras essências de suas histórias.

Jonas Willeman, Zé Baiaco, Baiano Leiteiro eram vistos em nossas esquinas da vida com suas alegres falas e sorrisos nossos...

(trecho do Livro O Pinguin da Rua do Meio)

15.9.07

PADRE NABAIS UM SIMBOLO DO "O REBATE" N A RESISTENCIA DOS ANOS 70


PADRE NABAIS EM MACAÉ. VIVA NABAIS...

Os anos 60/70 foram de grande importância politico;social para a nosso região. "O REBATE" lutava em favor das Liberdades e suas páginas eram sensuradas pelos detentores do poder. Nas oficinas da Rua Marechal Deodoro, 15o, no centro de Macaé funcionava nossa oficina. Era ali que, com letras compiadas uma a uma a gente fazia o jornal ir às ruas e o colocava nos corrêios para centenas de pessoas que moravam fora da região.
Padre Nabais era um de nossos COLUNISTAS. Suas matérias vinham sempre trazendo as belezas de seu apoio a nosso trabalho e fortalecia nossas almas com suas palavras de carinho e afeto.

Sempre à frente de seus pares ele sabia de nossa luta e caminhava com a gente "ombro a Ombro" na busca das liberdades democráticas e na batalha contra a corrupção que já existia em grande escala no poder.
Nabais jamais se intimidou com as idas e vindas de censores no nosso jornal. Seu linguajar, de além mares, misturava com as nossas falas e trazia o conforto para a investida em novas edições do "O REBATE "nos anos de chumbo...
Hoje recebe de meu velho companheiro Ubiratan, dos bons tempos alegres do nosso tempo de Previdência Social, que este grande amigo e Padre estará em Macaé, na Paróquia que ele fundou nos anos que referi acima.

Ubiratan:

Alô, Milbs. O Padre Nabais informou à secretária da Igreja de S. Paulo Apóstolo q estará em Macaé em 19/9, chegando entre 12 e 13:00h. No dia 20/9, às 19h30, deverá celebrar a missa na mesma igreja. Um abr.

Uma grata e feliz névoa de saudosa alegria tomou conta de minhas paredes memoriais e, indo ao PC, fiz este texto que passo para a internet com o intuito de imortalizar este homem simples, esta jovem português dos anos 70 que deu, com minha geração, passadas largas na redemocratização do Brasil
Interessante que sempre temos um Português nas grandes transformações de nossa história. E Nabais foi um destes portugueses que deram o grande impulso na imprensa de Macaé na busca de uma luz na liberdade que a gente almejava...
Boas vinda amigo Nabais. (José Milbs de Lacerda Gama, editor de O REBATE no www.jornalorebate.com )

11.9.07

ODALCY LORINHO DA TELERJ E OS OLHOS DE MANFREDO...

OS OLHOS AZUIS DE MANFREDO E O SORRISO TIMIDO DE ODALCY LORINHO...

Existem duas Macaés nestes últimos 25 anos. Uma Macaé que diminui a cada dia e que se encolhe e outra que incha de uma forma, às vezes benéficas outras ruins para a sua história.

A Macaé verdadeiramente moldada em nossa história vive nos cantos, vendo ser feita uma tentativa de passar um mata-borrão em suas origens e abortar figuras terrivelmente alheias as verdades históricas de suas raízes. Sorte nossa que a PETROBRAS trouxe muita gente boa e muitos de seus filhos estão ai a misturar-se com o sangue dos nativos...

Por isso é que quando morre um pilar de nossa história a gente fica pensando na lacuna que se abre de uma forma triste e saudosa. Manfredo Frota era uma espécie de remanescente de uma Macaé que se esvai no tempo. Sua beleza humana trazia na fala e na inteligência o brilho herdado de seu pai Silvino que se moldou de forma harmoniosa às noites boêmias da cidade nos anos 50. Os seus olhos esverdeadamente azuis se pareciam com os de Ereny Monteiro e faziam a gente pensar que tinha hereditariedade em seu saudoso cunhado Paulo Neto que era também possuidor deste azul que mais parecia o mar de Imbetiba em seus dias de belezas e encantamento, hoje tão triste e moribundamente amarelado...

II

Manfredo, Milcélio, Cláudio Itagiba, Fernando, seu irmão, Alvinho Paixão, Dodô, Palito de seu Hipólito, Byra irmão de Iltamir eram uma parte viva das noites macaenses e Manfredo se sobressaia por ser um dos poucos que lia e relia os grandes vultos da cultura brasileira e internacional. Às vezes sua presença se fazia junto do Elso Mussi, outras vezes estava com Motinha, Turrinha, Tonito, Levy, Barcellar, Walter ou Faetinho no bar São Cristóvão de Sylvio e Ivo Lopes. Vez outra no Ipiranga em sua domingueira, com Arley, Dunga ou Buruca ou Celso Mancebo. Era sempre uma presença macaense que ele harmonizava com seu vulto esguio e belo.

Quantas vezes Manfredo entrava no bar de dona Dadá e discutia com Birosca sobre Futebol e era ouvido por Luiz Pinheiro ou Luiz Carneiro? À tardinha era com Itinho Cabeludo da Boa Vista ou Mirian Almeida da Rua do Meio ou Cláudio Moacyr ou Zezinho Crespo ou Bill.

Era sempre Manfredo que trazia as novidades filosóficas que falava com Euzébio Mello, Ferdinando ou Carminha Garrido. Seus olhos romperam as décadas de 50, 60 e nos fez seu admirador e amigo. Quantas noites Antônio Parodi, Roberto e Ricardo Moacyr o viram passar com seus livros embaixo do braço indo para o Imperatriz conversar com o mestre Upiano? Manfredo fechou para sempre os seus olhos azuis...

Acho que foi por isso que, após a ressaca, a Imbetiba amarelou. Devia estar sendo misturada na essência deste nosso macaense que se foi.

III

Macaé está triste. Um pilar de sua consistência cultural morre em pleno início vigor de sua inteligenvia.

Quem sabe volte a brilhar na beleza dos pirilampos que voltarão as nossas ruas com o blecaute que se anuncia? Será que os vaga-lumes têm olhos azuis?Afirmo que tem.

‘Uma das poucas idas as noites neste início de século recebi de outros olhos verdes/azuies um cândido agradecimento pelo meu texto. Era sua filha que vinha até minha solitária mesa afagar-me em gratidão pelo que disse do bom Manfredo... Numa mesa distante eu era a programação afetuosa de uma linda e doce Reiquiana...

IV

Lorinho, o nosso Odalçy

O ano era de l979 e era muito difícil formar o PT em Macaé. Além do temor de participar de um partido que se ensaiava como de esquerda, Macaé, historicamente, tinha suas raízes de esquerda num modelo diferente onde os anos de lutas tinham no PCB a hegemonia.

Tínhamos uma missão difícil. Fomos à luta para fundar o partido. Euzébio Mello, Honório José, Omir Rocha, Odalcyr Motta e Eu. Estava feita a primeira comissão do Partido dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro. Depois se fundou no Rio e o PT se espalhou. Hoje é um partido gordo bem nutrido e, em alguns de seus membros com cara de PSDB e PSD. Bem distante das origens mais ainda com cheiro de PT apesar dos perfumes importados que alguns usam nas noites macaenses. Mais ainda tem a teima dos que, iguais a Lorinho, Euzébio e Omir, sabem que a mentira tem pernas curtas e que a fantasia tem que sair após as festividades do Poder.

Nós fundadores sabíamos disso por essência ideológica. Euzébio se foi. Omir idem e agora perdemos o nosso Lorinho em triste desastre de automóvel.

Odalcyr sempre esteve à frente das lutas políticas de Macaé. Na Telerj, onde trabalhou por anos e anos, sempre esteve ao lado das justas lutas de seus companheiros preferindo as poeiras das ruas ao refrigerados da diretoria. Era sempre com seu olhar brejeiro e sorriso tímido que a gente o via nas ruas de Macaé onde sempre esteve. Lorinho vem de uma história nitidamente macaense. Na Rua 7 de setembro onde morou com sua mãe com Ceil e Ilse seus irmaosirmãos ele começou trabalhando no O REBATE com Milton Madureira com quem aprendeu o valor do trabalho profissional. Estudando no Luiz Reid foi para a Telerj onde saiu para o trabalho particular. Fiel a família tinha grande carinho por seus filhos e era deles o seu orgulho quando se tinha tempo para conversar. Sua coragem nas lutas ele sempre que podia me confidenciava vir do sangue dos Motas. Havia uma quase certeza que era descendente de Motta Coqueiro. Lourinho é mais um pilar da história das nossas ruas que se vai prematuramente como foi Euzébio e Omir. Parece que o destino tinha que fazer uma das suas e ceifado a vida deste bravo companheiro. Morreu trabalhando o bom e puro Lorinho da Telerj.

As lagrimas que corriam da face do amigo Izaac de Souza e a tristeza do olhar meigo de Mazinho Rocha,no momento que comunicavam a morte de Lorinho, eram a demonstração do afeto que eles tinham por este bravo companheiro...

Com Lorinho se podia conversar sobre as belezas de uma velha cidade que teima em esquecer os verdadeiros valores de suas ruas empoeiradas e alegres...(José Milbs de Lacerda Gama editor de "O Rebate" www.jornalorebate.com

4.9.07

MANOEL DO CARMO LOSADA: o médico dos pobres...

MANOEL DO CARMO LOSADA, o último dos grandes médicos humanistas da região de petróleo...... José Milbs

A região de petróleo ainda engatinhava como toda região banhada pelo Sol e pelo frescor de suas tardes e ruas empoeiradas quando chegou em Macaé um jovem aloirado, sorriso alegre e timidez aflorada. Formado em medicina ele aportou em Macaé. Cidade onde a história da medicina sempre esteve voltada pelo social e,que tem no Júlio Maximiliano Olivier, seu maior vulto. Parecia que o Dr. Manél era a própria encarnação do grande Doutor Júlio. Alegre, sempre em contacto com os mais pobres e, atendendo com carinho os menos favorecidos da sorte, foi criando uma áurea de encantamento e respeito em toda a nossa comunidade.

Vendo crescer as dificuldades do POVO da região, com dezenas de políticos explorando o voto e negociando vantagens para seus familiares e amigos, com nomeações em alto cargos do Estado e do Município, pensou em ser candidato. Em 1962 candidatou-se a deputado e em 1970 a prefeito. Em ambas as tentativas foi um dos mais votados mais não se elegeu...

Manoel do Carmo Losada era um dos mais belos exemplares da medicina. Diferente dos 90% dos “Médicos Eletrônicos” dos anos 2000, aparentava aos olhos populares que ele tinha nascido para a medicina. Menino pobre do Rio de Janeiro, veio até a nossa cidade a convite do então médico Dr. Heleno que sumiu das nossas ruas não se sabe até hoje o porquê. Heleno, se não conseguiu criar seus lastros médicos, porém tem o mérito de haver nos presenteado com a vinda do nosso “Dr. Manél” que fez sua história marcada pelo amor ao próximo e o carisma dos grandes amigos.

Particularmente fui seu amigo. Na profissão ele cuidou de minha avó Nhasinha (Alice Lacerda) e, sabendo das nossas dificuldades financeiras, jamais se preocupou com a parte comercial da profissão. Pelo contrário, sua vinda diária a Rua Doutor Bueno, 18O (Rua do Meio), era sempre com uma sacola de remédios e algumas saborosas frutas que ele mesmo espalhava pela mesa simples de nossa casa...

Acompanhou até os últimos momentos a nossa avó e, como um filho, levou-a até o Rio de janeiro para os exames finais que lhe diagnosticavam “pleuris”...

Trabalhamos juntos no velho INAMPS e, seu plantão era um dos mais concorridos. Sua sala de atendimento vivia sempre irradiando uma constante alegria que era entrelaçado pelas alegres gargalhada de clientes e segurados. Parecia que havia uma névoa de espiritualidade neste homem simples, fantasiado de médico. Como se baixasse em seus atendimentos a mola impulsionadora da cura das tristezas humanas. Eu presenciava a chegada dos doentes e os via sair com as faces alegres como se tivessem deixado suas angustias e dramas no consultório do PU...

Era assim este homem/médico que a cidade perdeu. Seus últimos dias de vida foram na luta pelo “Parkinson” que o curvava a cada passada. Jamais, no entanto, perdeu a beleza de seu olhar o sorriso quando encontrava algum amigo ou cliente. Eu mesmo me consultei, quando o vi pela última vez caminhando com Maria Aparecida da Costa Losada, minha colega de primeiro ano ginasial B. Ao me ver, suas mãos ainda trêmulas pela doença, falamos das amenidades que a saudade toca nestes momentos especiais aos seres humanos. Brincamos, falamos das políticas, das pessoas etc. Antes, porém perguntei - como que o fazendo rever seu passado no mundo da medicina: - Manoél, que você acha destas minhas manchinhas avermelhadas que brotam nos meus braços? Elas vêem, somem e voltam... Seu sorriso voltou aos anos de 1960 quando o conheci. E pude reencontrar o “Médico dos Pobres de volta às consultas”:

O que você tem é uma alergia comum a idade. Ou procure um (a) dermatologista ou mande fazer com sua filha/farmacêutica Aninha, o Hidraktine a 10. Fiz o Hixixine, o usei e as manchas sumiram...

Manoel do Carmo Losada foi um dos mais competentes estudiosos no campo da Pneumologia. Nele brotava a essência dos ensinamentos de Hipócrates...

Criou o Dispensário de Tuberculose em Macaé e, ele mesmo, serviu de cobaia para os vírus. Arriscou sua vida na busca das curas de centenas de doentes do Pulmão.

Ao homenageá-lo “pos-morte” o faço para que seu nome fique imortalizado na internet como símbolo de amor a medicina que foi sempre sua existência. (José Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com).


História da Medicina
As origens da medicina, conhecimentos de anatomia no Egito Antigo e na Grécia Antiga, os avanços da medicina na época moderna, medicina na atualidade, o Juramento de Hipócrates

Hipócrates - pai da medicina
Hipócrates: pai da medicina

Por meio de descobertas arqueológicas, descobrimos que os povos da antiguidade, como os egípcios, já realizavam operações complexas, fato que comprova grande desenvolvimento e inteligência desse povo. Este povo fez grandes avanços na medicina graças ao seu sofisticado processo de mumificação de corpos. Os mumificadores, ao abrirem os corpos dos faraós para retirar as entranhas, conseguiam muitas informações sobre a anatomia humana.

Sabe-se que os gregos foram os pioneiros no estudo dos sintomas das doenças. Eles tiveram como mestre Hipócrates (considerado até hoje o pai da medicina). Um outro povo que teve também um grande conhecedor da medicina (o grego Galeno, que morava em Roma) foi o povo romano. Após Hipócrates e Galeno, a medicina teve poucos avanços.

Na Idade Média, era comum que o médico procurasse curar praticamente todas as doenças utilizando o recurso da sangria. Este era feito, principalmente, com a utilização de sangue-sugas. Porém, neste período os conhecimentos avançaram pouco, pois havia uma forte influência da Igreja Católica que condenava as pesquisas científicas.

No período do Renascimento Cultural (séculos XV e XVI ) houve um grande avanço da medicina. Movidos por uma grande vontade de descobrir o funcionamento do corpo humano, médicos buscaram explicar as doenças através de estudos científicos e testes de laboratório.

Contudo, no século XVII, William Harvey fez uma nova descoberta: o sistema circulatório do sangue. A partir daí, os homens passaram a compreender melhor a anatomia e a fisiologia.

No século XIX todo o conhecimento ficou mais apurado após a invenção do microscópio acromático. Com esta invenção, Louis Pasteur conseguiu um enorme avanço para medicina, ao descobrir que as bactérias são as responsáveis pela causa de grande parte das doenças.

Felizmente, a medicina atual dispõe de inúmeras drogas capazes de curar, controlar e até mesmo de evitar inúmeras doenças. Aparelhos eletrônicos sofisticados são capazes de fazer um diagnóstico apurado, passando informações importantes sobre o paciente. Os avanços nesta área são rápidos e possibilitam um vida cada vez melhor para as pessoas.

O Juramento de Hipócrates

" Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."