Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

20.1.15

FRANCO CIPRIANI, NASCEU EM NETUNO NA ITALIA E AMOU E FOI AMADO EM MACAÉ - RIO DE JANEIRO - ONDE FALECEU ....

MORREU, COM QUASE 90 ANINHOS, O MEU VELHO AMIGO ITALIANO FRANCO CIPRIANI, IRMÃO DE SÉRGIO QUE SE FOI NOS ANOS 50... Macaé era ainda uma Cidadezinha de Sol, Mar, Praia, Rua Principal com Cavaletes onde as "minas" iam de lá pra cá e piravam com a presença de um lindo italiano que a todAs encantavam com seu sotaque e olhar esguio...Conquistou o coração da mais lindas de todas as filhas do Velho Abraão Agostinho, irmão mais velho do Lacerda....Fomos amigos. Eu ele, Fúbio e Sérgio... FRANCO deverá ser recepcionado no Céu de Netuno, sua linda terra do onde sempre falava com orgulho. Terra do Vinho e que aprendi a amar com o cantar deles 3, nas noites lindas de nossa boemia numa Macaé Bucalicamente nossa...: (História do Vinho, diziam para mim os 3. Aprenda ai Pinguino... PAMPANHO, PAMPA NO PAMPANHO, oh que bello vinho.... Grande Franco que deixou seu filho Romano com sua beleza e simpatia a florir o Canteiro de amigos de minha cidadezinha que ficou mais triste... Beijos ai em Sérgio e Fúvio... José!!!! editor de O REBATE

18.12.14

A CADEIA E O TERRENO DOS ESTUDANTES Armando Barreto Ao ver máquinas da prefeitura demolindo quiosques no terreno em frente ao mercado de peixes, voltei a 1962, quando o presidente da Federação dos Estudantes de Macaé, José Milbs Lacerda Gama, e eu como seu secretário, conseguimos uma audiência com o governador Celso Peçanha, depois de várias idas a Niterói, visando a doação de um terreno para construção de uma sede própria. Era um tempo de muita efervescência política, principalmente entre a politizada juventude sob a liderança nacional da UNE e UBES, engajadas num forte nacionalismo de esquerda em busca de reformas. Lembro-me, como se fosse hoje, nós de terno, indo a Niterói várias vezes, com dinheiro curto no bolso, que dava para as passagens e o popular PF. Sem conseguir audiência, víamos obrigados a ficar para o dia seguinte, com o colarinho suado e já sujo de poeira. Nosso “hotel” era de milhões de estrelas, no frescor da madrugada de uma cidade que ainda respirava o romantismo . Pegávamos a barca no final da noite e onde ela parasse aí ficávamos dormindo em banco da Praça XV, como dois engravatados ferrados que curtiram a noite na gandaia. Pois bem, numa das tentativas em busca de uma audiência, a malandragem de Milbs funcionou. Driblamos a vigilância dos seguranças, logo após o almoço, e conseguimos chegar à sala de despacho do governador e, numa confortável poltrona, esperamos para ver o bicho que ia dar. De repente, um susto, um policial abriu a porta e perguntou o que fazíamos ali. E Milbs: “nós somos da Federação dos Estudantes de Macaé e o governador pediu pra gente esperar”. O policial ficou encarando, na dúvida, mas resolveu ceder. Depois de uma hora de agonia, lá vinha Celso Peçanha, de pijama e limpando os olhos, após sua merecida sesta. Ao colocar os ósculos de lentes grossas e nos ver ali sentadinhos, de braços abertos perguntou: - “ estudantes de Macaé, o que estão fazendo aqui?”. Ele já nos conhecia de outros contatos políticos. Pronto, ganhamos seu carinho e simpatia. Sobre sua mesa muitas correspondências. Após saber o que queríamos e enquanto dava seus despachos, prometeu que iria colocar o Departamento de Engenharia à nossa disposição para ver se havia algum terreno na cidade para nos doar. Foi num período de muitas nomeações, quando vários macaenses foram admitidos como Fiscais de Renda. Não havia concurso, e chegou a nos oferecer uma vaga em Conceição de Macabu, que nem demos importância. Havia sim, uma nesga de terra onde, conta-nos o advogado e escritor macaense Antão de Vasconcellos em seu “Crimes Célebres em Macaé” (fevereiro 1911), uma cadeia, de grossas paredes, “hospedou” o próspero fazendeiro campista Motta Coqueiro (enforcado), os perigosos negros vindos da África Chico do Padre e Carukango. Esse terreno foi doado e o Departamento de Engenharia ainda nos deu a grande ajuda de elaborar uma planta do prédio, de dois pavimentos e ocupando praticamente a área toda. Mas a escritura de doação continha uma cláusula preocupante: prazo de três anos para construir, sob pena de o terreno voltar ao patrimônio do Estado. Como seria dificílimo, resolvemos projetar uma sede provisória. Gratuitamente, o saudoso Roberto Peixoto amigo da estudantada, fez uma planta e pediu aprovação junto à Prefeitura (prefeito Benjamin). Como não tínhamos recursos, começamos a fazer uma campanha pró-sede e levantamos o alicerce, eu já como presidente eleito numa campanha das mais movimentadas em Macaé, cuja apuração teve que ser feita pelo Juiz da Comarca, Aulomar Lobato da Costa. Com a também eleição de Milbs para a presidência da Confederação dos Estudantes Secundários (Cofes) e a força dos movimentos estudantis, conseguimos junto a Roberto Pontual inserir uma verba de 4 milhões de cruzeiros (cerca de R$ 4 mil hoje) no Ministério da Educação e Cultura. A verba saiu com a intervenção de um advogado em Brasília. A sede provisória foi levantada até a laje, com portas e janelas no lugar, mas a ditadura veio e colocou a entidades estudantis na ilegalidade. Quando já estava fora de Macaé, o Poder Judiciário chegou a usar salas do imóvel para guardar bens arrestados. Em 1974, os Procuradores do Estado Iltamir Abreu, Marlo Fabiano Seixas e Altamirando entraram com uma ação de reintegração de posse, alegando, entre outras coisas, que o imóvel era um pardieiro, onde se reuniam bêbados e prostitutas. Tomando conhecimento dessa iniciativa, Milbs procurou o Juiz da Comarca, dr. Carlos Sanches, que o orientou a fazer uma carta relatando a situação, alegando que a Federação havia construído uma sede no prazo de três anos e que só não foi possível concluí-la totalmente por causa do golpe militar. Argumentou ainda que achava estranho a Procuradoria chamar de pardieiro um prédio onde a Justiça guardava bens penhorados. O magistrado acatou e negou o pedido de reintegração, garantindo a posse do terreno à Federação, na possibilidade de seu retorno às atividades. Diante do prédio invadido por desocupados, a prefeitura resolveu demoli-lo em razão das reclamações de moradores. Já em 1999, o então prefeito Sylvio ocupou o terreno com a construção de quiosques, o que gerou uma grande polêmica, com sua liderança na Câmara tentando defendê-lo acusando-me, sem nenhuma base, de ter desviado quatro milhões da FEM. Esse vereador foi posteriormente cassado por outros motivos. Como a juventude estudantil se alienou nos 21 anos de ditadura e o consumismo tornou-se sedutor, com os sofisticados meios de comunicação absorvendo seus interesses, faz bem a prefeitura em usar aquele espaço para melhorar o já complicado trânsito da cidade. Essa é a história de uma entidade estudantil que não deixou de protestar contra o golpe, colocando na sacada de sua velha sede alugada uma faixa com a seguinte frase: - “Consciência legalista contra o golpismo dos gorilas”.

26.9.14

SAUDADE DA TERRA EM QUE NASCEU FAZ DE LENILSON BARBIRATO DO ROSÁRIO FILHO UM MACAENSE PRESENTE!!!... Luiz Lawrie Reid disse em seu ÚLTIMO CONTO que guardo o original em meu Arquivo Pessoal, que; - "A teimosia é comum em todos que nasscem na cidade de Macaé". Ele, Reid,quis e fez uma obra grandiosa que hoje é o Colégio Estadual que leva o seu nome... Teimou, criou uma Comissão de obras, colocou Ferry Jacourd de Azeredo como membro,buscou na presença do "Sargento Gavião" um homem digno e simples para seu representante na obra e doou a cidade o monumento... A teimosia, o amor a cidade, o "ser macaense" é muito comum. Exemplo o grande Armando Rozário, Fotografo mundialmente reconhecido, autor de milhares de fotos que se espalham pelo mundo... Rozário nasceu em Macau na China... Ser sente macauense e macaense... coisas da beleza dos desejos... Vejo hoje o email do Lenilson. Não o conheço mais tive a honra a alegria de receber seu telefonema. Cercado de Carinho e afeto por sua cidade natal que ele quer rever. Coisas que acontecem, creio eu, em quase todas as Cidadezinhas de Inteiror por este mundo. Mas o que me tocou a profunda e esperançosa alegria deste macaense na busca de seus momentos mágicos nas ruas empoeiradas que não existem mais, na Praia de Imbetiba que lá está diferente e outras outras saudades.. Bem vindo Lenilson...José Milbs (editor de O REBATE ).
De: lbrjr@bol.com.br Enviada: Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014 17:36 Para: josemilbs@hotmail.com Assunto: Informações sobre Macaé Prezado Senhor José Milbs: Agradecendo muito os esclarecimentos a respeito de como encontrar notícias de hotéis da minha cidade natal onde eu possa me hospedar em Macaé,RJ,e ,como já lhe expliquei,nasci na Santa Casa de Misericordia,em 1946.Um mês após o meu nascimento fui com os meus pais para São Simão,SP,onde meu pai,Dr.Lenilson Barbirato do Rosário,Eng.Agrônomo de Campos,RJ,e também do DNOS em Macaé,foi convidado a ser Diretor da Estação Experimental do Ministério da Agricultura,de São Simão ,SP.Em 1956,viemos para o Rio de Janeiro onde meu pai foi convidado a trabalhar no Min.Agric.junto ao Gabinete Geral e outros Departamentos.Em 1968,ele foi convidado a ser Diretor da Estação Experimental de Campos,RJ(Ministério da Agricultura).E por aí fiquei com a minha familia no Rio ,em Campos e de passagem ,às vezes por Macaé.Assim,na verdade ,eu jamais residi em Macaé,Rj,embora tenha passado alguns fins de semana , férias,etc.Mas isso ocorreu há muitos anos,antes de Macaé haver se tornado o que é hoje em dia.Eu fui da época da "Princesinha do Atlântico",do SESC,do Hotel Imbetiba,Hotel Palace,Hotel Central,Praia do Forte...Ainda existem?Pelo que o senhor me disse ,pelo telefone,alguns foram comprados pela Petrobrás...As coisas antigas ja foram destruídas?E a Macaé atual?Quais as praias que tem condições de uso para banho de mar?Cavaleiros, Imbetiba,Campista?Não me recordo das outras...A Lagoa de Imbetiba,acho que esse é o nome...Mas que macarense eu sou!Nada sei mais da minha cidade!É isso que estou buscando...É isso,agora vou me atualizar com as informações sobre Macaé,através dos jornais e outras fontes,a fim que eu possa mostrá-la à minha esposa, ao meu filho,nora e netos numas pretendidas estadias de fins de semana ou férias...Novamente,muito agradecido pela sua atenção a este conterrâneo desligado da sua cidade pelo destino que Deus lhe impôs,ou que a vida assim o quis.Abraços,Lenilson Barbirato do Rosário,Junior.Celular:(21)99646.4169

20.6.14

A casa não é sua, gringo! Aqui também tem um povo! TEXTO DE 2007 NO JORNAL A NOVA DEMOCRACIA

inicio Nº 34 A casa não é sua, gringo! Aqui também tem um povo! Ano V. nº 34, abril de 2007 José Milbs Eles chegaram, olharam, gostaram muito. Pensam que é deles. Refiro-me a esta turba de gringos, chefetes de transnacionais que infestam a cidade de Macaé, afrontam o povo, o verdadeiro dono das coisas e das terras macaenses. De dentro de suas mansões que mais parecem palácios, cheios de seguranças, muros eletrificados, esses galos de granja fanhos e de língua enrolada (o "idioma dos gatos", como descrevia a saudosa Jurema Finamour) lançam olhares de nojo para quem passa em frente às suas casas. São figuras frágeis que para se manter em pé necessitam escorar-se nas bordas do capitalismo que vive sua agonia final. Assim sustentam suas poses treinadas nos espelhos de uma consciência milenarmente corrupta, colonial, alimentada na exploração do homem pelo homem e nas guerras de agressão aos povos. Com suas drogas e seus automóveis luxuosos que cheiram a porão de navio viking, podem comprar pessoas e empresas nacionais. Podem e conseguem porque os destinos de nosso país, por enquanto, permanecem nas mãos dos gerentes coloniais, assalariados de luxo do império, infelizes e submissos que comem o que cai das mesas dos magnatas e se iludem com tronos imaginários edificados em areias movediças. II Macaé nunca incorporou essa gentalha à população nativa, esses paspalhos homiziados em seus condomínios luxuosos. A cidade assimilou os petroleiros de hoje, os operários da construção civil e a gente trabalhadora em geral, como no passado fez com os ferroviários. Gringos assim já estiveram por aqui. Vieram e se foram. Deixaram rastros de destruição, prostituição, drogas e desemprego. Os de hoje são muito piores. Conseguem ser mais degenerados e detestam - como lá onde eles se procriam, no USA - os latinos. Olham para os nativos como seres inferiores à sua "raça". A maioria destes senhores que dá ordem ao poder colonizado é ianque. Os invasores aportaram em Macaé com suas firmas presenteadas em troca dos serviços prestados em golpes de Estado, em guerras de agressão e genocídio nas quais, com muito agrado, desempenharam papéis protagônicos. Costuma-se contar que, a serviço no Vietnã, esses mesmos ianques matavam crianças vietnamitas jogando-as para o alto e aparando-as nas suas frias baionetas... Assassinos desse tipo conseguem dormir porque desde abril de 1964 não há mais governo brasileiro, capaz de ir ao encalço desses criminosos. Muitos, até agora, são chamados de "capitão tal" ou por outras patentes que ganharam nos massacres perpetrados contra o povo trabalhador em várias partes do mundo. Seus chefes costumam compensar com bons pagamentos esses heróis da covardia, das invasões, da rapina e dos massacres em terras alheias. Entregam aos seus subalternos, como prêmio, algumas empresas em países cujos governos se dobram a eles. A família de Bush Maluco, quando ouviu falar de petróleo em Macaé, montou uma "empresa" aqui, que tem o nome de Halliburton. Seu vice atual, Dick Cheney, figurou como diretor geral da Halliburton que, na realidade, continua pertencendo à família de Bush. Agora, surge uma denúncia no USA de que desviaram 2,5 bilhões de dólares da guerra no Iraque para essa mesma empresa. São genocidas e ladrões duas vezes. Afora quando roubam deles mesmos. De qualquer forma, a fabulosa quantia subtraída ao Tesouro dos piratas ianques, se não é aplicada criminosamente contra os iraquianos passa a ser criminosamente aplicada contra os brasileiros no Rio de Janeiro. E tem gente que pensa que nós não temos nada a ver com a guerra no Iraque ou que os assassinos imperialistas ainda não nos atacaram. O Brasil vive na mira dessa gente e, por isso, Macaé - como a cidade que tem a maior reserva de petróleo do país - é o alvo de suas invasões. O dinheiro fácil que aparenta vir da extração do petróleo, esconde fabulosos negócios, desde aqueles pertencentes aos grandes criminosos de guerra aos cruéis facínoras de segundo escalão, velhos traficantes de drogas e mulheres, a exemplo do que a própria Polícia Federal desvendou no interior de São Paulo com a prisão de um bandido de procedência libanesa, estourando de intoxicação, e que se intitulava "homem do Petróleo". Mas a essa mesma polícia, por acaso, mandaram investigar a vida pregressa dos ianques que vivem nas mansões macaenses, como reis e imperadores? Costuma fiscalizar, com ordens judiciais, o conteúdo dos milhares de containers de grande risco, portadores de "novas bactérias" e de ilícitos penais que chegam ao município? III Lá, no USA, eles prendem tudo que é latino, devassam a sua vida, jogam para cima colchão, bolsas, rasgam mochilas, para depois permitirem que o imigrado transite naquele território... na condição de escravo, naturalmente. E aqui, aonde os pescadores são os donos do mar, e aonde os velhos ferroviários, petroleiros e seus descendentes devem ser os verdadeiros senhores? Não acredito, embora já tenha certeza que o poder central é gerente - nada mais que um preposto do gringo - que toda a gente brasileira esteja acocorada ao USA. Entre os privilegiados, grandes brasileiros e democratas precisam fazer valer seus sentimentos patrióticos e não apenas as massas trabalhadoras. Esperar por quem, por mais o quê? Macaé, sua "elite" e muitos de seus "governantes", são cúmplices desses invasores. Macaé está muito maior do que a gente imaginava ficar. São milhares e milhares de brasileiros, da mesma forma, vilmente explorados. Definitivamente, não se pode permitir que nossas vidas permaneçam nas mãos dessa lumpem-burguesia, que de tão porca precisa banhar-se em perfume francês para ter o seu cheiro suportável. O povo, os pescadores, os camponeses, os ferroviários, petroleiros e os estudantes, são os senhores. Não ao encastelamento e às cercas eletrificadas. Sim à liberdade (a inteligência edificada da necessidade, nas formas da ação das massas) e à igualdade dos que vivem pelas suas próprias mãos, que juntas constroem os instrumentos destinados a romper com o modo de produção mais decadente que a humanidade já conheceu. E este é o momento para dizer não e esses invasores, antes que um amanhã seja tarde... O sol ainda reina no entardecer da cidade e alguns jovens petroleiros, transportados por vans, uns em suas bicicletas e outros a pé, se dirigem ao embarque para as plataformas no mar. Enormes perigos, vagalhões que ameaçam varrer terraços gigantes de um lado ao outro, tudo faz lembrar o olhar de desprezo que o gringo lança sobre o dia a dia do nosso povo trabalhador macaense e aguça a contradição entre a mesa do explorado e a vida fácil do bandido rico cercada de recursos cuja origem não se explica. Como dizia meu velho avô Mathias Coutinho de Lacerda, macaense, dono da Fazenda do Airys, nos anos de 1915, quando dele se aproximava algum "visitante"; um explorador do trabalho alheio ou rico assassino querendo fazer negócio: — Ponha-se para fora! A casa aqui tem dono!

17.6.14

Da maldade e da honradez humanas OUSAR LUTAR ---- OUSAR VENCER 2007

Da maldade e da honradez humanas - José Milbs Habitam luxuosas residências. Caras de paspalho, uns com barbas, outros com as caras raspadinhas e cabelos feitos em salões. São animais que a ciência insiste em dizer que fazem parte da espécie humana: comem, dormem, fazem suas necessidades e até aprenderam a procriação. Mas não trabalham. Antes, vivem da exploração do trabalho e cumprem as ordens da desordem crescente. Costumam se cercar de seguranças com seus ternos negros que mais parecem capitães do mato lançando olhares que imitam valentia. Usam veículos importados. Trazem mulheres que cheiram a perfumes caros e acompanham infelizes filhos que os admiram como a um cofre abarrotado de dinheiro. Parecem animais criados em cativeiros, frangos e frangas americanas que não podem se expor ao vento ou colocar os pés em outro chão que não seja o das granjas. Nesse caso, o chão dos palácios e gabinetes. Ventos açoitam as folhas das palmeiras e coqueiros que ornam a Praia dos Cavaleiros, em Macaé, cidadezinha do norte do Rio de Janeiro. Meninos e meninas normais expõem seus cabelos ao morno ventar que vem das ilhas nativas. Pés descalços, sorrisos nos lindos olhos e no repuxo dos sobrolhos queimados pelo sol macaense. Assim é a bela e boa gente trabalhadora dali. Espigões é a diferenciação no mundo natural de casas simples, mas plenas de aconchego e de amor. A ganância contraída no processo de acumulação fez de cada engravatado com seu sorriso de lagarto esquecer que existe o humano dentro de si. Transmitem aos pobres e infelizes filhos uma imagem fedente a perfumes e gestos efeminados dos opressores em decadência. Os jornais que socorrem os exploradores anunciam leis contra o povo, trapalhadas financeiras e os eventos ociosos das mansões, a maioria construída mediante desvios de cofres públicos, superfaturamento de obras e "serviços" junto aos tais poderes constituídos. O meigo sol de primavera se aproxima com o novo ano. A cidade está inflada. As empreiteiras se vão e, em seu lugar, ficam as sub-empreiteiras dirigidas pelos jagunços pinçados a dedo nas fazendas. Eles convocam rapidamente os trabalhadores que estão nas obras, aqueles que, com suor, lágrimas e saudades, foram os responsáveis pelas construções. II A frieza dos jagunços se assemelha à do seu chefe investido de empresário, o mesmo que se posta ao lado dos que exercem a função de autoridades municipais. Burocratas mais graduados supervisionam os detalhes das inaugurações. A temporada de festividades consagradas ao esplendor do crime lícito chega rápido. Timtins barulham copos do mais puro escocês, tão puro quanto a fina casta de ladrões e assassinos que o consome. Espalhados pelos salões e jardins que os acolhem, esses grupos de expropriadores da força de trabalho e do patrimônio público destilam idéias monstruosas enquanto expõem suas presas de pervertida alegria. Esforçam-se o quanto podem em cada detalhe da imitação de cordialidade humana, revelando pleno domínio sobre as regras de conduta dos desocupados sociais. Tapinhas nas costas de outros empregados de luxo denotam formas cínicas de distribuir chantagens e ameaças, como que fizessem recordar que as benesses recebidas dos faturamentos devem ter sempre continuidade. Nas areias da praia, centenas de jovens se banham e olham descontraídos para o vai e vem das ondas esverdeadas e puras. Crianças correm e brincam com pequenos caranguejos que assanham as areias e voltam para seu habitat. Os trabalhadores - antes convocados pelos "agenciadores de emprego", na realidade administradores do desemprego - foram avisados: estão dispensados do longo e penoso trabalho de quase um ano de obra. Moraram em palafitas, se alimentaram de comida fria, beberam muita pinga para abafar o soluço trazido pela humilhação e pela nostalgia. Chamados nominalmente e, contendo o ódio que brota em seus olhos, recebem a última parcela do salário miserável. Aceitam, como lhes chegam, os registros adulterados nas carteiras de trabalho. Até porque onde iriam reclamar "seus direitos" se, por entre as frestas envidraçadas dos escritórios, avistam os dirigentes do sindicalismo burocrático recebendo as tradicionais cortesias dos prepostos? Agora estão sem serviço remunerado. O que fazer para sustentar a si e à família? III Crianças, filhos desta pobre burguesia cujos dias estão contados com a aproximação da nova democracia, admiram as lindas meninas e meninos que vivem livres sob o sol nascente de Macaé. Querem também ir ao encontro de seus pares infantis, porque criança nasce tudo igual. São socialistas natas. Os canalhas, produtos do modo de produção imperialista e em agonia final, é que as desviam o quanto podem do amor fraterno. Do luxuoso hotel, elas buscam pelas gretas algum gesto que as identifiquem na essência com as crianças livres. Afastam-se sorrateiramente do ambiente podre de seus pais e dos demais cúmplices. Querem a liberdade de brincar, correr, ver os tatuís abrirem suas casas. Descem as escadas, quando já começam a ouvir os alegres ruídos da Praia do Pecado, do sussurro do mar... Os braços dos homens de ternos pretos obstruem a passagem e mandam as crianças de volta ao odioso regime de divisão de classes. Os seguranças não fazem mais que adiar a tendência natural das coisas... Vendedores ambulantes gritam sacolés, biscoitos, guloseimas e da mesma forma são afastados da frente do hotel. Tiras verde-amarelas cercam as ruas evitando a aproximação do povo. Por alguns momentos, os operários esquecem o sofrimento, a repressão dos exploradores e o desprezo dos acomodados. Cantam, assobiam cantigas de suas terras. Alguns ainda olham para os luxuosos prédios que construíram, como que imaginando para que tipo de gente trabalharam, que espécie tão pouco humana irá ocupá-los. Mulheres que conheceram, amigos que fizeram, crianças que acalentaram; tudo fica para trás. Pensam nas histórias que poderão contar aos seus filhos enquanto caminham pelas ruas macaenses rumo à rodoviária. Companheiros de mais confiança se encarregaram de trazer, de uma forma ou de outra, a alvissareira notícia que de que algo está para acontecer em toda a região do Rio. Com efeito, a quase uma hora dali, uma casa abriga vinte e oito operários que traçam planos de filiação a uma central de novo tipo. Prossegue animada a pequena assembléia que, na sua primeira pauta, já decidiu pela fundação do sindicato classista e combativo, verdadeira e digna organização da classe operária na construção civil (José Milbs de Lacerda Gama,texto extraido de http://ousarlutar.blogspot.com.br/2007/03/da-maldade-e-da-honradez-humanas-jos.html - OUSAR LUTAR !! - OUSAR VENCER !!! )...

15.6.14

MORRE NA REGIÃO DO PETROLÉO SENIZINHO VIEIRA JUNIOR

É COM MUITA TRISTEZA QUE FALO NA MORTE DE MEU VELHO AMIGO SENIZIO VIEIRA JUNIOR, O ESTIMADO SENIZINHO.... Quem fez a noticia foi seu filho marcus em comunicado no Face... Grande perda para a Região já que ele fez parte de uma linda história de alegrias e encantamento... José Milbs O REBATE... Amigos, meu pai, Senizio de Souza vieira Júnior, faleceu hoje. O velório será no Memorial e o enterro no cemitério de Santana na parte da manhã, provavelmente, às 11h. Agradeço pelo apoio que algumas pessoas tem demonstrado, mas peço que evitem telefonemas nesse momento, falar sobre o assunto é complicado e preciso de equilíbrio para agir as coisas.