Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

26.3.09

Por que choras quando eu canto?

No quarto 10 do Hospital de nome Casa de Caridade de Macaé

A FÉ DE NHASINHA

Dr. Moacyr Santos e Frei Baltazar se olharam de soslaio. De um lado o materialismo dialético do competente, do caridoso médico. Do outro a crendice de um velho Frei, musculoso, acostumado as durezas do dia a dia. Ambos se uniram numa coisa que une todos os seres da criação: o amor.

Os olhos lacrimejastes de Nhasinha tocaram as profundas almas destes dois homens acostumados com a morte. Moacyr e Frei Baltazar saíram do quarto e deixaram Nhasinha com seu filho ao colo moribundo.

"Nada podemos fazer", sussurram ou ao outro no longo corredor da velha e secular Casa de Caridade de Macaé.

Até o olhar de conforto que Dona Durvalina e Seu Aluísio Andrade faziam, que ficariam registrado no diário do tempo e escrito hoje, previam a morte rondando e sentiam que o pior estava para acontecer. Médico e Frei saiem do quarto 10 da Casa de Caridade de Macaé, Na 1ª dobra do longo corredor, balançam as cabeças para o casal Aluisio/Durvalina.

O menino estava desenganado

José Milbs ainda respirava. Nhasinha com as lágrimas que caiam em sua face enrolou a criança num lençol hospitalar e foi para o corredor. Ainda pode ver ao final do belo e imponente corredor o Médico Moacyr Santos e o Frei balthazae dobrarem com destino ao portão principal do Hospital, onde tinha uma Capela.

Ecila entra no quarto e diz com os olhos cheios de lágrimas: "Nada mais se pode fazer, minha mãe. Já foi minstrada a Extema-unçao, Ele foi batizado, como a senhora pediu. Não tenho culpa. Eu quis e lhe dei o meu filho em lugar do seu, meu irmão que a senhora perdeu...

Infelizmente ele não deve sobreviver. Falou Ecila, amparada pelo casal Aluisio/Durvalina Andrade.

Nhasinha foi em direção ao corredor com o recém-nascido ao colo, começou um processo de respiração com a criança, que só os deuses podem explicar. Se ali aconteceu algum milagre ninguém pode afirmar.

Fato é que pela manha, aquele corpinho gelado já dava sinais de aquecimento.

Os olhinhos começaram a tremer dando sintonia à existência vital ao redor. Dr. Moacyr chegou ao espanto quando viu o menino no outro dia. Se não fosse materialista diria que aconteceu um milagre.

Temos de pensar agora na parte estética, dificilmente poderá viver uma normalidade pois esse problema da cabeça o deformará.

Mais uma vez ele estava sendo o veículo do canal divino. Ela não se deixou abater. Com a criança sempre ao colo, que só ia para sua mãe de leite Nilza Mello, irmã de Tote Mello e esposa de Tinoco Keller. Nos outros períodos, Nhasinha fazia massagens e torneava a cabeça do menino.

Como um artista que transforma em esculturas peças brutas, ela, pacientemente ia mexendo e moldando a massa de carne vermelha que feiava seu querido neto, na representação viva de seu filho e esposo. O menino representava a trilogia que só o amor pode explicar e entender como vetor do tempo e das verdades ocultas ao homem.

Ela sabia que o tempo era seu aliado. Sabia que o amor e o tempo se unem sempre na existência humana torneando suas raízes e belezas. Nhasinha tinha esse espírito de conceituação filosófica e sabia a extensão do belo e o verdadeiro sentido do divino. Tem pessoas que nascem com este dom natural e Nhasinha tinha este nascimento.

Enquanto Ecila , Nilza e outras senhoras serviam o leite materno Nhasinha ficava noites e dias inteiros modelando esta massa fria de carne vermelha no belo que ela queria para esta criança. que tinha vindo ao mundo num dia 13 de agosto de l939 leonino como ela, que era de 20 de agosto de l889.

Os dias iam passando. As noites de setembro davam lugar a uma primavera fresca que até hoje habita Macaé. a Praça Veríssimo de Mello continuava com as folhas dos oitis caindo, crianças pulavam nos arredores da Casa de Caridade de Macaé.

Já havia a casa de Clóves Mello, filho de Cezar Mello do jornal "O Século", e pai de Euzébio Luiz da Costa Mello. Já havia o casarão onde morava Seu Lafaiete Vieira, pai de Faetinho e Walter e tinha ainda as casas de seu Sátiro Lins e Clodowin Graça pai de nosso querido contemporâneo Zé de seu Clodovil.

Do lado esquerdo havia a imponente casa de Seu Gastão pai de Dona Mirsys, Regis e Rosana Belmont e avô de Tânia Schueler.

Havia também dona "Totinha", Dona Maria Drumond. Como toda cidade, a Praça, a Igreja, pessoas e o mundo fora do Hospital da Casa de Caridade de Macaé, no norte do Estado do Rio de Janeiro. Vultos de gente, pessoas e locais habitavam a cabeça de Nhasinha ao olhar e pensar da janela do quarto 10.
Extraido do Livro On-line Saga de Nhasinha em www.jornalorebate.com e ou no livro
http://www.jornalorebate.com/nhasinha/14.htm

21.3.09

Otavianno Canella um homem além de seu tempo que pensou Macaé 100 anos à frente...





Foi nesta época de uma alegre e pura maldade que aportou em MACAÉ, vindo dos Campos dos Goytacazes, um vulto alto, esguio e bem falante. Trazia uma esposa de pele clara e formação educada, que foi tomando conta da comunidade pelos dotes de mulher, diferente no trato e no vestir. Era a esposa de seu Otavianno , com dois enes como ele gostava de dizer, Canella.
Canella foi se adaptando as maneiras macaenses e, como bom índio Goitacá, foi montando sua tenta e abrindo seu espaço.

Dono de uma grande verbosidade e de uma cabeça a frente de seu tempo ele visualizava a cidade com 50 anos a frente e foi cimentando suas idéias e adquirindo imóveis onde, as pessoas davam ou vendiam "a preço de bananas, como se diz nas rodas lindas das noites enluaradas dos sertoes brasileiros.
Canella ocupou toda orla da Praia Campista onde é hoje o trevo da Petrobrás e foi loteando por sua conta e risco onde hoje fica os altos da LAGOA DE IMBOASSICA. Sempre na sua Brasília amarela que parecia projetar os futuros mamonas .
Vinha e ia sempre de sua casa para o Bar e restaurante Belas Artes trocar idéias e fazer negócios. Foi lá que eu conheci este malandro nato que muito me ensinou nas artimanhas da vida. Eu com pouco mais de 40 anos e ele beirando os 98 anos.
Sua mesa estava sempre cheia de gente. Mangueira, o Velho Maia, o irmão gordo de Mangueira, Zé Clímaco, Carlos Augusto Garcia, José Lyra Madeira, Ruy Figueiredo Borges, José de Mattos, Leandro Soares, Aloísio da Vassoura, Gerson Miranda, Juventino Pacheco, Faustino Marciano de Castro, Filhinho Monteiro, Carlos Maia, Manoel Maia, Alvinho Paixão, Antão Freitas, Alcebíades Azevedo, Ruy Moutinho de Almeida, Paulo Rodrigues Barreto, Roberto Moacyr, e outros que me fogem a memória.
Canella ia transferindo para todos suas experiências campistas e conquistando os espaços na cidade e formulando idéias de vendas e compras, já que a maioria das pessoas estava mesmo acomodada em sair de casa, abrir o comércio, fechar as l7 horas, tomar um banho e ir para a rua trocar idéias ou falar da vida alheia em longas fofocas interioranas que eram um dos motivos maiores para que as longas conversas tivessem sentido.
Gargalhadas para lá, olhares de soslaio para ver se não vinham parentes das pessoas fofocadas e assim a vida de Macaé caminhava nos passos lentos nas tardes noites nativas. Igual a todas as noites em qualquer cidade de interior do Brasil.
O "cerzimento" do Café por Toninho, com sua tradicional educação e paciência, era apenas sentida quando trazia para a roda mais cadeiras com a chegada de Márcio Paes, Waldyr Siqueira e alguns galistas que cumprimentavam e iam direto para o reservado, para uma refeição maior.
No caixa, o português Dinis e sua meiga esposa dona Maria, já sabiam que quando a mesa ia ficando com poucas pessoas já se avizinhava um "beiço" (nome ou termo usado nas cidades da regiao do RJ que pode ser também Pindura) na despesa e, catucando com o olhar de além mar para "Toninho", dizia que era chegada a hora de fechar a roda, sob pena do pindura ser a melhor opção.
As vezes a animaçao das noites era incentivada por "Gabarito" que, muito doido, entrava porta a dentro e o bar se fechava mais cedo. Esta figura alegre, era um sisudo funcionário do DNOS, que, com algumas pingas na cachola, incorporava o "gabarito" dançando com pratos na cabeça, bulinando mesas, dando tapas nas cabeças das pessoas, enfim, coisa que todo bebum, com l m 50 de altura e pesando uns 48k, nao recebia outra opçao das pessoas senao um alegre até logo...
Dinis deixou a direção do Belas Artes e veio dona Maria e seu "Paco" que trouxeram com eles os seus filhos que se criaram junto com todos nós. Roberto, o mais velho se casou com a filha de Bráulio e Ceni e depois foi para Europa.
Dona Maria e seu Paco foram os mais pacientes de todos os proprietários deste famoso bar. Acho que só comparado a Dinys e Dona Maria.
Vez ou outra entrava no BELAS ARTES vindo do jogo de Carteado da Rua da Praia, Pantaleão Teixeira, "Djalma Maluco", Mascarenhas para comprarem cigarros e levar café nas térmicas para as rodadas de Campista, Cunca e 21, jogos que viravam a noite.
Alguns visitantes engraxavam sapatos com "Tiziu" ou com "Sapato Branco Jogou Poeira no Vento". Este era o apelido de Aminta que sempre trocava suas frases mais era entendido. Ele queria dizer que o vento tinha jogado poeira no sapato branco. "Aminta" fazia seu ponto de engraxate na loteria de seu Martins, outro campista que importamos.
Quando chegavam de viagens desciam dos ônibus para um cafezinho ou um simples boa noite. O "Belas Artes" era o lugar de destaque. Na estação os carregadores de malas requisitados eram "Nilo Pavão" ou "Coruja", o "Bença Mamãe"... "Coruja" tinha este apelido de Bença porque quando de um baile na Barra apagou a luz e ele agarrou a primeira mulher que estava na frente. A luz acendeu e advinham o porque do apelido?
Canella ia observando toda a movimentação e forjava suas idéias onde o primordial era adquirir áreas onde iria povoar uma Macaé que ele sabia ser de um futuro muito bom para seus objetivos financeiros.
Tinha suas preferências em amizades e eu, "Parodi", "Filhinho Monteiro," Omir Sá Rocha e Carlos Maia eram suas melhores escolhas. Criou um menino negro que era seu orgulho e alegrias. Vendeu parte do seu ultimo imóvel em frente a Lagoa mais separou um lote para "Sebastiazinho" que ainda lá reside.
Falava de suas andanças nas periferias de Campos e de seu irmão, Silvino Canella que se formou em medicina na Suíça. Já com seus 98 anos ele quis casar e o fez com dona Dinorah que infelizmente o colocou no Asilo onde triste e sozinho ele faleceu.
Um dia eu fui com Maia visitá-lo e não era mais o "Guerreiro Goitacá". Deitado numa cama , num quarto coletivo ele pedia para que lhe tirasse dali.
Sua mente ainda tinha a juventude que queria voar pelo mundo e criar suas próprias azas. Porém, a fragilidade do corpo não obedecia a jovem alma, e se quedava no canto. Omir Rocha, outro que comigo ia visitá-lo, tentou contato com um seu parente em Campos de nome Ari Canela, que não deu atenção ao fato. Este seu primo parecia ser um índio já escovado pelos homens brancos Era mesmo o fim que se avizinhava para o velho Canella.
Uma Irmã de Caridade , que nos recebeu quando de sua morte, perguntada de que teria morrido olhou para dentro de si mesma e balbuciou como que num final de prece.
Ele morreu de tristeza e solidão. Seu sepultamento tinha apenas eu, Carlos Maia, "Parodi" e Omir, precisamos de mais um para por seu caixão o que foi feito por um coveiro de plantão. Uma flor colhida no próprio cemitério foi colocada em sinal de beleza na despedida deste mestre, filósofo, empresário, grande boêmio, campista e excelente amigo.
Tem gente que nasce com determinadas estrelas. Tipo assim uma figura carimbada pela criação. Nunca deixam dinheiro nem heranças. Me fazia lembrar o velho GANDHI e sua frase belíssima:
"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossas carências. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de inanição".
Canella era uma destas figurinhas que tivemos em nosso álbum. Quando ele morreu, as vésperas da primavera eu, ainda tendo acesso a imprensa, fiz uma crônica que terminava dizendo que ele ia com sua essência estrumar a terra da primavera que ele não ia ver.
Uma de suas mais importantes observações de vida foi me revelado. Ele estava já no seu final e me chamou num canto e falou. Meu amigo, acho que estou terminando meu filme. Perguntei rindo, que filme Canella? e ele , sério,. com seu olhar penetrante de cacique Goitacá, sentencia, acho que está acabando meu filme na cabeça, não sonho mais como antes eu sonhava, e acordo muito na noite, e as cores dos meus sonhos não estão mais nítidas, e, olhando me, perguntou como se tivesse já afirmativa resposta, será que temos dentro de nós um filme igual no cinema?
Era mesmo o fim de seu filme, pensei. Ri e desviei a conversa pedindo um chope. Canella sempre dizia que sua avó tinha sido pega a laço nos sertões de São João da Barra e que não se adaptando a vida civilizada (???) suicidou-se.
Era mesmo um índio Goitacá o meu bom e velho amigo Canella. (José Milbs, editor de O Rebate em www.jornalorebate.com)

6.3.09

O Homem é o que é por último? David Nasser foi um grande compositor e afirmaria?




Esse homem que hoje passa maltrapilho,
Fracassado no seu traje furta-cor,
Um dia já foi homem, teve amigos,
Teve amores, mas nunca teve amor,
Soberano da roleta e da campista,
Foi Sua Majestade. O Jogador !


Vermelho, 27,
Seu dinheiro, mil mulheres conquistou,
Vermelho, 27,
Seu dinheiro, tanta gente alimentou,
Um rio de champanhe,
Sorrindo derramou,
E a sua mocidade,
Em fichas transformou,
Vermelho, 27,
Quando a sorte caprichosa o abandonou,
Vermelho, 27,
Cada amigo num estranho se tornou,
Os ossos do banquete,
Aos cães ele atirou,
A vida, a honra, tudo,
Num lance ele arriscou,
Deu preto, 17,
Nem um cão, entre os amigos encontrou...
David Nasser letras

1.3.09

UM TRABALHO QUE É FRUTO DE UMA GENÉTICA QUE HONRA A HISTÓRIA DE NOSSA REGIÃO...





Fruto do trabalho do jovem Carlos Augusto Garcia Assis, que atendendo convite da PMM, assumir, a dois anos, a Secretaria de Ciência e Tecnologia, o CETEP está ai para felicidade de uma gama de jovens e adultos que não tinham opção de cursos técnicos e outras atividades. O REBATE, que acompanha o trabalho dos dedicados funcionários do CETEP está parabenizando este trabalho que marca a trajetória e competência deste jovem, nascido e criado nas nossas ruas e vielas dos anos 70.

Não só de cursos vive a comunidade unida do CETEP. Levam alegrias aos mais carentes, realiza palestras em locais que não tinha chegado as vózes do progresso e está se tornando um pilar de apoio a todas as iniciativas neste campo educacional onde a PETROBRAS e o Governo Federal que pretendem investir pesado na juventude com excelentes ações socias.

Falar da competência do Guto é fácil para quem como eu, o conheço desde seu nascimento e foi neste jornal, nos anos 60, que noticiamos seu nascimento em foto de 1a página. Seu pai, o idealista e humano Antonio Carlos de Assis, foi nosso diretor de Relações Públicas e, como cidadão criou várias atividadas sociais em nossa região. "Capitão", como era carinhosamente atendido, por apelido criado pelo jornal "O Rebate" nos anos de 1970, para fazer criticas e idéias ao BOM FUTEBOL que Cláudio Ulpiano Nogueira Itagiba dirigia em nossas páginas, tinha um carinho especial para Guto e sua precose inteligência. Dizia sempre que, por detrás da figura frágil de Guto, havia uma fortaleza cultural que a cada dia se revelava mais clara.

Com o tempo os comtemporâneos tiveram a certeza do que o velho Capitão previa. No Rio de janeiro, este jovem macaense deslanchou sua maestria educacional e se tornou o Mestre numa profisão ainda rastejante no mundo da informática. Guto acreditou e está ai vencedor.

Atualmente está vindo para Macaé e a região toda a sorte de cursos para a mocidade. Acessorando sua mãe Marilena Garcia, herdeira da tenacidade de Carlos Augusto Tinoco Garcia e de magdá Pereira Garcia, só quem tem a ganhar é a comunidade da Região de Petróleo.

Vida longa ao CETEP e parabéns de O REBATE a todos os que prestam serviços a este setor da educação
. (José Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com )

Um texto musical de David Nasser e Herivelto Martins que Nelson canta e que sempre esta acontecento nas vidas...

Não tenho culpa de ter nascido nos anos em que as noites eram de Serestas, alegres conversas em Cadeiras espalhadas nas Calçadas de ruas mal iluminadas e musicas de rádio "rabo quente". Não havia, salvo os filmes de bang-bang do USA e dos Indios, que a gente torcia pelos bandidos e pelos indios, maldades nem as violências importadas dos dias de hoje.
As pessoas se cumprimentavam não só nas cidades de porte pequeno como nas grandes. Quem conheceu o Rio de Janeiro e São Paulo nos anos 40 50 e início de 60 pode testemunhar o que falo. EM Copacabana e na Av. Paulista as pessoas se conheciam e havia este entrosamento social que fugiu dos interiores das cidades e já não existe nas grandes.
Está música me faz ver certas realidades. E vocês, meus amigos leitores. que acham? José Milbs, editor de O rebate)



Esse homem que hoje passa maltrapilho,
Fracassado no seu traje furta-cor,
Um dia já foi homem, teve amigos,
Teve amores, mas nunca teve amor,
Soberano da roleta e da campista,
Foi Sua Majestade. O Jogador !


Vermelho, 27,
Seu dinheiro, mil mulheres conquistou,
Vermelho, 27,
Seu dinheiro, tanta gente alimentou,
Um rio de champanhe,
Sorrindo derramou,
E a sua mocidade,
Em fichas transformou,
Vermelho, 27,
Quando a sorte caprichosa o abandonou,
Vermelho, 27,
Cada amigo num estranho se tornou,
Os ossos do banquete,
Aos cães ele atirou,
A vida, a honra, tudo,
Num lance ele arriscou,
Deu preto, 17,
Nem um cão, entre os amigos encontrou..

9.2.09

"SEU PEPEU"DA RUA DA IGUALDADE





Faiscas de Memória:


"SEU PEPEU"DA RUA DA IGUALDADE QUE BATE EM SUA PRESENÇA NA REGIÃO DE PETRÓLEO


A existência dos mestres tem lugar reservado na criatividade humana. Não sei se tudo que bate nas escolas fazem parte do aprendizado ou se este nasce com as essências humanas em certos setores da vida humana. Havia na cidadezinha de Macaé, norte do Estado do Rio de Janeiro, um homem, carinhosamente chamado de "Seu Pepeu". Morava numa Rua de nome Igualdade, local onde no seu final, quase chegando a uma Praia de nome Imbetiba - tinha 3 Cemitérios. Este senhor, de olhar manso e téz morena, queimada pelo Sol, tinha uma pequena loja que ficava na entrada de sua residência. O nome desta encantamento comercial e puro, era A GAROTA. Neste local este simpático senhor vendia pequenos objetos de uso das pessoas em suas casas e de coisas do desejo infantil como balas, bolebas e outras belezas do ornamento mental das crianças dos anos 40, 50 e 60.
Não tinha nenhum desejo, este alegre homem, de fazer concorrências comerciais com os chamados "Comerciantes da Rua Direita", nome que era dado a Av. Ruy barbosa, point da linda cidadezinha de Sol e Mar.
Sua presença nesta Rua periférica da cidade, fez com A GAROTA estivesse sempre na cabeça dos poucos e sadios moradores da cidade. Abria seu comércio e lá estavam as pessoas de vários regiões pedindo alguma coisa que faltavam em seus desejos. Uma agulha de máquina de costura, alguns novelos de lâs, panos de todas cores, dabáes (que as senhoras punham nos dedos para costurarem calças de panos mais duros), alfinetes e tudo que podia ser encontrado era lá em "Seu Pepeu" que as pessoas achavam.
Um Mestre que criava seus filhos e ainda tinha tempo para se dedicar a Obras de Caridade no Centro Espirita Pedro e no Lar de Maria. No Centro Pedro fazia parceria espiritual com os iluminados Peixotinho, Pierre e outros. No Lar de Maria era com o Vovô Edibaldo, Peixotão pai do Zé Peixoto e tantos outros dedicados benfeitores do bem.
Como que este homem encontrou forças para tirar de uma simples abertura em sua casa o sustento de uma prole grande não é mistério para quem sabe que as coisas da criatividade humanna nasce sem que seja preciso adaptação em escolas.
Sou contemporâneo de Elmo Mendes, seu filho, onde fizemos parte do Primeiro Grupo de Escoteiros e estudamos juntos na Escola Isolado I que funcionava em frente, onde hoje é o Banco do Brasil, fico imaginando como seria hoje a presença de "Seu Pepeu" ministrando aulas de como se consegue dibrar as dificuldades do mundo comercial com a tenacidade, honestidade criatividade que nortearam sua existência na região de Petróleo.
Uma Rua da Igualdade que bem mereceu ter como um dos seus vultos mais queridos o homem desta Faisca de Memórias. Nos anos de 1996 uma de suas Bisnetas ocupou o cargo de Secretária de Educação no Governo de Carlos Emir e, a pedido do meu amigo e colega jornalista Paulo Sérgio Carvalho, editou meu livro CABE.LOS BRANCOS num resumo de alguns textos meus no jornal O REBATE que circulava em papel sob a direção do Paulo.
Hoje soube que esta mesma Bisneta, Marialva gentil está prestando seus valiosos serviços a macaense e educadora Marilena Garcia na Secretaria de Educação.Penso no resgate de vultos de nossas ruas que estão indo para o esquecimento...
Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

1.2.09

QUE SAUDADE DE MEU JACAREZINHO, AOS 12 ANOS E DE MEU DEL CASTILHO COM 5 ANINHOS...


Como estarão estes meus lindos bairros de infâncias no Rio de Janeiro de antanho?.
Que fim levou os meninos e meninas que saudavam a Maria Fumaça e os Cavaleiros que seguiam, nas estradinhas, ao longo da via férreia? (José Milbs, editor de O rebate )


UMA INFÃNCIA FELIZ EM DEL CASTILHOS...


RIO DE JANEIRO DEL CASTILHO



Antes de ir para o colégio primário, aos 5 anos fui morar com minha avó e mãe no Rio de Janeiro. Lá já moravam meus tios Doca e José de Moura Santos, com meus primos Mathias, Nelson, Maria Clyce, Eliete e Therezinha. Foi uma infância curta de vivências em Del Castilho, um bairro bem calmo do Rio. Minha avó ia de trem até o Meyer e nós íamos juntos.

Era uma época de Guerra. 1943/44. Havia “blecaute” que a gente curtia a hora que chegava. E lembro que as l8 horas todo mundo se recolhia com receio de bombas. As crianças viviam tensas e os adultos preocupados.

As tardes eram de soltar balões num Campinho, que tinha perto da linha do trem de nome Maria Fumaça e, soltar pipas e balões...

Del Castilho era uma espécie de Subúrbio bem suburbano. As pessoas se conheciam, igual em Macaé. Um bairro afetuoso e que marcou muito minhas primeiras passadas na estrada da vida. Tinha vontade de voltar para ver como estão as ruas empoeiradas e lindas de minha infância lá.


Um dia, nos anos 90, conversando sobre isso com meu primo Nelson Lacerda Santos, ele falou que teve esta mesma idéia. Voltou a Del Castilho e ficou decepcionado. Tudo diferente e não viu nada que pudesse ser o belo de nossas infâncias.Haviam outras pessoas no lugar das antigas pessoas. Tipo qualquer cidadezinha de todas as infâncias vividas...


.Foi lá que aprendi a soltar pipas que chamávamos de Estrela. Os primeiros Balões e a correria quando caiam nas proximidades dos morros.

Nos campinhos, por entre dormentes de via férrea, entre um apito e outro da “Maria Ffumaça” e os “blecauts” das noites tardes do inicio dos anos 40 em plena 2ª guerra que foi que comecei a caminhar com meus próprios pés em andanças longe dos olhares vigiativos de mãe, tias e avó.

Não me lembro de nenhum amigo, mais tive muitos, neste Bairro que recordo com saudades.

As vezes fico pensando que as mudanças na vida fazem com que tudo fique girando em torno do momento. Foi assim nesta minha passagem por este subúrbio do Rio onde a volta para Macaé deve ter interrompido uma existência que seria totalmente diferente se lá tivesse ficado.

Os destinos são feitos assim e nele é que fixa a existência humana sem que tomemos pé de sua trajetória...

Um favelado levado para um reino se torna aristocrata ou chega a rei. Um rei levado para uma favela será favelado. Disse em livro um poeta de esquina. O destino trocado pode determinar existências trocadas. Foi assim nos covardes aprisionamento de Negros na África, transformados em escravos, e assim o é na diferenciação social que o sistema nos impõem...

Não sei como está hoje o bairro de Del Castilhos sem a “Maria Fumaça” e sem seus campinhos das peladas em bola de borracha ou de meias e os triangulos das bolebas e papão... (José Milbs)


Postado por José Milbs à s 15:03

5 Comentários:Não tem por onde, Milbs, ler sua crônica e ficar indiferente. Agora mesmo, trato de arrumar as minhas "as malas" e me mandar pro meu interior. Mas, vou desistir. Vou, por que o sofrimento é maior.

O real só existe em nossos arquivos. É do nosso `EU´ congelar no freezer do inconsciente as coisas boas e más também.

Parabéns pela crônica.

Um grande abraço
AS

Por Airton Soares, Ã s 1:17 PM

Em tempo: onde se lê "Vou, por que...", leia-se "Vou, porque...."

Por Airton Soares, Ã s 1:19 PM

Caro José Milbs - não podia passar em branco e não falar alguma coisa. Mas vc como escritor, a gente já percebe um trabalho recheado de qualidades diversificadas. Gostei do texto, principalmente porque todos nós temos lembranças que por demais tão boas e outras até mesmo ruim. Mas esse texto é o tipo daquele que a gente começa a ler e vai até o fim, pq a leitura dele nos leva pra isso. Parabéns!! Gilson Pontes

Por Gilson Pontes, Ã s 5:14 PM

grande ze milbs,
como sempre leio e releio os seus textos e muitas vezes copio e envio para os meus amigos, a fim de divulgar as bonitas historias da nossa querida macaé. voce está de parabens...
kaká

Por Anônimo, Ã s 11:52 AM

Caro amigo,

Também tive o privilégio de passar a minha infância em Del Castilho, só que um pouco depois da sua época, entre os anos 60 e 70, mas vivenciei tudo isso que você relata. Estudei no colégio primário Manoel Bonfim (excelente colégio), soltei pipa, corri atrás de balões (inclusive foi lá que aprendi a fazer balões e pipas). Dia de São Cosme de Damião, nem almoçava e nem jantava de tanto doce que comia. Puxa! que saudades daquela época. Estive lá a 2 anos atrás, que decepção, era melhor não ter ido e ficar com as recordações daquele lugar tranquilo e feliz.

Por Jose...

30.1.09

Amigo eu venho debruçar-me em teu ombro.




"AMIGO eu vnho debroçar-me no teu ombro, prá fazer a confissão de meu fracasso.
AMIGO eu venho, não em busca de conselho, ou de apoio moral prá minha dor. Venho, apenas, meu irmão, meu camarada, para dizer-te que roubei o teu amor...
AMIGO VELHO que lutamos contra tudo ferozmente. Que tentamos esmagar os corações. Mais o amor foi bem mais forte, infelizmente. Um assassino que mata à sangue frio. Um ldrão que assalta à mão armada. Talvés não sinta no peito este remorso. Esta vergonha na face retratada.
AMIGO, nunca mais me estenda a mão. Que merece por mim ser apertada. Nem esta mulher merece o teu perdão,
Esqueça que existimos, CAMARADA"...

27.1.09

Minha rede na varanda, poucos amigos, muitas lembranças e a certeza de que "O homem é o que é por último" como disse o Fernando Frota nos anos 70






MINHA REDE NA VARANDA DO SITIO

UM POUCO DAS HISTÓRIAS DOS ANOS 70 E O FIM DO MOVIMENTO HIPPIES

Durante um longo período fiquei afastado do sítio que minha mãe trocou pelo terreno que minha avó deixou para ela como herança. O terreno era na Rua do Meio onde nasci.
O sitio, na Granja dos Cavaleiros, parte uma antiga fazenda da Família do Escritor macaense Luiz Lawrie Reid que se tornou loteamento.

A época participava no movimento hippie e só falava em deixar a cidade e ir para o campo. "Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer". Era tudo que queria e minha mãe fez minha vontade.

Deixar a cidade e ir morar longe dos burburinhos fazia minha cabeça e eu aceitei de pronto. Embora continuasse morando na Rua Visconde de Quissamã, numa vila,, eu vinha todo o dia no sitio e me encantava com a mansidão solitária. O local no início dos anos 70, não tinha estrada, luz, nada. Simplesmente tinha "tudo" para mim.

Apenas uma picada feita por andar humano e bicicletas formava o caminho. Uma trilha (no bom sentido). Pequena estrada feita, pelos loteadores para vender os lotes que tinham de 5 mil a 10 mil metros quadrados.

Passarinhos expulsos de Macaé tinham por aqui seu local tranqüilo e firme para procriação. Bacurau pelo caminho, borboletas de todas as cores, preás, rãs, enfim eram alguns dos componentes que se podia admirar nos 2 quilômetros que separavam o sitio da estrada.
Rolinhas, papas-capins, tizius, sabiás, andorinhas, pombos selvagens, pombas-Rola, anuns, gaviões e, patos que se fizeram selvagens, vindos do sitio de Lafaiete Cyríaco, que mais tarde também foi expulso de seu belo recanto poético, davam a certeza que ainda existia paraíso para se viver dentro de uma cidade que começava a ter sua história deteriorada, em sua essência, pela chegada da "corrida do petróleo" criando ganâncias materiais aos menos avisados. Os bobos proprietários vendiam tudo que tinham acumulados ao longo da vida de seus pais e avós e vendiam para os que chegavam.

"De vês em quanto", cavalos e cavaleiros passavam e, nos cumprimentos, se podia notar purezas, ainda latentes, em seus cavalgamentos sem destino.

DAS BONDADES HUMANAS

As manhãs eram sempre maiores e já se podiam notar os verdadeiros moradores do lugar. Seu Flanque (como é conhecido) tinha a beleza nascente da bondade e da presteza.
Peroba, Cimar, Natalina, Beto, João seus irmãos e, seu pai Pacuçu, se misturavam a novos Baianos como Manoel Vieira que morava do meu lado com dona Lindaura que trouxe e espalhou uma raça de bons meninos baianos. Dona Lindaura nos deixou em plena forma e vigor.

Jorge Barbudo, Moraes, José e Milward. Enfim o local começava a se formar com gente que conhecem cada palmo e cada planta. Dona Rola, com sua meiga presença, era uma espécie de abelha Rainha deste paraíso intocado numa Macaé ainda não desbravada. Roberto, seu filho, irmão de Chicão sabe, como eu, o quanto as coisas mudam e se transformam. Nosso Bairro ainda era conhecido como "Molambo", nome herdado das longas e intermináveis idas e vindas na Fazenda dos descendentes do Luiz Lawrie Reid.

Morou ainda por aqui Manoel do PU e seus filhos, ele, autor de "Cascudinho Azarento", música de sua autoria que fala num peixe de seu sertão nordestino. Durante a música ele apela para não falar no nome deste peixe que ai dá azar e não se pescaria nada.

Cantou no Festival que fizemos no "O REBATE" nos anos 60 e que mereceu aplauso e preferência de José Carlos Oliveira, Jaguar e Olga Savani, embora Piry tenha vencido o Festiva de O Rebate de 68, o "Cascudinho Azarento" fez sua história. Foi citado em longo texto no JB feito pelo meu amigo e boêmio José Carlos de Oliveira.

Era desta gente pura como o ferroviário Marinho e seus filhos, notadamente Stalin, que foi registrado com Estalin, num dos famosos erros cartoriais macaenses, que se iniciou o bairro. Com isso a minha recordação vai ficando cada dia mais presente e fortalecida.
A presença de Moraes, no sítio, vinha de sua morada com Barreto, irmão de Milward, bem lá onde fica o final do ônibus 80 que faz trajeto Cavaleiros /Aroeira. Nesta época não tinha estrada, e, uma picada nos levava ao sítio deste amigo Barreto, que era vizinho de Salvador Baptista dos Santos e Roberto Bueno de Paula Mussi. Dodô saiu da área e Roberto continua morando lá.

Durante muito tempo editei o jornal O REBATE neste Bairro, num galpão construído com a mão de obra local,com suas paredes, por incrível que pareça, feitas de pau a pique.
Um dia estava passando na porta de um bar e um menino me chamou atenção pelo olhar ativo e esperto, perguntei-se ele queria ser tipógrafo e ele, sem saber nem o que era, me disse que sim, depois de anos foi um dos bons impressores e compositores do jornal.

Ricardo ainda mora na região, e, como Natalina e outros trabalhavam comigo no jornal que era uma espécie de orgulho do Bairro. Chicão e Peroba, um dos mais antigos moradores daqui, sempre falam com Luís Cláudio, meu filho, que o "Molambo" já teve um jornal Semanal e um Diário, já que Luís Cláudio, Magrinho, Elton, Ricardo, Natalina, Fraga, editaram o DIARIO MACAENSE que infelizmente não vingou por falta de uma coisa muito comum no jornalismo que é o acocoramento ao poder

Em novembro era tempo de colher Jabuticabas, Acerolas, Pitangas, Amoras. Os pés de Mangas começam a ter seus frutos caídos com os ventos vindo do Sul e as Jaqueiras nos dando a certeza que teremos doces no mês de dezembro quando se aproximar o final do ano. Muitos cajus brancos e vermelhos e abricó...

O sitio é um local ainda virgem na Macaé que se prostituiu com o progresso descompassado e feio. O galo ainda canta nas madrugadas e os anus brancos e negros teimam em aninhar-se nas árvores que mantenho ainda de pé em teimosa posição de reação as multinacionais que me cercam por todos os lados. Expulsaram o Lafaiete Ciryaco, o Alfredinho Tanus, filho de Camil, o meu primo Lélio Almeida, o Paulo da Farmácia e, encolheram o terreno de dona Rola, mãe de Chicão e Peroba.

A NASCENTE E OS GINDASTES

As empresas chegam e compram tudo nesta área, que puseram o nome de "expansão urbana" e Área Impresarial de Firmas de Apoio". Resisto e continuo preferindo o cantar dos galos, o pio dos passarinhos ao barulho fedorento de guindastes empacotando correntes de ferro e container. Todas as nascentes do Bairros foram aterradas para engordar as Contas Correntes de alguns macaenses inescrupulosos e muitos políticos corruptos que ganharam grana ao aprovar tudo que vinha "anexado" aos processos de obras...

A nascente que brota no final do terreno é a maior de todas as riquezas do Sítio. Estou cercado de multinacionais e firmas de apoio.Elas aterraram brejos, nascentes e córregos. Mantenho minha nascente de Aba de Morro com sua água cristalina que me abastece quando a Cedae me deixa sem água da Rua e o Aprígio não me atende.È a minha herança para meus filhos que tem sua origem na Fazenda Airys que meu avô Mathias Lacerda deixou para minha avó nos anos l926 e que, trocados daqui e dali, veio a dar nesta Estância Vista Alegre onde moro.

Pus a cama na varanda...
Me esqueci do cobertor...
Deu um vento na roseira...
Meu cuidado se cobriu todo de flor.

AINDA SOBRE O SÍTIO

Dizem que a maioria dos lotes desta Granja foi adquiridos da Família Reid por ex -ferroviários. Este em que moro foi de Moacyr Amaral, um ex-pracinha, que construiu a casa, que ainda resiste ao tempo. Moacyr a construiu quando de sua volta da 2ª Guerra Mundial nos anos 40. Moacyr Amaral morou aqui e trouxe seu cunhado Jorge Marinho que casou se com e meiga Leda que nos presenteou com seus filhos Marcinho e Alexandre.

Ruy Almeida, irmão de Luiz Almeida que tem nome de uma Rua aqui perto , me dizia, quando de suas andanças por aqui onde deixou um belo sitio para seus filhos. Este lugar será a Macaé do futuro. Achava que Ruy estava ficando maluco, como ser uma coisa do futuro num lugar que só tem mato e bicho? O tempo passou, vieram às empresas do petróleo, firmas compraram quase todo o bairro.

Ele construiu uma grande casa onde não tinha nada, seu espírito futurista tinha tocado o seu lado comercial e cumpriu suas profecias: o bairro cresceu. O Molambo virou "Vale Encantado".
Como eu ia dizendo, minha mãe trocou o terreno na Rua do Meio de 330 ms2 por este sitio de 11 mil metros quadrados. Diziam que ela não devia fazer isso. Trocar um terreno perto da Praia de Imbetiba, por um punhado de mato? Ela apenas disse:- “para fazer a vontade de meu filho não vejo isso como lucro ou perda e, virando se para mim, perguntou,. você quer mesmo? o Everaldo Esteves, me telefonou, e fecha o negócio hoje. Respondi sim. .Trocou o terreno pelo sítio, como se diz nas conversas dos tabaréus: elas por elas.

Vindas diárias de carro ou de ônibus se tornaram bons motivos para que conhecesse este paraíso.

DESBRAVANDO AS MENTES EMPOEIRADAS

Era o limiar dos anos 70 e as movimentações sociais caminhavam para que começasse a gostar do local. Pipocavam em todo o mundo os gritos de liberdades nos movimentos contracultura e Hippies. Macaé não podia dizer não. Dissemos presente, embarcamos na canoa de cabeça.
Marcelo do "Grilo" havia aberto seu bar que era o point da época. Lorote Soutinho do fluminense, cria o "860" na Imbetiba de onde se muda toda a galera, deixando a rua principal para se localizarem na orla, onde mais tarde viria à busca do ouro negro e com isso incentivaria a prostituição, mudando o point para a Praia dos Cavaleiros sentenciando em parte a morte da orla de Imbetiba.

Fernando Pereira, abre a "Boca do Suco" que funcionava no centro da cidade e que era uma das opções dos nativos e noctívagos. Uma provocação a repressão que via no titulo uma maneira de cutucá-la.

Samuel Marques pensava em abrir o "Chaplin's," e o abriu mais tarde com apoio de Andréia. Antes Glauro abriria o "Degrau" , no "Velho Casarão" do seu Ibrahim ex -dono do Jogo do Bicho, pai de meus amigos Alan e Flamarion. Três bares em três ruas históricas de Macaé. Boca do Suco na Teixeira de Gouveia; Chaplin, na Silva Jardim e Degrau na Rua Washington Luiz Pereira de Souza.

Izaac criaria o jornal 'PALANK', Euzébio reeditaria 'O SÉCULO' com 'Nato', 'Manel', Phydias, Ricardo e Cláudio Santos. Era uma época de grandes e intermináveis mutações nas cabeças pensantes. Uma gama de jovens vindo de toda a parte do mundo aportava em MACAÉ.
Ricardo Meireles, lançava seu 'Palácio do Urubu' e ia até a Europa. Nato e Manel Reis, Armando Rosário, "Gloria Nacional" e outros imaginam o "Burziguin". Morria "Caubizinho" em triste desastre em São Gonçalo e Luiz Geraldo Pinto idem numa ponte no Sul do país.

"Boca de Bagre" bate de caminhão em Pernambuco e também morre. Deixa o mano "Zé Puleiro" e o "Lalá" tristes. "Fernandel"; "Flavinho" e "Manel das 7 em porta" são alguns das "praças" famosas."Chiquinho Tatagiba" e Ary reinam nas velhas paradas macaenses assim como o "Velho Mota" reinava na Campista. Gordo puxa cadeia na IIha Grande e volta contando historias dos famosos da época.Fala em C.O., em Mariel e em Lúcio Flávio Vilar Rios. Histórias de cadeeiros passadas pelos personagens que vivenciaram. Tudo sob o forte brilhar do belo Luar de Imbetiba e o Sol ameno de nossas tardes...

II

Armando Rosário, deixa o Rio, a "Manchete" e a "Banda de Ipanema" e vem de mala e cuia fotografar Macaé através do "BURZINGUIN", um jornal alternativo que circulava em xérox. "Aninha", minha filha com 8 anos é capa deste jornalzinho lindo. Não sei se ela foi fotografada por Livinho, por Rômulo ou por João Carlos Campos. Fato é que este jornal circulou com muitas fotos e muita gente boa escrevendo. Era o final dos anos 70.

RESISTENCIA E A U.R.

"O REBATE" resiste a tudo e a todos e, mesmo capengando, entra na Contracultura e enfrenta a ditadura . Fuxicando a onça, somos enquadrados na LSN. Lá fui eu e Euzébio responder IPM na Marinha e no Exército. Sorte ter tido como auditor o Almirante Grecco amigo de nossas avós e Jacob Goldemberg um simpático mineiro que entendia nossos escritos.
Denunciados que fomos por uma câmara de vereadores subserviente ao poder e acocorada ao sistema tive minha matricula na Faculdade de Direito impedida de renovação e Euzébio não pode fazer a Universidade. Deixamos de nos formar nas Universidades e nos tornamos bacharéis na Universidade das Ruas (u.r.).

Valia tudo para conhecer o Maravilhoso Mundo Novo que habitava a cidade. Erasmo de Roterdã é lido e Marcuse idem. Fernando Pereira vinha do movimento estudantil de Ibiúna com novos enfoques, Baroni com uma nova arquitetura se faz presente nas caminhadas sob o luar de "Jurubatiba"; ainda virgem das especulações.

A meiguice curiosamente pura de Sandra Waytt, o olhar introspectivo de Edinho e Henry, seus irmãos mais novos, refletem numa Macaé que enfrenta tudo e se propõe guerreira e transformativa.

A poetisa já bailava em Sandra no seu interior que aflorava em versos cândidos e revolucionários. Eleonora Borges nem pensava em abrir o Mahathan nem Armando o Macaé Jornal. O MOVIMENTO ESTUDANTIL DE IBIUNA JAMAIS PODERIA PREVER O RASTRO DE CORRUPÇAO QUE CONTAMINARIA O PT DOS ANOS 2000...

A cidade fervilha.

Fernando Frota lança "Apurrinhola" que chega em boa hora. Estava acabando o ciclo das gargalhadas e dos puros sorrisos e a Apurrinhola vinha fazer voltar o humor e as gargalhadas verdadeiras e nativas.

(Para quem não sabe, vou tentar explicar: Apurrinhola foi uma criação do imaginário de Fernando Frota. Ela, a Apurrinhola era para aporrinhar as pessoas. Invisível, Segundo o criador Freta, a máquina aporrinharia na parte mais sensível de certas pessoas. Tirava dinheiro do bolso quando o cara ia pagar conta; dava tropeçadas em pessoas que faziam poses, engravatados e com cheiro de mofo e empapuçadas pelo poder; falava coisas verdadeiras ao ouvido dos safados, enfim, era uma máquina de aporrinhar mesmo.

Niltinho foi o primeiro a ver este humor e, de soslaio, dava suas catucadas inteligentes e espertas. Quem não curtiu a Apurrinhola de Frota, perdoem, não viveu as loucuras sadias dos anos 70...
Frota, uma cabeça sempre de pensamento rápido e alegre, ria antes de completar os efeitos da Apurrinhola o que dificultava o entendimento quando relatava. È que ele, quando dizia que a "apurrinhola" tinha tirado certas quantias do bolso da pessoa visada, já gargalhava, prevendo o final. Sé quem acompanhava sua onda, em ondas anteriores entendia e sacava no ato. Amildes e Amilton sabiam da existência da maquina e riam juntos com o velho Frota...
.A pura criação desta máquina invisível, nascido do humor interior de Fernando Frota, deu seguimento a milhares de formação de histórias e momentos de raras belezas em cada interior dos que a entendiam. Sendo um ser imaginário a "Apurrilhola" tinha o sentido do mais fino humor.

Marquinho Brochado ainda lembra, com sorriso escancarado de um canto ao outro de seus imaginados.

Até pouco tento antes de projetar seu frágil carro de frente com um possante van e despedir-se do mundo, Marquinho sempre se recordava alegre e feliz das Apurrinholas criadas em cima da Apurrinhola verdadeira que Frota tinha inventado. A de Frota, dava beliscão na bunda das pessoas, jogava lama no terno do almofadinha, espalhava um vento que fazia voar a grana da gaveta do comerciante sovino e etc.

A nossa Apurrinhola era diferente. E esta diferença, mais à esquerda, que motivava as divergências com Frota. A nossa assaltava banco, jogava dinheiro nas favelas, espalhava alimentos na periferia, roubava comida das festas sociais, punha pobre dentro dos clubes etc...
Num vai e vem que não foi.

Numa certeza de um não que não vem,
De um sim quase negado “...

Era uma época em que Kleber Santos deixava, definitivamente o Rio e vinha para o Lagomar onde o visitei com Phydias Barbosa e Ricardo Meireles. Depois conheceu a simpatia de Mary , o carrancurismo simpático de Fred , o sorriso matreiro de Fernando e Maria e fixou-se geral em Macaé.

Nasce no Rio, no Movimento Estudantil a Convergência Socialista que chega em Macaé. Eu, Phydias e Dilma Lóes damos os primeiros acordes na formação de um Partido dosTrabalhadores. Convido Euzébio e Omir e o PT tem seu primeiro núcleo do Estado do Rio em l978.
A música PT, PT, PT, PT., trabalhadores no poder enche de esperança minha geração e a gente cai de cabeça na busca desta construção tijolo com tijolo de uma forma tão linda que até esquecemos que o poder transforma os que o assume.

Niltinho Costa tenta engenharia no Rio e, não se adaptando a barulheira de Ipanema, volta para "Bicuda." .Niltinho preferia olhar a meiguice malandra de "Berebéu", sentir o palavreado "Capiau” e puro dos Bicudenses. Uma opção alternativamente linda para uma mente pura como a dele.
Eliane, Ângela Lopes, "Marilu", Kátia, Luísa Reis, Sandra “John Lennon", "Eliane da Boa Vista", com sua linda voz vinda de dentro do pulmão e, estourando em nossas entranhas, são as gatinhas da época. "Livinho", Rômulo já põem a mostra a herança do velho Lívio e fotografam "Aninha" em anos de infância.

Luisa Reis é a mais linda de todas as criações humana só comparável ao meigo olhar distante de Roseana Reis que sumiu das vistas nativas.

Thomé, Fernandel, Costinha, enfim, Macaé fervilhava na década de ouro para as transformações.
E John Lennon? A nossa Sandra? Poeta, feminista e mulher? Ela ensaia os primeiros passos largos no grande chute que a sociedade merecia levar no bumbum.

Estoura seu trabalho no Rio e tem sua peça encenada nas ruas da capital em especial em Ipanema..

Mais uma vez Frota surpreende e lança o "Homem é o que é por ultimo". Upiano ouve e se cala. Não se vê concordância nem negativa do mestre filosofo das noites macaenses. Seu irmão Ivairzinho acha somente uma frase inteligente.

O tempo no entanto cimentará nova teoria que o "Homem Está e não é.Ricardo Madeira nega a tese de Frota. Tudo dentro da mais pura e afetiva discordância filosófica que eram discutidas nas mesas dos cafés.

Anos de chumbo grosso. Policia de Macaé, representado por um conhecido delegado fareja "fumo" em tudo e todos. Prendem e arrebentam hippies e favelados e internam classe média em "Casa Transitória" para fugir dos flagrantes.

Esta mesma policia transforma em "Capim", depois de ir para exame no Rio, meio quilo de maconha apreendidas com gente da alta sociedade nativa. É o início do fim. A pequena burguesia começa a entender melhor as distancias que a mais valia fazia e onde se situava a repressão policial em sua verdadeira essência de reprimir e perseguir lideranças nativas e prender filhos de pobres, negros e favelados.

Ficava em clarividência para jovens ricos e pobres que o sistema policial/militar era a representação social da cruel diferença que o sistema teima em fazer com seus terríveis braços repressores.

"Negro correndo é ladrão. Branco é atleta. Rico fuma maconha, pobre é traficante. Maconha apreendida com menino rico, vira capim e capim no bolso de pobre é resto de maconha". Todo esforço "cultural" que o Movimento Hippiee e a Contracultura fazia para mudar a sociedade sem que fosse preciso um banho de sangue, esbarrava nas mentes atrasadas dos donos da lei e dos poderes constituídos.

DAS ARTES

Marco Aurélio Corrêa começa a criar lindas paisagens que ornam as belezas da Praia do Pecado que Euzébio nominou no O REBATE. Cria-se o "BURZIGUIN", nascido na mente fértil de Euzébio que escreve crônica uma de Macaé no ano 2000 prevendo o que viria acontecer.(crônica que se perdeu no tempo mais que, se achada hoje nos anos 2006 saberíamos da verdade futurista que ele falava nos anos de 1970).

Lívia é a nossa deusa maior, lança e nomina Hollywood a praia onde morava Moisés do Vasco. As duas criativas mentes macaenses, Euzébio criando a "Praia do Pecado" e Lívia a "Praia de Hollywood", Poe em evidencia duas mentes acima das mentes normais de uma cidade que ainda engatinhava.

Era comum se esbarrar em José Carlos de Oliveira, Paulo Mendes Campos, "Jaguar", Olga Savani.Era festival de musica do O REBATE em 68. Jornal sempre na frente e sempre junto com as aspirações do povo.

Egberto descobre Piry e o festival o consagra apesar de José Carlos Oliveira preferir "Cascudinho Azarento", um forró cantado e criado por Manoel enfermeiro do PU. Roberto Salles, Rose Noronha e Joel Passos cantam no festival e são aplaudidos de pé. Luiz Jose de Souza Lima, o nosso Piry, reconhece, em entrevista ao MACAE JORNAL nos anos 2006, o grande avanço que O REBATE prestava nos anos de 1970 a música brasileira.

O ano e a década eram do O REBATE, de nossa gente, de uma Macaé corajosa e fascinantemente arrojada e revolucionária.

Sempre era um constante esbarramento com Ary Duboc, o velho Athos e seus filhos recebendo amigos nas rodas do Café e Restaurante Belas Artes. Macaé era uma espécie de Ipanema dos anos 70..Waldemar da Costa, Nilton Carlos Costa, Takaoca,.Moacyr Santos. Artes eram uma constante e se misturavam a Cafés e Filosofias.

Tudo isso emaranhando -se as constantes presenças de Euzébio, Juarito, Marquinho Brochado, Hudson Siqueira, Marco Aurélio Corrêa, Renault e outros que iam e vinham trazendo os informes de novas coisas que pintavam fora dos bastidores do "PASQUIN" e que não podiam ser editados. Criamos no "O REBATE" o "Daniel Menos" onde Euzébio representava o papel irônico do "Daniel Mas" e os nativos iam se aperfeiçoando aos fatos até então distantes.

'Era a década de mil transformações
Sob forte censura O REBATE é impedido de circular por ordens do comando militar. Exigem censura prévia no jornal. No Rio de Janeiro a Tribuna de Imprensa de Hélio Fernandes sofre o mesmo. Hélio seria confinado em Pirassununga ou Macaé. Abro em manchete um oferecimento para eles escrever no O REBATE. Era mais um catucamento. Voltamos a ser chamados nas guarnições militares. A imprensa parecia que era o principal alvo das preocupações da ditadura.
Da contracultura e do movimento Hippie muitos enlouqueceram, morreram ou entraram numa e não voltaram . A minoria que soube segurar as barras e está ai como eu de netos e bisnetos a tira colo. O sonho sonhado vinha numa mistura louca de LSD e Cogumelo de Boi. O de galinha matava. Os grilos das misturas de sonhos tidos e havidos levaram muitos a loucura e a morte. Os sobreviventes ainda deixam rolar lágrimas quentes quando se encontram.

Platão, Sócrates e Aristóteles eram discutidos em todas as rodas de cafés e bares nas noites. Na redação do O REBATE tinha início às discussões que varavam madrugadas. O Ser e o não ser não é .Demócrito, e sua conciliação. A decadência dos costumes após Péricles eram dessecadas por acompanhantes atentos. Atenas era transportada para o bar Imperatriz e belas Artes onde fluía a inteligência nativa . O "conhece-te a ti mesmo socrateano" e seu humanismo refletiam no brilho de olhares atentos.

"A Sétima Carta de Platão" parece escrito hoje e dela fluía .Reconheço que todos os Estados atuais são mal governados e que pela filosofia se pode discernir todas as formas de justiça política e individual.

Visitas ao sitio

Sempre que podia trazia amigos no sítio onde moro. Tardes virgens de idas e vindas no conhecimento de frutas silvestres e pássaros raros. Goiabeiras, coqueiros, Mangueiras, Araçás, Jabuticabas, Ameixas, Laranjeiras, Coqueiros, abacates, graviolas, pitangas, acerolas, amoras, abricós. Cajus, jacas, cajás eram algumas das fruteiras que encantava e nos proporcionavam alegrias infantis.

Uma mistura de "Tupamaros", vindos da Argentina, alguns revolucionários fugidios do Reino Unido se misturavam aos nativos "Borito", "Tuca", Elton Português, Samuel, Victor, "Anselmo Colombina", "Didi". "Guto", Carlinhos Português, "Carlinhos Bomba", João Carlos, Helder, "Toninho Mello o Delegado", André, Tomé, Kátia, Miller e Cristina, "Ginja", Fernando, "Compadre", eram alguns das macaenses que eram sempre bem chegados quando mal chegadas eram as incompreensões da uma Macaé bitolada e feia.

Muitos destes tiveram a coragem de fundar o Partido dos Trabalhadores acreditavam no futuro. Futuro que chegou e o PT traiu.

Minha casa é uma riqueza, pelas
'Jóias que ela tem.
Tem varanda, tem jardins. E uma rede pra embalar de quando em quando...
(texto feito para o livro O PINGUIN DA RUA DO MEIO que nao sei quando será publicado. O texto está sem revisão por que não tenho paciència para revisar. Desculpem o autor). José Milbs dr Lacerda Gama, editor e memorialista)

23.1.09

Minha neta Mariana, segue os passos de Ana Cristina e José Paulo e vai brilhar com encanto e inteligencia na FAETEC de Campos




Mariana de Lacerda Gama Soares, minha linda neta de 14 anos, conseguiu uma brilhante classificação para a Escola Técnica Federal de Campos. Lá mesmo onde sua mãe Aninha e seu tio José Paulo, cursaram, com brilhantismo dois cursos. Aninha formou-se em Farmácia e José Paulo, com apenas 17 anos, passou num conscurso seletivo para a Petrobras.
Alegria para todos que conhecem a meiga presença de Mariana em nossas vidas.

14.1.09

Só o teu retrato, mulher, junto a minha cabeceira..,



Hoje, sòsinho neste abandono,
Igual uma casa sem dono...
sinto saudades de alguém.
Meu sofrimento é cruel,
juro não explicar.
Não tenho nimguém que venha me consolar.
Não tenho uma visita de parentes.
Nem de amigos siquer...
Só o teu retrato, mulher,
junto a minha cabeceira, é um Médico assistente é minha Enferméira...

7.1.09

Os barbeiros que faziam as cabeças nos anos 60 e 70 na região de petróleo



FABIO AZEVEDO - FABIO BARBEIRO - QUE É RUA NO LAGOMAR, FEZ HISTÓRIA PELA SIMPLICIDADE.
As pessoas não dão conta de como era importante a presença dos velhos barbeiros nas cidades do interior. Suas bombonas, o cheiro forte da mistura do alcool com água, o perfume comum a todos os salões, são símbolos memoriais que ficam encrustados nas pessoas e caminham ao lado dos que se propoem fazer histórias de fatoa havidos.
Do alto de seus quase 2 metros e sendo um dos homens mais elegantes que transitavam em nossas ruas, o "Seu Fásbio Barbeiro" era um destaque `a parte nas nossas tardes e nanhães macaenses. Alegre, com seus afagos e acenos para todos, fazia parte de uma região de Macaé onde se concentrava os maiores percentuais de pessoas de nossa comunidade.
Havia uma mistura de Macaé com o interior dos distritos. Homens e crianças que vindos de Glicério, Córrego do Ouro, Trapiche, Óleo, Frade, Sana,Cachoeira de Macaé, Bicuda Grande, Bicuda Pequena, Carapebus, Capelinha do Amparo, Rodagem, Quissama e alguns do Barreto e Barra do Rio Macaé, tinham suas preferências para determinado Barbeiro.
A fama de Fábio, Azevedo como um dos bons no manejo da navalha e no corte de cabelos de crianças, tinha lá seus motivos na procura de seu trabalho. Começou com o Seu Philadelpho, pai do Mardônio, local onde a maioria dos "Mestres no Corte de Cabelos" passavam. Era no Salão do Philadelpho que se iniciava os mais belos e alegres papos de "barbearia", tão famosos em todas as cidades do interior do Brasil Foi dali que Fabio saiu para ser sócio de outro pilar de nossas Histórias, o Senhor Jordane. Com Ubaldino Carneiro Prata - O Pitico Prata - Fabio passou pouco tempo e logo abriu seu próprio salão onde ministrava seus encantados ensinamentos a muitos que hoje existem em nossa cidade "mexendo com as novas cabeças" da região.

Outros barbeiros, que nos últimos 70 anos serviram de base para fazer as cabeças dos antigos macaenses, eram todos dentro da periferia. "Nilo Barbeiro", "João Mentiroso", "Bareco do Beco do Caneco", Philadelpho, pai de Mardonio, Luiz Pimenta, Jordane, Senizio, "Zica" e Telmo da Rua do Cemitério, Antenor Valença. "Pitico Prata" que tinha o nome de Ubaldino Carneiro Prata, Fanor Monteiro e outros que, ficando no esquecimento, podem ser lembrandos e outros textos memoriais.

Nos salões de barbeiro ainda se usava a velha navalha que tanto caracteriza os malandros da Velha Lapa no Rio e que notabilizou a "Madame Satã" nas vielas dos "Arcos da Lapa".

Navalhas afiadas na presença dos clientes era que fazia a cara dos fregueses na metade do século passado.

As fofocas e os disse me disse eram comuns e muita mentira rolava. Quando se terminava a barba vinha aquele espalhamento de álcool com perfume nas bombachas que refrescava todo o rosto e tinha um cheiro característico de homem. As tesouras eram de aço puro e as navalhas eram afiadas na frente do freguês e dava um toque de poder ao barbeiro que parecia dizer mentalmente que ia acariciar a cara mais era homem bastante no trato com a navalha.
Perdidos no memória de muitos o interior do Brasil tem um débido muito granbde com os "Senhores Barbeiros dos anos 50, 60 e 70 do século passado. Maioria deles criaram filhos, espalharam sua genética por todos os cantoa do país e do exterior. Todos orgulhosos de uma criação, às vèzes rígida mais com o toque sutil do amor que brilhava em seus olhos cansados pelo dia de luta.
Colégio como o Luiz Reid, Mathias Netto, Visconde de Quissamã, Télio Barreto, Irene Meirellis, Primeiro de Maio e outros de pequenos porte, abrigavam os filhos destes grandes Mestres que, assim como os Alfaiates e os Sapateiros recebiam das crianças a atenção e a cortesia comuns a todos eles.
O Rebate perpetua mundialmente estes vultos de nossa história para que, estudantes que procurem história, saibam destas sublimes existências em nossa Região de Petróleo. (José Milbs editor de O Rebate )


3.1.09

Una história prá contar em mi noches de los anos 70 quando Macaé ainda engatinhava pro progresso...

NAS NOITES FRIAS DOS PROSTÍBULOS DE IMBETIBA

Em una noche fria de final del un invierno de los anos de de 1970. Mi portunhol és parecido com de los taxistas macaenses e las meninas de las noches que teimavam em falar com las linguas enrroladas para atrair (ou atrair) los primeiritos gringos que aportavam em la cidade ainda pura...
Achava-me em un de los prostibulos nas antigas Casas de los Campistas dos anos 40 e 50 que vinham banharem-se em las águas esverdeadas de la Praia de Imbetiba. Havia pisca-pisca em todo o redor de la sala e mujeres e hombres estavam todos em busca de los rápidos prazeres de la noche.
Em mi canto observava tudo porque pretendia fazer una crônica sobre la noite de una Macaé ainda bocólica e curiosa.
"Dolores Sierra, que vive em Barcelona, na Beira do cais. Não tem castanhola e faz comopanbhia a quem lhe der mais...
Nasceu em Salamandra, su padre lavrador, veio a la maior edade...
Como quem nasce na Roça tem sempre a ilusion de vivir el cuidad...
Su Madre, chorou, em dia em ela partio. prá cenecer Don Pedrito, que prometeu e non cumpriu...
Com frio e com séde, lá na sargeta. Sorrio prá un ombre e ganhou a 1a. pesseta.
El navio apitou e a história se encerra. Adios barcelona, Adios. Adios, Dolores Sierra".

Aproxima-se de mim una jovem morena. Ao olhar mi cabelos ainda grsalhos pensou-se estar diante de dos novos Gringos que habitavam a Praia de la imbetiba. de pagava bier com las notas esvereadas que valiam 4 vezes das amassadas que conhecia,
Pergunta de pode sentar-se em mi mesa. Com meu consentimento com a cabeça, a jovem de olhar fixo, de cor esverdeada e aparentando uns 18 anos, se acomada a minha frente. Observo seu corpo jovem, pele morena que parecia ser una mistura de Indios com Caboclas.
Fita-me e pergunta, numa mistura de espanhol com portugal de Alagarve, se podia pedir algo para beber. Novamente com o balançar de minha caneça digo que sim e deixo escapar um pequeno sorriso.
Ela chama o barman e pede, já com a lingua enrrolada para dizer-se atualizada no ambiente, uma dose de Wisk. Ao olhar seu corpo notei que por detrás de um vestido de chita meio azulado, se escondia um corpo bonito. Chega a bebida e ela se dirige a mim e pergunta: usted é de que pais? Está em qual Navio? Você parece um pouco com um amaricano e ou francês que esteve aqui noBar semana passada. Com meu silenci, ainda com pequeno sossiso nos lábios, lhe respondi.
- Eu sou daqui da cidade. Estou aqui para escrever uma crônica sobre "Las novas Noches Macaeses". Preparo um texto e falo das antigas da cidade. Do velho "Quadrado", "Continental", "Curral das Èguas" e outros que sumiram no tempo. A moreninha, longe de se espantar com minha presença nativa, se entusiasmou e me disse, sorrindo e deixando a mostra um linda carreira de dentes alvos e brilhantes:
- Puxa, moço, que legal. EU sou dali de la Praia Campista. Se usted é de fato das velhas noches dela Região, deve conhecer minha mãe. Eu sou filha de Nildinha, que era do prostibulo do lado direito da Praia Campista. Você se lembra?
Olho o encantamento e o orgulho desta linda menina ao falar de sua mãe. Claro, minha jovem menina, falo, "su madre foi uma das mais bonitas de todas as prostitutas que habitavam em Macaé nos anos 60/70. De fato você se parece com ela. Olhos, cabelos, olhar fixado num lindo horizonte imaginário. Sim,. minha amiga, su madre foi e era a preferida de toda uma geração de jovens para conversar e bebericar...
Pois é, moço, eu me chamo Nildinha. Prazer, José Milbs...
A noite cai e os olhares das mesas, já todas cheias de gente quem falam as linguas de nações novas, se misturam a corpos de jovens meninas que começam "na vida".
Nildinha, falo, se você tiver algum compromisso, vai " a luta" por que eu aqui vou continuar minha observação para meu texto para o jornal O REBATE.
-Não se preocupe, fala Nildinha, mexendo com as pernas com intuito de uma provocação natural a quem vive nas noites. Tudo bem. Quer mais aum wisk, pode pedir. Ela prefere uma bier e a gente continua a conversa. Ela agora não mais fala com a lingua enrrolada e deixa transpecer a fala natural de qualquer menina nascida nas ruas de uma cidade de peixes e ferrovias...
Olho por toda a extensão do local. Cheiro de cigarros, de bebidas toma conta do ambiente. Num balcão mal iluminado está um homem de braços ossodos. È madrugada. Seus longos dedos pintiagudos contam algumas notas que uns gringos, cambalentes,tentam entender a linguagem do malandro do magro-barmen. Imagino daqui de minha mesa e catuco a Nildinha, e falo:
- no mínimo ele deve estar cobrando uma bier por umas 3 verdinhas e o gringão de camisa do Flamengo e o outro de macação azul, devem estar achando caro.
- Ela: Com certeza, fala com a certeza de que é a pura verdade das noites.
Os dedos longos do homem magro que conta a grana mais parecia, ao longe, de alguns jogadores de baralho nos meus velhos tempos de Lapa no Rio. O Sol começão a dar sinais de que irá entrar pela madrugada para enquentamento do tempo.
Pelas gretas da porta de entrada do local, o Raio Solar entra e chega até ao balcão dando uma luminosidade natural aos dedos do homem que mexe pra lá e prá com as notas. Era o fim de noite para os gringos...
Pagava bier com las notas esvereadas que valiam 4 vezes das amassadas que conhecia.
Volto-me para minha parceira de mese e pergunto:
Nildinha, como é a transação sua? Tipo: preço etc. Ela, com a naturalidade de qualquer comerciante de qualquer Rua Principal, de qualquer cidade, diz.
Seguinte: para vcoê eu vou fazer preço bom. Normalmente para sair eu cobro 150. Gringo, usted sabe né, é tudo 500. Como está amanhecendo a gente sai e dorme por 200, tudo bem?
Como que eu podia dizer a menina Nildinha que não era isso que eu objetivava. Que eu queria mesmo era fazer um textos sobre "Las Noches de Macaé".
Enquanto ela se levanta e vai ao Barman para pedir a despesa, abro sua bolsa vermelha e coloco, entre uma identidade e um lenço amarelo, o valor de uma noite. Saio de fininho, ligo o motor do meu velho wolks e parto. Ainda pude ver seu vulto moreno acenando ao dobrar a Rua Agenor Caldas.

Estava pago a sua noite e a inspiração para esta crônica que fiz nos anos 70 e que sumiu na poiera da vida.
Nunca mais soube de Nildinha. Fazem 30 anos. às poucas vêzes que encontgro com algúem das velhas noites pergunto e não se tem noticias. O que me marcou nesta noite friorienta de final de inverno dos anos 70, foi o orgulho desta jovem em se dizer filha de Nilda. Orgulho que já tinha visto em outgros jovons sobre, sou filho de fulano ou beltrano. Ao de Nildinha calou-me sobremaneira. (José milbs de Lacerda Gama editor e Cronista)>

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31.12.08

Morre o Juiz Kleber Guimarães. Lacuna de dificil preenchimento no Judiciário brasileiro




KLEBER GUIMARÃES UMA HISTÓRIA VIVA DO JUDICIÁRIO FLUMINENSE...


Falar da vida de Kleber Guimarães para mim se torna muito fácil. Convivi com ele desde os anos 60, quando vinha à Região de Petróleo em visita a sua tia Zenita, espôsa de meu primo Pierre Tavares da Silva Ribeiro. Antes, seus pais frequentavam a Igreja Batista onde Agnes Guimarães ministrava ensinamentos bíblicos.
Kleber era um ser diferenciado dos demais de sua época. Elegantemente vestido nos uniformes militares de sua infância tinha o dom da cordialidade.
De seu irmão Celso herdou o carinho pelos empreendimentos e se tornou um dos mais efusivos defensores da dimensionalidade geográfica desta região. Antes mesmo que o petróleo assumisse a febril vontade de enriquecimento de muitos moradores, Kleber já antecipava o que viria a ser nos anos desde século que se inicia. Criou vários Bairros, loteando e espalhando familias por toda a extensão da cidade de Macaé, cidadezinha situada ao norte do Estado do Rio de Janeiro.
O Bairro da Riviera era a "menina de seus olhos atentos ao crescimento da cidade". Ali ele vislumbrou a Riviera Francesa em muitas de suas viagens ao exterior. Para mim contava suas façanhas, muitas delas fantasiadas por quem, como ele e eu, sabiamos que a vida é, na verdade uma "grande mentira". Fantasiava alguns trechos que dominava com a fala e se transformava, as vezes, num grande criador de deslumbramentos comuns aos grandes novelistas do cenário nacional.
Kleber foi um dos poucos brasileiros que podia escolher a cidade para viver, trabalhar e morrer. Tinha acesso a grandes metrópoles e escolheu esta região para fazer história.
advogado brilhante, empresário, politico, jornalista, cronista, homem do povo, Kleber sabia brincar com as mentes humanas. sabedor, como poucos, de que, no judiciário e nos tribunais, vence sempre a "maior mentira pregada e defendida", usou dos tribunais para absolver velhos transgressores da lei e fazer fluir sempre a eloquencia como forma de levar a cabo seus objetivos.
Gostava de se fazer presente em todos os acontecimentos sociais. Elegante, do alto de seus 80 anos, fazia questão de usar a palavra e desfilar nas ruas de Macaé sempre dentro de seus ternos escolhidos nos melhores alfaiates do Rio de Janeiro. Escreveu vários textos no "O REBATE" nos anos 60 e 80. Amigo pessoal de Almir da Silva Lima e, ultimanente tendo ao seu lado o fiel escudeiro Renato Rasma. Dois jovens saídos das nossas ruas empoeiradas o que veio demonstrar a simplicidade de Kleber no trato com pessoas do POVO.
Tive a honra de, quando ainda eu era amigo do Sylvio Lopes, ter apresentado Kleber a ele. Convidado aceitou trabalhar na Procuradoria do Municipio onde fez do local um ambiente popular onde as pessoas simples eram sempre atendidas e levadas ao atendimento jurídico.
Quando o Poder Judiciário de Macaé estava abarrotado de milhares de processos que precisavam de andamento, a maioria de pobres, Kleber foi convidado e funcionou, durante anos, como Advogado dativo, onde milhares de pessoas, filhos, esposas, amigos e gente simples, tiveram seus processos em andamento e solucionados. Era, nas madrugadas de sua velha casa no Alto dos Cajueiros, que ele fincava os olhos, debruçava noites no estudo dos aparados legais que iriam ajudar as pendengas.
Um dia escrevi sobre ele e disse: Kleber, como advogado criminalista, era "o monstro sagrado do Direito". E fui mais lobge ai afirmar que: "dentro das vestes do elegante advogado Kleber Guimarães, estava escondido "Um bravo Operário da Lei", num belo macação que honrava a Toga de Juiz que ele sempre gostou de dizer que era...
E por que nao o Juiz Kleber Guimarães? por que não o Magistrado Kleber Guimarães?...
O mundo, a vida, a existência é uma grande Meganomania. Nascemos sem saber de onde viemos e saimos da existencia sem saber para onde vamos. Kleber era um sabedor nato das nossas vontades de ouvir histórias. Fazia com que todos se sentissem participante da ciranda da vida com suas alegres histórias, muitas delas, fantasiadas para que os ouvintes se sentissem dentro delas. Foi um grande homem, um bom advogado, um sábio juiz e um fiel "Amigos dos Amigos".
Hoje,ao saber que se encontra entre a vida e a morte, numa semi-consciencia, num leito de CTI na Casa de Caridade de Macaé", faço público um de seus desejos e pedidos quando a gente andava juntos pelas ruas de Macaé, Rio de Janeiro e Foruns. Ele me pediu:
"Se algum dia eu estiver vivo, ainda que inconsiente, escreva algo sobre mim. Não faça depois de morto não. Gostaria que as energias que saem de seus dedos de cronista saiam de uma maneira suave como se eu ainda pudesse ler. Você, Jose Milbs, é um gênio e como tal queria ter de você algo ainda em vida.
Pois ai está, meu velho amigo Kleber a minha homenagem a você ainda em vida. Macaé, Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2008, 14,43 minutos. A frese que disseste ao seu amigo Renato Rasma: "Não me deixe morrer ainda quero viver". está ressoando no Bairro Miramar, em suas Ruas empóeiradas e lindas que você trocou pelo luxuoso Bairro de São Conrrado no Rio.
Talvés tenha sido o seu maior desejo o de deixar este mundo cruel na presença de gente simples como você.
Dia 31 de Dezembro de 2008, sem ver o nascer do Sol de 2009, chega a noticia da morte do Juiz do Povo Kleber Guimarães. Almir da Silva Lima me deu a notícia ainda com a tristeza de quem, como o Renato Rasma e os familiares do Kleber, estavam esperando sua recuperação. Lembrando ainda do escritor macaense Luiz Lawrie
Reid, em seu "Ultimo Conto" faço dele minhas palavras:
" Queria saber por que, se os destinos, as inteligências, os corações são tão desiguais nos homens, êles se asemelham tanto nos dpis polos primordiais: Viva e morte?
Por que, na balança da justiça, podem ficar em iquilibrio tanto o réu como o autor?
Por que a metamorfose dos valores morais? moralidade e religão nasceram para o homem e não êle pra elas?
Por que a fria razão traz alegria e a tortura e a paixão nos faz feliz?
Por que todos têm razao e quem menos tem berra?
Por que em todos um desejo imperativo de acumular, conseguir glória, poderio, riqueza? Por que vingar-se e não tolerar? Por que tanta ansiedade do Eu?
Um cego é feliz em pensar que ouve e fala, um surdo em ver o mundo, um paralítico em pensar e meditar. E um que tudo tem, que tudo goza, rói-se e corrói-se por dentro?
Por que?

Por que a razão anda sempre com os velhos, os loucos e as crianças?
Por que nascemos filhos de nossos pais e morremos filhos de nossas ações?
Por que o que as crianças aprendem de Bem a vida ensina-les de mal?
Por que precisa-se, às vêzes, de mais esfôrço a não odiar os amigos que amar os inimigos?
Por que o homem se preocupa com tanta inutilidades e nunca com o seu "fim"?
Por que há sempre quem nega e a firma Verdades e Mentiras, indiferentemente?
Por que existe quem em tudo acredita e nada duvida?
Por que se precisa mais de amor que de pão?
Por que só a dor nasce grande?
Por que........"
A mesma tristeza, com odor de saudade que vi estampado no olhar de Luis Cláudio, meu filho, quando comuniquei a morte de Kleber, tenho certeza estará nos rostos de milhares de pessoas simples da região de petróleo. Presos abandonados em cárceres, pequenos policiais civis e militares, jovens juizes, alegres defensores e promotores de justiça, todos que tiveram a felicidade de "receber dele, de kleber, seus sagrados presentinhos de Final de Ano e Natais que não voltam. Kleber tinha o dom de presentear amigos. Presentes simples porque eram para muita gente. Um reloginho aqui, uma gravatinha, ali, uma camisa acolá ele ia cimentando sua presença em todos que podia acariciar. Era sua maneira gentil de saber-se presente.

Abre-se, hoje, 31 de Dezembro de 2009, uma lacuna impreenchival no Judiciário Brasileiro com a morte do Juiz Kleber Guimarães. Morre com ele o Romantismo do Direito, Entristece de lágrimas o Sagrado Manto que sempre soube honrar.
Fecha-se uma página no sagramento da lei. Fica a lembrança deste grande Advogado, porque não dizer do POVO?
A sua esposa Ivone, seus 2 filhos, em especial ao kleber Roberto seu fiel companheiros nos últimos momentos, os sentimemtos de toda rquipe de O REBATE onde Kleber sempre escreveu e foi um dos mais antigos assinantes nos anos de 1970.
Abraços de seu amigo, Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com

29.12.08

O Faroleiro de Santana, Dona Nenen da Rua J. Koop e uma cidade alegre e bucólica...




FAROL DA ILHA DE SANTANA

Reginaldo tem uns 40 anos e quinze ele passou com seu pai nas ilhas nativas de Macaé. É um dos jovens que conheci no tempo em que tinha oficina de jornal e sempre estava a cata de bons profissionais para trabalhos. Ele entendia de parte elétrica e como tal mexia nas impressoras, nas linotipos e nas instalações em geral. Autodidata, esperto e alegre. Tinha um carinho especial para com ele devido ao seu jeito meio criança de olhar e de seu modo malandro de viver.
Era uma mistura de peixe e gente. Às vezes se parecia com um peixe quando olhava horizonte longe do real e se tornava humano quando pensava que iria receber o fruto de seu trabalho "a vista" e eu dizia que pagaria no "fim da semana". Seu sorriso de meio trejeito pude rever em seu filho de 7 anos e em sua filha de 11.
Reginaldo se tornou amigo de meu filho Luís Cláudio ao ponto de nos últimos dias estar aqui no Sitio - Hoje Rancho O Rebate - mostrando seus lindos filhos e sua meiga espôsa. Quando lhe disse que tinha vontade de contar alguns dados sobre a vida das ilhas macaenses me convidou e fui até sua casa, no Bairro aeroporto para detalhar fatos memoriais de seu pai Roberto.
Tentarei falar das pedras do “Moleque” e “Da Mula” onde centenas de batidas e barcos a deriva conheceram e temiam em suas noites de luar escondido. A “Ilha de Santana” era onde se localizava o “Farol e que na Ilha do "Papagaio” existia um pequeno farolito.

DONA NENEN DA RUA JOTA KOOP

A rua J. Koop fica no centro da cidade e nesta rua nasceu dona Leonília Bastas Moreira que foi casada com Manoel Hocho Coutrin Moreira um dos primeiros ferroviários de Macaé. 14 filhos, todos criados e educados na Região de Petróleo. Seu Manoel é oriundo de Trapiche, das velhas e extintas fazendas de café, e dona Nenen era mesmo do Imburo. Do velho casarão ficou apenas as recordações de seus filhos e netos, como Alessandro que sempre está no sítio por conta de seu trabalho.
Dos filhos deste pilar da J. Kopp a cidade se habituou com Juracy, o nosso “Jura”, Romilda, Carlinhos, Paulo que morreu tragicamente e que tinha o dom do encantamento e da alegria, Ilza, Rosa Maria, Regina, mãe de Alessandro, Fátima e Augusto.
Durante os anos toda a comunidade se espalhou e neste espalhamento e cujos familiares o sangue deste casal se espalhou e espalha por toda a nossa cidade. Estelita, que era filha de dona Maria do Doutor Faustino Marciano de Castro casou-se nesta família e é mãe de “Mamute” grande e alegre jovem da comunidade do Bairro da J. Koop.

As histórias e memórias não param por ai.
Havia uma construtora na rua Francisco Portela. As pessoas ainda moram lá ou se não moram lá estão seus filhos e netos... É uma Rua tradicional. Dona “Duia,” seu Otto Pacheco, “Gabarito”, “Milica” Dudu Trindade, Zé Carlos Freitas e dona Arlete, dona Maria maemãe de “zZé Uca”, Ib, Ddodora, Fernando e Lenine, Benedito de dona “SLula”, Rosalvo e Concy de Renatinho, Rosalvo e do “Anjo Claudinho”, Norma e Nelio, “Nona” Mathias Netto, Paulo Silva, Atilla, Leandro, Seu Celiê, Vasco e Vânia, Pimenta e Rozanea, Os pais de Vanilde, Ricardo, Frasão e os Afonso Paulas...Esta Rua que, com o tempo tende a se transformar um Rua CComercial, tem as suas verdadeiras personalidades espalhadas nos descendentes que eternizam sua essência vital...
As essências macaenses não podem se deixar levar por memórias oportunistas...Tem que ser revigoradas sob pena de perder o valor de sua historicidade.
Como dizia o Poeta Cazuza: “Se você pensa que estou derrotado, ainda estou rolando os dados”
Enquanto a memória estiver viva estarei ai junto com ela tentando repor fatos e havidos.
“Socar erva passarinho com sayao e tomar. É E`bom para tosse, bronquite e pulmão” Ouvi isto numa de minhas andanças por esta Rua quando ainda existiam árvores e passarinhos pulando de galhos em galhos...
A Internacional era por aqui Se esbarravam em Grego da Geledeira, Espanhol do Mercado, Tadeu de Vicente e Casimiro, Serafim o inteligente portugues, Takaoca, Manolo e Waldemar da Costa.
O mês de Janeiro começa a chegar no fim e as chuvas teimam em dizer aos humanos que ela vem por chamamento natural e que com a destruição das essências naturais podem um dia faltar.As plantas rasteiras brotam e os galhos se encontram em reverencia ao vento que sopra frio.As àrvores, os pés de cocos e de araçás continuam firmes apesar da das Aguas torrencias. Jabuticabas e Amoras estão sendo comidas por Sanhaços e Bentevis que encantam as manhãs com pios e loucos cânticos. Avisam a gente que podemos comer os frutos e que os do alto são de propriedades deles.
As vezes fico a pensar como que a transfiguração de fatos obedecem a um ritual sublime e cativo.
No alto do Pé de Jabuticaba, pássaros deliciam-se com o fruto exposto ao seu prazer e, no tronco, os novos frutos chegam as nossas mãos.
Tristeza sómente com o achar de um ninho de lindas Rolinhas que, ao cair, deixou mortos dois filhotes. Não resistiram ao Vento Frio de Final de Dezembro e cairam. Servirão de estrumo na terra para que novos vitais venham. ( Jose Milbs de Lacerda GFama editor de www.jornalorebate.com )

27.12.08

TRILHOS: De Chile até Macaé.



TRILHOS: De Chile até Macaé.
Em Março começo um novo livro com este titulo. Farei ele em parceria com a minha colunista chilena Alejandra
d Fenelon. Iremos fazer uma longa viagem do Chile até Macaé onde retrataremos as vertentes das histórias, das vielas, das difrenciações e do mundo belo que nasce no ramger do sagrado barulho do trem que é igual aqui como no Chile. Comndará nossas mãos a magia das histórias que nos foram passados. Para mim de minha mãe e para ela do seu pai.
Aguardem...Jose Milbs e Alejandra

"TRILHOS: De Chile até Macaé."
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Blogger dfenelon disse...

Iremos de la mano de nuestros Padres viendo los peñascos y trillas de la Cordillera mostrando el desierto , los campos , la gente de los pueblos y seguiremos hasta los montes y costas de Rio de Janeiro para atravesar Macae con la Metáfora de dos manos, y las Almas de Poetas en nostálgicos recuerdos.
Asi sera..............y no pueden perderlo.

Alejandra d Fenelon.
d Fenelon

23.12.08

Acidente mata filho de ex vereador de macaé e ex lider ferroviário Jodyr souto Correa...



Aguenta Coração do bravo Jodyr souto Corrêa. Se não bastasse a morte de sua linda filha Tamires, aos 16 anos, teve a triste noticia do grave acidente que vitimou seu filho Jodymar Gomes Corrêa. Aos 32 anos, com uma bela carreira na Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro onde sempre se destacava pelo afeto a todos que o procuravam para alguma atenção. Este lindo baiano de Alagoinhas perdeu a existência terrena na batida de seu carro com um motorista alcoolizado que também morreu.
Jodyr Souto Corrêa, pai de Jodymar, tem ainda Kátia, Jodyr, Marcelo e Iza Carolina como filhos que estão passando pela triste fase.
Nos anos 60/70 Jodyr foi vereador, precisamente em 1967, quando eu tive a honra de te-lo como colega de Câmara Municipal em Macaé. Criamos um grupo político com mais 6 vereadores e fomos lançados a Prefeitura da cidade. Eu como candidato a Prefeito e ele como vice. Era uma ousadia, dois jovens almejarem dirigir a cidade, ainda sob forte presença de uma elite atrelada ao poder econômico e restejante de poder frágil e de raízes coloniais.
Dividindo ao meio o grupo oportunista e revisionista de PCB acocorado e em busca de espaços eleitoreiro, Judyr se manteve fiel aos que aceitaram sua presença na legenda do MDB que tinha a gente como liderança.
Lutamos e obtivemos 18% da votação e o MDB perdeu para Arena por 200 votos. Hoje, depois de 40 anos, a luta continua.
Jodyr, foi para Bahia, lecionou em Alagoinha, abriu horizontes evangélicos e está ai se conformando como os desígnos da vida eterna. Eu continuo aqui na minha missão de escrever fatos históricos.
Nas poucas vezes que vejo o velho amigo de lides antigas ainda nos recordamos de muitas coisas que aprendemos juntos.
Dizia o velho Fernando Frota: " O Homem é o que é por último" e assim as vertentes da vida vão nos ensinando a caminhar e saber que estamos num mundo frágil e de tempos curtos.
A tristeza, que sei estar no Caração de Jodyr e Arlinda, brava baiana mãe de Jodymar, é a certeza de que eles não estão sosinhos nesta dor. Todos passamos e pasaremos por estas perdas da vida humana.
Perde a Policia Militar um jovem que honrava a farda e sempre esteve ao lado do POVO nas horas em que esteve em missão. Em nome de O REBATE quero deixar o sentimento de solidariedade a familia e em especial ao meu velho companheiro Jodyr pela perda de seu querido filho e companheiro. ( José Milbs de Lacerda Gama - editor de O Rebate )

19.12.08

A noite estava assim enluarada, quando a vóz...




A noite estava assim enluarada, quando a vóz já bem cansada, eu ouvi de um trovador. Seus versos que vibravam harmonia e em lágrimas dizia da saudade de um amor...
Falava de um beijo apaixonado, de uma amor desesperado, que tão cedo teve fim. E nestes gritos de tormenta, eu guardei no pensamento uma estrofe que era assim:
" Lua, vinha perto a madrugada, quando em ânsias minha amada, nos braços desmaiou. E num beijo de pecado no teu véu estrelejado, a sorrir glorificou...
Lua, hoje eu vivo tão sósinho, ao relento sem carinho na esperança mais atróz. De que cantando em noites linda, esta ingrata volte ainda, escutando a minha vóz"...

16.12.08

RITA DA MACTRAN FILHA DE CENI E BRAULIO MORRE AINDA JOVEM




Um telefone meu para Odisséia e a dra. Lais e tomo conhecimento, pela fala triste de sua colega Carina, da morte de Rita Andrade, atenciosa funcionária da Mactran e uma das mais ricas figuras de nossa cidade.
Rita era a docura e a meiguice refletida em sua história na região de petróleo. Filha de Bráulio Andrade e de Ceni ela tinha por principios básicos o carinho com todos que sabiam de suas origens nas nossas ruas alegres dos anos 60. Rita nunca deixou de ser a menina que nasceu e cresceu na Rua do Meio - Rua dr. Bueno. Teve a felicidade de ter sido acariciada ao colo pelos seus avós Zé Bonito, Aluisio e Vovó Durvalina.
Gostava das peripécias do velho tio Zequinha e sempre que era vista trazia a harmonia do encanto de uma jovem/mulher que atenta as preocupações maternas. Muitas vezes pude ve-la. Uns tempos na antiga CERJ aqui perto do O REBATE onde funciona nossa redação. Outras tantas nos colégios onde nos viamos, conversávamos e faziamos reviver a saudade da nossas infâncias na Macaé bucólica. Eu com meu filho Zé Paulo e ela com o seu.
Rita sofreu uma grande perda em sua vida isto ela sempre deixava transparecer no seu meigo olhar. Sentia falta de Braulinho. Se confortava com a ausência de seu irmão se didicando ao crescimnto de seu filho.
O Rebate se une as manifestações de tristeza que tomou conta de todos os seus colegas de trabalho. Que sua familia saiba que o sofrimento que hoje habita em suas existências estará sendo dividido por todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
A Ceni, Bráulio, Juca, a seu filho e a todos os familiares os sentimentos de O rebate. (Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com )

15.12.08

KLEBER GUIMARÃES UMA HISTÓRIA VIVA DO JUDICIÁRIO FLUMINENSE...


Falar da vida de Kleber Guimarães para mim se torna muito fácil. Convivi com ele desde os anos 60, quando vinha à Região de Petróleo em visita a sua tia Zenita, espôsa de meu primo Pierre Tavares da Silva Ribeiro. Antes, seus pais frequentavam a Igreja Batista onde Agnes Guimarães ministrava ensinamentos bíblicos.
Kleber era um ser diferenciado dos demais de sua época. Elegantemente vestido nos uniformes militares de sua infância tinha o dom da cordialidade.
De seu irmão Celso herdou o carinho pelos empreendimentos e se tornou um dos mais efusivos defensores da dimensionalidade geográfica desta região. Antes mesmo que o petróleo assumisse a febril vontade de enriquecimento de muitos moradores, Kleber já antecipava o que viria a ser nos anos desde século que se inicia. Criou vários Bairros, loteando e espalhando familias por toda a extensão da cidade de Macaé, cidadezinha situada ao norte do Estado do Rio de Janeiro.
O Bairro da Riviera era a "menina de seus olhos atentos ao crescimento da cidade". Ali ele vislumbrou a Riviera Francesa em muitas de suas viagens ao exterior. Para mim contava suas façanhas, muitas delas fantasiadas por quem, como ele e eu, sabiamos que a vida é, na verdade uma "grande mentira". Fantasiava alguns trechos que dominava com a fala e se transformava, as vezes, num grande criador de deslumbramentos comuns aos grandes novelistas do cenário nacional.
Kleber foi um dos poucos brasileiros que podia escolher a cidade para viver, trabalhar e morrer. Tinha acesso a grandes metrópoles e escolheu esta região para fazer história.
advogado brilhante, empresário, politico, jornalista, cronista, homem do povo, Kleber sabia brincar com as mentes humanas. sabedor, como poucos, de que, no judiciário e nos tribunais, vence sempre a "maior mentira pregada e defendida", usou dos tribunais para absolver velhos transgressores da lei e fazer fluir sempre a eloquencia como forma de levar a cabo seus objetivos.
Gostava de se fazer presente em todos os acontecimentos sociais. Elegante, do alto de seus 80 anos, fazia questão de usar a palavra e desfilar nas ruas de Macaé sempre dentro de seus ternos escolhidos nos melhores alfaiates do Rio de Janeiro. Escreveu vários textos no "O REBATE" nos anos 60 e 80. Amigo pessoal de Almir da Silva Lima e, ultimanente tendo ao seu lado o fiel escudeiro Renato Rasmos. Dois jovens saídos das nossas ruas empoeiradas o que veio demonstrar a simplicidade de Kleber no trato com as pessoas do POVO.
Rive a honra de, quando ainda eu era amigo do Sylvio Lopes, ter apresentado Kleber a ele. Convidado aceitou trabalhar na Procuradoria do Municipio onde fez do local um ambiente popular onde as pessoas simples eram sempre atendidas e levadas ao atendimento jurídico.
Quando o Poder Judiciário de Macaé estava abarrotado de milhares de processos que precisavam de andamento, a maioria de pobres, Kleber foi convidado e funcionou, durante anos, como Advogado dativo, onde milhares de pessoas, filhos, esposas, amigos e gente simples, tiveram seus processos em andamento e solucionados. Era, nas madrugadas de sua velha casa no Alto dos Cajueiros, que ele fincava os olhos, debruçava noites no estudo dos aparados legais que iriam ajudar as pendengas.
Um dia escrevi sobre ele e disse: Kleber, como advogado criminalista, era "o monstro sagrado do Direito". E fui mais lobge ai afirmar que: "dentro das vestes do elegante advogado Kleber Guimarães, estava escondido "Um bravo Operário da Lei", num belo macação que honrava a Toga de Juiz que ele sempre gostou de dizer que era...
E por que nao o Juiz Kleber Guimarães? por que não o Magistrado Kleber Guimarães?...
O mundo, a vida, a existência é uma grande Meganomania. Nascemos sem saber de onde viemos e saimos da existencia sem saber para onde vamos. Kleber era um sabedor nato das nossas vontades de ouvir histórias. Fazia com que todos se sentissem participante da ciranda da vida com suas alegres histórias, muitas delas, fantasiadas para que os ouvintes sentissem-se dentro delas. Foi um grande homem, um bom advogado, um sábio juiz e um fiel "amigos dos amigos".
Hoje,ao saber que se encontra entre a vida e a morte, numa semi-consciencia, num leito de CTI na Casa de Caridade de Macaé", faço público um de seus desejos e pedidos quando a gente andava juntos pelas ruas de Macaé, Rio de Janeiro e Foruns. Ele me pediu:
"Se algum dia eu estiver vivo, ainda que inconsiente, escreva algo sobre mim. Não faça depois de morto não. Gostaria que as energias que saem de seus dedos de cronista saiam de uma maneira suave como se eu ainda pudesse ler. Você, Jose Milbs, é um gênio e como tal queria ter de você algo ainda em vida.
Pois ai está, meu velho amigo Kleber a minha homenagem a você ainda em vida. Macaé, Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2008, 14,43 minutos. A frese que disseste ao seu amigo Renato Rasma: "Não me deixe morrer ainda quero viver". está ressoando no Bairro Miramar, em suas Ruas empóeiradas e lindas que você trocou pelo luxuoso Bairro de São Conrrado no Rio.
Talvés tenha sido o seu maior desejo o de deixar este mundo cruel na presença de gente simples como você.
Dia 31 de Dezembro de 2008, sem ver o nascer do Sol de 2009, chega a noticia da morte do Juiz do Povo Kleber Guimarães. Almir da Silva Lima me deu a notícia ainda com a tristeza de quem, como o Renato Rasma e os familiares do Kleber, estavam esperando sua recuperação. Lembrando ainda do escritor macaense Luiz Lawrie
Reid, em seu "Ultimo Conto" faço dele minhas palavras:
" Queria saber por que, se os destinos, as inteligências, os corações são tão desiguais nos homens, êles se asemelham tanto nos dpis polos primordiais: Viva e morte?
Por que, na balança da justiça, podem ficar em iquilibrio tanto o réu como o autor?
Por que a metamorfose dos valores morais? moralidade e religão nasceram para o homem e não êle pra elas?
Por que a fria razão traz alegria e a tortura e a paixão nos faz feliz?
Por que todos têm razao e quem menos tem berra?
Por que em todos um desejo imperativo de acumular, conseguir glória, poderio, riqueza? Por que vingar-se e não tolerar? Por que tanta ansiedade do Eu?
Um cego é feliz em pensar que ouve e fala, um surdo em ver o mundo, um paralítico em pensar e meditar. E um que tudo tem, que tudo goza, rói-se e corrói-se por dentro?
Por que?

Por que a razão anda sempre com os velhos, os loucos e asa crianças?
Por que nascemos filhos de nossos pais e morremos filhos de nossas ações?
Por que o que as crianças aprendem de Bem a vida ensina-les de mal?
Por que precisa-se, às vêzes, de mais esfôrço a não odiar os amigos que amar os inimigos?
Por que o homem se preocupa com tanta inutilidades e nunca com o seu "fim"?
Por que há sempre quem nega e a firma Verdades e Mentiras, indiferentemente?
Por que existe quem em tudo acredita e nada duvida?
Por que se precisa mais de amor que de pão?
Por que só a dor nasce grande?
Por que........"
A mesma tristeza, com odor de saudade que vi estampado no olhar de Luis Cláudio, meu filho, quando comuniquei a morte de Kleber, tenho certeza estará nos rostos de milhares de pessoas simples da região de petróleo. Presos abandonados em cárceres, pequenos policiais civis e militares, jovens juizes, alegres defensores e promotores de justiça, todos que tiveram a felicidade de "receber dele, de kleber, seus sagrados presentinhos de Final de Ano e Natais que não voltam. Kleber tinha o dom de presentear amigos. Presentes simples porque eram para muita gente. Um reloginho aqui, uma gravatinha, ali, uma camisa acolá ele ia cimentando sua presença em todos que podia acariciar. Era sua maneira gentil de saber-se presente.

Abre-se, hoje, 31 de Dezembro de 2009, uma lacuna impreenchival no Judiciário Brasileiro com a morte do Juiz Kleber Guimarães. Morre com ele o Romantismo do Direito, Entristece de lágrimas o Sagrado Manto que sempre soube honrar.
Fecha-se uma página no sagramento da lei. Fica a lembrança deste grande Advogado, porque não dizer do POVO?
Abraços de seu amigo, Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com