Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

3.8.11

OS 7O ANOS DE DJECILA FOI EM SP COM AMIGAS DE INFÃNCIA ...

Djecila Maria de Lacerda Gama é minha querida irmã que mora em São Paulo. Nascida e criada em Macaé ela foi para a minha alegre São Paulo para fazer companhia a minha mãe Ecila. Deixou grandes amigas e belos momentos de feliz vivência onde estudou em vários colégios publicos e se formou em Professora...
O dia 21 de julho ela teve uma surpresa e um de seus mais prociosos presentes. Recebeu a visita de suas amigas de infância e bancos escolares. Therezinha de Mello Keller, Luisa de Mello Keller e Maria de lourdes Daumas Barbosa Mancebo se descolcaram de suas cidades e foram até São Paulo para esta grande data desta grande irmã e amiga...
Emoções, risos, recordações, bons momentos revividos e lembrados marcaram este dia que tiveram ainda a presença de meu amado irmão Ivan Sergio de Lscerda Gama que me mandou as fotos...
Djecila mora na Rua das Palmeiras onde sempre é vista em alegres conversas com os maradores do Bairro de Santa Cecilia que a tratam com elevado carinho. Imagino sua felicidade em rever estas lindas amigas que fazem parte de nossa história e são detentoras de respeito e cordialidade em suas longas vidas.
Therezinha e Luiza, filhas de Minha mãe de Leite Nilza que além de esposa de Tinoco Keller é irmã do colega de farda de meu pai Da Gama Tote Mello. Familias que se ligam no decurso de uma história belissima na Velha Macaé dos anos 30...
Maria de Lourdes, descendente de uma das mais felizes familias de nossa região. Os Daumas do velho "seu" Henrique e dos Barbosas de seu pai Celso. Casou-se com meu primo Marlécio Prata Mancebo e seus filhos são amigo dos meus...
Fatores de uma historicidade que torno público no O REBATE e farão parte de buscas no mundial do GOOGLE a partir de hoje...
Parabéns a Djecila pela conservação de tão belas pessoas que marcam, com o simbolismo das saudades, a certeza de uma amizade que é eterna.
Feliz 70 anos de Djecila festejado com suas jovens amigas...
José Milbs, editor de www.jornalorebate.com

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Do Livro em Construção: O PINGUIN DA RUA DO MEIO do autor Milbs

Infância vai, infância vem.

Mudam-se as pessoas, os gestos, a fala.

A Infância é eterna, como o cantar dos passarinhos, como o Nascer e o Por do Sol.

Onde habitará a infância, senão no frescor da mente do velho escritor?...

AS PETECAS

A criativa na formação cultural destas crianças tinham um sabor bem diferente dos de hoje. Exemplificado pela peteca, que era uma obra que se ia fazendo com rodilhas de câmara de ar de pneus ou de bicicletas, que no fim acabava formando um cimentado firme, tipo daquelas capas de cebolas que, no seu todo forma de película em película a fortaleza de seu conteúdo final.

Enquanto se um grupo ia fazendo isso, alguns meninos procuravam nas casa e quintais alguma mãe que estivesse sacrificando algum frango para o almoço ou canja de alguém adoentado. Sobre a cebola minha bisavó, que tinha 100 anos contava a adivinhação seguinte. "Que é o que é"? -

"Capa sobre capa, capa do mais fino pano. Se não adivinhar este ano, nem o outro que vier enquanto eu não disser"

... Era um martírio esperar pela resposta depois de uma longa espera ela nos dizia ser a conhecidíssima Cebola....

Era a hora de finalizar o artesanato na confecção das "Petecas" e colocar os penachos dos galos que antes cantavam alegremente. Tapas nas petecas que voariam nos ares despoluídos pondo a vista nossa criação divinal.

Os estalos diferentes e o queimar de palmas de mãos diferenciavam estas históricas petecas das compradas em lojas.

O sacrifício dos frangos enfeitavam as petecas e alimentavam doentes em restabelecimento .

Havia uma alma conservadora que nunca trazia no ar qualquer suspeita de depredação de espécies. As tardes petecas e mais petecas iam cortando os céus da rua do Meio e meninas e meninos formavam bandos e bandos que se juntavam a outros de ruas periféricas. As cantos podiam-se ouvir cantigas...

"Lá detrás daquele morro
tem um pé de manacá, -nós vão casar
-e vaun pra lá.. você quer?"....

assobiando outros tons que batiam no confronto com cantos de Cambaxirras e Sabiás da Praia...

Os mais velhos já começam a circular com gaiolas e visgos prontos para a caçada pura, ecológica e feliz. .Eram Mirian de "Dona Pequena", Luiz, Ayran, Wilson de Sto. Pires, Rolien, Roberval, Osmar 'Cascalho,' Walcyr, Walber, Ruy e Rudy Sucena, e mais a galera das ruas da "Poça" e do Sacramento que, com 'Anterinho", Ismael "Dabarrinha", Devan e "Durico", 'Tininho' e 'Flavito' da rua Júlio Olivier davam os toques de concorrência para ver quem tinha pego o "Papa Capim" de ponto.

Os locais mais abrangentemente, onde se tinha mais pássaros eram nas proximidades do Cemitério, nos Arames que circundavam o Forte Marechal Hermes e nas imediações do Asilo da Velhice Desamparada ou mesmos nos quintais das casas..Eram mais comuns os "Papa´Capins de Ponto", os "São Paulo", os "Laranjeiras" e os "Coleiros".. Alguns "virando"m que pareciam fêmeas com o tempo "viravam" nas gaiolas ou gaiolões com cânticos de "tui... tuis firmes e dobrados.

Mais tarde veio morar na rua dr. Bueno dona Enedina Daumas com Celso Barbosa, Oberland e Lourdinha. Daí que passaram a habitar nosso mundo. Com eles veio Zenilton que com simpatia e alegria nos obrigava a belas travessuras já que era mais velho. O pai deles era de Conceição. . Como seu Henrique Daumas era contemporâneo de meus familiares a amizade foi se tornando estreita. Lourdinha estudava com Djecila e se casou com Marlécio.

Oberland somos amigos ate hoje.Trabalhamos uns tempos em um Posto de Gasolina de Fernando Santos, nos revemos em Cabo Frio. Eu trabalhava no IAPETEC ele na Álcalis. Freqüentávamos o mesmo 'Hotel Colonial' de lá. Ele se casou com Maria Lúcia de Cabo Frio eu com Lúcia Maria de Macaé... Vez por outra a gente se esbarra numa destas esquinas da vida e recordamos das infâncias da rua onde a gente morou.

AS CASINHAS DE FUNDO DE QUINTAL

Eu devia ter mais ou menos uns 6 anos de idade... acho que não sabia ao certo diferenciar as coisas, mais tenho lembrança de meus bisavós que habitavam a velha casa da Rua do Meio, em Macaé. Estado do Rio de Janeiro.

A cidade tinha sempre cheiro de galho de árvore partida em tardes ensolaradas. Cheiro que se misturava a ervas naturais e vassourinha que se entrelaçavam a onze horas e zínias que bailavam no dia a dia.

As meias que nunca fizemos( só os outros) e as "bronhas furtivas" sempre estarão no lembratório e sendo motivo para infinitas descobertas edipianas...

As crianças como. botos terrestres, se embrenhavam nas cercanias de casas divididas por cercas vivas e lençóis que, ao vento, secavam as belezas de lavagens diárias em tanques que ficavam sempre perto das saudosas casinhas de uso fisiológico que perderam a vida com a chegada dos banheiros sofisticados e mais catinguento como diria um escritor Amazonense, em seu livro Catingueiro do Nordeste.

De vez em quando era comum passar alguém vindo das ruas vizinhas sempre com olhar cumprimentativo e de agrado. Poucos iam para o centro. A maioria ia para os Cajueiros uns de bicicletas, alguns empurrando carrinhos de mão feitos de tábuas de vendas e mercadinhos.

Todos porém conhecidos de nomes e de vivências afetivas e eternas. Paulo Camarão, Paulo Cabeção e Buruca eram vistos sempre com seus coleiros vindo da Bicuda Grande.

De vez em quando se podia ver, vindo da rua Direita,o velho Álvaro Bruno de Azevedo tendo em suas costas os primeiros caixões artesanais que ele levava ou para o hospital ou para o asilo dos Velhos.

Não havia autos e eles eram transportados ou de bicicleta ou na carroça do Waldemar Azevedo. As crianças da rua do Meio tinham a fama de não terem medo de almas do outro Mundo acostumadas a esta relação. Alguns turistas e visitante menos avisados,quando viam o Velho Bruno com o seu produto de trabalho,pensavam se tratar de algum enterro . Era motivo de brincadeiras estas dúvidas que iam se tornando alegrias um pouco fúnebre entre nós que sabíamos do fato real.

Waldemar Azevedo era irmão de seu Álvaro e pai de Walmir e outros mais velhos. Era Tio de Waldyr, Dermeval e Acyr Azevedo. Waldyr se casou com Eléa Tatagiba. Dermeval era pai de 'Rumo Errado', Acyr pai de Cezar Sabino.

Esta era a cidade onde tudo começava e terminava em manhãs de sol a pique e tarde de revoadas de Pardais, Papa Capins, Rolinhas, Bem Te Vi e Pombas Rola...

Final de verão eram as Andorinhas que se misturavam com gaivotas e tesoureiros vindos das ilha do Francês ou mesmo de pescarias em águas fundas de Búzios ou Cabo Frio. Alguns namoricos com meninas campistas que veraneavam nas ruas próximas....

Seu Álvaro atravessava a vala que margeava a Travessa onde ele morava. Esta "Travessa" se tornou rua Curindiba de Carvalho onde moram hoje "Peixinho" e as filhas de Nelson Carvalhaes, os filhos de Sucena, Zezinho e os filhos de Marquinho Brochado.

Seu Álvaro Bruno estava Longe de saber que seu filho Cláudio seria Prefeito, e eu como vereador iríamos, nos idos de 68, fechar esta vala e abrir um caminho até a rua da "Poça" onde mais tarde viria ser calçada e belamente jardinada. Cláudio Moacyr foi, verdadeiramente o único líder político de Macaé saído das poeiras das ruas. Jogou pelada com bolas feitas de meia, vendeu batata doce e goiabada em nossas ruas, sentiu o cheiro das Valas e Cocheiras das rua do Meio e foi, politicamente e como advogado criminal, onde todos almejam ir mais poucos conseguem. Cláudio, Telio Barreto, Ivair Itagiba, Aristeu Ferreira da Silva e Antonio Otto de Souza fazem parte das saudades e do tempo que os nascidos macaenses se elegiam prefeito e prequentavam as nossas ruas e becos sem medo e sem ter que se esconder do povo que os elegeu.

Na praia de Imbetiba, que, depois viraria Cais e suas areias apodrecidas, podiam se ver, ao longo do "Ilhote do Papagaio," uma linda e bela carreira de Botos brincando ao som de suas vozes harmoniosamente natural e firme. Eram deles os medos infantis de longas braçadas proibidas e mergulhos afoitos. Suênio, Levy, Naná e Antonio irmão de Biriba eram dos poucos que iam e vinham nestas ilhas.

Quando a criançada vinha esbaforida as mães e avós já sabiam.

Eram as boiadas que se dirigiam para a rua da Estação com destino a rua da Boa Vista. Cavalos e bois deixavam o cheiro nativo de interior na mistura de bosta e poeira que serviriam de estrumo para Vassourinhas, olho de boi e plantas macaenses nativas neste tempo de sol ameno e chuva criadora ou criadora como falavam os visinhos portugueses de além-mar....

Seu Álvaro era um homem extremamente quieto mais de uma personalidade incrível. Pai de Cláudio, Geraldinho e Amparo era esposo de Zelita que com seus doces de Batata e Goiabada, batida no tacho. ficou famosa em toda a região.

Zelita tinha um tear onde ela mexia com uns pauzinhos e saiam rendas maravilhosas. Eu ficava olhando e não entendia como aquilo funcionava.

Não sei onde foi parar esta prenda maravilhosa. Quem sabe, sua neta Beth ou Marcinha tenham notícias? Este inicio de milênio perguntei a Beth onde andava e como se fazia aquilo. Ela explicou, não entendi mais ficou a lembrança daquele gordo instrumento coberto por linda obra de arte que só Zelita sabia fazer....

Eles moravam a l00 metros de minha casa e, como já citei em outros capítulos, era onde eu ia e vinha nas andanças infantis de bolebas, peladas de bola de meia, piques, estrelas e praias...Na vala onde ia dar para a casa de Peixoto pai de Luiz Cláudio (pinguinzinho) morava Rubens Barreto irmão de Paulo Rodrigues Barreto onde uma linda morena de nome Tarsila sempre vinha passar férias e nos encantava com sua meiga e bela figura. Ela morava em Campos onde também morava minha prima Badra Teresa Salomão. As famílias de Campos vinham passar férias em Macaé. Ainda não tinham desbravados as praias do Farol e Atafona de lá... A Imbetiba tinha um correr de casas só de Campistas.

A "Choupana das Rosa" era do velho Pereira Pinto que sempre que vinha desfilava na orla com seu impecável terno e bengalas. Recordei isto com o seu sobrinho Antonio Carlos Pereira quando de um encontro político no início do século...

A casa tinha onde morava com minha família tinha o formato de janelas angularmente feitas artesanalmente com vidros coloridos, em moldura arredondada distante da rua uns 4 metros, onde um jardim de roseiras e arbustos verde amarelo, que diziam se chamar Independência, davam toque de carinho. Ainda se podia notar as Dálias e 11 horas que Minha avó cuidava com subtileza. No fundo do quintal havia um coqueiro, uns pés de laranjas e plantas em latas que Djecila cuidava. Uma muda de Rosa Vermelha Irene de Darcílio levou uma muda para sua casa no Visconde onde, mais tarde em conversa com Darcilio e Irene eles me disseram que a roseira "pegou" e dela saíram lindos filhotes que se espalham por todo o bairro onde eles residem. Darcirene, Matheus, "Mundinho"e Nelsinho foram um dos primeiros moradores do Visconde e ainda mantém o local onde a Roseira Vermelha vinda da rua do "Meio" é vista quando se passa em frente a velha casa.

"Garfo e Faca, Pêra, Maçã"...

e as brincadeiras do "Chicotinho Queimado" vivificam as horas que antecediam a noite...

As Margaridas, sempre amarelas, canteiros em torno da varanda. Tinha no frontispício ,em cima da janela, quase chegando no teto da frente da casa uma legenda que era a união de três pessoas extremamente afetiva. Estava inscrito em cima do portal da janela LAR DJECILA.

Djecila, o nome de minha irmã, era a formação de 4 nomes criados.

Djecyr de meu pai, Ecila de minha mãe e Alice de minha avó lendo o contrario o nome de minha mãe Ecila. Esta formação criada só me foi passada com o tempo. Portanto o nome Djecila tinha Djecyr, Ecila e Alice..

A praça Veríssimo de Mello, o Tenys Clube, com sua sede antiga, onde os porões eram nosso refúgio nos piques que entrava por tardes adentro. Tinha no Tenys um grande porão cheio de trilhas de pilares de cimento naturais que davam medo quando se ia a 1ª vez.

Uma mistura de crianças de todos os lados se reuniam nas suas escuras vinhetas em busca de esconderijo. Muita "meia" se fez, Muito cigarro se fumou em restos de Astória com Ponteira, Saratoga, continental com filtro e outros da época. Como era um clube de classe média emergente não tinha cigarro Clarim que era o chamado mata rato. Quando havia jogos de Tenys a luta era para ser Boleiro.. Era hora de faturar um troco. Acordar cedo e ir esperar os jogadores. A vaga era de quem chegasse mais cedo. Nesta "Escurinho", que morava na Sacramento sempre nos ganhava...

Eu, Francisco, "Escurinho", Orlacyr, Moacyr Prata, acho que Marlécio, "Calú", "Nini"Drumond e outros criamos uma "fábrica" onde desmanchávamos as bingas, púnhamos pra secar e voltava a enrolar. Era tudo muito sutilmente puro e nossas tardes eram assim passadas nesta praça. Vez por outra alguns "Abelhas" iam chegando. abelhavam algumas tragadas e se iam. Havia ainda "Orlandinho", Alexandre Herculano, Jonathan, Elmo, e a maioria dos filhos de seu Benedito Drumond. Vez ou outra vinha "Zuzuca Tanajura" e Jocy que mais tarde ficou trabalhando com Paulo Emílio. Com pequena freqüência os meninos de Jorge Marins se juntavam na praça; "Jorginho" e "Colega" eram os mais chegados... eles eram da turma da "Pororoca"..

A maioria morava na periferia da praça Veríssimo de Mello. Falar nisso ,quem não tinha medo de "Baldo", um cão que sempre ficava junto com "Marquinho Caúna" e dona Iolanda de seu Alcebíades Azevedo? A maioria de nós éramos do Grupo de Escoteiros.

"Marquinho" era ainda uma criança mais sempre bisbilhotava nossa andanças pela rua da Praia em busca de Sardinhas e Robalos nos saudosos tempos das pescarias no cais...De vez em quando havia guerra de atiradeiras com os coquinhos verdes que tinha nas árvores que circula a praça. Era um coquinho de formato angular, de uns poucos centímetros mais que, quando pegava na testa, doía muito. Bebeto Bacellar e Vovô (do INPS) sempre apareciam por lá´com suas atiradeiras municiadas com as terríveis bilhas de aço.

Sargento "Gavião", que era o Chefe da Guarda Municipal e responsável pela conservação do logradouro. Quando via a "guerra" tentava apaziguar e alguns arremessos que a ele eram dirigidos.. A criançada corria para dentro do quintal de Francisco, de "Juquinha" da Casa de Caridade, para a casa de Pepeu, de seu Sátiro ou para os corredores da casa de "Zé Paco".

Às vezes que tia "Nizinha" Prata vinha do Rio, onde morava no Méier perto de Ary, Pratinha, Aires e Arina, nós íamos jogar Canastra ou Víspora. Tia Nizinha Prata não gostava de perder nunca e me lembra, hoje, meu filho Zé Paulo que também fica bravo quando perde. Zé Paulo, joga comigo Buraco, que é o mesmo que Biriba ou Canastra. A diferença de um jogo para o outro é apenas no combinativo antes de se formar a mesa. Tia Nizinha tinha um sotaque bem Carioca e as crianças adoravam jogar com ela. Na sala, meia iluminada com duas lâmpadas de 60 e, tendo como cenário uma talha d'água no canto e uma cristaleira antiga que dava para o quarto de minha irmã a gente formava o jogo. Do quarto de minha avó "Nhazinha", que detestava jogo e conversas até altas horas, era comum a reclamação toda hora que se ia lá para apanhar algo. Ela dizia com sua voz meiga e firme. ---"Eu já disse para Nizinha não ficar jogando com as crianças. Isto é jogo o jogo vicia. Ela não tem jeito". ..quando se voltava para a mesa era tia Nhazinha que falava....

-"Crianças não falem alto para não acordar Nhazinha que ela não gosta de que jogamos". As vozes tinham uma diminuição combinativa entre nós Darcirene, Clyce, Nelson, Djecila, Lourdinha, Therezinha de tia Doca e Therezinha de Tinoco Keller e Nilza Mello formavam algumas das rodas dos jogos que ainda, às vezes, se podia ter outras crianças que se iam se ajuntando na medida que eram cantadas as pedras... Darcirene um dia "flagrou" a Tia Nizinha olhando e devolvendo um número que ela não tinha e que muitos estavam por uma pedra. Foi um pega pra capar....Nesta hora todos tinham a mesma idade e as acusações e as negativas de atos ilícitos eram dignos de tribunais. Nos finalmente, depois do jogo ser "melado" ele reiniciava com os olhares atentos as cantadas e os possíveis olhares para dentro do saco..

FRENTE PARA O NASCENTE

A frente da casa para o nascer do sol dava a certeza de que sempre era um acordar com esquentamento nas camas sempre postas nesta direção.

. Minha avó Nhasinha sempre dizia." Meu filho, você quando crescer só resida em casa de frente para o nascente.

Agora que moro no sitio entendi profundamente esta beleza do conhecimento natural.

A frente da casa ao entardecer tinha cadeiras que se iam espalhando à medida que iam chegando mais alguém para as conversas que as crianças,sentadas no canto da calçada, ouviam em silencio. Com a chegada da noite é hora de fechar as janelas, mosquitos, mosquitinhos e mitigas entram sempre entre as l8 e l9 horas.

Cantarolando as rodas se integravam aos céus nativos com sons..... "Por isso José Milbs,

entre dentro desta roda...
Diga um verso bem bonito,
diga adeus e "vá simbora".

Era "vá simbora mesmo"....

Era a cultura natural que a televisão deformou com sua chegada devastadora e fria. Dona "Cotinha", dona Elsa, dona Adelina, dona Olga, dona Zelita, "Catuta", "Zinha", Dona Madalena de "Seu Cristo", a esposa de Benildo Amado, Seu Oswaldo, Gilda, "Lalate", "Tia Doca", "Dona Zinha", Zeneida, dona Laércia, "Dona Bentinha", Tiuca, dona Alda de "Joaozinho Passos, Maria de "Benedito Drumond", Dona Rita mãe de "Galo", Elsa de Sto. Darcy, 'Pirata' e Wanda que casou com Mozart Leão, Irene de Darcílio, dona "Pequena", "Titinha", Jacyra , dona Enedina eram algumas das vidas vivas das recordações de uma Imbetiba que soaram em todos os recantos das cidades.

Recordações que passo para estas memórias no sentido de cristalizar a história viva de uma região onde a docilidade de suas presenças deram formato a uma Macaé que ai está memorizada em suas existência belas. Não se pode passar num livro pessoas globalizando as existências sem citar seus nomes sob pena de ficar devendo aos seus descendentes esta obrigação fraterna e amiga que foram os parâmetros destas pessoas quando viveram. A vida exemplar e profissionalmente farmacêutica do seu Hipólito pai do inesquecível Henrique Palito que nos foi roubada jovem e alegre. Seu Hipólito tinha a simplicicidade que norteava as figuras aleregremente puras da cidade antiga e sua gente. Alezendre perpetuou Palito dando o nome de Henrique a um dos seus filhos...

Recordar nomes destas pessoas é perpetuar na essência da existência desta cidade gente que formou e forma a genética de nossa gente. Pode parecer estranho para alguns mais todos que lêem guardam estes arquivos no interior da mente que, clicando encontrarão outras, com outros nomes mais que são a própria personificação do belo infantil que tanto nos faz feliz em recordar...( José Milbs de Lacerda Gama editor de O REBATE ).

Um comentário:

Angela Maria disse...

zé linda homenagem que você fez para sua irmã. bjão sua companheira