Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

7.3.07

O MAQUINISTA DO TRENZINHO DE GLICERIO E OS ADEUSZINHOS DAS CRIANÇAS NOS ANOS 40 E 50...

GLICÉRIO DO TREM DE FERRO...

As idas quinzenais a Glicério em companhia de meu tio Zezinho Moura era uma festa. No que a gente chamava de pensão de “seu” Correia todos ficavam lá. A comunidade era o local mais lindo do mundo. Pedras encarreiradas, meninas bonitas, pessoas simples e bondosas habitavam este nosso mundo infantil transferindo para a terra um paraíso que a gente sonhava ter no céu. O trenzinho vinha como uma Aparição dos Deuses.

Um senhor de nome “Seu” Crespo, com sua garbosa farda de maquinista era o protótipo do orgulho e da beleza. Sabia que as crianças corriam para ver a passagem da “Maria Fumaça” e, delicadamente e propositadamente diminuía a marcha do divinal veiculo para que os adeusinhos infantis tivessem uma demora maior. Era o momento da glória refletida nas duas dimensões deste espaço angelical. Numa ponta a do velho Crespo e na outra ponta as crianças. Momentos de eternas e imorredouras presença do ser integrado no amor. O Maquinista por satisfazer o desejos dos adeusinhos em forma de agradecimento. O outro, as crianças, de ter feito do momento o divino do prazer de sua própria presença notada, interiorizada e refletida no molejo leve e devagar do trenzinho de Glicério. O sorriso de seu Crespo se misturava a ação das belezas das mãozinhas infantis. Este momento de eterna beleza ainda deve fluir nas memórias de senhoras e senhores desta região de serra que, devem passam para seus filhos, quando da pergunta de o porquê dos trilhos na localidade. Eu vivi esta beleza existencial nos anos 40 e 50 em Glicério e região serrana de nosso município.

Glicério, Córrego D”ouro e Trapiche eram as regiões onde o “Trenzinho de Seu Crespo” recebia mais adeusinhos infantil. Seu Crespo era o que se chamava de chefe da Estação. Mais tarde estudei com suas filhas Rose e Rosaly. Reinaldo, que estudou comigo no SENAI se casou com Rosely.

Habitava a região o sr. Pedro Adams que mora em Glicério desde os primeiros anos do Século. Veio de Verona na Itália e com uma quantidade de filhos, netos e bisnetos se firmou na comunidade. Seu filho também Pedro é pai de Ana Elisa que se casou com Marcos filho de Pedrinho Loureiro também da comunidade. O tempo passou e um filho de Ana Elisa e Marcos veio a ser amiguinho de meu filho Zé Paulo. Quando Saulo tinha 11 anos ficava do meu lado bisbilhotando o que escrevia tanto no PC. Doidinho para que eu pare de fazer minhas memórias fluirem para ele e Zé Paulo entrarem nos jogos do micro. Longe de saber e pensar que é parte vida de meus escrito e, inocentemente me fornece informes para o livro de memórias que farei sobre Glicério e sua gente...

Os Adams estão espalhados por Paraná, São Paulo, Londrina, Pará e Macaé onde levam a historicidade vinda da Itália.

Helena Marotti, minha colega de bancos escolares, se perguntada irá retratar todo este encantamento que era vivido pelas crianças que moravam na Serra de Macaé e viam o Trenzinho de Ferro fazendo seu trecho nas localidades.

Em breve vou passar uns dias na região e fazer viver outras belas histórias que o catucamento da memória flui. Falar de Cizinando, Mireto, Cabral, Seu Lauro, Nilton Abreu, Seu Cruz e tantos outros personagens que sorriam com os olhos quando via a nossa chegada ao distrito, já nos anos 70 quando vereador e Cláudio Prefeito, íamos com destino ao Sana para um pernoite na casa do Capitão Breves...

Tentarei relembrar os grandes vultos da música artezanal Macaé/Glicério onde as pessoas aprendiam o solene e mágico toque do violão, do cavaquinho, da viola e outros instrumentos, sob o lindo luar da serra e das cantigas que vinham do encontro do Rio Encacheirado com as Pedras angulares. Este sagrado musical saia das paisagens de Glicário, caminhava seus acordes nos Pontilhões do Oleo, Trapiche e do Córrego D"Ouro para fazer-se presentes em Macaé através de Nelinho Santos, Darcilio e o belo e armonioso de todos, o elegante e feliz Cidinho. Eram todos irmãos de meu tio José de Moura Santos a quem me referi no início destas memórias. Zé de Moura foi um primeiros Motoristas de Praça de Macaé. Seus irmãos trouxeram para a cidade as belezas que uma viola pode trazer.

Os bailes eram todos ao entardecer e o Casarão de Dona Ursulina, onde hoje está instalado o Forun Abilio de Souza, era onde a rapaziada dançava e namoricava enbalados pelo Regional do Manduquinha e os irmãos Santos na viola, cavaquinho, violão e pandeiros...

3 comentários:

Vavá disse...

Fico contente em saber que alguem esta interessado em falar sobre as pessoa sda serra de Macaé.
Se eu puder ajudar em algo, é só falar.
Um abraço

Vavá
Desema Turismo de Aventura.
www.desema.com.br

Anônimo disse...

Gostei muito de saber mais sobre o trenzinho de ferro.Meus avós sempre lembram alguma dessas trajetórias e contam para a gente.É bom saber que existem pessoas que se preocupam,e amam Glicério.

Carlos Magno Faturini Abreu disse...

Zé, ao ler essa bela história, lembrei-me do meu inesquecível pai, Alziro Abreu. Aprendi muita coisa desta maravilhosa terra com os "causos" contados por ele.
parabéns e saúde.

Carlos Magno Faturini Abreu, Filho de Glicério