Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

29.4.11

Texto que fiz no resgate da memória do Theatro no Rio de Janeiro....

Foto:Dulcina e dr. Odilon contemporâneos de Odila Machado nos Anos de Ouro do Theatro Brasileiro
MORRE DONA ODILEA, MAE DE RUY JORGE, CARLOS ARTHUR E JULIO ARAUJO MACHADO

Aos quase 90 anos, morre a macaense e mulher de nossa historia, Dona Odiléa Araújo Machado. Soube educar seus filhos e acompanhou a transformação de nossa cidade da Ferrovia ao Petróleo mantendo a mesma meiguice quando de sua juventude em nossas ruas empoeiradas e belas.

A fragilidade corpórea não podia esconder a fortaleza espiritual que a desnudava no olhar e nos pequenos gestos com as mãos. Sempre atenta às transformações sócias do mundo, soube entender todos os momentos na vida de seus filhos e sempre sabia entender as coisas da maneira mais simples possível e de pouco entendimento para a maioria das pessoas de sua idade. Enquanto outras mães berravam, gritavam, chamavam aos cantos e ventos as coisas quando de algum acontecimento diferenciado do dia a dia, ela usava o afago que vinha da sua voz baixa e que penetrava no interior de quem ouvia, ressoando forte e tomando conta do ser. Ela sabia usar as palavras, embora "de poucas palavras".

Convivi com ela um bom tempo de minha juventude. Ia em sua casa, sentia o calor e afeto dela com Eurico Machado, seu companheiro, gráfico e comerciante de nossa história. Eurico trabalhou no tempo em que jornal era feito, letra por letra, apanhadas em grandes caixas de dezenas de escaninhos e, estas letras, colocadas num tal de Compunidor. Às vezes ele me falava no tempo que trabalhou no O REBATE com Milton Madureira, pai de Milmar e com Eraldo Mussi Rocha, irmão de Margarida. Estes momentos eu observava dona ,

Seu olhar admirativo para o velho companheiro e o gesto suava com as mãos indicando a mim e ao Ruy, a mesa posta onde tomávamos o café. Era deste encantamento que pude rever quando da ultima vez que pode estar com esta senhora lindamente doce e sempre feliz...

Orgulhosa de sua irmã Odila ela nos contava das andanças dela e dos encantos que tinha quando dos anos doirados.

DONA ODILÉA E ODILA

Pouca gente sabe que temos uma dama que fez história no Teatro Brasileiro. Era mesmo uma macaense que saindo de Macaé, brilhou nos conhecimentos da vida teatral no Rio de Janeiro. Dona Odila Araujo mãe de Cordely. Esta talvez mais conhecida por ser jovem e habitar Macaé. Cordely como sua mãe também fez Teatro. Eu sempre ouvia falar em dona Odila por Tutuca, Jojó e pela dona Odiléa. A gente andava junto desde os tempos de estudante e sempre Ruy me falava de suas tia, irmã de sua mãe. Odila foi correr mundos e Odiléia ficou em Macaé sempre a espera da irmã o que aconteceu na velhice das duas.
O teatro veio para a macaense Odila como para a maioria dos grandes em suas várias profissões. Chegou a ela como vendedora de ingressos e projetou-se no palco pelo talento que soube desenvolver na filha Cordely.

O Rio de Janeiro nos anos 40, mais preciso em l943 viu chegar alguns valores do interior que fizeram historias. Dona Odila foi uma delas. Trabalhando no antigo Rex e Capitólio esta mulher nascida na Rua Alfredo Backer numero l em Macaé mudaria sua historia e se firmaria com brilho na vida do Teatro Brasileiro.

Teatro Gloria na Cinelândia perto do Amarelinho fazendo bilheteria e secretariando os mais famosos artistas da época ela foi se firmando e formando sua história. Do tempo em que se selava os ingressos e se conheciam os freqüentadores por nomes e por cadeiras o teatro do Rio engatinhava.

No Fênix como secretária de foi com Dulcina e Odilon para o Teatro ginástico da Graça Aranha e sempre que se refere ao Odilon ainda usa o doutor Odilon.

Assim esta pequenina mulher macaense foi sendo pilar na teatrologia nacional onde sua filha Cordelly trabalhava nas peças de Nelson Rodrigues amigo pessoal de dona Odila de quem fala que era uma pessoa muito perguntativa. Nelson gostava de secar as pessoas com pergunta. Fala isso e sorri. Por 12 anos ficou com Dulcina e o Dr. Odilon.

Dona Odiléia se oregulhava dos feitos de sua irma dela bibligrafava os textos que faço público.

Depois Meson de France. Diza com orgulho, Eva Tudor sempre veio até Macaé visitá-la e ela ainda tem saudades do Rio, de sua casa em Copacabana e Lido onde se reuniam os seus amigos de teatro. Rodolpho Mayer, Floriano Faissal, Iara Cortes, Dayse Lucidi, Jece Valadão. Agildo Ribeiro, Paulo Nosling são alguns dos seus amigos recordativos. As vezes estas memorias que as duas guardavam nas paredes da mente que está prestes a completar 90 anos, eram misturadas pelas falas das duas ao mesmo tempo. E ai, assume o ambiente Odila que lembra com voz embargada pela emoçao de um grande ator que sempre a visitava. Fala com sensibilidade especial sobre Sérgio Cardoso e relata que foi com Sérgio, que Tarcísio Meira teve seu primeiro papel no teatro.

"Acho que o mais lindo do teatro é quando a companhia viaja". Interrompia a nossa conversa a Odila quando dona Odiléia nos erve um café.

Conheceu o Brasil todo nas companhias que trabalhou. Cordelly trabalhou em 7 gatinhos de Nelson Rodrigues e ela fala com orgulho de seu neto Cláudio José Araújo Motta que ela criou e hoje é um dos mais renomados químicos do Pais e que leciona mestrado nas Ufrj.

Odiléia se orgulha de jojó, Tutuca e Julinho e elas esquecem um pouco as lembrnças e voltam-se para seus descendentes.

Odila continua falando no Neto e Dona Odiléa em Paulinho, Mirna e os outros filhos de Ruy Jorge (Jojó). Fala no Ruy e na Poliana.

O Dila diz que seu neto é um dos mais importantes expoente do mundo em sua formação profissional . Estudou no Luiz Reid nos anos 70.

Orgulha se de ter sido amiga de Agildo Barata e Ney Braga. Dona Odiléia de ter conhecido muita gente atraves dela. Estas duas almas macenses se seperaram na existencia que tiveram aqui. Dona Odiléa, a quem me inspirou rever este diálogo morreu a poucos. Dias. Soube pelo seu filho Jojó, meu velho amigo de lides estudantis dos anos 70 e um grande Artista na arte do pincel.

O REBATE homenageia em sua ediçao on -line estas figuras de nossa história, abre com elas a página de THEATRO e agradece ao Eurico Machado por ter sido um dos responsáveis pela formação de um genética que nos honra ser contemporâneo...
(jose Milbs de Lacerda Gama)

19.4.11

silvinha cohen e Neusah Cerveiras falam do Livro ECILA

DIA 27 DE ABRIL MINHA MÃE ECILA ESTARIA RECEBENDO MEU TELEFONEMA. EU DE MACAÉ ELA LÁ EM SÃO PAULO, CIDADE QUE ESCOLHEU PARA SER SUA SEGUNDA OPÇÃO DE TERRITÓRIO. LÁ ELA FALECEU E DEIXOU CENTENAS DE AMIGOS NO BAIRRO DE SANTA CECILIA ONDE CONVIVIA COM TODOS EM COMUNHÃO E AFETO...
Saudades de seus filhos e amigos de Macaé. Faria 92 anos no dia 27... Bjs de seu filho José Milbs





NEUSAH CERVEIRA FALA DA BELEZA DO LIVRO ECILA
Contribuições dos Leitores
Neusah Cerveira

Editor,
Adorei o livro sobre a Ecila, viagei na história. 20 capítulos de uma narrativa sensível sem ser piegas, carregada de emoção e um retrato do personagem inserido nos momentos históricos que viveu. Que história de vida maravilhosa Ecila viveu. Me tornei amiga dela, me identifiquei em muitos pontos. Agora vc tem q publicar em livro. Não muda nada, deixa exatamente como está. Qualquer virgula pode quebrar o encanto. Toda mulher deveria conhecer a história de Ecila. Parabéns e um grande beijo.

+-.
O LIVRO ECILA, LANÇADO MUNDIALMENTE NO FACEBOOK UNE PESSOAS DE SENTIMENTOS IGUAIS
Silvia Cohen

Jose Milbs, acabei de ler o seu livro on line e adorei conhecer a historia de vida de sua mae. Belissima!!! O seu livro me reportou a uma Macae que todos nos como filhos da terra, sentimos falta.
Eu desejo que vc consiga publicar essa perola escrita por vc.
Muito bom te reencontrar aqui.
Querido Que Deus possa te cobrir com o balsamo sagrado do amor suavizando a falta que sentes de sua querida e maravilhosa mae.
Luz e paz p/ vc. E conte comigo pois repassarei essa preciosidade que eh a sua obra escrita.

Bjs
Silvinha

Silvinha e Neusah:
Silvia, é o pouco que pude dar a quem meu tudo além da vida.. Ha se todos os filhos soubessem o quanto uma mAe faz falta. fala a vc um menino de 70 anos... bjs minha linda amiga. e se puder espalhe o livro ele é on-line e gratis como gratuito foi a inspiração.

Jose Milbs Lacerda Gama

6.4.11

FACE BOOK, MSN, ORKUT LEVAM PARA O MUNDO VIRTUAL AS NECESSIDADES DAS CIDADES....



O REBATE está de olho nas reinvindicações do POVO, principalmente pessoas que querem dias melhores para as comunidades...

Adicionado ontem ·


Heleno Do Trapiche e outras 4 pessoas curtiram isso.
Tânia Schueler xiiiiiiiiiiiii acabei de postar algo sobre o lago da praça abandonado e com água parada ******** foco de dengue
há 14 horas · Curtir
Marabel Freire Acho que aquilo ali nao tem haver com a prefeitura.Eles so ficam com a emergencia.
há 4 horas · Curtir
Alex Medeiros
O Pronto Socorro (Emergência) é organismo da prefeitura, funcionando em dependências da Irmandade São João Batista. Para isto, a PMM paga aluguel e mantém servidores para os serviços. Soube, há poucos dias, que o aluguel do espaço não estar...Ver mais
há 4 horas · Curtir
Betania Alves Pois é a emergência Marabel, que está um caos...tem a ver sim..
há 3 horas · Curtir
Betania Alves Alex, não vá mesmo, a não ser que vá desmaidado para n poder ver nada em volta, vc n imagina como é o lugar que são guardados os medicamentos..PASMEI de ver!!!!!!!!!!!! Mas taí outra coisa q n entendo, pq a prefeitura nunca está em dia com seus pagamentos???
há 3 horas · Curtir
Marabel Freire Vc acha que eleger os "malas" que eles elegem sai barato?Tem que tirar de algum lugar.Isso e bom pra populaçao lembrar na hora de votar.Que o mais prejudicado sao eles msm.
há 3 horas · Curtir
Betania Alves puts.....será que qdo as pessoas estão sendo atendidas, n pensam nisso...?
há 3 horas · Curtir
Marabel Freire Pensam nada, so na hora da eleiçao e que eles lembrarm que tem que vender o voto pra esticar o puxadinho...
há 3 horas · Curtir
Betania Alves kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, e agora SOFREEEEEEEEEEEE povo!!!!!!!!!!!
há 3 horas · Curtir
Betania Alves A gente ainda escapa, porque graças a Deus, temos como pagar um planinho...
há 3 horas · Curtir · 1 pessoa
Vania Pacheco Pacheco Mesmo com "planinho" a coisa é complicada..UNIMED é um caos total...
há 2 horas · Curtir
Betania Alves TOTAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! mesmo!
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Ana Maria Valverde Concordo com vcs. Sou de Macaé e irmã de Bandeira e a mt anos não se faz nada. Lastimavel...
há 49 minutos · Curtir
Betania Alves Está nas nossas mãos a mudança...
há 48 minutos · Curtir · 1 pessoa
Tânia Schueler e pq não nas das mulheres??
há 32 minutos · Curtir
Marabel Freire Amore infelizmente nao esta na nossa mao.Na sua casa quantos votos tem?Vai na malvina que o quarto que vc dorme la dorme 8 pessoas e sempre vao querer aumentar o puxadinho e com isso votam em quem da mais.Nos estamos na mao de pessoas que so olha pro proprio umbigo.
há 31 minutos · Curtir
Tânia Schueler Meu bem digo a mudança direcionada por mulheres
há 29 minutos · Curtir
Betania Alves Quando eu digo NOSSAS digo do povo, cabe a nós mudar ou não , mas acredito ainda, e vejo até por aqui, que temos força sim!
há 23 minutos · Curtir
Vania Pacheco Pacheco Quem se canditada a "Prefeita" de Macaé?
há 22 minutos · Curtir · 1 pessoa
Tânia Schueler kkkkkkkkkkkkk quem???????
há 20 minutos · Curtir
Betania Alves
olha, veja bem....eu confesso que fico indginada com o que vejo por aqui, e adoraria mesmo ter junto a todos que amam essa cidade, uma oportunidade, formando um grupo que pudéssemos lutar juntos..mas todos nós sabemos que precisa de MUITO d...Ver mais
há 18 minutos · Curtir
Jose Milbs Lacerda Gama olhe ai minha doce amiga Tania. o hospital esta as traças mais os medicos que foram seu provedor estão todos ricos e até o morro do forte que foi doado por casculheiro para o hospital esta com uma casa de um medico que pasou por lá. é uma vergonha que eles usem as irmães de uma "tal caridade" que não existe pra roubar... Abs Milbs
há 15 minutos · Curtir · 2 pessoas
Betania Alves MULHERES NO PODER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
há 14 minutos · Curtir
Vania Pacheco Pacheco Eu tb amo minha cidade Betania, dim dim, a cidade tem, mas infelizmente o EGO político é mais forte..e o povo q se dane...Vc ja percebeu q a obra do Cine Clube esta parada? Prefeitura + BR nao se entendem....será
há 14 minutos · Curtir
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30.3.11

Ex Prefeito de Macaé morre em São Paulo.





Depois de lutar bravamente contra uma grave doença o médico cardiologista Carlos Emir Mussi morreu hoje em São Paulo onde estava em tratamento. Carlos Emir foi prefeito de Macaé em várias legislaturas. Foi um dos batalhadores para que fosse instalada a Petrobras em nossa região. Uma luta árdua já que, nos anos 70, a cidade de Campos vinha lutando para levar a estatal para lá e tinha apoio de vários deputados e senadores.
Médico competente ele sempre esteve ligado a sua profissão onde exerceu, até pouvo tempo atendimentos e consultas.
Fomos amigos desde infância. Escoteiros juntos, lides estudantís no Rio e em Macaé. Trabalhamos juntos no ex Inampos onde tinhamos uma convivencia sempre cordial e recordativa,
Gostava de longas conversas nos momentos de reencontros na "Praia de Imbetiba" onde a gente se encontrava.
Amigo também do amigo comum Cláudio Moacyr de Azevedo onde sucedeu na Prefeitura. Tivemos grandes momentos na vida pública. Algumas delas junto com Cláudio, Nacif e outras figuras de nossa história...
Seu corpo está sendo trazido da Capital de São Paulo e será velado na Câmara dos Vereadores.
Carlos Emir deixa a vida como um dos últimos Prefeitos da era romântica, alegre e popular da região. Casado com Tania Jardim Mussi, que nos anos 70 foi a Musa do DEBATINHO, suplemento cultural de O REBATE que foi editado e criado pelo Redator Cláudio Ulpiano Nogueira Itagiba.
Nos bons tempos em que eleição era ganha nos encontros com o POVO nas ruas e casas simples, eleição que deu lugar aos "candidatos eletrônicos" sem o calor humano dos grandes comicios, Carlos Emir deixa o marco dos grandes mitos de nossa história. Do bom médico ao eloguente politico ele viu a transformação de Macaé em Capital do Petróleo mantendo a simplicidade humana, herdada de seu pai Alfredo Mussi. EEra comum ve-lo caminhando pela Rua do Meio indo para a Casa de Caridade atender seus fiéis pacientes.
Por telefone, sua querida Tania, nas vêzes que pude ligar, me dizia de seu restabelecimento leve e devagar. Carlos Emir gostava de ler meus textos e, em sua homenagem publico um que ele gostava de comentar...
"Quando a Região de Petroleo do Rio de Janeiro ainda engatinhava no progresso

UM DOCE PEDAÇO DE MACAÉ QUE SE ESVAI... Em Homenagem a Carlos Emir Mussi nas saudades que a gente sente de nossas ruas alegres e emburacadas...(Milbs)

(CRONICA ESCRITA REALÇA A SAUDADE DE NOSSAS RUAS EMPOEIRADAS E O GOSTO BOM DOS BOMBOCADOS E CHUVISCO) Leia em José Milbs no texto O DESBRAVADOR DE MACAE NO SÉCULO XX.

O DESBRAVADOR DE MACAÉ NO SÉCULO XX

Macaé ainda não tinha cultura própria no ramo imobiliário nem seus habitantes tinham projeção do que podia acontecer 10 ou 20 anos à frente. Viviam do dia a dia. As vezes na pesca, onde brotava sua maior riqueza, vez outra do comércio, que crescia devagar, devagarinho e estava de bom tamanho para seus membros. A tradicional loja em baixo e a casa do comerciante em cima. Daí que muitas "casas sobrados" ainda existem e são daí que se formou este simbolo de progresso individual tão comum em cidadezinhas do interior do Brasil.

Nos quintais ficavam o terreno para, caso houvesse casamento, as construções se sucederiam. As pessoas estavam e viviam tranquilas nas sonolentas e compassadas horas de Macaé nos anos puros de décadas passadas. A tranquilidade de uma aposentadoria do inps e a certeza de que estavam criando bem a filharada.

Esta Macaé não tinha lá muita preocupação progressista . deixava a coisa acontecer nas idas e vindas de seus filhos na rua principal onde o "point" era cinema nas duas sessões da quinta- feira ou domingo nas matinês.

A Rua Direita, a principal da cidade e que virou Avenida Ruy Barbosa, ao entardecer, quando os milhares de pardais revoavam nas árvores frondosas que reinavam nas ruas periféricas, recebia dois suaves cavaletes. Um na altura do "Bar e Restaurante Belas Artes. Outro em em frente da Casa de Acioli Pena irmão de Dodão e Gó.

As tardes, lá pelas l5 horas, era comum o Bar de Dona Dadá estar cheio de gente tomando média com pão e manteiga. A manteiga era feita na casa de dona Dadá e o pão era da "Padaria e Confeitaria Lima" de "Joãozinho" e Ênio Lima. Padaria que conseguia fazer as melhores bisnagas de toda a regiao litorânea.

Tião, Zé Carlos, Isaura. Conceição, Joãozinho Ramos e, .as vezes a própria dona Dadá, presenteavam, com o servimento do café torrado na hora.

As xícaras brancas e ainda quente, tiradas do lado de uma cafeteira, com um gancho em forma de pegador de macarronada, vinham sempre acompanhadas de torradas, pão e leite. Tipo da média que não será nunca requentada e inspirou Noel Rosa das vielas de Vila Isabel.

Mais tarde tomei estas mesmas médias com pão e manteiga na rua Beneditino, Acre e Leandro Martins nas madrugadas do meu Rio antigo. Este café Tinha o mesmo sabor da média (nâo requentada) de dona Dadá. Igual ao sabor da boa media de Noel, que imagino ter tomado nas encruxas da 28 de Setembro ou Theodoro da Silva nos fins dos anos 20, onde residi um tempo com minha mae Ecila e meus irmâos Djecila e Ivan.

.Media de café pingado com pão e manteiga às l5,30 horas era igual em todo o Brasil afirmo e não aceito contestação. Tomei na Avenida Paulista, esquina com a Brigadeiro em São Paulo e na Avenida Anhanguera em Goiânia.

Vez por outra era ali mesmo que se iniciava as conversas que iam ter seguimento na boca da noite nos "Belas Artes" e fechavam-se no Restaurante Imperatriz, ponto de encontro dos noctívagos e boêmios vindos das Bocadas, do "Quadrado", "Curral das Èguas, Continental ou das Serestas.

O Bar "Imperatriz" não tinha portas. Funcionava dia e noite e, os ônibus que vinham e iam para o Rio ou Norte do Estado, tinham paradas certas e obrigatórias. Do outro lado da rua, onde hoje habita o travestido mundo de humanos assumidos, existia o bar de seu Aristóteles Cândido de Carvalho.

José Rangel, que mais tarde virou "Zé Mengão",dava seus primeiros passos longe de Carapebus, iniciando sua existencia no comércio.

Zé era ainda um jovem inexperiente na vida . Trabalhava à noite no bar de seu Aristóteles, que era uma espécie de primo pobre do "Imperatriz".Sua clientela, uma mistura de pescadores, médios transeuntes e algumas sobras de passageiros que, quando conheciam o café feito por "Zé" e seu Aristóteles, dificilmente deixavam de se transformar em constante freguentador.

José tinha o dom de atender bem a freguesia e paciência era seu forte. Nesta época Trabalhávamos eu, Acy, Jair, Antonino, Manoel Moraes e Dilson José Souto dos Santos, o "Batatinha de Campos, num orgão Público Federal de nome IAPETEC.

'Os doces de dona Zeny, de seu Wanda, os "Pernambucanos", "Bombocados", "Queijadinhas" e "Bolinho de Aipim" só eram igualados com os que faziam a esposa de seu Otávio e as inesquecíveis "Mãe Benta" que Petrônio Ramos vendia na estação de trem que corria mundos em sucessivas idas e vindas dos Expressos, Noturnos e Rápidos nos idos de l950.

O "Olho de Sogra" eram iguais em todos eles. Dizem que vieram de receita única que chegou a cidade pelas mãos de uma Doceira de Campos no inicio do Século. O "Chuvisco" ninguém aprendeu e só as Campistas faziam com maestria.

Os "bombocados" só foram igualados destas mestras por Mariza mãe de Paulinho e Mirna que também são filhos de Jojó.

Mariza mantém a tradição dos mais gostosos doces macaenses. A sua residência, na rua Francisco Portela, está sempre sendo requisitada por quem gosta do sabor de seu Bom-bocado..

Bem pertinho da casa de Petrônio tinha o seu "Zezinho" com um barzinho onde havia de tudo para as crianças. Seu "Zezinho" rompeu gerações com seu modo puro e simples de tratar. Seus filhos Jailton, Juca, Jorge e Maria espalharam por toda a cidade o sangue bom que dele fluiu.

Ainda se avizinhava de Petrônio, onde as crianças gostavam de pegar frutas nos quintais. As saudades de dona Tieta, Lalá e Lilinha, Nicinha, Joãozinho Ramos, Epaminondas, Luiz Macedo, Diamantino e Daniel Alfaiate, fazem parte deste pedaço de uma cidade que se perde no esquecimento rápido que chegaram com as técnicas da comunicação visual...


José Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com
leia mais artigos de José Milbs ou na busca do Google sitando O Rebate...

MACAENSE ESCREVE AO EDITOR MILBS:
Neilah Aguiar é filha de Zélia Aguiar um simbolo de nossa Educação Pública. Ela contesta o texto sobre a chegada da Petrobras e afirma, com provas, que foi o ilustre ex prefeito ANTONIO OTTO DE SOUZA quem trouxa a Petrobras para Macaé. Fala de suas distãncias e saudade de Macaé.
Ai vai o texto de Leilah:
Neila Marcia de Aguiar
Neila Marcia de Aguiar30 de março de 2011 às 23:26
Assunto: Carlos Emir
Milbs.
Lamento o falecimento de Emir, mas esse é o caminho de tds nós.
Discordo qd diz q ele lutou pela ida da Petrobras p Macaé.
Quem levou a Petrobras p Macaé foi Antonio Oto de Souza, irmão de minha mãe e sei q vc o conheceu bastante. Tb foi prefeito de Macaé e dono do Cartorio do 1° Oficio. Figura conhecida e respeitada na cidade pelo seu carater ilibado, decencia e justiça.
Ele foi soldado na Segunda Guerra e na epoca o tenente da tropa era o General Ernesto Geisel. E qd surgiu a possibilidade da Petrobras se instalar na região ele pediu ao então presidente Geisel q colocasse em Macaé dando como uma das razões a construção com mais facilidade do porto para dar apoio as plataformas. Tanto que, o presidente Geisel o condecorou c uma medalha logo apos a Petrobras se instalar em Macaé. Foi p esse motivo q hj existe a Petrobras aí.
Estou te passando esse fatos resumidamente, mas os filhos dele tem maiores detalhes, com documentos inclusive(cartas trocadas, etc)
Não acho justo ser dado a Emir esse merito. Não gostava dele como politico. Tive bem perto da ultima gestão dele e tenho muita historia degradante p contar. Fatos q presenciei. Respeito a dor da familia, dos amigos. Somos todos parceiros nesta caminhada terrena, sendo assim, ao irmão que parte, meu desejo de entendimento e progresso no mundo espiritual e p familia que fica, meu pesar.
Um grande abraço, meu adoravel conterraneo!!!
Neilah

JOVEM MACAENSE ESCREVE E FALA DAS SAUDADES DE CARLOS EMIR VIA FACE BOOK

. Iolanda:
oi meu amigo muito nobre de tua parte, eu tb tenho o maior apreço pels família mussi, em especial, pai e filho. o junior é meu medico, e tenho o maior carinho p ele. se Deus quiser vc vai conseguir. Deus te abençoe!
Iolanda
História dos anos 60. Eduardo Serrano o "Prefeito caçado"". A chegada de Antonio Oto de Souza ao poder. Suas personagens, entrevista, tudo num lindo trabalho da macaense Evelyn Valente que O REBATE divulga..

Eduardo Serrano, um prefeito “caçado”:

A produção do consenso pela imprensa macaense

Evelyn Soares Valente

Universidade Federal de Juiz de Fora
Faculdade de Comunicação
Bolsista do PET (Programa Especial de Treinamento)
5º período
Orientação: Prof. Ms. Cláudia Lahni

Introdução

A atuação da mídia pode fazer ou desfazer uma imagem, criar um mito e desmistificá-lo com uma rapidez por vezes impressionante. Desde a sua origem, na França do século XVII, os primeiros jornais ou informativos tinham como objetivo atuar politicamente, influenciando a população a apoiar a revolução burguesa. Os panfletos distribuídos, muito além de informar, formavam apoiadores e tentavam desmoralizar a aristocracia que detinha o poder político.

Não se quer aqui, achar a mídia ingênua, mas é preciso ter em vista que qualquer letra impressa ou falada, por mais tendenciosa que seja, deve se manter nos limites da ética e idealmente buscando a objetividade. Principalmente quando o assunto a ser tratado é de grande polêmica, como a política ou a homossexualidade, o cuidado na escolha das palavras é fundamental para que difamações ou vulgarizações não aconteçam.

Em Macaé (RJ) de fins da década de cinqüenta, os pré-supostos básicos da informação jornalística e da ética foram ignorados. Um prefeito polêmico e discriminado por sua orientação sexual foi alvo de uma cobertura questionável pela imprensa da época. A homossexualidade de um homem foi abordada por trás de muitos adjetivos pejorativos, e sua sexualidade foi decisiva no processo de cassação que o retirou do poder.

Nesse trabalho procura-se analisar o conteúdo da cobertura do mandato do então prefeito de Macaé, Eduardo Serrano, eleito em 1959 e deposto em 1960. Até que ponto a mídia da época contribuiu para a desmoralização, para o processo de cassação e posterior renúncia de Serrano ao mandato.

Macaé do século XX

Macaé entrou no século XX com sua economia basicamente rural. Dentre as principais forças produtivas estavam a cana de açúcar, as plantações cafeeiras, a atividade pecuarista e a extração do pescado. Não mais eram os escravos a trabalhar, mas os latifúndios e monoculturas continuavam como no século XIX e propiciavam que o grande proprietário de terras desempenhasse vários papéis como “agricultor, homem de negócios, defensor da segurança local e freqüentemente político”1. No início do século XX, Macaé vê sua atividade comercial em decadência que fica estagnada até meados do século XX, resultado também de crises sucessivas após a 1ª Guerra Mundial.

A partir da década de 40, Macaé retoma o seu desenvolvimento com a construção de canais de dragagem, da usina hidrelétrica de Macabú e com a inauguração em 1943 da Via Amaral Peixoto ( hoje, RJ 106 ) ligando Campos a Niterói e passando por Macaé. A construção dessa rodovia é fundamental para que o comércio local fosse revitalizado. Já a área cultural foi fértil no século XX. Teatros, Associações, Clubes Literários eram responsáveis por manter acesas as discussões políticas e literárias de Macaé. Em meados do século XX, Macaé ficou conhecida por gerar artistas famosos como Benedito Lacerda, Emilinha Borba, Angela Maria, Lucas Vieira, dentre ­outros.
A década de 50

Macaé entra na década de cinqüenta com grande expectativa de desenvolvimento, já que, em 1955, teria fim a maldição lançada por um macaense contra a cidade. Mota Coqueiro, último condenado à pena de morte no Brasil, quando da hora da sua execução, lança sobre Macaé uma praga de 100 anos de atraso. Na superstição popular, a década que se iniciava traria para o município o progresso tão esperado.

Nesse peródo a população da cidade era estimada em torno de 50 mil habitantes, mas ainda havia poucas indústrias. A grande empregadora de Macaé era a Estrada de Ferro Leopoldina. A economia macaense ainda era, como no início do século, baseada na atividade primária: agroindústria açucareira, pecuária e pesca. Macaé era uma cidade pobre em arrecadação, sobrevivendo de impostos e de repasses do Estado.

Um fato curioso dessa década é que em 1958 é feita a primeira perfuração a procura de petróleo na região. Feita na parte terrestre, tinha o objetivo de conhecer as camadas geológicas de Macaé. Na década de 70, Macaé iria se transformar em um importante produtor de petróleo, como de fato é até hoje.

Na área cultural a grande febre era o cinema:

“Para o lazer do macaense, contava-se com dois cinemas - Cine Santa Isabel e o Cine Taboada – com suas sessões noturnas e as matinês aos domingos; acompanhados nos fins de semana pelo tradicional “footing” na Avenida Rui Barbosa, que era interditada para o vai e vem das moças casadoiras. As domingueiras nos clubes, o banho de mar na praia de Imbetiba e as festas religiosas, compunham o lazer macaense”2.

Política

A vida política de Macaé na década de cinqüenta podia ser condensada na existência de quatro partidos políticos que se sucediam no poder e tinham os seus redutos eleitorais muito bem definidos: UDN ( União Democrática Nacional) que representava os interesses dos grandes proprietários de terras e a ala empresarial de Macaé, o PSD ( Partido Social Democrático) que tinha excelente organização partidária e representava a elite dominante do município, o PCB ( Partido Comunista Brasileiro) que buscava o apoio dos trabalhadores macaenses, e o PSP ( Partido Social Progressista que tinha grande penetração e buscava o apoio do Sindicato dos Ferroviários que já era reduto do PSB ( Partido Socialista Brasileiro).

A história do jornalismo em Macaé

O jornalismo em Macaé nasceu quando o jornalismo brasileiro, também em seus primórdios, tinha características muito peculiares. Era uma imprensa muito menos comprometida com a informação do que em noticiar polêmicas e ataques pessoais. Tinha também uma forte e clara tendência ideológica apresentando-se como uma imprensa político-partidária que se configurava como um instrumento na defesa dos interesses das diferentes alas.

Nesse contexto, em 1º de julho de 1862, uma terça-feira, é lançado o primeiro jornal de Macaé, “Monitor Macaense”. Saía às terças e sextas feiras. Esse jornal sobreviveu até 1870 quando foi desativado, provavelmente por problemas financeiros.

Em 1867 é lançado “O Thelegrapho” que saía às quartas e sábados e seguia tendências liberais. Tinha como proprietário Bento Pinto Leite. Joaquim Gonçalves de Abreu fundou o terceiro jornal de Macaé, o Tribuno do Povo, em 1º de dezembro de 1868. Esse jornal saía às quintas feiras e aos domingos produzindo uma circunstância curiosa. Os três primeiros jornais da cidade eram bissemanais e saiam em dias diferentes, tendo a população notícias locais todos os dias da semana, excetuando-se as segundas feiras.

Esses três primeiros jornais davam amplo espaço para as manifestações da população que abusava de trovas e curtas poesias para rivalizar com outros moradores. Nessas provocações nomes não eram assinados , e os pseudônimos criados foram muitos como Quebra-Vidraça, Dr. Pilhéria, Tinhoso e outros. Até ameaças de morte foram veiculadas pelos jornais:

“Pois eu avisar-lhe quero...
A você e a outros mais
Deixar-se de asneiras tais
De cuidar da vida alheia!
Que pode um dia marchar
Com passo lento e profundo
Daqui para outro mundo
Comendo gurumbumba à ceia”

Além dos conteúdos, os jornais da época tinham formatos muito parecidos:

“Obedeciam todos os nossos periódicos modelo da imprensa brasileira da época, por seu turno copiado de seus similares ingleses. Formato 30x 45 cm, quatro páginas sem manchetes, divididas em quatro colunas. Com ligeiríssima variação de um para o ouro, tais jornais ocupavam a primeira página com editoriais e ralas colunas de informações sob o título Noticiário ou Gazeta. O rodapé dessa página de rosto era campo de pouso, bem como o mesmo espaço do verso, ou seja, da página dois, de romances em folhetim. Coisas como O segredo do Abade de Arnaldo Viana gama ou Vinte Horas de Liteira de Camilo Castelo Branco, para dar dois exemplos..”3

Outros jornais foram publicados nessa época com o mesmo objetivo “literário e noticioso”. São eles: “O Ramalhete”, em 1871, “O Goytacaz”, em 1875 e, em 1877, “Aurora Macaense”. Em 1896 é lançado “O Século”, jornal abolicionista que enfrentou forte oposição dos fazendeiros. Sua primeira tiragem foi de 765 exemplares. O jornal foi desativado com a morte do seu proprietário Souza Mello, em 1918.

Como os jornais continuavam a dar espaço às pilhérias da população que as faziam sem assinatura, foi feita uma reunião no dia 11 de junho de 1887 entre alguns jornalistas e pessoas ilustres da época em que ficaram acordadas algumas propostas: banimento de artigos sobre a vida privada ou questionamento do caráter ou honra de qualquer pessoa, somente publicação de artigos devidamente responsabilizados na forma da lei e, por último, multa para o proprietário do jornal que infringisse o acordo.

Em 1895 é lançado em Macaé “O Lynce” por José Hugo Kopp, que de início era impresso nas oficinas do “Jornal do Brasil”.

“A primeira década desse nosso século testemunhou, em seu último ano, o aparecimento de outro importante jornal de nosso passado, “O Regenerador”. Mas essa década foi pródiga em nascimentos e óbitos de pequenos jornais, geralmente intitulados “literários e noticiosos” por seus fundadores. Jornais normalmente surgidos de jovens, aspirantes às glórias das letras ou amantes de mexericos, até certo ponto, inocentes. Apareciam tais periódicos, com muito entusiasmo, com muita ênfase, circulavam no máximo uma dezena de vezes, e logo finavam desanimadamente. Desse tipo de imprensa, nitidamente interiorana, temos notícia – no período a que nos referimos – dos seguintes títulos: “A mocidade”( 1902), de Humberto Mello e João Nelson, “O Porvir”( também em 1902), de H. Kopp e J. Lacerda e cujo primeiro número foi impresso em papel verde; “O Álbum”( 1905), de Carivaldo Pinto; “O Baluarte”( também em 1905), de Oscar Massena; “O Macaense”( ainda em 1905), de Anibal Mello e Mário Costa; “O Éden”( 1906), órgão do Club Edem Macahense, redigido por Herculano Kopp; “A Lavara”( 1906) de Gil Antunes de Carvalho, e “A semana (1909), de José e Pedro Melo”.4

Em 1927 é fundado em Macaé, por Cleveland de Souza Lima, o jornal “O Momento” que chegou a circular durante cinco anos. Se intitulava “semanário independente, noticioso e esportivo”, mas em 1930 teve o título de “Órgão Oficial do Partido Democrático do Estado do Rio de Janeiro”. Em 1929 é fundado o “Macahé esportivo” que tinha como frontispício “Semanário esportivo e noticioso”. Em 1932 é fundado “O Rebate” por Antônio Duarte Gomes. Esse jornal circulou por 31 anos ininterruptos e teve grande abrangência no município sendo defensor de tradições macaenses. Em 1938 aparece na cidade a “Gazeta de Macaé”, fundada por Latiff Mussi Rocha. Além de jornais, Macaé ganhou uma Rádio em 1950, a XYP-21. Pertenceu até 1958 a José Freire Dantas Filho sendo vendida nessa época a Iltamir Abreu, que trocou o nome da rádio para Princesa do Atlântico; sua torre estava localizada no Bairro Visconde de Araújo e operava com 250 w de potência irradiante na antena e ondas de 365m. Em 1958 a rádio ficava no ar das 6 horas da manhã até meia-noite, diariamente. A rádio transmitia as sessões da Câmara e das Associações de Classe da cidade. Na década de cinqüenta, os jornais locais e estaduais e a rádio local foram importantes veículos na cobertura da vida política da região, inclusive do mandato do prefeito Eduardo Serrano.

Embora em Macaé tenha havido uma profusão de pequenos jornais que não conseguiram se estabelecer e não tinham grande abrangência, esses veículos muito além de noticiarem, tomavam posição nos assuntos que noticiavam e com isso influenciavam seus principais receptores, que eram pessoas da alta sociedade da época. Eram essas pessoas que tinham acesso aos veículos de comunicação, principalmente os jornais, que formavam a opinião pública e influenciavam a população em geral.

Eduardo Serrano

Eduardo Serrano nasceu em 17 de janeiro de 1910 na cidade de Vilha Velha, Espírito Santo. Trabalhava em Niterói como auditor fiscal do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, quando na década de quarenta veio a Macaé para se recuperar de uma enfermidade. Com o fim da licença médica, foi aposentado e fixou residência na cidade. Segundo relatos e livros da época, Eduardo Serrano era solteiro, tinha pele clara, aparentando uns 50 anos de idade; tinha estatura média, era muito falante e simpático, bom orador com grande poder persuasivo.

Mesmo estando em Macaé não perdeu os contatos políticos com a capital e iniciou na cidade um trabalho assistencial àqueles mais carentes. Como conhecia muito bem as leis e os trâmites legais começou a atuar como rábula junto ao Ministério Público, sem cobrar dos clientes. Geralmente eram causas trabalhistas quando Serrano defendia o empregado.

“Reclamações trabalhistas, certidões de nascimento, carteiras de identidade e outros documentos eram entregues graciosamente aos requerentes. A maior parte do que recebia, gastava com serviços que prestava. As causas que defendia, nem sempre as fazia a luz da razão, porque acreditava no que lhe contavam, sem ouvir as partes opostas”5

Em 1947, Serrano fundou em Macaé o Escritório de Assistência Social Eduardo Serrano, em que a população era atendida; esse serviço foi considerado de utilidade pública municipal. Com esses atendimentos, Serrano adquiriu muita popularidade e ficou conhecido como “pai dos pobres”. Já os políticos da cidade viam com desconfiança a figura de Serrano, mas até essa hora não tomaram nenhuma atitude de retaliação. O poder constituído ainda não se encontrava ameaçado. Pelo contrário, em anos eleitorais os políticos se aproximavam de Serrano que se configurava como importante cabo eleitoral conseguindo arrebanhar grande quantidade de votos para o candidato que apoiasse. A partir do momento em que Serrano solidificou sua atuação junto a comunidade periférica e demonstrou as primeiras pretensões políticas que tinha, os caciques políticos da época se espantaram e perceberam o perigo que o “pai dos pobres” se configurava.

Em 1958, Eduardo Serrano demonstra pretensões de lançar-se candidato a prefeito, mas não é aceito por nenhum partido local, tendo que fundar um partido em Macaé, o PR (Partido Republicano) e convida Antônio Otto de Souza para ser seu vice. Nessa hora a homossexualidade de Eduardo Serrano começa a ser ventilada como um impedimento ao cargo do Executivo. Mesmo nos livros escritos posteriormente àquela década, o preconceito é claramente identificável:

“Já conhecido na cidade como pederasta passivo, os seus casos amorosos foram difundidos de boca-em-boca, por pessoas que temiam um dia ter como chefe do poder executivo uma pessoa de tão baixo moral. A sociedade macaense não aceitava”6

Uma observação a ser feita é que a sociedade ilustre, do centro da cidade, detentora do poder, não aceitava, mas a população periférica não via a homossexualidade de Serrano como impedimento a nada, pelo contrário, Eduardo Serrano se configurava como uma esperança de aquelas comunidades se fazerem representar.

Realizou-se o pleito e como diz Iltamir Honório Abreu, vereador eleito pelo PSP “aconteceu o inesperado: “o Eduardo Serrano ganhou as eleições”7 e para governador foi eleito Roberto Silveira ( PTB). A câmara de vereadores ficou com os seguintes quadros: Francisco de Assis Almeida Pereira, Jovelino Antônio Proença e Gê Sardemberg da UDN, Alcides Ramos, Lacerda Agostinho, José Machado Barcelos, Joaquim Lobo dos Santos e Iltamir Abreu do PSP, Joaquim Amaral Filho, Carolino Curvelo Benjamim, Antonino Manoel Cure e Bento Fidélis Rosendo do PTB, Roberto Mourão e Walter Quaresma pelo PSB, Manoel de Araújo Jatobá pelo PDC e apenas dois vereadores eleitos pelo partido de Eduardo Serrano, o PR, Alcides Vieira e Luis Pinheiro. Eduardo Serrano tomou posse em 1º de março de 1959 com forte oposição da Câmara.

Segundo entrevista com José Milbs8, presidente do Grêmio da Escola Estadual Luiz Reid em 1960, o governador, embora apoiado por Serrano na campanha, tinha interesses em prejudicar o seu mandato porque Gersom Miranda que tinha sido candidato a prefeito era neto de Tarcísio Miranda, um político de Campos dos Goytacazes, que era o padrinho político do governador. Então havia um interesse claro que Gerson Miranda, o Mirandinha estivesse no poder e não Eduardo Serrano.

Nessa época Macaé se sustentava, principalmente, por arrecadação de impostos , que eram poucos e por repasse de cotas do governo do estado, que era o que realmente garantia a cidade. Mas essas cotas, segundo o prefeito, não estavam sendo repassadas o que gerou um caos no funcionalismo público e motivou ainda mais a contrariedade com a homossexualidade do prefeito. Armando Borges em seu livro Histórias e Lendas de Macaé conta :

“Seis meses após sua posse, começaram a surgir os desmandos administrativos, logo denunciados à Câmara Municipal, com o agravante de denúncias de pederastia do Prefeito: fato aliás, que era do conhecimento público, porém sem provas concretas. Naquela época, a sociedade macaense não aceitava em hipótese alguma aquela anomalia.”9

Já em 1º de junho, apenas três meses após a posse do prefeito, a Câmara Municipal cria uma Comissão Especial para “apurar diversas irregularidades denunciadas ao plenário” conforme está no relatório entregue, em 09 de janeiro de 1960, à Câmara pelos vereadores. A partir daí, a perseguição a Serrano aumenta e a situação política em Macaé vai se agravando. O funcionalismo público, que por não receber seu salário entrara em greve, recebia o apoio da Câmara Municipal e das entidades de classe de Macaé. Por sua vez, Serrano justificava o atraso no pagamento com o não repasse das cotas pelo governador.

Desde a sua posse, Serrano já era alvo de críticas por ter demitido funcionários e já era atacado ferozmente pela imprensa local:

“O homem dos humildes se levantou da sua incapacidade, do seu estado mórbido, e de dentes trincados, procura, a todo custo, fazer mal aos pequenos, aos que vivem na humildade, enquanto por outro lado, disfarçadamente, bajula os grandes e os poderosos num indisfarçável temor à sua incompetência”10

Enquanto as investigações da Comissão continuavam, uma forte campanha que articulava opinião pública, jornal e a rádio (como falou em entrevista o proprietário da rádio local da época e também vereador Iltamir Abreu), visava a desmoralização de Eduardo Serrano. Para tanto também eram usados alto falantes pela cidade em que as sessões da Câmara, que eram repletas de acusações contra o prefeito e onde ele não estava para se defender, eram transmitidas para a população. A própria Comissão de Inquérito solicitou que números do jornal local “O Rebate” fossem incorporados aos autos do inquérito. No mês de dezembro de 1959 a situação em Macaé se torna ainda mais tensa porque a Comissão de Inquérito convoca 12 pessoas para depor. Nesses depoimentos são relatadas as tentativas do prefeito de manter relações sexuais com guardas municipais que eram destacados para vigiarem sua casa e os atos sexuais com alguns desses mesmos guardas. Em 09 de janeiro é entregue a Câmara Municipal o Relatório Final da Comissão de Inquérito, que entre outras coisas relata:

“O procedimento do prefeito tem sido sobremodo irregular, revelando uma personalidade instável, arredia, flutuante, incapaz de administrar tardiamente o município... A sua atitude moral é de estarrecer. Os depoimentos colhidos – comprovam, a sociedade, o seu vergonhoso procedimento, ofensivo ao decoro, à honra e a dignidade do cargo que ocupa... Concluindo, a Comissão é de parecer que a Egrégia Câmara mando ingressar em juízo com representação criminal, através de advogado, afim de apurar a responsabilidade penal do Sr. Prefeito Eduardo Serrano...”

À medida que o processo ia correndo, os veículos de comunicação se tornam mais agressivos e os jornais publicam matérias ofensivas e, na rádio, o espaço para se falar contra Eduardo Serrano era amplo. O “Rebate” do dia 17 de janeiro traz uma matéria sobre o relatório:

“... o recinto do Legislativo super lotado para prestigiar a histórica reunião e tomar conhecimento do mais fedorento processo conhecido até hoje, a começar da parte político administrativa ao moral de seu dirigente... Para concluir com a parte moral, repleta de depoimentos estarrecedores e de monstruosidades e imundícies, que as Comissão de Inquérito, em sinal de respeito, andou bem em não unir em libreto para distribuição à Justiça, as autoridades e ao público como a coisa mais infecta que se tem conhecimento nesse mundo de Jesus Cristo”11

Nesse ínterim, o processo contra Serrano estava na Justiça esperando julgamento, o que poderia demorar muito para levar resultados concretos. A Câmara recorre então a um novo recurso para ter o prefeito afastado do cargo imediatamente. Aproveitando a ida de Serrano a Niterói, para conseguir recursos junto à Secretaria de Finanças, a Câmara, no dia 19 de janeiro de 1960, pede a três médicos conceituados na cidade um parecer médico sobre a pessoa do prefeito Eduardo Serrano. Horas depois o parecer médico é entregue já reconhecido no Cartório do 2º Ofício do Sr Elias Agostinho. O documento resulta na afirmativa de que devido a sua homossexuaidade o prefeito não reunia as mínimas condições psico-físicas para exercer o cargo de prefeito normal e harmonicamente.

De posse do laudo, a Câmara Municipal de Macaé cassa, ainda no dia 19, os poderes do Prefeito, assumindo o seu vice Antônio Otto de Souza.

A partir daí uma batalha judicial se instala. Serrano impetra um mandato de segurança contra a Resolução da Câmara Municipal alegando que todo o processo havia ido conduzido a sua revelia. Em 1º de setembro de 1960, Eduardo Serrano ganha a causa e encaminha-se à noite para a prefeitura que se encontrava com as suas luzes cortadas, tendo que lá permanecer à luz de velas. Serrano voltava ao poder, mas as pressões e investidas contra o seu mandato continuavam muito fortes. Em 4 de setembro já existe na Câmara Municipal um ofício assinado por várias entidades de classe solicitando que a Câmara apure irregularidades na administração de Eduardo Serrano.

Diante da pressão da sociedade, Serrano acena com a possibilidade de renúncia se o seu vice também renunciasse. Assim em 15 de setembro de 1960 o prefeito envia a Câmara um documento comunicando a sua renúncia e a do vice prefeito, valendo a partir do dia 21 do mesmo mês. Assume a prefeitura o vereador Alcides Ramos. A partir daí o estado liberou as cotas que estavam atrasadas e a calma voltou a cidade. A Câmara ainda investigou as contas da administração de Eduardo Serrano, mas segundo Orlando Tavares Dias, chefe da contabilidade à época, nenhuma irregularidade foi encontrada.

Conclusão

No livro A Síndrome da Antena Parabólica, de Bernardo Kucinski, o autor se apropria de um termo usado por Noam Chomsky (1989) para analisar a mídia norte americana e o aplica a realidade brasileira. A “construção do consenso” verificada pelo lingüista nos Estados Unidos pode ser aplicada com algumas adaptações à realidade brasileira, como pretende Kucinski, e também a cobertura que a mídia deu ao prefeito Eduardo Serrano. Kucinski identifica a construção do consenso no Brasil na medida em que uma visão reduzida dos fatos é adotada pela mídia. A angulação escolhida pelos diferentes veículos se torna a mesma e é sempre a mais conveniente aos detentores do poder.

“ No Brasil a produção do consenso parece ser antes um processo político que se realiza primeiro na esfera do poder, e só depois busca a esfera pública como processo mediático. Dessa instância superior o consenso é imposto à mídia e parece determinar o próprio padrão da cobertura jornalística”12

Esse consenso se faz ainda mais presente no momento em que o poder e o privilégio da oligarquias entram no jogo, como no caso aqui estudado. Um forasteiro, homossexual consegue tirar o poder político de famílias que comandavam a cidade. Sob essa perspectiva, a imprensa da época e mais detidamente os veículos estudados, a “Rádio Macaé” e o Jornal “O Rebate”, se valeram da criação do consenso para ajudar a formar a opinião pública contra Eduardo Serrano.

É preciso lembrar que esse fato ocorre em 1960, em uma cidade de interior onde os veículos de imprensa não tinham a penetração e consequentemente o poder que têm hoje, mas já nessa época a imprensa ajudava a formar os pontos de vista do seleto grupo de estudiosos da cidade que por sua vez influenciavam aqueles a sua volta e assim sucessivamente.

A Rádio Macaé como o próprio dono, Iltamir Abreu, disse, em entrevista concedida para esse trabalho, fazia uma campanha contra Eduardo Serrano:

“ A rádio instigava contra o prefeito. A minha posição era dentro dos meus interesses políticos e o interesse político daquela hora era fazer campanha, proselitismo contra o prefeito, que era facílimo fazer, qualquer um chegava no microfone e dizia que o prefeito era veado..... Havia um morador, Lecino Melo, ele era terrível, na hora em que o Lecino Melo subia num caixote para falar contra Serrano e o povo só queria ouvir contra mesmo, que a consciência já estava formada, aí a rádio botava, eu levava Lecino Melo para falar na rádio.”

Quando perguntado se Eduardo Serrano foi convidado alguma vez para falar na rádio, ele responde:

Em solenidades da Câmara em que ele por ser prefeito era obrigado a ser chamado, foi entrevistado algumas vezes. Espaço para ele eu não dava”. 13

A rádio como se constata com as falas do proprietário assumiu uma posição contra Eduardo Serrano. Não deixa possibilidade para que os fatos que se sucediam naquele momento fossem vistos de uma forma diferente.

A cobertura do Jornal “ O Rebate” não se diferenciou muito da rádio. O consenso foi obtido através da similaridade dos textos, que, em sua maioria, tinham uma postura contrária ao prefeito. Em nenhum momento, em três anos consecutivos analisados, uma visão plural foi apresentada. O discurso único e contrário já estava presente desde 1958, ano da eleição, produzindo o consenso. Para reforçar ainda mais a campanha contra Eduardo Serrano, algumas palavras como moral, tradição, dignidade, decência foram usadas em repetidos artigos, sempre denegrindo a imagem do prefeito e realçando importância e o respeito que Macaé merecia. Com essas formas, por vezes mais sutis, por vezes mais grosseiras, esses dois veículos de comunicação local, atuaram na construção do consenso e criaram uma atmosfera sem a qual a imagem do prefeito não seria desgastada de modo tão rápido e eficaz quanto o ocorrido.

Na verdade, Serrano já havia sido julgado e condenado por esse júri formado pelos poderosos da cidade e pela imprensa local. Seu crime teve duas faces: ocupar o lugar historicamente reservado para as elites e abalar as tradições macaenses com sua homossexualidade. Como punição, Eduardo Serrano foi “caçado” pela sociedade macaense

Referências

BORGES, Armando. Associação Comercial e o progresso de Macaé. Ed. Lar Cristão. Campos, RJ, 1988

BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo, 1996

JÚNIOR, Dácio Tavarez Lôbo Júnior. Síntese Geo-Histórica. 100 Artes Publicações, Rio de Janeiro RJ, 1990

LAPA, Sônia. A trajetória política de Eduardo Serrano, monografia. Mimeo. Macaé, RJ.

PARADA, Antônio Alvarez. Abecê de Macaé- Guia Informativo e turístico. Gráfica Falcão LTDA. Niterói RJ, 1963

PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obra Póstuma, 1º volume. Artes Gráficas, Rio de Janeiro RJ, 1995

PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obra Póstuma, 2º volume. Artes Gráficas, Rio de Janeiro RJ, 1995

Notas

1 JÚNIOR, Dácio Tavarez Lobo. Síntese Geo-Histórica de Macaé. 100 Artes Publicações. Rio de Janeiro, RJ, 1990.

2 LAPA, Sônia. A trajetória política de Eduardo Serrano, monografia. Mimeo. Macaé, RJ.

3 FERREIRA, José Augusto

Historia de Macaé. Secretaria de Comunicação de Macaé. Macaé RJ. 1993

4 PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obras Póstumas, Volume 1.Artes Gráficas. Macaé RJ, 1995

5 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

6 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

7 Em entrevista cedida por Iltamir Abreu, proprietário da Rádio Macaé para este trabalho em 01/11/2001

7 Entrevista concedida por josé Milbs para esse trabalho

8 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

9 jornal O Rebate 26 de abril de 1959

10 Jornal O Rebate de 17 de janeiro de 1960

11 KUCINSKI, Bernardo. A Síndrome da Antena Parabólica. Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, SP.1998

12 Em entrevista cedida por Iltamir Abreu, proprietário da Rádio Macaé para este trabalho em 01/11/2001.

25.3.11




"Flores ao vento, na cortina da janela, cores primavera Primavera,Primavera é quando, num pedacinho da Terra, as flores se abrem,o sol fica mais forte e a vida fica mais alegre,Quando, num canto da Terra, se faz primavera, nos outros cantos se faz verão, inverno e outono,Das quatro estações, a primavera é a mais bonita, porque colore a terra, perfuma o ar,e contagia os corações sensíveis com sua alegria,A primavera é uma boa época para renovar o espírito, assim como as flores se renovam. E de colher os frutos e semear a terra,Semear a terra sempre, pois isso significa mantê-la sempre fértil,E de terra fértil, sempre brota a vida...Bom seria se a primavera acontecesse o tempo todo, em todos os corações humanos... florescendo, enfim, na forma de atos, palavras e pensamentos, sempre positivos...se cada ser vivente, fosse como uma flor, bela, pura e cheirosa, toda a Terra viveria Feli

12.3.11

NAO FALEM NESTA MULHER PERTO DE MIM




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Quando Herivelto Martins vinha em Macaé, nos anos 40/50, numa casa que Dalva de Oliveira morou uns tempos,numa Travessa da Rua do Meio, eles cantarolavam e as crianças ouviam no velho LUAR DE IMBETIBA, http://www.jornalorebate.com/luar_de_imbetiba/
Eu tinha uns 11. anos

Não falem pra não lembrar minha dor...
Já fui moço, já gozei a mocidade,
Se me lembro dela, me dá saudades...
Por ela, vivo aos trancos e barrancos.
Respeite, aos menos, meus CABELOS BRANCOS...
Ninguém viveu a vida que eu vivi...
Nem sofreu na vida o que sofri...
As lágrimas sentidas, no meu sorriso franco,
refletem-se, hoje em dia, nos meus CABELOS BRANCOS.
Agora, em homenagem ao meu fim...
NAO FALEM DESTA MULHER PERTO DE MIM...

25.2.11

Escrever na Areia e escrever na Pedra..




Diz uma lenda árabe, que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram, sendo um deles esbofeteado, ofendido e sem nada a dizer, escreveu na areia.

Hoje meu melhor amigo me bateu no rosto.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram tomar banho, o que havia sido esbofeteado começou a se afogar, sendo salvo pelo amigo, ao se recuperar, pegou um estilete e gravou em uma pedra.

Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida.

Intrigado, o amigo perguntou:
-Por que depois que te bati, você escreveu na areia, e agora escreveu na pedra?
Sorrindo, o outro amigo respondeu:
-Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregará de apagar, mas quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração, onde vento nenhum do mundo tem poder de apagar.

Gravei na pedra da memória nossa amizade, onde vendo nenhum do mundo tem poder de apagar...
LUIZ ZATAR, POETA, ADVOGADO, ESCRITOR E GRANDE ARTISTA, ESCREVE E FALA DE SUA AMIZADE COM O EDITOR MILBS:
Luiz Zatar escreveu:
"José Milbs, meu grande parceiro de sonhos, de letras, de tantas obras literárias, de tantas lutas para conscientizar um povo, você já é uma lenda, - ter um amigo lendário então não poderia ser mais mágico, pois é um construtor de mentes, um alicerce para tantos exercitarem o dom da palavra e concretizar a maior das artes. Que sua estrela brilhe cada vez mais potente, guiando-nos, dando rumos e oferecendo com essa generosidade as portas abertas do seu coração, de sua alma imensa, vasta, riquíssima e única. Parabéns pelos enormes feitos e grandes conquistas!"

16.2.11

morre dona Zelina, Grande história de nossa região...



MORRE ZELINA VIEIRA MEIRELES, EXEMPLO DE VIDA E AMOR A REGIÃO DO PETRÓLEO
Familia das mais tradicionais de Macaé, casada com o queridissimo Walter Veira, mãe do Teatrólogo Ricardo Meireles e de Lia Vieira. Sempre alegre, distribuindo acenos e afagos aos mais novos, sua morte deixa uma lacuna grande nas amizades macaenses e fará muita falta nas suas caminhadas em nossas ruas.
Maca[e vai ficando cada dia "mais menor" com a perdas constantes de nossos pilares. Feliz por saber que os frutos estão por ai para dar seguimento a vida.
Atendendo ao desejo de nosso companheiro, Mestre e Comandante, Waldyr Tavares, a Liga Operária enviou as condolências que transcrevo abaixo:

Ricardo e Lia...
Um nome do Companheiro e Comandante Waldyr Tavares envio as condolências da LO do RJ pela morte de Zelina Meirelis Vieira que sempre foi um exemplo de esposa, mãe, amiga e companheira nas lutas que a vida lhe pos a prova,
Waldyr não teve como escrever e me incumbiu de fazer esta missão. Suas lagrimas e da sua companheira, comtemporaneos dela e de Walter não deram espaços para o raciocinio do texto.
Sai de cena, do palco da vida e da história de nossa região a mulher que nos presenteou com as alegres vidas de vc e de Lia...
Transmita a ela e aos seus filhos Mariana e Filipe que a vida continua embora com cheiro ativo da saudade que sei ficar ativa a vida de vcs.
Fraternalmente,
José Milbs de Lacerda Gama - Waldyr Tavares
Liga Operária

7.2.11

A Figueira Centenária, na Ponte do Rio Macaé, que não existe mais e faria 200 anos em 2013...




Na cabeceira da Ponte, à esquerda de quem entra para onde se ia em direção a Bicuda Grande, tinha uma linda e frondosa Figueira onde os cavaleiros vindos de rodagem. Imburo, Capelinha, Carapebus, Conceição, Macabuzinho e Virgem Santa apeavam-se dos animais, recolhiam de suas testas brancas pelo vento úmido e frescamente suave de longas cavalgadas e esticavam suas rédeas em enrolamentos que, longe de ferir a bela Figueira, trazia o sustento em estrumes deliciosamente puro e cheirosos para seus futuros frutos.

Havia um colégio onde uma tia dela de nome Cacilda, a Cidoca , a meiga menina que tinha voltado para Macaé depois de um longo período em Campos fazia se professora e educadora. "Santa" Trazia seus pais adotivos já que o seu tinha falecido em Campos e estava em campanha ainda de um irmão Euclides, Naqueles anos de belezas naturais os percursos eram todos em lombo de cavalos.

Um dia veio um comerciante da Bicuda Grande e convidou a jovem professorinha de l7 anos para lecionar num colégio naquele distrito. Aceitava se pudesse levar o casal de velhos seus pais adotivos, os Moreiras/Lourenço. Concordado, ela foi para lá e instalou se no outro lado do riacho que corta o ameno e puro distrito de Bicuda Grande.

Um dia o fazendeiro Chico Lobo manda um emissário a casa dos velhos pedir a mão desta menina em casamento. Casaram se e deste enlace nasceram l3 filhos Dácio, Mires, Penha, Joca, Zilma. Zelma. Zé Carlos(pitico), Carlos Alberto(pingo). Sendo que morreram Alvacyr, Sonia, Alpheu e Thalis.

Assim como sua prima irmã Nhásinha, Santa tem sua vida ligada a bicuda grande, Capelinha e Carapebus.

Nhasinha se casou com Mathias Coutinho de Lacerda e ela com Francisco Nogueira Lobo que eram sócios na fazenda nesta localidade. Mathias e Chico Lobo herdaram a fazenda na bicuda na parte que tocou a Mathias por morte de sua 1ª esposa que era irmã de Chico Lobo.

Creio que foi deste troco dos Tavares da Silva, de Emílio e Bernardo, que se originou todos os Silvas e Tavares espalhados por esta rica região macaense. Santa nasceu em l893 e Nhasinha em l899.

Gostaria de citar a titulo de história que nesta época, anos l900 mais ou menos tinha dois grandes fornecedores na Bicuda Grande e na Pequena. Eram os senhores Pedro Lins vindo do norte do país e Joaquim Borges desta mesma região.

OS LINS

Os Lins vierem para Macaé, como Sátiro e João que se estabeleceram no comércio. Os Borges, Abílio idem no comércio local e outro que foi para Minas Gerais, em uma cidadezinha de nome Passa Quatro onde teve filhos e uma das mais famosas foi dona Maria José Borges Guedes que era e pianista.

Interessante frisar que uma das alunas de tia Santa na Bicuda Grande foi dona Arlete Pinto que, nesta época ainda menina e já apreendendo os dotes de seus deliciosos petiscos, veio a ser uma da senhoras mais respeitadas e queridas de nossa sociedade.

A história da Bicuda Grande passa também pelos Francos um dos primeiros a habitar o lugar. O primeiro Franco, chegou de Portugal, desembarcou em Cabo Frio e lá chegou com escravos. De lá nasceu o nosso Jayme Franco que deu origem ao amigo do autor Geraldo Aza Branca que junto com Marcioney deixou saudades nas noites macaenses.

Geraldo era dos poucos que lembravam das grandes figuras das nossas ruas. Falava de António Broa, de Mica, de Baeca e de muitos das nossas esquinas mal iluminadas.

Sempre que vinha à Macaé, pois está em São Paulo, vem me aporrinhar nas madrugadas. Chega qualquer hora com Samuel e me acorda alegre com suas histórias macaenses. Gosto de seu jeito meigo de me aparecer no Sítio onde moro.
Jose Milbs de Lacerda Gama, texto do livro on-line SAGA DE NHAZINHA

4.2.11

Luany Caetano, nasceu na cidadezinha de Macaé, menina simples que fala em SER MÃE ADOLESCENTE




Mâe Adolescente numa cidade ainda cheia de preconceitos de famila e religião fez nascer uma declaração livre e sem nenhuma pretenção por parte de uma jovem de 20 anos.
No Orkut, centenas de pessoas já estão transcrevendo o texto e, hoje, com a autorização de Luany Caetano, faço público, mundialmente acessado através de nosso convênio com o Google, esta obra que nasceu da cabeça simples de uma menina de 17 anos ainda gestante de sua filha Pietra...
Pietra, Luany e Ricardo vivem a felicidade, a alegria e o reconhecimento das belezas e encantamento que cercam a existencia humana.
De Luany sei que foi uma menina de um projeto que trabalhou no CETEP com Angela e só deixou amigos. De sua familia sei da genética que vem de meu amigo Didi Caetano e que passa por Renato e outros descendentes...
É gratificante, para o escritor e cronista. quando, na busca de textos, encontra esta beleza criada por uma anjo de 17 anos na esperança da vinda de outro anjo...

MÃE ADOLESCENTE
Luany Caetano
As lágrimas que derramei quando descobri que você iria chegar, certamente não foram de felicidade, e por isso eu te peço perdão minha pequena. Foram lágrimas de uma menina que não entendia ainda o quanto maravilhoso era ter você nos braços. Por mais que naquele momento milhares de coisas insignificantes viessem em meu pensamento, rapidamente entendi o que era o verdadeiro amor que crescia dentro de mim. Os meses foram passando e a ansiedade de ter você era sempre maior! Descobrir que os 9 meses na verdade eram 36 semanas foi torturante e os dias de fazer ultra-som pra ver o seu rostinho eram sempre contados a dedo. Não foi fácil encarar as más línguas e os olhares tortos; Não foi fácil ter que suportar pessoas te observando e perdendo todo o tempo falando de nós; Não foi fácil ouvir que eu havia feito uma burrada e que essa minha gravidez indesejável acabaria com minha vida; Mais o que ninguém sabia é que essa burrada fosse me fazer a pessoa mais feliz do mundo, e o que eles chamaram de indesejável e ousaram dizer que acabaria com a minha vida, foi na verdade o que a deu sentido. Hoje sei o quanto valeu a pena tudo que passei, e tenha certeza que eu não abri mão de nada que não fosse recompensado com o amor que você me proporciona nesse tão pouco tempo de vida. Obrigada por você existir e me fazer a mãe mais babona e mais feliz do mundo.
Eu te amo mais que tudo,minha paixão,meu amor,minha vida.


Um diα me disserαm que ter um filho e αbrir mão dα bαgunçα iα ser difícil. Que encarαr umα sociedαde hipócritα por ser mãe αdolescente iα me pedir forçαs infinitαs. Me fαlαrαm dαs dores do parto, do corpo diferente depois, dαs noites mαl dormidαs e dα juventude perdidα. Mαis nuncα me contαrαm que o difícil mesmo era tentαr gαnhαr o mundo e não poder ficαr com esse pedαcinho de mim 24hs por diα. Que cαdα sorriso eu gαnho vαle mais que umα bαlαdα, beijos sem emoções e bebidαs que no diα seguinte não são boαs recordαções. Não me contαrαm que esse cheirinho de bebê empreguinα nα αlmα e que ficαr sem ele, nem que sejα só pαrα comprαr αlgumα coisα pαrα comer, fosse doer mαis que α própriα fome. Agorα eu sei por que nuncα gostei de ouvir... As pessoαs fαlαm demαis, criticαm demαis. Por isso temos sempre duαs opções: reclαmαr ou simplesmente ser feliz. Eu escolhi ser feliz... Sempre! - Sim, EU SOU MÃE e a Mαe mais feliz desse mundo por ter Pietra minha filha em minha vida TE AMOOOOO FILHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA<

_ Eu apenas queria que você soubesse Que aquela alegria ainda está comigo E que a minha ternura não ficou na estrada Não ficou no tempo, presa na poeira Eu apenas queria que você soubesse Que esta menina hoje é uma mulher E que esta mulher é uma menina Que colheu seu fruto, flor do seu carinho Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta Que hoje eu me gosto muito mais Porque me entendo muito mais tb...


José Milbs de Lacerda Gama, editor, jornalista, cronista e diretor de O REBATE www.jornalorehate.com

2.2.11

Carlos Curvelo e Valeria Brandão. Duas histórias na diferenciação de um mundo distante e bem perto...

O Porto do Limão, Rua da Bôa Vista, José Ribeiro e uma grande parcela do mundo da espiritualidade da regão, perdeu a amiga Valéria Brandão, filha do alegre e queridissimo Jonas e da simpática Dona Fifi. Valéria faz parte da história do Bairro Bôa Vista, hoje Rua Governador Roberto Silveira. Sempre ali, numa casa habitado por seus ascestrais em anos de histórias...
Alguns de seus irmãos, e são muitos, sairam das poeiras desta região antiga de Macaé e se projetaram no resto da comunidade. Valerinha não. Ela nasceu, criou-se, viveu e morreu ali mesmo, ao sabor dos ventos carinhosos do Rio Macaé que banha o quintal de sua casa.
Carlos Curvelo, grande "Carlinho Curvelo" para os amigos. Sempre cordial. Sorriso matreiro em encontros diários na Rua Visconde de Quissamã onde residia. Sua história se confunde com a verdadeira história do comercio da região. Um dos primeiros a se lançar no perigoso mundo da venda de Eletro Doméstico numa época que a timida vida macaense não oferecia vantagens financeiras ele acreditou na empreitada. Junto com seus familiares, Carlinho Curvelo, com Tio Nico e Serginho, seu querido filho e amigo foi abrindo este leque comercial e dando os primeiros créditos. No inicio aos Ferroviários e logo em seguida a toda cidade...
Já cansado pelos anos que lhe tombava o corpo frágil mais jamais o sorriso alegre ele deixa este mundo. Talves levando a saudade ao encontro de Serginho ou de Sadizinho ou mesmo de Tio Nico Curvelo...
A cidade ficou um pouco menor a partir de hoje...
As Familias Curvelo e Brandão os sentimentos de O REBATE...
José Milbs de Lacerda Gama editor

1.2.11

FUNDADOR DO MDB, E EX PREFEITO DE MACAÉ, MORRE AOS 74 ANOS...




Macaé ainda era uma cidadezinha do interior do Estado do Rio de Janeiro e, chamada de CIDADE PURA por meu amigo e escritor Paulinho Mendes Campos. Carapebus era o Terceiro Distrito e todos que moravam lá vinham estudar no "Colégio Macaense" que ficava em frente ao antigo Theatro Santa Izabel. Numa desta leva de jovens nos anos de 1940, veio Nacif Salin Célem. Fizemos admissão juntos. Ele mais velho dois anos e cursamos o primeiro ano ginasial.
Jogos de peladas, idas e vindas ao "Carolo" do pai de Roberto Bueno de Paula Mussi, Dico e Ivete. "Corolo" era uma pedra de açucar que ficava nos restolhos da fábrica e que a gente se alimentava durante os jogos.
Nacif foi perdendo a timidez de menino de interior e foi se adaptando as nossas brincadeiras. Algumas de suas irmães também vieram e foram ficando amigos. Jamile e o irmão Jamil veio tempos depois.
Quando tinhamos tempo iamos a casa de seu pai, um simpático e alegre Libanês que morava a esquerda depois da linha férrea no destino de Quissamã...
O Tempo passou e Nacif se tornou um lider em Carapebus e um forte candidato a vereador onde se elegeu com o apoio de Claúdio Moacyr. Logo em seguida teve seu nome indicado para ser vice prefeito e, num curto espaço de tempo, foi Prefeito de Macaé o fez grandes obras no local onde nasceu e está sendo velado...
Tivemos bons momentos na Vida Pública. Eu vereador em 1966 e ele lider comunitário e vereadoe nos anos 70. Fiel amigo de Cláudio Moacyr era sempre visto na Rua Curindiba de Carvalho em longos papos com Dona Zelita Rocha de Azevedo que tinha por ele um grande afeto...
Ultimamente o meu velho amigo de bancos escolares andava sumido das Conversas de Rua. Soube que um doença o tirava do convivio popular mais sempre estava perguntando por todos que fizeram parte de sua história.
Colega de Câmara de Venicio de Oliveira e de vários ex vereadores seu sepultamento está sendo realiado na hoje cidade de Carapebus. Veníco irá representar os velhos amigos dele...
Aos familiares os sentimentos de O REBATE jornal que sempre esteve ligado aos seus passos desde 1966.
Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

29.1.11

ONDE ESTARÃO OS MEUS VELHOS COMPANHEIROS DO MOVIMENTO HIPPIEE DOS ANOS 70? QUANTOS SOBREVIVERAM PARA O TESTEMUNHO DA DESTRUIÇÃO GRADATIVA DA VIDA ...







Os avisos foram sinalizados pelos anjos de luz de centenas de verdadeiros hippies dos anos 70. Muitos deram suas vidas, foram espancados pela repressão, tiveram seus longos cabelos encaracolados raspados por "valentes homens da "lei" com olhar sizudo e cartucheira cheia de balas". foram jogados em cárceres com criminosos comuns e enquadrados na antiga "lei de vadiagem". O Lenço Sem Documentos incomodava os machões mal amados que descarregavam suas carencias nos participantes da filosofia da Paz e do Amor...
E agora,José?. As cidades estão todas asfaltadas, as ruas estão sem suas árvores, os rios estão poluidos, as matas deram lugar a criação de bois, transposição de rios ( com aval do PT, partido que fundei e que deveria brigar contra), Lagoas e Córregos, tudo sendo maltratado, pisado, aterrado e virando valas negras... A vida está caminhando para um fim drástico com um destino cruel que projetamos para nossos filhos e netos... Dinheiro para festa do Pão e Circo (carnaval, natal cheio de luzes,futebol prós ronaldinho da vida e outras coisas não falta). Cabralzinho e seus amigos estão mais preocupados com o Carnaval de Março do que com os milhares que ainda vão morrer na Serra vitimas de doenças e desgraças...
Quantos dos meus companheiros de longas conversas nas beiradas alegres de fogueiras e luar de encanto ainda vivem?
Sei que sou um sobrevivente mais sei também que Hippie, Indio e Cigano são unidos e não deixam a semente apodrecer. Levamos a semente dentro de nossas vidas e estas estarão sempre sendo espalhadas apesar de terrenos áridos e destruidos...
Ontem sonhei com os velhos companheiros. Muitos de outros paises, fugidos da repressão politica e muitos aqui do Brasil mesmo. Reunião noturnas, chás, olhares sofridos nas noites de lua e sob o encanto de céus estrelados, faziamos nossas cabeças e as vozes se misturavam no silêncio falante que era emanado do olhar e do pensamento. Os leitores sabiam que Pensamento e olhar falam?... Falam e, como o amor que nasce no olhar, penstra nas mentes e ficam para sempre nas paredes das memórias humanas...
A vida tem que continuar e estou aqui "de Editor" de um bravo jornal de nome "O REBATE" que irá completar 100 anos em 2032. Cercado de árvores, plantas, com a nascente, que viu centenas de Hippies se banharem nos de 1970, eu resisto as investidas capitalistas que querem comprar esta área. Não vendo, bem troco, nem dou. Sou usofrutuário deste solo que minha velha mãe me deu quando quis deixar a cidade e ir viver numa "casa branca e pequenina com varanda em torna da janela".
Neste solo. que foi sagrado pelo pisar de muita gente boa, estou espalhando as sementes de um tempo que sei será muito nebuloso para Macaé e toda Região de Petróleo...
Estão cimentando todas as nascentes, o Rio Macaé, se livrou de uma "Tromba D'agua" este ano de 2011, mais não se livrará de uma futura que, por certo virá e destruirá milhares de moradorores do Ribeirão do Rio. Gente pura, pobre e favelada que habitam os Bairros de Botafogo, Barra do Rio Macaé, Malvinas, Nova holanda, Rua da Praia e o Centro da cidade, serão tragados pelas ondas que a Tromba D'Agua, vindo da Cabeceira do Rio Macaé, em Macaé de Cima como dizem os Friburguences, não poupará as vidas de nossos futuros habitantes.
Culpa de quem está Fúria da Natureza? É dos politicos safados, vendedores de mandatos que fazem de seus cargos balcão de negócios, estipulando comissões de 20, 30 e até 40 por cento em obras que aprovam nas Câmaras e em todos os setores das esferas Municipais, Estaduais e Federais. Dinheiro que deveria ser destinado a construção de Casas, Escolas, Hospitais são desviados para enriquecimento desta camarilha de Homens Públicos que estão em todas ss cidades do Brasil, principalmente no Estado do Rio onde andam e desfilam com Carros importados, Mansões em Balneários e bancando Assessores e incentivando a prostituição de jovens incaltas...
Macaé é um exemplo vivo desta destruição. A Medicina não existe para o POVO. Só quem tem o tal do CONVÊNIO pode ser atendido. Dizem que no Bairro do Aeroporto existe uma Mafia da Saude onde um "Gordão" fez um verdadeiro "lobi" de corrupção. Funcionários entram na folha de pagamemento do "Posto de Saude", recebem hora extra sem trabalhar e o dinheiro é dividido "meio a meio" com tal de Alex que é o "home de confiança do Gordão da Sáude", afirmou dona Maria da Penha moradora ds Rua 3, no Bairro Aeroporto... Dona Penha ainda foi mais longe. Disse que atende os moradores são jovens residentes com receituário assinado por médico veradeiro. Uma vergonha que este tal "Gordão" é o grande mentor...
Como que funcionava esta máquina no "!Tempo de uma tal de Bizuca" esta sendo montada com outras figuras...
A vergonhosa ação desta gente destroi a pureza do POVO sofrido e cria ódio dando lugar a incerteza do futuro politico da região...


UM POUCO DAS HISTÓRIAS DOS ANOS 70 E O FIM DO MOVIMENTO HIPPIE

JOSE MILBS

DESDE QUE FUI MORAR NO SÍTIO

Durante um longo período fiquei afastado do sítio que minha mãe trocou pelo terreno que minha avó deixou para ela como herança. O terreno era na Rua do meio onde nasci.

O sitio, na Granja dos Cavaleiros, parte uma antiga fazenda da Família do Escritor macaense Luiz Lawrie Reid que se tornou loteamento.

A época participava no movimento hippie e só falava em deixar a cidade e ir para o campo. "Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer". Era tudo que queria e minha mãe fez minha vontade.

Deixar a cidade e ir morar longe dos burburinhos fazia minha cabeça e eu aceitei de pronto. Embora continuasse morando na rua Visconde de Quissamã, numa vila,, eu vinha todo o dia no sitio e me encantava com a mansidão solitária. O local no início dos anos 70, não tinha estrada, luz, nada. Simplismente tinha "tudo" para mim.

Apenas uma picada feita por andar humano e bicicletas formava o caminho. Uma trilha(no bom sentido). Pequena estrada feita, pelos loteadores para vender os lotes que tinham de 5 mil a 10 mil metros quadrados.

Passarinhos expulsos de Macaé tinham por aqui seu local tranqüilo e firme para procriação. Bacurau pelo caminho, borboletas de todas as cores, preás, rãs, enfim eram alguns dos componentes que se podia admirar nos 2 quilômetros que separavam o sitio da estrada.

Rolinhas, papas capins, tizius, sabiás, andorinhas, pombos selvagens, pombas- rola, anús, gaviões e, patos que se fizeram selvagens, vindos do sitio de Laffaiete Cyríaco, que mais tarde também foi expulso de seu belo recanto poético, davam a certeza que ainda existia paraíso para se viver dentro de uma cidade que começava a ter sua historia deteriorada, em sua essência, pela chegada da "corrida do petróleo" criando ganâncias materiais aos menos avisados. Os bobos proprietários vendiam tudo que tinham acumulados ao longo da vida de seus pais e avós e vendiam para os que chegavam.

De vês em quando, cavalos e cavaleiros passavam e, nos cumprimentos, se podia notar purezas, ainda latentes, em seus cavalgamentos sem destino.

DAS BONDADES HUMANAS

As manhãs eram sempre maiores e já se podia notar os verdadeiros moradores do lugar. Seu Flanque(como é conhecido) tinha a beleza nascente da bondade e da presteza.

Peroba, Cimar, Natalina, Beto, João seus irmãos e seu pai Pacuçu, se misturavam a novos Baianos como Manoel Vieira que morava do meu lado com dona Lindaura que trouxe e espalhou uma raça de bons meninos baianos. Dona Lindaura nos deixou em plena forma e vigor.

Jorge Barbudo, Moraes, José e Milward enfim o local começava a se formar com gente que conhecem cada palmo e cada planta. Dona Rola, com sua meiga presença, era uma espécie de abelha Rainha deste paraíso intocado numa Macaé ainda não desbravada,. Roberto, seu filho, irmão de Chicão sabe, como eu, o quanto as coisas mudam e se transformam. Nosso bairro ainda era conhecido como Mulambo, nome herdado das longas e intermináveis idas e vindas na Fazendo dos descendentes do Luiz Lawrie Reid.

Morou ainda por aqui Manoel do PU e seus filhos, ele, autor de "Cascudinho Azarento", musica de sua autoria que fala num peixe de seu sertão nordestino. Durante a musica ele apela para não falar no nome deste peixe que ai dá azar e não se pescaria nada.

Cantou no Festival que fizemos no "O REBATE" nos anos 60 e que mereceu aplauso e preferência de José Carlos Oliveira, Jaguar e Olga Savani, embora Piry tenha vencido o Cascudinho Azarento fez sua história.

Era desta gente pura como o ferroviário Marinho e seus filhos, notadamente Stalin, que foi registrado com Estalin, num dos famosos erros cartorias macaenses, que se iniciou o bairro. Com isso a minha recordação vai ficando cada dia mais presente e fortalecida.

A presença de Moraes, no sítio, vinha de sua morada com Barreto, irmão de Milward, bem lá onde fica o final do ônibus 80 que faz trajeto Cavaleiros /Aroeira. Nesta época não tinha estrada, e uma picada nos levava ao sítio deste amigo Barreto, que era vizinho de Salvador Baptista dos Santos e Roberto Bueno de Paula Mussi. Dodô saiu da área e Roberto continua morando lá.

Durante muito tempo editei o jornal O REBATE neste bairro, num galpão construído com a mão de obra local, e suas paredes, por incrível que pareça, feitas de pau a pique.

Um dia estava passando na porta de um bar e um menino me chamou atenção pelo olhar ativo e esperto, perguntei- se ele queria ser tipógrafo e ele sem saber nem o que era, me disse que sim,. depois de anos foi um dos bons impressores e compositores do jornal.

Ricardo ainda mora na região, e como Natalina e outros, trabalhava comigo no jornal que era uma espécie de orgulho do Bairro. Chicão e Peroba, um dos mais antigos moradores daqui, sempre falam com Luís Cláudio, meu filho, que o Molambo já teve um jornal Semanal e um Diário, já que Luís Cláudio, Magrinho, Elton, Ricardo, Natalina, Fraga, editaram o DIARIO MACAENSE que infelizmente não vingou por falta de uma coisa muito comum no jornalismo que é o acocoramento ao poder, que não fizemos e, por isso perdemos o bonde da história, embora este bonde não seja lá um bonde muito digno de se viajar.

Em novembro era tempo de colher Jabuticabas, Acerolas, Pitangas, Amoras. Os pés de Mangas começam a ter seus frutos caídos com os ventos vindo do Sul e as Jaqueiras nos dando a certeza que teremos doces no mês de dezembro quando se aproximar o final do ano. Muitos cajus brancos e vermelhos e abricó....

O sitio é um local ainda virgem na Macaé que se prostituiu com o progresso descompassado e feio. O galo ainda canta nas madrugadas e os anus brancos e negros teimam em aninhar-se nas árvores que mantenho ainda de pé em teimosa posição de reação as multinacionais que me cercam por todos os lados. Expulsaram o Lafaiete Ciryaco, o Alfredinho Tanus, filho de Camil, o meu primo Lélio Almeida, o Paulo da Farmácia e, encolheram o terreno de dona Rola, mãe de Chicão e Peroba.

A NASCENTE E OS GINDASTES

As empresas chegam e compram tudo nesta área, que puseram o nome de expansão urbana. Resisto e continuo preferindo o cantar dos galos, o pio dos passarinhos ao barulho fedorento de guindastes empacotando correntes de ferro e container.

A nascente que brota no final do terreno é a maior de todas as riquezas do Sítio. Estou cercado de multi-nacionais e firmas de apoio.Elas aterraram brejos, nascentes e córregos. Mantenho minha nascente de Aba de Morro com sua água cristalina que me abastece quando a Cedae me deixa sem água da rua e o Aprígio não me atende.È a minha herança para meus filhos que tem sua origem na Fazenda Ayrys que meu avó Mathias deixou para minha avó nos anos l926 e que, trocados daqui e dali veio a dar nesta Estancia Vista Alegre onde moro.

Pus a cama na varanda...

me esqueci do cobertor...

deu um vento na roseira...

meus cuidados se cobriu todo de flor.

AINDA SOBRE O SÍTIO

Dizem que a maioria dos lotes desta Granja foi adquiridos da Família Reid por ex -ferroviários. Este em que moro foi de Moacyr Amaral, um ex-pracinha, que construiu a casa, que ainda resiste ao tempo. Moacyr a construiu quando de sua volta da 2ª Guerra Mundial nos anos 40. Moacyr Amaral morou aqui e trouxe seu cunhado Jorge Marinho que casou se com e meiga Leda que nos presenteou com seu filhos Marcinho e Alexandre.

Ruy Almeida, irmão de Luiz Almeida que tem nome de uma rua aqui perto , me dizia, quando de suas andanças por aqui onde deixou um belo sitio para seus filhos. Este lugar será a Macaé do futuro. Achava que Ruy estava ficando maluco, como ser uma coisa do futuro num lugar que só tem mato e bicho? O tempo passou, vieram as empresas do petróleo, firmas compraram quase todo o bairro.

Ele construiu uma grande casa onde não tinha nada, seu espírito futurista tinha tocado o seu lado comercial e cumpriu suas profecias: o bairro cresceu. o Molambo virou "Vale Encantado".

Como eu ia dizendo, minha mãe trocou o terreno na rua do Meio de 330 ms2 por este sitio de 11 mil metros quadrados. Diziam que ela não devia fazer isso. Trocar um terreno perto da Praia de Imbetiba, por um punhado de mato? ela apenas disse:- " para fazer a vontade de meu filho não vejo isso como lucro ou perda e, virando se para mim, perguntou,. você quer mesmo? o Everaldo Esteves, me telefonou, e fecha o negócio hoje. Respondi sim. .Trocou o terreno pelo sítio, como se diz nas conversas dos tabaréus: elas por elas.

Vindas diárias de carro ou de ônibus se tornou um bom motivo para que conhecesse este paraíso.

DESBRAVANDO AS MENTES EMPOEIRADAS

Era o limiar dos anos 70 e as movimentações sociais caminhavam para que começasse a gostar do local. Pipocava em todo o mundo os gritos de liberdades nos movimentos contra-cultura e Hippies. Macaé não podia dizer não. Dissemos presente, embarcamos na canoa de cabeça.

Marcelo do "Grilo" havia aberto seu bar que era o point da época. Lurufe Soutinho do fluminense, cria o "820" na Imbetiba de onde se muda toda a galera, deixando a rua principal para se localizarem na orla, onde mais tarde viria a busca do ouro negro e com isso incentivaria a prostituição, mudamdo o point para a Praia dos Cavaleiros sentenciando em parte a morte da orla de Imbetiba.

Fernando Pereira, abre a "Boca do Suco" que funcionava no centro da cidade e que era uma das opções dos nativos e noctívagos. Uma provocação a repressão que via no titulo uma maneira de catucá-la.

Samuel Marques pensava em abrir o "Chaplin's," e o abriu mais tarde com apoio de Andréia. Antes Glauro abriria o "Degráu" , no "Velho Casarão" do seu Ibrahim ex -dono do Jogo do Bicho, pai de meus amigos Alan e Flamarion. Tres bares em tres ruas históricas de Macaé. Boca do Suco na Teixeira de Gouveia; Chaplin, na Silva Jardim e Degrau ana Rua Washington Luiz Pereira de Souza.

Izaac criaria o jornal 'PALANK', Euzébio reeditaria 'O SÉCULO' com 'Nato', 'Manel', Phídias, Ricardo e Cláudio Santos. Era uma época de grandes e intermináveis mutações nas cabeças pensantes. Uma gama de jovens vindo de toda a parte do mundo aportava em MACAÉ.

Ricardo Meireles, lançava seu 'Palácio do Urubu' e ia até a Europa. Nato e Manel Reis, Armando Rosário, "Gloria Nacional" e outros imaginam o "Burziguin". Morria "Caubizinho" em triste desastre em São Gonçalo e Luiz Geraldo Pinto idem numa ponte no Sul do pais.

"Boca de Bagre" bate de caminhão em Pernambuco e também morre. Deixa o mano "Zé Puleiro" e o "Lalá" tristes. "Fernandel"; "Flavinho" e "Manel da 7 em porta" são alguns dos "praças" famosos."Chiquinho Tatagiba" e Ary reinam nas velhas paradas macaenses assim como o "Velho Mota" reinava na Campista. Gordo puxa cadeia na IIha Grande e volta contando historias dos famosos da época.Fala em C.O., em Mariel e em Lúcio Flávio Vilar Rios.

Armando Rosário, deixa o Rio, a "Manchete" e a "Banda de Ipanema" e vem de mala e cuia fotografar Macaé através do "BURZINGUIN", um jornal alternativo que circulava em xerox. "Aninha", minha filha com 8 anos é capa deste jornalzinho lindo. Não sei se ela foi fotografada por Livinho, por Rômulo ou por João Carlos Campos. Fato é que este jornal circulou com muitas fotos e muita gente boa escrevendo. Era o final dos anos 70.

RESISTENCIA E A U.R.

"O REBATE" resiste a tudo e a todos e, mesmo capengando, entra na Contracultura e enfrenta a ditadura . Fuxicando a onça, somos enquadrados na LSN. Lá fui eu e Euzébio responder IPM na Marinha e no Exército. Sorte ter tido como auditor o Almirante Grecco amigo de nossos avós e Jacob Goldemberg um simpático mineiro que entendia nossos escritos.

Denunciados que fomos por uma câmara de vereadores subserviente ao poder e acocorada ao sistema tive minha matricula na Faculdade de Direito impedida de renovação e Euzébio não pode fazer a Universidade. Deixamos de nos formar nas Universidades e nos tornamos bacharés na Universidade das Ruas (u.r.).

Valia tudo para conhecer o Maravilhoso Mundo Novo que habitava a cidade. Erasmo de Roterdã é lido e Marcuse idem. Fernando Pereira vinha do movimento estudantil de Ibiúna com novos enfoques, Baroni com uma nova arquitetura se faz presente nas caminhadas sob o luar de "Jurubatiba"; ainda virgem das especulações.

A meiguice curiosamente pura de Sandra Waytt, o olhar introspectivo de Edinho e Henry, seus irmãos mais novos, refletem numa Macaé que enfrenta tudo e se propõe guerreira e transformativa.

A poetisa já bailava em Sandra no seu interior que aflorava em versos cândidos e revolucionários. Eleonora Borges nem pensava em abrir o Mahathan nem Armando o Macaé Jornal. O MOVIMENTO ESTUDANTIL DE IBIUNA JAMAIS PODERIA PREVER O RASTRO DE CORRUPÇAO QUE CONTAMINARIA O PT DOS ANOS 2000...

A cidade fervilha.

Fernando Frota lança "Apurrinhola" que chega em boa hora. Estava acabando o ciclo das gargalhadas e dos puros sorrisos e a Apurrinhola vinha fazer voltar o humor e as gargalhadas verdadeiras e nativas.

(Para quem nao sabe, vou tentar explicar: Apurrinhola foi uma criaçao do imaginário de Fernando Frota. Ela, a Apurrinhola era para apurrinhar as pessoas. Invisivel, Segundo o criador Freta, a máquina apurrinharia naparte mais sensível de certas pessoas. Tirava dinheiro do bolso quando o cara ia pagar conta; dava tropeçadas em pessoas pozudas e empapuçadas pelo poder; falava coisas verdadeiras ao ouvido dos safados, enfim, era uma máquina de apurrinhar mesmo.

Niltinho foi o primeiro a ver este humor e, de soslaio, dava suas catucadas inteligentes e espertas. Frota, uma cabeça sempre de pensamento rápido e alegre, ria antes de completar os efeitos da Apurrinhola o que dificultava o entendimento quando relatava. È que ele, quando dizia que a "apurrinhola" tinha tirado certas quantias do bolso da pessoa visada, já gargalhava, prevendo o final. Sé quem acompanhava sua onda, em ondas aneriores entendia e sacava no ato. Amildes e Amilton sabiam da existencia da maquina e riam juntos com o velho Frota...

.A pura criação desta máquina invisivel, nascido do humor interior de Fernando Frota, deu seguimento a milhares de formação de histórias e momentos de raras belezas em cada interior dos que a entendiam. Sendo um ser imaginário a "Apurrilhola" tinha o sentido do mais fino humor.

Marquinho Brochado ainda lembra, com sorriso escancarado de um canto ao outro de seus imaginados.

Até pouco tento antes de prejetar seu frágil carro de frente com uma possante van e despedir-se do mundo, Marquinho sempre se recordava alegre e feliz das Apurrinholas criadas em cima da Apurrinhola verdadeira que Frota tinha inventado. A de Frota, dava beliscão na bunda da pessoas, jogava lama no terno do almogadinha, espalhava um vento que fazia voar a grana da gaveta do comerciante sovino e etc.

A nossa Apurrinhola era difrente. E esta difrença, mais à esquerda, que motivava as divergencias com Frota. A nossa assaltava banco, jogava dinheiro nas favelas, espalhava alimentos na periferia, roubava comida das festas sociais, punha pobre dentro dos clubes etc. etc...

Num vai e vem que não foi.

Numa certeza de um não que não vem,

De um sim quase negado"...

Era uma época em que Kleber Santos deixava, definitivamente o Rio e vinha para o Lagomar onde o visitei com Phidias Barbosa e Ricardo Meireles. Depois conheceu a simpatia de Mary , o carrancurismo simpático de Fred , o sorriso matreiro de Fernando e Maria e fixou-se geral em Macaé.

Nasce no Rio, no Movimento Estudantil a Convergência Socialista que chega em Macaé. Eu, Phidias e Dilma Lóes damos os primeiros acordes na formação de um Partido dosTrabalhadores. Convido Euzébio e Omir e o PT tem seu primeiro núcleo do Estado do Rio em l978.

A música PT, PT, PT, PT., trabalhadores no poder enche de esperança minha geração e a gente cai de cabeça na busca desta construção tijolo com tijolo de uma forma tão linda que até esquecemos que o poder transforma os que o assume.

Niltinho Costa tenta engenharia no Rio e, não se adptando a barulheira de Ipanema, volta para "Bicuda." .Niltinho preferia olhar a meiguice malandra de "Berebéu", sentir o palavreado "Capiau " e puro dos Bicudenses. Uma opção alternativamente linda para uma mente pura como a dele.

Eliane, "Marilu", Ovelha, Katia, Sandra"Jonh Lennon", "Eliane da Boa Vista", com sua linda voz vindo de dentro do pulmão e, estourando em nossas entranhas, são as gatinhas da época. "Livinho", Rômulo já põem a mostra a herança do velho Lívio e fotografam "Aninha" em anos de infância.

Luisa Reis é a mais linda de todas as criações humanas só comparável ao meigo olhar distante de Roseana Reis que sumiu das vistas nativas.

Thomé, Fernandel, Costinha, enfim, Macaé fervilhava na década de ouro para as transformações.

E Jonh Lennon? A nossa Sandra? Poeta, feminista e mulher? Ela ensaia os primeiros passos largos no grande chute que a sociedade merecia levar no bumbum.

Estoura seu trabalho no Rio e tem sua peça encenada nas ruas da capital em especial em Ipanema..

Mais uma vez Frota surpreende e lança o "Homem é o que é por ultimo". Upiano ouve e se cala. Não se vê concordância nem negativa do mestre filosofo das noites macaenses. Seu irmão Ivairzinho acha somente uma frase inteligente.

O tempo no entanto cimentará nova teoria que o "Homem Está e não é.Ricardo Madeira nega a tese de Frota. Tudo dentro da mais pura e afetiva discordância filosófica que eram discutidas nas mesas dos cafés.

Anos de chumbo grosso. Policia de Macaé, representado por um conhecido delegado fareja "fumo" em tudo e todos. Prendem e arrebentam hippieis e favelados e internam classe média em "Casa Transitória" para fugir dos flagrantes.

Esta mesma policia transforma em "Capim", depois de ir para exame no Rio, meio quilo de maconha apreendidas com gente da alta sociedade nativa. É o início do fim. A pequena burguesia começa a entender melhor as distancias que a mais valia fazia e onde se situava a repressao policial em sua verdadeira essencia de reprimir e perseguir lideranças nativas e prender filhos de pobres, negros e favelados.

Ficava em clarividencia para jovens ricos e pobres que o sistema policial/militar era a representação social da cruel diferença que o sistema teima em fazer com seus terríveis braços repressores.

"Negro correndo é ladrao. Branco é atleta. Rico fuma maconha, pobre é traficante. Maconha apreendida com menino rico, vira capim e capim no bolso de pobre é resto de maconha". Todo esforço "cultural" que o Movimento Hippiee e a Contracultura fazia para mudar a sociedade sem que fosse preciso um banho de sangue, esbarrava nas mentes atrasadas dos donos da lei e dos poderes constituidos.

DAS ARTES

Marco Aurélio Corrêa começa a criar lindas paisagens que ornam as belezas da Praia do Pecado que Euzébio nominou no O REBATE. Cria-se o "BURZIGUIN", nascido na mente fértil de Euzébio que escreve crônica uma de Macaé no ano 2000 prevendo o que viria acontecer.(cronica que se perdeu no tempo mais que, se achada hoje nos anos 2006 saberiamos da verdade futurista que ele falava nos anos de 1970).

Lívia é a nossa deusa maior, lança e nomina Hollywood a praia onde morava Moisés do Vasco. As duas criativas mentes macaenses, Euzébio criando a "Praia do Pecado" e Lívia a "Praia de Hollywood", poe em evidencia duas mentes acima das mentes normais de uma cidade que ainda engstinhava.

Era comum se esbarrar em José Carlos de Oliveira, Paulo Mendes Campos, "Jaguar", Olga Savani.Era festival de musica do O REBATE em 68. Jornal sempre na frente e sempre junto com as aspiraçoes do povo.

Egberto descobre Piry e o festival o consagra apesar de José Carlos Oliveira preferir "Cascudinho Azarento", um forró cantado e criado por Manoel enfermeiro do PU. Roberto Salles, Rose Noronha e Joel Passos cantam no festival e são aplaudidos de pé. Luíz Josè de Souza Lima, o nosso Piry, reconheçe, em entrevista ao MACAE JORNAL nos anos 2006, o grande avanço que O REBATE prestava nos anos de 1970 a música brasileira.

O ano e a década era do O REBATE, de nossa gente, de uma Macaé corajosa e fascinantemente arrojada e revolucionária.

Sempre era um constante esbarramento com Ary Duboc, o velho Athos e seus filhos recebendo amigos nas rodas do Café e Restaurante Belas Artes. Macaé era uma espécie de Ipanema dos anos 70..Waldemar da Costa, Nilton Carlos Costa, Takaoca,.Moacyr Santos. Artes eram uma constante e se misturavam a Cafés e Filosofias.

Tudo isso emaranhando -se as constantes presenças de Euzébio, Juarito, Marquinho Brochado, Hudson Siqueira, Marco Aurélio Corrêa, Renaut e outros que iam e vinham trazendo os informes de novas coisas que pintavam fora dos bastidores do "PASQUIN" e que não podiam ser editados. Criamos no "O REBATE" o "Daniel Menos" onde Euzébio representava o papel irônico do "Daniel Mas" e os nativos iam se aperfeiçoando aos fatos até então distantes.

'Era a década de mil transformações

Sob forte censura O REBATE é impedido de circular por ordens do comando militar. exigem censura prévia no jornal. No Rio de Janeiro a Tribuna de Imprensa de Hélio Fernandes sofre o mesmo. Hélio seria confinado em Pirassununga ou Macaé. Abro em manchete um oferecimento para eles escrever no O REBATE. Era mais um catucamento. Voltamos a ser chamados nas guarnições militares. A imprensa parecia que era o principal alvo das preocupações da ditadura.

Da contracultura e do movimento Hippie muitos enlouqueceram, morreram ou entraram numa e não voltaram . A minoria que soube segurar as barras e estão ai como eu de netos e bisnetos a tira colo. O sonho sonhado vinha numa mistura louca de LSD e Cogumelo de Boi. O de galinha matava. Os grilos das misturas de sonhos tidos e havidos levaram muitos a loucura e a morte. Os sobreviventes ainda deixam rolar lágrimas quente quando se encontram.

Platão, Sócrates e Aristóteles eram discutidos em todas as rodas de cafés e bares nas noites. Na redação do O REBATE tinha início as discussões que varavam madrugadas. O Ser e o não ser não é .Demócrito, e sua conciliação. A decadência dos costumes após Péricles eram dessecadas por acompanhantes atentos. Atenas era transportada para o bar Imperatriz e belas Artes onde fluía a inteligência nativa . O "conhece-te a ti mesmo socrateano" e seu humanismo refletiam no brilho de olhares atentos.

"A Sétima Carta de Platão" parece escrito hoje e dela fluía .Reconheço que todos os Estados atuais são mal governados e que pela filosofia se pode discernir todas as formas de justiça política e individual.

Visitas ao sitio

Sempre que podia trazia amigos no sítio onde moro. Tardes virgens de idas e vindas no conhecimento de frutas silvestres e pássaros raros. Goiabeiras, coqueiros, Manqueiras, Araçás, Jabuticabas, Ameixas, Laranjeiras, Coqueiros, abacates, graviolas, pitangas, acerolas, amoras, abricós. Cajus, jacas, cajás eram algumas das fruteiras que encantava e nos proporcionavam alegrias infantis.

Uma mistura de "Tupamaros", vindos da Argentina, alguns revolucionários fugidios do Reino Unido se misturavam aos nativos "Borito", "Tuca", Elton Português, Samuel, Victor, "Anselmo Colombina", "Didi". "Guto", Carlinhos Português, "Carlinhos Bomba", João Carlos, Helder, "Toninho Mello o Delegado", André, Tomé, Kátia, Miller e Cristina, "Ginja", Fernando, "Compadre", eram alguns das macaenses que eram sempre bem chegados quando mal chegadas eram as incompreensões da uma Macaé bitolada e feia.

Muitos destes tiveram a coragem de fundar o Partido dos Trabalhadores acreditavam no futuro. Futuro que chegou e o PT traiu.

Minha casa é uma riqueza, pelas

'Jóias que ela tem.

Tem varanda, tem jardins. E uma rede pra embalar de quando em quando...
José Milbs de Lacerda gama, editor de www.jornalorebate.com