Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

29.10.11

Confissão.................................................


Que esta minha paz e este meu amado silêncio

Não iludam a ninguém

Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta

Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios

Acho-me relativamente feliz

Porque nada de exterior me acontece...

Mas,Em mim, na minha alma,

Pressinto que vou ter um terremoto!

Mario Quintana

27.10.11

Sou Vasco desde os 5 anos e não me arrependo de ter passado para filhos e netos...


Morava na cidadezinha de Macaé, Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Rua Doutor Bueno, 180, a uns 956 passos largos das areias grossas e lindas de uma Praia de nome IMBETIBA...
Nas horas e dias em que o mar ficava revolto, com suas ondas que mais pareciam espumas e cores de Caldo de Cana Caiana, as crianças gostavam de brincar de catar Conchas, Estrelas do Mar, restos de cascos de Mariscos, pequenos e pobres Cirís Brancos que morriam, nos encontros das ondas com algumas pedras maiores...
Nesta época, a cidadezinha era apenas habitadas por gente que se conhecia, muitos Ferroviários, centenas de Pescadores, um tênue Comercio de Vendas a Varejo com anotações das compras dos Fiados...
Ao cair das tardes, quando o Sol já se punha dando lugar ao anoitecer, a gente brincava com os Pirilampos e Vagalumes que eram aos milhares com seus pisca-piscas a dar sentido claro as mentes criativas que os caçavam para esfregar seu corpo morto e indefeso em nossas camisas para que as mesmas ficassem reluzentes ao primeiro contacto com a escuridão da linda noite que se avisinhava...
As manhaes eram de acordar bem cedo, nas épocas das Férias dos Colégios Isolados, e
se ir para as coisas comuns a todos meninos de 5 anos ou 6. No meu caso, batia a saudade do meu Bisavô EMILIO TAVARES DA SILVA que, até pouco tempo me levava num carrinho feito de madeira de Mercadinhos e com rodas artezanais, para o Banho de Mar em Imbetiba. Meu bisavô tinha sido Cigano e chegou na Região nos anos de 1850 com seus pais. Foram habitar o Sertão de Carapebus/Quissamã onde moraram por anos e anos e até foi Sitiante em Capelinha do Amparo onde doaram terras para que fosse feito o Cemintério e a Capela da Comunidade. Vô Emilio teve vários irmãos de sobrenome Silva que habitaram Quissamã e Carapebus. Já minha Bisavó Adelayde era da familia dos Almeidas, Ribeiros e Bastos que habitavam Conceição de Macabú...
Nesta Rua Dr. Bueno que tinha o apelido de Rua do Meio por ficar centralizada nas únicas que davam acesso a Praia e a Leopoldina, tinha um lindo Pé de Mija-Mija, com seus robustos troncos e uma florzinha que dava uns cachos que a gente tirava um pequeno pedaço em seu início meio parafusado e espirrava nas outras crianças. Dai o sujestivo nome de Mija´Mija. Nunca mais soube desta àrvore que, como as Tamarindas devem estar extintas...
Pois é, num destes troncos que varavam até a Rua, meu querido guardião e amigo Bi, levou um tombo. Nunca mais me levou as csminhadas em em busca do Nascer do Sol na Praia de Imbetiba. Antes de completar seus 90 aninhos este homem rude, pele enrrugada, mãos calejadas, olhar de menino e coragem de um Indio Guerreiro, deixou esta vida...
O olhar azulado de minha Bisavó sempre estava lacrimejante e nem sabia o porquê. Caminhava para os 100 aninhos, mascava seu Fumo de Rola, Pitava seus Cinco Pontas e lavava seus paninhos que ficavam embaixo de seu travesseiro. Contava suas histórias de Moura Torta, da Baratinha, Do Boi Bumbá, dos Indio que Comia Brancos em sertões...
Não entendia muito de Saudade e só fui sentir isso quando vi a ausência de meus seres queridos em minha infância e adolescencia...
Nos intervalos das Manhães para as Tardes Amenas, como toda criança de 5 anos, começavamos os jogos de Botão pelas Varandas. Sempre Menor de que os outros meninos que viviam neste Encantado Mundo de minha Infância, não tive outras alternativa em escolher o Vasco da Gama como meu time do coração. Era o prenúncio de um amor grandioso pelo time Preto e Branco...
Meus amigos de Jogos de Botão, todos mais velhos eram todos, ou Fluminense como Cláudio Moacyr e Levi Corrêa, ou Flamengo como Telmo e acho o Anterinho...
Neste tempo de mágicas recordações a gente fazia os Botões de Casca de Coco ou pegava os chamados "feitiços" nos paletós grossos e importados de nossos avós e tios...
Meu Goleiro, de Caixa de Fósforos bem colada com cores do Vasco, era o Barbosa, meus beques eram Augusto e Wilson e a linha-média Ely - Danilo e Jorge. Na linha, todos com as carinhas coladas nos Botões, estavam Sabará, Maneca, Ademir, Ipojucan e Chico. Ainda alguns reservas como Heleno de Freitas, Tesourinha e outros que fogem a meméria que já caminha para os 100 anos em 13 de Agosto de 2039...
Dai em diante começou minha alegre descoberta do Grande Vasco da Gama. Minha avó Nhasinha Lacerda foi a 1a pessoa que fiz a cabeça. Outras Vascainas apareceram por ver minha felicidade em ouvir o Jorge Curi e, com o rosto colado no Rádio Rabo Quente. criar os Goools de Ademir e vibrar com as defesas do Grande Barbosa...
Foi fácil fazer a cabeça de minha mãe ecila. Minha irmã Djecila não consegui. Ela quis ser Flamengo...
Veio mais uma cabeça Vacaina na pessoa de meu querido irmão Ivan Sérgio de Lacerda Gama.
Tempo passando e a alegria, aos 9 anos de conhecer o EXPRESSO DA VITÓRIA que tomou conta de todo o Brasil com as vitórias de Querido Vasco da Gama...
Hoje, aos 72 aninhos, depois de muitos altos e baixo, consegui fazer outras Cabeças Vascainas. Meus filhos Luis Cláudio, Ana Cristina e José Paulo. De todos os netos, apenas a Mariana é Vascaina. Os outros seguem a idéia do neto João Pedro que é Flamengo e está sofrendo com a chegada no novo EXPRESSO DA VITÓRIA DOS ANOS 2000...
José Milbs, editor de O REBATE www.jornalorebate.com
Foto:
Galã:

Maneca fazia o gênero galã e gozava de muito prestígio entre as mulheres, tendo vivido, ao que contam, um grande romance com a cantora Olivinha de Carvalho, vascaína ferrenha que fazia imenso sucesso na época cantando músicas portuguesas e integrando o “cast”, como se dizia, da Rádio Nacional (a Globo daquele tempo), do qual participavam os maiores nomes do rádio.

FICHA:

Nome: Manuel Marinho Alves
Data de nascimento: 28 de janeiro de 1926
Local de nascimento: Salvador - BA, Brasil
Falecido em: 28 de junho de 1961
Posição: Meia / Atacante

26.10.11

Ioni de Raphael e Adonias do antigo Correio, morrem na Região de Petróleo. Primavera mais triste...





No final dos anos 6o, Adonias chegou em Macaé. Ainda jovem, com um corpo atlético,queimado pelas praias da Paraiba e um conhecimento grande na arte do Judô. Veio trabalhar nos Correios onde, com a cidade ainda engatinhando no progresso, dividia suas folgas com a Caça Submarina onde conseguia grandes peixes...
Com o passar dos tempos, já se integrando a vida comunitária, para aumentar seus compromisos financeiros, trabalhou no Ed. Dom Pepe e era sempre visto nos "points" de Macaé com sua fala sempre puxada para o belo do Norte/Nosdeste brasileiro. Faz parte dos Grandes Pescadores que ainda nominarei em breve.
Seus filhos foram colegas dos meus e fazem parte destas histórias que estão sendo vividas por esta geração dos anos 70.
Xereleco, um dos seus filhos, é o que mais afeto guardo e onde tenho grandes histórias para serem contadas. Adonias deixa um legado de idéiCs sobre a vida marinha e tem seu nome perpetuado num Restaurante na Orla dos cavaleiro onde seu outro filho Gerson é sempre visto em alegres papos... É a vida que continua deixando o legado da saudade...

Ioni Goghi Ribeiro, professora, grande amiga, morre em plena Primavera. A história de Macaé vai, cada dia, ficando sem seus pilares construtivos. Ioni foi esposa de Raphael, meu velho amigo das boas noites enluaradas e puras de uma cidade bucólica e nossa. Raphael fazia de sua profissão de macânico um verdadeiro esconderijo para chegar mais um pouco tarde em casa. Sempre "fardado" com o macacão de sua labuta, era a maneira que ele encontrava para "chegar mais tarde em casa" e justicar um "inexistente serão", onde, nos mal iluminados bares de nossa cidade, bebiamos algumas.
São coisas de uma região que ainda tem muitas histórias para serem contadas e vividas...
Ioni vem de uma das mais ilutres familias de Macaé onde a Avenida Ruy Barbosa, em um dos mais belos Casarões, teve o privilégio de curtir sua infância e adolescencia.
Leitores de O REBATE impresso nos anos 70 e até hoje fiéis aos nosso textos, sempre que abro meus emails encontrava alguma palavra de incentivo, vindo de Ioni e de seus filhos...
Fica bem menor a nossa sociedada e o coração de muitos amigos...
José Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

17.10.11

Uma viagem no interior da mente escura....

Uma viagem ao redor da mente.
Saber de sua abertura e existência...
Olhar o velho mundo se distanciar.
Saber do belo ...
Ouvir a voz do vento...
O murmúrio do passarinho...
Viver.
Saber da vida...
(José Milbs)




Praias, lagoas, rios de águas claras, montanhas com verdes alegres e muitos pássaros voando por toda a parte. Apenas este misterioso mundo sombrio permanecia com seus desusos e preguiça. Nas esquinas pessoas humanas falam. Gritam. Impõem ordens. Falam e gesticulam. Hora com vozes com palavras feias, ininteligíveis, outras parecendo carinho mais sempre impondo normas e deveres. Ao longo da misteriosa escuridão, homens falam em leis, condenam, prendem, roubam e andam de um lado para o outro sem ir nem vir para lugar nenhum. Pregadores berram. Crianças e flores se olham com espanto como se não entendessem nada daqueles seres grandes e faladores. Alguns até com gravatas e talões de cheques.

‘A planta e o passarinho que voava entre seus galhos param para olhar o espanto da criança e da flor. A cor esverdeada dos olhos da criança faz harmonia com a flor avermelhada que, com o cair dos raios de sol, se torna da cor do vinho. O passarinho e a árvore esquecem por instantes o espanto que via para olharem estarrecidas as falas brutas dos engravatados e seus amigos.

Mulheres também gritam uma com as outras fazendo com que outros passarinhos e outras flores fiquem boquiabertos e espantados. A escura visão da mente continua sendo bombardeada por luzes e mais luzes. Algumas verdes, outras cinzas e a maioria delas de cor azul. Esta combinação faz com que o desuso dos olhos comece a ver turbilhões.

A misteriosa vida nas escuras muralhas sombrias e tortuosas da mente escondida, por anos e anos de solidão, tende a resistir a qualquer tentativa de furar este bloqueio que faz bem a ela.

Como os peixes que vivem na escuridão das cavernas marinhas, como os Cambotás que turvam as águas límpidas ao tentarem brincar na superfície, estas sombras evitam a claridade. As misteriosas e barulhentas censuras ainda forçam a continuidade na vida triste de um mundo opressor. Ainda este bem claro para esta mente sombria e misteriosa, os ensinamentos religiosos, a certeza de uma eternidade corpórea. Esqueceram de dizer a ela que a vida continua mais a sua morre. Ela ainda escuta os milhares de olhares maldosos da vida que lhe obrigou a retrair-se. As noites e os dias se confundem numa névoa existente. Pensamentos ainda podem ser conectados a desejos mais estes estão limitados a sua volta e não abrem horizontes. Apenas pensa existir e a certeza do sim esbarra nos milhares de naos que a sociedade, a civilização lhe outorgou conhecer. "Mistérios que se pode desvendar", dizia as sombras repetidas no espelho da vida. Além de algumas que já começam a desaparecer muitas sombras estão em desafio e não querem abrir as portas. O Inconsciente o Espírito e a Alma se confundem na incerteza da abertura das sombras existentes.

O lado obscuro da sua cabeça começa a lhe fazer ver alguns reflexos. Alguns brilhos vagueiam na escuridão e um ponto luminoso se pode ver, ao fechar os olhos, no lado sempre fechado do misterioso mundo da escuridão. A luz se faz presente de forma longe, como se estivesse olhando para o céu aberto em noites de Lua e Estrelas. Se parece com algum ponto estrelar, ou quem sabe, alguma coisa que pode ter ficado em aberto ao fechar os olhos. A cor começa a se mover e formar alguns tênues seres. Muda de cor. Agora é uma cor de vinho. Uma linda cor vinho que faz o ponto central de sua cabeça.

Como se fosse um "Olho longe", muito longe mais lindo de saber possuir. Seria o terceiro olho dos antigos Livros Orientais? Será que o OLHO central que dizem existir nas histórias Orientais existem ao se abrir o Lado Obscuro da Mente?

Este ponto azul, ao abrir os olhos forma-se como um pontinho negro que acompanha sua visão aberta. Vai e volta em torno de seu contorno facial e some. Nas praias , quando a misteriosa mente se deita e se distrai, esta pequena partícula negra se torna cinza e vagueia também em torno de seu rosto moreno, queimado pelos anos de verões que sua existência tem.

As noites , quando o sono vem, à escura mente brinca com a mente que vê pintas negras. Sonhos lindamente claros, lugares que, a mente deixa-se vê, pontos nunca habitados são jogadas como bola de ping-pong. Se de um lado a mente escura joga seus conhecimentos, a mente que vê pontinhos, lhe informa de suas visões. Lugares proibidos de ir ou medo de não voltar?

Estas partículas de bolinhas de cores maravilhosas e misturadas formam colares de mil cores, entrelaçados uns aos outros. Como as tiras que as bailarinas usam em suas apresentações. Só que estes colares são de vários formatos e cores deslumbrantes. Cores que nunca existiram na mente que existia antes.

As noites de sonhos são como belezas novas. Cores, idas e vindas em lugares bem distantes da terra, vôos lindamente feitos e se sentindo pássaros. Em alguns momentos não consegue ver onde esta. Não vê onde está mais confia que estará de volta sempre que assim seja permitido. Seria a ida a mundos novos?

Camadas de sonhos, profundezas da mente escura ou algo que ainda não é permitido ver, turvam as manhãs que fazem a mente escura recordar alguns meandros das noites.

Pensa: como seria o sonho de um ser humano cego de nascimento? Ele sonharia as cores ao deitar-se na profundeza de sonhos? Ou seria a mente escura que lhe forneceria as belezas deste lado desconhecido na vida que leva na escuridão da cegueira? Perguntas sem respostas e as duas mentes começam a emitir informações entre si.

A misteriosa mente pede que volte ao espelho e olhe onde estão as sombras que ficavam em círculos ou em paralelos . Olha o espelho. Muitas sombras sumiram.

Algumas que estavam em círculos estão desfiladas, paralelas ao fim do seu corpo. Ainda existem muitas sombras a serem extirpadas. A misteriosa mente escura começa a ver pontos abertos de luzes. Azuis, verde, brancas, avermelhadas. Quase um arco-íris de formato reto. Como se as luzes fizessem seguimento com a dimensão geográfica dos paralelos das sombras. Algumas piscam como piscam as Árvores de Natal e as que as pessoas colocam nas árvores para enfeitar os fins de ano. São centenas de luzes que, quase no paralelo, formam uma longa fila.

A mente escura sente que existem olhos e este pode ser usado. A turvulência que via começa a se clarear. Braços e dedos são levados à região do rosto e, uma pequena esfrega na região dos olhos lhe faz ver em redor. Já sente que existem olhos e estes podem ver. Estaria cego e voltava a ver ou esteve sempre numa escuridão e nunca tinha visto a luz?
As duas mentes agora estão mais livres.

A que nasceu aberta, agradece a que voltava a ver. Era como lhe dizendo que toda a repressão, todos os “naos” da sua vida, toda mentira que foi obrigado a dizer ser verdade, todo o amor negado, pedido, dado, rejeitado, tudo era absorvido pela misteriosa mente que ia se fechando, se fechando e ficado sem nada ver. “Uma forte luz cai sobre as duas mentes e, uma voz longe, suave lhe diz:
-” Vocês duas nasceram livres. Uma dentro da outra. Viveriam sempre juntas vendo tudo que uma vê e outra via. Só a misteriosa mente teve que optar por receber da outra mente toda carga que viesse de forma agressiva e má. Daí que ela foi ficando assim, como um grande fardo pesado puxado sem poder lhe dar os conhecimentos que agora vocês duas vão ter”.

A luz se torna mais forte. Como um clarão, fixa-se nos olhos das duas mentes. Seria este clarão que os epiléticos recebem e não conseguem absorver e caem em retorcidas e loucas atitudes? Seria este clarão que as pessoas falam nas manifestações nas Mediunidades Kardescistas?

Seria este clarão que fez o Mestre Jesus, refugiar-se no mato. e chorar vendo coisas lindas? Seriam este clarão as visões de João Batista? Ou seria este clarão que fazia mexer com a mente de Francisco Candido Xavier na privilegiada e sofrida cabeça deste homem simples de Uberaba?
José Milbs de Lacerda Gama, editor de O REBATE www.jornalorebate.com

9.10.11

Ubirajara Barbosa Barreto, o Bira, aos 85 anos, morre na cidade onde nasceu...

Nascido em Macaé, filho mais velho de José da Cunha Barreto e Ilda Antunes Barreto, faleceu hoje, pela madrugada, em sua residência no Bairro dos Cavaleiros, Ubirajara Barreto. Militar, fiel as ordens superiores, era considerado. nos anos 60 e 70 um dos mais eficientes atiradores do Exército Brasileiro. Conhecedor das profundesas das selvas, caçador dos mais dedicados, aprendeu com seus antepassados a sobrevivência nas matas e era sempre visto contando grandes histórias das ruas de Macaé onde nasceu e morreu. Casado com Talita Pinto da Silva Barreto, deixa filhos, netos e bisnetos. Suas histórias, muitaa delas, havidas na Rua do Boa Vista, no Bairro onde residiu em sua infância eram semples entremeadas de alusões a grandes figuras de nosso folclore, No tempo em que havia poucas bicicletas e nunca carros em nossa ruas empoeiradas, Bira defencia a caça aos animais e falava com alegrias de suas caçadas nas Ruas e becos de nossa cidade. Sempre, ao cair das tardes, falava e deixava a mostra o brilho feliz de seus olhos, chegava em casa em companhia de meu pai, trazendo uma "fileira" de pássaros de todos os tipos que seriam comidos por meus outros irmãos e visinhos, preparado pelas mãos suaves e competente de minha mãe Ilda.Na pesca, já nos anos 80 e 90, seguia os passos de seu querido irmãos Paulinho Barreto, Phydias Barreto e Zezinho Barreto na caça de Robalos e Sardinhas no Rio Macaé. Quando, provocado por mim. sobre está lei de "defesa dos animais" ele era taxativo e se monstrava extramenete radical. Dizia não entender isso que está acontecendo e as pessoas na]o poderem mais caçar as capivaras, Os tatús, os Veados, as Onças, tão comum nas matas de Resende e outros bichos de paladar gostoso. Parecia, e ai todos ficavam em silencio ao ouvi-lo, que Jajara não havia chegado ainda aos anos 2000. Sua mente se fixava nas lindas noites em que varava madrugadas e mais madrugadas para trazer para casa grandes elementos da fauna silvestre...Irmão mais velho de Orlando, Nicinha, Ilda, Silas e Armando Barbosa Barreto era sempre visto nas janelas da antiga casa dos Barretos na Avenida Ruy Barbosa onde, desfiles, carnavais, festas, pessoas e gente do dia a dia, passavam em longos e afetivos cumprimentos e alegres papos. Durante os desfiles de carnaval, todos realizados na antiga Rua Direita, era linda a saudade que bate com as janelas cheias de pessoas que, mesmo nao participando das "Loucuras dos saudáveis carnavais dos anos 50 e 60", se sentiam bem e eram comemorados em ativos apertos de mãos. Calçadas Macaenses cheias de Cadeiras, senhoras e senhores abraçados pelos "respeitáveis bêbados dos carnavais de antanho", o sentimento era torneado pelo afetivo de um mundo cumum em todas as Cidadezinhas de Interior quando todos se conheciam e se amavam...Foi assim que conheci Ubirajara Barbosa Barreto, elegantemente fardado e ao lado de minha querida prima Talita. Foi assim que a MEMORIA MACAENSE foi se fixando nos meus textos de maneira que possa, sempre que possivel, retratar esta paisagem linda que todos devem possuir, a seu modo e vivência, em suas mentes.Ubirajara Barbosa Barreto, O Bira para os Militares, Jajara para os intimos, deixa uma grande história para ser contada e que, em algumas páginas, participei.
Lembro que, numa tarde, quando o Sol ainda estava por sair das cercanais da Rua da Praia, caminhei com meu velho amigo Armando, seu irmão, ao encontro dele e de seus irmãos que pescavam na Ponte do Rio Macaé. Centenas de caniços, dezenas de bons pescadores na busca dos Robalos... Diziam todos aos cantos e ventos: "está dando muito Robalo no Rio Macaé... Ao me aproximar, vendo um velho caniço que o Paulinho tinha deixado de reserva, estendido ao chão, o peguei; Tinha ainda um resto de Camarão num anzol envelhecido pelo tempo. Joguei ao Rio. Parecia que tinha um Peixe de boca aberta esperando.Foi só jogar e fisgar... Alvoroço, todos ajudando a puxar o lindo Robalo de uns 2 quilos...Jajara, sempre que o via se lembrava do fato e de minha perspicácia ao responder a indagação de todos como foi que tinha pego um peixe tão grande e em tão pouco tempo... Disse: "É que eu rezei a oração do pescador. Senhor fazei que eu pesque um peixe tão grande que quando for contar não tenha que aumentar... Pois é. Tudo passa e a vida continua...A familia do meu amigo Jajara, os sentimento de O REBATE..Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

23.9.11

Carlinhos Curvelo, Seu Carlinhos ou até mesmo e sempre Carlos Curvelo. Um homem que deu inicio a vida comercial da Região de Petróleo...



Uma loja de móveis e alguns eletrodomésticos, história que veio do interior de Macaé, onde havia apenas estradas feitas com as patas de cavalos e carroças, foi assim que chegou a nossa comunidade o alegre sorriso de Carlos Curvelo. As localidades de Bicuda Grande, Bicuda Pequena, Cachoeira de Macaé, Serro Frio, Córrego do Ouro, Trapiche, Frade e até mesmo da Cabeceira do Sana, tinham um carinho especial pelos Curvelos que tiveram suas origens nestes pontos bucólicos e puros das comunidades abertas do interior do Rio de Janeiro.
Chegaram até a cidade de Macaé, nos tempos em que não havia Ferrovia nem se pensava nunca em petróleo. As décadas de 20 e 30 margearam estas chegadas. Muitos trouxeram familias e uma enorme vontade de criar aberturas comerciais e políticas.
A maoiria dos Curvelos foram para o comércio e, de todos eles, o que mais trazia a marca da alegria e do bom humor foi o meu amigo Carlinhos Curvelo. Pai de Serginho e Eliane, irmão devotado de nosso querido "Tio Nico" que, na verdade não era nosso tio e sim de Sady, Augusto Carlos, Léo e tantos outros meninos que a gente foi se acostumando a chamar de tio também...
Carlinho foi o maior destaque comercial e a mais bela simplicidade de nossas ruas. Sabia ser um cavaleiro e um servidor atento ao servimento de seu trabalho. Aconchegava todos de uma forma muito especial e se destacava de outros comerciantes macaenses dos naos 20, 30, 4o e 50.Rompeu gerações e morreu sem ver a Primavera do ano de 2011.
Quem me falou de sua morte foi o meu amigo Honório José da Silva e Sylvio Roberto dos Reis Peixoto. Ambos deixando passar o sentimento de tristeza pela perda de tão importante amigo e conselheiro...
Com quase 100 anos, sem se curvar a segurança e ao medo, sempre era visto em suas andanças por nossas ruas. Olhar sempre atento ao bom dia, a boa terde e,no "como estão todos em casa"", sua presença Centenária irá faltar a muitos, como o autor, aprendeu a admirar sua vida e sua tristeza em vários momentos de sua existência...
Superou a perda de seu querido Serginho e se dedicou ao orgulho na formação de seus netos e bisnetos.
"O REBATE", embora um pouco atrasadoao comunicar a sua morte, deixa patenteado no busca mundial do GOOGLE, alguma coisa sobre este belo homem que soube enriquecer sem perder a simplicidade, sofrer perdas sem deixar de sorrir. Carlinhos Curvelo foi um dos mais queridos amigos de "O REBATE" nos anos 70. Sempre presente com sua assinatura aos nossos textos e uma alegre presença na Redação da Rua Marechal Deodoro, 150. Fundador da Associação Comercial, Rotary e outros serviços, jamais se deixou levar pela vaidade. Nem mesmo quando seu primo e amigo Antonio Curvelo Benjamin, foi Prefeito e Deputado por vários mandatos, Carlinhos perdeu a naturalidade.
Em longas conversas nos Bancos da Praça,era visto com Ruy Figueiredo Borges, José Baptista de Mattos, Jorge e Jair Picanço Siqueira,OdenirFigueiredo, Caio Gomide Leandro Saores, Amphilophio Trindade, Armando borges, Carlos Augusto Tinoco Garcia e tantos outros que deixaram esta vida e marcaram presenças no desenvolvimento da cidade e região.

José Milbs de Lacerda Gama, editor de O REBATE www.jornalorebate.com

22.9.11

Os primeiros moradores do Bairro do Mulambo que , aburguesado e triste, virou Novo Cavaleiro...


DAS PAREDES EMPOEIRADAS DE MINHA MENTE ALGUMAS LEMBRANÇAS PARA A HISTÓRIA DE MACAÉ...
Uma viagem alegre nos escaninhos da minha memória que, Bate e Rebate...
Orlando Tardelly, Osmar Rocha, Eraldo Gomes , Olivier, faziam das noites enluaradas de Macaé o ponto alto das infinitas reminiscências que só o seresteiro encarna e vive...

Ademais, Dona Lindaura do Manel Bahiano, Chica, Peroba, Roberto, Seu Flanque, Moraes, Gilson Correa, Pacuçú, Dona Rola, Seu Joaquim e dona Elvira, Seu Walter, Adilson, Beto de Pacuçú,

"A noite estava assim, enluarada quando a voz,
Já bem cansada, eu ouvi de um Trovador...
Lua vinha perto à madrugada, quando.
Em ânsias minha amada nos meus braços desmaiou...
...Hoje eu vivo tão sozinho... sem carinho... Na esperança mais atroz...
De que cantando em noites lindas,
"Está ingrata volte ainda, escutando a minha voz".

Saudades de nossos seresteiros, das Violas Enluaradas...

Meus vizinhos de sítio nos anos 60, minhas poucas galinhas e galos abriam as madrugadas em cânticos e cocoricadas, os galos chamavam as suas parceiras sexuais oferecendo alimento que eram trocados malandramente por aconchegos puros e rápidos, alguns ainda frangotes.

Haviam repiques de cantar com os de dona Lindaura e "Manoel Baiano" com suas galinhas mestiças e galos batedores, outros eram respondidos pelos galos da terra, que coloriam as terras e o terreiro cercado de bambus de dona Rola mãe de "Peroba", "Chicão" e Roberto, ainda não haviam chegados os ladrões de galinhas e quando elas sumiam, vinham 21 dias depois cheias de pintinhos colorindo ainda mais a harmônica cor do sitio.

Não existia ainda cercas de separação de propriedade. Os meus ---(olhem que possessividade capitalista)--- galos iam até os vizinhos e voltavam sempre com a cabeça pelada e sangrando.

Numa destas noites, onde o entardecer ficava para mais tarde das dezoito horas, sentei na varanda branca do sitio e comecei a observar os desafios entre os galos da região, não havia nenhum barulho de máquinas, o que é comum hoje, e os repiques sonoros iam desde o sitio de Gilson Correa, trançavam pelas casas ribeirinhas onde moravam Pacuçu, e se perdiam nos ecos que findavam no final da casa de Nélio Almeida e dona Rola.

O galinheiro onde Roberto prendia as suas vinham com estampidos maiores já que alguns galos cantavam juntos e estremeciam de beleza os sons que formavam o círculo de cânticos naturais.

Seu Franklin, ainda conserva a pureza humana que Leonídio, seu Joaquim trouxeram dos interiores de suas terras. Seu Joaquim espalhou a família por todo o bairro, ele veio de São Joaquim distrito de São João da Barra e trouxe um lindo, "Galo Macaé", que também espalhou sua raça... Leonidio era da Serra de Santa Maria Madalena, depois veio seu filho, Bibi casado com Lena e se espalhou também pelo bairro...

Os cumprimentos ainda saiam das raízes do pensamento e se misturavam nas essências criativas herdadas das noites de lua e de estrelas.

Este cumprimento ainda conservava o brilho dos intelectos puros de gente que dificilmente baixam de novo neste mundo cruel.

Os poucos ladrões eram os de galinha e porcos que habitavam as noites na região. A filha de "Bibi" e "Lena", "Papata", se casou com o filho de Paulo Fernandes e iniciaram uma vida bonita no bairro onde seu pai sucedeu o avô. "Um dia qualquer nos anos 70 a comunidade tomou ciência que havia sido roubado o galo carijó de seu Franklin, corria a boca pequena que tinha sido o "Peroba"." "Peroba" tinha fama de gostar de expropriar galináceas que eram comidas em final de noite no bar de "Moraes" e "Beto" que ficava uns 200 metros da casa de seu Franklin e uns 100 do sitio de minha mãe Ecila.

Corre-corre pra lá e pra cá em acusações generalizadas, eu, de minha parte, defendi o "Peroba", acusando o "Moraes", já que havia sito expropriado um porco no meu quintal e o Adilson havia deixado transparecer que tinha visto ser comido, no "Bar do Moraes", uma carne de porco de roça, acusação e descoberta que até hoje não houve provas do fato havido, prometeram me pagar o porco mais até hoje, neca...

Peroba nunca confessou o que não fez e Moraes continuou sem pagar o porco que prometeu arrecadar com quem o comeu.

Adilson era um negro de estatura avantajada, mãos grandes e dentes excessivamente alvos e brilhantes. Era morador do Sitio e mais tarde, após ter sido acusado de crimes contra vidas acabou morto em tocaia policial no "Bairro de Cantagalo". Sempre alegre e cordial nunca tive motivos para julgá-lo. Era um bom amigo Mara, sua mulher sempre quis que eu batizasse sua filha Alessandra.

Ainda bem que as multinacionais trouxeram para a minha região centenas de Nortistas, Sulistas e gringos latinos que ainda conservam o dom natural de alegres sorrisos e cumprimentos nativos.

De São Paulo o seu Walter chegou e doou terreno onde se fez uma igreja e depois ele mesmo teve o desprazer de se ver fora da entidade assumida pela família de um pastor que lhe tomou as terras. Como bom cristão deixou que a coisa acontecesse e ele mesmo mudou para outra entidade.

Homem puro e bom seu Walter que conquistou a simpatia do bairro pelo seu jeito meigo de ser. Ultimamente vinha sempre aqui no sítio e levava Luís Cláudio para sua congregação. A construção de uma loja e um possível apartamento num pedaço do sítio que minha mãe deixou falado que seria de seu neto Luís Cláudio, fez com que ele conhecesse uma nova profissão.

De ajudante de pedreiro, meia colher e até quase pedreiro ele foi fazendo de um pedaço de terra umas construção bela e imponente, com um rapaz de nome "Edmar Jacaré" que veio de Conceição de Macabú ele aprendeu a fazer radies, montar vigas, foi aprendendo algo que lhe será útil na vida e, o que é muito melhor, esqueceu de jornalismo e oficina de jornal uma coisa que não era legal. Era um mundo onde ele não se adaptaria nunca a subserviência ao poder não é coisa que se pode evitar passar para os filhos.

Luís Cláudio trouxe nova vida ao seu pedaço de terra e muita gente boa foi chegando e, tijolo com tijolo, ele iniciou este milênio com jeito de terminar a obra.

No final do mês de julho de 2001 eu subi na laje da obra de Luís Cláudio. Veio a minha mente, e por isso, entro neste capitulo e falo de uma coisa que o tempo não apaga. Era o ano de l970 e aqui não tinha nada.

O sitio era apenas um local sem luz, sem água de rua, sem nada de progresso. Tinha lindos pássaros, uma nascente que ainda é conservada e nada de rua ou casas, era apenas esta que habito e nada mais. A "Estância Vista Alegre" que tinha escrito na casa, tinha sido uma homenagem do antigo dono de nome Moacyr que era mecânico em Macaé e que foi pracinha da FEB na última guerra. A "Vista Alegre" tinha sua descoberta no deslumbrante e belo cenário que era visto com a Lagoa de Imboassica e o Mar dos Cavaleiros que eram o fundo visual deste lindo lugar. Com a vinda do progresso foram construídas firmas que tiraram a Vista Alegre deste sitio. Não é que Luís Cláudio devolveu a beleza de olhar da Lagoa e do Mar em sua laje? o mesmo azul marinho que existia nos anos 70 estava na distante Lagoa, e o "Velho Azul Esverdeado" da Praia se fez presente.

As mesmas árvores que encontrei quando encontrei e que foram plantadas por Moacyr Amaral, Everaldo Esteves ainda se encontram... Podia falar e vou descrever suas existências embora cercado de firmas de Petróleo e de apoio da Petrobrás que tomaram conta de todo o bairro....

Os "Maracujás do Mato' de formato oval, amarelo e com sabor silvestre ornam a vegetação do "Brejo" que chamo de "Lago" onde se encontra a nascente que faz jorrar água aqui em cima onde resido". Ele, o Maracujá nasce e se espalha onde dezenas de passarinhos teimam em viver em sintonia plena com a beleza do lugar...

As Pitangas ainda resistem,seus galhos rasteiros e com formato de que nunca foram podados servem de alimentos também para Sanhaços, "Sabiás do Brejo" e "Biquinhos" que sempre estão no sitio quando a primavera chega e a chuva fina e criadeira vem acariciar o solo...

Enquanto isso, em plena vigorosidade da estação as Acerolas que comprei do Manoel Jatobá dão seus frutos junto as mangueiras que me, trouxe filhotes, o Diomedes Paes e que sombreiam grande parte do lugar... As jaqueiras, com seu formato secular trazem o sabor. Algumas de "Jacas Duras" outras chamadas de "Jaca Mole". Alimentam galinhas quando caem e os peões de firmas vizinhas que entram no sítio e as deliciam apos seus alimentos de trabalhadores. Fazem suas entradas, pensando que são furtivas mais são observados por mim e Luis Cláudio que autorizamos a "expropriação" num gesto de entendimento e carinho.

Os Cajus, as Goiabeiras, as Jabuticabas, os Araçás, que tanto encantava meu amigo Euzébio estão ainda intocados no seu habitamento primitivo. O pé de Abricó serve de pousada para o casal de Gavião espreitar os pintos e filhotes de rolinhas em ninhos que ficam expostos ao sol e ao vento em tarde de beleza e meditação... Os coqueiros, em sua maioria com 35 ou 40 anos teimam em fornecer cocos com o mesmo sabor dos anos 70 e 80. Privilegiam, em sua copa verde e de balancear divinos os casais de Sanhaços que fazem seu ninho onde a mão faminta do Gavião não alcança... As amoras vermelhas continuam a fornecer alimentos para passarinhos e gente que por seu pé passa e a vê carregadas e lindamente posta perto do pé de Ameixa amarela que orna a parte superior do sitio...O Pé de Limão resiste a seca de um tempo sem chuva e ainda nos fornece frutos. A ausência das Laranjeiras deu lugar ao nascimento de dezenas de pés de Ipês Amarelos que nasceram quando da vinda das mudas a uns l5 anos..O envelhecimento das laranjeiras e sua transformação em "Pé de Limão Galego" abriu espaço para o florescer do Ipês que , paralelo a sua morte, vive em seus mais lindos dias de encantamento dando um colorido diferente ao Sitio...As carambolas, nascidas de uma descoberta de Luis Cláudio quando de suas andanças por entre a nascente e um final de águas ainda pode dar seus frutos em forma nativa e rudemente existencial..Tem o mesmo sabor das Carambolas comuns e se igualam ao dos Cajás que ainda não vieram a nascer na primavera que escrevo estes acontecimentos....

"Cai"... cai balão...
Cai... Cai balão.
Aqui na minha mão...

"Eu sou pobre, pobre, pobre".
De marre, marre, marre...
Eu sou rico, rico, rico.
De Marre, Marre, Marre...

Vem cá Bebido... Vem Cá... Bebido...
Vem Cá Bebido vem cá.
Não vou não... não vou não, não vou não, tenho medo de apanhar"....
O DESCOBRIMENTO
Descobrimos que tinha muita galinha chocando no terreno de dona Lindaura, uma mulher maravilhosa, que morava no sítio de "Paulo Careca," dono de uma farmácia no centro da cidade e que era de uma simplicidade que bem demonstrava suas origens nas serras do Estado do Rio, Paulo pouco falava e sua educação era tanta que não falava, balbuciava.

Hoje tenho com vizinho uma multinacional de petróleo que expulsou também daqui o Lafaiete Ciryaco, Alfredinho Tanus, filho de Camil e Nélinho Almeida. Eu resisto, continuo no meio das multinacionais com seus tratores esporrentos, máquinas diferentes, e gente falando língua trocada, não sei até quando, ou um outro sucumbe... Por mim eu fico até quando viver..Tenho uma nascente no fim do Sítio, cercada de container e galpões..Ela resiste porque está na aba do morro e eu vou ficando também na luta.

Ainda sobre dona Lindaura era uma Baiana que tinha vindo para Macaé com seus filhos e casada Manoel Vieira. Já me referi a esta figura mais sempre que repito me sinto confortável. Ela me disse, "-seu Zé, não se preocupe não, que o seu galo prata vem sempre aqui e tem duas galinhas do senhor pondo aqui no meu quintal, que faço? O senhor quer os ovos ou deixa para chocar". Era assim a relação neste sitio que eu habitava no meio da década de 70, com que me lembrasse da minha infância na Rua do Meio e de meus vizinhos daquela época.

Via que a beleza do relacionamento afetivo está sempre ligada à simplicidade, quando esta se torna burguesa, a forma de afetivo perde a significação da essência, e se fixa no capital, que é, sem sombra de dúvida, o grande mal da raça humana.

Dona Lindaura morreu ali mesmo onde morava, e muito jovem. Há pouco tempo, quando viajava para o Rio de Janeiro parei num posto um rapaz muito simpático me chamou pelo nome e perguntou sobre Macaé sem ter coragem de perguntar quem era para não magoar sua alegria, esperei que a conversa se desenrolasse para situar-me, ele, desconfiado antecipou, me distraindo falou, Sabe quem sou? Sou filho de dona Lindaura, o senhor me deu uma vez uma porção de gaiola, lembra? Era um dos seus filhos que tinham vindo com ela da Bahia e com sua morte se espalharam por ai. Revi uma outra filha dela que casou com Paulinho sobrinho de Milward.

Na "viagem" fui revendo este tempo maravilhoso de um bairro que começava a virar cidade...

Quando Vicente Klonoswisk morou, com Gilberto, no sítio, numa casinha que tinha nos fundos conversamos sobre a fundação de um movimento ecológico, Vicente achava que se a gente mudasse os métodos poderia atingir todo o universo que girava em torno e com isso mudar.

""" ""Fundamos o movimento Ecológico MUTIRÃO que tinha a participação de "Marcelão" Marquinho" "Baixinho do PT"," Marcus Carola", "Marcinho", "Soninha", "Carlitinho" e algumas meninas que não me lembro. Sônia era a única mulher do grupo e contrabalançava com sua meiga figura, dava sempre suas opiniões que eram aceitas e discutidas.

O imaginário fértil, que embala as noites das maricotas e mariquinhas do disse me disse alheio, via na presença desta menina com a gente algo mais que político. Era fácil tentar minar a ideologia e misturar desejos de sexualidade. Maneira fácil e burguesa de separar as pessoas. acho que correu esta opção na vocação das pessoas da época e, até hoje, paira uma incompreensível presença de coisas que nada tinha a haver e que no ar foi lançado.

Havia um forte respeito até por que elas se faziam respeitar...

Sei que uma das poucas investidas foi pichar o "Farol Velho", indo com "spray", dentro da sunga, a nado, rodando as pedras e o "Rodrigo", e mensageando as pedras no interior da Petrobrás que até hoje deve se perguntar como que entraram lá com toda a parafernália de segurança...

Ser ecologista nesta época era coisa de subversivo e muitas pessoas ficavam de pé atrás. As lutas pela conservação da Lagoa, do Mar do Norte, do Rio Macaé e muitas outras eram comuns a este grupo que se espalhou...

O fato é que o "Mutirão" foi o pioneiro na defesa ecológico/política em Macaé nos meados dos anos 70. As nossas reuniões eram sempre nas praças, rua da Praia e lugares abertos..Na fundação do PT este grupo entrou e fundou o núcleo ecológico.
SOL NASCENTE
Quando o dia começava a receber os primeiros raios de sol e que entravam pelas portas nunca fechadas do "Imperatriz," e seu Aristeu já caminhava para abrir seu bar na rua principal, era comum ver a moto de Iberê Madureira caminhando em zigue zague em direção ao primeiro que tivesse um cafezinho fresco. Às vezes era mesmo no Bar de seu Aristóteles que, meio sonolento, rendia o plantão de Zé Mengão que ia caminhando a pé até o outro bar, conversava com Itagiba, Flaubert e Frota e ia para mais um dia de descanso de mais uma madrugada das noites macaenses.

Dimas e Flaubert recolhiam seus carrinhos de milho e os restos de carvão para uma nova investida no dia que começava. Dimas foi outro que Campos nos mandou de presente como foram também Ubiratan, "Manduca do SAPS" e Carlos Emir..

A tranqüilidade era reino eterno e os transeuntes, ora Ary Carvalho Charret, ora "Gugu" não nuviava nem balançava com os pensamentos existentes. Faziam parte do quotidiano real e mental e nem sombra era notada quando dos passamentos lentos e cabisbaixos.

Era como que o nascimento de algo já nascido e que não criava a gota d' água num trasbordamento.

A própria presença de "Felix do Mercado", Elbo Sodré, "Motinha" ou Álvaro e suas loucuras ébrias não destoava. Não afetava um centésimo de segundos sequer nas energias que haviam em torno das conversas. Fazia parte deste equilíbrio que Macaé tinha com sua gente e suas histórias... Era quase final do século...quase início de um mundo novo que iria abafar as nascentes, destruir praias, matar passarinhos, bitolar habitantes, prostituir pobres indefesas moradoras de bairros periféricos e elevar a cidade ao pedestal de sua auto destruição histórica.. Eram os últimos suspiros ecologicamente puros da cidade que viraria a Capital Brasileira do Petróleo.

Álvaro Paixão ainda caminhava com sua calma franciscana para o "hotel Brasília" que o fogo quis que se perdesse no tempo. As poucas ruas iluminadas não escondiam o medo. Faziam parte do silencio que a claridade podia interromper.

Era como que a meia-luz estivesse ali para anuviar os pensamentos e, com alguns vaga-lumes bailando, pudesse fixar na hora harmônica deste silêncio a beleza estonteante de centenas de mariposas que ao longe podiam se ver nos postes contados a dedo, nas noites que iam e vinham quase iguais mais que se diferenciava no toque alegre dos dias que nasciam.

Antes mesmo das revoadas dos pardais nas árvores que se avizinhavam nas ruas do centro, o "Félix Guarda" já vinha se aproximando do Café e sua velha e bem cuidada bicicleta Monark. Saudado por todos que habitavam a cidade no fim de mais uma tarde. Feliz nos deixou seus filhos Felinho, Amilton e uma menina de nome Therezinha que trabalhava na loja de Nilda ao lado do belas Artes. Ela hoje é proprietária de uma loja no centro da cidade e, se recorda das nossas andanças pelo velho Belas Artes e do próprio Cláudio, de quem conta passagens pitorescas e belas...

Doutor Silveira ainda andava por nossas mesas contando as suas descobertas nas terras de Glicério e as buscas por pedras preciosas que ele descobria a cada dia no distrito...Sempre acompanhado do vereador Manoel Jatobá que a tudo observava. Jociene ainda, elegantemente fardado, era o guarda da Rede Ferroviária e presenteou o nascimento de um bezerro num trem cheio bois que ia para Campos. Para não ser esmagado e morresse o bezerrinho, o velho e bondoso José Cordeiro Peixoto, o "Peixotinho da Estação", pegou e levou para casa. Deu o nome de "Felicidade" ao bezerrinho que foi criado na mamadeira até ficar grande. Sylvio Roberto dos Reis Peixoto confirma o fato e ainda afirma que, ele mesmo, deu muita mamadeira a este lindo animal salvo pela intuição afetiva e ecologicamente reikiana de seu pai.

Amilcar Quinan Macedo afirmava, quando de suas últimas aparições na Barbeadria do Fanor Monteiro que "Quando Peixotinho ia para estação o bezerrinho o acompanhava...

A cidade era toda cercada de ruas empoeiradas e nitidamente belas. Memórias de José Milbs de Lacerda Gama para o livro "O Pinguin da Rua do Meio. Editoria: www.jornalorebate.com

18.9.11

Filosofo, professor, macaense, marxista, timido como um menino curioso e rebelde, morre, vitima de enfarte, ainda jovem o primo DACIO LOBO JUNIOR...


Dacinho nasceu para ser professor, mesmo tendo seu pai como membro do magistério. Gostava de educar e sabia fazer com maestria e encantamento. Macaense, filho de um dos pilares mais eminentes da história de nossa região, ele brotou do tronco forte e vigoroso do velho Francisco Lobo que teve como esposa a minha Tia Santa...Acostumei-me a ouvir falar dos Lobos, fui assiduo frequentador da "CHACARA DE CHICO LOBO" , tomei muito Caldo de Cana na saudosa moenda tocada a mão que ficava uns 10 metros da escada da cosinha de uma linda casa antiga que tinha em seu enterior o aconchego das grandes energias. Dacinho nem pensava em nascer e isto foi nos anos 40 e 50 quando Macaé só tinha Chácaras e longos terrenos. Minha avõ tinha algumas destas Chácaras que, como a do Tio Chico Lobo, começavam onde é hoje a Avenida Ruy Barbosa e iam todos "se acabarem" na Linha dos Trens...Caminhei anos a fio, de mãos dadas com Alice Quintino de Lacerda, minha querida Dinda e Avó.
- "Bença, tio Chico, Benja Tia Santa.... era assim as presenças de pessoas cujas vozes, em harmonia com o divino, entravam em nossas mentes e ficavam encrustadas nas paredes lindas de nosso mundo mental. Mirnes, Dácio, Joca, as meninas Zelma e Zilma, Pingo, Pitico e Penha, seus tios e, todos contemporâneos, primos e amigos de minha mãe Ecila que me contava dos bailes tocados a manivelas onde o Mirnes Lobo, colega de farda do meu meu Djecyr Gama, fazia questão de ser o DJ... bons tempos, bons frutos que, semeados por toda a nossa região, estão ai para florescer belas espécies flores e frutos na eterna transformação dos seres e ana perpetuação da espécie que tanto encantou o velho Charles Darwin...Dacio Lobo Jr. vem deste tronco, irmão de minha querida Dionete e que se destacou no mundo das letras e da música onde se didicou com afeto e com competência. Fizemos grandes momentos de histórias. Conheci suas andanças na curiosidade do mundo, caminhamos um tempo lado a lado e fomos fundo na busca do conhecimento. Se tivemos erros sociais que não se sejam jamais julgados pela sociedade que ela jamais será juiz de experiencias havidas. Fomos fundo e buscamos a existência do ser e do não ser onde poucos voltam... voltamos cada um a seu modo de vida. Eu na "escritação" (inventei o termo) e ele na busca da querência filosófica.Nos bons tempos, das ciumadas dele com sua companheira dos anos 70 Tyrla, de quem tenho a mais profunda saudade, até os belos momentos como professor da fafima onde Lucia e tantas outras mulheres, beberam da água de seu ensinamento de vida e de experiencias...
Hoje, as 14 oo, neste domingo de sol e vento, soube por minha filha Aninha que a Yeda Moraes, sua ex companheira dos anos 80, havia ligado para Lucia falando da morte de Dacinho. Morre uma cabeça pensante, morre um pensador. Um homem que se orgulhava das pequenas coisas de sua terra. Lembro que ele teve um velho carro vermelho que, as vezes só pegava empurrado, carro que Dacinha se orgulhava de ter comprado de "Tizll" o engraxate... Falava como se este carro fosse alguma coisa levava toda uma gama de historicidade macaense no marcamento de suas andanças pelas ruas da cidade e do Bairro da Barra do Rio Macaé...Professor e aluno do Marxismo contenporaneo jamais se afastou da musica, da composição de textos musicais e da história...Afastado de seu convivio não seria eu a pessoa certa para fazer esta perpetuação de sua vida e morte no busca mundial de O REBATE. Mais fica a minha homenagem a este amigo que um enfarte levou. Jose Milbs de Lacerda Gama editor de O REBATE www.jornalorebate.com

16.9.11

Médico Farmacêutico, de tradiconal familia da Região de Petróleo, é morto covardemente em Macaé



Às 4 30 horas desta Sexta Feira, morreu o jovem Farmacêutico André Moreira dos Santos, como pouco mais de 40 anos. Voltando para sua casa, depois de um longo dia de trabalho em seu estabelecimento Verdes Fórmulas, teve sua vida interrompida pela sanha assassina e cruel de um motoqueiro que, mesmo depois de uma rápida discussão em pequeno abalrroamento no trânsito, atirou em seu corpo jovem num gesto frio e covarde.
André estava em companhia de sua espôsa Danielle Taranto, foi levado para o Hospital e, 8 horas depois,faleceu.
Membro de uma das mais antigas famílias ferroviárias da Região de Petróleo, era filho de Carminha e Argentino pessoas queridas em toda a cidade, principalmente na CEDAE onde cumpriram trabalho de suma importancia na vida comunitária.
Primo irmão do conceituado Médico macaense Aluisio dos Santos, atual Deputado Federal, o jovem André tem sua história de vida ligada aos meus queridos filhos e familiares. Amigo e colega de dois deles, Luis Cláudio e Aninha, era sempre visto, antes na Galeria Elias Agostinho e, ultimamente na Rua Euzébio de Queiróz ondd tinha sua loja de Medicamentos Manipulados.
A violência está tomando forma de um monstro em toda a cidade. Um trãnsito caótico, sem nenhuma fiscalização e ordem, vem criando stress em muitos que são obrigados ao seu diário uso.
A morte trágica de André tira de cena uma das pessoas mais alegres, simples de nossa cidade. Na simplicidade de seus gestos e sorriso de cordialidade sus falta irá acompanhar todos que, como eu, tinham sempre a cordialidade vindo de seus olhos de menino puro e comprovada competência funcional. Sobre ele, além de todos que conviviam, falou minha neta Mariana Gama de apenas 16 anos. "Vô que maldade. Ele só vivia rindo, esbanjando alegrias".
A tristeza de Aninha e o espanto de Luis Cláudio é o que este acontecimento, de profundo pesar, irá brotar em toda as pessoas que conviveram com este belo e alegre rapaz de nossas histórias...
A todos os familiares, todos meus amigos, desejo que o conforto seja tão grande como a gradiosidade desta perda.
Ao Argentino, Carminha, Gisele, Luiz, Aluisio, Danielle, Luciene e tantos outros que sofrem, os sentimentos de "O REBATE"" que torçe, do fundo do coração de seu editor,para que a sua chegada, onde quer que seja o seguimento da vida, tenha permissão para ser recebido por Izabel e Fabiane com as alegrias comuns das chegadas dos anjos...
Quem sabe isto venha dar um pouco de acalento a todos que, como eu e meus familiares, sofremos com estas jovem perda nas diabólicas mãos de um assassino frio e cruel...
A sociedade dividida em Classes continua a dar espaço para as seguidas violências em todos os setores da nossa vida.
Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com


Dilton Pereira fala da perda do André e teme pela violência dos governos...

"SOMENTE COMPARTILHANDO"
Misto de genro bem vindo e filho amado, André foi o filho homem que Deus não me deu pela via biológica, mas fez vir a mim pela via do amor.
Guardo na lembrança a tarde ensolarada em que abastecia o carro num posto em frente ao Banco do Brasil, quando Argentino (pai de André) abordou-me com a pergunta: "você sabe que meu filho está namorando sua filha e nós podemos vir a ser parentes?" A espontaneidade e a serena alegria de Argentino logo me cativaram, nascendo daí uma amizade mesclada de mútuo respeito.
A dor pela partida de André certamente nos unirá ainda mais; André foi uma dessas pessoas que deixam sua marca por onde passam, especialista em fazer amigos, fato comprovado pela impressionante afluência ao Memorial, nunca vista antes.
André foi mais uma vítima da inimaginável e insuportável onda de violência que infelicita nossa cidade, sob as vistas indiferentes de uma elite dirigente sem alma, entrincheirada em gabinetes refrigerados, cercados de "aspones", enquanto a população explorada e espezinhada se torna mera refém, a se perguntar: Quem será a próximo?
Macaé exala o odor fétido da corrupção e da falência moral daqueles que fazem da coisa pública um pasto para seus apetites insanos.
Quando será que esse povo despertará? Quando afinal terá a consciência do seu direito de viver em paz e usufruir de forma igualitária os benefícios da bilionária arrecadação que abarrota os cofres da municipalidade e escorre pelos ralos dos DAS, dos favorecimentos, do nepotismo, etc, etc, etc,..?
Uma voz ou outra não terá ressonância e só fará rir os poderosos e sanguessugas.
O povo desta terra precisa se unir e protestar, para que seu clamor ecoe e faça nascer novos tempos.
Já passou da hora!

(DILTON PEREIRA).

2.9.11

Emprego na Região de Petróleo. Informe de O REBATE e da TV O REBATE online


A TRANSOCEAN está realizando um processo seletivo para as plataformas que entrarão em operação. Quem está recrutando é a ICN Assessoria em Recursos Humanos. Para aqueles que não conhecem, a Transocean é uma multinacional com forte presença na indústria do Petróleo, sobretudo em Drilling (Perfuração), sendo uma das maiores do mundo nesse serviço.



Interessados, mandar currículo para:
transocean@icn.srv.br /macae@deepwater.com


ID: [340] CONSULTOR COMERCIAL
Preferencialmente cursando o Ensino Superior.
Trabalho com vendas para grandes indústrias.
Salário: Informar pretensão

ID [339] Deck Supervisor:
Experiência como Guindasteiro e Supervisor de Convés. Cursos: Sparrows
3, Movimentação de cargas. Carteira marítima.
Salário: Informar pretensão

ID: [338] Eletricista
Inglês avançado. Técnico em Elétrica com CREA.
Salário: Informar pretensão

ID: [337] Torneiro Mecânico
Inglês básico. Curso de eletrodo revestido. Experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [336] Mecânico de Produção
Inglês intermediário. Curso Técnico em Mecânica com CREA. Experiência na
função.
Salário: Informar pretensão

ID: [335] Moço de Convés
Inglês intermediário. Carteira marítima e experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [334] Marinheiro de Convés
Inglês intermediário. Carteira marítima na função e experiência.
Salário: Informar pretensão

ID: [333] Técnico de Laboratório
Experiência com análise de fluídos. Formação como Técnico em Química.
Salário: Informar pretensão

ID: [332] Operador de Produção
Inglês avançado. Superior em Petróleo e Gás ou Química.
Salário: Informar pretensão

ID: [331] Operador de Rádio
Inglês fluente. Cursos: GMDSS, Anatel e CNS 014. Experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [330] Almoxarife Offshore
Inglês fluente. Conhecimentos de informática e experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [329] 1º OFICIAL DE NÁUTICA / COMANDANTE
Inglês fluente. Cursos: EFNT / STCW / ESPO.
Experiência em empresa de produção de petróleo com carga e descarga.
Salário: Informar pretensão

ID: [328] Guindasteiro
Inglês intermediário. Experiência na função e curso de Sparrows 3.
Salário: Informar pretensão

ID: [327] Marinheiro de Máquinas
Experiência na função. Inglês básico.
Salário: Informar pretensão

ID: [326] Técnico de Segurança do Trabalho
Inglês fluente e experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [325] Analista Financeiro
Superior Completo em Ciência Contábeis. CRC ativo. Experiência
comprovada na função. Inglês avançado.
Salário: Informar pretensão

ID: [324] Mestre de Cabotagem
Ensino médio completo. Experiência na função. CIR com registro na categoria.
Salário: Informar pretensão

ID: [323] Coordenador de Materiais
Superior cursando. Experiência comprovada na função. Inglês fluente.
Salário: Informar pretensão

ID: [322] Marinheiro de Máquinas
Ensino médio completo. Experiência na função. Certificação apresentada
será verificada junto a Capitania dos Portos.
Salário: Informar pretensão

ID: [321] Marinheiro de Convés
Ensino médio completo.Experiência na função.Certificação apresentada
será verificada junto a Capitania dos Portos.
Salário: Informar pretensão

ID: [320] Técnico em Segurança do Trabalho
Curso Técnico de Segurança do Trabalho. Experiência Offshore. Inglês
fluente. Trabalho offshore/Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão

ID: [319] Coordenador de Departamento Pessoal
Formação Superior Completa. Experiência em empresas de grande
porte.Inglês fluente. Local de Trabalho: Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão

ID: [318] Analista de Departamento Pessoal
Formação técnica em contabilidade ou Superior em Ciências Contábeis.
experiência em empresas de grande porte. Inglês fluente.
Local de Trabalho:Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão

ID: [317] Supervisor de RH
Formação Superior Completa. Sólida experiência em todos os subsistemas
de RH. Inglês fluente. Local de Trabalho: Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão

ID: [315] Coordenador de Logística de Pessoal
Superior completo.Inglês fluente. Experiência comprovada na função.
Local de Trabalho: Rio das Ostras/RJ.
Salário: Informar pretensão

ID: [314] Enfermeiro do Trabalho
Formação superior em enfermagem. Pós graduação em enfermagem do Trabalho.
Experiência na função. Inglês intermediário. Para trabalhar embarcado
em plataforma de petróleo. Escala 14x14.
Salário: Informar pretensão

ID: [312] Técnico em Eletrônica
Formação técnica, registro no CREA, experiência na função atuando em
plataformas de petróleo.Inglês avançado.
Salário: Informar pretensão

ID: [310] HLO
Experiência na função. Inglês fluente. Curso de HLO.
Salário: Informar pretensão

ID: [307] Supervisor de Operações Marítimas
Superior completo. Conhecimento de Legislação de Embarcações.
Conhecimento de trâmites junto à autoridade marítima e Receita
Federal.Conhecimentos de Certificações de Marítimos – STCW e Norman
13.Carteira de Habilitação Categoria C. Inglês fluente. Local de
Trabalho: Macaé/RJ, com disponibilidade para viagens.
Salário: Informar pretensão

ID: [305] Mecânico
Formação técnica, experiência comprovada na função, inglês avançado,
registro no CREA.
Salário: Informar pretensão

ID: [303] Analista de Cargos e Salários
SuperiorCompleto. Experiência em descrição e implantação de Planos de
Cargos e Salários. Experiência na utilização da Metodologia de
Avaliação de Cargos (Ray, Ponto, Competências).Inglês intermediário a
avançado.
Salário: Informar pretensão

ID: [300] Inspetor END - Ensaios Não destrutivos
Inspetor de LP e PM qualificado pela Abende,disponibilidade para
residir em Macaé ou cidades vizinhas.
Salário: Informar pretensão

ID: [296] Engenheiro Subsea
Formação superior em Engenharia Mecânica, Eletromecânica ou
Eletrônica. Inglês avançado. Experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [278] Instrutores
Estamos selecionando profissionais para atuar ministrando treinamentos
operacionais, comportamentais, técnicos e comerciais.
Salário: Informar pretensão

ID: [206] Assistente Subsea
Formação: Técnico em Mecânica com ênfase em Hidráulica. Curso de
Subsea. Inglês avançado. Conhecimentos de BOP.
Salário: Informar pretensão

ID: [205] Mecânico de Sonda
Formação técnica com registro junto ao CREA. Experiência na função
atuando em sondas marítimas.Inglês avançado.
Salário: Informar pretensão

ID: [170] Eletricista Sênior
Ensino médio completo; experiência na função atuando em plataformas;
inglês intermediário; registro no CREA.
Salário: Informar pretensão

ID: [169] Técnico Eletrônica
Registro no CREA. Inglês avançado.Conhecimento de ROV.Experiência em
manutenção de equipamentos hidráulicos.
Salário: Informar pretensão

ID: [148] 1º Oficial de Náutica
Com curso de DP e Inglês Fluente.
Salário: Informar pretensão

ID: [87] Torrista
Ensino médio completo.Experiência na função.
Salário: Informar pretensão

ID: [64] Supervisor de Elétrica
Experiência comprovada.
Inglês fluente.
Trabalho offshore/Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão.

ID: [60] Operador de Lastro - BCO
Oficial de Náutica.
Trabalho Offshore/Macaé/RJ.
Salário: Informar pretensão.

ID: [52] Supervisor de Balsa
Ensino médio completo.Certificações.Experiência na função.
Salário: Informar pretensão.

O REBATE: Editor Jose Milbs de Lacerda Gama
TV O REBATE online www.tvorebate.com
__._,

28.8.11

Mataram meu amigo Zé Goiaba, Me ensinou o manejo das armas e a sobrevivencia nas selvas de pedras...



De sobrevivência em sobrovivencia finalmente, na covardia tão comum aos cornos da vida, tombou para sempre o corpo de meu amigo, visinho, companheiro de longas conversas e mestre no manejo das espingardas 32 que viravam 12 em suas maestrias mãos de velho caçador das selvas do Rio Bonito...
Zé foi um grande sonhador. Noites enluaradas no Bairro Novo Cavaleiro, antigo Bairro Mulambo, onde moramos, conheci este homem rude, nascidos nos sertões do Rio Bonito e que veio para a Região de Petróleo, como milhares de brasileiros, cansados dos "chicotar silecioso" dos senhores de terras que ainda infestam e mandam nos parlamentos do Brasil e nas Prefeituras. Veio, creio, com pouco menos de 30 anos. Mulher, 4 filhos, Luiz Carlos, Weliton e "Bicas" que se fizeram amigos de meus filhos, em especial o Zé Paulo. Tenho até um lindo texto que falo destas infâncias lindas destes nossos descendentes. Em a "cobra que espantam os adultos e fazem rir as crianças escrevi sobre eles que brincavam puxando uma linha e espantavam velhos peoes que caminhavam de volta dos "trampos" e sorriam ao "sustar-se" com a "Cobra" e se arremetiam as suas belas infâncias de antanho em longincos recantos deste Brasil tão sofrido e esplorado. Eram Zé Paulo, Luiz Carlos,Wwlliton e Bicas os autores desta momento mágico na vida de centenas de nordestinos e sulistas que pulavam de medo de uma cordinha fragil que trazia no seu final uma tira que, ao sublime encanto de um poste mal iluminado, dava penser-se ser uma cobra...
Pois é, mataram, no ultimo final de semana, o Zé goiaba. Dizem que foi um destes cornudos que não se resolve com as esposas e teimam e matar quel delas recebem um olhar de ternura como era o de meu amigo...
Zé acumulava sobrevivência desde que morava no interior do Rio Bonito. Lá, me confidenciava, havia também quem não gostasse de seu gingado e de seu olhar penetrante e de fácil entendimento para as mulheres...
Na região de petréleo, deixou um pouco as enxadas, o martelo, o arame farpado e a foice e se dedicou ao conhecimento e o trato com os tratores e os carros possantes. Vivia, ultimamente destas funções. Tinha casa comprada ao longo dos ultimos 20 anos, carro novo e gostava de trabalhar de maneira que passou para os filhos esta vertente de homem de luta...
Zé era eximiu conhecedor também da arte de manejar armas e, durante um tempo convivemos juntos. Me passava seus conhecimentos no carregamento de armas "pela boca", misturar polvoras, fazer cartuchos e tudo o mais que o homem precisa numa vida na busca da não vida. Só que eu não conseguia aprender a atirar o que ele era um mestre. Poucas vezes pude ver alguém com tanta sabedoria na busca de um alvo longe. Ria e lhe dizia:
- Zé Goiaba, meu negócio é escrever. E ele: É, mais pelo que vejo dizer que você escreve, seus dedos são também uma arma no manejo das teclas (Zé, com muita sabedoria não quis aprender a ler, e os filhos sempre liam para ele)...
Passamos bons momentos alegres e felizes. A distância nos últimos 10 anos não afastou o afeto que mantemos e nossas familias sempre se encontram nos cumprimentos alegres...
As mãos que sabiam mexer com as armas tinha também a suavidade angelical para manejar o plantio de flores. Foi de suas mãos que cresceu o belo Flamboyant que espalha melancólico suas pétalas avermelhadas no asfalto frio para serem pisadas e esmagadas por terríveis carretas que cruzam as Ruas desde antigo e bocólico Bairro do Mulambo.
A última vez que estive com o Zé, lhe deu uma rápida carona no meu Fusquinha 72 e lembramos desta linda e feliz árvore que está no RANCHO O REBATE onde moro e edito estas tristes linhas...
Na busca por mais uma sobrevência Zé tombou com 4 tiros, dentro do seu carro, no Morro do Carvão, numa noite de inverno. Dizem que pela mãos tremulas e covardes de mais um dos milhares de cornudos que crescem a cada dia no mundo do petróleo. Sua morte abre um espaço na região de minha saudade. Não aprendi a atirar com ele. Aprendi a gostar de sua santa ingenuidade cultural e de conservar seus filhos como meus amigos. Dizem que, se a Policia souber e quiser trabalhar, vai achar "mole mole" com dizem alguns.
Corre a boca pequeno na região que o Zé Goiaba, horas antes de seu covarde fusilamento, esteve num Bar em companhia de dois amigos de trabalho, tendo uma mulher no banco de tràs do carro. Seguiu para a morte e, sussuram os moradores:
- levando uma amiga de trabalho que lá no morre residia.
Seria bom dizer Descanse em Paz ou que a Guerra continua. Prefiro a 2a opção... A guerra continua nos dedos de quem não aprendeu atirar...
Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

Texto estraido do futuro livro O PINGUIN DA RUA DO MEIO de minha autoria onde falo na Cobra...

A cobra de corda que espantam os adultos e abrem sorrisos de vitórias infantis me fez, ontem, lembrar dos belos inexistentes nas pessoas que se adultam e perdem o sentimento puro das recordações infantis...

Meu filho de 13 anos estava puxando esta cobra com seus amigos em frente ao Sítio onde moramos... É um local cheio de homens aparentemente rudes e felizes que trabalham nas multinacionais do petróleo. Escondidos os meninos faziam a corda dançar em harmoniosos gestos de parecimento e vida que só as crianças conseguem numa corda negra, de formato angular, que acharam num lixo qualquer de uma esquina no bairro dos cavaleiros...

Fiquei a uns 100 metros depois dos passamentos dos peões que vinham para o jantar depois de um dia de trabalho e saudades de suas terras distantes....

São homens de todas as cidades e capitais do mundo que habitam este bairro, outrora uma grande fazenda da família de Luiz Lawrie Reid, escritor macaense que foi para São Paulo e de lá nos legou um dos maiores educandário que leva o seu nome...

Os homens são vistos pelas crianças a uma distancia razoável e, como numa guerra, preparam suas armas... Sorrisos em formação de gargalhadas que viriam na trilogia de seus gestos de meninos....

Os homens se aproximam... Roupas coloridas em macacões sujos em cores diferenciadas por empresas a quem se pertencem...

O raio de lua que se despede do outono/primavera dá um sentimento de frio que nos leva a gostar desta mutaçao natural que só homens de afloramento sensitivo e crianças como eles podem determinar neste momento de pura êxtase do ser...

Puxam, levemente e com a suavidade de dedinhos harmonicamente compassados a grande arma de brinquedo representada na cordinha negra e que brilha ao escuro de um poste mal iluminado... Homens pulam de medo e de pavor quando sentem o rastejar da bicha que roçam em suas botas e pernas... Três sorrisos altos de santas crianças se juntam as dos homens que voltam as suas infâncias e saem rindo de seus medos e recordações... Nenhum se volta bravo... Se amalgam a volta de um mundo lindo que, catucados pelo meu filho Zé Paulo e seus amigos William e Lorran, Luiz Carlos, Welinton e "Bicas" os colocam de frente com as próprias infâncias guardadas nas distâncias de suas cidades ...
Aí lembrei-me do amigo Antonio Ferreira da Silva, o "Bom Parodi" que consegue voltar as suas infâncias cearenses quando de meu diálogo com o Arthur da Távola na citação da saudosa e cândida tramela e o "Umbigo da Laranja Bahia"...

Quem não teve tramela nas portas cheias de frechas de madeira nobre, não brincou de cobra e não correu atrás de pipa voada, não pulou muro e roubou goiaba e jogou botão em varandas, perdoe-me, não teve infância nem foi menino na rua...
Quem valoriza estes momentos de infinitas belezas que só a gente percebe nas de raridades escondidas de nosso interior ? ... Voce já brincou como eles? Eu já...
Jose Milbs editor de O REBATE.

18.8.11

As chuvas de final de Inverno e o Ninho que cai na varanda do futuro poeta....


Mazinho, hoje é o dr. Osmar do Forun de Macaé. Osmar, seu pai, meu amigo e seresteiro dos anos 60....

Quando alguém pensa em fazer a história de Macaé, pensa nele mesmo, em sua vivência, seu tempo de histórias e sua memória. Tenho participado de algumas reuniões com objetivo de se registrar os Fatos havidos e vividos. Muita gente boa mais que pouco sabem das "raizes de antanho" (que termo esquisito esse, rs)...
Vou, na medida do tempo que ainda tenho e posso registrar o que acho de nossos vultos dos t] tempos havidos.
Hoje eu vi o Aroldo Meirelles, já com 88 anos de idade, de companheira nova e, por incrivel coincidência, na Padaria da Rua do Sacramento onde reinava, nos anos 40 e 50 o "Seu Celino".
A minha cabeça rodopiou e vi, com clareza toda a minha meninice chegar neste mágico momento. Arlodo me reconheceu e falamos de nossas amenidades passadas. Convidou-me pra ir ouvi-lo no Bar do Dodô, nos Cavaleiros. Era o mesmo Seresteiro de grandes noites...
Conversando com o amigo e médico Roberto Bueno de Paula Mussi, numa de minhas idas a Clinica, Roberto foi falando de sua meninice na Rua Julio Olivier. Lembrou dos carrinhos de Rolemâ que ele usava junto com Coracy Correa da Silva, meu primo que morreu na flôr da idade. Roberto tem uma grande memória e sempre que a gente pode, revemos os momentos macaenses.
Hoje republico o texto que fiz para o livro O PINGUIN DA RUA DO MEIO que estou bolando. Enquanto isso faço dele on-line para que as pessoas se identifiquem com minhas infâncias e, nesta idetificação, possam passar para os filhos e netos, suas pròprias meninices...

A FALA DE AROLDO MEIRELES O SERESTEIRO

Macaé rompeu o milênio e com ela o Velho seresteiro de 85 anos e um pulmão de fazer inveja. Aroldo Meireles chegou em Macaé nos anos 40, com o ele mesmo me disse, no dia 2 de setembro de l943 quando a cidade, ainda com nuvens de um sol meio tímido, recebia os acordes das madrugadas com as retretas da "Lyra dos Conspiradores" e da "Sociedade Musical Nova Aurora."

Eles vieram para a cidade e sua irmã casou se com uma família tradicional da Rua do Meio. Casou se com Décio Viana, filho de dona Maria e de seu Bráulio que moravam perto da cocheira da Prefeitura onde a gente jogava futebol. Esta cocheira ficava a uns 30 metros da Praia de Imbetiba ainda sem muralhas, sem pedras sufocantes e navios jogando cocos e mijos internacionais.

Conta que, depois, se casou com sua atual e sempre companheira que era filha do ferroviário" papa-capim" que, também, era pai de "Waldyr Mergulhão" que toda a cidade conheceu nos bons tempos de mergulhos no "Rodrigo" e nas "Pedras do Hotel de Imbetiba"

Com Célia Viana Meireles ele teve l0 filhos dos quais apenas 5 sobreviveram a uma vida de luta e de dificuldades cujo sustento vinha como Lustrador da Marcenaria do "Manduquinha", "pater-mater" de toda musicalidade desta cidade de sol aberto e luar tímido.

Aroldo, é filho de pais também ligados a música. Seu pai violeiro e sua mãe cantora de Igreja em Cabo Frio.

As noites macaenses já se acostumaram com este homem de corpo extremamente franzino, cabelos brancos, corpo arquejado, de pele enrugada e deliciosamente pura e quente que canta músicas de Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Dorival Cayme, Carlos Galhardo, Chico Alves e Ary Barroso.

Senhor de um domínio fora do comum de palco, sua voz já harmoniza- se com a divindade em tardes noites durante anos a fio. Aroldo não canta ele se faz veiculo da voz. Não tinha e não tem lugar certo para encantar as pessoas. Canta em bares, casas noturnas, boites e cantarola nas praças quando busca tomar conduçao para sua casinha simples no Bairro de Aroeira.

Da rua do Meio recorda de "Meca"o ferroviário que gerenciava a saída do "Bloco do Independente" e sorri de amor em canto de lábio maneiro quando se refere a "Titinha" nossa "Mãe do Samba dos anos 40". Ele me concedeu este entrevista quando fazia Niver e me viu sentado numas das bocadas da noite macaense. E continuava a falar o seresteiro:

OS MEIRELLIS

Orgulha-se de ter l5 irmãos, todos Meireles vindos de Niterói, uma família que ele diz não ter nada com os Meireles de Ricardo e de Carlinhos. Eles são meus amigos, me aplaudem quando canto mais sua genética é outra, fala orgulhoso de seus ascestrais.

Sua fala ainda mantém o brilho das madrugadas e de um corpo que dificilmente será tombado ainda. Uma mente privilegiada ele tem suas histórias ligadas as essências macaenses e mantém a velha dignidade dos grandes da noite.

Aroldo ainda é dos poucos que chama de "Pinguin", um apelido que soa ainda com gosto de meninice e afeto.

De sua voz sai sonora e faz com que a classificaçao dele de "O velho Pinguin da Rua do Meio" me jogue no lindo labirinto alegre e feliz nas lembrança de meus tempos de menino na Rua Doutor Bueno.

Aroldo faz parte de um tempo onde reinava o bom gosto das vozes de Osmar Rocha, pai de "Osmarzinho do Cartório das Pequenas Causas".

Osmar ornamentava as noites de Domingo no Ipiranga onde Armando Marconi, que morava no Hotel Tupã na Praça Veríssimo de Mello, fazia com que o piano tivesse entrada sem porta nas articuladas junções dos auditivos desta época de amor e brilhantismo.

Às vezes Osmar chegava meio atrasado para finalizar as tardes noites e o velho Armando se impacientava e repetia músicas que eram sempre acompanhadas por Charutinho, Dulcilano e Shirley Sampaio.

"Cansado de Tanto amar.
Eu quis um dia criar.
Na minha imaginação...
Dei lhe a voz de Dulcinéia.
A malícia de Frinéia
E a pureza de Maria...
Em Gioconda fui buscar.
O sorriso e o olhar.
Em Dubareix o glamord...
E assim, de retalho em retalho, terminei o meu trabalho,
no meu sonho de escultor.
E quando cheguei ao fim...tinha diante de mim...
Você, só você, MEU AMOR"....

Está chegando ao fim esta Acontecência. Finalizando afirmo: ouvi Osmar Rocha cantar Nelson Gonçalves e e vi Nelson, sentado na minha mesa, na "Fazenda Meu Descanso" do ex- deputado Carlos de Freitas Quintella aplaudir e abraçar Osmar Rocha e Aroldo Meirellis pelas lindas vozes na noite das serestas macaenses..

Nelson Gonçalves e seu filho Nelsinho estavam em minha mesa e pude olhar nos olhos do velho seresteiro a felicidade em ter sido clonado tão bem.

Era lá, na fazenda Deputado e Seresteiro Carlos de Freitas Quintella, que se completava as noites macaenses nos anos 60. (Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com





Por um ninho que cai... ventos, ventanias, chuvas...
Crônicas de José Milbs
José Milbs
EU, POETA?
Foram se os Cabelos Negros, vieram os Brancos...
Foram-se as duvidas...
Vieram as certezas...
Na duvida do nascimento do amor... A certeza do seu nascimento....
A existência das dúvidas em verdades vividas...
Haveria certeza nas dúvidas puras das infâncias?
Ou seria a 'duvida a eterna das nossas incertezas ( José Milbs, futuro Poeta)...
?

Muitos textos que fiz se foram nas ventanias da vida. Muitos foram publicados no velho e resistente "O REBATE" no decurso destes 50 anos. "POR UM NINHO QUE CAI foi um destes que deve habitar algum arquivo de alguém que gosta de guardamentos.

Neste uma falava as chuvas de inverno, ventos uivantes, balanceamento de árvores aqui do Sitio onde moro. Revia a luta de um casal de rolinhas que, aconchegados aos sews filhotes, fazia frente as trovoadas e relâmpagos que, abusando das forças maiores da natureza, objetivam jogar por terra os filhotes. Debalde, falei da luta das Rolas. Uma rajada de vento, que até molhou as lentes de meus óculos, levantou e atirou longe os filhotes.

Não sei se rolinhas choram. Eu praguejei a natureza. Por que que logo os filhotes? por que não foi, com seu vento forte e seus raios, atingir quem mata Nascentes, Cimenta Rios e matam animais indefesos?

Neste meu texto POR UM NINHO QUE CAI falei também das gotículas das chuvas criadeiras de Agosto e final de Julho que faziam brotar as mais lindas sementes que ficam no chão...
Entendia, neste texto, o que era de fato a transformação do vital. Desde lindo circulo natural de vida e morte...

Hoje, meu filho Luís Cláudio me diz que um ninho tinha caido da soleira da casa onde habitamos. Dizia que neste momento se lembrou deste que originou esta lembrança...

EU, POETA?
Foram se os Cabelos Negros, vieram os Brancos...
Foram-se as duvidas...
Vieram as certezas...
Na duvida do nascimento do amor... A certeza do seu nascimento....
A existência das dúvidas em verdades vividas...
Haveria certeza nas dúvidas puras das infâncias?
Ou seria a 'duvida a eterna das nossas incertezas?

17.8.11

EX PRESIDENTE DA CAMARA DE VEREADORES DE MACAÉ, RUBEM GONZAGA DE ALMEIDA PEREIRA E É HOMENAGEADO POR AMIGOS

restabelecendo sm sua casa o ex vereador Ruben recebe visitas de amigos com o carinho e o conforto de seus familiares....

RUBENZINHO VIVE, VIVA RUBEN GONZAGA DE ALMEIDA PEREIRA. ' O REBATE ' FALSO SOBRE SEU FALECIMENTO CORREU NA CIDADE O QUE NOS LEVOU AO TEXTO ABAIXO. ASSIM COMO OUTRAS QUE SURGEM SEMPRE NA PREOCUPAÇÃO DE AMIGOS E PARENTES. RUBEN ESTÁ VIVO E SE RECUPERA EM COMPANHIA E SEUS FAMILIARES,,,( Jose Milbs, editor e amigo )...

9.8.11

MORRE EM MACAÉ JUCA ANDRADE MENINO QUE FEZ HISTÓRIA E DIGNIFICOU UMA EXISTENCIA COM O BELO HERDADO DE SEUS PAIS CENI E BRAULIO





A Noticia chega como sempre chega. Pessoas queridas sabendo das amizades falando de perdas que se sucedem no curso da tênua vida. Juca Andrade já vinha sofrendo as dores das doenças mais nunca se deixou abater. Sabia que, cedo ou tarde iria sair do Palco da Vida para habitar lugares que não sabemos onde nem como existe. Fato é que manteve a calma, conservou a beleza fisica, herdada de Ceni e Braulio e sempre estava ali para suas longas conversas e despedidas...
Juca era um dos últimos amigos de meu irmão Ivan Sérgio que ainda tinha o sabor do belo das amizades que somem no tunel do esquecimento.
Chamava-me de Milbinho e Ivan de Ivanzinho. Meus filhos gostavam dele. Especialmente o mais jovem Jose Paulo que sempre que era menino ainda gostava de ir lá se deliciar com seus Churrascos de Madalhão e seus cumprimentos ALEGRES E AFETIVOS...
Ceni e Bráulio perdem mais um de seus mais belos descendentes. Se foi a alegre Rita e o queridissimo Braulinho. Sei lá mais acho que tem algúem em algum lugar que gosta de levar as boas coisas aqui da terra para enfeitar e animar outros mundos distantes. Deve ser isso mesmo...
O REBATE sofre mais uma baixa em seus leitores e amigos. Sofre e se une a saudade de seus pais, da irmã Lalu e também da sua querida Lucia Helena Gama companheira e amiga que agora fica com a ausência fisica do belo amigo Juca...
A Saudade tem alguma coisa ligada com o Belo. A beleza que flui do carinho e do confortamento que brota em cada ato e em cada gota de lembrança.
Domingo, dia 7 de agosto, mais ou menos umas 11 hs da manhã eu passei pela Rua do Sacramento com o meu Fusca 72. Em frente da Casa de Ceni eu vi Carminha entrando pelo portão. Pensei cá comigo: - Vou mexer com ela. ia parar o carro, não fosse alguma moto que me fechava, pra brincar e dizer:
- Aí Carminha, já vai pegar a bóia de Ceni, né?...
No outro dia, ao conversar no Face com uma das filhos de Nelson Carvalhaes, Lia Marcia,soube da morte, na madrugada, de querido Juca Ferreira Andrade...
Transcrevo um texto de um livro que nem sei se vou publicar impresso mais que está, gratuitamente, no O REBATE. Falo das belas histórias do PINGUIN DA RUA DO MEIO e de suas vivências...

MEU QUERIDO IRMÃO IVAN SÉRGIO DE LACERDA GAMA, AMIGO DE JUCA E BRAULINHO...
Ivan disse...Caro Milbinho:
Ao ler "coisas da Rua do Meio" lembrei-me de outros personagens e fatos de minha infância que, quando você tenha espaço, poderiam ser citados :
- A chácara de Dr. Marques (roubávamos frutas e recebíamos tiros de sal grosso).
- Meu amigo Tadeu (irmão de elmo , Bibinho grandes jogadores de futebol).
- O MINA apelido do hoje importante Dr. Nelson filho de Elza e Sgto. Darci
- Dona Pequena e o seu filho que não me lembro o nome.
- A casa de Tio Jonas e Tia Ondina (quintal imenso e que Dinda guardava os lençóis etc. e que eu coloquei fogo tentando acender o nosso fogareiro JACARÉ de querosene queimando inclusive suas lingüiças que ficavam penduradas no teto da cozinha). (levei muitos cascudos de Djecila e Marly (mulher de Helan)).
- De Estela e Seu Gualberto (avô de Gualbertinho professor de karatê e Estelinha além de Área e Gualter (vinham do Rio de passar Férias)).
- Néinha que patrocinava as corridas entre nós os moleques da época. ((Não lembro o nome do pai e da irmã dela) moravam ao lado da casa de Rubens Patrocínio)
- Renata (Pelé) irmão de Rubinho Patrocínio e Rosilda)
- Sueli e irmãs filhas de D. Jacira e Pires
(A grande amiga e vizinha de Dinda - Dona COTINHA (eu visitava todas as vezes que ia a Macaé) mãe de Mariazinha, Hélia, Nenê etc.)
Dona Durvalina que furava nossas bolas quando caia no seu quintal.
A casa de Tia Doca , Zezinho, Tereza (nossa grande amiga e protetora das estripulias de todos os sobrinhos e primos. O Cuchicholo de Eliete (que sempre cabia mais um) de Antonio Fino , Eduarda e Clarinha)
De Dona Lalate seu Thiers (Mazinha . Cléa)
De Seu Celso (gato de botas) e dona Enedina (pais de Oberlã e Lourdinha)... As peladas, jogos de botão com Juca e Braulinho...
- De Renatinho (primo de Lúcia - filho de dona Nina e seu Renato) que passava carnaval em Macaé hoje dona da CARMIM em Sampa. (implicava muito com Duduzinho irmão de Lucia).
- (Das idas na praia da fazenda de Amphiilóphio Trindade) Lucia tinha a Chave.
- Dona Nizinha Prata que roubava na víspora.
- Tia Enedina Gama (que implicava com tudo) Tia Elça E Tio Salime Salomão (a bondade em pessoa) Badra
Alguns fatos e personagens fora da Rua do Meio mas, importantes na minha vida
Beijos
Ivan



COISAS DA RUA DO MEIO II UMA VIAGEM AO REDOR DA MENTE...
Domingo estive na Rua Doutor Bueno que, na minha infância tinha o nome de Rua do Meio. Quem criou este nome foram os velhos ferroviários nos anos 30/40 quando iam, pelas vielas e pequenos trechos feitos com picadas de pés e mãos, até a Estrada de Ferro de Imbetiba. Era ali, banhado pelo sabor dos ventos dos mares bravios da Praia de Imbetiba e soprada pelos frios aromas das marezias que entravam pelas narinas humanas e refrescavam as mentes.
Ventos que saiam das Ilhas Nativas e iam ao encontro dos humanos destes anos felizes de uma cidade alegre e dorminhoca...
Vai dai que relembro este texto:

Coisas da Rua do Meio II
Ruas: Poça, Igualdade e do Meio
José Milbs
A rua do "Meio" não tinha o nome de Dr. Bueno. Era do Meio porque só haviam duas picadas que levavam os moradores até a praia de Imbetiba.
Uma picada era pela rua da "Poça", hoje Luiz Belegard, homenagem ao engenheiro francês que projetou Macaé e a picada da rua do cemitério, hoje rua da Igualdade. Não havia ainda nenhum calçamento e as árvores abrigavam sombras até a praia.
Num livro que fiz de crônicas, afirmei que as ondas do mar vinham até nossas casas. Reafirmo. Ali onde hoje tem uns prédios de Atendimentos Médicos tinha formação de areias que o mar trazia nas lindas e românticas tardes de ressaca.
Thiers Pereira de Azevedo, Aluisio Andrade, Seu Oswaldo, Benildo Amado, José de Moura Santos, Benedito Gama, Celso Barbosa, Elso Froes (Pudim), Erotildes Monteiro, Darcy Pires, Lulu Pinto, Rubens Patrocínio, Sebastião da Silva Rosa, Tião, Sargento Pires(pai) , Seu Roberto. Simário, Meca, seu Demistoclates todos homens que faziam a história desta Rua com suas famílias e seus amigos. Digamos que estes são os verdadeiros pilares desta Rua...
Como não deixar que fixe na memória a doce presença de doutor Manoel Marques Monteiro e a sua dona Santinha Barreto Monteiro? Seus filhos "Alaydinha" e Geraldo que, estudando em Campos o segundo grau, vinha sempre em ferias e brincávamos na chácara que ia da Rua do Sacramento até a Rua do Meio.
E o negro "Pavuna" .que nos fazia as vontades em frutas colhidas sempre prontas e deliciosas?
Seu "Pavuna" era um remanescente das bondades humanas e residiu em Macaé nos meados dos anos 50 e 60. Poucas pessoas tiveram o divino prazer de conhecer sua figura arquejada e bela. A sua bondade, estraída do olhar cimentava se na gentileza da fala, que ao sair, entrava por nossa existência e deitava em nosso entendimento de criança como fórmula mágica de falas dos contos infantis, e noturnos, que tanto se diz nos Contos de Fadas. Pavuna era mesmo um mágico. Um Negro Mágico saído e vivido ...
Geraldo cresceu e se casou com "Alicinha", filha de Carlos Maia e Lucy e irmã de Beth. "Alaydinha" se casou com "Paulinho" Barreto filho de dona Hilda e seu José da Cunha Barreto. Uma mistura de Barretos que espalhou ainda mais estas duas famílias tradicionais de Campos e Macaé.
A vida nesta Rua tinha mesmo o frescor de brisa cheirada a rosa e peixe fresco. Vez ou outra uma ida a rua do Cemitério para jogadas de peladas no campinho em frente a casa de "Cabo Frio" de dona Sebastiana, perto onde mora hoje "Paulinho Ligeireza", Paulinho Cara de Vaca", "Calombo" e "Otinho". Outras vezes uns pulos e nados nos "Paus da Praia do Forte" nos fundos da casa onde morava Maday de seu Barbosa. Seu Barbosa ainda mantinha a simpatia no sorriso dos primeiros nordestinos vindos para cá. Mais tarde foi porteiro do Tenys Clube e fazia vistas grossas nas nossas entradas furtivas nos Bailes de Carnaval pulando pelos muros da "Vila São José"
Falar nisso, será que ainda existem os famosos "Paus da Praia do Forte" que serviram no passado para amarração de barcos e que a meninada ia a nado contando os troféus de cada "pau" que se conseguia chegar em braçadas leves e pequeninas?
As vezes que tenho ido nas cercanias da Praia do Forte e passo pela verdadeira Rua de Pedra do Litoral do Estado, vejo dezenas de casas tampando o acesso aos saudosos "Paus" de nados infantis de centenas de contemporâneos. Será que ainda existe como inexiste, em seu formato e forma o "Farol Velho de Imbetiba"? Tinha vontade de saber, Talvez Cláudio Santos, que mora por perto ou mesmo os "Camolezes" me informem um dia.
Quem sabe os freqüentadores do "Bico da Coruja" possam dizer desta curiosidade cristalina.
2
'IVANZINHO
A memória e a tentativa de transpor o imaginário e faze-lo fluir para os dedos e, destes, formalizar algo que possa ser lido é a maneira que busco encontrar de uma forma especial sem me preocupar com detalhes de datas. Até porque nunca fui muito de guardar datas e números. Por isso é que quando me irmão Ivan Sérgio, que, atualmente mora em São Paulo, lembrava que a Rua do "Meio", no seu tempo de criança,, em época de ressaca, o mar jogava água na frente de nossa casa eu disse a ele que "no nosso quintal, se achava conchas e pedras brancas trazidas pelo esverdeado e puro mar de minha infância".
As ondas quebravam onde tem hoje um horroroso muro de cimento e vinha abrindo a sua passagem natural até onde a natureza lhe permitia ir. Passava ainda com força pela casa de Nascimento, ia se revigorando nas descaídas da Rua em frente a casa de Dona Maria de Seu Bráulio, pai de Icinho, Dalci, Décio e Delvan , fazia contorno em espumas, ainda moribundas e límpidas, na frente da casa de Titinha e Cecéia e ia morrer, lenta e graciosa na minhas casa e nas casas de Pequenino e seu Rubens. Podem perguntar a quem tem mais de 60 anos.
Hoje a Praia de Imbetiba não existe. Ou melhor se transformou num imenso cais onde se espera, a cada instante, um grande vazamento que a transformará mundialmente em mais uma destruição que a busco de algo que acabará em breve. Alguns milhares de dólares serão pagos ao município que, por sua vez se calará, terá um prefeito qualquer homenageado com jantar e passeios de Helicóptero e a cidade se esvaindo, esvaindo aos poucos do que lhe resta de belo.
O mar foi domesticado e nas águas teimosas, ainda esverdeadas, se pode ver cocos, óleos, estopas e cheiro de mijo em uma areia que, não recebendo as ondas do mar para lhe banhar, virou terra amarela e suja. Antes eram os Carangueijos, Ciris, Tatuis e larvas que lhe faziam o belo da existencia. Hoje são ratos, baratas, mosquitos que ornam a destuição humana neste lindo recanto de belezas antigas.
Ainda se pode ver alguns nativos corajosos se banhando nas águas de Imbetiba no inicio deste século.
Ivan Sérgio, meu irmão menor, brincava com "Fernandinho", Matheus, "Mundinho", "Nelsinho" de Irene e Darcilio , com "Nelsinho", "Beto", Eduardo de dona Elsa e Darcy, Hermínio e Enir de Seu Elias do Hospital, "Zé Pretinho" de seu "João Gordo", com "Manoel Juca" de seu Salvador, com "Braulinho", "Juca" de Ceni e Bráulio e vez ou outra com os maiores que eram de minha turma.
As peladas eram no "Campinho do Areal", no "Campinho do Cemitério", e no "Campinho da Cocheira" e muitas das melhores e animadas peladas eram em plena rua com tamancos servindo de traves e jogadas com "bola de meia".
Ivan teve uma linda infância como todas as nossas. Hoje ainda volta as nossas ruas e, em busca de seu passado, corre as casas das ruas que lhe viram menino nas ruas empoeiradas de Macaé. Assim como o autor ele conserva o Sitio que nossa mãe Ecila nos deixou com a recomendação de que "todos seus descendentes façam suas moradas e que nenhum de seus netos e bisnetos fiquem sem algum pedadinho de terra para plantar e morar". Desejo que estamos mantendo...
3
AS NOITES DE LUAR
Um dia quando se fizer a história do belo das ondas bravias da praia de Imbetiba, teremos que dizer do pecado que foi transformar essa linda praia, única de areia grossa no litoral, em píer de petróleo.
A beleza das noites de luar de Imbetiba e seus vaga-lumes deram lugar aos pisca-pisca de barcos multinacionais.
O voar -livre de tesoureiros e gaivotas foram substituídos por helicópteros, cocôs de gringos e plásticos que passaram a boiar tranqüilamente nas ondas domesticadas por enormes pedregulhos. Seria este o fim do amaldiçoamento de Coqueiro ou o verdadeiro começo do amaldiçoamento?
Imbetiba de tardes de verão e aconchego belo não existe mais. Ë um amontoado de lamas, plásticos e gente que nem "Bom Dia", "Boa Tarde" e "Boa Noite" sabem existir . As casas onde moravam os primeiros veranistas vindo de Campos, como o simpático Pereira Pinto, com sua elegante roupagem e bengala de madrepérola, não existem mais. É um amontoado de guetos, prostíbulos e barracas de mal gosto. Aquele correr de casas que ficavam fechadas durante o ano e que se abriam nos meses de novembro até março e que nos trazia lindas e belas campistas estão abarrotadas de lixo e a espera da abertura do novos rend_vous que, mansa e delicadamente vai sendo feito sob os olhares "complacentes" das autoridades políticas e policiais.
É final de anos 2007 e inicio de 2008 onde as historias contadas na Orla da Praia são outras diferentes das contadas por nossos pais e avós. São historias misturadas com AIDS, Drogas e corrupção de menores que se amalgam a gringalhada maluca que desce nos navios ancorados ao longo da ilha do papagaio.
É a Praça Mauá bem ao modo Tupiniquins com cheio de óleo, coco e mijo internacionalizado...
Estava este texto pronto para enviar para publicação quando recebi de meu querido irmão, Ivan Sergio de Lacerda Gama, o e-mail que publico abaixo. Ele tem 12 anos a menos que eu. Nasceu no Bairro de Jacarezinho, no Rio de Janeiro onde morava eu com minha mãe. Claro que ele não se lembra mais foi muito paparicado no bairro. A gente morava num casa de esquina, perto do morro, com uma praça em frente. Era um bairro calmo mestes anos de 1950. Todos os moradores se cumprimentavam como qualquer cidade de interior. O Rio de Janeiro era um lugar feliz de se viver nestes anos. Nossa mãe trabalhava na Escola Nacional de Musica, na rua do Passeio e na Universidade de Brasil na Urca. Quando Ivan ai, na Escola de Musica era uma festa. Ivonildes Sodré e outras mestres desdes anos de luz e paz faziam passeatas com ele mo colo. Subia e descia a linda escada de "Pinho de Riga" que ornava o local. Quando ele era levado para Escola de Educação Fisica e Desportos na Urca a alegria era a mesma. Desde Pelegrino Jr a Pedro Calmon era uma só alegria. Claro que eu ficava meio de lado nestas homenagens. Tinha já 12 anos...
Ivan veio morar em Macaé e vim junto. Ele tinha 8 meses e nossa Dinda, minha avó Alice Lacerda, a meiga Dona Nhasinha, criou a gente... Texto de livro O PINGUN DA RUA DO MEIO em construção) José Milbs de Lacerda Gama editor.