Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

30.6.08

MENINO CRIADO NAS RUAS EMPOEIRADAS DE MACAÉ É MORTO POR PM NO RIO DE JANEIRO

MENINO CRIADO NAS RUAS DE MACAÉ E QUERIDO POR TODOS É MORTO COVARDEMENTE POR PM NO RIO DE JANEIRO

Daniela Duque morou em Macaé e, como minha filha Ana Cristina, tem 38 anos. Alegre, seu filho Daniel Duque, ainda pode sentir a brisa do Mar de Imbetiba e correr feliz nas ondas da Praia dos Cavaleiros. Assim como meu outro filho José Paulo, 18 anos, ele tinha sonhos e belas coisas para contar em suas voltas a casa. Menino mesmo, criado para servir ao próximo e jamais ousou ser violento. Seu avô, Duque, meu contemporâneo quando a Região de Petróleo ainda engatinhava no progresso. Daniela herdou do velho Duque a beleza do olhar de menino e transferiu para o pequeno Daniel a beleza no seu semblante de menino.

Todos os moradores de Macaé sabem o quanto era pacifico e calmo este menino, saído de nossas ruas empoeiradas. Que revolta sentimos ao saber que o PM que o matou diz, via seu advogado, que ele agiu em legitima defesa. Que defesa? Onde um anjo pode, na plenitude de seus 18 anos, oferecerem perigo a um canalha armado que deve ter sido educado para ser cão de guarda?

“Segurança do filho de um membro do Ministério Público”. Que exemplo de segurança estão dando a estes privilegiados? Em nome de toda a comunidade da Região de Petróleo O REBATE se solidariza com a família do menino morto.

Meu filho Luis Cláudio, 40 anos, amigo de "Totza", irmão de Daniela chora triste a perda que esta morte causou em toda a nossa região. Eram amigos, Luis Claudio, Guto Garcia, Cássius, Andre e tantos outros de uma geração que está triste com tanta brutalidade vinda de um PM que deveria ser educado para o bem...

A dor da perda de um filho

Mãe de Daniel, assassinado na porta de uma boate em Ipanema, diz que “vive como se tivesse uma faca atravessada em seu coração”. Ministério Público vai abrir inquérito para investigar o caso

- “A sensação é de que uma faca está atravessada no coração”. Desde a manhã de sábado, a designer de bijuterias Daniela Duque, 38 anos, parece anestesiada pela dor. Agarrada ao escapulário de prata que o filho usava, o estudante Daniel Duque, 18, assassinado na porta da Boate Baronetti, em Ipanema, ela se perde no tempo verbal. Fala do jovem com se ele ainda fosse entrar pela porta do apartamento e chamar pelo seu nome. No sofrimento, está o lamento de que a tragédia aconteceu justamente no bairro que escolheu para morar por acreditar que a família estava mais segura. “A única coisa que me motiva e que eu vou fazer justiça por ele”.(Christina Nascimento)

Desespero e revolta no enterro de Daniel.

“Quando ele saiu para ir à boate, ainda disse: ‘não tranca a porta, mamãe, porque vou dormir em casa’. Se eu soubesse que seria a última vez...De madrugada, acordei, e fiquei pensando nele, parecia que estava pressentido alguma coisa”, desabafou. Daniel foi morto com um tiro de pistola 38, disparado pelo soldado da PM Marcos Parreira do Carmo, que fazia segurança do filho de uma promotora. Esportista, remador, jogador de pólo e squash, o jovem, freqüentador do Posto 9, de Ipanema, acabou sendo vítima do que mais temia: a violência.

O PM, que confessou o crime, está preso e vai responder por homicídio. O Ministério Público vai instaurar um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias em que ocorreu o caso. O procurador-geral de Justiça do Estado, Marfan Martins Vieira, explicou que a apuração independe do processo criminal e que se for comprovado desvio de conduta e falta de cuidado, o policial será devolvido à coorporação. Acrescentou ainda que o uso de segurança é absolutamente necessário, como no caso da promotora cujo filho se envolveu na confusão. Ela é vítima há sete anos de ameaças do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Há dez dias, uma escuta ambiental no presídio onde ele está, em Campo Grande, revelou outro plano contra a promotora.

Os amigos da vítima contam que o soldado mirou a arma na direção do estudante e que a confusão começou dentro da boate, depois que um amigo de Daniel foi expulso do local após esbarrar num segurança. Ao sair da Baronetti, o grupo de Daniel teria sido atacado por uns dez rapazes. “Se eu tivesse no lugar dessa promotora, a primeira coisa que faria, como mãe e representante de um cargo público tão importante, era pegar o segurança e meu filho e levá-los para a delegacia”, afirmou Daniela.”

22.6.08

COSME O ANDARILHO DO BAIRRO N S DA GLÓRIA

Sempre que vou ao Bairro da Glória, na cidadezinha de Macaé, litoral do Estado do Rio de Janeiro eu vejo o Cosme. Sentado em uma calçada, alegre, rindo para si mesmo e auto conversando. Me acolhe ao longe com um lindo sorriso que brota e seus lábios desdentados e da flacidéz alcoolida de sua face sofrida. Pergunta por meu filho Luis Cláudio que sempre otratou com carinho e afeto. Sua perambulação é constante. No sorriso deixa transpereer o belo de seus olhos puros de menino das ruas sofridas. Maltrado ali, expulso de acolá poucos sabem de sua capacidade de trabalho de de uma familia que deixou para trás. Tristeza que ele procura esconder das garrafinhas de cachaça braba que é vendida nos botecos. Cosme está totalmente tomado pelo alcool mais sua mente, em relances de lucidêz me fez lembrar do ÉBRIO do Vicente Celestino o qual sua história se parece. (José Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

O Ébrio

Vicente Celestino

Composição: Vicente Celestino

Recitativo - Falado : Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo

21.6.08

De um blog amigo para os meus amigos. Temalque merece nossa reflexão...

http://www.portaldomeioambiente.org.br/

Conflito entre índios e brancos na Raposa Serra do Sol

vira tema de documentário inédito na TV Cultura

19/6/2008

“Luta na Terra de Makunaima” é apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, que ouviu os principais envolvidos no conflito

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol é um obstáculo ao desenvolvimento do estado de Roraima? É uma ameaça à soberania nacional? A demarcação desrespeitou o direito de quem nela vive? Apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, o documentário inédito “Luta na Terra de Makunaima”, que será exibido pela TV Cultura na próxima segunda-feira (23/06), às 20h30, retrata o conflito entre brancos e índios no norte de Roraima: a luta pela terra, o embate entre o progresso impulsionado pela agricultura e a sobrevivência do modo de vida dos povos indígenas.

Recentemente, a equipe da TV Cultura, liderada por Azenha, visitou a área da reserva. De Boa Vista à fronteira com a Guiana ou com a Venezuela, ouviu os principais envolvidos, sejam eles arrozeiros, políticos, autoridades públicas ou lideranças indígenas. Através dos depoimentos, o programa pretende jogar luz sobre temas como soberania nacional, desenvolvimento, influência estrangeira, preservação do meio ambiente, entre outros. Argumentos ecoados nas manchetes dos jornais são confrontados com a realidade da Raposa Serra do Sol e de quem precisa da terra para se desenvolver.

Gerência de Comunicação Corporativa da Fundação Padre Anchieta
Denise Pragana (Gerente de Comunicação)
Alexani Barbosa
Elisa Fernandes
Vânia Barboni
(11) 2182-3267/ 3268/ 3281/ 3282

Fonte: Assessoria de Imprensa

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----- Original Message -----
Sent: Tuesday, June 17, 2008 3:30 PM
Subject: Re: [REBIA Nordeste] [BECE-REBIA] 1414 TV CULTURA - RAPOSA SERRA DO SOL:LUTA NA TERRA DE MAKUNAIMA

Boa tarde,
Sou curadora da 2a Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras e gostaria de inserir o filme do Azenha na programação do evento. O senhor poderia me auxiliar no contato com o jornalista que dirigiu o filme para que eu faça o convite a ele?
Obrigada,
Leonor Bianchi
Jornalista e organizadora da 2a MFAERO

2ª Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras abre calendário 2008

A 2a Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras (MFAERO) abriu seu calendário para as atividades deste ano. O evento acontecerá entre os dias 17 e 21 de novembro, no Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), dentro da agenda do 2º Fórum de Cultura do Interior, organizado por docentes e educandos do curso de Produção Cultural do PURO.


Este ano, durante os cinco dias da mostra, diversas atividades paralelas às exibições dos filmes serão oferecidas gratuitamente para o público, que poderá escolher de que maneira desejará participar do evento. Haverá debates, oficinas de fotografia, de cinema documentário e mesas redondas com pesquisadores e estudantes da Região, que apresentarão trabalhos acadêmicos com dados atuais sobre a história e o desenvolvimento da Região da Baixada Litorânea.


Serão escolhidos, pelo júri popular, cinco obras que integrarão o primeiro DVD Acervo Videoteca do PURO. O mesmo será produzido e distribuído pela equipe organizadora do evento para instituições de ensino federal e escolas das redes públicas da região.

A 2ª Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras tem apoio da Universidade Federal Fluminense, do Pólo Universitário de Rio das Ostras e da Pró-Reitoria de Extensão.

Muito grata Milbs!
Muito grata Vilmar!
Muito grata Leonor!
Muito grata Mestre Jarmuth!
Alhamdulilah!
(Graças a Deus!)
Amyra El Khalili - editores@bece.org.br
Co-Editora Rede Internacional BECE-REBIA
(www.portaldomeioambiente.org.br )
(www.bece.org.br ) (www.rebia.org.br )
[PDF]

AZENHA: O trabalho é a melhor resposta!

Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML
Enviado por Profª Amyra El Khalili. 18-Jun-2008. O jornalista Luiz Carlos Azenha participou da produção do documentário. na Raposa Serra do Sol em Roraima ...
www.jornalorebate.com.br/site/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=2347 - Páginas Semelhantes - Anotar isso
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Profª Amyra El Khalili. 18-Jun-2008. O jornalista Luiz Carlos Azenha ... Profª Amyra El Khalili - Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, ...
www.jornalorebate.com.br/site/index.php/AZENHA-O-trabalho-e-a-melhor-resposta.html - 74k - Em cache - Páginas Semelhantes - Anotar isso


Participe, divulgue, inscreva seu filme até 31 de julho.

www.mfaero.blogspot.com

Abraços,

Leonor Bianchi

Organizadora


19.6.08

ALEM DE SUSPEITA DE CORRUPÇÃO PROVA DE RIO DAS OSTRAS DISCRIMINA JOVEM GRAVIDA

dois textos em emails que publico fazem parte da irresponsabilidade do governo de Rio das ostras no tocante as provas para ingresso de professores leiam...
Stefânia Pires Gonçalves para josemilbs
mostrar detalhes 14:14 (1 hora atrás)
Responder

Este é um e-mail de pedido de informações via http://www.jornalorebate.com.br/site de
Stefânia Pires Gonçalves <stefaniapires@oi.com.br>

Fiz a inscrição para o concurso público de Rio das Ostras / RJ , cujo o o período de inscrições foi de 17/04/08 a 24/04/08 e realização das provas 24 e 25/05/2008, 31/05/2008 e 01/06/2008, 7 e 08/06/2008 e 14 e 15/06/2008. Diante disso fiz minha inscrição, visto que estou grávida com previsão para o nascimento entre 15 e 19 de julho do corrente ano. Fiz a inscrição dentro do prazo que após foi prorrogado e quando fui imprimir meu cartão de confirmação qual foi minha surpresa a minha prova que é para fisioterapia está marcada para 12/07/2008. A empresa Furj não seguiu o edital o primeiro pelo qual fiz minha inscrição. Então agora estou sendo lesada pois não quero só meu dinheiro de volta e sim o direito de fazer a prova que não será possível visto que estarei com 9 meses de gestação e não poderei e nem quero correr o risco de ir fazer a prova e entrar em trabalho de parto. Qual a atitude poderei tomar a fim de conseguir fazer a prova? O que eles fizeram é lícito? O que posso fazer para conseguir fazer a prova? obrigada

18.6.08

GABARITO DE PROVA DE RIO DAS OSTRAS SUSPEITO DE SER VENDIDO A 10 MIL. PROVA SERA SEXTA EM MACAÉ

Leitor denuncia que o gabarito da Prova para Prefeitura de Rio das Ostras está sendo endido a 10 mil A integra do email do leitor:
LUC.DENUNCIA para josemilbs
mostrar detalhes 18:47 (1 hora atrás)
Responder

Este é um e-mail de pedido de informações via http://www.jornalorebate.com.br/site de
LUC.DENUNCIA <luc.denuncia@terra.com.br>

A RESPEITO DO CONCURSO DE RIO DAS OSTRAS QUE COMEÇA NESTA SEXTA;FEIRA, EM MACAE JA ESTÃO OFERECENDO O GABARITO PARA PROFESSOR I E II, POR R$ 10.000,00.
NÃO SOH EU FUI ABORTADO, MAS VARIAS PESSOAS QUE CONHEÇO.
PEÇO A GENTILEZA DE VERIFICAREM.

GRATO

LUCIO DENUNCIA

JULINHO COMPLETA DOIS ANOS NUMA SECRETARIA E POE EM PRÁTICA SEU PASSADO DE MENINO SIMPLES DAS RUAS DE MACAÉ

Nascido nas ruas macaenses, menino que soube lutar contra tudo numa sociedade onde venceria os mais ricos, Julinho soube caminhar nestes meandros sociais e chegou a vereador na região mais rica do Brasil. Morando num bairro simples de nossa periferia ele cumpre mandado na edilidade de Macaé. Sempre cercado de amigos e pessoas simples ele conquistou a confiança dos moradores do Bairro Aeroporto de onde sempre sai como um dos mais cotados. Das poucas vezes que pude conversar com ele sempre recebi seu carinhoso afeto que eu sempre tinha com ele quando militava na politica. Eu, as vêzes lider estudantil, vereador e candidato a prefeito e ele, menino e depois jovem carteiro. Retribui, creio, o afeto que sempre tive com ele. Da uiltima vez que conversamos falou-me de meu livro CABELOS BRANCOS que ele tinha lido. Perguntou por que não tinha mais livros e soube das minhas dificuldades para edições.
Com muita alegria publico a festividade de seus 2 anos de atuação que sei ser sempre voltado para o bem estar das classes menos favorecidas. Parabens... José Milbs de Lacerda Gama editor de O REBATE, 75 anos de Histórias na Região de Petróleo. www.jornalorebate.com


SINJUV COMPLETA DOIS ANOS DE ATUAÇÃO

Criada pelo Prefeito Riverton Mussi Ramos através da Lei Complementar 065/2006 de 11/05/06 a Secretaria Executiva da Infância e Juventude – SINJUV, Iniciou suas atividades sob o comando do Vereador Júlio César de Barros, cuja equipe de trabalho formada por Assistentes Sociais, Coordenadores de Projetos, Professores, Estagiários e Estudantes, em sua maioria jovens, direcionou suas ações para a realização de Programas e Projetos voltados para o atendimento da criança e do adolescente. Durante o segundo semestre de 2006 a SINJUV participou de diversos eventos tais como: Seminário Estadual Pró-Convivência Familiar; Festival de Música do COEP; Jornada Interdisciplinar de Adoção; Instalação do Projeto Câmara Juvenil, na Câmara Municipal de Macaé;Integração das crianças do PETI (aniversariantes do mês)no sitio do Prefeito; Semana Mundial do Aleitamento Materno PSF/ Morro Santana; inicio da CAMPANHA ANUAL DE PREVENÇÃO DO ALCOOLISMO INFANTO-JUVENIL (palestra com distribuição de mini-folder e cartazes) realizada nos bares e restaurantes da Praia dos Cavaleiros, nos eventos realizados no Parque de Exposições, no Fest Verão e principalmente nas escolas da rede municipal e estadual, em parceria com o Grupo Alcoólicos Anônimos de Macaé e Região e Secretaria Municipal de Educação.

Janeiro a Dezembro de 2007

Assinado Convênio com a MICROLINS (curso informática para jovens); Realiza-ção da Páscoa das crianças do PETI;Participações: V Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Apoio as atividades do CRIAM; Semana Mundial do Aleitamento Materno; Projeto Recriando Tarsila(48 telas pintadas pelas crianças do PETI), parceria com empresa PETROMETAL; Encontro das Assistentes Sociais SINJUV/SMEDSH;Projeto Dr. Saúde nos bairros Aeroporto, Fronteira Bosque Azul, SINJUV/SMEDSH/SEDIM, parceria CBO Grupo FISHER; I Forum do Trabalho de Macaé SINJUV/SEMTRE; Semana Nacional do Trânsito, SINJUV/MACTRAN; SIPAT Municipal com estande SINJUV/SMEDSH; Leilão de telas Projeto Recriando Tarsila do PETI, SINJUV/ SMEDSH; Sarau de poesias Carlos Drumond de Andrade; interpretado pelas crianças do PETI.

Janeiro a Junho 2008

Apresentação da Rede de Proteção Social; Colônia de Férias do PETI; Campanha Educativa do Fest Verão; Apoio as atividades do CRIAM; Inauguração Oficina de Arte do PETI; Lançamento do Programa Aprendiz Legal; II Semana Municipal de Prevenção das LER/DORT; Curso de Capacitação Anti-Drogas para Adolescentes; Inicio da CAMPANHA ANUAL DE PREVENÇÃO DO ALCOOLISMO INFANTO-JUVENIL (parcerias SEMED/FUNDMAD/Alcoólicos Anônimos de Macaé e Região/Pastoral da Sobriedade/Projeto Educar é Acreditar); Seminário O PAPEL DA JUVENTUDE NAS POLITICAS PÚBLICAS DETRABALHO E RENDA; 15ª Semana da Cidadania- Pastoral da Juventude; Força Tarefa atendimento aos desabrigados SMEDSH/SEMUSA/SINJUV; Bairro Cidadão Morro de Santana com estande SINJUV/SMEDSH; Seminário Aplicação das Medidas Sócio-Educativas; Programa Fim de Tarde rádio FM101; Apresentação Pousada da Cidadania;Ciclo de Palestras Sócio-Educativas Agência Macaé Facilita; Encontro Regional Instituto Brasileiro de Politicas de Juventude;Programa Macaé Cidadão Projeto Educando Cidadania; I Encontro de Educadores; 1ª Conferência de Cultura Municipal de Macaé;

Atualmente vinculada a Secretaria Municipal Especial de Desenvolvimento Social e Humano – SMEDSH, a SINJUV desenvolve suas ações em parceria com o Ministério Público, Juizado da Infância e Adolescência, Comissariado de Menores, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Tutelar, a equipe de Técnicos e Assistentes Sociais da SINJUV identificam crianças em situação de risco social, em companhia de adultos sob pontes e marquises pela cidade de Macaé, vindas de cidades vizinhas como também oriundas de outros Estados da Região Sudeste, as quais são constantemente encaminhadas ao Centro Municipal de Apoio à Infância e Adolescência – CEMAIA que abriga provisoriamente, crianças e jovens de zero a dezessete anos.

Em todas as Campanhas e eventos que participam, as Equipes da SINJUV tem promovido amplamente a divulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA, como reconhecimento dos direitos garantidos pela Constituição Federal para a Infância e Adolescência no Brasil.

J.Salvador Andrade

Assessor-Mat.020781

Um empreendimento que honra a luta pelo meio ambiente

Preservação ambiental e preocupação com qualidade são destaques na visita monitorada ao AlphaVille Rio-Costa do Sol

Texto do meu amigo Ivan Acioly que publico na integra...

Mais de 200 pessoas participaram no sábado, dia 14, da primeira “Visita monitorada” ao AlphaVille Rio-Costa do Sol, o primeiro empreendimento da AlphaVille Urbanismo no estado do Rio de Janeiro. As famílias compradoras de lotes e seus amigos participaram de duas palestras de apresentação do projeto, feitas pelos engenheiros José Stucki Júnior e Frederico Ledo e pelo gerente comercial Mário Jorge. Os grandes números do projeto e a visita à área das obras foram saudadas: “Isso aqui é uma maravilha. Um show de profissionalismo”, afirmou Júlio Ribeiro, morador de Macaé aposentado da Petrobras e comprador de quatro lotes.

O AlphaVille Rio-Costa do Sol tem uma área total de 2.430milhões m2 na Rodovia Amaral Peixoto, km 165. Fica a 10 km do Centro de Rio das Ostras e a 16 km de Macaé. Os 930 lotes destinados à habitação nas fases 1 e 2 ocupam 399.770 m2. O setor comercial ocupa 38.158 m2. Neste mês começou a comercialização dos lotes da segunda etapa, com áreas a partir de 360 m2 e prazos de financiamento de até 90 meses.

Um dos diferenciais destacados pelos engenheiros para esse empreendimento é a área de preservação ambiental permanente, com 1.037milhão m2, o que revela a preocupação com a natureza num projeto situado à beira mar. Além dessa área, que envolve vegetação da Mata Atlântica e de restinga, os moradores contarão com cerca de 50 mil árvores que serão plantadas nas áreas comuns, em projetos de proteção ambiental ao longo do canal que circunda o condomínio e paisagismo nas ruas e quadras.

Os engenheiros enfatizaram os diferenciais do conceito de construção em AlphaVille, entre eles o emprego dos melhores materiais e a preocupação com a qualidade. “Nossos empreendimentos são feitos para durar. Desde a fase de planejamento temos em mente que esse é um investimento para uma vida. Os compradores que formam a família AlphaVille podem sempre ter certeza de que estão adquirindo muito mais do que lotes. Estão tendo acesso a um novo estilo de vida. Portanto, cada detalhe da obra é minuciosamente pensado.”, afirmou Stucki.

Entre os exemplos citou o abastecimento de água, o tratamento de esgoto e a pavimentação. No caso da água, os moradores do AlphaVille contarão com 1milhão de m3 armazenados em seis diferentes reservatórios, três deles elevados e três enterrados. Além da água abastecida pela Cedae, o empreendimento captará o líquido em Macaé. Quanto ao esgoto residencial, serão construídas cinco estações de tratamento, o que garantirá pureza superior a 95% quando devolvido à natureza. Em ambos os casos os projetos extrapolam a previsão de utilização, como forma de segurança. Outro exemplo é a pavimentação feita de forma diferenciada para cada parte do empreendimento, de acordo com a previsão de carga que suportará. São três tipos de pavimentação. Para tráfego leve, médio e pesado. Desde o material empregado à forma de construção, o planejamento é para que não haja retrabalho.

Carlos Paes Leme, gerente comercial nacional da AlphaVille Urbanismo, ressaltou que os projetos sempre superam especificações médias, o que garante excelentes relações custo/qualidade/durabilidade. “Nossos sistemas de captação e escoamento de águas de chuva, também são exemplares. Sempre calculamos volumes muito superiores aos reais, com isso, jamais temos alagamentos em empreendimentos AlphaVille.” Além da qualidade, diz Carlos, há o respeito pelo recurso empregado. Os meio-fios das ruas são entregues aos compradores rebaixados para possibilitar a entrada de veículos e evitar obras de adaptação e seus conseqüentes custos.
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Assim como os números do empreendimento, as expectativas dos compradores são grandes. Fábio Novais, morador na cidade de Macaé, comprou um lote na primeira etapa. Fazia a visita junto com a mulher Adriana e o filho Guilherme. Paulista, disse que já conhecia o conceito AlphaVille desde os tempos em que vivia na região de Campinas. “Não tive dúvidas quando soube que o AlphaVille estava vindo pro aqui pra Rio das Ostras. Logo primeiro momento vim até aqui, escolhi o lote e comprei. Minha expectativa é aquela de quem já viu como funciona e quer experimentar pessoalmente.”
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Na mesma linha Sérgio Botti, morador de Rio das Ostras e comprador de um lote afirma que já conhecia o AlphaVille “de nome”. “Quando soube que aqui teria um, não tive dúvidas. A marca AlphaVille é muito forte. É garantia de bom produto, portanto fiz um bom investimento. Tenho minha casa aqui no município, na Costa Azul, mas a família já está fazendo planos de mudar pra cá. Minha expectativa é de uma vida num padrão diferenciado. Tem a praia, o clube, que é um espaço excelente, e ainda a garantia de segurança, que hoje é o que todo mundo quer. Como apaixonado por Rio das Ostras, fiquei muito feliz pela escolha da cidade para instalação do empreendimento.”

Júlio Ribeiro foi mais longe e comprou logo quatro lotes. Um para ele e os outros para cada um dos três filhos nas áreas B1 e C1. Afirmou ter sido surpreendido pelo profissionalismo e pela qualidade das ações que observou durante a visita às obras. “Vim aqui e vi a área logo no primeiro momento, pois já havia ouvido falar do AlphaVille, mas não imaginava o volume de obras que envolve. Essa visita foi fundamental para entender melhor tudo o que me foi dito. Agora vi e compreendi o que é o respeito ao meio ambiente que tanto ouvi falar, assim como a preocupação com a qualidade da infra-estrutura. Estarei entre os primeiros a construírem tão logo os lotes sejam liberados.”


Ivan Accioly

4.6.08

ADRIANO AGOSTINHO, O BOM DIDI DAS RUAS EMPOEIRADAS DA REGIÃO DE PETRÓLEO...

ADRIANO – DIDI - AGOSTINHO. SUA VIDA E MORTE NAS RUAS EMPOEIRADAS NA REGIÃO DE PETRÓLEO...


Didi era um personagem simples das nossas ruas. Neto do ex-prefeito Elias Agostinho, trazia no sangue a alegria de seu pai Abelardo que fez parte de muitas histórias na cidade de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, nos anos 40 e 50. Abelardo morreu em Barra Mansa quando seu carro se espatifou contra um caminhão na perigosa estrada da região sul do Rio de Janeiro.

Das muitas vezes que conversei com Catia e Didi, seus filhos mais velhos, extraídeles que guardavam de Abelardo belas recordações. c Uma delas, chegava a casa, abraçava sua companheira Célia e pegava Didi e Kátia no colo e os colocavam em cima de um guarda-roupa. Riam e ficavam ali, sob o olhar de uma menina menor que aguardava ser “grande” para também ser elevada ao local de seus irmãos Catia e Didi...

Didi veio morar em Macaé com sua mãe e irmãos. Simples, como Abelardo, ele não procurou o social para viver. Como neto de ex prefeito e, como sobrinho de Bueno e Ferdinando que objetivaram herdar o legado de Elias, eu o convidei para ser candidato a vereador nos anos 80 quando fundei o PT. Aceitou e levou a sério sua candidatura e teve votos de vários amigos que o chamavam “olá vereador” até pouco tempo. Era um ser desprovido dos bens materiais. Preferia viver com os desprovidos de terras a ocupar as que herdou de seu avô na Aroeira.

Vivia com os “chamados sem terra” e desafiava os que se enganavam no social como se isto fosse o real das grandes amizades. Didi nunca ligou para a saúde e esta, ao faltar, o levou para outra dimensão do planeta.

Contemporâneo de Euzébio, Juarito, Luciano, Marco Aurélio, Thomé, Sandra Lennon, Marcioney, Dill, Samuel, Marquinho Brochado, Robertoso, Jorginho, Eliane, Anselmo Colombina, Victor, Os Motas, Chicão da Boa Vista, Frotinha e tantos outros anjos do bem que se foram, não fazem parte das mídias burguesas, mais são lembrados em nossas reminicências, Didi vai deixar saudades a tantos como eu, tive a felicidade de vê-lo chamar pelo nome em suas andanças pelo centro de Macaé...

Sua saudação de: "Meu deputado" está fixado nas paredes de minha memória em honra de nossa presença num partido que não honrou seus compromissos com o POVO...

Em nome de toda a geração dos anos 70 que ousaram desafiar os covardes que se acocoraram ao poder e dele, travestidos de juizes, julgaram os que lutavam por uma verdadeira sociedade, expondo seus corpos e mentes a sanha dos paramilitares, estendo meus sentimentos a seus familiares.

Didi, nosso Adriano Agostinho, viveu como sempre quis e morreu como desejou: na simplicidade de quem sabia de sua missão com os humildes...

( José Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com )

29.5.08

IPIRANGA, DOS SAUDOSOS ACORDES DE ARMANDO MARCONI, QUEM DIRIA, PERTURBA OS SONOS...

Nos anos 70 o Ipiranga F.C. que foi Clube Abaetê, nos anos 30, 40 e 50 e que teve belas tardes domingueiras sob o comando alegre dos pianistas Armando Marconi e Lucas Vieira está sendo acusado de "perturbador do silencio e inimigo das crianças que querem dormir. È uma tristeza saber disso.
Grandes namoricos aconteceram neste velho prédio da tradicional Rua da Praia. Hoje, descascadas pelos tempo e pelo descuido de seus atuais dirigentes está moribundo e grita sons inintelegiveis e tristes...
Suadades da vóz do Osmar Rocha, Pedro Paulo Vianna e Haroldo Meirellis. Ai vai uma de suas canções ...

"Na mesa de bar, onde se encontra toda inspiração.
Bebendo e fumando foi quando surgiu este samba Canção.
Erguendo meu copo eu vejo o vulto daquela mulher...
Ela foi o meu todo, tirei-a do lôdo e já nao me quer"...

Paulo Moraes, grande homem das noites macaenses, está sendo perturbado pelo som do velho Ipiranga F.C.

Eis o texto que meu amigo Paulo me mandou e que publico no meu Blog:


Todas as quartas-feiras e sábados, os moradores do centro de Macaé, ao redor do Clube Ypiranga, sofrem por causa do som altíssimo. Desde a tarde quando são feitos os testes e ensaios e até alta madrugada, as famílias não estão conseguindo dormir. O barulho entra dentro dos seus lares não tendo condições de ter suas janelas e portas abertas. Muitos precisam ligar seus ar condicionados, mesmo com tempo frio, para que não fiquem sem ar circulando em seus lares tranca fiados, devido ao som sempre alto vindo dos bailes do Clube Ypiranga.
O clube que já tem 80 anos, não tem tratamento acústico e com isso vaza som para os lares ao redor.
Os moradores já apelaram várias vezes para a Secretaria de Meio Ambiente, ao serviço do 190, à Guarda Municipal e ao próprio Ypiranga, mas não conseguem acabar o abuso do som alto que transtorna muitos lares. Existem muitas pessoas que já perderam noites sem dormir e no dia seguinte não conseguiram trabalhar em condições normais, pois ficam sonolentas durante o dia de trabalho. Crianças não conseguindo dormir, choram e muitas não conseguem ir ao colégio no dia seguinte.
As famílias questionam: - Por que ainda existe este tipo de conduta, precisamos de paz em nossos lares!!?!!
Que as autoridades competentes trabalhem neste sentido de conseguirem o retorno do lar doce lar das famílias do centro de Macaé, que outrora era abençoado pelo som das ondas do mar da nossa Princesinha do Atlântico.

22.5.08

Minha homenagem a Bertolt Brecht. (10 de Fevereiro de 1898 – 14 de Agosto de 1956)

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Bertolt Brecht. (10 de Fevereiro de 1898 – 14 de Agosto de 1956)

(Bertolt Brecht)
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

11.5.08

Das verdades....

O ser humano tem o direito a não ter prolongada sua vida de maneira a transformá-lo numa samambaia de leito hospitalar. A chamada “distanásia” é espetáculo de sadismo da pior qualidade. A morte é uma das poucas coisas democráticas que temos neste mundo de desigualdades. Do nobre ao simplório todos sucumbirão ao inexorável término da vida.

2.5.08

ISABELLA, AIDA CURI E OS VILÕES ENDINHEIRADOS DESDE PAÍS DAS LEIS BRANDAS ...

Nos anos 50 quem foi jogada de um prédio, no Rio de Janeiro, foi a jovem Aida Curi. Agora tudo se repete em São Paulo. Naquela época foi o combativo jornalista david Nasser que brigou por justiça. Hoje a coisa está mais ampla e todos clamam por justiça. O débil olhar do Alexandre Nardone, sem que seja uma opinião Lombrosiana, faz crer em sua culpabilidade. Abaixo uma terrível recordação dos fatos havidos em 1950 que se parecem com os dias de hoje.
Isabella morre nas mãos de quem ela daria sua vida. (José Milbs, editor e historiador).

JUVENTUDE TRANSVIADA: O CASO AÍDA CURI

A verdade, incontestável, definitiva e sem tergiversações, nunca foi realmente esclarecida; o fato em si chocou o Brasil inteiro, tornou-se um caso célebre e colocou em evidência dois termos que nunca mais saíram do imaginário coletivo dos brasileiros: “Curra” e Juventude Transviada”, este último querendo significar gangs formadas por jovens de classe média, um fenômeno recente na cidade do Rio de Janeiro, e título de um filme que imortalizou o ator James Dean – morto em um acidente com um Porche pouco tempo antes (setembro de 1955) –, filme esse que, junto com mais dois títulos – O Selvagem (direção de Lázló Benedek, 1953), protagonizado por outro rebelde, Marlon Brando, e Sementes de Violência, (direção de Richard Brooks, 1955), com Glenn Ford e um iniciante negro que se tornaria, mais tarde, um superstar ganhador de um Oscar como Melhor Ator, Sidney Poitier, famoso filme por conter em sua trilha sonora o clássico Rock Around the Clock, com Bill Halley and the Comets –, foi o pontapé inicial para uma mudança radical no comportamento da juventude em todo o mundo.

Noite de 14 de julho de 1958. Cidade do Rio de Janeiro. Bairro de Copacabana. Avenida Atlântica n.º 3.888, Edifício Nobre. Esses os dados factuais que ficariam na história. Aída Curi, uma jovem de 18 anos (ou 23 anos), tão logo termina seu curso de inglês na Cultura Inglesa (também disseram que, na realidade ela era estudante de datilografia), andando a pé pela rua Miguel Lemos, acompanhada de uma amiga, Ione Arruda Gomes, começa a ser paquerada por dois rapazes de boa aparência, “boa pinta” como então se dizia (ou somente por um, segundo outras informações). Um dos rapazes se chamava Ronaldo Guilherme de Souza Castro, natural do Espírito Santo, ora estudando no Rio de Janeiro, de 19 anos, com pinta de galã de cinema francês, que usava um irresistível par de óculos escuros, dando-lhe um ar de playboy que seduzia diversas garotas no aprazível bairro de Copacabana. O suposto acompanhante do conquistador era Cássio Murilo Ferreira, que depois se saberia menor de idade (17 anos). Os rapazes então convidam a ingênua mocinha (recém saída de um colégio de freiras) para (aqui as versões divergem, aliás, como quase tudo a respeito desse assassinato) aprender algumas palavras em inglês, ouvindo um Long Playing com sucessos americanos da época, ou só para ouvir músicas em um apartamento de um amigo, pertinho dali, na avenida Atlântica. Também se disse que, na realidade, ela fora convidada para ver a praia do terraço do prédio. Nunca ficou exatamente claro como uma garota que estudava à noite, esclarecida, mesmo que ingênua, tenha aceitado o convite de estranhos para acompanhá-los a um apartamento ou mesmo ir até o terraço de um edifício assim, sem mais nem menos. O que se especulou é que ela, obviamente impressionada com a educação do rapaz e com sua aparência de bom moço, aceitou o convite, dirigindo-se para o edifício acima mencionado.

Acontece que o amigo mencionado pelos rapazes não es encontrava em seu apartamento. Cássio Murilo então teria sugerido que ambos fossem para o terraço do prédio apreciar o panorama noturno da cidade. Cássio tinha a chave (depois se disse que a mesma lhe fora dada pelo porteiro, que, mais tarde informou à polícia que o “de menor” tinha o costume de arrombar a porta de acesso ao terraço) que permitia o acesso ao espaço por ser sobrinho (ou enteado) do síndico, um coronel do DOPS, o coronel Adauto. A partir desse momento, a maioria dos relatos está envolta em meias verdades, dissimulações, mentiras e falsidades.

O certo é que os dois jovens subiram com Aída Curi para o terraço, com o porteiro também subindo e se escondendo por cima da caixa d’água – um triste voyer – e começaram a importunar a garota. Atônita, ela começou a resistir ao assédio, procurando fugir. Após pouco tempo, um corpo estava estendido no chão da Avenida Atlântica. A jovem fora jogada ou se jogara do edifício para escapar à curra dos “transviados”.

Poucos dias depois do início das investigações, a polícia, com o delegado do 12º Distrito Policial à frente das investigações, chegou aos dois jovens. Também se disse que eles se entregaram após confessar a tragédia (a garota teria pulado do terraço) ao padrasto de Cássio, o coronel Adauto, que os levou à delegacia. Especulou-se então que, após a morte da garota, eles chamaram o coronel (amigo do chefe da polícia, general Amaury Kruel, segundo se apurou) e, para esconder o crime, a solução foi jogá-la terraço abaixo. A imprensa, no início, considerou o crime como mais um trágico acontecimento, quase rotineiro, que, de vez em quando, abalava o popular bairro de Copacabana. No entanto, quando se soube que dois jovens de classe média eram os suspeitos do crime, as redações são tomadas de assalto e um ritmo frenético toma conta dos repórteres policiais. Inicia-se então um busca vertiginosa sobre os antecedentes da vítima e de seus supostos assassinos. Reportagens espetaculares com detalhes do crime e dos criminosos são publicadas nas revistas semanais, principalmente no O Cruzeiro, primeiro pelo repórter Arlindo Silva, seguido, mais tarde, pelo virulento David Nasser, que assumiu, quase como uma missão sagrada, a defesa da mocinha e a demonização dos jovens supostos assassinos.

Os leitores então começaram a conhecer os personagens da tragédia e a realidade que os cercava. Aída Curi foi apresentada como um doce garota, muito religiosa (antiga aluna de um colégio de freiras), ótima aluna, nota dez em quase todas as matérias e em todos os anos, vários prêmios na escola, caseira, que gostava de tocar piano, estando, nos últimos tempos, estudando para um concurso para o IPASE (Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Estado), uma autarquia criada em 1938 encarregada de gerir os recursos oriundos das contribuições dos servidores e da União, destinadas ao custeio de diversos benefícios: pensão vitalícia para o cônjuge sobrevivente; pensão para os filhos até a idade de 22 anos; pecúlio; seguro de renda e seguro de morte. Um bom emprego e um futuro promissor para uma jovem bonita, inteligente e estudiosa.

Cássio Murilo foi apontado como o protótipo do bad boy. Era um desocupado, já tinha sido expulso do Ginásio do Alferes por comportamento indigno (não ficou claro que comportamento era esse). Também fora expulso de outro colégio por tentar levantar as saias das garotas e já teria arrombado a porta de um prédio vizinho ao que morava para roubar uma motoneta. Muitos o comparavam com o ator norte-americano Sal Mineo, jovem astro em ascensão, e um dos protagonistas exatamente do filme Juventude Transviada (direção de Nicholas Ray, 1955), que lançara o rebelde James Dean definitivamente ao estrelato. Sal Mineo foi assim descrito por um repórter da revista Manchete:


“Com um rosto de garoto mau, cabeleira preta, pastosa e desarrumada e trajes displicentes, Sal Mineo personificou a caráter o tipo transviado... Depois de cada filme de Sal Mineo, os transviados saem do cinema andando e agindo como se fossem ele e ficam, depois, diante do espelho, estudando o meio de mais se parecerem com ele”.

Entretanto, não era somente Sal Mineo o único acusado pelo fenômeno alienígeno da juventude transviada: também, como vimos, eram mencionados Elvis Presley, Marlon Brando, Bill Haley, Little Richards (cujo recente sucesso, Tutty Frutty, incendiava as festinhas da moçada), James Dean e o próprio rock and roll. Todos eram vistos com desconfiança pela população em virtude do uso de blusões de couro (quando podiam, já que o produto era relativamente caro), pelas camisas vermelhas, pelos “blue Jeans” (calças de brim que estavam virando febre no meio da juventude), por mascar chicletes e pela dança escandalosa do rock. Todos também queriam usar as possantes motocicletas mostradas nos filmes norte-americanos, mas, pelo baixo poder aquisitivo dos jovens tupiniquins, a maioria se contentava com as lambretas, outro item obrigatória na persona “transviada”.

De Ronaldo, se disse tudo sobre sua vida pregressa; não obstante pertencer a uma boa e tradicional família, também não era flor que se cheirasse: fora expulso de colégios, acusado de diversas agressões e de ter participado do roubo de um carro pertencente à Secretaria de Agricultura. Também fora preso por indisciplina quando servira no Exército e coisas semelhantes. Viera do Espírito Santo para estudar no Rio de Janeiro e se extraviara do bom caminho. Do porteiro Antônio João de Sousa, pouco se levantou, obviamente por ser pobre e sua vida ser desinteressante para a mídia, apesar de ser acusado com a mesma virulência.

Acuadas pela imprensa, e após a decretação da prisão preventiva dos três acusados pelo juiz Astério Aprígio Machado de Melo, as forças policiais iniciaram uma violenta caçada a todos os jovens da cidade identificados com a juventude transviada; o simples fato de andar de lambreta, ou possuí-las, já identificava os jovens cariocas como maus elementos e sujeitos a serem presos para averiguação. Todos os pontos de encontro da juventude começaram a ser vítimas de “blitzes” pela polícia, que, numa cruzada moralista, cercava ruas e praças e invadia as boates e inferninhos que pululavam por toda Copacabana.

Em uma blitz no Snack Bar, um ponto então na moda, foram presos 66 jovens dos dois sexos, todos levados à delegacia; aliás, o Snack Bar era vítima constante das batidas; na Galeria Alaska, que já possuía péssima fama como ponto de encontro de jovens “transviados” e “maconheiros” (sim, a maconha já estava presente nos círculos freqüentados pelos jovens de classe média do Rio de Janeiro), a polícia prendeu 40 pessoas, muitos menores de idade, que foram enviados para a Delegacia de Menores. Na também boate Katacombe, reduto de jornalistas, boêmios e socialites, onde foi flagrada uma menor, os donos protestaram contra a batida, terminando por serem presos por desacato e arrastados aos solavancos para o camburão. E assim, praticamente todas as casas noturnas da cidade ficaram à mercê das batidas policiais, não escapando nem os inferninhos, nem as mais requintadas como a Balalaika, o Baccará (onde cantavam Dolores Duran e Helena de Lima), a Magriffe, o Little Club, o Ciro’s, o Clube 36, o Texas Bar, o Farolito, a famosa casa noturna Drink, do homem da noite Djalma Ferreira (que lançou ao estrelato o cantor Miltinho), a Arpège e muitas outras.

A princípio, população de maior poder aquisitivo, principalmente a classe média alta apoiava integralmente as operações, considerando-as um meio de “limpar” a cidade contra os “maus elementos”. Porém, a partir de determinado momento, com a conseqüente prisão de diversos integrantes de seu meio social, entre eles vários universitários, e de inocentes nessas batidas, setores da classe média começaram a criticar a atuação e a arrogância da polícia, denunciando maus tratos e prisões sem a devida atenção às normas jurídicas. Pressionada, não demorou e a polícia foi obrigada a paralisar suas operações.

A imprensa também levantou as gírias inventadas pela garotada: “vou lhe dar um banho de lojas”, significava fazer com que a garota se vestisse melhor; “abotoar o paletó” queria dizer matar alguém; “vou limpar minha sola” era pisar o cuspo para dizer que xingou a mãe de um desafeto. “Me dá uma lourinha”, gíria que permanece até hoje, era pedir uma cerveja; “trocar biquinhos” queria dizer beijar e assim por diante. Os jovens eram acusados de usarem uma linguagem cifrada para não serem entendidos pelos mais velhos e pela polícia, o que até hoje é um fato verdadeiro.

Em virtude da implacável perseguição policial, os jovens iniciaram uma verdadeira peregrinação pelos mais diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro; geralmente, antes do início das batidas policiais, o ponto de encontro favorito dos jovens era a Praça do Lido, em Copacabana, no Posto 2; após as perseguições iniciais, muitos mudaram para as imediações do Snack Bar, no Posto 6, também ponto de encontro de jornalistas e intelectuais. Com as batidas e as prisões de menores, os mais corajosos começaram a freqüentar a Barra da Tijuca, então um longínquo e ermo local do Rio de Janeiro, imortalizado no ano anterior pela marcha carnavalesca, que se tornou premonitória, Vai com Jeito, de Braguinha, gravada por Emilinha Borba e a grande vencedora do carnaval do ano anterior (“Se alguém te convidar/Pra tomar banho em Paquetá/ Pra piquenique na Barra da Tijuca/Ou pra fazer um programa no Joá/Menina vai/Com jeito vai/ Senão um dia/A casa cai.”)

Em agosto, saiu o laudo pericial que indicava que a jovem teria sofrido torturas antes de ser subjugada. Segundo esse laudo, havia


“escoriações e equimoses provocadas por unhadas e socos. No peito, no lado esquerdo, aparecem sinais de profundas unhadas. Arranhões nas coxas, ventre, pescoço e equimoses no abdômen. Houve ruptura interna do lábio superior devido a um soco. Tentativas de estrangulamento. Sinais de bofetão no queixo. Marcas nos braços, antebraços, punhos e dorso das mãos (significando ‘ferimentos de defesa’). Algumas marcas no tórax que podiam ser conseqüência de mordida”.


O médico legista, Mário Martins, disse à imprensa acreditar que, após lutar com seus agressores, a vítima deve ter perdido as energias e desfalecido. Tinha a convicção de que ela estava viva quando caiu devido a infiltrações de sangue pelos tecidos do lado direito do corpo, fato que não ocorreria se o coração estivesse sem ação. Ele também, após conferenciar com o promotor e o delegado encarregados do caso, disse à imprensa que “Aída, desfalecida, foi atirada, e parte das escoriações foram produzidas por atrito do corpo nas arestas e bordas do parapeito do terraço”. Disse ainda que todos suspeitavam de que ambos os acusados teriam participado do ato de atirar a jovem do alto do terraço.


Nesse meio tempo, a “canonização” de Aída continuava a pleno vapor pela imprensa, ao lado de uma cruzada pela moralização dos costumes e para a repressão dos ambientes propícios à “perdição” da juventude carioca. Dom Helder Câmara, arcebispo auxiliar do Rio de Janeiro, chegou a comparar a morte da jovem com a da santa da igreja católica, Maria Goretti. Diria também dom Helder:

“Mais uma vez se comprova que os transviados são conseqüência tanto da miséria extrema como do superconforto. Não é por acaso que eles aparecem de preferência entre filhos de favelados e de família da alta sociedade. São vítimas de um clima que ajudamos a criar ou que não ajudamos a modificar, realmente. Todas as marcas no corpo de Aída (da mártir, podemos dizer) revelam o que dão a saturação e a supersaturação sexual em que se movimentam a infância e a adolescência das grandes cidades. Se o doloroso aviso da morte de Aída servir para abrir os olhos de todos nós, responsáveis, abençoado o holocausto da jovem mártir."

Na reconstituição do crime, feito sob severa proteção da polícia já que a multidão queria linchar os acusados, o que se viu foi um festival de acusações, cada um querendo livrar sua cara. Em determinado momento, Ronaldo disse ao suposto cúmplice: “Você, Cássio, não sente o crime que cometeu aqui mesmo neste local, porque você não é humano e não pode ter remorso”. Todos, porém, tiveram a mesma convicção: Ronaldo Guilherme era um exibicionista e bastante cínico. O jovem Cássio Murilo impressionava pela frieza diante dos fatos a que era exposto. Os jovens e o porteiro foram denunciados por homicídio doloso, tentativa de estupro e atentado violento ao pudor.


Só que, em fevereiro de 1959, numa atitude considerada surpreendente, Ronaldo Guilherme foi impronunciado pela justiça, ou seja, considerado inocente de todas as acusações. Em entrevista à Rádio Continental, o juiz Sousa Neto se pronunciou sobre o acontecimento:

“Está provado no processo que Ronaldo foi com Aída ao terraço do Edifício Nobre para um ligeiro romance com pleno conhecimento de Aída. Lá no terraço houve uma divergência entre os dois, porque Aída não queria ir até o fim do romance, desejava, como já disse na sentença de impronúncia, limitar-se aos prefácios do amor, enquanto Ronaldo desejava ter com ela uma plena conjunção carnal. Ronaldo se aborreceu, ficou decepcionado e deu um ligeiro tapa em Aída (...)

Ainda segundo o juiz, Ronaldo teria se afastado do prédio às 08h15min horas, conforme “prova incontroversa”, não podendo ter participado do triste acontecimento.

Aparece então em cena, com mais virulência e entusiasmo, o jornalista da revista O Cruzeiro, David Nasser. Inicia ele uma campanha feroz contra a decisão de Sousa Neto, mobilizando a opinião pública contra a decisão da justiça, no que foi acompanhado por outros órgãos da imprensa. Em poucos dias, pressionado, o Conselho de Justiça anulou o impronunciamento de Ronaldo, que teve de voltar às grades, apresentado ao delegado de Vigilância por seu advogado, Wilson Lopes dos Santos. Um fato, no entanto, unia defesa, acusação: o inquérito fora deverasmente mal instruído durante a fase policial, dirigida pelo delegado Waldir de Matos Dias. A própria promotoria que havia recorrido da decisão do juiz, concordou que havia grandes falhas no processo, que, segundo ela, deixara escapar vários nomes imprescindíveis ao trabalho da acusação.

Presidido pelo juiz Otávio Pinto, no mesmo mês de fevereiro, finalmente iniciou-se o julgamento dos três acusados. A defesa de Ronaldo sustentava a tese de negativa de autoria, argumentando que Aída pulara do terraço. Após 32 horas daquele que foi considerado pela imprensa como “um dos mais dramáticos da história do Tribunal do Júri”, saiu a sentença: 37 anos para Ronaldo e 30 anos para o porteiro João. Cássio, considerado até pelo juiz do caso como o verdadeiro assassino, não pôde ser julgado por ser menor de idade.


O resultado causou verdadeira comoção no público presente à sala de julgamento e na multidão que esperava o veredicto nas imediações do fórum. O delírio foi quase que unânime, Ronaldo saindo do recinto aos gritos de “assassino!...assassino!”. Possesso, ele se dirigia ao corpo de jurados, xingando-o de covarde e vendido. Na realidade, devido à campanha da imprensa, o fim não poderia ser outro. O réu já estava condenado de antemão.

Poucos dias após o veredicto, a imprensa fica de novo assanhada: aparece uma testemunha já mencionada por Ronaldo Guilherme, a famosa “testemunha de preto”, que, segundo o acusado, poderia livrá-lo das acusações e que nunca aparecera. Seu nome era dona Lecy Gomes Lopes e se dizia arrependida por ter se mantido calada durante todo o episódio. Segundo dona Lecy, ela tinha o hábito de passear à noite, entre as 19h00min e 21h00min horas; como de costume, após andar um pouco, acompanhada da filha e da empregada, ela se sentou em um banco na orla da praia, onde se encontrava um casal em situação amorosa. Lembrava-se de ter achado o rapaz bem apessoado e, pelo teor da conversa entre o casal, também bastante educado. Repentinamente, todos vêem um ajuntamento nas imediações do edifício Nobre. Ronaldo teria se levantado e se dirigido para o local, voltando pouco depois relatando o acontecimento.

Entretanto, para sua surpresa, ela viu nos jornais, poucos dias depois, para sua surpresa e de sua filha, a foto de Ronaldo e descobriu que ele estava sendo acusado do crime. Entretanto, por medo de ser envolvida, já que era viúva e com filhos, resolveu ficar calada e acompanhar os acontecimentos. Segundo ela, o remorso a acompanhava, mas a apreensão era mais forte e ela aguardaria o resultado do julgamento para decidir o que faria.

Quando saiu o resultado, entrou em depressão, o remorso ficando mais forte. Começou a ser pressionada pelos filhos e parentes para contar o que sabia, o que realmente fez para alívio de sua consciência. Essa era a verdade, e ela estava pronta para depor a favor de Ronaldo Guilherme no novo julgamento que aconteceria dentro de poucos dias, porquanto a defesa do réu recorrera da sentença de 37 anos.

O novo julgamento, acontecido no mês de março de 1959, já demonstrava uma alteração nas expectativas da população. Em virtude do depoimento de dona Lecy e de diversas reportagens na imprensa que colocavam em dúvidas certezas antes estabelecidas, o comportamento da massa já não era tão agressivo. Aliás, o depoimento da nova testemunha causou espécie no corpo de jurados, já que havia contradição entre o que ela colocara e o depoimento de Ronaldo. Dona Lecy dissera que Ronaldo se encontrava no banco da praia quando ela chegou ao local. Já em seu depoimento, Ronaldo dissera que, um pouco antes do corpo cair do edifício, ele se assentara no banco onde a testemunha já estava presente. O fato de os depoimentos serem contraditórios, foi explorado por ambas as partes. A acusação o usava para dizer que isso demonstrava que tudo era mentira. Já a defesa argumentava que a contradição era a prova cabal que não houvera prévio entendimento entre o acusado e a testemunha.

O depoimento da perícia, também, ajudou Ronaldo Guilherme. Pressionado pelo advogado de defesa, o perito teve que admitir que a marca no rosto de Aída – uma peça importante da acusação –, poderia ter sido provocada por esmagamento do corpo contra a parede do prédio. Ele ainda afirmou que não pôde ser comprovada marcas de dentes nos seios da jovem, como anteriormente fora dito pela imprensa. E um fato que causou grande impacto perante os jurados – as roupas ensangüentadas e rasgadas de Aída apresentadas pelo promotor, além de um lenço também manchado de sangue – por seu turno, foi considerado de pouca importância pelo perito, que esclarecera que as peças foram anteriormente cortadas a bisturi pelos médicos que precisavam enviar pedaços de tecidos para o laboratório para análise. Além do mais, Ronaldo já havia dito que a saia de Aída Curi fora rasgada quando, no terraço, ele tinha batido nas mãos de Cássio para que ele a largasse. Devido à pressão, a saia se rasgara. Essa era a explicação.


Em completa contradição com o que acontecera poucos dias antes, Ronaldo Guilherme, dessa feita, foi absolvido por seis votos contra somente um, ouvindo a sentença, proferida pelo juiz Talavera Bruce, de cabeça baixa, mas sem deixar de demonstrar um meio sorriso de satisfação. Saiu da sala de julgamento sob aplausos do público, a maioria moças e rapazes na casa dos vinte anos. Saiu como herói. Antônio João de Sousa, o porteiro, também foi absolvido.

Após o resultado, a imprensa iniciou as especulações dos motivos da absolvição; o brilhantismo da defesa, a cargo de Romeiro Neto, foi considerado fator essencial do resultado favorável a Ronaldo. Dona Lecy dissera à imprensa que, no seu entendimento, dessa feita houve boa vontade dos jurados em virtude das revelações dos novos fatos, como as especulações de parte da imprensa que agora dizia que Ronaldo não poderia ter matado a jovem por ter sido visto em um bar pelo jornalista Luís Mendes mais ou menos na hora do crime.

O jornal Correio da Manhã, no dia seguinte ao julgamento, estampou editorial em que estranhava a absolvição de Ronaldo, mostrando sua perplexidade frente aos resultados opostos das duas decisões do corpo de jurados:

“O caso dos dois julgamentos de Ronaldo de Souza Castro, no Tribunal do Júri, dá que pensar. Dá que pensar na instituição do Júri no Brasil. É estranhável essa instituição que, funcionando duas vezes, uma quase em seguida à outra, conclui da primeira que um réu merece por crime de homicídio 25 anos de prisão, e da segunda que deve ser absolvido. Ronaldo que fora condenado a 37 e meio anos de prisão (os restantes por atentado violento ao pudor e tentativa de estupro) fica apenas com as penas por crime sexual agora. É verdade que o promotor vai apelar para novo julgamento, agora para o Tribunal de Justiça, e conforme forem as coisas, Ronaldo poderá voltar ainda ao Júri que sabe Deus o que fará.

Este jornal, examinando o horrendo assassínio de Aída Curi, desde o início do caso, firmou sua opinião de que o desfecho, o homicídio propriamente dito, era culpa de Cácio Murilo, que no primeiro Júri foi acusar Ronaldo, embora não possa ser julgado por ser menor... Exculpar Ronaldo (e o porteiro Antônio João) de colaboradores de Cácio mesmo no homicídio, parece-nos, porém, falsear o papel da Justiça. A Justiça é cega a influências estranhas, a suborno, a impactos emocionais injustificáveis. Não é cega à conformação geral de um crime.


Ronaldo, que agrediu Aída, tentou violentá-la e a abandonou lívida de pavor à sanha do seu sinistro cupincha Cácio, é também culpado de homicídio. Não no mesmo grau daquele que, ao que tudo indica, empurrou a vítima do alto do edifício, mas como cúmplice. Se virmos alguém afiar uma faca e passá-la a outro para que cometa um assassínio, não vamos concluir que exerceu um simples papel de amolador de facas. Tirar Ronaldo, por completo, do quadro do homicídio de Aída Curi parece-nos um insulto ao senso de humanidade de nós todos - e ao próprio bom senso.

Mas que dizer do Júri, que parece funcionar no Brasil ao sabor de todos os ventos? Que houvesse diminuído a pena de Ronaldo compreenderíamos. Mas apagá-la por inteiro? Passar de 25 anos, um quarto de século, a zero, em pouco mais de um mês?

A idéia do Júri é a de submeter um acusado ao juízo de seus, concidadãos, chamados a opinar sobre os fatos do caso, e apenas sobre os fatos, mas de um ponto de vista mais geral do que o da Justiça togada. Será que, no Brasil, os males de uma meia educação da qual estamos ainda longe de nos livrar é que se reflete no Júri de forma tão desapontadora? Num país como o nosso onde felizmente não existe pena de morte não se justifica a brandura, quase a moleza com que o Júri absolve criminosos medonhos. Por isso mesmo existe entre nós, uma grande e responsável corrente de pessoas contra o Júri: temem que essa moleza nos leve, por uma reação, à pena capital.

O segundo julgamento desse Ronaldo coloca mais uma vez o Júri em situação estranha. Assim como o caso, mais terrível ainda, do seu cúmplice e agora inimigo Cácio (como no cinema os “gangsters” quando apanhados, sempre se acusam mutuamente) coloca em xeque nossa concepção penal do menor. A Justiça no Brasil precisa de uma remodelação. No passo em que vamos, estamos abrindo caminho para os que desejam o pior: a pena de morte, para que no Brasil a vida não continue a ser um objeto tratado com tanto desdém pelos Cácios e Ronaldos.

Por seu lado, a revista O Cruzeiro, nunca se conformou com o veredicto. Continuou investigando o caso e publicando reportagens contra Ronaldo ao longo dos meses seguintes. Em 2 de abril de 1960, por exemplo, podia-se ler na prestigiosa revista a seguinte reportagem:

Aída Curi morreu duas vezes. A primeira foi há 20 meses, quando os monstros curradores a atiraram do alto do edifício Nobre à calçada. A segunda foi agora, quando o júri espezinhou a sua memória, absolvendo um criminoso da laia de Ronaldo Guilherme de Souza Castro. O júri salvou o tarado currador, mas, ao mesmo tempo, morreu no conceito público como instituição de justiça. A absolvição desse asqueroso Ronaldo veio demonstrar que justiça nesta terra parece que ainda tem de ser feita com as próprias mãos. Graças a Deus que as palmas batidas na hora em que o Juiz pronunciou a sentença absolutória partiram de blocos de rapazes e moças transviados, que agora têm em Ronaldo o seu ídolo e o seu patrono.

Em São Paulo, durante um baile em que se dançava “rock'n'roll”, meninas e molecotes gritaram “Ronaldo! Ronaldo!”, no instante em que lá chegou a notícia de que o matador de Aída conseguira escapar às garras curtas da Justiça. Mas, em compensação, no seio das famílias brasileiras, em todos os rincões deste País, mães e pais, avôs e avós, filhos e filhas de alma pura e boa formação, quedaram-se estupefatos e baixaram os olhos desolados, porque acabava de ser oficializada a curra no Brasil.

De agora em diante, as mães de família devem ensinar a suas filhas a arte de manusear revólveres, porque só assim poderão fazer justiça aos Ronaldos que andam soltos por aí - e que, de agora em diante, hão de proliferar como erva daninha. Agora, a ninguém é lícito esperar justiça de um júri como esse, que desprezou as provas do processo para absolver um monstro cínico como Ronaldo.

Disse o Promotor Maurílio Bruno que correu um mar de lama por baixo do processo Aída Curi. E, nele, muita gente mergulhou para soltar “testemunhas-bomba” e perturbador o curso normal da Justiça. Doravante, só os criminosos vulgares, os assassinos das favelas, os “Carnes-Secas” e os “Cabeleiras” continuarão temendo a Justiça. Os Ronaldos continuarão seguros da impunidade. A verdade é dolorosa, mas deve ser dita: condenar criminoso rico, por mais que se trabalhe no sentido de defender a sociedade, é tarefa das mais difíceis.

Em tudo isso, há fatos que nos deixam boquiabertos. Um dos jurados que absolveram Ronaldo é pai de uma jovem que, há pouco tempo, quase foi currada. Para defender a filha, esse jurado agrediu o autor do atentado e foi defendido na Justiça pelo Dr. José Valadão, advogado da família de Aída Curi. Pois esse jurado foi dos que mais batalharam pela absolvição do monstro de óculo escuros! Por aí se pode imaginar que tramas teriam sido urdidas nos bastidores do julgamento desse verme humano que se chama Ronaldo. Provas existem de sobra, no processo, para condenar Ronaldo, Cácio (sic) Murilo e o porteiro. Mas, em vez de ouvir a leitura dessas provas, vários jurados dormiram e roncaram durante a sessão. Se não fosse proibido fazer fotografias em plenário, poder-se-ia ter documentado, fartamente, jurados comunicando-se entre si e até mesmo um deles trocando palavras com o Dr. Romeiro Neto, advogado de defesa. Uma só dessas fotografias seria suficiente para anular o julgamento.e

Como desfecho do caso Aída Curi, houve ainda um terceiro julgamento, cujo resultado pode ser entendido como um meio termo entre os dois anteriores: Ronaldo foi julgado por homicídio simples e tentativa de estupro e pegou uma pena de seis anos. Após recorrer da sentença, o promotor Pedro Henrique Miranda conseguiu que a pena fosse aumentada para oito anos e nove meses. Depois, depois, após ser solto, Ronaldo se tornaria empresário em seu Estado, o Espírito Santo.

Cássio Murilo, por ser menor e inimputável, foi encaminhado ao Sistema de Assistência ao Menor (SAM), de onde saiu direto para prestar o serviço militar. Alguns anos depois, ele seria acusado de ter matado um vigia de automóveis, fugindo para o exterior até que a pena pelo assassinato fosse prescrita.

O porteiro Antônio João de Sousa, após ser absolvido no segundo julgamento, não participou do terceiro julgamento; nunca mais foi visto, desaparecendo para sempre, um mistério que perdura até hoje.
(Fonte DÉCADA DE 50)