Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

23.6.11

16 de junho de 1966 dia em que desencarnou o grande médiun "Peixotinho" em Campos dos Goutacazes....







Nss fotos: vemos Chico Xavier ao lado de Peixotinho quando este materializa um espírito. Observem o ectoplasma saindo da boca do médium.
Peixotino está deitado na Câmara de Materialização, doando seu ectoplasma para o espírito que já está se materializando




PEIXOTINHO- O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS



No dia 16 de junho de 1966, na cidade de Campos (RJ), deixou o corpo físico o famoso e evangelizado médium espírita Peixotinho (foto). A Federação Espírita Brasileira, o Conselho Superior da FEB e o Conselho Federativo Nacional, se fizeram representar pelos confrades Paulo Affonso de Farias, José Salomão Misrahy e Abelardo Idalgo Magalhães, respectivamente. Ao sepultamento acorreram centenas e centenas de confrades dos mais diversos pontos do País. Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho, teve ação destacada no movimento espírita brasileiro, já por suas excepcionais qualidades mediúnicas, principalmente no que tange às materializações, já pelo seu comportamento moral como homem de bem.Peixotinho, como todos o conheceram, nasceu em 1º de fevereiro de 1905 na cidade de Pacatuba, no Estado do Ceará, filho de Miguel Peixoto Lins e Joana Alves Peixoto. Logo cedo perdeu os pais e passou a viver com os tios maternos, em Fortaleza. No Estado cearense entrou para o Seminário, pois seus tios desejavam que seguisse a carreira eclesiástica. Contudo, por questionar os dogmas da Igreja recebeu vários castigos e sofreu várias penas disciplinares.Observando as desigualdades humanas, tanto no campo físico como no social, pois seu Espírito não aceitava as explicações que recebia para justificar as diferenças sociais tão marcantes no Nordeste, naquela época tão mais sofredora que hoje. Também não aceitando as justificações que lhe ofereciam para o nascimento dos anormais, ficou em dúvida no tocante à paternidade e bondade de Deus. Se todos eram seus filhos, por que tantas diversidades? Por que razões insondáveis uns nascem fisicamente perfeitos e outros deformados? Uns portadores de virtudes angelicais e outros acometidos de mau caráter? Dizia então: “Se Deus existe, não é esse ser unilateral de que fala a religião católica”. Desejava saber e inquiria os seus confessores, os quais, diante das indagações arrojadas do menino, usavam o castigo e a penitência como corretivo, o que o levou a abandonar o colégio.Aos 14 anos mudou-se para o Amazonas em busca de melhores condições de vida nos seringais. Mas dois anos depois resolveu retornar a Fortaleza, e aí, na terra de Bezerra de Menezes, eclodiu sua faculdade mediúnica, em forma obsessiva, pois no início era envolvido pelos Espíritos sofredores que faziam dele um valentão.Apesar do seu físico infantil, era dono de grande força de vontade e, sabendo o que lhe poderiam fazer os obsessores, procurou reagir, não saindo de casa, isso depois de um episódio em que, após travar luta com vários homens, foi transportado para uma praia deserta e distante, fisicamente ileso. Mas os Espíritos das trevas não desanimaram ante sua disposição de não sair de casa, vindo-lhe, então, um caso de desprendimento, em que foi considerado morto, estado de que despertou após mais de 20 horas de amortalhado. A seguir adveio-lhe uma paralisia que o prostrou por seis meses, sem que a família procurasse os recursos do Espiritismo. Sendo católicos praticantes, seus familiares temiam envolver-se com o Espiritismo.Nessa fase, um dos seus vizinhos, membro de uma sociedade espírita de Fortaleza, movido de íntima compaixão pelos seus sofrimentos, solicitou permissão à sua família para prestar-lhe socorro espiritual com passes e preces. Ninguém em sua casa tinha conhecimento do Espiritismo e seus familiares também não atinavam com o verdadeiro estado do paciente, uma vez que o tratamento médico a que se submetia não lhe dava nenhuma esperança de restabelecimento.O seu vizinho iniciou o tratamento com o Evangelho no Lar, aplicando-lhe passes e dando-lhe a beber água fluidificada. A fim distrair-se, Peixotinho começou a ler alguns romances espíritas e posteriormente as obras da Codificação kardequiana. Em menos de um mês apresentou sensível melhora em seu estado físico e foi progressivamente libertando-se da falsa enfermidade. Logo que conseguiu andar, passou a freqüentar o Centro Espírita onde militava o grande tribuno Vianna de Carvalho, que na época estava prestando serviço ao Exército nacional em Fortaleza.A terrível obsessão foi sua estrada de Damasco. O conhecimento da lei da reencarnação veio equacionar os velhos problemas que atormentavam a sua mente, dirimindo todas as dúvidas que o Seminário não conseguira desfazer. Passou assim a compreender a incomensurável bondade de Deus, que dá a mesma oportunidade a todos os seus filhos na caminhada rumo à redenção espiritual.Orientado pelo major Vianna de Carvalho, Peixotinho iniciou seu desenvolvimento mediúnico. Tornou-se um dos mais famosos médiuns de materializações e efeitos físicos. Por seu intermédio produziram-se as famosas materializações luminosas e uma série dos mais peculiares fenômenos, tudo dentro da maior seriedade e nos moldes preceituados pela Doutrina Espírita.Em 1926 mudou-se para o Rio de Janeiro, então Capital da República e se apresentou para servir no Exército, na Fortaleza de Santa Cruz. Posteriormente foi transferido para Macaé (RJ). Foi em Macaé que propriamente iniciou sua prestação de serviços ao Espiritismo, tendo aí, com um grupo de irmãos, vários dos quais já no plano espiritual, fundado o Grupo Espírita Pedro. Também em Macaé, em 1933, constituiu família, contraindo matrimônio com Benedita (Baby) Vieira Peixoto.Sua vida militar foi intercalada de transferências, mas, para onde era transferido, fixava residência com a família e ali fundava um posto de receituário homeopata. Assim foi em Imbituba (Santa Catarina), Santos, Rio de Janeiro, Campos etc. Em 1945 foi transferido de Imbituba para a Fortaleza de São João, no Rio de Janeiro. Novamente na capital brasileira, reencontrou-se com vários amigos, dentre os quais Antônio Alves Ferreira, velho confrade do Grupo Espírita Pedro, de Macaé, o qual nessa época residia no Rio.Das reuniões semanais na residência desse confrade nasceu um culto doméstico que, em poucos meses, se transformou no Grupo Espírita André Luiz, cuja sede provisória era, então, no escritório de representações do confrade Jaques Aboab, na Rua Moncorvo Filho, 27. No Grupo Espírita André Luiz prestou seus serviços mediúnicos, no convívio amigo e fraterno dos irmãos que se uniram àquela casa. E durante esse período, enquanto residiu no Rio de Janeiro, teve a felicidade de reuni-los em sua residência, todos os domingos.Do Rio de Janeiro foi para Santos. Isso em 1948. Em Santos freqüentou o Centro Espírita Ismênia de Jesus. Nesse mesmo ano encontrou pela primeira vez o médium Chico Xavier, na cidade de Pedro Leopoldo, onde participou de sessões de materialização e de assistência aos enfermos, ocorrendo a partir daí muitos outros encontros. Grande número das sessões no Grupo André Luiz e em Pedro Leopoldo são narradas por Ranieri em “Materializações Luminosas”. Transferido para Campos em fins de 1949, iniciou seus serviços no Grupo Espírita Joana D’Arc. Pouco depois, com o crescimento da freqüência no culto doméstico que fazia para seus familiares, nasceu o Grupo Espírita Aracy, seu guia espiritual que fora, na última encarnação, sua filha. Ao Grupo Aracy dedicou seus últimos anos de vida terrena.Apesar de sua eficiência no receituário, foi um sofredor, portador de asma, que compreendia ser a sua provação. Apesar de todos os sofrimentos, era alegre e brincalhão, e por muitos considerado uma criança grande. Como médium soube viver, sem nunca comerciar seus dotes mediúnicos. Viveu pobre e exclusivamente dos seus vencimentos de oficial da reserva do Exército, reformado que foi no posto de capitão.Manteve sempre grande zelo pelos princípios esposados por Kardec, fazendo por onde, nos Grupos ou Centros por ele fundados, que nunca existisse intromissão de rituais ou quaisquer influências alheias à doutrina codificada por Kardec. Dedicou-se muito ao tratamento de casos de obsessão, chegando mesmo a, por várias vezes, levar doentes ao próprio lar, onde os hospedava junto de sua família. Passou por testemunhos sérios e sofreu ingratidões que soube perdoar, não desanimando nunca de servir.Peixotinho sofria de broncopneumonia, enfermidade que lhe causava muitos dissabores, que ele porém suportava com estoicismo, o mesmo podendo-se dizer das calúnias de que foi vítima, como são vítimas todos os médiuns sérios que se colocam a serviço do Evangelho de Jesus, dando de graça o que de graça recebem.Peixotinho desencarnou às 6 horas da manhã do dia 16 de junho de 1966, em Campos, cercado do carinho da família. Cumpriu sua missão e retornou ao plano espiritual, deixando viúva a Sra. Baby Vieira Peixoto e nove filhos.

Fenômeno de Materialização:


Segundo o Prof. Carlos de Brito Imbassahy, os fenômenos de materialização são produzidos da seguinte forma:

•Primeiramente, o médium principal serve de aparelho para que a equipe espiritual manipule as energias essenciais ao fenômeno.

•Posteriormente, o que observamos, em nossos trabalhos, é que a Entidade a se materializar, retira do médium ou dele faz expandir um campo que o reveste. Dessa maneira, vê-se a formação inicial do fulcro do fenômeno sobre o médium.

•A seguir:

◦as energias (de origem ectoplásmica segundo informam) que enchem o ambiente precipitam-se sobre aquele fulcro, fazendo com que ele se ilumine, fenômeno semelhante ao de fogos de artifício que se queimam e dão origem a um modelo que é visto pelos assistentes.
Esta é a aparição que Crookes intitulou de luminosa.

◦A estereológica (nunca tive ocasião de ter uma completa) transforma a energia em forma palpável e que reveste o perispírito da Entidade manifestante, tornando-a tangível, auscultável e se forma de maneira idêntica, só que, em vez de provocar luminosidade no campo do Espírito dito materializado, dá-lhe consistência material.

◦Um outro tipo de materialização que pude verificar e da qual Crookes não faz referência é aquela em que o Espírito nos tange, nos toca, faz-se sentir como se estivesse materializado, mas, os presentes (encarnados) não conseguem segurar esse corpo. Nossa sessão comprovou a existência de uma cigana que se materializava e que bailava ao som das músicas que eram tocadas pela nossa vitrola. Sua saia roçava nos presentes, batia nos móveis, ouvíamos e sentíamos tudo como se ali estivesse a bailarina dançando e esbarrando nas pessoas, só que ninguém conseguia segurar esta saia rodada e encorpada.



Carlos de Brito Imbassahy

http://www.ajornada.hpg.ig.com.br/colunistas/imbassahy/imb-0003.htm
Pesquisando em Flor de Maio





7.6.11

De Rio Dourado até Macaé, Darcy Gonçalves fez história na região de Petróleo...


"Cicica" era o carinhoso nome que se espalhou por toda a cidade de Macaé desde os anos 50, quando, descendo do "Expresso" que vinha da cidade Casimiro de Abreu e que foi embarcado com uma grande família. Família liderada pelo Senhor Cláudio Gonçalves...
Darcy foi se aconchegando a todos nós que faziamos parte de um grupo grande em uma cidadezinha bem pequeninha de nome Macaé, "Princesinha do Atlântico".
As ruas eram todas sem calçamentos e não havia nada de novidades a não ser ouvir, pelas manhães os "Busos" da Estrada de Ferro Leopoldina; frequentar as matineês dos cinenas; namoricos em bailes no Ipiranga ou mesmo chegar, ao apagar das luzes das sessões do Taboada nas 5as,e sentar-se ao lado das primeiras namoradas...
Tinha lindas e bem cuidadas irmães e sobrinhas que eram vigiadas o tempo todo por outra leva de meninos. Acho que eram uns 11...
"Seu Cláudio", homem de pouca conversa, mais sempre bem humorado, sabia que Darcy, Pote, Claudinho e outros filhos não iam deixar que suas filhas namorassem "qualquer pé rapado" e a cidade era enfestada de meninos "espertos" de olhos nas belas filhas de Seu Cláudio e algumas sobrinhas igualmente lindas...
Foi assim neste encantado panorama de uma Macaé bucólica e alegre que passei a conhecer esta gente feliz e me tornei amigo de todos. Darcy era o que mais se chegava a nossa "turba de meninos" saídos das Poieras das Ruas Macaenses. O único colégio de Ensino Médio a gente frequentou juntos. Fizemos parte das lides estudantis para a conquista da FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES DE MACAÉ e, sempre que tinhamos alguma causa para lutar o Darcy estava ao nosso lado com apoio de seus irmãos e de seu pai nos LIVROS DE OURO para a construção da CASA DO ESTUDANTES que iniciamos nos anos 60...
Darcy, "Cicica" para os carinhosos amigos, foi mais longe. Trabalhando no Ministério da Saude, SUCAN, deixou a marca afetiva de sua presença no trato cordial com todos que tinham acessos ao seu trabalho. Gostava de fazer politica partidária. Embora tendo nos afastados, eu na fundaão do PT que logo abandonei e fiquei sem partido e ele, Cicica" na coordenação de vários partidos. Fiel ao seu trabalho social e, sempre aconselhado pelo seus queridos cunhados Ruben Gonzaga de Almeida Pereira e
Pedro Paulo de Almeida Pereira, quase chega a exercer o mandato de vereador. Prefiria, no entando, continuar nas articulações de partidos. Seu maior trabalho, creio, foi na Coordenação da candidatura de Mirian Mancebo com apoio de várias partidos de Centro esquerda. Sabia manejar com a mente humana, com os acordes musicais de uma vóz que batia alto nas entranhas das pessoas e firmavam sua presença sempre ativa e lider...
Tivemos bons momentos em nossa vida e Darcy era sempre um norte de alegres converdas. Discordando ali, concordando acolá, ele sempre se mantinha coerente com seus ideias...
Aos 72 anos, com uma vida bem curtida e deixando filhos e centenas de amigos, ele embarca numa nova empreitada neste térreo mundo de crueldades indecifráveis.
Foi Professor e Mestre no trato com os seus semelhantes e deixa saudades em quem, como eu, pude rir com ele e me deliciar com suas histórias..
A Familia os sentimentos de O REBATE.
José Milbs de Lacerda Gama editor

2.6.11

joga a rede no mar, deixa a onda bater enquanto temos tempo e vida...



Joga a Rede no Mar, deixa a onda bater...

José Milbs



Eles habitavam toda região do litoral do Rio de Janeiro. Corpos morenados pelo sol sem os protetores e nenhum deles com doenças de pele. Suas redes, tecidas a mão por suas companheiras e filhas, tinham o sabor da arte e do bom gosto. Sempre alegres e de olhos acessos e avermelhados, estes senhores dos mares eram figuras presente em toda história nas cidades que habitavam.

Cabo Frio, Búzios, São Pedro de Aldeia, Rio das Ostras, Barra do Rio São João, Macaé, Farol de São Tomé, Ata fona e São João da Barra eram locais em que seus barcos, com pequenos motores e bastante experiência de mar, os levavam nas noites enluaradas e de manhãs amenas. Enchovas, Gordinhos, Galos, Marimbas, Serras, Espadas, Pescadas, Pescadinhas e siris do mar, eram sempre o produto de suas noites onde as gaitas, o velho rádio de pilha e um violão com 4 cordas, deixavam em aberto o coração de volta e mais volta aos lares...

As beiradas das praias estavam sempre cheias de muita gente. As chegadas dos barcos, passando pelas ondas bravias, eram saudadas por centenas de acenos. Mulheres e filhos se juntavam a outros na expectativa de ver o produto de mais uma noite de pesca.

Os pescadores tinham saído de suas simples e aconchegantes residências em plena madrugada. Antes tinham olhado o céu, reparado de onde vinha o vento e, antes mesmo de apagar as luzes dos candelabros de seus quintais, já estavam assoviando cânticos e cordiais acenos aos vizinhos que se juntarão a outros e partirão para o alto mar...

A pesca tinha a essência do belo artesanal. As vendas eram feitas ali mesmo nas praias e o que não era vendido, era colocado numa cesta, coberto com galhos de matos, tirados ali mesmo na restinga e levados nas bicicletas pelas ruas da cidade.

Os anos arquejaram os senhores do mar. Suas redes apodreceram estendidas nos quintais em enferrujados arames. Os barcos, virados de bunda para cima estão totalmente danificados pelo tempo. Esses bravos trabalhadores do mar, hoje de olhos caídos e "encostados no INSS", nem de longe lembram aqueles corpos sarados e olhares brilhantes dos anos de sua juventude...

A herança dos segredos duramente colhidos na vasta extensão de água salgada do mar, de suas artimanhas e ventos, outras vezes herdados de seus pais e avós não podem ser passadas para seus filhos e netos. Apenas a história de casos ocorridos em suas longas noites pode chegar aos ouvidos dos pequenos netos e filhos.

Os braços, estendidos deixando à mostra a pele enrugada e a tez flácida, apontam para ilhas e pedras. Lá, eles comentam dos grandes barcos que habitam os mares. São barcos de bandeira estrangeiras ou de falsa bandeira nacional. Dentro deles, contam a seus filhos que os olham admirados:

- Tem um vidro que vê onde está o cardume. Eles apertam um botão e sai uma rede de fios finos que pegam todos os peixes. Filhotes, fêmeas com ova na barriga, tudo eles levam para longe. Acabaram com tudo - diz, e seus olhos deixam cair uma lágrima que se junta às dos meninos...(José Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

Comentários

0 #7 Paulo Xavier 13-06-2011 01:18
Infelizmente essa é a realidade do trabalhador brasileiro. Muitos deixam sua família nas mais diversas plagas do nosso país e saem para tentar a sorte, num ato de quase desespero. O resto da história Zé Milbs narra com a sensibilidade rara que Deus lhe deu. Parabéns
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-1 #6 Eliana Frantz 02-12-2010 22:43
Muito interessante sua construção: pedra sobre pedra. Letra sobre letra. Um caminho a ser percorrido sempre.
Aprendendo com você.
Grande abraço.
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0 #5 José Carlos P. Bruno 25-09-2010 21:57
Zé Milbs, cinzel do Zé Ramalho...
Eh, ôô, vida de gado!!
Recebe o abraço de mais um Zé...
Em sua poesia admirado!!
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+1 #4 Sonia Santos 25-09-2010 15:39
Boa tarde José Milbs! Seus textos são de uma beleza impresionante, além de super importante para o nosso crescimento.
Simplesmente impecável. Aplausos! Ótimo final de semana. Abraço carinhoso.
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0 #3 ana kaye 02-09-2010 15:45
Gostei muito desse seu texto, é a rotina implcável do dia à dia do povo brasleiro , que ainda sem lenço, sem documwento... sem dente e de bolso vazio, tem orgulho de sorrir sem medo de ser feliz!!! parabéns josé Milbs
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0 #2 meu zé,eu queria um pouquinho 22-11-2009 07:28
:P :D :-) :twisted: :wink: :lol:
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0 #1 Carlos Sotreiro 19-11-2009 21:57
José Milbs semprer atualizado aos 70 anos. Grande milbs. Abs de Sobreiro Buenos ayres Argentina...
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11.5.11

VEIO NA CABEÇA, POR QUE NAO ESCREVER... CAMINHANDO...

Caminhemos
(1947)

Samba-canção

Composição: Herivelto Martins

Interpretação: Nelson Gonçalves




Não,eu nao posso lembrar que te amei...
Não, eu preciso esquecer que sofri.
Faça de conta que o tempo passou...
E que tudo entro nós, terminou.
e que vida não continuou, prá nós dois,
CAMINHEMOS, talvés, nos vejamos depois.

Vida Oomprida, Estrada Alongada...
Parto a procura de alguém,
A PROCURA DO NADA...
Vou indo, CAMINHANDO, sem saber onde chegar.
Talvés que na volta
Te encontre no mesmo Lugar...
(Pesquisa Histórica de Darcio Fragoso, fala no nosso conterrâneo Benedito Lacerda)

Música lançada em 1947 e gravada originalmente por Francisco Alves, prenunciava o fim do casamento de Herivelto e Dalva de Oliveira. Herivelto Martins nasceu em Rodeio , atual Engenheiro Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, em 30/01/1912. Em 1936 passou a viver com a cantora Dalva de Oliveira, com quem em 1937 teve um filho, que viria a ser o cantor Pery Ribeiro.
Estando certa vez num bilhar observou o barulho dos pardais se recolhendo às árvores para dormir:sentiu que isso daria samba e compôs os primeiros versos de "Ave Maria": "Tem alvorada/ tem passarada/ alvorecer/ sinfonia de pardais/ anunciando o anoitecer": entusiasmado com o esboço de samba que acabara de compor, resolveu mostrá-lo ao compadre Benedito Lacerda; o próprio Herivelto relatou em depoimento para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983: "Eu me preparei para mostrar ao Benedito e então cantamos eu ao violão e Dalva com aquela voz bonita crente que estávamos agradando. Terminada a apresentação, Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse: meu compadre, isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro". Assim começou "Ave Maria no morro" com alguma desilusão. Gravada algum tempo depois pelo Trio de Ouro (Herivelto, Dalva e Nilo Chagas) constituiu-se no maior sucesso de sua carreira. Herivelto produziu mais de cem músicas muitas delas de enorme sucesso como "Praça Onze" (Vão acabar com a Praça Onze...) com Grande Otelo, "Que rei sou eu?" com Waldemar Ressurreição, "Izaura", "Fala Claudionor", e muitos outros.
Quando se separou de Dalva de Oliveira, em 1947, deu-se uma famosa polêmica musical, com Herivelto e David Nasser contra Dalva e outros compositores, com músicas de dor de cotovelo e mágoa em relação à separação : "Cabelos Brancos" (Não falem dessa mulher/ Perto de mim/Não falem pra não lembrar minha dor) de Herivelto e David Nasser, "Segredo" de Herivelto e Marino Pinto (O peixe é pro fundo das redes/Segredo é pra quatro paredes...), "Caminhemos" (Não eu não posso lembrar que te amei/ Não eu preciso esquecer que sofri/ Faça de conta que o tempo passou/ E que tudo entre nós terminou....); por seu lado Dalva mandava seu recado com "Errei Sim" de Ataulfo Alves (Errei sim manchei o teu nome/ Mas foste tu mesmo o culpado...), "Tudo Acabado" de J. Piedade (Tudo acabado entre nós/ Já não há mais nada...).
Herivelto Martins foi personagem muito importante na MPB: além de compositor emérito, foi o criador do primeiro trio vocal do Brasil, o trio de Ouro em 1937; criou o apito, antes de 1942 utilizado apenas para reunir as escolas de samba, como um elemento a mais de percussão no samba. Foi o compositor que mais escreveu sambas para a gloriosa Estação Primeira de Mangueira. Foi lider classista dos compositores. Enfim foi um bamba. Morreu em 17/09/1992.
O cantor e compositor Nelson Gonçalves, nome artístico de Antônio Gonçalves Sobral, nasceu em 21/6/1919 em Santana do Livramento RS mas seus pais mudaram-se para São Paulo logo após seu nascimento, residindo no bairro do Brás. Teve vida intensamente boêmia e gravou seu primeiro disco em 1941, graças à ajuda de Benedito Lacerda, o samba de Ataulfo Alves "Se eu pudesse um dia". Teve carreira de muito sucesso, inspirando-se em Orlando Silva, de quem manteve sempre alguma influência. Gravou inúmeros discos 78 rpm, 120 LPs e 20 CDs. Vendeu cerca de 50 milhões de discos e recebeu 15 discos de platina e 41 de ouro. Suas músicas de maior sucesso foram : "A camisola do dia", "Vermelho vinte e sete", "Atiraste uma pedra" todas de Herivelto Martins e David Nasser, "Meu vício é você", "Fica comigo esta noite", "A volta do boêmio" estas de Adelino Moreira.
Nelson Gonçalves, segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin, "foi o derradeiro dos grandes intérpretes que vinham na generosa tradição de abrir o peito e cantar (e encantar) mesmo sem microfone: Chico Alves foi o primeiro, depois vieram Orlando Silva, Carlos Galhardo, Silvio Caldas e Nelson Gonçalves. O traço comum a todos esses grandes cantores era o repertório romântico, que embalava as profundezas ancestrais de um povo como o nosso, tão visceralmente mulato, fruto de três raças sentimentais como o branco, o escravo negro e o índio roubado em suas próprias terras". Nelson faleceu em 18/4/1998 no Rio de Janeiro.

Dárcio Fragoso

3.5.11

"O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS"




"O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS"

MÁRIO DE ANDRADE


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As
primeiras, ele chupou displicentemente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em
reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos
e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário-geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo
tornou-se escasso para debater rótulos.
Quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, que não se encanta com
triunfos, que não se considera eleita antes da hora, que não foge de
sua mortalidade. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade!

O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

29.4.11

Texto que fiz no resgate da memória do Theatro no Rio de Janeiro....

Foto:Dulcina e dr. Odilon contemporâneos de Odila Machado nos Anos de Ouro do Theatro Brasileiro
MORRE DONA ODILEA, MAE DE RUY JORGE, CARLOS ARTHUR E JULIO ARAUJO MACHADO

Aos quase 90 anos, morre a macaense e mulher de nossa historia, Dona Odiléa Araújo Machado. Soube educar seus filhos e acompanhou a transformação de nossa cidade da Ferrovia ao Petróleo mantendo a mesma meiguice quando de sua juventude em nossas ruas empoeiradas e belas.

A fragilidade corpórea não podia esconder a fortaleza espiritual que a desnudava no olhar e nos pequenos gestos com as mãos. Sempre atenta às transformações sócias do mundo, soube entender todos os momentos na vida de seus filhos e sempre sabia entender as coisas da maneira mais simples possível e de pouco entendimento para a maioria das pessoas de sua idade. Enquanto outras mães berravam, gritavam, chamavam aos cantos e ventos as coisas quando de algum acontecimento diferenciado do dia a dia, ela usava o afago que vinha da sua voz baixa e que penetrava no interior de quem ouvia, ressoando forte e tomando conta do ser. Ela sabia usar as palavras, embora "de poucas palavras".

Convivi com ela um bom tempo de minha juventude. Ia em sua casa, sentia o calor e afeto dela com Eurico Machado, seu companheiro, gráfico e comerciante de nossa história. Eurico trabalhou no tempo em que jornal era feito, letra por letra, apanhadas em grandes caixas de dezenas de escaninhos e, estas letras, colocadas num tal de Compunidor. Às vezes ele me falava no tempo que trabalhou no O REBATE com Milton Madureira, pai de Milmar e com Eraldo Mussi Rocha, irmão de Margarida. Estes momentos eu observava dona ,

Seu olhar admirativo para o velho companheiro e o gesto suava com as mãos indicando a mim e ao Ruy, a mesa posta onde tomávamos o café. Era deste encantamento que pude rever quando da ultima vez que pode estar com esta senhora lindamente doce e sempre feliz...

Orgulhosa de sua irmã Odila ela nos contava das andanças dela e dos encantos que tinha quando dos anos doirados.

DONA ODILÉA E ODILA

Pouca gente sabe que temos uma dama que fez história no Teatro Brasileiro. Era mesmo uma macaense que saindo de Macaé, brilhou nos conhecimentos da vida teatral no Rio de Janeiro. Dona Odila Araujo mãe de Cordely. Esta talvez mais conhecida por ser jovem e habitar Macaé. Cordely como sua mãe também fez Teatro. Eu sempre ouvia falar em dona Odila por Tutuca, Jojó e pela dona Odiléa. A gente andava junto desde os tempos de estudante e sempre Ruy me falava de suas tia, irmã de sua mãe. Odila foi correr mundos e Odiléia ficou em Macaé sempre a espera da irmã o que aconteceu na velhice das duas.
O teatro veio para a macaense Odila como para a maioria dos grandes em suas várias profissões. Chegou a ela como vendedora de ingressos e projetou-se no palco pelo talento que soube desenvolver na filha Cordely.

O Rio de Janeiro nos anos 40, mais preciso em l943 viu chegar alguns valores do interior que fizeram historias. Dona Odila foi uma delas. Trabalhando no antigo Rex e Capitólio esta mulher nascida na Rua Alfredo Backer numero l em Macaé mudaria sua historia e se firmaria com brilho na vida do Teatro Brasileiro.

Teatro Gloria na Cinelândia perto do Amarelinho fazendo bilheteria e secretariando os mais famosos artistas da época ela foi se firmando e formando sua história. Do tempo em que se selava os ingressos e se conheciam os freqüentadores por nomes e por cadeiras o teatro do Rio engatinhava.

No Fênix como secretária de foi com Dulcina e Odilon para o Teatro ginástico da Graça Aranha e sempre que se refere ao Odilon ainda usa o doutor Odilon.

Assim esta pequenina mulher macaense foi sendo pilar na teatrologia nacional onde sua filha Cordelly trabalhava nas peças de Nelson Rodrigues amigo pessoal de dona Odila de quem fala que era uma pessoa muito perguntativa. Nelson gostava de secar as pessoas com pergunta. Fala isso e sorri. Por 12 anos ficou com Dulcina e o Dr. Odilon.

Dona Odiléia se oregulhava dos feitos de sua irma dela bibligrafava os textos que faço público.

Depois Meson de France. Diza com orgulho, Eva Tudor sempre veio até Macaé visitá-la e ela ainda tem saudades do Rio, de sua casa em Copacabana e Lido onde se reuniam os seus amigos de teatro. Rodolpho Mayer, Floriano Faissal, Iara Cortes, Dayse Lucidi, Jece Valadão. Agildo Ribeiro, Paulo Nosling são alguns dos seus amigos recordativos. As vezes estas memorias que as duas guardavam nas paredes da mente que está prestes a completar 90 anos, eram misturadas pelas falas das duas ao mesmo tempo. E ai, assume o ambiente Odila que lembra com voz embargada pela emoçao de um grande ator que sempre a visitava. Fala com sensibilidade especial sobre Sérgio Cardoso e relata que foi com Sérgio, que Tarcísio Meira teve seu primeiro papel no teatro.

"Acho que o mais lindo do teatro é quando a companhia viaja". Interrompia a nossa conversa a Odila quando dona Odiléia nos erve um café.

Conheceu o Brasil todo nas companhias que trabalhou. Cordelly trabalhou em 7 gatinhos de Nelson Rodrigues e ela fala com orgulho de seu neto Cláudio José Araújo Motta que ela criou e hoje é um dos mais renomados químicos do Pais e que leciona mestrado nas Ufrj.

Odiléia se orgulha de jojó, Tutuca e Julinho e elas esquecem um pouco as lembrnças e voltam-se para seus descendentes.

Odila continua falando no Neto e Dona Odiléa em Paulinho, Mirna e os outros filhos de Ruy Jorge (Jojó). Fala no Ruy e na Poliana.

O Dila diz que seu neto é um dos mais importantes expoente do mundo em sua formação profissional . Estudou no Luiz Reid nos anos 70.

Orgulha se de ter sido amiga de Agildo Barata e Ney Braga. Dona Odiléia de ter conhecido muita gente atraves dela. Estas duas almas macenses se seperaram na existencia que tiveram aqui. Dona Odiléa, a quem me inspirou rever este diálogo morreu a poucos. Dias. Soube pelo seu filho Jojó, meu velho amigo de lides estudantis dos anos 70 e um grande Artista na arte do pincel.

O REBATE homenageia em sua ediçao on -line estas figuras de nossa história, abre com elas a página de THEATRO e agradece ao Eurico Machado por ter sido um dos responsáveis pela formação de um genética que nos honra ser contemporâneo...
(jose Milbs de Lacerda Gama)

19.4.11

silvinha cohen e Neusah Cerveiras falam do Livro ECILA

DIA 27 DE ABRIL MINHA MÃE ECILA ESTARIA RECEBENDO MEU TELEFONEMA. EU DE MACAÉ ELA LÁ EM SÃO PAULO, CIDADE QUE ESCOLHEU PARA SER SUA SEGUNDA OPÇÃO DE TERRITÓRIO. LÁ ELA FALECEU E DEIXOU CENTENAS DE AMIGOS NO BAIRRO DE SANTA CECILIA ONDE CONVIVIA COM TODOS EM COMUNHÃO E AFETO...
Saudades de seus filhos e amigos de Macaé. Faria 92 anos no dia 27... Bjs de seu filho José Milbs





NEUSAH CERVEIRA FALA DA BELEZA DO LIVRO ECILA
Contribuições dos Leitores
Neusah Cerveira

Editor,
Adorei o livro sobre a Ecila, viagei na história. 20 capítulos de uma narrativa sensível sem ser piegas, carregada de emoção e um retrato do personagem inserido nos momentos históricos que viveu. Que história de vida maravilhosa Ecila viveu. Me tornei amiga dela, me identifiquei em muitos pontos. Agora vc tem q publicar em livro. Não muda nada, deixa exatamente como está. Qualquer virgula pode quebrar o encanto. Toda mulher deveria conhecer a história de Ecila. Parabéns e um grande beijo.

+-.
O LIVRO ECILA, LANÇADO MUNDIALMENTE NO FACEBOOK UNE PESSOAS DE SENTIMENTOS IGUAIS
Silvia Cohen

Jose Milbs, acabei de ler o seu livro on line e adorei conhecer a historia de vida de sua mae. Belissima!!! O seu livro me reportou a uma Macae que todos nos como filhos da terra, sentimos falta.
Eu desejo que vc consiga publicar essa perola escrita por vc.
Muito bom te reencontrar aqui.
Querido Que Deus possa te cobrir com o balsamo sagrado do amor suavizando a falta que sentes de sua querida e maravilhosa mae.
Luz e paz p/ vc. E conte comigo pois repassarei essa preciosidade que eh a sua obra escrita.

Bjs
Silvinha

Silvinha e Neusah:
Silvia, é o pouco que pude dar a quem meu tudo além da vida.. Ha se todos os filhos soubessem o quanto uma mAe faz falta. fala a vc um menino de 70 anos... bjs minha linda amiga. e se puder espalhe o livro ele é on-line e gratis como gratuito foi a inspiração.

Jose Milbs Lacerda Gama

6.4.11

FACE BOOK, MSN, ORKUT LEVAM PARA O MUNDO VIRTUAL AS NECESSIDADES DAS CIDADES....



O REBATE está de olho nas reinvindicações do POVO, principalmente pessoas que querem dias melhores para as comunidades...

Adicionado ontem ·


Heleno Do Trapiche e outras 4 pessoas curtiram isso.
Tânia Schueler xiiiiiiiiiiiii acabei de postar algo sobre o lago da praça abandonado e com água parada ******** foco de dengue
há 14 horas · Curtir
Marabel Freire Acho que aquilo ali nao tem haver com a prefeitura.Eles so ficam com a emergencia.
há 4 horas · Curtir
Alex Medeiros
O Pronto Socorro (Emergência) é organismo da prefeitura, funcionando em dependências da Irmandade São João Batista. Para isto, a PMM paga aluguel e mantém servidores para os serviços. Soube, há poucos dias, que o aluguel do espaço não estar...Ver mais
há 4 horas · Curtir
Betania Alves Pois é a emergência Marabel, que está um caos...tem a ver sim..
há 3 horas · Curtir
Betania Alves Alex, não vá mesmo, a não ser que vá desmaidado para n poder ver nada em volta, vc n imagina como é o lugar que são guardados os medicamentos..PASMEI de ver!!!!!!!!!!!! Mas taí outra coisa q n entendo, pq a prefeitura nunca está em dia com seus pagamentos???
há 3 horas · Curtir
Marabel Freire Vc acha que eleger os "malas" que eles elegem sai barato?Tem que tirar de algum lugar.Isso e bom pra populaçao lembrar na hora de votar.Que o mais prejudicado sao eles msm.
há 3 horas · Curtir
Betania Alves puts.....será que qdo as pessoas estão sendo atendidas, n pensam nisso...?
há 3 horas · Curtir
Marabel Freire Pensam nada, so na hora da eleiçao e que eles lembrarm que tem que vender o voto pra esticar o puxadinho...
há 3 horas · Curtir
Betania Alves kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, e agora SOFREEEEEEEEEEEE povo!!!!!!!!!!!
há 3 horas · Curtir
Betania Alves A gente ainda escapa, porque graças a Deus, temos como pagar um planinho...
há 3 horas · Curtir · 1 pessoa
Vania Pacheco Pacheco Mesmo com "planinho" a coisa é complicada..UNIMED é um caos total...
há 2 horas · Curtir
Betania Alves TOTAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! mesmo!
há 2 horas · Curtir
Ana Maria Valverde Concordo com vcs. Sou de Macaé e irmã de Bandeira e a mt anos não se faz nada. Lastimavel...
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Betania Alves Está nas nossas mãos a mudança...
há 48 minutos · Curtir · 1 pessoa
Tânia Schueler e pq não nas das mulheres??
há 32 minutos · Curtir
Marabel Freire Amore infelizmente nao esta na nossa mao.Na sua casa quantos votos tem?Vai na malvina que o quarto que vc dorme la dorme 8 pessoas e sempre vao querer aumentar o puxadinho e com isso votam em quem da mais.Nos estamos na mao de pessoas que so olha pro proprio umbigo.
há 31 minutos · Curtir
Tânia Schueler Meu bem digo a mudança direcionada por mulheres
há 29 minutos · Curtir
Betania Alves Quando eu digo NOSSAS digo do povo, cabe a nós mudar ou não , mas acredito ainda, e vejo até por aqui, que temos força sim!
há 23 minutos · Curtir
Vania Pacheco Pacheco Quem se canditada a "Prefeita" de Macaé?
há 22 minutos · Curtir · 1 pessoa
Tânia Schueler kkkkkkkkkkkkk quem???????
há 20 minutos · Curtir
Betania Alves
olha, veja bem....eu confesso que fico indginada com o que vejo por aqui, e adoraria mesmo ter junto a todos que amam essa cidade, uma oportunidade, formando um grupo que pudéssemos lutar juntos..mas todos nós sabemos que precisa de MUITO d...Ver mais
há 18 minutos · Curtir
Jose Milbs Lacerda Gama olhe ai minha doce amiga Tania. o hospital esta as traças mais os medicos que foram seu provedor estão todos ricos e até o morro do forte que foi doado por casculheiro para o hospital esta com uma casa de um medico que pasou por lá. é uma vergonha que eles usem as irmães de uma "tal caridade" que não existe pra roubar... Abs Milbs
há 15 minutos · Curtir · 2 pessoas
Betania Alves MULHERES NO PODER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
há 14 minutos · Curtir
Vania Pacheco Pacheco Eu tb amo minha cidade Betania, dim dim, a cidade tem, mas infelizmente o EGO político é mais forte..e o povo q se dane...Vc ja percebeu q a obra do Cine Clube esta parada? Prefeitura + BR nao se entendem....será
há 14 minutos · Curtir
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30.3.11

Ex Prefeito de Macaé morre em São Paulo.





Depois de lutar bravamente contra uma grave doença o médico cardiologista Carlos Emir Mussi morreu hoje em São Paulo onde estava em tratamento. Carlos Emir foi prefeito de Macaé em várias legislaturas. Foi um dos batalhadores para que fosse instalada a Petrobras em nossa região. Uma luta árdua já que, nos anos 70, a cidade de Campos vinha lutando para levar a estatal para lá e tinha apoio de vários deputados e senadores.
Médico competente ele sempre esteve ligado a sua profissão onde exerceu, até pouvo tempo atendimentos e consultas.
Fomos amigos desde infância. Escoteiros juntos, lides estudantís no Rio e em Macaé. Trabalhamos juntos no ex Inampos onde tinhamos uma convivencia sempre cordial e recordativa,
Gostava de longas conversas nos momentos de reencontros na "Praia de Imbetiba" onde a gente se encontrava.
Amigo também do amigo comum Cláudio Moacyr de Azevedo onde sucedeu na Prefeitura. Tivemos grandes momentos na vida pública. Algumas delas junto com Cláudio, Nacif e outras figuras de nossa história...
Seu corpo está sendo trazido da Capital de São Paulo e será velado na Câmara dos Vereadores.
Carlos Emir deixa a vida como um dos últimos Prefeitos da era romântica, alegre e popular da região. Casado com Tania Jardim Mussi, que nos anos 70 foi a Musa do DEBATINHO, suplemento cultural de O REBATE que foi editado e criado pelo Redator Cláudio Ulpiano Nogueira Itagiba.
Nos bons tempos em que eleição era ganha nos encontros com o POVO nas ruas e casas simples, eleição que deu lugar aos "candidatos eletrônicos" sem o calor humano dos grandes comicios, Carlos Emir deixa o marco dos grandes mitos de nossa história. Do bom médico ao eloguente politico ele viu a transformação de Macaé em Capital do Petróleo mantendo a simplicidade humana, herdada de seu pai Alfredo Mussi. EEra comum ve-lo caminhando pela Rua do Meio indo para a Casa de Caridade atender seus fiéis pacientes.
Por telefone, sua querida Tania, nas vêzes que pude ligar, me dizia de seu restabelecimento leve e devagar. Carlos Emir gostava de ler meus textos e, em sua homenagem publico um que ele gostava de comentar...
"Quando a Região de Petroleo do Rio de Janeiro ainda engatinhava no progresso

UM DOCE PEDAÇO DE MACAÉ QUE SE ESVAI... Em Homenagem a Carlos Emir Mussi nas saudades que a gente sente de nossas ruas alegres e emburacadas...(Milbs)

(CRONICA ESCRITA REALÇA A SAUDADE DE NOSSAS RUAS EMPOEIRADAS E O GOSTO BOM DOS BOMBOCADOS E CHUVISCO) Leia em José Milbs no texto O DESBRAVADOR DE MACAE NO SÉCULO XX.

O DESBRAVADOR DE MACAÉ NO SÉCULO XX

Macaé ainda não tinha cultura própria no ramo imobiliário nem seus habitantes tinham projeção do que podia acontecer 10 ou 20 anos à frente. Viviam do dia a dia. As vezes na pesca, onde brotava sua maior riqueza, vez outra do comércio, que crescia devagar, devagarinho e estava de bom tamanho para seus membros. A tradicional loja em baixo e a casa do comerciante em cima. Daí que muitas "casas sobrados" ainda existem e são daí que se formou este simbolo de progresso individual tão comum em cidadezinhas do interior do Brasil.

Nos quintais ficavam o terreno para, caso houvesse casamento, as construções se sucederiam. As pessoas estavam e viviam tranquilas nas sonolentas e compassadas horas de Macaé nos anos puros de décadas passadas. A tranquilidade de uma aposentadoria do inps e a certeza de que estavam criando bem a filharada.

Esta Macaé não tinha lá muita preocupação progressista . deixava a coisa acontecer nas idas e vindas de seus filhos na rua principal onde o "point" era cinema nas duas sessões da quinta- feira ou domingo nas matinês.

A Rua Direita, a principal da cidade e que virou Avenida Ruy Barbosa, ao entardecer, quando os milhares de pardais revoavam nas árvores frondosas que reinavam nas ruas periféricas, recebia dois suaves cavaletes. Um na altura do "Bar e Restaurante Belas Artes. Outro em em frente da Casa de Acioli Pena irmão de Dodão e Gó.

As tardes, lá pelas l5 horas, era comum o Bar de Dona Dadá estar cheio de gente tomando média com pão e manteiga. A manteiga era feita na casa de dona Dadá e o pão era da "Padaria e Confeitaria Lima" de "Joãozinho" e Ênio Lima. Padaria que conseguia fazer as melhores bisnagas de toda a regiao litorânea.

Tião, Zé Carlos, Isaura. Conceição, Joãozinho Ramos e, .as vezes a própria dona Dadá, presenteavam, com o servimento do café torrado na hora.

As xícaras brancas e ainda quente, tiradas do lado de uma cafeteira, com um gancho em forma de pegador de macarronada, vinham sempre acompanhadas de torradas, pão e leite. Tipo da média que não será nunca requentada e inspirou Noel Rosa das vielas de Vila Isabel.

Mais tarde tomei estas mesmas médias com pão e manteiga na rua Beneditino, Acre e Leandro Martins nas madrugadas do meu Rio antigo. Este café Tinha o mesmo sabor da média (nâo requentada) de dona Dadá. Igual ao sabor da boa media de Noel, que imagino ter tomado nas encruxas da 28 de Setembro ou Theodoro da Silva nos fins dos anos 20, onde residi um tempo com minha mae Ecila e meus irmâos Djecila e Ivan.

.Media de café pingado com pão e manteiga às l5,30 horas era igual em todo o Brasil afirmo e não aceito contestação. Tomei na Avenida Paulista, esquina com a Brigadeiro em São Paulo e na Avenida Anhanguera em Goiânia.

Vez por outra era ali mesmo que se iniciava as conversas que iam ter seguimento na boca da noite nos "Belas Artes" e fechavam-se no Restaurante Imperatriz, ponto de encontro dos noctívagos e boêmios vindos das Bocadas, do "Quadrado", "Curral das Èguas, Continental ou das Serestas.

O Bar "Imperatriz" não tinha portas. Funcionava dia e noite e, os ônibus que vinham e iam para o Rio ou Norte do Estado, tinham paradas certas e obrigatórias. Do outro lado da rua, onde hoje habita o travestido mundo de humanos assumidos, existia o bar de seu Aristóteles Cândido de Carvalho.

José Rangel, que mais tarde virou "Zé Mengão",dava seus primeiros passos longe de Carapebus, iniciando sua existencia no comércio.

Zé era ainda um jovem inexperiente na vida . Trabalhava à noite no bar de seu Aristóteles, que era uma espécie de primo pobre do "Imperatriz".Sua clientela, uma mistura de pescadores, médios transeuntes e algumas sobras de passageiros que, quando conheciam o café feito por "Zé" e seu Aristóteles, dificilmente deixavam de se transformar em constante freguentador.

José tinha o dom de atender bem a freguesia e paciência era seu forte. Nesta época Trabalhávamos eu, Acy, Jair, Antonino, Manoel Moraes e Dilson José Souto dos Santos, o "Batatinha de Campos, num orgão Público Federal de nome IAPETEC.

'Os doces de dona Zeny, de seu Wanda, os "Pernambucanos", "Bombocados", "Queijadinhas" e "Bolinho de Aipim" só eram igualados com os que faziam a esposa de seu Otávio e as inesquecíveis "Mãe Benta" que Petrônio Ramos vendia na estação de trem que corria mundos em sucessivas idas e vindas dos Expressos, Noturnos e Rápidos nos idos de l950.

O "Olho de Sogra" eram iguais em todos eles. Dizem que vieram de receita única que chegou a cidade pelas mãos de uma Doceira de Campos no inicio do Século. O "Chuvisco" ninguém aprendeu e só as Campistas faziam com maestria.

Os "bombocados" só foram igualados destas mestras por Mariza mãe de Paulinho e Mirna que também são filhos de Jojó.

Mariza mantém a tradição dos mais gostosos doces macaenses. A sua residência, na rua Francisco Portela, está sempre sendo requisitada por quem gosta do sabor de seu Bom-bocado..

Bem pertinho da casa de Petrônio tinha o seu "Zezinho" com um barzinho onde havia de tudo para as crianças. Seu "Zezinho" rompeu gerações com seu modo puro e simples de tratar. Seus filhos Jailton, Juca, Jorge e Maria espalharam por toda a cidade o sangue bom que dele fluiu.

Ainda se avizinhava de Petrônio, onde as crianças gostavam de pegar frutas nos quintais. As saudades de dona Tieta, Lalá e Lilinha, Nicinha, Joãozinho Ramos, Epaminondas, Luiz Macedo, Diamantino e Daniel Alfaiate, fazem parte deste pedaço de uma cidade que se perde no esquecimento rápido que chegaram com as técnicas da comunicação visual...


José Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com
leia mais artigos de José Milbs ou na busca do Google sitando O Rebate...

MACAENSE ESCREVE AO EDITOR MILBS:
Neilah Aguiar é filha de Zélia Aguiar um simbolo de nossa Educação Pública. Ela contesta o texto sobre a chegada da Petrobras e afirma, com provas, que foi o ilustre ex prefeito ANTONIO OTTO DE SOUZA quem trouxa a Petrobras para Macaé. Fala de suas distãncias e saudade de Macaé.
Ai vai o texto de Leilah:
Neila Marcia de Aguiar
Neila Marcia de Aguiar30 de março de 2011 às 23:26
Assunto: Carlos Emir
Milbs.
Lamento o falecimento de Emir, mas esse é o caminho de tds nós.
Discordo qd diz q ele lutou pela ida da Petrobras p Macaé.
Quem levou a Petrobras p Macaé foi Antonio Oto de Souza, irmão de minha mãe e sei q vc o conheceu bastante. Tb foi prefeito de Macaé e dono do Cartorio do 1° Oficio. Figura conhecida e respeitada na cidade pelo seu carater ilibado, decencia e justiça.
Ele foi soldado na Segunda Guerra e na epoca o tenente da tropa era o General Ernesto Geisel. E qd surgiu a possibilidade da Petrobras se instalar na região ele pediu ao então presidente Geisel q colocasse em Macaé dando como uma das razões a construção com mais facilidade do porto para dar apoio as plataformas. Tanto que, o presidente Geisel o condecorou c uma medalha logo apos a Petrobras se instalar em Macaé. Foi p esse motivo q hj existe a Petrobras aí.
Estou te passando esse fatos resumidamente, mas os filhos dele tem maiores detalhes, com documentos inclusive(cartas trocadas, etc)
Não acho justo ser dado a Emir esse merito. Não gostava dele como politico. Tive bem perto da ultima gestão dele e tenho muita historia degradante p contar. Fatos q presenciei. Respeito a dor da familia, dos amigos. Somos todos parceiros nesta caminhada terrena, sendo assim, ao irmão que parte, meu desejo de entendimento e progresso no mundo espiritual e p familia que fica, meu pesar.
Um grande abraço, meu adoravel conterraneo!!!
Neilah

JOVEM MACAENSE ESCREVE E FALA DAS SAUDADES DE CARLOS EMIR VIA FACE BOOK

. Iolanda:
oi meu amigo muito nobre de tua parte, eu tb tenho o maior apreço pels família mussi, em especial, pai e filho. o junior é meu medico, e tenho o maior carinho p ele. se Deus quiser vc vai conseguir. Deus te abençoe!
Iolanda
História dos anos 60. Eduardo Serrano o "Prefeito caçado"". A chegada de Antonio Oto de Souza ao poder. Suas personagens, entrevista, tudo num lindo trabalho da macaense Evelyn Valente que O REBATE divulga..

Eduardo Serrano, um prefeito “caçado”:

A produção do consenso pela imprensa macaense

Evelyn Soares Valente

Universidade Federal de Juiz de Fora
Faculdade de Comunicação
Bolsista do PET (Programa Especial de Treinamento)
5º período
Orientação: Prof. Ms. Cláudia Lahni

Introdução

A atuação da mídia pode fazer ou desfazer uma imagem, criar um mito e desmistificá-lo com uma rapidez por vezes impressionante. Desde a sua origem, na França do século XVII, os primeiros jornais ou informativos tinham como objetivo atuar politicamente, influenciando a população a apoiar a revolução burguesa. Os panfletos distribuídos, muito além de informar, formavam apoiadores e tentavam desmoralizar a aristocracia que detinha o poder político.

Não se quer aqui, achar a mídia ingênua, mas é preciso ter em vista que qualquer letra impressa ou falada, por mais tendenciosa que seja, deve se manter nos limites da ética e idealmente buscando a objetividade. Principalmente quando o assunto a ser tratado é de grande polêmica, como a política ou a homossexualidade, o cuidado na escolha das palavras é fundamental para que difamações ou vulgarizações não aconteçam.

Em Macaé (RJ) de fins da década de cinqüenta, os pré-supostos básicos da informação jornalística e da ética foram ignorados. Um prefeito polêmico e discriminado por sua orientação sexual foi alvo de uma cobertura questionável pela imprensa da época. A homossexualidade de um homem foi abordada por trás de muitos adjetivos pejorativos, e sua sexualidade foi decisiva no processo de cassação que o retirou do poder.

Nesse trabalho procura-se analisar o conteúdo da cobertura do mandato do então prefeito de Macaé, Eduardo Serrano, eleito em 1959 e deposto em 1960. Até que ponto a mídia da época contribuiu para a desmoralização, para o processo de cassação e posterior renúncia de Serrano ao mandato.

Macaé do século XX

Macaé entrou no século XX com sua economia basicamente rural. Dentre as principais forças produtivas estavam a cana de açúcar, as plantações cafeeiras, a atividade pecuarista e a extração do pescado. Não mais eram os escravos a trabalhar, mas os latifúndios e monoculturas continuavam como no século XIX e propiciavam que o grande proprietário de terras desempenhasse vários papéis como “agricultor, homem de negócios, defensor da segurança local e freqüentemente político”1. No início do século XX, Macaé vê sua atividade comercial em decadência que fica estagnada até meados do século XX, resultado também de crises sucessivas após a 1ª Guerra Mundial.

A partir da década de 40, Macaé retoma o seu desenvolvimento com a construção de canais de dragagem, da usina hidrelétrica de Macabú e com a inauguração em 1943 da Via Amaral Peixoto ( hoje, RJ 106 ) ligando Campos a Niterói e passando por Macaé. A construção dessa rodovia é fundamental para que o comércio local fosse revitalizado. Já a área cultural foi fértil no século XX. Teatros, Associações, Clubes Literários eram responsáveis por manter acesas as discussões políticas e literárias de Macaé. Em meados do século XX, Macaé ficou conhecida por gerar artistas famosos como Benedito Lacerda, Emilinha Borba, Angela Maria, Lucas Vieira, dentre ­outros.
A década de 50

Macaé entra na década de cinqüenta com grande expectativa de desenvolvimento, já que, em 1955, teria fim a maldição lançada por um macaense contra a cidade. Mota Coqueiro, último condenado à pena de morte no Brasil, quando da hora da sua execução, lança sobre Macaé uma praga de 100 anos de atraso. Na superstição popular, a década que se iniciava traria para o município o progresso tão esperado.

Nesse peródo a população da cidade era estimada em torno de 50 mil habitantes, mas ainda havia poucas indústrias. A grande empregadora de Macaé era a Estrada de Ferro Leopoldina. A economia macaense ainda era, como no início do século, baseada na atividade primária: agroindústria açucareira, pecuária e pesca. Macaé era uma cidade pobre em arrecadação, sobrevivendo de impostos e de repasses do Estado.

Um fato curioso dessa década é que em 1958 é feita a primeira perfuração a procura de petróleo na região. Feita na parte terrestre, tinha o objetivo de conhecer as camadas geológicas de Macaé. Na década de 70, Macaé iria se transformar em um importante produtor de petróleo, como de fato é até hoje.

Na área cultural a grande febre era o cinema:

“Para o lazer do macaense, contava-se com dois cinemas - Cine Santa Isabel e o Cine Taboada – com suas sessões noturnas e as matinês aos domingos; acompanhados nos fins de semana pelo tradicional “footing” na Avenida Rui Barbosa, que era interditada para o vai e vem das moças casadoiras. As domingueiras nos clubes, o banho de mar na praia de Imbetiba e as festas religiosas, compunham o lazer macaense”2.

Política

A vida política de Macaé na década de cinqüenta podia ser condensada na existência de quatro partidos políticos que se sucediam no poder e tinham os seus redutos eleitorais muito bem definidos: UDN ( União Democrática Nacional) que representava os interesses dos grandes proprietários de terras e a ala empresarial de Macaé, o PSD ( Partido Social Democrático) que tinha excelente organização partidária e representava a elite dominante do município, o PCB ( Partido Comunista Brasileiro) que buscava o apoio dos trabalhadores macaenses, e o PSP ( Partido Social Progressista que tinha grande penetração e buscava o apoio do Sindicato dos Ferroviários que já era reduto do PSB ( Partido Socialista Brasileiro).

A história do jornalismo em Macaé

O jornalismo em Macaé nasceu quando o jornalismo brasileiro, também em seus primórdios, tinha características muito peculiares. Era uma imprensa muito menos comprometida com a informação do que em noticiar polêmicas e ataques pessoais. Tinha também uma forte e clara tendência ideológica apresentando-se como uma imprensa político-partidária que se configurava como um instrumento na defesa dos interesses das diferentes alas.

Nesse contexto, em 1º de julho de 1862, uma terça-feira, é lançado o primeiro jornal de Macaé, “Monitor Macaense”. Saía às terças e sextas feiras. Esse jornal sobreviveu até 1870 quando foi desativado, provavelmente por problemas financeiros.

Em 1867 é lançado “O Thelegrapho” que saía às quartas e sábados e seguia tendências liberais. Tinha como proprietário Bento Pinto Leite. Joaquim Gonçalves de Abreu fundou o terceiro jornal de Macaé, o Tribuno do Povo, em 1º de dezembro de 1868. Esse jornal saía às quintas feiras e aos domingos produzindo uma circunstância curiosa. Os três primeiros jornais da cidade eram bissemanais e saiam em dias diferentes, tendo a população notícias locais todos os dias da semana, excetuando-se as segundas feiras.

Esses três primeiros jornais davam amplo espaço para as manifestações da população que abusava de trovas e curtas poesias para rivalizar com outros moradores. Nessas provocações nomes não eram assinados , e os pseudônimos criados foram muitos como Quebra-Vidraça, Dr. Pilhéria, Tinhoso e outros. Até ameaças de morte foram veiculadas pelos jornais:

“Pois eu avisar-lhe quero...
A você e a outros mais
Deixar-se de asneiras tais
De cuidar da vida alheia!
Que pode um dia marchar
Com passo lento e profundo
Daqui para outro mundo
Comendo gurumbumba à ceia”

Além dos conteúdos, os jornais da época tinham formatos muito parecidos:

“Obedeciam todos os nossos periódicos modelo da imprensa brasileira da época, por seu turno copiado de seus similares ingleses. Formato 30x 45 cm, quatro páginas sem manchetes, divididas em quatro colunas. Com ligeiríssima variação de um para o ouro, tais jornais ocupavam a primeira página com editoriais e ralas colunas de informações sob o título Noticiário ou Gazeta. O rodapé dessa página de rosto era campo de pouso, bem como o mesmo espaço do verso, ou seja, da página dois, de romances em folhetim. Coisas como O segredo do Abade de Arnaldo Viana gama ou Vinte Horas de Liteira de Camilo Castelo Branco, para dar dois exemplos..”3

Outros jornais foram publicados nessa época com o mesmo objetivo “literário e noticioso”. São eles: “O Ramalhete”, em 1871, “O Goytacaz”, em 1875 e, em 1877, “Aurora Macaense”. Em 1896 é lançado “O Século”, jornal abolicionista que enfrentou forte oposição dos fazendeiros. Sua primeira tiragem foi de 765 exemplares. O jornal foi desativado com a morte do seu proprietário Souza Mello, em 1918.

Como os jornais continuavam a dar espaço às pilhérias da população que as faziam sem assinatura, foi feita uma reunião no dia 11 de junho de 1887 entre alguns jornalistas e pessoas ilustres da época em que ficaram acordadas algumas propostas: banimento de artigos sobre a vida privada ou questionamento do caráter ou honra de qualquer pessoa, somente publicação de artigos devidamente responsabilizados na forma da lei e, por último, multa para o proprietário do jornal que infringisse o acordo.

Em 1895 é lançado em Macaé “O Lynce” por José Hugo Kopp, que de início era impresso nas oficinas do “Jornal do Brasil”.

“A primeira década desse nosso século testemunhou, em seu último ano, o aparecimento de outro importante jornal de nosso passado, “O Regenerador”. Mas essa década foi pródiga em nascimentos e óbitos de pequenos jornais, geralmente intitulados “literários e noticiosos” por seus fundadores. Jornais normalmente surgidos de jovens, aspirantes às glórias das letras ou amantes de mexericos, até certo ponto, inocentes. Apareciam tais periódicos, com muito entusiasmo, com muita ênfase, circulavam no máximo uma dezena de vezes, e logo finavam desanimadamente. Desse tipo de imprensa, nitidamente interiorana, temos notícia – no período a que nos referimos – dos seguintes títulos: “A mocidade”( 1902), de Humberto Mello e João Nelson, “O Porvir”( também em 1902), de H. Kopp e J. Lacerda e cujo primeiro número foi impresso em papel verde; “O Álbum”( 1905), de Carivaldo Pinto; “O Baluarte”( também em 1905), de Oscar Massena; “O Macaense”( ainda em 1905), de Anibal Mello e Mário Costa; “O Éden”( 1906), órgão do Club Edem Macahense, redigido por Herculano Kopp; “A Lavara”( 1906) de Gil Antunes de Carvalho, e “A semana (1909), de José e Pedro Melo”.4

Em 1927 é fundado em Macaé, por Cleveland de Souza Lima, o jornal “O Momento” que chegou a circular durante cinco anos. Se intitulava “semanário independente, noticioso e esportivo”, mas em 1930 teve o título de “Órgão Oficial do Partido Democrático do Estado do Rio de Janeiro”. Em 1929 é fundado o “Macahé esportivo” que tinha como frontispício “Semanário esportivo e noticioso”. Em 1932 é fundado “O Rebate” por Antônio Duarte Gomes. Esse jornal circulou por 31 anos ininterruptos e teve grande abrangência no município sendo defensor de tradições macaenses. Em 1938 aparece na cidade a “Gazeta de Macaé”, fundada por Latiff Mussi Rocha. Além de jornais, Macaé ganhou uma Rádio em 1950, a XYP-21. Pertenceu até 1958 a José Freire Dantas Filho sendo vendida nessa época a Iltamir Abreu, que trocou o nome da rádio para Princesa do Atlântico; sua torre estava localizada no Bairro Visconde de Araújo e operava com 250 w de potência irradiante na antena e ondas de 365m. Em 1958 a rádio ficava no ar das 6 horas da manhã até meia-noite, diariamente. A rádio transmitia as sessões da Câmara e das Associações de Classe da cidade. Na década de cinqüenta, os jornais locais e estaduais e a rádio local foram importantes veículos na cobertura da vida política da região, inclusive do mandato do prefeito Eduardo Serrano.

Embora em Macaé tenha havido uma profusão de pequenos jornais que não conseguiram se estabelecer e não tinham grande abrangência, esses veículos muito além de noticiarem, tomavam posição nos assuntos que noticiavam e com isso influenciavam seus principais receptores, que eram pessoas da alta sociedade da época. Eram essas pessoas que tinham acesso aos veículos de comunicação, principalmente os jornais, que formavam a opinião pública e influenciavam a população em geral.

Eduardo Serrano

Eduardo Serrano nasceu em 17 de janeiro de 1910 na cidade de Vilha Velha, Espírito Santo. Trabalhava em Niterói como auditor fiscal do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, quando na década de quarenta veio a Macaé para se recuperar de uma enfermidade. Com o fim da licença médica, foi aposentado e fixou residência na cidade. Segundo relatos e livros da época, Eduardo Serrano era solteiro, tinha pele clara, aparentando uns 50 anos de idade; tinha estatura média, era muito falante e simpático, bom orador com grande poder persuasivo.

Mesmo estando em Macaé não perdeu os contatos políticos com a capital e iniciou na cidade um trabalho assistencial àqueles mais carentes. Como conhecia muito bem as leis e os trâmites legais começou a atuar como rábula junto ao Ministério Público, sem cobrar dos clientes. Geralmente eram causas trabalhistas quando Serrano defendia o empregado.

“Reclamações trabalhistas, certidões de nascimento, carteiras de identidade e outros documentos eram entregues graciosamente aos requerentes. A maior parte do que recebia, gastava com serviços que prestava. As causas que defendia, nem sempre as fazia a luz da razão, porque acreditava no que lhe contavam, sem ouvir as partes opostas”5

Em 1947, Serrano fundou em Macaé o Escritório de Assistência Social Eduardo Serrano, em que a população era atendida; esse serviço foi considerado de utilidade pública municipal. Com esses atendimentos, Serrano adquiriu muita popularidade e ficou conhecido como “pai dos pobres”. Já os políticos da cidade viam com desconfiança a figura de Serrano, mas até essa hora não tomaram nenhuma atitude de retaliação. O poder constituído ainda não se encontrava ameaçado. Pelo contrário, em anos eleitorais os políticos se aproximavam de Serrano que se configurava como importante cabo eleitoral conseguindo arrebanhar grande quantidade de votos para o candidato que apoiasse. A partir do momento em que Serrano solidificou sua atuação junto a comunidade periférica e demonstrou as primeiras pretensões políticas que tinha, os caciques políticos da época se espantaram e perceberam o perigo que o “pai dos pobres” se configurava.

Em 1958, Eduardo Serrano demonstra pretensões de lançar-se candidato a prefeito, mas não é aceito por nenhum partido local, tendo que fundar um partido em Macaé, o PR (Partido Republicano) e convida Antônio Otto de Souza para ser seu vice. Nessa hora a homossexualidade de Eduardo Serrano começa a ser ventilada como um impedimento ao cargo do Executivo. Mesmo nos livros escritos posteriormente àquela década, o preconceito é claramente identificável:

“Já conhecido na cidade como pederasta passivo, os seus casos amorosos foram difundidos de boca-em-boca, por pessoas que temiam um dia ter como chefe do poder executivo uma pessoa de tão baixo moral. A sociedade macaense não aceitava”6

Uma observação a ser feita é que a sociedade ilustre, do centro da cidade, detentora do poder, não aceitava, mas a população periférica não via a homossexualidade de Serrano como impedimento a nada, pelo contrário, Eduardo Serrano se configurava como uma esperança de aquelas comunidades se fazerem representar.

Realizou-se o pleito e como diz Iltamir Honório Abreu, vereador eleito pelo PSP “aconteceu o inesperado: “o Eduardo Serrano ganhou as eleições”7 e para governador foi eleito Roberto Silveira ( PTB). A câmara de vereadores ficou com os seguintes quadros: Francisco de Assis Almeida Pereira, Jovelino Antônio Proença e Gê Sardemberg da UDN, Alcides Ramos, Lacerda Agostinho, José Machado Barcelos, Joaquim Lobo dos Santos e Iltamir Abreu do PSP, Joaquim Amaral Filho, Carolino Curvelo Benjamim, Antonino Manoel Cure e Bento Fidélis Rosendo do PTB, Roberto Mourão e Walter Quaresma pelo PSB, Manoel de Araújo Jatobá pelo PDC e apenas dois vereadores eleitos pelo partido de Eduardo Serrano, o PR, Alcides Vieira e Luis Pinheiro. Eduardo Serrano tomou posse em 1º de março de 1959 com forte oposição da Câmara.

Segundo entrevista com José Milbs8, presidente do Grêmio da Escola Estadual Luiz Reid em 1960, o governador, embora apoiado por Serrano na campanha, tinha interesses em prejudicar o seu mandato porque Gersom Miranda que tinha sido candidato a prefeito era neto de Tarcísio Miranda, um político de Campos dos Goytacazes, que era o padrinho político do governador. Então havia um interesse claro que Gerson Miranda, o Mirandinha estivesse no poder e não Eduardo Serrano.

Nessa época Macaé se sustentava, principalmente, por arrecadação de impostos , que eram poucos e por repasse de cotas do governo do estado, que era o que realmente garantia a cidade. Mas essas cotas, segundo o prefeito, não estavam sendo repassadas o que gerou um caos no funcionalismo público e motivou ainda mais a contrariedade com a homossexualidade do prefeito. Armando Borges em seu livro Histórias e Lendas de Macaé conta :

“Seis meses após sua posse, começaram a surgir os desmandos administrativos, logo denunciados à Câmara Municipal, com o agravante de denúncias de pederastia do Prefeito: fato aliás, que era do conhecimento público, porém sem provas concretas. Naquela época, a sociedade macaense não aceitava em hipótese alguma aquela anomalia.”9

Já em 1º de junho, apenas três meses após a posse do prefeito, a Câmara Municipal cria uma Comissão Especial para “apurar diversas irregularidades denunciadas ao plenário” conforme está no relatório entregue, em 09 de janeiro de 1960, à Câmara pelos vereadores. A partir daí, a perseguição a Serrano aumenta e a situação política em Macaé vai se agravando. O funcionalismo público, que por não receber seu salário entrara em greve, recebia o apoio da Câmara Municipal e das entidades de classe de Macaé. Por sua vez, Serrano justificava o atraso no pagamento com o não repasse das cotas pelo governador.

Desde a sua posse, Serrano já era alvo de críticas por ter demitido funcionários e já era atacado ferozmente pela imprensa local:

“O homem dos humildes se levantou da sua incapacidade, do seu estado mórbido, e de dentes trincados, procura, a todo custo, fazer mal aos pequenos, aos que vivem na humildade, enquanto por outro lado, disfarçadamente, bajula os grandes e os poderosos num indisfarçável temor à sua incompetência”10

Enquanto as investigações da Comissão continuavam, uma forte campanha que articulava opinião pública, jornal e a rádio (como falou em entrevista o proprietário da rádio local da época e também vereador Iltamir Abreu), visava a desmoralização de Eduardo Serrano. Para tanto também eram usados alto falantes pela cidade em que as sessões da Câmara, que eram repletas de acusações contra o prefeito e onde ele não estava para se defender, eram transmitidas para a população. A própria Comissão de Inquérito solicitou que números do jornal local “O Rebate” fossem incorporados aos autos do inquérito. No mês de dezembro de 1959 a situação em Macaé se torna ainda mais tensa porque a Comissão de Inquérito convoca 12 pessoas para depor. Nesses depoimentos são relatadas as tentativas do prefeito de manter relações sexuais com guardas municipais que eram destacados para vigiarem sua casa e os atos sexuais com alguns desses mesmos guardas. Em 09 de janeiro é entregue a Câmara Municipal o Relatório Final da Comissão de Inquérito, que entre outras coisas relata:

“O procedimento do prefeito tem sido sobremodo irregular, revelando uma personalidade instável, arredia, flutuante, incapaz de administrar tardiamente o município... A sua atitude moral é de estarrecer. Os depoimentos colhidos – comprovam, a sociedade, o seu vergonhoso procedimento, ofensivo ao decoro, à honra e a dignidade do cargo que ocupa... Concluindo, a Comissão é de parecer que a Egrégia Câmara mando ingressar em juízo com representação criminal, através de advogado, afim de apurar a responsabilidade penal do Sr. Prefeito Eduardo Serrano...”

À medida que o processo ia correndo, os veículos de comunicação se tornam mais agressivos e os jornais publicam matérias ofensivas e, na rádio, o espaço para se falar contra Eduardo Serrano era amplo. O “Rebate” do dia 17 de janeiro traz uma matéria sobre o relatório:

“... o recinto do Legislativo super lotado para prestigiar a histórica reunião e tomar conhecimento do mais fedorento processo conhecido até hoje, a começar da parte político administrativa ao moral de seu dirigente... Para concluir com a parte moral, repleta de depoimentos estarrecedores e de monstruosidades e imundícies, que as Comissão de Inquérito, em sinal de respeito, andou bem em não unir em libreto para distribuição à Justiça, as autoridades e ao público como a coisa mais infecta que se tem conhecimento nesse mundo de Jesus Cristo”11

Nesse ínterim, o processo contra Serrano estava na Justiça esperando julgamento, o que poderia demorar muito para levar resultados concretos. A Câmara recorre então a um novo recurso para ter o prefeito afastado do cargo imediatamente. Aproveitando a ida de Serrano a Niterói, para conseguir recursos junto à Secretaria de Finanças, a Câmara, no dia 19 de janeiro de 1960, pede a três médicos conceituados na cidade um parecer médico sobre a pessoa do prefeito Eduardo Serrano. Horas depois o parecer médico é entregue já reconhecido no Cartório do 2º Ofício do Sr Elias Agostinho. O documento resulta na afirmativa de que devido a sua homossexuaidade o prefeito não reunia as mínimas condições psico-físicas para exercer o cargo de prefeito normal e harmonicamente.

De posse do laudo, a Câmara Municipal de Macaé cassa, ainda no dia 19, os poderes do Prefeito, assumindo o seu vice Antônio Otto de Souza.

A partir daí uma batalha judicial se instala. Serrano impetra um mandato de segurança contra a Resolução da Câmara Municipal alegando que todo o processo havia ido conduzido a sua revelia. Em 1º de setembro de 1960, Eduardo Serrano ganha a causa e encaminha-se à noite para a prefeitura que se encontrava com as suas luzes cortadas, tendo que lá permanecer à luz de velas. Serrano voltava ao poder, mas as pressões e investidas contra o seu mandato continuavam muito fortes. Em 4 de setembro já existe na Câmara Municipal um ofício assinado por várias entidades de classe solicitando que a Câmara apure irregularidades na administração de Eduardo Serrano.

Diante da pressão da sociedade, Serrano acena com a possibilidade de renúncia se o seu vice também renunciasse. Assim em 15 de setembro de 1960 o prefeito envia a Câmara um documento comunicando a sua renúncia e a do vice prefeito, valendo a partir do dia 21 do mesmo mês. Assume a prefeitura o vereador Alcides Ramos. A partir daí o estado liberou as cotas que estavam atrasadas e a calma voltou a cidade. A Câmara ainda investigou as contas da administração de Eduardo Serrano, mas segundo Orlando Tavares Dias, chefe da contabilidade à época, nenhuma irregularidade foi encontrada.

Conclusão

No livro A Síndrome da Antena Parabólica, de Bernardo Kucinski, o autor se apropria de um termo usado por Noam Chomsky (1989) para analisar a mídia norte americana e o aplica a realidade brasileira. A “construção do consenso” verificada pelo lingüista nos Estados Unidos pode ser aplicada com algumas adaptações à realidade brasileira, como pretende Kucinski, e também a cobertura que a mídia deu ao prefeito Eduardo Serrano. Kucinski identifica a construção do consenso no Brasil na medida em que uma visão reduzida dos fatos é adotada pela mídia. A angulação escolhida pelos diferentes veículos se torna a mesma e é sempre a mais conveniente aos detentores do poder.

“ No Brasil a produção do consenso parece ser antes um processo político que se realiza primeiro na esfera do poder, e só depois busca a esfera pública como processo mediático. Dessa instância superior o consenso é imposto à mídia e parece determinar o próprio padrão da cobertura jornalística”12

Esse consenso se faz ainda mais presente no momento em que o poder e o privilégio da oligarquias entram no jogo, como no caso aqui estudado. Um forasteiro, homossexual consegue tirar o poder político de famílias que comandavam a cidade. Sob essa perspectiva, a imprensa da época e mais detidamente os veículos estudados, a “Rádio Macaé” e o Jornal “O Rebate”, se valeram da criação do consenso para ajudar a formar a opinião pública contra Eduardo Serrano.

É preciso lembrar que esse fato ocorre em 1960, em uma cidade de interior onde os veículos de imprensa não tinham a penetração e consequentemente o poder que têm hoje, mas já nessa época a imprensa ajudava a formar os pontos de vista do seleto grupo de estudiosos da cidade que por sua vez influenciavam aqueles a sua volta e assim sucessivamente.

A Rádio Macaé como o próprio dono, Iltamir Abreu, disse, em entrevista concedida para esse trabalho, fazia uma campanha contra Eduardo Serrano:

“ A rádio instigava contra o prefeito. A minha posição era dentro dos meus interesses políticos e o interesse político daquela hora era fazer campanha, proselitismo contra o prefeito, que era facílimo fazer, qualquer um chegava no microfone e dizia que o prefeito era veado..... Havia um morador, Lecino Melo, ele era terrível, na hora em que o Lecino Melo subia num caixote para falar contra Serrano e o povo só queria ouvir contra mesmo, que a consciência já estava formada, aí a rádio botava, eu levava Lecino Melo para falar na rádio.”

Quando perguntado se Eduardo Serrano foi convidado alguma vez para falar na rádio, ele responde:

Em solenidades da Câmara em que ele por ser prefeito era obrigado a ser chamado, foi entrevistado algumas vezes. Espaço para ele eu não dava”. 13

A rádio como se constata com as falas do proprietário assumiu uma posição contra Eduardo Serrano. Não deixa possibilidade para que os fatos que se sucediam naquele momento fossem vistos de uma forma diferente.

A cobertura do Jornal “ O Rebate” não se diferenciou muito da rádio. O consenso foi obtido através da similaridade dos textos, que, em sua maioria, tinham uma postura contrária ao prefeito. Em nenhum momento, em três anos consecutivos analisados, uma visão plural foi apresentada. O discurso único e contrário já estava presente desde 1958, ano da eleição, produzindo o consenso. Para reforçar ainda mais a campanha contra Eduardo Serrano, algumas palavras como moral, tradição, dignidade, decência foram usadas em repetidos artigos, sempre denegrindo a imagem do prefeito e realçando importância e o respeito que Macaé merecia. Com essas formas, por vezes mais sutis, por vezes mais grosseiras, esses dois veículos de comunicação local, atuaram na construção do consenso e criaram uma atmosfera sem a qual a imagem do prefeito não seria desgastada de modo tão rápido e eficaz quanto o ocorrido.

Na verdade, Serrano já havia sido julgado e condenado por esse júri formado pelos poderosos da cidade e pela imprensa local. Seu crime teve duas faces: ocupar o lugar historicamente reservado para as elites e abalar as tradições macaenses com sua homossexualidade. Como punição, Eduardo Serrano foi “caçado” pela sociedade macaense

Referências

BORGES, Armando. Associação Comercial e o progresso de Macaé. Ed. Lar Cristão. Campos, RJ, 1988

BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo, 1996

JÚNIOR, Dácio Tavarez Lôbo Júnior. Síntese Geo-Histórica. 100 Artes Publicações, Rio de Janeiro RJ, 1990

LAPA, Sônia. A trajetória política de Eduardo Serrano, monografia. Mimeo. Macaé, RJ.

PARADA, Antônio Alvarez. Abecê de Macaé- Guia Informativo e turístico. Gráfica Falcão LTDA. Niterói RJ, 1963

PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obra Póstuma, 1º volume. Artes Gráficas, Rio de Janeiro RJ, 1995

PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obra Póstuma, 2º volume. Artes Gráficas, Rio de Janeiro RJ, 1995

Notas

1 JÚNIOR, Dácio Tavarez Lobo. Síntese Geo-Histórica de Macaé. 100 Artes Publicações. Rio de Janeiro, RJ, 1990.

2 LAPA, Sônia. A trajetória política de Eduardo Serrano, monografia. Mimeo. Macaé, RJ.

3 FERREIRA, José Augusto

Historia de Macaé. Secretaria de Comunicação de Macaé. Macaé RJ. 1993

4 PARADA, Antônio Alvarez. Histórias Curtas e Antigas de Macaé. Obras Póstumas, Volume 1.Artes Gráficas. Macaé RJ, 1995

5 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

6 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

7 Em entrevista cedida por Iltamir Abreu, proprietário da Rádio Macaé para este trabalho em 01/11/2001

7 Entrevista concedida por josé Milbs para esse trabalho

8 BORGES, Armando. Histórias e Lendas de Macaé. Mimeo. 1996

9 jornal O Rebate 26 de abril de 1959

10 Jornal O Rebate de 17 de janeiro de 1960

11 KUCINSKI, Bernardo. A Síndrome da Antena Parabólica. Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, SP.1998

12 Em entrevista cedida por Iltamir Abreu, proprietário da Rádio Macaé para este trabalho em 01/11/2001.

25.3.11




"Flores ao vento, na cortina da janela, cores primavera Primavera,Primavera é quando, num pedacinho da Terra, as flores se abrem,o sol fica mais forte e a vida fica mais alegre,Quando, num canto da Terra, se faz primavera, nos outros cantos se faz verão, inverno e outono,Das quatro estações, a primavera é a mais bonita, porque colore a terra, perfuma o ar,e contagia os corações sensíveis com sua alegria,A primavera é uma boa época para renovar o espírito, assim como as flores se renovam. E de colher os frutos e semear a terra,Semear a terra sempre, pois isso significa mantê-la sempre fértil,E de terra fértil, sempre brota a vida...Bom seria se a primavera acontecesse o tempo todo, em todos os corações humanos... florescendo, enfim, na forma de atos, palavras e pensamentos, sempre positivos...se cada ser vivente, fosse como uma flor, bela, pura e cheirosa, toda a Terra viveria Feli

12.3.11

NAO FALEM NESTA MULHER PERTO DE MIM




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Quando Herivelto Martins vinha em Macaé, nos anos 40/50, numa casa que Dalva de Oliveira morou uns tempos,numa Travessa da Rua do Meio, eles cantarolavam e as crianças ouviam no velho LUAR DE IMBETIBA, http://www.jornalorebate.com/luar_de_imbetiba/
Eu tinha uns 11. anos

Não falem pra não lembrar minha dor...
Já fui moço, já gozei a mocidade,
Se me lembro dela, me dá saudades...
Por ela, vivo aos trancos e barrancos.
Respeite, aos menos, meus CABELOS BRANCOS...
Ninguém viveu a vida que eu vivi...
Nem sofreu na vida o que sofri...
As lágrimas sentidas, no meu sorriso franco,
refletem-se, hoje em dia, nos meus CABELOS BRANCOS.
Agora, em homenagem ao meu fim...
NAO FALEM DESTA MULHER PERTO DE MIM...

25.2.11

Escrever na Areia e escrever na Pedra..




Diz uma lenda árabe, que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram, sendo um deles esbofeteado, ofendido e sem nada a dizer, escreveu na areia.

Hoje meu melhor amigo me bateu no rosto.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram tomar banho, o que havia sido esbofeteado começou a se afogar, sendo salvo pelo amigo, ao se recuperar, pegou um estilete e gravou em uma pedra.

Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida.

Intrigado, o amigo perguntou:
-Por que depois que te bati, você escreveu na areia, e agora escreveu na pedra?
Sorrindo, o outro amigo respondeu:
-Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregará de apagar, mas quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração, onde vento nenhum do mundo tem poder de apagar.

Gravei na pedra da memória nossa amizade, onde vendo nenhum do mundo tem poder de apagar...
LUIZ ZATAR, POETA, ADVOGADO, ESCRITOR E GRANDE ARTISTA, ESCREVE E FALA DE SUA AMIZADE COM O EDITOR MILBS:
Luiz Zatar escreveu:
"José Milbs, meu grande parceiro de sonhos, de letras, de tantas obras literárias, de tantas lutas para conscientizar um povo, você já é uma lenda, - ter um amigo lendário então não poderia ser mais mágico, pois é um construtor de mentes, um alicerce para tantos exercitarem o dom da palavra e concretizar a maior das artes. Que sua estrela brilhe cada vez mais potente, guiando-nos, dando rumos e oferecendo com essa generosidade as portas abertas do seu coração, de sua alma imensa, vasta, riquíssima e única. Parabéns pelos enormes feitos e grandes conquistas!"

16.2.11

morre dona Zelina, Grande história de nossa região...



MORRE ZELINA VIEIRA MEIRELES, EXEMPLO DE VIDA E AMOR A REGIÃO DO PETRÓLEO
Familia das mais tradicionais de Macaé, casada com o queridissimo Walter Veira, mãe do Teatrólogo Ricardo Meireles e de Lia Vieira. Sempre alegre, distribuindo acenos e afagos aos mais novos, sua morte deixa uma lacuna grande nas amizades macaenses e fará muita falta nas suas caminhadas em nossas ruas.
Maca[e vai ficando cada dia "mais menor" com a perdas constantes de nossos pilares. Feliz por saber que os frutos estão por ai para dar seguimento a vida.
Atendendo ao desejo de nosso companheiro, Mestre e Comandante, Waldyr Tavares, a Liga Operária enviou as condolências que transcrevo abaixo:

Ricardo e Lia...
Um nome do Companheiro e Comandante Waldyr Tavares envio as condolências da LO do RJ pela morte de Zelina Meirelis Vieira que sempre foi um exemplo de esposa, mãe, amiga e companheira nas lutas que a vida lhe pos a prova,
Waldyr não teve como escrever e me incumbiu de fazer esta missão. Suas lagrimas e da sua companheira, comtemporaneos dela e de Walter não deram espaços para o raciocinio do texto.
Sai de cena, do palco da vida e da história de nossa região a mulher que nos presenteou com as alegres vidas de vc e de Lia...
Transmita a ela e aos seus filhos Mariana e Filipe que a vida continua embora com cheiro ativo da saudade que sei ficar ativa a vida de vcs.
Fraternalmente,
José Milbs de Lacerda Gama - Waldyr Tavares
Liga Operária