Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

27.1.09

Minha rede na varanda, poucos amigos, muitas lembranças e a certeza de que "O homem é o que é por último" como disse o Fernando Frota nos anos 70






MINHA REDE NA VARANDA DO SITIO

UM POUCO DAS HISTÓRIAS DOS ANOS 70 E O FIM DO MOVIMENTO HIPPIES

Durante um longo período fiquei afastado do sítio que minha mãe trocou pelo terreno que minha avó deixou para ela como herança. O terreno era na Rua do Meio onde nasci.
O sitio, na Granja dos Cavaleiros, parte uma antiga fazenda da Família do Escritor macaense Luiz Lawrie Reid que se tornou loteamento.

A época participava no movimento hippie e só falava em deixar a cidade e ir para o campo. "Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer". Era tudo que queria e minha mãe fez minha vontade.

Deixar a cidade e ir morar longe dos burburinhos fazia minha cabeça e eu aceitei de pronto. Embora continuasse morando na Rua Visconde de Quissamã, numa vila,, eu vinha todo o dia no sitio e me encantava com a mansidão solitária. O local no início dos anos 70, não tinha estrada, luz, nada. Simplesmente tinha "tudo" para mim.

Apenas uma picada feita por andar humano e bicicletas formava o caminho. Uma trilha (no bom sentido). Pequena estrada feita, pelos loteadores para vender os lotes que tinham de 5 mil a 10 mil metros quadrados.

Passarinhos expulsos de Macaé tinham por aqui seu local tranqüilo e firme para procriação. Bacurau pelo caminho, borboletas de todas as cores, preás, rãs, enfim eram alguns dos componentes que se podia admirar nos 2 quilômetros que separavam o sitio da estrada.
Rolinhas, papas-capins, tizius, sabiás, andorinhas, pombos selvagens, pombas-Rola, anuns, gaviões e, patos que se fizeram selvagens, vindos do sitio de Lafaiete Cyríaco, que mais tarde também foi expulso de seu belo recanto poético, davam a certeza que ainda existia paraíso para se viver dentro de uma cidade que começava a ter sua história deteriorada, em sua essência, pela chegada da "corrida do petróleo" criando ganâncias materiais aos menos avisados. Os bobos proprietários vendiam tudo que tinham acumulados ao longo da vida de seus pais e avós e vendiam para os que chegavam.

"De vês em quanto", cavalos e cavaleiros passavam e, nos cumprimentos, se podia notar purezas, ainda latentes, em seus cavalgamentos sem destino.

DAS BONDADES HUMANAS

As manhãs eram sempre maiores e já se podiam notar os verdadeiros moradores do lugar. Seu Flanque (como é conhecido) tinha a beleza nascente da bondade e da presteza.
Peroba, Cimar, Natalina, Beto, João seus irmãos e, seu pai Pacuçu, se misturavam a novos Baianos como Manoel Vieira que morava do meu lado com dona Lindaura que trouxe e espalhou uma raça de bons meninos baianos. Dona Lindaura nos deixou em plena forma e vigor.

Jorge Barbudo, Moraes, José e Milward. Enfim o local começava a se formar com gente que conhecem cada palmo e cada planta. Dona Rola, com sua meiga presença, era uma espécie de abelha Rainha deste paraíso intocado numa Macaé ainda não desbravada. Roberto, seu filho, irmão de Chicão sabe, como eu, o quanto as coisas mudam e se transformam. Nosso Bairro ainda era conhecido como "Molambo", nome herdado das longas e intermináveis idas e vindas na Fazenda dos descendentes do Luiz Lawrie Reid.

Morou ainda por aqui Manoel do PU e seus filhos, ele, autor de "Cascudinho Azarento", música de sua autoria que fala num peixe de seu sertão nordestino. Durante a música ele apela para não falar no nome deste peixe que ai dá azar e não se pescaria nada.

Cantou no Festival que fizemos no "O REBATE" nos anos 60 e que mereceu aplauso e preferência de José Carlos Oliveira, Jaguar e Olga Savani, embora Piry tenha vencido o Festiva de O Rebate de 68, o "Cascudinho Azarento" fez sua história. Foi citado em longo texto no JB feito pelo meu amigo e boêmio José Carlos de Oliveira.

Era desta gente pura como o ferroviário Marinho e seus filhos, notadamente Stalin, que foi registrado com Estalin, num dos famosos erros cartoriais macaenses, que se iniciou o bairro. Com isso a minha recordação vai ficando cada dia mais presente e fortalecida.
A presença de Moraes, no sítio, vinha de sua morada com Barreto, irmão de Milward, bem lá onde fica o final do ônibus 80 que faz trajeto Cavaleiros /Aroeira. Nesta época não tinha estrada, e, uma picada nos levava ao sítio deste amigo Barreto, que era vizinho de Salvador Baptista dos Santos e Roberto Bueno de Paula Mussi. Dodô saiu da área e Roberto continua morando lá.

Durante muito tempo editei o jornal O REBATE neste Bairro, num galpão construído com a mão de obra local,com suas paredes, por incrível que pareça, feitas de pau a pique.
Um dia estava passando na porta de um bar e um menino me chamou atenção pelo olhar ativo e esperto, perguntei-se ele queria ser tipógrafo e ele, sem saber nem o que era, me disse que sim, depois de anos foi um dos bons impressores e compositores do jornal.

Ricardo ainda mora na região, e, como Natalina e outros trabalhavam comigo no jornal que era uma espécie de orgulho do Bairro. Chicão e Peroba, um dos mais antigos moradores daqui, sempre falam com Luís Cláudio, meu filho, que o "Molambo" já teve um jornal Semanal e um Diário, já que Luís Cláudio, Magrinho, Elton, Ricardo, Natalina, Fraga, editaram o DIARIO MACAENSE que infelizmente não vingou por falta de uma coisa muito comum no jornalismo que é o acocoramento ao poder

Em novembro era tempo de colher Jabuticabas, Acerolas, Pitangas, Amoras. Os pés de Mangas começam a ter seus frutos caídos com os ventos vindo do Sul e as Jaqueiras nos dando a certeza que teremos doces no mês de dezembro quando se aproximar o final do ano. Muitos cajus brancos e vermelhos e abricó...

O sitio é um local ainda virgem na Macaé que se prostituiu com o progresso descompassado e feio. O galo ainda canta nas madrugadas e os anus brancos e negros teimam em aninhar-se nas árvores que mantenho ainda de pé em teimosa posição de reação as multinacionais que me cercam por todos os lados. Expulsaram o Lafaiete Ciryaco, o Alfredinho Tanus, filho de Camil, o meu primo Lélio Almeida, o Paulo da Farmácia e, encolheram o terreno de dona Rola, mãe de Chicão e Peroba.

A NASCENTE E OS GINDASTES

As empresas chegam e compram tudo nesta área, que puseram o nome de "expansão urbana" e Área Impresarial de Firmas de Apoio". Resisto e continuo preferindo o cantar dos galos, o pio dos passarinhos ao barulho fedorento de guindastes empacotando correntes de ferro e container. Todas as nascentes do Bairros foram aterradas para engordar as Contas Correntes de alguns macaenses inescrupulosos e muitos políticos corruptos que ganharam grana ao aprovar tudo que vinha "anexado" aos processos de obras...

A nascente que brota no final do terreno é a maior de todas as riquezas do Sítio. Estou cercado de multinacionais e firmas de apoio.Elas aterraram brejos, nascentes e córregos. Mantenho minha nascente de Aba de Morro com sua água cristalina que me abastece quando a Cedae me deixa sem água da Rua e o Aprígio não me atende.È a minha herança para meus filhos que tem sua origem na Fazenda Airys que meu avô Mathias Lacerda deixou para minha avó nos anos l926 e que, trocados daqui e dali, veio a dar nesta Estância Vista Alegre onde moro.

Pus a cama na varanda...
Me esqueci do cobertor...
Deu um vento na roseira...
Meu cuidado se cobriu todo de flor.

AINDA SOBRE O SÍTIO

Dizem que a maioria dos lotes desta Granja foi adquiridos da Família Reid por ex -ferroviários. Este em que moro foi de Moacyr Amaral, um ex-pracinha, que construiu a casa, que ainda resiste ao tempo. Moacyr a construiu quando de sua volta da 2ª Guerra Mundial nos anos 40. Moacyr Amaral morou aqui e trouxe seu cunhado Jorge Marinho que casou se com e meiga Leda que nos presenteou com seus filhos Marcinho e Alexandre.

Ruy Almeida, irmão de Luiz Almeida que tem nome de uma Rua aqui perto , me dizia, quando de suas andanças por aqui onde deixou um belo sitio para seus filhos. Este lugar será a Macaé do futuro. Achava que Ruy estava ficando maluco, como ser uma coisa do futuro num lugar que só tem mato e bicho? O tempo passou, vieram às empresas do petróleo, firmas compraram quase todo o bairro.

Ele construiu uma grande casa onde não tinha nada, seu espírito futurista tinha tocado o seu lado comercial e cumpriu suas profecias: o bairro cresceu. O Molambo virou "Vale Encantado".
Como eu ia dizendo, minha mãe trocou o terreno na Rua do Meio de 330 ms2 por este sitio de 11 mil metros quadrados. Diziam que ela não devia fazer isso. Trocar um terreno perto da Praia de Imbetiba, por um punhado de mato? Ela apenas disse:- “para fazer a vontade de meu filho não vejo isso como lucro ou perda e, virando se para mim, perguntou,. você quer mesmo? o Everaldo Esteves, me telefonou, e fecha o negócio hoje. Respondi sim. .Trocou o terreno pelo sítio, como se diz nas conversas dos tabaréus: elas por elas.

Vindas diárias de carro ou de ônibus se tornaram bons motivos para que conhecesse este paraíso.

DESBRAVANDO AS MENTES EMPOEIRADAS

Era o limiar dos anos 70 e as movimentações sociais caminhavam para que começasse a gostar do local. Pipocavam em todo o mundo os gritos de liberdades nos movimentos contracultura e Hippies. Macaé não podia dizer não. Dissemos presente, embarcamos na canoa de cabeça.
Marcelo do "Grilo" havia aberto seu bar que era o point da época. Lorote Soutinho do fluminense, cria o "860" na Imbetiba de onde se muda toda a galera, deixando a rua principal para se localizarem na orla, onde mais tarde viria à busca do ouro negro e com isso incentivaria a prostituição, mudando o point para a Praia dos Cavaleiros sentenciando em parte a morte da orla de Imbetiba.

Fernando Pereira, abre a "Boca do Suco" que funcionava no centro da cidade e que era uma das opções dos nativos e noctívagos. Uma provocação a repressão que via no titulo uma maneira de cutucá-la.

Samuel Marques pensava em abrir o "Chaplin's," e o abriu mais tarde com apoio de Andréia. Antes Glauro abriria o "Degrau" , no "Velho Casarão" do seu Ibrahim ex -dono do Jogo do Bicho, pai de meus amigos Alan e Flamarion. Três bares em três ruas históricas de Macaé. Boca do Suco na Teixeira de Gouveia; Chaplin, na Silva Jardim e Degrau na Rua Washington Luiz Pereira de Souza.

Izaac criaria o jornal 'PALANK', Euzébio reeditaria 'O SÉCULO' com 'Nato', 'Manel', Phydias, Ricardo e Cláudio Santos. Era uma época de grandes e intermináveis mutações nas cabeças pensantes. Uma gama de jovens vindo de toda a parte do mundo aportava em MACAÉ.
Ricardo Meireles, lançava seu 'Palácio do Urubu' e ia até a Europa. Nato e Manel Reis, Armando Rosário, "Gloria Nacional" e outros imaginam o "Burziguin". Morria "Caubizinho" em triste desastre em São Gonçalo e Luiz Geraldo Pinto idem numa ponte no Sul do país.

"Boca de Bagre" bate de caminhão em Pernambuco e também morre. Deixa o mano "Zé Puleiro" e o "Lalá" tristes. "Fernandel"; "Flavinho" e "Manel das 7 em porta" são alguns das "praças" famosas."Chiquinho Tatagiba" e Ary reinam nas velhas paradas macaenses assim como o "Velho Mota" reinava na Campista. Gordo puxa cadeia na IIha Grande e volta contando historias dos famosos da época.Fala em C.O., em Mariel e em Lúcio Flávio Vilar Rios. Histórias de cadeeiros passadas pelos personagens que vivenciaram. Tudo sob o forte brilhar do belo Luar de Imbetiba e o Sol ameno de nossas tardes...

II

Armando Rosário, deixa o Rio, a "Manchete" e a "Banda de Ipanema" e vem de mala e cuia fotografar Macaé através do "BURZINGUIN", um jornal alternativo que circulava em xérox. "Aninha", minha filha com 8 anos é capa deste jornalzinho lindo. Não sei se ela foi fotografada por Livinho, por Rômulo ou por João Carlos Campos. Fato é que este jornal circulou com muitas fotos e muita gente boa escrevendo. Era o final dos anos 70.

RESISTENCIA E A U.R.

"O REBATE" resiste a tudo e a todos e, mesmo capengando, entra na Contracultura e enfrenta a ditadura . Fuxicando a onça, somos enquadrados na LSN. Lá fui eu e Euzébio responder IPM na Marinha e no Exército. Sorte ter tido como auditor o Almirante Grecco amigo de nossas avós e Jacob Goldemberg um simpático mineiro que entendia nossos escritos.
Denunciados que fomos por uma câmara de vereadores subserviente ao poder e acocorada ao sistema tive minha matricula na Faculdade de Direito impedida de renovação e Euzébio não pode fazer a Universidade. Deixamos de nos formar nas Universidades e nos tornamos bacharéis na Universidade das Ruas (u.r.).

Valia tudo para conhecer o Maravilhoso Mundo Novo que habitava a cidade. Erasmo de Roterdã é lido e Marcuse idem. Fernando Pereira vinha do movimento estudantil de Ibiúna com novos enfoques, Baroni com uma nova arquitetura se faz presente nas caminhadas sob o luar de "Jurubatiba"; ainda virgem das especulações.

A meiguice curiosamente pura de Sandra Waytt, o olhar introspectivo de Edinho e Henry, seus irmãos mais novos, refletem numa Macaé que enfrenta tudo e se propõe guerreira e transformativa.

A poetisa já bailava em Sandra no seu interior que aflorava em versos cândidos e revolucionários. Eleonora Borges nem pensava em abrir o Mahathan nem Armando o Macaé Jornal. O MOVIMENTO ESTUDANTIL DE IBIUNA JAMAIS PODERIA PREVER O RASTRO DE CORRUPÇAO QUE CONTAMINARIA O PT DOS ANOS 2000...

A cidade fervilha.

Fernando Frota lança "Apurrinhola" que chega em boa hora. Estava acabando o ciclo das gargalhadas e dos puros sorrisos e a Apurrinhola vinha fazer voltar o humor e as gargalhadas verdadeiras e nativas.

(Para quem não sabe, vou tentar explicar: Apurrinhola foi uma criação do imaginário de Fernando Frota. Ela, a Apurrinhola era para aporrinhar as pessoas. Invisível, Segundo o criador Freta, a máquina aporrinharia na parte mais sensível de certas pessoas. Tirava dinheiro do bolso quando o cara ia pagar conta; dava tropeçadas em pessoas que faziam poses, engravatados e com cheiro de mofo e empapuçadas pelo poder; falava coisas verdadeiras ao ouvido dos safados, enfim, era uma máquina de aporrinhar mesmo.

Niltinho foi o primeiro a ver este humor e, de soslaio, dava suas catucadas inteligentes e espertas. Quem não curtiu a Apurrinhola de Frota, perdoem, não viveu as loucuras sadias dos anos 70...
Frota, uma cabeça sempre de pensamento rápido e alegre, ria antes de completar os efeitos da Apurrinhola o que dificultava o entendimento quando relatava. È que ele, quando dizia que a "apurrinhola" tinha tirado certas quantias do bolso da pessoa visada, já gargalhava, prevendo o final. Sé quem acompanhava sua onda, em ondas anteriores entendia e sacava no ato. Amildes e Amilton sabiam da existência da maquina e riam juntos com o velho Frota...
.A pura criação desta máquina invisível, nascido do humor interior de Fernando Frota, deu seguimento a milhares de formação de histórias e momentos de raras belezas em cada interior dos que a entendiam. Sendo um ser imaginário a "Apurrilhola" tinha o sentido do mais fino humor.

Marquinho Brochado ainda lembra, com sorriso escancarado de um canto ao outro de seus imaginados.

Até pouco tento antes de projetar seu frágil carro de frente com um possante van e despedir-se do mundo, Marquinho sempre se recordava alegre e feliz das Apurrinholas criadas em cima da Apurrinhola verdadeira que Frota tinha inventado. A de Frota, dava beliscão na bunda das pessoas, jogava lama no terno do almofadinha, espalhava um vento que fazia voar a grana da gaveta do comerciante sovino e etc.

A nossa Apurrinhola era diferente. E esta diferença, mais à esquerda, que motivava as divergências com Frota. A nossa assaltava banco, jogava dinheiro nas favelas, espalhava alimentos na periferia, roubava comida das festas sociais, punha pobre dentro dos clubes etc...
Num vai e vem que não foi.

Numa certeza de um não que não vem,
De um sim quase negado “...

Era uma época em que Kleber Santos deixava, definitivamente o Rio e vinha para o Lagomar onde o visitei com Phydias Barbosa e Ricardo Meireles. Depois conheceu a simpatia de Mary , o carrancurismo simpático de Fred , o sorriso matreiro de Fernando e Maria e fixou-se geral em Macaé.

Nasce no Rio, no Movimento Estudantil a Convergência Socialista que chega em Macaé. Eu, Phydias e Dilma Lóes damos os primeiros acordes na formação de um Partido dosTrabalhadores. Convido Euzébio e Omir e o PT tem seu primeiro núcleo do Estado do Rio em l978.
A música PT, PT, PT, PT., trabalhadores no poder enche de esperança minha geração e a gente cai de cabeça na busca desta construção tijolo com tijolo de uma forma tão linda que até esquecemos que o poder transforma os que o assume.

Niltinho Costa tenta engenharia no Rio e, não se adaptando a barulheira de Ipanema, volta para "Bicuda." .Niltinho preferia olhar a meiguice malandra de "Berebéu", sentir o palavreado "Capiau” e puro dos Bicudenses. Uma opção alternativamente linda para uma mente pura como a dele.
Eliane, Ângela Lopes, "Marilu", Kátia, Luísa Reis, Sandra “John Lennon", "Eliane da Boa Vista", com sua linda voz vinda de dentro do pulmão e, estourando em nossas entranhas, são as gatinhas da época. "Livinho", Rômulo já põem a mostra a herança do velho Lívio e fotografam "Aninha" em anos de infância.

Luisa Reis é a mais linda de todas as criações humana só comparável ao meigo olhar distante de Roseana Reis que sumiu das vistas nativas.

Thomé, Fernandel, Costinha, enfim, Macaé fervilhava na década de ouro para as transformações.
E John Lennon? A nossa Sandra? Poeta, feminista e mulher? Ela ensaia os primeiros passos largos no grande chute que a sociedade merecia levar no bumbum.

Estoura seu trabalho no Rio e tem sua peça encenada nas ruas da capital em especial em Ipanema..

Mais uma vez Frota surpreende e lança o "Homem é o que é por ultimo". Upiano ouve e se cala. Não se vê concordância nem negativa do mestre filosofo das noites macaenses. Seu irmão Ivairzinho acha somente uma frase inteligente.

O tempo no entanto cimentará nova teoria que o "Homem Está e não é.Ricardo Madeira nega a tese de Frota. Tudo dentro da mais pura e afetiva discordância filosófica que eram discutidas nas mesas dos cafés.

Anos de chumbo grosso. Policia de Macaé, representado por um conhecido delegado fareja "fumo" em tudo e todos. Prendem e arrebentam hippies e favelados e internam classe média em "Casa Transitória" para fugir dos flagrantes.

Esta mesma policia transforma em "Capim", depois de ir para exame no Rio, meio quilo de maconha apreendidas com gente da alta sociedade nativa. É o início do fim. A pequena burguesia começa a entender melhor as distancias que a mais valia fazia e onde se situava a repressão policial em sua verdadeira essência de reprimir e perseguir lideranças nativas e prender filhos de pobres, negros e favelados.

Ficava em clarividência para jovens ricos e pobres que o sistema policial/militar era a representação social da cruel diferença que o sistema teima em fazer com seus terríveis braços repressores.

"Negro correndo é ladrão. Branco é atleta. Rico fuma maconha, pobre é traficante. Maconha apreendida com menino rico, vira capim e capim no bolso de pobre é resto de maconha". Todo esforço "cultural" que o Movimento Hippiee e a Contracultura fazia para mudar a sociedade sem que fosse preciso um banho de sangue, esbarrava nas mentes atrasadas dos donos da lei e dos poderes constituídos.

DAS ARTES

Marco Aurélio Corrêa começa a criar lindas paisagens que ornam as belezas da Praia do Pecado que Euzébio nominou no O REBATE. Cria-se o "BURZIGUIN", nascido na mente fértil de Euzébio que escreve crônica uma de Macaé no ano 2000 prevendo o que viria acontecer.(crônica que se perdeu no tempo mais que, se achada hoje nos anos 2006 saberíamos da verdade futurista que ele falava nos anos de 1970).

Lívia é a nossa deusa maior, lança e nomina Hollywood a praia onde morava Moisés do Vasco. As duas criativas mentes macaenses, Euzébio criando a "Praia do Pecado" e Lívia a "Praia de Hollywood", Poe em evidencia duas mentes acima das mentes normais de uma cidade que ainda engatinhava.

Era comum se esbarrar em José Carlos de Oliveira, Paulo Mendes Campos, "Jaguar", Olga Savani.Era festival de musica do O REBATE em 68. Jornal sempre na frente e sempre junto com as aspirações do povo.

Egberto descobre Piry e o festival o consagra apesar de José Carlos Oliveira preferir "Cascudinho Azarento", um forró cantado e criado por Manoel enfermeiro do PU. Roberto Salles, Rose Noronha e Joel Passos cantam no festival e são aplaudidos de pé. Luiz Jose de Souza Lima, o nosso Piry, reconhece, em entrevista ao MACAE JORNAL nos anos 2006, o grande avanço que O REBATE prestava nos anos de 1970 a música brasileira.

O ano e a década eram do O REBATE, de nossa gente, de uma Macaé corajosa e fascinantemente arrojada e revolucionária.

Sempre era um constante esbarramento com Ary Duboc, o velho Athos e seus filhos recebendo amigos nas rodas do Café e Restaurante Belas Artes. Macaé era uma espécie de Ipanema dos anos 70..Waldemar da Costa, Nilton Carlos Costa, Takaoca,.Moacyr Santos. Artes eram uma constante e se misturavam a Cafés e Filosofias.

Tudo isso emaranhando -se as constantes presenças de Euzébio, Juarito, Marquinho Brochado, Hudson Siqueira, Marco Aurélio Corrêa, Renault e outros que iam e vinham trazendo os informes de novas coisas que pintavam fora dos bastidores do "PASQUIN" e que não podiam ser editados. Criamos no "O REBATE" o "Daniel Menos" onde Euzébio representava o papel irônico do "Daniel Mas" e os nativos iam se aperfeiçoando aos fatos até então distantes.

'Era a década de mil transformações
Sob forte censura O REBATE é impedido de circular por ordens do comando militar. Exigem censura prévia no jornal. No Rio de Janeiro a Tribuna de Imprensa de Hélio Fernandes sofre o mesmo. Hélio seria confinado em Pirassununga ou Macaé. Abro em manchete um oferecimento para eles escrever no O REBATE. Era mais um catucamento. Voltamos a ser chamados nas guarnições militares. A imprensa parecia que era o principal alvo das preocupações da ditadura.
Da contracultura e do movimento Hippie muitos enlouqueceram, morreram ou entraram numa e não voltaram . A minoria que soube segurar as barras e está ai como eu de netos e bisnetos a tira colo. O sonho sonhado vinha numa mistura louca de LSD e Cogumelo de Boi. O de galinha matava. Os grilos das misturas de sonhos tidos e havidos levaram muitos a loucura e a morte. Os sobreviventes ainda deixam rolar lágrimas quentes quando se encontram.

Platão, Sócrates e Aristóteles eram discutidos em todas as rodas de cafés e bares nas noites. Na redação do O REBATE tinha início às discussões que varavam madrugadas. O Ser e o não ser não é .Demócrito, e sua conciliação. A decadência dos costumes após Péricles eram dessecadas por acompanhantes atentos. Atenas era transportada para o bar Imperatriz e belas Artes onde fluía a inteligência nativa . O "conhece-te a ti mesmo socrateano" e seu humanismo refletiam no brilho de olhares atentos.

"A Sétima Carta de Platão" parece escrito hoje e dela fluía .Reconheço que todos os Estados atuais são mal governados e que pela filosofia se pode discernir todas as formas de justiça política e individual.

Visitas ao sitio

Sempre que podia trazia amigos no sítio onde moro. Tardes virgens de idas e vindas no conhecimento de frutas silvestres e pássaros raros. Goiabeiras, coqueiros, Mangueiras, Araçás, Jabuticabas, Ameixas, Laranjeiras, Coqueiros, abacates, graviolas, pitangas, acerolas, amoras, abricós. Cajus, jacas, cajás eram algumas das fruteiras que encantava e nos proporcionavam alegrias infantis.

Uma mistura de "Tupamaros", vindos da Argentina, alguns revolucionários fugidios do Reino Unido se misturavam aos nativos "Borito", "Tuca", Elton Português, Samuel, Victor, "Anselmo Colombina", "Didi". "Guto", Carlinhos Português, "Carlinhos Bomba", João Carlos, Helder, "Toninho Mello o Delegado", André, Tomé, Kátia, Miller e Cristina, "Ginja", Fernando, "Compadre", eram alguns das macaenses que eram sempre bem chegados quando mal chegadas eram as incompreensões da uma Macaé bitolada e feia.

Muitos destes tiveram a coragem de fundar o Partido dos Trabalhadores acreditavam no futuro. Futuro que chegou e o PT traiu.

Minha casa é uma riqueza, pelas
'Jóias que ela tem.
Tem varanda, tem jardins. E uma rede pra embalar de quando em quando...
(texto feito para o livro O PINGUIN DA RUA DO MEIO que nao sei quando será publicado. O texto está sem revisão por que não tenho paciència para revisar. Desculpem o autor). José Milbs dr Lacerda Gama, editor e memorialista)

23.1.09

Minha neta Mariana, segue os passos de Ana Cristina e José Paulo e vai brilhar com encanto e inteligencia na FAETEC de Campos




Mariana de Lacerda Gama Soares, minha linda neta de 14 anos, conseguiu uma brilhante classificação para a Escola Técnica Federal de Campos. Lá mesmo onde sua mãe Aninha e seu tio José Paulo, cursaram, com brilhantismo dois cursos. Aninha formou-se em Farmácia e José Paulo, com apenas 17 anos, passou num conscurso seletivo para a Petrobras.
Alegria para todos que conhecem a meiga presença de Mariana em nossas vidas.

14.1.09

Só o teu retrato, mulher, junto a minha cabeceira..,



Hoje, sòsinho neste abandono,
Igual uma casa sem dono...
sinto saudades de alguém.
Meu sofrimento é cruel,
juro não explicar.
Não tenho nimguém que venha me consolar.
Não tenho uma visita de parentes.
Nem de amigos siquer...
Só o teu retrato, mulher,
junto a minha cabeceira, é um Médico assistente é minha Enferméira...

7.1.09

Os barbeiros que faziam as cabeças nos anos 60 e 70 na região de petróleo



FABIO AZEVEDO - FABIO BARBEIRO - QUE É RUA NO LAGOMAR, FEZ HISTÓRIA PELA SIMPLICIDADE.
As pessoas não dão conta de como era importante a presença dos velhos barbeiros nas cidades do interior. Suas bombonas, o cheiro forte da mistura do alcool com água, o perfume comum a todos os salões, são símbolos memoriais que ficam encrustados nas pessoas e caminham ao lado dos que se propoem fazer histórias de fatoa havidos.
Do alto de seus quase 2 metros e sendo um dos homens mais elegantes que transitavam em nossas ruas, o "Seu Fásbio Barbeiro" era um destaque `a parte nas nossas tardes e nanhães macaenses. Alegre, com seus afagos e acenos para todos, fazia parte de uma região de Macaé onde se concentrava os maiores percentuais de pessoas de nossa comunidade.
Havia uma mistura de Macaé com o interior dos distritos. Homens e crianças que vindos de Glicério, Córrego do Ouro, Trapiche, Óleo, Frade, Sana,Cachoeira de Macaé, Bicuda Grande, Bicuda Pequena, Carapebus, Capelinha do Amparo, Rodagem, Quissama e alguns do Barreto e Barra do Rio Macaé, tinham suas preferências para determinado Barbeiro.
A fama de Fábio, Azevedo como um dos bons no manejo da navalha e no corte de cabelos de crianças, tinha lá seus motivos na procura de seu trabalho. Começou com o Seu Philadelpho, pai do Mardônio, local onde a maioria dos "Mestres no Corte de Cabelos" passavam. Era no Salão do Philadelpho que se iniciava os mais belos e alegres papos de "barbearia", tão famosos em todas as cidades do interior do Brasil Foi dali que Fabio saiu para ser sócio de outro pilar de nossas Histórias, o Senhor Jordane. Com Ubaldino Carneiro Prata - O Pitico Prata - Fabio passou pouco tempo e logo abriu seu próprio salão onde ministrava seus encantados ensinamentos a muitos que hoje existem em nossa cidade "mexendo com as novas cabeças" da região.

Outros barbeiros, que nos últimos 70 anos serviram de base para fazer as cabeças dos antigos macaenses, eram todos dentro da periferia. "Nilo Barbeiro", "João Mentiroso", "Bareco do Beco do Caneco", Philadelpho, pai de Mardonio, Luiz Pimenta, Jordane, Senizio, "Zica" e Telmo da Rua do Cemitério, Antenor Valença. "Pitico Prata" que tinha o nome de Ubaldino Carneiro Prata, Fanor Monteiro e outros que, ficando no esquecimento, podem ser lembrandos e outros textos memoriais.

Nos salões de barbeiro ainda se usava a velha navalha que tanto caracteriza os malandros da Velha Lapa no Rio e que notabilizou a "Madame Satã" nas vielas dos "Arcos da Lapa".

Navalhas afiadas na presença dos clientes era que fazia a cara dos fregueses na metade do século passado.

As fofocas e os disse me disse eram comuns e muita mentira rolava. Quando se terminava a barba vinha aquele espalhamento de álcool com perfume nas bombachas que refrescava todo o rosto e tinha um cheiro característico de homem. As tesouras eram de aço puro e as navalhas eram afiadas na frente do freguês e dava um toque de poder ao barbeiro que parecia dizer mentalmente que ia acariciar a cara mais era homem bastante no trato com a navalha.
Perdidos no memória de muitos o interior do Brasil tem um débido muito granbde com os "Senhores Barbeiros dos anos 50, 60 e 70 do século passado. Maioria deles criaram filhos, espalharam sua genética por todos os cantoa do país e do exterior. Todos orgulhosos de uma criação, às vèzes rígida mais com o toque sutil do amor que brilhava em seus olhos cansados pelo dia de luta.
Colégio como o Luiz Reid, Mathias Netto, Visconde de Quissamã, Télio Barreto, Irene Meirellis, Primeiro de Maio e outros de pequenos porte, abrigavam os filhos destes grandes Mestres que, assim como os Alfaiates e os Sapateiros recebiam das crianças a atenção e a cortesia comuns a todos eles.
O Rebate perpetua mundialmente estes vultos de nossa história para que, estudantes que procurem história, saibam destas sublimes existências em nossa Região de Petróleo. (José Milbs editor de O Rebate )


3.1.09

Una história prá contar em mi noches de los anos 70 quando Macaé ainda engatinhava pro progresso...

NAS NOITES FRIAS DOS PROSTÍBULOS DE IMBETIBA

Em una noche fria de final del un invierno de los anos de de 1970. Mi portunhol és parecido com de los taxistas macaenses e las meninas de las noches que teimavam em falar com las linguas enrroladas para atrair (ou atrair) los primeiritos gringos que aportavam em la cidade ainda pura...
Achava-me em un de los prostibulos nas antigas Casas de los Campistas dos anos 40 e 50 que vinham banharem-se em las águas esverdeadas de la Praia de Imbetiba. Havia pisca-pisca em todo o redor de la sala e mujeres e hombres estavam todos em busca de los rápidos prazeres de la noche.
Em mi canto observava tudo porque pretendia fazer una crônica sobre la noite de una Macaé ainda bocólica e curiosa.
"Dolores Sierra, que vive em Barcelona, na Beira do cais. Não tem castanhola e faz comopanbhia a quem lhe der mais...
Nasceu em Salamandra, su padre lavrador, veio a la maior edade...
Como quem nasce na Roça tem sempre a ilusion de vivir el cuidad...
Su Madre, chorou, em dia em ela partio. prá cenecer Don Pedrito, que prometeu e non cumpriu...
Com frio e com séde, lá na sargeta. Sorrio prá un ombre e ganhou a 1a. pesseta.
El navio apitou e a história se encerra. Adios barcelona, Adios. Adios, Dolores Sierra".

Aproxima-se de mim una jovem morena. Ao olhar mi cabelos ainda grsalhos pensou-se estar diante de dos novos Gringos que habitavam a Praia de la imbetiba. de pagava bier com las notas esvereadas que valiam 4 vezes das amassadas que conhecia,
Pergunta de pode sentar-se em mi mesa. Com meu consentimento com a cabeça, a jovem de olhar fixo, de cor esverdeada e aparentando uns 18 anos, se acomada a minha frente. Observo seu corpo jovem, pele morena que parecia ser una mistura de Indios com Caboclas.
Fita-me e pergunta, numa mistura de espanhol com portugal de Alagarve, se podia pedir algo para beber. Novamente com o balançar de minha caneça digo que sim e deixo escapar um pequeno sorriso.
Ela chama o barman e pede, já com a lingua enrrolada para dizer-se atualizada no ambiente, uma dose de Wisk. Ao olhar seu corpo notei que por detrás de um vestido de chita meio azulado, se escondia um corpo bonito. Chega a bebida e ela se dirige a mim e pergunta: usted é de que pais? Está em qual Navio? Você parece um pouco com um amaricano e ou francês que esteve aqui noBar semana passada. Com meu silenci, ainda com pequeno sossiso nos lábios, lhe respondi.
- Eu sou daqui da cidade. Estou aqui para escrever uma crônica sobre "Las novas Noches Macaeses". Preparo um texto e falo das antigas da cidade. Do velho "Quadrado", "Continental", "Curral das Èguas" e outros que sumiram no tempo. A moreninha, longe de se espantar com minha presença nativa, se entusiasmou e me disse, sorrindo e deixando a mostra um linda carreira de dentes alvos e brilhantes:
- Puxa, moço, que legal. EU sou dali de la Praia Campista. Se usted é de fato das velhas noches dela Região, deve conhecer minha mãe. Eu sou filha de Nildinha, que era do prostibulo do lado direito da Praia Campista. Você se lembra?
Olho o encantamento e o orgulho desta linda menina ao falar de sua mãe. Claro, minha jovem menina, falo, "su madre foi uma das mais bonitas de todas as prostitutas que habitavam em Macaé nos anos 60/70. De fato você se parece com ela. Olhos, cabelos, olhar fixado num lindo horizonte imaginário. Sim,. minha amiga, su madre foi e era a preferida de toda uma geração de jovens para conversar e bebericar...
Pois é, moço, eu me chamo Nildinha. Prazer, José Milbs...
A noite cai e os olhares das mesas, já todas cheias de gente quem falam as linguas de nações novas, se misturam a corpos de jovens meninas que começam "na vida".
Nildinha, falo, se você tiver algum compromisso, vai " a luta" por que eu aqui vou continuar minha observação para meu texto para o jornal O REBATE.
-Não se preocupe, fala Nildinha, mexendo com as pernas com intuito de uma provocação natural a quem vive nas noites. Tudo bem. Quer mais aum wisk, pode pedir. Ela prefere uma bier e a gente continua a conversa. Ela agora não mais fala com a lingua enrrolada e deixa transpecer a fala natural de qualquer menina nascida nas ruas de uma cidade de peixes e ferrovias...
Olho por toda a extensão do local. Cheiro de cigarros, de bebidas toma conta do ambiente. Num balcão mal iluminado está um homem de braços ossodos. È madrugada. Seus longos dedos pintiagudos contam algumas notas que uns gringos, cambalentes,tentam entender a linguagem do malandro do magro-barmen. Imagino daqui de minha mesa e catuco a Nildinha, e falo:
- no mínimo ele deve estar cobrando uma bier por umas 3 verdinhas e o gringão de camisa do Flamengo e o outro de macação azul, devem estar achando caro.
- Ela: Com certeza, fala com a certeza de que é a pura verdade das noites.
Os dedos longos do homem magro que conta a grana mais parecia, ao longe, de alguns jogadores de baralho nos meus velhos tempos de Lapa no Rio. O Sol começão a dar sinais de que irá entrar pela madrugada para enquentamento do tempo.
Pelas gretas da porta de entrada do local, o Raio Solar entra e chega até ao balcão dando uma luminosidade natural aos dedos do homem que mexe pra lá e prá com as notas. Era o fim de noite para os gringos...
Pagava bier com las notas esvereadas que valiam 4 vezes das amassadas que conhecia.
Volto-me para minha parceira de mese e pergunto:
Nildinha, como é a transação sua? Tipo: preço etc. Ela, com a naturalidade de qualquer comerciante de qualquer Rua Principal, de qualquer cidade, diz.
Seguinte: para vcoê eu vou fazer preço bom. Normalmente para sair eu cobro 150. Gringo, usted sabe né, é tudo 500. Como está amanhecendo a gente sai e dorme por 200, tudo bem?
Como que eu podia dizer a menina Nildinha que não era isso que eu objetivava. Que eu queria mesmo era fazer um textos sobre "Las Noches de Macaé".
Enquanto ela se levanta e vai ao Barman para pedir a despesa, abro sua bolsa vermelha e coloco, entre uma identidade e um lenço amarelo, o valor de uma noite. Saio de fininho, ligo o motor do meu velho wolks e parto. Ainda pude ver seu vulto moreno acenando ao dobrar a Rua Agenor Caldas.

Estava pago a sua noite e a inspiração para esta crônica que fiz nos anos 70 e que sumiu na poiera da vida.
Nunca mais soube de Nildinha. Fazem 30 anos. às poucas vêzes que encontgro com algúem das velhas noites pergunto e não se tem noticias. O que me marcou nesta noite friorienta de final de inverno dos anos 70, foi o orgulho desta jovem em se dizer filha de Nilda. Orgulho que já tinha visto em outgros jovons sobre, sou filho de fulano ou beltrano. Ao de Nildinha calou-me sobremaneira. (José milbs de Lacerda Gama editor e Cronista)>

-

31.12.08

Morre o Juiz Kleber Guimarães. Lacuna de dificil preenchimento no Judiciário brasileiro




KLEBER GUIMARÃES UMA HISTÓRIA VIVA DO JUDICIÁRIO FLUMINENSE...


Falar da vida de Kleber Guimarães para mim se torna muito fácil. Convivi com ele desde os anos 60, quando vinha à Região de Petróleo em visita a sua tia Zenita, espôsa de meu primo Pierre Tavares da Silva Ribeiro. Antes, seus pais frequentavam a Igreja Batista onde Agnes Guimarães ministrava ensinamentos bíblicos.
Kleber era um ser diferenciado dos demais de sua época. Elegantemente vestido nos uniformes militares de sua infância tinha o dom da cordialidade.
De seu irmão Celso herdou o carinho pelos empreendimentos e se tornou um dos mais efusivos defensores da dimensionalidade geográfica desta região. Antes mesmo que o petróleo assumisse a febril vontade de enriquecimento de muitos moradores, Kleber já antecipava o que viria a ser nos anos desde século que se inicia. Criou vários Bairros, loteando e espalhando familias por toda a extensão da cidade de Macaé, cidadezinha situada ao norte do Estado do Rio de Janeiro.
O Bairro da Riviera era a "menina de seus olhos atentos ao crescimento da cidade". Ali ele vislumbrou a Riviera Francesa em muitas de suas viagens ao exterior. Para mim contava suas façanhas, muitas delas fantasiadas por quem, como ele e eu, sabiamos que a vida é, na verdade uma "grande mentira". Fantasiava alguns trechos que dominava com a fala e se transformava, as vezes, num grande criador de deslumbramentos comuns aos grandes novelistas do cenário nacional.
Kleber foi um dos poucos brasileiros que podia escolher a cidade para viver, trabalhar e morrer. Tinha acesso a grandes metrópoles e escolheu esta região para fazer história.
advogado brilhante, empresário, politico, jornalista, cronista, homem do povo, Kleber sabia brincar com as mentes humanas. sabedor, como poucos, de que, no judiciário e nos tribunais, vence sempre a "maior mentira pregada e defendida", usou dos tribunais para absolver velhos transgressores da lei e fazer fluir sempre a eloquencia como forma de levar a cabo seus objetivos.
Gostava de se fazer presente em todos os acontecimentos sociais. Elegante, do alto de seus 80 anos, fazia questão de usar a palavra e desfilar nas ruas de Macaé sempre dentro de seus ternos escolhidos nos melhores alfaiates do Rio de Janeiro. Escreveu vários textos no "O REBATE" nos anos 60 e 80. Amigo pessoal de Almir da Silva Lima e, ultimanente tendo ao seu lado o fiel escudeiro Renato Rasma. Dois jovens saídos das nossas ruas empoeiradas o que veio demonstrar a simplicidade de Kleber no trato com pessoas do POVO.
Tive a honra de, quando ainda eu era amigo do Sylvio Lopes, ter apresentado Kleber a ele. Convidado aceitou trabalhar na Procuradoria do Municipio onde fez do local um ambiente popular onde as pessoas simples eram sempre atendidas e levadas ao atendimento jurídico.
Quando o Poder Judiciário de Macaé estava abarrotado de milhares de processos que precisavam de andamento, a maioria de pobres, Kleber foi convidado e funcionou, durante anos, como Advogado dativo, onde milhares de pessoas, filhos, esposas, amigos e gente simples, tiveram seus processos em andamento e solucionados. Era, nas madrugadas de sua velha casa no Alto dos Cajueiros, que ele fincava os olhos, debruçava noites no estudo dos aparados legais que iriam ajudar as pendengas.
Um dia escrevi sobre ele e disse: Kleber, como advogado criminalista, era "o monstro sagrado do Direito". E fui mais lobge ai afirmar que: "dentro das vestes do elegante advogado Kleber Guimarães, estava escondido "Um bravo Operário da Lei", num belo macação que honrava a Toga de Juiz que ele sempre gostou de dizer que era...
E por que nao o Juiz Kleber Guimarães? por que não o Magistrado Kleber Guimarães?...
O mundo, a vida, a existência é uma grande Meganomania. Nascemos sem saber de onde viemos e saimos da existencia sem saber para onde vamos. Kleber era um sabedor nato das nossas vontades de ouvir histórias. Fazia com que todos se sentissem participante da ciranda da vida com suas alegres histórias, muitas delas, fantasiadas para que os ouvintes se sentissem dentro delas. Foi um grande homem, um bom advogado, um sábio juiz e um fiel "Amigos dos Amigos".
Hoje,ao saber que se encontra entre a vida e a morte, numa semi-consciencia, num leito de CTI na Casa de Caridade de Macaé", faço público um de seus desejos e pedidos quando a gente andava juntos pelas ruas de Macaé, Rio de Janeiro e Foruns. Ele me pediu:
"Se algum dia eu estiver vivo, ainda que inconsiente, escreva algo sobre mim. Não faça depois de morto não. Gostaria que as energias que saem de seus dedos de cronista saiam de uma maneira suave como se eu ainda pudesse ler. Você, Jose Milbs, é um gênio e como tal queria ter de você algo ainda em vida.
Pois ai está, meu velho amigo Kleber a minha homenagem a você ainda em vida. Macaé, Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2008, 14,43 minutos. A frese que disseste ao seu amigo Renato Rasma: "Não me deixe morrer ainda quero viver". está ressoando no Bairro Miramar, em suas Ruas empóeiradas e lindas que você trocou pelo luxuoso Bairro de São Conrrado no Rio.
Talvés tenha sido o seu maior desejo o de deixar este mundo cruel na presença de gente simples como você.
Dia 31 de Dezembro de 2008, sem ver o nascer do Sol de 2009, chega a noticia da morte do Juiz do Povo Kleber Guimarães. Almir da Silva Lima me deu a notícia ainda com a tristeza de quem, como o Renato Rasma e os familiares do Kleber, estavam esperando sua recuperação. Lembrando ainda do escritor macaense Luiz Lawrie
Reid, em seu "Ultimo Conto" faço dele minhas palavras:
" Queria saber por que, se os destinos, as inteligências, os corações são tão desiguais nos homens, êles se asemelham tanto nos dpis polos primordiais: Viva e morte?
Por que, na balança da justiça, podem ficar em iquilibrio tanto o réu como o autor?
Por que a metamorfose dos valores morais? moralidade e religão nasceram para o homem e não êle pra elas?
Por que a fria razão traz alegria e a tortura e a paixão nos faz feliz?
Por que todos têm razao e quem menos tem berra?
Por que em todos um desejo imperativo de acumular, conseguir glória, poderio, riqueza? Por que vingar-se e não tolerar? Por que tanta ansiedade do Eu?
Um cego é feliz em pensar que ouve e fala, um surdo em ver o mundo, um paralítico em pensar e meditar. E um que tudo tem, que tudo goza, rói-se e corrói-se por dentro?
Por que?

Por que a razão anda sempre com os velhos, os loucos e as crianças?
Por que nascemos filhos de nossos pais e morremos filhos de nossas ações?
Por que o que as crianças aprendem de Bem a vida ensina-les de mal?
Por que precisa-se, às vêzes, de mais esfôrço a não odiar os amigos que amar os inimigos?
Por que o homem se preocupa com tanta inutilidades e nunca com o seu "fim"?
Por que há sempre quem nega e a firma Verdades e Mentiras, indiferentemente?
Por que existe quem em tudo acredita e nada duvida?
Por que se precisa mais de amor que de pão?
Por que só a dor nasce grande?
Por que........"
A mesma tristeza, com odor de saudade que vi estampado no olhar de Luis Cláudio, meu filho, quando comuniquei a morte de Kleber, tenho certeza estará nos rostos de milhares de pessoas simples da região de petróleo. Presos abandonados em cárceres, pequenos policiais civis e militares, jovens juizes, alegres defensores e promotores de justiça, todos que tiveram a felicidade de "receber dele, de kleber, seus sagrados presentinhos de Final de Ano e Natais que não voltam. Kleber tinha o dom de presentear amigos. Presentes simples porque eram para muita gente. Um reloginho aqui, uma gravatinha, ali, uma camisa acolá ele ia cimentando sua presença em todos que podia acariciar. Era sua maneira gentil de saber-se presente.

Abre-se, hoje, 31 de Dezembro de 2009, uma lacuna impreenchival no Judiciário Brasileiro com a morte do Juiz Kleber Guimarães. Morre com ele o Romantismo do Direito, Entristece de lágrimas o Sagrado Manto que sempre soube honrar.
Fecha-se uma página no sagramento da lei. Fica a lembrança deste grande Advogado, porque não dizer do POVO?
A sua esposa Ivone, seus 2 filhos, em especial ao kleber Roberto seu fiel companheiros nos últimos momentos, os sentimemtos de toda rquipe de O REBATE onde Kleber sempre escreveu e foi um dos mais antigos assinantes nos anos de 1970.
Abraços de seu amigo, Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com

29.12.08

O Faroleiro de Santana, Dona Nenen da Rua J. Koop e uma cidade alegre e bucólica...




FAROL DA ILHA DE SANTANA

Reginaldo tem uns 40 anos e quinze ele passou com seu pai nas ilhas nativas de Macaé. É um dos jovens que conheci no tempo em que tinha oficina de jornal e sempre estava a cata de bons profissionais para trabalhos. Ele entendia de parte elétrica e como tal mexia nas impressoras, nas linotipos e nas instalações em geral. Autodidata, esperto e alegre. Tinha um carinho especial para com ele devido ao seu jeito meio criança de olhar e de seu modo malandro de viver.
Era uma mistura de peixe e gente. Às vezes se parecia com um peixe quando olhava horizonte longe do real e se tornava humano quando pensava que iria receber o fruto de seu trabalho "a vista" e eu dizia que pagaria no "fim da semana". Seu sorriso de meio trejeito pude rever em seu filho de 7 anos e em sua filha de 11.
Reginaldo se tornou amigo de meu filho Luís Cláudio ao ponto de nos últimos dias estar aqui no Sitio - Hoje Rancho O Rebate - mostrando seus lindos filhos e sua meiga espôsa. Quando lhe disse que tinha vontade de contar alguns dados sobre a vida das ilhas macaenses me convidou e fui até sua casa, no Bairro aeroporto para detalhar fatos memoriais de seu pai Roberto.
Tentarei falar das pedras do “Moleque” e “Da Mula” onde centenas de batidas e barcos a deriva conheceram e temiam em suas noites de luar escondido. A “Ilha de Santana” era onde se localizava o “Farol e que na Ilha do "Papagaio” existia um pequeno farolito.

DONA NENEN DA RUA JOTA KOOP

A rua J. Koop fica no centro da cidade e nesta rua nasceu dona Leonília Bastas Moreira que foi casada com Manoel Hocho Coutrin Moreira um dos primeiros ferroviários de Macaé. 14 filhos, todos criados e educados na Região de Petróleo. Seu Manoel é oriundo de Trapiche, das velhas e extintas fazendas de café, e dona Nenen era mesmo do Imburo. Do velho casarão ficou apenas as recordações de seus filhos e netos, como Alessandro que sempre está no sítio por conta de seu trabalho.
Dos filhos deste pilar da J. Kopp a cidade se habituou com Juracy, o nosso “Jura”, Romilda, Carlinhos, Paulo que morreu tragicamente e que tinha o dom do encantamento e da alegria, Ilza, Rosa Maria, Regina, mãe de Alessandro, Fátima e Augusto.
Durante os anos toda a comunidade se espalhou e neste espalhamento e cujos familiares o sangue deste casal se espalhou e espalha por toda a nossa cidade. Estelita, que era filha de dona Maria do Doutor Faustino Marciano de Castro casou-se nesta família e é mãe de “Mamute” grande e alegre jovem da comunidade do Bairro da J. Koop.

As histórias e memórias não param por ai.
Havia uma construtora na rua Francisco Portela. As pessoas ainda moram lá ou se não moram lá estão seus filhos e netos... É uma Rua tradicional. Dona “Duia,” seu Otto Pacheco, “Gabarito”, “Milica” Dudu Trindade, Zé Carlos Freitas e dona Arlete, dona Maria maemãe de “zZé Uca”, Ib, Ddodora, Fernando e Lenine, Benedito de dona “SLula”, Rosalvo e Concy de Renatinho, Rosalvo e do “Anjo Claudinho”, Norma e Nelio, “Nona” Mathias Netto, Paulo Silva, Atilla, Leandro, Seu Celiê, Vasco e Vânia, Pimenta e Rozanea, Os pais de Vanilde, Ricardo, Frasão e os Afonso Paulas...Esta Rua que, com o tempo tende a se transformar um Rua CComercial, tem as suas verdadeiras personalidades espalhadas nos descendentes que eternizam sua essência vital...
As essências macaenses não podem se deixar levar por memórias oportunistas...Tem que ser revigoradas sob pena de perder o valor de sua historicidade.
Como dizia o Poeta Cazuza: “Se você pensa que estou derrotado, ainda estou rolando os dados”
Enquanto a memória estiver viva estarei ai junto com ela tentando repor fatos e havidos.
“Socar erva passarinho com sayao e tomar. É E`bom para tosse, bronquite e pulmão” Ouvi isto numa de minhas andanças por esta Rua quando ainda existiam árvores e passarinhos pulando de galhos em galhos...
A Internacional era por aqui Se esbarravam em Grego da Geledeira, Espanhol do Mercado, Tadeu de Vicente e Casimiro, Serafim o inteligente portugues, Takaoca, Manolo e Waldemar da Costa.
O mês de Janeiro começa a chegar no fim e as chuvas teimam em dizer aos humanos que ela vem por chamamento natural e que com a destruição das essências naturais podem um dia faltar.As plantas rasteiras brotam e os galhos se encontram em reverencia ao vento que sopra frio.As àrvores, os pés de cocos e de araçás continuam firmes apesar da das Aguas torrencias. Jabuticabas e Amoras estão sendo comidas por Sanhaços e Bentevis que encantam as manhãs com pios e loucos cânticos. Avisam a gente que podemos comer os frutos e que os do alto são de propriedades deles.
As vezes fico a pensar como que a transfiguração de fatos obedecem a um ritual sublime e cativo.
No alto do Pé de Jabuticaba, pássaros deliciam-se com o fruto exposto ao seu prazer e, no tronco, os novos frutos chegam as nossas mãos.
Tristeza sómente com o achar de um ninho de lindas Rolinhas que, ao cair, deixou mortos dois filhotes. Não resistiram ao Vento Frio de Final de Dezembro e cairam. Servirão de estrumo na terra para que novos vitais venham. ( Jose Milbs de Lacerda GFama editor de www.jornalorebate.com )

27.12.08

TRILHOS: De Chile até Macaé.



TRILHOS: De Chile até Macaé.
Em Março começo um novo livro com este titulo. Farei ele em parceria com a minha colunista chilena Alejandra
d Fenelon. Iremos fazer uma longa viagem do Chile até Macaé onde retrataremos as vertentes das histórias, das vielas, das difrenciações e do mundo belo que nasce no ramger do sagrado barulho do trem que é igual aqui como no Chile. Comndará nossas mãos a magia das histórias que nos foram passados. Para mim de minha mãe e para ela do seu pai.
Aguardem...Jose Milbs e Alejandra

"TRILHOS: De Chile até Macaé."
1 comentário - Mostrar postagem original

Blogger dfenelon disse...

Iremos de la mano de nuestros Padres viendo los peñascos y trillas de la Cordillera mostrando el desierto , los campos , la gente de los pueblos y seguiremos hasta los montes y costas de Rio de Janeiro para atravesar Macae con la Metáfora de dos manos, y las Almas de Poetas en nostálgicos recuerdos.
Asi sera..............y no pueden perderlo.

Alejandra d Fenelon.
d Fenelon

23.12.08

Acidente mata filho de ex vereador de macaé e ex lider ferroviário Jodyr souto Correa...



Aguenta Coração do bravo Jodyr souto Corrêa. Se não bastasse a morte de sua linda filha Tamires, aos 16 anos, teve a triste noticia do grave acidente que vitimou seu filho Jodymar Gomes Corrêa. Aos 32 anos, com uma bela carreira na Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro onde sempre se destacava pelo afeto a todos que o procuravam para alguma atenção. Este lindo baiano de Alagoinhas perdeu a existência terrena na batida de seu carro com um motorista alcoolizado que também morreu.
Jodyr Souto Corrêa, pai de Jodymar, tem ainda Kátia, Jodyr, Marcelo e Iza Carolina como filhos que estão passando pela triste fase.
Nos anos 60/70 Jodyr foi vereador, precisamente em 1967, quando eu tive a honra de te-lo como colega de Câmara Municipal em Macaé. Criamos um grupo político com mais 6 vereadores e fomos lançados a Prefeitura da cidade. Eu como candidato a Prefeito e ele como vice. Era uma ousadia, dois jovens almejarem dirigir a cidade, ainda sob forte presença de uma elite atrelada ao poder econômico e restejante de poder frágil e de raízes coloniais.
Dividindo ao meio o grupo oportunista e revisionista de PCB acocorado e em busca de espaços eleitoreiro, Judyr se manteve fiel aos que aceitaram sua presença na legenda do MDB que tinha a gente como liderança.
Lutamos e obtivemos 18% da votação e o MDB perdeu para Arena por 200 votos. Hoje, depois de 40 anos, a luta continua.
Jodyr, foi para Bahia, lecionou em Alagoinha, abriu horizontes evangélicos e está ai se conformando como os desígnos da vida eterna. Eu continuo aqui na minha missão de escrever fatos históricos.
Nas poucas vezes que vejo o velho amigo de lides antigas ainda nos recordamos de muitas coisas que aprendemos juntos.
Dizia o velho Fernando Frota: " O Homem é o que é por último" e assim as vertentes da vida vão nos ensinando a caminhar e saber que estamos num mundo frágil e de tempos curtos.
A tristeza, que sei estar no Caração de Jodyr e Arlinda, brava baiana mãe de Jodymar, é a certeza de que eles não estão sosinhos nesta dor. Todos passamos e pasaremos por estas perdas da vida humana.
Perde a Policia Militar um jovem que honrava a farda e sempre esteve ao lado do POVO nas horas em que esteve em missão. Em nome de O REBATE quero deixar o sentimento de solidariedade a familia e em especial ao meu velho companheiro Jodyr pela perda de seu querido filho e companheiro. ( José Milbs de Lacerda Gama - editor de O Rebate )

19.12.08

A noite estava assim enluarada, quando a vóz...




A noite estava assim enluarada, quando a vóz já bem cansada, eu ouvi de um trovador. Seus versos que vibravam harmonia e em lágrimas dizia da saudade de um amor...
Falava de um beijo apaixonado, de uma amor desesperado, que tão cedo teve fim. E nestes gritos de tormenta, eu guardei no pensamento uma estrofe que era assim:
" Lua, vinha perto a madrugada, quando em ânsias minha amada, nos braços desmaiou. E num beijo de pecado no teu véu estrelejado, a sorrir glorificou...
Lua, hoje eu vivo tão sósinho, ao relento sem carinho na esperança mais atróz. De que cantando em noites linda, esta ingrata volte ainda, escutando a minha vóz"...

16.12.08

RITA DA MACTRAN FILHA DE CENI E BRAULIO MORRE AINDA JOVEM




Um telefone meu para Odisséia e a dra. Lais e tomo conhecimento, pela fala triste de sua colega Carina, da morte de Rita Andrade, atenciosa funcionária da Mactran e uma das mais ricas figuras de nossa cidade.
Rita era a docura e a meiguice refletida em sua história na região de petróleo. Filha de Bráulio Andrade e de Ceni ela tinha por principios básicos o carinho com todos que sabiam de suas origens nas nossas ruas alegres dos anos 60. Rita nunca deixou de ser a menina que nasceu e cresceu na Rua do Meio - Rua dr. Bueno. Teve a felicidade de ter sido acariciada ao colo pelos seus avós Zé Bonito, Aluisio e Vovó Durvalina.
Gostava das peripécias do velho tio Zequinha e sempre que era vista trazia a harmonia do encanto de uma jovem/mulher que atenta as preocupações maternas. Muitas vezes pude ve-la. Uns tempos na antiga CERJ aqui perto do O REBATE onde funciona nossa redação. Outras tantas nos colégios onde nos viamos, conversávamos e faziamos reviver a saudade da nossas infâncias na Macaé bucólica. Eu com meu filho Zé Paulo e ela com o seu.
Rita sofreu uma grande perda em sua vida isto ela sempre deixava transparecer no seu meigo olhar. Sentia falta de Braulinho. Se confortava com a ausência de seu irmão se didicando ao crescimnto de seu filho.
O Rebate se une as manifestações de tristeza que tomou conta de todos os seus colegas de trabalho. Que sua familia saiba que o sofrimento que hoje habita em suas existências estará sendo dividido por todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
A Ceni, Bráulio, Juca, a seu filho e a todos os familiares os sentimentos de O rebate. (Jose Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com )

15.12.08

KLEBER GUIMARÃES UMA HISTÓRIA VIVA DO JUDICIÁRIO FLUMINENSE...


Falar da vida de Kleber Guimarães para mim se torna muito fácil. Convivi com ele desde os anos 60, quando vinha à Região de Petróleo em visita a sua tia Zenita, espôsa de meu primo Pierre Tavares da Silva Ribeiro. Antes, seus pais frequentavam a Igreja Batista onde Agnes Guimarães ministrava ensinamentos bíblicos.
Kleber era um ser diferenciado dos demais de sua época. Elegantemente vestido nos uniformes militares de sua infância tinha o dom da cordialidade.
De seu irmão Celso herdou o carinho pelos empreendimentos e se tornou um dos mais efusivos defensores da dimensionalidade geográfica desta região. Antes mesmo que o petróleo assumisse a febril vontade de enriquecimento de muitos moradores, Kleber já antecipava o que viria a ser nos anos desde século que se inicia. Criou vários Bairros, loteando e espalhando familias por toda a extensão da cidade de Macaé, cidadezinha situada ao norte do Estado do Rio de Janeiro.
O Bairro da Riviera era a "menina de seus olhos atentos ao crescimento da cidade". Ali ele vislumbrou a Riviera Francesa em muitas de suas viagens ao exterior. Para mim contava suas façanhas, muitas delas fantasiadas por quem, como ele e eu, sabiamos que a vida é, na verdade uma "grande mentira". Fantasiava alguns trechos que dominava com a fala e se transformava, as vezes, num grande criador de deslumbramentos comuns aos grandes novelistas do cenário nacional.
Kleber foi um dos poucos brasileiros que podia escolher a cidade para viver, trabalhar e morrer. Tinha acesso a grandes metrópoles e escolheu esta região para fazer história.
advogado brilhante, empresário, politico, jornalista, cronista, homem do povo, Kleber sabia brincar com as mentes humanas. sabedor, como poucos, de que, no judiciário e nos tribunais, vence sempre a "maior mentira pregada e defendida", usou dos tribunais para absolver velhos transgressores da lei e fazer fluir sempre a eloquencia como forma de levar a cabo seus objetivos.
Gostava de se fazer presente em todos os acontecimentos sociais. Elegante, do alto de seus 80 anos, fazia questão de usar a palavra e desfilar nas ruas de Macaé sempre dentro de seus ternos escolhidos nos melhores alfaiates do Rio de Janeiro. Escreveu vários textos no "O REBATE" nos anos 60 e 80. Amigo pessoal de Almir da Silva Lima e, ultimanente tendo ao seu lado o fiel escudeiro Renato Rasmos. Dois jovens saídos das nossas ruas empoeiradas o que veio demonstrar a simplicidade de Kleber no trato com as pessoas do POVO.
Rive a honra de, quando ainda eu era amigo do Sylvio Lopes, ter apresentado Kleber a ele. Convidado aceitou trabalhar na Procuradoria do Municipio onde fez do local um ambiente popular onde as pessoas simples eram sempre atendidas e levadas ao atendimento jurídico.
Quando o Poder Judiciário de Macaé estava abarrotado de milhares de processos que precisavam de andamento, a maioria de pobres, Kleber foi convidado e funcionou, durante anos, como Advogado dativo, onde milhares de pessoas, filhos, esposas, amigos e gente simples, tiveram seus processos em andamento e solucionados. Era, nas madrugadas de sua velha casa no Alto dos Cajueiros, que ele fincava os olhos, debruçava noites no estudo dos aparados legais que iriam ajudar as pendengas.
Um dia escrevi sobre ele e disse: Kleber, como advogado criminalista, era "o monstro sagrado do Direito". E fui mais lobge ai afirmar que: "dentro das vestes do elegante advogado Kleber Guimarães, estava escondido "Um bravo Operário da Lei", num belo macação que honrava a Toga de Juiz que ele sempre gostou de dizer que era...
E por que nao o Juiz Kleber Guimarães? por que não o Magistrado Kleber Guimarães?...
O mundo, a vida, a existência é uma grande Meganomania. Nascemos sem saber de onde viemos e saimos da existencia sem saber para onde vamos. Kleber era um sabedor nato das nossas vontades de ouvir histórias. Fazia com que todos se sentissem participante da ciranda da vida com suas alegres histórias, muitas delas, fantasiadas para que os ouvintes sentissem-se dentro delas. Foi um grande homem, um bom advogado, um sábio juiz e um fiel "amigos dos amigos".
Hoje,ao saber que se encontra entre a vida e a morte, numa semi-consciencia, num leito de CTI na Casa de Caridade de Macaé", faço público um de seus desejos e pedidos quando a gente andava juntos pelas ruas de Macaé, Rio de Janeiro e Foruns. Ele me pediu:
"Se algum dia eu estiver vivo, ainda que inconsiente, escreva algo sobre mim. Não faça depois de morto não. Gostaria que as energias que saem de seus dedos de cronista saiam de uma maneira suave como se eu ainda pudesse ler. Você, Jose Milbs, é um gênio e como tal queria ter de você algo ainda em vida.
Pois ai está, meu velho amigo Kleber a minha homenagem a você ainda em vida. Macaé, Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2008, 14,43 minutos. A frese que disseste ao seu amigo Renato Rasma: "Não me deixe morrer ainda quero viver". está ressoando no Bairro Miramar, em suas Ruas empóeiradas e lindas que você trocou pelo luxuoso Bairro de São Conrrado no Rio.
Talvés tenha sido o seu maior desejo o de deixar este mundo cruel na presença de gente simples como você.
Dia 31 de Dezembro de 2008, sem ver o nascer do Sol de 2009, chega a noticia da morte do Juiz do Povo Kleber Guimarães. Almir da Silva Lima me deu a notícia ainda com a tristeza de quem, como o Renato Rasma e os familiares do Kleber, estavam esperando sua recuperação. Lembrando ainda do escritor macaense Luiz Lawrie
Reid, em seu "Ultimo Conto" faço dele minhas palavras:
" Queria saber por que, se os destinos, as inteligências, os corações são tão desiguais nos homens, êles se asemelham tanto nos dpis polos primordiais: Viva e morte?
Por que, na balança da justiça, podem ficar em iquilibrio tanto o réu como o autor?
Por que a metamorfose dos valores morais? moralidade e religão nasceram para o homem e não êle pra elas?
Por que a fria razão traz alegria e a tortura e a paixão nos faz feliz?
Por que todos têm razao e quem menos tem berra?
Por que em todos um desejo imperativo de acumular, conseguir glória, poderio, riqueza? Por que vingar-se e não tolerar? Por que tanta ansiedade do Eu?
Um cego é feliz em pensar que ouve e fala, um surdo em ver o mundo, um paralítico em pensar e meditar. E um que tudo tem, que tudo goza, rói-se e corrói-se por dentro?
Por que?

Por que a razão anda sempre com os velhos, os loucos e asa crianças?
Por que nascemos filhos de nossos pais e morremos filhos de nossas ações?
Por que o que as crianças aprendem de Bem a vida ensina-les de mal?
Por que precisa-se, às vêzes, de mais esfôrço a não odiar os amigos que amar os inimigos?
Por que o homem se preocupa com tanta inutilidades e nunca com o seu "fim"?
Por que há sempre quem nega e a firma Verdades e Mentiras, indiferentemente?
Por que existe quem em tudo acredita e nada duvida?
Por que se precisa mais de amor que de pão?
Por que só a dor nasce grande?
Por que........"
A mesma tristeza, com odor de saudade que vi estampado no olhar de Luis Cláudio, meu filho, quando comuniquei a morte de Kleber, tenho certeza estará nos rostos de milhares de pessoas simples da região de petróleo. Presos abandonados em cárceres, pequenos policiais civis e militares, jovens juizes, alegres defensores e promotores de justiça, todos que tiveram a felicidade de "receber dele, de kleber, seus sagrados presentinhos de Final de Ano e Natais que não voltam. Kleber tinha o dom de presentear amigos. Presentes simples porque eram para muita gente. Um reloginho aqui, uma gravatinha, ali, uma camisa acolá ele ia cimentando sua presença em todos que podia acariciar. Era sua maneira gentil de saber-se presente.

Abre-se, hoje, 31 de Dezembro de 2009, uma lacuna impreenchival no Judiciário Brasileiro com a morte do Juiz Kleber Guimarães. Morre com ele o Romantismo do Direito, Entristece de lágrimas o Sagrado Manto que sempre soube honrar.
Fecha-se uma página no sagramento da lei. Fica a lembrança deste grande Advogado, porque não dizer do POVO?
Abraços de seu amigo, Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com

14.12.08

Vou-me embora vou-me embora Sá Dona...


"Voume embora, vou-me embora Sá Dona.
Amanhã de manhazinha...
Deixo saudade prá quem fca chorando...
Vou rever minha maêzinhaaa...
Andei dando cabeçada, por este mundo afóra.
Já ariei meu cavalo, Sá Dona...
Amanhã eu vou-me embora".

10.12.08

Meus netos Manuella, João Pedro e Ana Clara, como toda criança gostam de cachorros...

Foto: Luis Claudio meu filho e Manuella minha neta)
A PAIXAO DE BOB POR MANNA E A MORTE, POR ATROPELAMENTO DE FLOQUINHO

José Milbs

Um tal de " seu João " que tem um bar na Lagoa, estava prestes a sacrificar quem viria a ser Manna. Luís Cláudio estava lá na hora e a trouxe para o sítio. Era uma cachorra bonita, de uma raça que chamam de Belga Alemão, e logo foi se adaptando a existência daqui. Magra, esquálida e com cara de ter sido muito escorraçada Mana estranhou o amor que lhe dedicava Zé Paulo, Manuella e Ana Cláudia que tudo faziam para que ela se sentisse em casa.

A velha " Mana " devia já ter muitos anos e foi uma surpresa geral sua gravidez havida com estes cachorros vagabundeiam as ruas do Molambo.

Perguntado Zé Paulo me disse que quem faturou Manna foi um cachorro Branco que eu até achava ser bichona, t T amanha sua arrogância e andar meio escantilhado para direita. Enfim o menino deve ter visto Mana rebocada em suas andanças pelo quintal a cata de frutas.

O fato é que Manna deixou no mundo um filha que foi logo sendo chamada, ao crescer, de Maluca devido seu modo louco de viver.

Manna sempre carinhosa coçava sua cabeça até quando já era mocinha e já cruzava com outro vagabundo e andarilho das noites da Granja dos Cavaleiros. Maluca deu a luz a 5 filhotes.

O velho Bob, também cansado, pelo tempo devia t T er uma idade também avançada e, sem dono, foi encostando no sitio. Que como bom aparato foi lhe fazendo sentir - se também habitante ilustre. Bob, Manna e Maluca faziam a trilogia animal da bondade nata.

Sempre atentos aos primeiros passos nas noites, eles olhavam a porteira que sempre fica aberta e espantavam as que olhavam. Morder, acho que nunca teriam coragem. Primeiro, porque eram extremamente mansos e , segundo, que sempre que alguém chegava ia ao encontro para ver se tinha algo para dar de comer.

Manna , Bob e Maluca tinham um viver que se podia dizer normal. Noites de latidos, dias de idas e vindas nas firmas multinacionais em busca de comida, vez ou outra um " espôrro esporro " humano por estarem deitadas na varanda exalando cheiro.

Enfim , uma vida comum de cachorro. Manna nem devia se lembrar de seu titulo burguês de Pastora Alemã.

Ela já havia se inserido no contexto das coisas boas das ruas do Molambo e já era mesmo uma normal. Era acariciada pelo Americano Kun da Brasbril com o mesmo afago de Peroba " e Jacaré, de Conceição de Macabú : o Edmar de Macabú, pedreiro que deu inicio ao prédio que Luis Cláudio construiu.

A frase criada por humanos que determina que o homem é produto do meio, serve também para cachorro. Manna não tinha mais as manias burguesas e não se preocupava em esperar ração, ia a luta com os nativos da região e até seu cio era igual aos cios das demais cachorras do Molambo. Aceitava as intermináveis filas de machos em seu redor e até jogava alguns " charmes " para alguns mais dotados da manta .

Era aquela fila de não acabar mais de cães de todos os tipos querendo, como dizia Zé Paulo, nos seus 10 anos de pura inocência, faturar....

Estava se sentindo como pinto no lixo. Alegre e bem faceira era uma espécie de R r ainha do Bairro. Tinha dia que até um pequinês, com cara de malandro tentava "umazinha" faturar . " Mana " , pacientemente se agachava. Ou o gancho do pequinês era pequeno ou ele não era bom de transa. faturamento . Fato é que quem ficava com ela era o velho Bob.

Bob, um destes dias de inicio de século, estava triste. Escanteado, olhar de peixe morto e nem latia muito quando eu saía com o carro.

Ele sempre ia até a porteiro latindo contra o Chevette que me levavaaté a cidade. .Um cheiro forte de coisa podre invadia o ambiente.

Mana foi achada morta. Foi expirar no fundo do Sítio, solitária e doente. Devia não querer entristecer Maluca nem Bob com seu sofrimento. Deste dia em diante Bob não foi mais o mesmo. Triste cabisbaixo procurava os cantos. Olhar de soslaio, às vezes, e muita tristeza no andar.

Não tinha mais aquele vigor aquele caminhar de atleta em musculação. Acho até que perdeu o prazer da sexualidade. Cachorras jovens no cio que passavam na rua nem era com ele. Elas olhavam, deviam saber de seus dotes. Cachorras devem falar uma com as outras.

Ele nem ligava. Era o amor que os humanos dizem ter. Acho que os homens também amam. Bob foi se esvaindo , esvaindo e fez companhia a sua amada Manna. Deixou este mundo por amor e apaixonado.

Maluca ainda vive. Ela, coitada, não tem muito a lamentar.È meia esbaforida. Avoada e totalmente desequilibrada , biruta e meio transloucada . dai seu nome. vive dando saltos para qualquer um que chega.

Diria uma espécie despersonalizada. Igual certos humanos, políticos principalmente, que em época eleitoral ficam lamendo um dando a mão a outros e se abanando em tapinhas nas costas.

A cabeça de maluca não atina. Vai levando a vida de cachorra sem saber, creio, .das existência que lhe deram existência.

Às tardes, não se vê mais as presenças de Manna e Bob. Às noites, silenciaram os latidos. Mana morreu no dia 6 de dezembro justamente um ano depois que perdi minha mãe.

Em janeiro de 2002, Manuella, minha neta de 5 anos, perguntou de Mana. Ela brincou com o neto dela que teima em morar no sitio.O mês de setembro começa a chegar no fim e as chuvas teimam em dizer aos humanos que ela vem por chamamento natural e que com a destruição das essências naturais podem um dia faltar.

As plantas rasteiras brotam e os galhos se encontram em reverencia ao vento que sopra frio.As arvores, os pés de cocos e de araçás continuam firmes apesar das ausências das águas.

Jabuticabas e amoras estão sendo comidas por sanhaços e Bentevis que encantam as manhas com pios e loucos cânticos.

O Tempo passa. Outro cachorro habita o Sitio. A Estancia Vista Alegre agora escuta outros latidos e o corre corre de outras crianças. Se antes era Manuella, minha neta filha de Luis Claudio agora sao tres netos. Mariana, Ana clara e João Pedro filhos de Aninha. Floquinho é um figitivo nato. Antes de completar 1 ano já vai para a rua e se arrisca entre carros e motos. Estamos no ano de 1006 e a vida aqui na regiao não é mesma nos bons tempos de Manna, Bob, Maluca . Floquinho, numa de suas fugidas morre sob as rodas de um dos milhares que passam aqui em frente. Se antes os velhos cachorros tinham que sair da rua devido as carroças e cavalos hoje é carretas e outros loucuras motorizadas.

Floquinho tebe morte instantanea e seu matador nem parou para ver. Uma tristeza para todos e um alerta que Mariana faz a todos que tem seu caozinho:

FLOQUINHO MORRE ATROPELADO E MARIANA ALERTA SOBRE PERIGO

Mariana esteve aqui na Redação do O REBATE para dizer do perigo de animais soltos e fazer um apelo às pessoas para que não deixem os seus cães soltos. No primeiro descuido eles podem morrer.

O Floquinho ainda nem tinha completado um ano e teve uma morte violenta na última segunda feira. Era um cachorro igual a todos. Crianças que gostavam dele e muita alegria e latidos. Mariana, Ana Clara e João Pedro faziam dele "gato e sapato", e as estripulias faziam bem a cabeça de Floquinho que vivia a espera deles.

O transito brabo da Rua do Sitio o pegou de surpresa e teve morte instantânea com uma pancada na cabeça.

Não sofreu muito, eu disse a Mariana e Aninha que esboçavam um contido choro ao saber da morte.

Mariana esteve aqui na Redação do O REBATE para dizer do perigo de animais soltos e fazer um apelo às pessoas para que não deixem os seus cães soltos. No primeiro descuido eles podem morrer. '

4.12.08

Marcia Buckley com dignidade, é honra para a região de petróleo


MORADORA DE MACAÉ VENCE PRÊMIO DE VOLUNTARIADO INTERNACIONAL


Nesta sexta-feira, dia 5 de dezembro, Marcia Buckley, voluntária do Comitê AFS de Macaé, Rio de Janeiro, será laureada com o Prêmio Galatti de Voluntariado. Este prêmio é concedido aos voluntários da rede AFS Intercultural Programs que mais se destacaram a cada ano.
O AFS Intercultural Programs é uma ONG de intercâmbio cultural que está presente em todo o mundo e existe desde 1914. A organização, que se chamava American Field Service, começou com motoristas de ambulância norte-americanos que resgatavam feridos na França, durante a Primeira Guerra.
Stephen Galatti se uniu como voluntário ao American Field Service em 1915. Foi um idealista, visionário, pioneiro e pragmático, e transformou o AFS de uma organização que transportava feridos de guerra na primeira organização a realizar programas de intercâmbio estudantil. Hoje, o AFS é especializado na promoção de experiências de aprendizagem intercultural com o intuito maior de desenvolver uma cultura de paz mundial.
Mesmo nos primórdios da organização, Galatti sabia que o sucesso do AFS dependeria substancialmente do suporte de seus voluntários, da sua capacidade de se comprometer, se dedicar aos ideais da organização e inspirar pessoas em todo o mundo.
É por isso que, na rede AFS, todos os anos são indicados voluntários que tiveram destaque em seu trabalho. Dentre eles, os três que forem considerados pela organização como os que mais representam os valores da organização — dignidade, respeito pelas diferenças, harmonia, sensibilidade e tolerância —, são eleitos os vencedores do Prêmio Galatti.


AFS INTERCULTURA BRASIL: POR UM MUNDO MAIS SOLIDÁRIO


O AFS Intercultura Brasil (antigo American Field Service) é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1956. Seu compromisso é a construção de um mundo mais solidário por meio do intercâmbio cultural entre os povos. A organização realiza no Brasil mais de 400 intercâmbios anuais com cerca de 30 países distribuídos em cinco programas – Escolar (High School), Estágio Não Remunerado, Trabalho Voluntário, Professores e Recebimento de Estrangeiros. Como não possui fins lucrativos, pode oferecer bolsas de estudo e fortalecer a preparação dos voluntários como política de qualidade.
Aliás, seu diferencial é o fato de voluntários serem os responsáveis por grande parte dos programas - são 30 mil em todo o mundo. No Brasil, este número chega a 1.000 pessoas organizadas em cerca de 96 comitês e representações locais do AFS, distribuídos pelas principais regiões do país. Por meio deles, os intercambistas passam por um processo de orientações e ao longo de toda a experiência, de suporte e apoio, que visa facilitar o processo de aprendizagem intercultural.

A HISTÓRIA DE MÁRCIA BUCKLEY NO AFS BRASIL


Márcia Bucley viajou pelo AFS para os Estados Unidos em 1977. Em 1991, quando se mudou para Macaé, ajudou a fundar o comitê do AFS na cidade e sua família foi a primeira a hospedar um estrangeiro na cidade.
Sua experiência de intercâmbio influenciou a vida de muitas pessoas, mas principalmente a dela própria. Desde que voltou para o Brasil estuda línguas com tanto afinco que se tornou tradutora juramentada.
Nos últimos 17 anos, Márcia tem sido uma voluntária exemplar. Sob sua atenta orientação, a cidade de Macaé já recebeu 44 estrangeiros e enviou para outros países 389 brasileiros pelo AFS. Atualmente, Márcia, seu marido, Willian David, e seu filho, Mário David, são voluntários do AFS.


Informações para imprensa:

ANA CLARA WERNECK

AFS Intercultura Brasil
Assessoria de Imprensa
E-mail: anaclara.werneck@afs.org
MSN: anaclarawerneck@hotmail.com
Tel.: (21) 3724-4464
(21) 9697-8873
(21) 7821-3697

25.11.08

quando se chega os 70 e lembra dos 11 anos.



Era a cidadezinha de Macaé um lugarejo dorminhoco. Manhãs e tardes noites com repetivo soar do tempo que andava lento. Pescadores, que nas madrugas cunhavam seu sustento, vinham, pelas 7 horas ate as 9, anunciando seu produto. Minha mãe Ecila, que vinha do Rio de janeiro para nos visitar, gostava de um peixinho de nome Gordinho e dos Siris acizentados que eram capturados na Lagoa de Imboacica. Os vendedores traziam em suas cabeças grandes cestas que continham os bichos encapados por folhas de matos. Não havia a abundância dos gelos que, nestes anos de 1949, eram privilégios de gente abastada. Geladeira? apenas alguns ferroviários tinham. Assim mesmo de 2a. mão...
Na foto meus netos. Manuella 11 e João Pedro 7. Filhos de Luis Cláudio e Ana Cristina no banco em frente a Instância Vista Alegre onde resido e escrevo estes textos.
Novos Tempos

A rua do Meio tinha e tem uma forma de entendimento diferenciado Nos Fiapos de minha memória. Ali teve cimentada e forjada toda a essência que fixou a infancia e o início dos caracteres da minha existencia.

Por isso ela tem um significado nunca igual as outras ruas, conquistado no dia a dia do crescimento de uma criança. A conquista de novas ruas, de periferias para qualquer menino de 4 ou 5 anos é algo que transcende ao entendimento adulto.

É como o primeiro assobio treinado com luta, tentativas e conquistas. É algo que marca a vida no segumento da vida que brita em cada um nos dias do que se denominou chamar velhice. O belo infantil, que é lembrando no primeiro tombo da bicicleta emprestada por amigos mais ricos, ou do ganho feliz de uma boleba num papão ou num triângulo “ a vera.’’. Coisas que todos temos guardados nas esquinas tortuosas da memória e que vão sendo cotejadas, como pongos de uma chuva criadeira, quando se quer passar isso para os amigos e pessoas...

A vida de uma criança tem sementes que não morrem. Por isso é que, a cada passo que se conquista no mundo geográfico em que habitamos, abrimos trincheiras que se cognominar-se a “ guerra linda da existência humana”.

Fiz-me nas poeiras dessa rua esburacada e santaficada pelo que aprendi, na década de 40, numa Macaé ainda virgem de maldades humanas e progressos loucos e destrutivos.

Ainda se balbuciavam, carinhosos e afetivos, os bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite.

Vocês perguntarão. E as outras ruas, as outras cidades, as outras vilas por este mundo afora? Não seriam e teriam o mesmo formato divino? Confirmo que sim. Creio que estas minhas recordaçoesrecordações servem ao meu mundo o que não o diferencia dos demais mundos existentes em todas as infâncias do universo humano.

Acho que toda a criança, por mais longe do real que esteja, vivenciou mundos maravilhosos e divinos. Quem negará o sonho, o belo pesadelo infantil? Só que eu vivenciei esta realidade e me é outorgado o direito de revelar seus encantamentos com o desejo que outros também os faça para que sirvam de recordações e motivos para longas conversas com filhos e netos.

Como esquecer as estripulias de seu Aluisio do Hospital que tão sabiamente seu filho Zéquinha lhe representa em alegrias e brincadeiras? Do afeto de Dona Durvalina por seus “milhares de filhos”, que vieram ao mundos poe suas mãos? Quando falo em dona Durvalina e repito sua existência neste Fiapo de memória, é porque ela faz parte de milhares de universos infantis de uma Macaé que teima em esquecer suas entranhas para fazer uma historia de bijuterias e falsas existências. Onde se encontra a pura essência do olhar de Iromar uma existência viva e recordativa de uma cidade pura?

Iromar foi me colega de Senai e habitou, em seus últimos dias de vida, o Bairro do Porto do Limão. Sem a visão do mundo exterior ele me conhecia pela vóz e demos lindas gargalhadas de infinito prazer e felicidade quando nos viamos.

Como esquecer as noites de encantamento nas mesas do PINGÂO, REIZINHO, DONA DADÁ E SILVIC? Bares que pipocavam as belezas das nossa ruas nos anos 50 e 60 onde podiamos rever velhos notivacos das noites e das serestas?

II

Não se faz história de uma cidade com 30 anos ou 40 de vivencia nela. Se não se pode fazer parte dela que não se assanhe em faze-la. Se não a fizer , seus filhos farão. Por isso é que me revolta ver as pessoas tentarem dar um branco na vida de Macaé como se a história se pudesse comprar como qualquer titulo de clube ou com nomeações de presidências de clube de serviço. Uma vida genética tem suas raízes na verdadeira essência. Que eles façam as suas histórias nas suas cidades de origens e deixem para seus filhos fazer a nossa.

È muito triste a gente abrir determinados jornais, escritos por debéis historiadores, escreverem mentiras sobra o passado. Locuras que póderia enganar a centenas de crianças indefesas que possam ter acesso a seus textos. Soube que um desses “historiadores de plantão em algum orgão público municipal, disse que ‘Mota Coqueiro tinha sido Prefeito de Macaé. Ainda bem que o Armando Barreto, que está na militancia da imprensa local, desmentiu o ocorrido.

Quem pode esquecer Zacarias Ferreira de Moraes, “Zeca” e sua bela mãe? Como ficar no esquecimento as noites de plantão do PU com Floro, Célio Ferraz, Paulinho Borges. que era na verdade Ivair Borges?

A poucos dias fui numa festa num colégio do Bairro do Aeroporto e quem estava lá como diretora era a filha de Zequinha de seu Zacarias. Maria Inês retratava sua história que era a própria história de nossa comunidade. Falamos do O REBATE do tempo de seus pais e avós e ela ficou feliz em saber que estamos on-line mundialmente acessados.

Sua presença era a presença de parte viva da história e sua fala se confundia com tudo que diz respeito a existência da cidade. Inês falava de sua formação, de sua luta para chegar ao Magistério.

Vi em seus olhos o passamento de toda uma vida que, no bairro simples que ela ministrava aulas, era a representação da própria história de MACAÉ que se espalhou por toda a extensão territorial. Era como que estivesse esticado a Rua da Poça, onde ela nasceu e fincasse esquinas no Bairro Aeroporto...

São coisas que ficam cimentadas nas mentes e que são transferidas para o consciente de uma Macaé que capenga no esquecimento de sua verdadeira história.

III

O Fiapo da Memória caminha para a região onde é hoje o Banco do Brasil. Ali perto morava Celso Terra um dos primeiros práticos em Odontologia. Sempre preocupado com o mundo social e Walter Belmont pai de Regis e Rosana. Eles davam um toque diferenciado dos macaenses nativos já que vinham de outras cidades. Eles incorporaram a vida social em nossa comunidade nos anos 50.

Barrica, meu colega de primário e Gin dos Cajueiros ainda lembram da Escola de Dona Dolores. Era escola Isolada 1.Tinha Indaiá. Sylvio, Elmo, Marlécio e Moacyr Prata. Barrica sempre está nas peladas na Pedra dos Cavaleiros e bate bola com outros senhores. Caminha alegre para os 70 anos de histórias vividas e havidas em nosso região. Parodi que o diga...

IV

Arquimedes França, o pioneiro em tudo que dizia respeito a modernidade, fazia com que a cidade tivesse um tom mais moderno e atual. Zilminhaa, Iolanda, Orlando e. Edgar .........não imaginam como o seu pai, Arquimedes, tinha a visão a frente dos moradores da época. Falar com ele era falar com uma alma alegre e que viajava em redor das falas para a busca do futuro. Hoje quando existe alguma referencia a Arquimedes França as pessoas olham e reverenciam sua memória como um homem que pensou a cidade 100 nos na frente. Uma espécie de Mota Coqueiro ao inverso.A primeira TV veio de suas mãos e muitos outros meios de uso e tecnologia que a cidade viu e tomou conhecimento.

V

As pipas, os campinhos de peladas, as bolas de gude, os namoricos furtivos, as esperas das tardes no jogo de Bola de Meia podem significar e significam a capa protetora das infâncias macaenses, que, as noites de historias contadas à luz de velas, forjam a passagem de existências de vidas com que os avós nos presenteavam em saudosas falas carinhosas e puras.

Histórias dos sertões de Carapebus e seus índios nativos, vivências em Quissamã e suas fazendas gigantescas, caminhadas a Rocha Leão, Macabú e Rio Dourado.

A verdadeira história de Mota Coqueiro, passada por bisavós que o conheceram em Macabú e não tem nada haver com as informações passadas ao meu amigo e escritor March de tão pura intenção envolvido por historiadores mal intencionados. Mota matou mesmo a familia sim, afirmavam eles em suas certezas por que eram visinhos dele em Macabuzinho...

VI

Era sempre uma Macaé verdadeiramente macaense em essência e vidas. Creio que existe uma ideologia nos dias atuais de gente que deseja, por força ou por não terem a paciência histórica de esperar que a historia os reverenciem ,esconderem as verdades verdadeiras. Pensam e querem que a história comece com eles. Eu noto que nestes últimos 20 anos, não sei se com a chegada da Petrobrás ou se de fato, essas pessoas pensam que podem “passar um apagador” na historicidade real. Muitos estão ai afoitos em se perpetuarem numa mentira histórica, textos que não passarão despercebidos por que tem muita gente ainda viva e atenta a esses engodos.

Não se colhe frutos sem que as raízes estejam fincadas na terra. Assim deve ser a vida de uma cidade. Governar a cidade voltada para sua verdadeira essência cultural e genética deveria ser o que eles deveriam fazer. Até por que não existe meias verdades na historicidade de um povo. Ou é ou não é.

VII

A Rua do Meio tinha frondosas árvores e as areias grossas das ressacas de Imbetiba ladeavam as entranhas das ruas e faziam se fazima de picadas nas casas. Um emaranhado de conchas e restos de mares antigos. O velho Benoni conversava nas esquinas com “Geraldinho” de Zelita Rocha. Sobre algumas jogadas do Time do Americano e falavam dos dibles de Venicio de Oliveira que tinha sido convidado por Gintil Cardoso para ser reversa de Garrincha no Botafogo. A gente ficava ouvido estas conversas dos “mais velhos” e ficavamos sabendo disse fato inédito na vida do esporte de Macaé. Venicio, um menino saido das poeiras de nossas favelas iria ser reserva do fabuloso Garrrincha. Venicio, na timides de um menino dos anos 40, não foi. Sua timides impediu que passasse para a história do Futebol Mundial. Perdeu a cidade...

Pedrinhas brancas, cacos de Mariscos e ostras eram comuns nas cercanias. Elas se misturavam nas terras pretas dos jardins da rua Dr. Bueno com belas Dálias, Roseiras e pés de Laranjas, comuns nas frentes das residências nesse início da década de 50.

Na rua Júlio Olivier além de Custódio, Tinoco, Seu Manoel, tinha seu Sebastião Crespo com seu caminhão que nos dias de carnaval desfilava cheio de crianças pelas ruas do centro. Lucas e Zilda ainda embalavam os meninos Guto e Toninho.

Era comum as puras aparições de carros, alegremente carnavalescos, passando pelas ruas. No Carnaval, seu Sebastião era visto seus filhos Edevan, Edson, Celinha, Cacilda e Edy que se jundavam a turma da Rua do Meio, Igualdade e Praça para as comemorações. Os caminhões se enchiam de crianças e mini adultos e desfilavam na Rua Principal, antecedendo os desfiles dos Cajueiros e Independente.

Ainda não havia as Bandas Marciais do Luiz Reid nem a do Polivalente que viriam a ser osquestradas por Jamil e José Geraldo no CELR e pela abnegação de Angela, esposa do meu amigo Mozart e mãe do nosso reporter esportivo Léo Lima, no Colégio Polivalente.

VII

Havia uma Vala ( que nos anos 60, quando Cláudio Moacyr manilhou), que era onde a gente brincava muito. Eu, Cláudio, Levy, Telmo, Rubinho, Nelsinho de dona Pequena e outros meninos.

Do lado de lá da Vala, hoje uma rua que dá acesso a casa de Míriam de Dona Pequena, morava alguns mitos das hitórias macaenses. “Titinha” DO INDEPENDENTE, Seu Roberto do Bar e o Seu Xará de Dona Pequena, Thiers, Dona Olga Patrocínio, Aloísio do Hospital, Mãe Durvalina de Braulio, Zequinha e Hilário de Hilarinho, Custódio, Gilda, Seu Manuel de Anterinho, Celinha irmã de Devan e seus belos e bondosos pais, Lalate, Dona Cotinha, Nelson, Clyce, Theresinha, Eliete, Darcílio, Irene, Doca e Zezinho, Mathias, Catuta, seu Oswaldo, Benicio, Marinildo Amado e suas meigas irmãs, Benildo, Dona Zinha de Syldai e Neinha, Elias e sua irmã, de doces lembranças de Seu Rubens Patrocínio, Sucena, Pimpão, Lenice, Clea, Mazinha.

Tinha um velho Pé de Mija-Mija instalado em frente a Chácara onde morava Alencar e dona Bentinha. pai de Elcinho. Esta árvore tinha um pequeno fruto que, ao ser cortado, expedia um liquido. Dai este nome. Confirmei, com Naná Ferroviário, este fato e ele se lembrou desta árvores. Ela, como o Pé de Tamarindo que existia na Praça Veríssimo de Melo, suniram do real mais repousam suave e docemente nas nossas memórias.

VIII

Nessa Chácara, onde Alencar morava, ao lado de minha casa, na Rua Doutor Bueno, 180, tinha dezenas de jabuticabeiras e uma pedra de umas duas toneladas, que as crianças diziam ter um tesouro enterrado debaixo.

Elsinho e seu outro filho Alencar eram nossos colegas de bolebas e a gente discutia sobre o tesouro debaixo desta pedra. Dona Bentinha tinha uma filha linda que revi neste início de século quando de uma ida a Cerj para ligar uma luz. Estava na sala de Guto filho de Lucas e pai de Luquinha. Sorria com o mesmo sorriso franco e puro que tinha os 6 anos. Rever histórias e passar para este Fiapo é salutar.

‘Não sei nem contar as vezes que ficava torcendo para crescer e remover aquela pedra pedra dos tesouros. O pior é que todas as crianças tinham o mesmo desejo. Interessante, está coisa de mente humana. Quando descrevo estes fatos vejo perfeitamento a Pedra que ficavs uns 15 metros da trave de nossas peladas com bola de meia ou de borracha...

IX

No final da rua morava “Nelsinho de Dona Pequena” e “Manuelito”. Do lado da casa de Dona Maria de Seu Bráulio pai de “Icinho, Lelei, Delvan. Décio e Dalci. Vizinhos de “Seu João Gordo”, pai de “Zé Pretinho”, isso tudo perto do campinho de peladas (campinho da Cocheira) em terreno da Prefeitura.

Nas noites os batuques do ensaio de carnaval do “Independente” de “Titinha” , João Pinto, pai de João Batista Pinto e de Monclar de “Dodge” , Luiz Geraldo e Ana Pinto. As crianças se misturavam com os mais velhos em busca de repiques de tamborins e pandeiros. Sempre escrevi e repito que os tamborins eram de couro de Gato...

Ainda não havia luzes nos postes de madeira os pirilampos davam a dimensão do belo e nos proporcionavam momentos de ligamentos no real existente.

Sentados em torno do fogão de lenha da casa de Titinha esquentávamos os Tamborins para os ensaios na busca de vencer os Cajueiros, nosso tradicional concorrente no carnaval dos anos 40. A música que o independente cantou em sua Escola, eu e Cláudio Moacyr relembramos quando ele era Prefeito e eu Vereador na década de 60. Era assim:

Sai, fui buscar lá na vila uma baiana pra dançar...Na minha escola, este samba eu fiz pra ela cantar. Agora, quero ver cajueiros dançar...(já naquela época usávamos o termo dançar como forma de fazer dançar... etc.

Acho que neste ano o Cajueiros dançou de fato. O meu independente venceu o carnaval de l949.Qualquer dúvida pergunte a Meca, Simário, “Badu”. Miguel, Wilson Pires, Nagib e outros remanescentes. João Pinto, Wilson e Monclar sempre estavam com suas presenças simpáticas nos ensaios da Escola de samba do Independente da Rua do Meio.

Quem tem mais de 60 anos e morou nas imediações desta monumental Rua de Macaé, deve lembrar, por certo, de mais detalhes. Esta ai que termino são as que veio no meu Fiapo aos quase 70 anos...

Eu era um menino de 11 anos.(José Milbs de Lacerda Gama)
www.jornalorebate.com
Coment

19.11.08

TOGA: O MANTO SAGRADO DA LEI ESTÁ AINDA EM VOGA NUM BRASIL ONDE ALGUNS JUIZES AINDA SE CORROMPEM




Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância
de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã , cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'




Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara
de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.
Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares , 3 mansões - uma, em Ponta Porã , avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. 'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado. Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarr otado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande . O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.'
f783fd4f-ad49-4632-9013-8aa23ff4de49_oliveirapora.JPG
Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas.. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.

Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante.. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.'
Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol. (Pablo Picasso)

13.11.08

TROFEU RAÇA NEGRA. UM RESGATE DA HISTÓRIA,,,

Troféu Raça Negra 2008 comemora 120 anos da Abolição



Personalidades e autoridades se reúnem em São Paulo para a maior festa da comunidade afrodescendente do País



A 6ª edição do Troféu Raça Negra, que acontecerá na Sala São Paulo, região central da capital paulista, no próximo dia 16 de novembro para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra, reveste-se de um momento especial: a celebração pelos 120 Anos da Abolição da Escravatura. O evento é uma iniciativa da ONG Afrobras – Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio Cultura e da Faculdade da Cidadania Zumbi dos Palmares.



Neste ano, a escolha dos premiados será diferente do costume. Através da Comissão Afrobras e da Academia Afro Brasileira de Artes, foram eleitas as autoridades e personalidades que mais se destacaram no ano pela luta em favor da diversidade e do negro brasileiro e pelo conjunto da obra de seus trabalhos.



Mais uma vez, grandes empresas e instituições financeiras patrocinam o Troféu Raça Negra, como Coca-Cola Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco, HSBC, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Nestlé e Sesc SP.



O evento fará uma homenagem a um dos maiores cantores e apresentadores negros da década de 60, Wilson Simonal, que terá suas músicas cantadas por grandes nomes como Alcione, Paula Lima, Pedro Mariano, Rappin' Hood, e seus filhos Simoninha e Max de Castro. Os arranjos ficarão por conta do Maestro Josoé Polia, acompanhado da Orquestra Filarmônica Afro-Brasileira. Paulo Betti e Sheron Menezes serão os mestres de cerimônia do Troféu Raça Negra 2008.



Também será prestada homenagem póstuma a Jamelão. A cantora Leci Brandão cantará o Hino da Mangueira, escola de samba do coração de Jamelão.



Confira a lista de homenageados:



- Miguel Jorge - Ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento

- Maria Helena Guimarães - Secretária de Educação do Estado de São Paulo.

- Fernando Haddad - Ministro da Educação

- José Sarney - Senador

- Erickson Gavazza - Desembargador

- Cristovam Buarque - Senador

- Carlos Ayres Britto - Ministro do STF

- Ruth Guimarães - Escritora

- Joaquim Barbosa - Ministro do STF

- Benedito Gonçalves - Ministro do STJ

- Edson Santos - Ministro da Seppir

- Netinho de Paula – Vereador de SP

- Clifford Sobel - Embaixador dos Eua

- Fabio Barbosa - Presidente do Banco Santander no Brasil

- Edgar Martolio - editor da Revista Caras

- Milton Gonçalves - ator

- Zezé Motta - atriz

- Fabrício Boliveira - ator

- Daiane dos Santos - atleta

- Maurren Higa Maggi - atleta

- Nélio Alfano Moura - preparador físico da Maurren

- Jamelão Neto - neto de Jamelão



Primeira lista dos artistas confirmados:



- Altair Veloso

- Antônio Pitanga

- Bukassa

- Chica Xavier

- Cristina Souza

- Da Gama

- Diogo Silva

- Edson Montenegro

- Isabel Fillardis

- Jairzinho

- Lena Roque

- Luciano Quirino

- Maria Ceiça

- Mário Nelson

- Neguinho da Beija-Flor

- Neilda Fabiano

- Nilcemar Cartola

- Paulo Betti

- Profº. Márcio Tadeu

- Rocco Pitanga

- Sérgio Loroza

- Sheron Menezes

- Sônia Fillardis

- Vera Menezes

- Vicky Luz "Soul Rapaziada"

- Zezé Motta



Evento: Troféu Raça Negra 2008

Dia: 16 de novembro (domingo)

Horário: 19h30

Local: Sala São Paulo (Estação Júlio Prestes)



Assessoria de Imprensa – Troféu Raça Negra 2008



Júlia Ramos – (11) 3392-6005 – ramal 241 / 8307-9082

julia@afrobras.org.br



Website: www.trofeuracanegra.com.br / www.afrobras.org.br

5.11.08

Um dos mais ilustres e competentes servidores do velho INAMPS morre em Macaé: Wilson Valença foi exemplo de dignidade...


A notícia da morte de Wilson valança poe fim a uma vida de lutas e de grandes gestos para com o semelhante. Trabalhei ao seu lado no antigo INAMPS que virou SUS. Tinha uma maneira diferente da minha. Enquanto eu, me indignava com os desmandos de desvio de condutas de Médicos e de Chefias, indo às vias de fato e denunciava no "O REBATE" estes safados, ele, Wilson se conformava. Achava que tudo isso não iria mudar com minhas lutas e que "fazia parte do ser humano estes desvios". Cumpria a sua parte em seus plantões. Atendia a todos, dentro de um impecável e belo uniforme branco que punha a mostra sua beleza de homem bom e puro.
Wilson nunca chegou atrasado no INAMPS eu eu nunca cheguei no horário. Fazia de seu plantão de 24 horas uma missão de Funcionário Público Federal exemplar. Também não tinha dom de bajular chefias. Era esse, agora posso ver claramente com sua morte, sua marca registrada de homem sério e humano. Personalidade forte diante dos poderosos mais uma criança dócil no trato com os pobres e sofridos que a gente atendia no INAMPS. Wilson era sempre convocado para os mais graves atendimentos.
Enfermeiro, telefonista, grande amigo e um dos mais alegres papos nas madrugados no SAMDUjamais fez inimigos. Irmão mais novo de meu amigo Elias Valença e tio de Filipe que casou-se com minha linda filha Lais, Wilson era um dos mais antigos moradores do Porto do Limão.
Muitos como eu irão sentir, mais guardar nas paredes da memória, sua elegante e linda caminhava da casa onde viveu e morreu na rua José Ribeiro, até o Samdu e Inamps,cumprimentando a todos, dirante 30 anos.
Sempre estive sabendo da dor corpórea, vítima de uma grava doença. Antes, ele mesmo Wilson, me mostrava orgulhoso e viril, uma grande cirurgia que tinha sofrido no valente coração.
Hoje recebi um email de Lais que me comunicava sua morte. A natureza se uniu as tristezas de todos os moradores da Rua da Boa Vista e de uma grande parcela de pessoas da Região de Petróleo que tiveram o privilégio de conhece-lo e admirar sua retidez na vida terrena: choveu em toda a cidade...
O REBATE envia a todos os familiares, em especial ao meu amigo Baeca que me deu noticias de sua saude num encontro no BB, os sentimentos pela perda deste bondoso amigo e fiel companheiro.
Em nome de toda comunidade de funcionários do Ministério da Saude meus sinceros pesames. José Milbs de Lacerda Gama editor de www.jornalorebate.com

4.11.08

O DEVER DE CASA DO QUINTANA...

A VERDADE NA SIMPLICIDADE: GAÚCHO BOM É ISSO!


Mário Quintana

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.