Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

10.12.07

POR QUE O IBAMA NÃO PRENDE QUEM MATA MILHARES DE PASSARINHOS NO BRASIL?

FAZENDEIROS ASSASSINOS DA REGIÃO DE PETRÓLEO MATAM MILHARES DE PÁSSAROS COM O INSETICIDA ‘’ RANDAPP’...


Amblyramphus holosericeus
Cardeal-do-Banhado

Pseudoleistes virescens
Dragãozinho

Embernagra platensis
Sabiá-do-Banhado

Sicalis flaveola
Canários

Speotyto cunicularia
Coruja-Buraqueira

Guira guira
Anu-Branco

Crotophaga ani
Anu-Preto

Mimus saturninus
Sabiá-do-Campo

Passer domesticus
Pardal

Tachycineta leucorrhoa
Andorinha

Columbina picui
Rolinha

Milvago chimango
Chimango

Passer domesticus
Pardal fêmea

Larus dominicanus
Gaivotas

Chauna Torquata
Tachã

Rhea Americana
Ema

Gallinula Chloropus
Frango-D'agua

Aramides Saracura
Saracura-do-Mato

Vanellus chilensis
Quero-Quero

Gnorimopsar chopi
Melro ou Chopim

Satrapa icterophrys
Suiriri-Pequeno

Furnarius rufus
João-de-Barro

Troglodytes aedon
Cambaxirra

Pitangus sulphuratus
Bem-te-Vi

Machetornis rixosus
Suiriri-Cavaleiro

Colaptes campestris
Picapau-do-Campo

Syrigma sibilatrix
Maria-Faceira

Egretta thula
Garça-branca-peq

Gnorimopsar chopi
Melro fêmea

Thraupis cyanoptera
Sanhaçu-Enc.-Azul

Tyrannus Savana
Tesourinha

Haematopus palliatus
Piru-Piru

Sterna hirundinacea
Trinta-Réis-de-B-Ve

Sterna eurygnatha
Trinta-Réis-de-B-Am

Sturnella superciliaris
Policia-Inglesa

Tyrannus melancholicus
Suiriri

Estrilda astrild
Bico-de-Lacre

Rallus sanguinolentus
Saracura-do-Banh.

Rupornis magnirostris
Gavião-Carijó

Amazilia fimbriata
Beija-Flor-Gr-V.-Br

Casmerodius albus
Garça-branca-grand

Charadrius collaris
Batuíra-de-Coleira

Tringa melanoleuca
Maçarico-Gr-P-Am

Turdus rufiventris
Sabiá-Laranjeira

Calidris fuscicollis
Maçarico-de-sob.-br

Actitis macularia
Maçarico-Pintado

Himantopus himantopus
Pernilongo

Eupetonema macroura
Beija-Fl-de-Tesoura

capivara.jpg (30350 bytes)
Capivaras

cuica.jpg (30285 bytes)
Cuíca ou Guaiquica

anta.jpg (50122 bytes)
Anta

jacare.jpg (54838 bytes)
Jacarés


O meu domingo parecia igual aos outros destes últimos anos. TVs desligadas fugindo dos horrores que elas nos impõem com enlatados e filhotes dos “faustões, gugús, silvios santos”. Embalado na minha rede nem notei a presença de um jovem negro que já se acostumou a entrar na minha morada e cumprimentar com sua alegre simpatia.

_ Diga lá, Toninho. Como andam as coisas lá pelas ribas de Conceição de Macabú. – To triste “Seu Zé Milbs”. Meu Canário e meu Coleiro foram soltos pelo “meio ambiente regional”. –Liga não, Toninho. Eles agora irão ninhar. Ambos darão lindos filhotes e, quem sabe irão cantar nas árvores que circundam sua casinha nas beiradas do Rio Macabú. Os olhos negros deste jovem de 39 anos, 30 deles em roçados de cana de usinas, em plantio de longas fileiras de canavial que, anos a fio enriqueceu uma minoria de latifundiários, ficaram com um brilho diferente. Parecia que o Sol, que entrava pelas falhas dos galhos dos pés de Acerolas, desse lugar a uma gota de orvalho brilhante que parecia pérolas brancas em sua rosada face de um belo negro...

_ Antes fosse isso. Até que seria melhor. Falei com o fiscal do IBAMA que o Canário da Terra era a alegria do meu filho. Bicho cantador. Nasceu num pé de Coco que, numa ventania de outono, matou seus pais. Pequei-o ainda filhote. Bico sempre aberto quando eu ia lhe alimentar. Disse tudo isso para o “doutor de camisa preta e letras brilhantes nas costas”. Ele nem quis ouvir. Deu-me um “empurra” que quase me joga em cima de meu filho, pegou a gaiola que fiz, flecha com flecha, quebrou tudo e soltou os passarinhos. O Coleiro ainda ficou me olhando no pé de goiaba e o canário sumiu no ar e acompanhou o vento frio que vinha das serras de Santa Maria Madalena e Visconde de Imbé.

Ainda assim, Toninho, em minha opinião, foi bom para eles. Você sabe que hoje em dia é crime a gente ter bicho da fauna cativa. Dizem que se a pessoa for apanhada com algum destes animais, é cana dura. Tem juiz que pode até condenar a três anos de cadeia. E olhe que pelo que você diz, “afora o empurra” do fiscal na frente se seu filho acho que ele podia ir mais longe e até autuar você e te recolher. Ai você ficaria preso sem fiança, isto é, não adiante nada por que é um crime inafiançável matar, prender ou ter cativo os bichos.

- Que isso seu Zé. Existe esta lei mesmo? Então por que os Fazendeiros de toda a região do rico petróleo que, se estende de Macaé e circula por mais de 15 cidades, estão soltos? Toninho arria uma sacola de compras, passa as mãos calejadas pela face na busca da gota de lagrima e puxa a cadeira que está ao redor de minha rede e começa sua fala:

_ Tudo bem, vou dizer uma coisa para o senhor que é jornalista, escritor e já foi político. Seus escritos no O REBATE e na NOVA DEMOCRACIA são lindos e fala o que a gente queria falar e não pode. Não que eu saiba ler. Minha filha lê pra mim e deles eu consigo ter uma idéia das idéias do senhor. Toninho se ajeita na cadeira que continua com um pé quebrado e fala como se estivesse recebendo do mundo encantado de África, a manifestada divina de seus antepassados. Sua cor negra que, ao vento de dezembro e ao sol das 9 horas do segundo domingo se harmonizava com o vôo das borboletas e se afinava com o cantar de uma Cigarra na linda Palmeira que frutifica minha morada há 35 anos dava-lhe, no cruzar de suas longas pernas magras e ossudas, a elegância de um jovem mestre-sala. Ajeito-me na rede e fixo meus olhos em seu sobrolho que, repuxado pelos anos de lutas e sofrimentos, lhe curva as faces.

Toninho começa a falar como se estivesse retratando um acontecimento. Meu longo ano de jornal me ensinou técnicas de “fazer falar” e saber ouvir. Nem foi preciso. Toninho tinha a certeza da veracidade de seu depoimento e foi assim que ele falou:

Seu Zé, o senhor conhece um remédio chamado RANDAPP? – não respondi. Pois eu vou falar com o senhor sobre isso. È um inseticida que os fazendeiros compram nas cooperativas de toda região de petróleo. Eles misturam com uma pequena quantidade de água. Fica igual a um leite. Paga cinco reais “para alguns pobres coitados” saírem pela mata espalhando. Sabem o que eles querem? – continuem negando: Eles querem, seu Zé é matar os pés de “Dorme, dorme dormideira, de João Ruço, de Arnica do Campo, de Guiné" e outras plantas que eles dizem ser praga. Este remédio é tão forte que as pessoas ficam com a garganta seca. Se não correr para tomar leite é capaz de morrer. Fica sem cuspe até. E continuou sua aula de Ecologia que deveria ser gravada e passada para os Fiscais de Ibama.

- Esses fazendeiros economizam dinheiro, não contratam mais as pessoas para tirar estas pragas. Dizem até que o “enxadão de a foice” nem se compram mais. É só este veneno.

O relógio já marca 10 horas e o Sol de dezembro desde domingo se torna para mim um dos mais belos dos últimos anos. Já começo a entender mais de coisas que nunca vi em livros etc.

-Toninho, que tem a ver isto do veneno com o Canário da Terra e o Coleiro que o fiscal do IBAMA soltou?

- Ai é que está seu Zé o fio da meada. "Como se dizia" minha avó Adelaide nos anos alegres de minha infância.

Só o cheiro deste veneno que para o “João Ruço” na raiz e fica molhado nas espigas dos capins, dá pra matar a distanciam os passarinhos. Os fazendeiros são tão ruins que eles colocam o veneno ao cair da tarde quando os pobres bichos voltam alegres para seus ninhos para dormirem com seus filhotes.

“Caem mais de cem por cada injetado do veneno nas plantas”. E o senhor quer saber da maior? Durante uns cinco dias todas as Rolinhas, Tizis, Anuns, Sabiás, Canários, Cambaxirras, Papa-capins, Sanhaços, todos eles morrem por que eles vão bicar as espigas de capins e elas estão envenenadas. Mais de dois mil passarinhos morrem por dia nesta região que o senhor sempre diz ser a Região de Petróleo em seus escritos?

- Por que, interroga Toninho, já com a fala de um líder, eles não os prendem? Meu Canário eu vi ele morto logo depois de ser solto. Saiu para a mata e morrer numa moita de “Dormideira”. Ainda estava com a placa na patinha com o nome que meu filho tinha dado a ele e que a madrinha dele fez numa relojoaria em Macaé. “Canarinho” era seu nome...

Soltou para morrer junto com mais de cem outros. Estão acabando com os passarinhos de nossa região e de nossa serra. Vou dar uma idéia ao senhor. Pede ao IBAMA para enquadrar os fazendeiros no crime de Meio Ambiente e as Cooperativas que vendem o veneno em “trafico de drogas”. Fechar a indústria seria demais. Por que ai pode acontecer que vai mexer com Senadores, Deputados etc. Eles devem “levar alguma merreca”, igual o governo federal leva dos cigarros e das cervejas que eles sabem que matam mais deixam rolar solto nas TVs.

Os olhos de Toninhos assumem um brilho diferenciado do que até então tinha visto. Parece que ele, adivinhando meus pensamentos, sabia que eu ia denunciar esta matança e seus assassinos...

O meio dia já começa por a pino o Sol da pós chuva. Toninho pega o ônibus e vai de volta a Conceição de Macabú, cidade de meus antepassados. Vou ao computador e faço público meu protesto contra esta matança... (José Milbs de Lacerda Gama, cronista e escritor. O REBATE www.jornalorebate.com 09.12.2007).

27.11.07

GERENTE E JURIDICO DAS SENDAS MACULAM IMAGEM DO VELHO SENDAS...

SERVIÇAL DO CAPITALISMO FAZ DAS SENDAS DA REGIÃO DE PETROLEO, UM LOCAL DE SUAS MALDADES COM SERES HUMANOS...

GERENTE E JURIDICO DAS SENDAS MACULAM IMAGEM DO VELHO ARTHUR SENDAS
Serviçal do Capitalismo faz das Sendas da região de petróleo um local de suas maldades com seres humanos
Para que chorar o que passou...
Lamentar perdidas ilusões. Se o ideal que sempre nos acalentou.
Renascerá em outros corações...


Conceituada professora de mais de 60 anos e com quase 50 de serviços prestados ao Governo do Estado do Rio e a Educação Pública está sendo colocada à prova sua idoneidade por um Gerente de uma empresa que deveria zelar pelos interesses de seus clientes.
Roubada com todos os seus documentos, recibos de três carros de seus familiares, talo natos de cheque, uma quantia em dinheiro que era fruto de seu salário e aluguel de duas casas e uma série de documentos, inclusive o Cartão Sendas. Imediatamente a Professora LMCLG foi a DP fez o registro, chamou o chaveiro, já que seu carro estava no estacionamento das Sendas, foi atendida, nervosa, com crise de hipertensão por um simpático Guarda Municipal e, sob os braços de outros clientes conseguiu ligar para seu Genro que foi socorrê-la. Cheques foram descontados, dinheiro levado e, na mesma hora foi comunicado à empresa que ficou sabendo do ocorrido.

Como é uma senhora que nunca teve nenhum tipo de ação junto ao judiciário ela pediu a sua filha que é Farmacêutica para ver com a gerencia da empresa para, com seus meios de filmagens localizarem o ladrão (a) e repor seus prejuízos.
Protelando a mais de 30 dias o Sr. Claudeci, Gerente das Sendas na Região de Petróleo, disse, depois de muitos telefonemas, que a “Doutora Amanda” do Jurídico das Sendas havia dito que as Sendas não se responsabiliza por coisas esquecidas no interior da firma”. E disse mais: que não tem como ver a gravação do ocorrido “por que o circuito de TV das Sendas estava com defeito”.

SERÁ QUE SE ALGUMA POBRE INFELIZ EXPROPRIAR ALGUMA LATA DE LEITE OU CAIXA DE MANTEIGA O CIRCUITO DE TV DAS SENDAS NÃO ESTARIA REGISTRANDO?

A professora, devido à idade e por estar doente não quer entrar numa briga que pode estressá-la ainda mais. Mais eu aqui pergunto: “Não dá para o Ministério Público ou a Defensoria, entrar nesta briga”? É uma vergonha que este tipo de Capacho de um Capitalismo em agonia brinque com as pessoas como foi o caso desta senhora.

O REBATE, nos seus 75 anos de Histórias vai denunciar mundialmente esta empresa que desonra o nome do velho Sendas de passado limpo em nosso Estado, a quem conheci em Duque de Caxias nos anos 60.

Rua para esta camarilha de Agentes da Burguesia Nacional, meu velho amigo Sendas, que desmoralizam suas empresas e riem do judiciário a quem você sempre respeitou. Este tipo de bajulação nunca mereceu aplausos em suas organizações. Que a "Doutora Amanda e o Gerente Claudecir busquem, na história das Sendas outros exemplos e não este que querem impor na região de Petroleo do Rio de Janeiro...

Voltaremos ao assunto...

Vidas que se apagam a sorrir.

Luzes que se apagam nada mais...

È chorar em vão tentar aos outros iludir.

Se o que se foi para nós não voltará jamais...

José Milbs de Lacerda Gama editor, jornalista e escritor).

‘

13.11.07

O COLEGIO ESTADUAL LUIZ REID NÃO PODE SER PARTICULAR NUNCA...

Por que saímos da vida sem entendê-la e entramos na morte sem conhecê-la? (Luiz Lawrie Reid. 1962)

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO LUIZ REID E O ÚLTIMO CONTO DE LUIZ LAWRIE REID

Foto cedida pelo Flog da Estudante do CELR Nanda Raibolte


Lá detrás daquele morro tem um Pé de Manacá, nós vamos casar e vamos para lá...

Você quer?...
Eu pego toda flor do Pé de Manacá e faço uma coroa para te enfeitar...

Você quer?...

Somente dois oradores falaram no sepultamento do Escritor Luiz Lawrie Reid. Eu, representando os Estudantes já que era presidente da FEM, Federação dos Estudantes de Macaé e o Professor Pierre Tavares da Silva Ribeiro que era Diretor do Colégio Estadual “Luiz Reid”. Foi um pedido dele a sua esposa Nicla Reid e aos filhos que seu corpo fosse enterrado na cidade onde ele nasceu e amou de uma forma muito especial.

A família de Luiz Reid tinha uma das maiores fazendas em nossa região de Petróleo. Abrangia toda a região dos Bairros da Glória, Cancela Preta, Novo Cavaleiro e ia até a divisa de Macaé com Rio das Ostras. Foi para São Paulo e lá, como empresário e tendo um grande tino empresarial, ganhou dinheiro e, sobretudo fama como Escritor, Poeta e homem de Letras. Jamais deixou de ter um grande carinho com a região onde nasceu. Em seu último conto, Por que saímos da vida sem entendê-la e entramos na morte sem conhecê-la, declara seu amor a nossa cidade de uma forma extremamente carinhosa. Guardo com muito cuidado o original de seu texto que foi enviado pela sua companheira de longos anos e que a ela Rede se dirige “no portal da nova vida”, È uma obra inédita que O REBATE, portador de tantas e lindas histórias, tem a felicidade de colocar mundialmente acessada na internet.

Nos anos de 1960 a cidade de Macaé só tinha um colégio de segundo grau. Ou melhor, toda a região de petróleo, com exceção de Campos dos Goitacázes. Era um colégio de nome Colégio Macaense. Imagine os leitores uma cidade de vida ferroviária e uma comunidade sem opções outras a não ser a pesca ou o pequeno comércio. Poucos tinham o privilégio de fazer o curso. Alguns, como o autor e outros conseguiam fazer SENAI na Estrada de Ferro Leopoldina e estudar à noite eu então tinha que pedir “bolsas de estudos na prefeitura”.

II

Reid tinha levado para trabalhar com ele em uma de suas empresas um jovem macaense. Ferry J’acourd de Azeredo, recém formado em Direito. A F.E.M. fazia cartas, ofícios para todos com o objetivo de conseguir que a região tivesse um estabelecimento de ensino e que, principalmente este ensino, fosse totalmente gratuito. Passeatas, greves, brigas e muita divulgação chegaram a Escritor Reid que mandou seu secretário até Macaé para estudar a criação de uma Fundação e que ele, caso isso fosse feito, construiria o educandário. O município doou um de seus mais históricos monumentos que era a Praça da Luz onde tinha sido enforcado Mota Coqueiro, autor de um dos mais bárbaros crime de nossa história.

A Federação dos Estudantes de Macaé, que lutava por um ensino totalmente público não aceitava que fosse “doado um imóvel público” para a criação de uma Fundação particular e com o ensino continuando sem pago. Venceu a elite da época e foi criada a Fundação Educacional Luiz Reid que passou a ser a mantenedora do Colégio Luiz Reid...

III

A luta da FEM não parou ai. Uma trégua e, em 1962, voltamos à luta pela transformação do Colégio Luiz Reid em Colégio Estadual. Governava o Estado do Rio de Janeiro Celso Peçanha que vivia às turras com a Assembléia Legislativa. Transformada em Assembléia I e II. De um lado o Deputado Kezen e de outro o Deputado Janotti. Celso queria o apoio dos Estudantes do Estado do Rio de Janeiro para o seu grupo. Cláudio Moacyr dirigia a UFE União Fluminense dos Estudantes e eu, a UFES (União Fluminense dos Estudantes Secundários) que viraria CoFES (Confederação Fluminense dos Estudantes Secundários) Os universitários tinham negociado com Celso. Maioria em troca de cargos de Procuradores do Estado, Fiscais de Rendas ou de Barreiras. Faltavam os secundaristas e fui chamado ao Palácio. Quando todos pensavam que eu e o Armando Barreto, meu secretário voltaria à Macaé com nomeação de Fiscal de Rendas ou outra oferta que nos foi proposta, voltamos com a seguinte resposta: O Governador aceitou nossa exigência. Negamos a oferta de cargos. Ele vai transformar o Colégio Luiz Reid em Colégio Estadual Luiz Reid. Totalmente gratuito e com a incorporação dos funcionários do colégio em funcionários do Estado.

IV

Havia um impasse que o Deputado Hamilton Xavier questionou com a gente numa reunião na ALERJ. “È inconstitucional o Estado administrar um colégio público num terreno particular, ainda mais uma Fundação”. Uma reunião foi deita com a Procuradoria do Estado com nossa presença e firmado um documento que A Fundação deixava de ser a proprietário do local doado pelo município.

Seria na época e ainda deve ser hoje, um ato ilegal um município doar uma praça para uma entidade mesmo que não tivesse fins lucrativos e o Estado encampar um colégio em próprio particular.

V

Como Reid continuava mandando alguns donativos para a Fundação Educacional Luiz Reid foi feito uma reunião com as autoridades locais e com os Clubes de serviços, já que Reid era Rotariano. Nesta reunião onde participou o então Prefeito Antonio Benjamim, vereadores, Rotarianos e Maçons foi decidido, por eles, em caráter “estritamente particular” que a Fundação continuaria a existir para “não perder a capa de entidade sem fins lucrativos” e que para que isso não caísse na politicagem em algum futuro, que” a Presidência da Fundação Educacional Luiz Reid fosse ocupado pelos prefeitos eleitos”. Reid continuaria a mandar seus subsídios e tudo ficaria como dantes no quartel de Abrantes. Isto é o Estado seria o verdadeiro dono do imóvel por direito e por lei e a Fundação ficaria na dela recebendo alguns donativos, etc. etc. por que então está havendo este murmurinho que “querem tomar salas do COLEGIO ESTADUAL LUIZ REID”? Que é isso, Cara-pálida. Será que o objetivo é transformar este Símbolo de um ensino sério e público num colégio particular e pago?

Olhos abertos estudantes de 2007 porque, em 1962, fizemos a nossa parte.

Ao lixo da história quem está querendo tirar do POVO seu sagrado direito de um ensino gratuito. José Milbs de Lacerda Gama editor de "O REBATE" www.jornalorebate.com

4.11.07

Nonô Marimbondo: ORGULHO DE SER SAPATEIRO...

Nonô Marimbondo:

ORGULHO DE SER SAPATEIRO...

Nota do autor sobre os Sapateiros da região do Petróleo: Eram eles que criavam a arte que a todos serviam. Desde o “saltinho, a famosa e econômica plaqueta do lado que a gente gastava mais até a meia sola e solado inteiro”. Todos participavam das transformações da sociedade e não conheço nenhum Sapateiro, em todos os países do mundo, que não tenham tido participação em algum movimento social e de transformação da sociedade. Honra a eles: Natalino Crespo, Djecyr Nunes da Gama, Valdo Rocha, Orlando, Zé Bonito, Hélio Barbosa, Pelé, José Pacheco, Mazinho do Morro de São Jorge, Fubeca, José Silva –Bonga -, Zamir e tantos outros que fizeram a história andar mais elegante...

Negro, canela fina, alegre, elegante, olhar que demonstrava inteligência e muito bom de bola. Além disso, era um exímio maestro do trato com a faca amolada em sua profissão de Sapateiro.

Em suas andanças pelas acontecências das ruas empoeiradas da região de petróleo, Nonô Marimbondo sabia driblar com os preconceitos numa época em que “havia um engraçado de mau gosto brincar com piadas de negros, de mulheres e de portugueses”. Sua presença nas esquinas da vida, nos anos de 1940 ate 1960 foi sempre a figura de um descendente de reinados africanos. Canela fina, osso duro nas “bolas divididas” nos campos de futebol e de peladas, era uma presa fácil para quem pensava que ia intimidar sua figura magra e elegantemente frágil. Uma cintura fina, uma bunda arrebitada e que daí o apelido de “Nono Marimbondo”. Olhando ele de lado, como que examinando seus gestos e passos compassados, a gente via de fato o seu pareci mento com um Marimbondo.

A vida pacata das cidades de interior deve estar cheia de figuras amenas que se destacam sem que saibam na reminiscência dos que buscam retratar os cotidianos. São personagens que nascem com o carimbo da simpatia e que, no decurso de suas existência cimentam afeto e carinho.

Devia ter eu uns 15 anos e o Nonô uns 26 ou 27 penso. Nas idas e vindas pelas ruas esburacadas pelas chuvas torrenciais dos meses de outubro e novembro. A região de petróleo, suas ruas e vielas eram todas de chão batido. Não havia asfalto nem paralelepípedo. Nem tampouco estes buracos que beiram as calçadas que dizem ser para “escoar águas”. As chuvas eram iguais as que estão vindo hoje. Havia um escoamento natural e jamais vimos à região ser alagada. Crianças das Ruas do Centro iam e vinham até as Ruas dos Cajueiros, da Praça da Luz e da Rua da Boa Vista. Andanças que eram vigiadas por alguns “mais velhos”. Assim foi que conheci o Nonô Marimbondo. No começo fiquei meio sem jeito de chamá-lo pelo nome que atendia os mais velhos que ele. Confesso que tive receio dele não gostar e, com isso, impedir uma amizade que duraria por muitos anos. A voz deste lindo negro, quando o chamei pelo nome conhecido, veio em som de harmoniosa sinfonia de afeto e carinho. Poucas vezes, a não ser em casa com minha avó e mãe pude ver esta sonoridade de amor em forma de fala. “Antes mesmo que eu me fizesse presente e me colocasse às condições de começar um diálogo, ele foi dizendo:” - Menino, você é filho do meu Mestre Gama, Ele me ensinou a arte de modelar couro e fazer meia sola. E continuava: Se hoje eu não preciso pedir emprego e ter que me submeter aos desígnios de um patronato cruel eu devo ao seu pai Djecyr Nunes da Gama.” Eu não tinha nenhuma idéia do que Nonô estava dizendo. Sabia que meu era Sapateiro, modelista de calçados, que estava na Argentina modelando para o Presidente Perón e Evita seus sapatos Luiz 15 de salto alto etc. Eu sábia de tudo isso por que a minha mãe dizia e eu recebia cartas dele de lá... Mas não entendia todo este orgulho que brotava nos olhos negros misturados com um castanho azul que ele não escondia. Fruto de uma criação voltada para ser doutor, advogado ou professor, como que eu ia entender, com 15 anos o “orgulho de ser sapateiro” que o brotamento de olhar de Nono Marimbondo deixava no ar e o fazia ficar belamente feliz...

O tempo, senhor de tudo que separa existências, fez com que poucas vezes pudesse rever o aprendiz de meu pai. Todas às vezes, no entanto, o encantamento da voz tinha entrada de trancas nem cadeados no interior de meu ser. Acho até, que vozes como a Nono Marimbondo, habitam o interior do ID em cada ser que tenha tido contacto com seres como ele.

O que seria dos seres humanos, todos sem distinção, se não tivessem dentro das profundezas de seu ser, vozes carinhosas e afetivas. Acho que elas que comandam os lindos sonhos coloridos e vôos noturnos... È a certeza da volta ao corpo vigiado por estes sonoros sons que habitam o interior do ID...

As poucas pessoas que conheciam a genética de Nono dão conta que era filho de um ferroviário dos anos 20/30 e que se tornou famoso em toda a região de ferrovia pelas suas caminhadas e corridas antes e depois que o “Buso” se fazia prsente aos ouvidos das cidades. Um atlético “Negão” deixou suas pegadas nas nossas esquinas e becos e nos presenteou o bom Nono...

Soube da morte de Nonô. Grande desportista. Grandes homens de nossas ruas, hoje asfaltadas, frias e com chuvas que inundam casas nos Cajueiros e bairros Pobres de minha Rica Macaé-Capital Brasileira de Petróleo... Que estranho paradoxo: A região mais Rica do Brasil. Políticos ricos e um POVO sem casas para morar e, as que habitam, estão inundadas e seus filhos sofrendo as doenças que nascem no após...

Pensei, recordando o velho Nono em seu Orgulho de ser Sapateiro: Não seria o fim dos Sapateiros, dos Alfaiates, dos Gráficos e dos verdadeiros Mestres da Arte uma obra do Capitalismo que objetiva massificar o POVO com drogas, religiosidade fanática e destruição da cultura popular?

O menino de 15 anos chegou aos 70...

Velhos malandros que “vaga voavam” com ginga em corpos flácidos e elegantes não habitam mais os Cajueiros, Aroeira, Praia Campista e Boa Vista. As ausências de Frevo, Cata-Quiabo, Teixeira, Flavinho, Gordo, Mistral, Sarta N’ água, Água Viva, Manél das 7 em porta, Miguel, Djalma e Turrinha têm outras moradas. Aqui ficamos para homenageá-los com vulto de nossas Ruas Empoeiradas... José Milbs de Lacerda Gama - www.jornalorebate.com

28.10.07

HONRAS AO INSTITUTO DA DEFENSORIA PÚBLICA...


Luiz Felipe Millem Silveira:

JUDICIÁRIO AO LADO DO POVO E POR ELE É A BELA MISSÃO DO INSTITUTO DA DEFENSORIA

Num mundo cada dia mais desumano com o capitalismo dando seus últimos suspiros, deixando ao sair, um universo cheio de desnível social e violento, é bom a gente que faz uma imprensa livre e independente das benesses que caem das mesas dos poderes constituídos, tomar conhecimento da presença no Judiciário de jovens Defensores Públicos que honra a missão de estar ao lado do POVO e das pessoas que sofrem com o constante desprezo com o proletariado.

Em Rio das Ostras, uma cidadezinha situada no Estado do Rio de Janeiro, a presença de um jovem Defensor faz com que o Judiciário seja a mola impulsionadora da justiça. As pessoas chegam e encontram o jovem Luiz Felipe Millen Silveira que encampa os problemas dos carentes de justiça e abre o verdadeiro caminho que o judiciário deverá abrir em toda a sua trajetória que é "fazer justiça para quem precise dela e que não pisque os olhos para os poderosos".

Luiz Felipe honra o Instituto da Defensoria Pública e, observado a distância pelo "O REBATE", na web site www.jornalorebate.com que, sem ser notado conversou com dezenas de pessoas que buscam justiça neste setor do judiciário onde a "grana" jamais entra. Ouvimos e sentimos o carinho e o afeto que brotam do olhar atento à lei e o coração voltado para o POVO, que caracteriza a atuação deste jovem Defensor.

Quando eu, ainda jovem, no alto dos meus 20 anos, na Faculdade de Direito, pude aprender e respeitar uma frase que nunca vou esquecer. "Toga, Manto Sagrado da Lei"... Como é bom saber que nem tudo está perdido.

Está de parabéns o Instituto da Defensoria e o Povo sofrido de Rio das Ostras que encontram o judiciário ao seu lado.

Na reta final de um capitalismo que agoniza onde alguns Juizes e Desembargadores vendem sentenças e se corrompem com os políticos que usam o Poder judiciário como seus escudeiros, é muito salutar a presença de Defensores Públicos como o Doutor Luiz Felipe Millen Silveira...(José Milbs editor de O REBATE, www.jornalorebate.com 75 anos de histórias na Região de Petróleo).

Voa, minha linda Borboleta...

Voa que a Vida é tão boaaa..

Quando se tem Amor no coração...


22.10.07

Você gosta de Amora? vou dizer sua mãe e seu pai que você namora....

QUANDO MEUS FILHOS TINHAM 11 OU 12 ANOS....

“Você gosta de Amora?”...

Com minhas idas e vindas, no início dos anos 2000, para levar meu filho José Paulo ao colégio Estadual Luíz Reid e visitar minha outra filha Laís no colégio Estadual Mathias Netto, tenho feito amizades com meninas e meninos de l1 e l2 anos que me passam informações preciosas de suas vivências e me fazem entender melhor o belo de suas falas nem sempre ouvidas por maiores que não entendem, ou se fazem de “não entendidos” nos seus conhecimentos e belezas que só esta idade pode ter e uma só vez na existência humana.

Quando Luís Cláudio, hoje com 40 anos, tinha seus l3 ou l4 anos, e caminhava para o que se chama adolescência, minha outra filha Aninha tinha 11 ou 12 anos. Assim como hoje, no início do século XXI, o José Paulo e Laís teem 11 para 12. Esta época floresce as amizades e muitas ficam passeando na existência nossa até o final da vida. Dizia meu amigo Otavianno Canela, do alto dos seus 100 anos, que “o filme é que acaba, como se na cabeça tivesse longas fitas que iam se renovando a cada dia vivido e a cada sonho sonhado. Era como se a gente, na saúde do dia a dia renovasse estes filmes, e que as doenças iam queimando, queimando, até que ele parava de andar”. Canela sacou isso e me disse, momentos antes de falecer nos anos 90: “Zé Milbs, acho que meu filme está acabando. Ri para alegrá-lo mais tinha certeza de sua descoberta.

As crianças, no meu caso, os filhos, passam para a gente as suas belezas em amizades e afetos. Não posso esquecer os amigos de Luís Cláudio, hoje grandes e pais de outras crianças. Ele brincava e andava com Rogério, Paulo Henrique , “Boi Lambeu”, Máximo, Zé Eduardo, “Tonico”, “Marquinho Pintado”, “Alexandre Menos Um”, “Maurício Sujeira”, André Peixoto, “Ary Jaburu”, Alex irmão de Nélio, Jurandi, “Beto”, Evandro, “Janinho Mancebo”, Filipe Guedes, “Dadate,” “Valzinho”, Zé Fernandes, “Cezinha”, “Faeca”, “Zé” eram pessoas que iam e vinham na vida de Luís Cláudio que junto com Aninha habitavam seus mundos e criaram raízes profundas na história de Macaé já no tempo próximo aos anos 80.

Esta geração representa o seguimento da minha geração e dos pais deles que foram meus contemporâneos nesta Macaé que tento retratar em meus escritos.

Minha filha “Aninha” vinha sempre com Gizele, Fabiene, Daniella, Dany Drumond, Larissa, Aparecida, Simone, Suzane, Vanessa, “Valerinha” que morava na casa de “Carlito Gonçalves” e outras e muitas que juntos com as amizades formavam o mundo que eu revia, nas minhas infâncias de antanho.

Muitas destas crianças tinham afinidades com o meu passado havidos com os pais como era o caso, para citar apenas um dos muitos, como Isabel de “Lulu” que era pai da meiga e pura Fabiene que ainda tenho na minha cabeça sua voz me abraçando e me chamando de “Seu Zelmildo”.”Seu Zelmildo” que ela levou para o céu num triste desastre quea vitimou com Izabel, sua mãe. uma linda loirinha que estudou comigo no Colégio dos Cajueiros e que, mais tarde, iria se casar com “Lulu” de dona Conceição, vizinha de Inês e Lúcia, outro patamar das histórias de nossas infâncias...

Esta fase triste fez com que esta geração de meus filhos sofresse um baque humano, igualado apenas com o que vitimou “Beto” e Evandro, do grupo de Luís Cláudio.

          AS CRIANÇAS

Lais estudava no Mathias Netto conversei com uma linda e doce menina de sua idade que, no decorrer do tempo foi me encorajando em meus escondidos temores existências e me passou encoramento.. Ela relatava que era neta de um dos meus bons amigos, cujo nome evito publicar porque pode ferir sensibilidades. Erica falava de suas alegrias e frustrações. Alegrias por estar no colégio, na 4ª série, ter 11 aninhos e ser colega de Laís que se elegia neste dia Rainha do Colégio em eleição. Sua voz trazia a meiguice dos seus ll anos e uma linda ruga de preocupação tomava-lhe conta da face como que sentindo a ausência de um ser que para ela tinha e tem a importância dos deuses. Saudades de suas tias. Avós e tios...Erica tem um lindo olhar que sempre parece espreitar algo.Mais tarde revi Erica no Grupo de Escoteiro.

No colégio Luiz Reid, conheci Eduarda, muito precose nos seus 11 anos. Todos de sua sala tem mais de 11. Não tem história nas raízes de Macaé porque sua mãe veio do Paraná e ela tem apenas 2 anos morando em Macaé. Meu conhecimento da Eduarda , da turma 502, do colégio, foi um destes momentos que não se sabe nem como começa nem como existe. Era uma época pré natalina e eu estava encostado no muro defronte a porta que dá aceso ao saguão principal do educandário.

Zé Paulo demorava a chegar e algumas meninas saiam com árvores de natal feitas por suas mãos e com os métodos simples e rústicos. Algumas árvores eram ornadas com pipocas, outras com copinhos de plásticos etc.

Era o belo desta época representado pelo belo dos educandários Estaduais que fazem do artesanato o caminho mais curto contra a avalanche capitalista e burguesa que invade nossas raízes cristãos com ofertas e mais ofertas de presentes que nada mais é que a própria negação do verdadeiro sentido cristão. Ainda existe, pensava comigo, reações naturais que se põem em confronto com esta massificação comercial natalina que teima em transformar tudo em compra e faturamento que vão encher os piscas-piscas de comerciantes e empresários malandros.

Voltando a meu encostamento no mural de fronte ao colégio pude ver o vulto pequenino e sutilmente belo de Eduarda com sua obra natalina nos braços.

Às costas trazia uma mochila preta quase comum a todas da sua idade. Uma rápida parada no portal minha atenção foi chamada por que ela, com as mãos ia destruindo todo o trabalho que deveria ter sido de horas na confecção desta arvorezinha que pensei ser sua oferta em casa para pai e mãe. Deixou-me curioso, no entanto que ela. ao fazer a destruição tirava os ornamentos que brilhavam e ofereciam a uma outra menina que, sob seus braços, abraçava outra árvore de Natal. Esta feita e ornada de pipocas brancas.

Eduarda, ao tempo que me parecia destrutiva na obra, contrabalançava a personalidade com este gesto que mais parecia uma ação socialmente pura e divina.

Lembrei-me do sertanista Vilasboas falando da pureza da mãe índia na criação do menino que quebrava o brinquedo só quando feito etc. Vi que não tinha muita relação com o indiozinho a ação de Eduarda mais, me veio alguns pingos de profundo afeto e curiosidade sobre esta menina paranaense e com olhar de liderança latente. Como Estava chovendo todos se acotovelavam e ela se aproximou de mim depois de pisar com força o que restou de sua árvore de natal.

Ainda passava para sua amiguinha pobre os últimos ornamentos, que eram delicadamente postos na mochila da menina, quando eu lhe sussurrei aos seus olhos morenos e profundamente tristes. Sua árvore de Natal é muito bonita!. Como que se faz isso?

Neste momento eu fiz ressuscitar dos chãos cacos de sua obra e pude sentir que a árvore voltava a habitar seus braços brancos e de uma finura angelical. Na espiritualidade deste momento onde os centésimos de segundos só são vencidos pela força rápida do olhar, pude sentir em seu gesto a saudada da árvore destruída materialmente e recomposta na inexistência da matéria.

Eduarda deixou os olhos nitidamente angelicais caírem no absorto do momento e me disse com uma voz que saía de dentro de seu ser e invadia o local onde só eu pude ouvir Se você quiser eu vou fazer outra para te mostrar amanha. Farei de pipocas brancas, ficarão lindas.

Insisti que gostaria que fosse de copinhos brancos de plásticos que achei mais bonito. Eu forçava e com isso queria que ela deixasse que eu visse no invisível do momento o visível ato que lhe fez destruir a obra.

Conversamos amenidades e ela me falou de sua existência em Macaé/ do pai que ficou em Curitiba. Da mãe que tava viajando para São Paulo e tinha sido vitima de um assalto lá, do padrasto e da irmãzinha de 6 anos.

Eduardo, falava e abriu um lindo leque existencial pondo a mostra uma menina criativa e profundamente sensível e inteligente. As suas articulações mentais vinham com início e fim.

Não era uma menina igual. Ela era diferenciada das pessoas comuns que vejo e falo no dia a dia de minhas pesquisas sobre o comportamento humano

. Sua aparência física tinha, agora lembro, um parecimento com Erica. Ambas muito branquinhas, magras e belas. Seus olhares se pareciam no piscar curioso e as falas também eram falas penetrantemente puras, desconfiadas e firmes,

Destas falas que invadem nosso ser e ficam ecoando no nosso coração, se misturando ao vital e dando fortalecimento e revigorando a gente. Entre Eduarda e a outra menina, além dos belos, pude sentir a coerência da presença de seus pais. Seria a proximidade do Natal que fazia esta transferência para o meu entendimento ou era mesmo as ausência algo que eterniza a existência de toda criança.?

Ai me veio a memória meus l1 anos quando não tinha a presença de meu pai. Éramos então iguais. Eu, Erica e Eduarda estávamos sentindo as mesmas faltas.

Eu de meu pai que se separou de minha mãe e foi para São Paulo, Erica do dela e Eduarda idem.

Esta trilogia de ausências e amor me fazia matutar no fortalecimento que fazem na gente. Eduarda, eu e Érica temos que criar, e criamos, um momento de eterna ausência, que poderá e será o nosso cimento para a formação de nossa própria personalidade. Longe de criar o desejo da presença da ausência a gente criou o valor do conhecimento da ausência e cimentamos a formação de idéias que passamos a usar no fortalecimento de nossa relação com o mundo.

Érica aconselhando que deveria ir mesmo ver Laís ser eleita rainha, sentir sua alegria do pai na platéia e dedicar a mim sua vitória como seu ídolo. Érica me fez chutar o balde de uma sociedade hipócrita e fui ver a Coroação de lais Rainha do Colégio Mathias Netto...

Eduarda me dizendo do belo refazer uma obra que lhe foi pedida sem o rancor da agressividade e eu dizendo para elas “que a ausência da presença que sempre quis ter e não tive me deu outras forças, outras formas de ver o mundo, mesmo sabendo que faltava alguns copinhos na árvore de natal de minha existência”.

Minha infância longe de meu pai fez-me entender as ausências destes anjos em seus sentimentos escondidos.

    O CONTO DA JOANINHA DE EDUARDA

No outro dia voltei a ter com Eduarda. Agora já amigos, falava de sua religiosidade, dos seus medos em matemática e de sua existência de menininha. Dizia de sua cidadezinha Guarapuava que fica no Paraná, e que para ir para ela pegava o ônibus de Foz do Iguaçu e que sua avó mora com uma tia avó dela num sitio onde tem cachorros, gatos, árvores e um belo balanço. A cidade ela me diz que tem muitas casas bonitas e de madeiras. Seus olhos brilham de carinho quando se refere a sua existência em Guarapuava...

Eduarda tinha escrito uma historinha que, sabedor que eu estava escrevendo um livro, queria me mostrar. E aí vai um dos momentos mais lindos deste livro. Público na integra sem mudar nada.

      JOANA, A JOANINHA MENTIROSA

Era uma vez, numa cidadezinha uma joaninha chamada Joana. Em um belo dia, ela gritou correndo pela cidade.

-Socorro! Socorro! entrem em suas casas. Tem um pássaro vindo para cá!

Bem na hora que as joaninhas entravam ela caía na gargalhada dizendo.

-Seus bobos, vocês acreditaram! E todo mundo saiu de casa dizendo.

-Que menina mais mentirosa!

No outro dia ela aproveitou o que todos tinham esquecido e saiu gritando novamente.

- SOCORRO! SOCORRO! um pássaro está vindo para a nossa cidade!

Aconteceu o mesmo. Todos se esconderam e ela riu dizendo.

-Vocês são tolos demais! E eles não gostaram nada disso.

Novamente no outro dia ela gritou.

-SOCORRO! SOCORRO! Agora é verdade , vão para suas casas o pássaro está vindo!

Como quase ninguém acreditou só os que entraram nas casas se salvaram, e o resto? Morreram comidos pelo pássaro.

Moral: Não minta

E se exagerar não diga nunca mais.Eduarda turma 502 C.E. Luiz Reid.

17.10.07

HOMENAGEM AO MEU AMIGO WILLY DE MIRANDA COOPER

JOGOS DE BOTÃO PELAS VARANDAS..

Devia ter uns oito para dez anos quando fui a um Estádio de Futebol. Naquela época a gente jogava botão nas varandas de Seu Thiers Pereira de Azevedo, Dona Olga, às vezes, transpondo as barreiras das ruas, na casa de Osmar “Cascalho” que ficava na Rua do Sacramento onde residia Valdir e seus familiares.

Nossos joga­dores eram os craques dos times que escolhíamos para torcer. No Rio eu era Vasco, em São Paulo era Corinthians, Telmo era Flamengo no Rio e Palmeiras em São Paulo. Cláudio Moacyr era Fluminense e São Paulo. Levy também era Fluminense. Os demais se espalhavam. Tinha até um colega que, sofrendo influência de João Pinto, esposo de Dona Elmira e irmão de Titinha do Independente, torcia para o São Cristóvão. João Pinto era um dos poucos, senão o único torcedor do São Cristóvão em Macaé.

Já o América tinha Dudu Trindade e Jorge Siqueira como torcedores e o velho Bangu, apenas o Dodosinho filho de seu Hipólito. Dudu Trindade, avô de meu neto Jose Paulo, nos anos 2000, sempre brincava que o América não perdia há muito tempo. E ele, ainda menino alegre e inocente, perguntava: por quê? E ele, como se tivesse “pegado ele”, dizia: é por que não tem jogado...

As nossas tardes-noites sempre eram alegres na Rua do Meio. Um dia, em companhia dos mais velhos, se não me engano Walber, “Pau Puro”, “Manoelito”, “Parrudo”, Luiz Almeida, Mirian, Nelsinho e Simário, fomos ver um jogo de futebol no FORTE MARECHAL HERMES (naquele tempo acho que não tinha o Estádio Expedicionário). A minha memória infantil jamais esquece aquele jogo. Era Americano x Fluminense.

... Acho até que Grebe, “Maleta” e “Betinho” estavam nas arquibancadas vendo as jogadas de Fubeca e Padaria.”Bill” se recorda até dos passes destes símbolos do nosso passado esportivo. Willy de Miranda Cooper, meu velho amigo de Senai, Rua do Meio, O REBATE e das políticas, é um dos mais “guardativos memoriais de nossa cidade”. Lembra-se de tudo...

Eu torcia para o Americano e era também torcedor da Lyra dos Conspira­dores. O jogo mal começou e já identificamos nossos heróis. “Têca”, “Alfredinho”, “Sinhô,” “Bené”, Fubeca (como foi que Garrincha aprendeu os dribles deste bom sapateiro dos Cajueiros)?

“Padaria”, Oséas, “Biriba”, Aymar Coelho, João Reis e Benoni. Na ponta, correndo como uma flecha, pra lá e pra cá, “Geraldinho” irmão de Cláudio Moacyr (acho que vem dai ele ser Fluminense). Que gente boa de bola, meu Deus! O pior é que tudo era em Macaé numa década de ouro do nosso bom futebol.

À tardinha voltamos todos para casa. Minha avó e Gilda discutiam com Dona “Lalate” e Dona Olga a minha demora e de Rubinho, Renato e Roulien. As mães e avós dos anos 50 eram iguais as do início do milênio. Apesar dos avanços da tecnologia e dos computadores o coração e o sentimento são o mesmo em toda a extensão do humano.

... Jogos de boião pelas varandas...

No outro dia não deu outra: “Péia de Bené’ no chute certeiro do botão feito de casca de coco. Ia me esquecendo: havia uma “cumbuca’ que nós nos orgulhávamos. Um dia eu vou falar sobre ela. A “Cumbuca” era um buraco no cimentado da varanda onde se podiam esconder alguns jogadores. Uma pequena expropriação infantil...

“o Cravo brigou com a rosa

Debaixo do Manacá..

O Cravo saiu ferido..

A rosa "pôs-se" a chorar “...

8.10.07

CERJ, CEDAE E SERASA INIMIGOS DO POVO...

Cerj, Ampla e Cedae as mesmas maldades históricas...


Cortar luz de quem não pode pagar, água e outras coisas fazem parte da maldade destas frias organizações. Ainda temos agora uma tal de Serasa que abriga gente que pensa pelo bolso. Como se, ao morrer, pudessem levar seus caixões cheios das granas que extorquiram dos pobres devedores.

Foto: Rui Porto Filho(A minha amiga Detinha, a bela Soterapolitana que, nos anos 30, fez bater forte do coração do meu professor de Física e Qumica na Escola Ferroviária 8-1 Senai, nos anos 53, 54 e 55, feliz ainda pode ver o "não esquecimento" das histórias. Noêmia não teve a mesma sorte...


II

Em Macaé esta maldade desumana se abateu sobre dona Noêmia Mello, dona e herdeira do local onde funciona o SOLAR DOS MELLOS. Noêmia, filha do Cezar Mello, jornalista combativo dos anos de 1860, era irmã solteira do Clóves Mello, que foi um dos mais conhecidos “pequeno comerciante” nos anos de 1900 e que foi pai do meu amigo e redator nos anos 70, Euzébio Luiz da Costa Mello.

III

Noêmia vivia só no Casarão. Personalidade era o que não lhe faltava e não se sentia bem com as constantes cobranças de Água e Luz que recebia em sua porta. Depois de muita aporrinharão com as cobranças e as ameaças que vinham de “paus mandados” dos chefes destes órgãos, Noêmia não fez outra coisa: Deixou que fossem cortadas estas mazelas (estas coisas horrorosas como diria Euzébio) que deveriam ser fornecidas de graça para o POVO.

Luz, Agua, Transporte, Moradia são sinônimos de direitos do POVO. Se o dinheiro desviado em comissões, falcatruas dos governantes e mordomias fossem cortados estes bens primordiais, ao certo, voltariam para os pobres...

IV

Livre destas especulações, Noêmia se auto-exilou no “Casarão do Cezar Mello” como era conhecido o "Solar dos Mellos". Iluminado nos anos de glória do jornal O SECULO, recebendo os bajuladores do PODER que viviam a procura de matérias, a “menina Noêmia dos anos de 1870”, terminou seus últimos dias de vida no Asilo da Velhice Desamparada que, por ironia da história foi uma entidades fundada pela campanha que empreendeu seu pai pelo jornal O SECULO.

V

O final triste de Noêmia Mello, a “Tia Noêmia” que tão carinhosamente o meu bom “Zebinho” sonorizava com sua meiga e harmoniosa fala, sirva de alerta aos detentores do “poder transitória” desta cidade de pouca memória e muitos memorialistas de plantão.

Noêmia morreu pobre, semi abandonada num asilo de Macaé. Nem sei como que a Prefeitura Municipal conseguiu dela, já sem herdeiros, a transferência do imóvel para que tenha sido criado o SOLAR DOS MELLOS...

As más linguas que cortam nas esquinas e vielas das ruas asfaltadas desta cidade falam aos cantos, sussurados para que não sejam ouvidos, que existe uma Mafia que ronda, como lobos famintos, as pessoas que tem imóvel e vivem sós. Objetivam tirar deles os bens e, na melhor das hipóteses, ficarem com algum lucro pessoal. Não acredito que com Noêmia tenha sido assim. Afirmam, estas comprida linguas, que estes lobos são gente "fina" que até deixam a mostra uma religiosidade latente...

VI

Quando eu, nos anos 70 e 80 viajava com Euzébio para cidades do RJ na luta pela sobrevivência do "O REBATE" e na criação de nosso ex PT, eu dizia: “Euzébio, você precisa arranjar um herdeiro. Você é filho único de Clóves, Noêmia é solteira, perpetuar o sangue dos Mellos é sua missão. Ele ria, com a gargalhada natural que expunha seu lindo interior de menino/macaense e sentenciava: “Milbs, tem tempo. Ainda não encontrei a minha princesa encantada “...

Com sua morte, tràgicamente no acidente de carros na estrada Macaé/Rio das Ostras, Euzébio não teve tempo para encontrar sua Princesa e, a Princesinha do Atlântico” não perdeu tempo: abocanhou a Casa dos Mellos e hoje nem deve ter nada que homenageia Noêmia Mello a filha a mais rebelde do Cezar Mello e tia do jornalista e poeta "Zebinho" Mello... (José Milbs de Lacerda Gama, futuro historiador e jornalista).