Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

13.6.07

HISTÓRIAS HAVIDAS NAS HISTÓRIAS DE O REBATE NOS ANOS 60/70....


ELES FIZERAM A HISTÓRIA DO O REBATE NOS ANOS DE 1960 e 1970.................................................................................. José Milbs de Lacerda Gama

Quando o jornal O REBATE atingiu sua meta de ser um veículo altamente democrático e tinha, com este intuito, o objetivo de abrir espaços para todos eu era seu Editor e Diretor-Responsável. Nunca nenhum jornal teve a petulância de espacejar suas páginas de maneira aberta sem que houvesse qualquer censura. O Rebate fazia questão de desta sintonia e acontecia em Macaé o que hoje acontece na edição On-line. Tentarei nominar alguns dos velhos colunistas que fizeram história no jornalismo macaense e que passaram a figurar, mundialmente no jornal on-line, no web site www.jornalorebate.com, como os verdadeiros pilares da imprensa de Macaé.

Carapebus e sua história eram coordenadas e assinadas por Elbe Tavares de Almeida que relatava fatos recentes e fazia renascer a história e os acontecimentos da história do então segundo distrito de Macaé. Elbinho ia fundo na vida de Carapebus e o jornal cumpria a sua parte. Os jornais eram levados de trem ou de ônibus e eram distribuídos em todos os bairros do distrito. Na usina Carapebús a distribuição de O REBATE era feita no Escritório e lidos pelos demais moradores. A Construção da Igreja, pelas mãos do Frei Balthazar, foi acompanhada pelas edições do O REBATE e reportada pelo Elbe Tavares de Almeida.

Cantinho de Glicério era uma mini-coluna social. Editada pelo Padre Armindo que, num portunhol, uma mistura de espanhol com português, falado em Glicério, trazia as novidades, festas, aniversários e necessidades da região. Sua coluna abrangia ainda o Óleo, Trapiche, Córrego do Ouro, Frada e parte baixa do Sana.

Padre Armindo tinha uma voz suave, um corpo frágil e um olhar meio atento a sua volta. Era Pároco da região e não soube mais notícias suas. Era de uma formação religiosa tradicionalista e fazia questão de que assim fosse visto por todos nós de O REBATE. Teve uma grande polêmica quando ele, na Paróquia fez um bingo de um Jipe e não entregou ao sorteado. Recebemos a reclamação de moradores e, como o REBATE sempre primou pela liberdade de opinião, deu espaço para o reclamante que “acusava o Padre de picaretar o sorteio”. Ele virou bicho e partiu para defesa. Armindo não entendia como, um jornal que ele escrevia, pudesse levar ao público uma coisa que corria de boca em boca na localidade. Até por que, não entendia muito de democracia jornalística já que vinha de uma Espanha Franquista e a gente estava em plena ditadura militar.

Ai o pau comeu. Armando Barreto, que tinha uma coluna EM TEMPO, defendeu o morador. Armindo rebatia que não era real a denúncia e o troço ficou rolando mais de 2 meses nas colunas do o REBATE.

Perguntas como Vigário ou vigarista era comum vindo da página de Armando e, da outra, defesas e palavrões em hispano/português que o Armando fazia.

Se o jipe foi entregue ou se foi feito outro Bingo até hoje não sei. f Fato que, até Euzébio teve que entrar na fala e, em sua coluna ACONTECENCIAS propunha que desse uma Bíblia para cada um dos litigantes, já que ambos eram cristãos embora de seitas diferenciadas. Armando Evangélico e Armando Católico. Numa edição, em plena fervura da briga entre Armando e Armindo, os gráficos erraram os nomes e sapecaram uma manchete: ARMINDO CONTESTA PADRE ARMANDO.

Interessante notar o alto grau de democracia no jornal era o fato de Armando revisar os textos do Armindo mesmo tendo em seu conteúdo porrada nele mesmo. Com o novo sorteio, creio, que a coisa ficou bem e não foi preciso a conciliatória idéia do Euzébio.

Chutes nas Traves por Luiz Pinheiro um dos mais antigos colaboradores da imprensa de nossa cidade. Pinheiro descrevia detalhes em sua coluna de uma forma que os leitores pareciam ver o jogo. Engraçado que um dia ele estava descrevendo em sua coluna uma partida de futebol entre Americano e Fluminense. A oficina era em baixo da Redação onde a gente ficava revendo textos e revisando as matérias paginadas. Os compositores, todos meninos aprendizes e, alguns já adultos, estavam fazendo as matérias que viriam para a revisão. De repente, rompendo o silencio, uma voz corta o ar de uma forma alta e carregada de aporrinharão. Um palavrão comum nestas horas é soltado e todos se calam e se dirigem ao funcionário que fez o “barulho no silencio”. Ele, após explicar o fato Poe a público o motivo. Estava ele compondo a matéria de Pinheiro. Matéria feita a mão e com 5 ou seis laudas para serem copiadas. Ai ele vai compondo. “Bola com Nilson que passa para Paulinho no meio campo. Este olha pra frente, faz da redonda seu meio de mostrar arte. Passa para a esquerda e caminha, já no campo adversário. Vem sinhô para evitar o avanço. Ele vê, dentro da pequena área o George. Este pede a bola. Olha em redor e recebe a menina com delicada maestria, passa por um, passa por dois e, pimba, Bola na Trave”. Americano perde e deixa Antonio Carneiro revoltado que tenta invadir o gramado do Expedicionário. Depois é que todos foram saber que o compositor, compunha e torcia. . Ele era Americano e o “Puta que Pariu” que rompeu os ares da redação tinha seus motivos.

Luiz Pinheiro era também radialista e foi um dos mais atuantes vereadores de nossa edilidade. Amigo fiel de minha família sempre ia a minha casa bater papo mesmo depois de o jornal ter que deixar de circular por algum tempo. Incentiva para que eu escrevesse um livro e nos divertíamos muito com as brincadeiras da redação. Um dia ele ficou muito "retado" (como se diz na linda Salvador BA). Um gráfico, daqueles gozadores que habitavam em todos os jornais, substituiu uma letra e, ao invés de sair Chute nas Traves, saiu Chute nas Trevas. Phidias Barbosa Barreto, um revisor sacana, deixou ir pra rua o jornal e Pinheiro ficou uma Arara. Depois riu pra valer quando soube da sacanas de Phidias. Lembramos ao Pinheiro que era comum isso nas oficinas. Pior tinha sido feito com o saudoso Latif Mussi Rocha da “Gazeta de Macaé”. Os safadinhos dos gráficos trocaram o L pelo P e saiu Patif Mussi. Só o bom humor de Eraldo, seu filho e revisor, evitaram a raiva do grande editor da “Gazeta”.

Notícias da Bicuda vinha com a responsabilidade de Tarcisio Paes de Figueiredo que além de colaborador era também Professor Municipal. Tarcísio deixou um bom emprego no Banco do Brasil para morar neste lugarzinho lindo que era Bicuda. Ali ele podia fazer com que fluíssem suas idéias de ajudar as pessoas que de fato estavam precisando de alguém mais conhecedor do mundo.Educava e passava informes. Sua coluna era recheada de fatos e acontecimentos. Desde as festas até a política. Dizia das dificuldades do lugar e, junto às demais professoras fazia renascer a vida de toda a comunidade.

Sua página ia além da Bicuda Grande até a Bicuda Pequena e ainda ao Serro Frio com dados e fatos. Nesta época a professora Iza Aguiar também fazia textos deste distrito com pseudônimo de Taheb. Iza não queria aparecer com seu nome, além se sua simplicidade era, acho eu, por que seus familiares podiam sofrer algum tipo de perseguição, já que Pedro, seu companheiro e amigo, era Servidor Municipal.

Tarcísio era um colaborador Autodidata. Tinha sido professor de Inglês no antigo Colégio Macaense que viria a ser mais tarde o Luiz Reid. Sua vida foi sempre dedicada à educação e chegou a ser suplente de vereador.

Posta Restante tinha em Osmar Sardenberg sua responsabilidade. Osmar também assinava a coluna com o pseudônimo de Ramos (seu nome visto ao contrário). Era uma página picante e que mexia com os valores da política de modo bem ao gosto do autor que era de uma simpatia extremamente alegre mais de um grande senso de humor critico. Osmar buscava fazer uma coluna onde não tivesse como ser contestado. Meticuloso, apresentava seus textos, todos bem revisados e deles pouco se podiam ouvir negações do que ia ao Público.

Era irmão de Erico Sardenberg que participou da Fundação de O REBATE com o gaúcho Antonio Duarte Gomes em 1932. Osmar foi um símbolo de dignidade jornalista. Embora tendo um irmão vereador ele não poupava criticas ao legislativo quando encontrava seus motivos. Chegou a dirigir o Departamento de Obras e foi um dos responsáveis pelos primeiros passos de nossa arquitetura urbanística juntamente com Ruy Pinto da Silva, outro que colaborava com o jornal sem aparecer...

Mirto era uma coluna que o poeta e escritor português Joaquim Murteira fazia e abordava a história macaense e seus vultos. Critico mordaz, o velho Murteira era muito temido com suas sátiras e versos. Era uma espécie de comentários de fatos havidos e acontecidos e, em sua totalidade críticos a coisas de sua época. Daí que ele usava este nome Mirto para não se expor. Mais sempre dizia que em qualquer hora que o “bicho fosse pegar” estaria pronto.

Heira Couto era o pequeno nome que o bancário do BB e intelectual Herivelto Couto tinha para fazer suas observações culturais. Senhor de um afinado senso de humor ele escrevia sempre suas páginas literárias e políticas de maneira sutil e bem alegre. Autor de uma polemica com o Cláudio Itagiba sobre a palavra Passadólogo eles se desentenderam dentro da escrita mais se entendiam na Redação de forma correta e diplomática. Além de ser bancário, Heira Couto era poeta e jornalista e foi um dos o fundadores da Academia Macaense de Letras.

Volúsia Clara embora com este nome tinha em Cezário Álvares Parada seu responsável. Durante muito tempo ficou no anonimato mais logo assim que assumimos o jornal ele assumiu a coluna e ainda passou a assinar seu nome. Fazia comentários da sociedade e criou vários textos que marcaram sua personalidade de colunista social. A composição era sempre no corpo oito e às vezes alguns textos em negrito.

Ruas de Macaé de Antonio Alvarez Parada. Tonito fazia comentários das origens dos nomes de nossas ruas e exponha ao conhecimento dos leitores seus dados biográficos. Como a Redação do jornal era em frente a sua casa sempre, ao acordar, para ir na Padaria do Enio e do Joãozinho Lima era um dos primeiros dos leitores. Pegava o jornal e ia vendo a matéria que depois passava para sua companheira Detinha. Tonito além de Colunista de O REBATE escreveu alguns livros e deixou um grande acervo dos jornais de seu primeiro número ate os anos 70. Acervo que foi entregue ao atual Secretário de Acervo Público de Macaé, professor Ricardo Meireles que também escreveu vários textos no O REBATE.

Acontecências, Daniel Menos e fatos. Estas 3 colunas tinham em Euzébio Luiz da Costa Mello sua marca. Euzébio mandava sua coluna pelo correio, em manuscritos, terrivelmente difícil de ser entendido. Estudando no Rio de Janeiro era de lá que ele despachava seus textos pelo DCT. Letra misturada com cores de caneta vermelha, verde e preta. Parecia que acabava a tinta e ele emendava outra. Era um Deus nos acuda. Seus garranchos, deliciosamente inteligentes e ferinos tinham o sabor do belo. Cláudio Itagiba, Armando e eu mesmo ficávamos decifrando os textos e tentando pô-los para publicação. Sempre se conseguia e as malícias de suas matérias iam belíssimas para as bancas e para os assinantes. Euzébio fazia para O REBATE a cobertura política da Câmara dos Vereadores. Muitos de seus textos deram dores de cabeça aos edis dos anos 60 e 70 ao ponto de vários processos serem instaurados no judiciário. Todos vencidos pela habilidade advocatícia do nosso editor Jurídico Álvaro Paixão Junior.

Em Tempo de Armando Barreto que tinha a chancela desta matéria nitidamente política e contestativa. Nela vinha o que estava se passando na política como o que ele achava dos fatos. Seus comentários eram sempre polêmicos mais respeitados em todo seguimento da comunidade. Foi candidato a vereador e se elegeu primeiro suplente pelo MDB. Vinha de uma liderança estudantil, Armando Barbosa Barreto, voltaria ao jornalismo no final do século, editando seu próprio semanário de nome Macaé Jornal com a mesma independência que fazia quando assinava sua coluna nos anos 60 /70 de O REBATE.

“Do Bom Futebol” era onde o filosofo e redator Cláudio Upiano Santos Nogueira Itagiba punha a beleza de suas encantadas dissertavas cultural. Falava da história viva dos nossos jogadores e dava um sentido kantiano aos dibles de George e a maestria beleza da elegância de Nilson. Cláudio fez do inédito linguajar filosófico a integração feliz numa ligação pé/mente. Suas obras eram obras de uma lingüística que espantava os menos avisados do Saber. Era como que, flutuando no conhecimento, trouxesse para o papel a beleza das interiorides de uma forma inteligente e culta.

Era lindo ler suas citações da jogadas dos Solons, principalmente de Armandinho e Sá. Cláudio deu uma visão ampla e inteligente ao mundo esportivo de Macaé até porque, alem de filósofo, também jogou futebol. Autor e criador do apelido de “Capitão” ao Antonio Carlos de Assis de quem Cláudio foi contemporâneo e amigo.

Cláudio sabia brincar com a linguagem de uma forma sutilmente entendida. Gostava mesmo era de fazer revisão e ficar a noite nas oficinas. Muitas vezes seu irmão Sergio e Ivairzinho o encontrava deitado nas resmas de papel da oficina, descansando da noite de revisão. Era redator e Colunista de O REBATE e foi o fundador do DEBATINHO suplemento de O REBATE que ainda iremos editor no www.debatinho.com.br de propriedade de nossa Empresa Jornalistica JML Gama, jornais e Revistas.

“Bicando na Grade” era uma coluna feita pelos Galistas de Macaé. Não tinha assinatura mais a gente sabia que por detrás estavam Roberto Moacyr, Augusto, Mangueira, Zé Luiz, Arenari, Paulo Barreto, Waldyr Siqueira e Carlos Augusto Tinoco Garcia. Todos leitores assíduos da coluna. Abordava fatos da Rinha e de seus freqüentadores. Era um setor da comunidade que a gente estava querendo atingir com a leitura do jornal e tivemos amplo retorno. Ate Waldyr Siqueira, pai de Hudson e de Ivan dava suas dicas na coluna onde o velho mestre Petrônio Ramos sempre aparecia para ler alegremente a coluna. Quando O REBATE saiu era comprada por todos que freqüentavam as mesas do Bar e Restaurante Belas Artes, Point dos anos 70 em nossa região. Ali era onde se reunia todos os expoentes da comunidade.

Padre Nabais assinava uma coluna política/religiosa. Ao contrário de Armindo, Nabais, fazia de sua página uma mensagem política mais a esquerda. Vinha sempre com fatos ocorridos em sua terra Portugal, Criticava a ditadura de Franco e sempre tinha seus textos censurados pelos militares de plantão em nossa Redação. À noite os censores sempre vinham para ler os conteúdos das matérias. Nabais tinha um corpo franzino mais se destacava pela voz firme e compassada. Ficava horas conversando comigo Cláudio, Armando, Euzébio e com o Pastor Edmundo.

Sempre ao cair da tarde quando a cidade começava a se acomodar na noite que chegava mansinha e amena, ele aparecia na Redação. Nabais foi transferido de Macaé para alguma cidadezinha do interior ou deve ter voltado para sua terra natal. Não se despediu e nem soubemos mais nada sobre ele...

Dilton Pereira, Pierre Tavares e Edmundo Antunes escreviam textos semanais sobre suas religiões. Dalton abordava fatos de acontecimentos que diziam respeito às festividades dos Espíritas. Pierre Tavares Ribeiro publicava matérias de Chico Xavier, Bezerra de Menezes e fazia comentários sobre irmã Sheilla a quem ele teve o privilégio de ver materializado por obra do Peixotinho. Pastor Edmundo sempre escrevia interpretações de passagens bíblicas e anunciando festividades nas Igrejas Batistas de Maca e da Região.

Era sempre dentro desta democracia que o REBATE se fazia presente na vida dos macaenses.

Cidinha, Alfredinho Cabeleireiro, Sergio Quinteiro e Luiz Ernesto, cada um a sua maneira e modo, retratavam os acontecimentos sociais da cidade em colunas alternativas e semanais. Não havia nada que não tivesse seus olhares críticos ou informativos. Fotos em clichês, textos em composição de l0 negrito, estas colunas eram a que mais davam trabalho aos compositores das oficinas por que tinham que ser preparadas para todo tipo de leitor. As revisões eram feitas pelos próprios articulistas que viravam madrugadas puxando letra por letra das páginas expostas nas bolandeiras.

Lecino Mello e suas Coisas de Política faziam com que as notícias vindas da Câmara Municipal e das atividades dos políticos tivessem sua análise de uma maneira que só ele sabia escrever. Com grande dose de malícia e até com um pouco de provocação ele ia fazendo com que o jornal tivesse mais leitora com sua ferina observação crítica. Seu porte pequeno escondia uma grande coragem de repórter de rua que ele sabia exercer com maestria. Dava cobertura policial e atuava no fórum onde trazia as notícias destes dois lugares. Por ter uma inteligência seletiva Lecino Mello foi considerado um dos mais polêmicos de nossos colaboradores. Sua coragem em retratar fatos era seu carro chefe. Sua morte de deu numa cachoeira da região serrana de Macaé cujo motivo ainda paira dúvidas entre seus amigos.

A coluna de Xadrez era pioneira no Estado do Rio e O REBATE saiu na frente. Enquanto Mequinho dava suas jogadas de mestre do outro lado do mundo o nosso Fernando Frota assinava e jogava suas artes na região. Sendo campeão estadual desta modalidade de esporte o nosso Fernando Quariguazil da Frota fazia com que as pessoas que liam o jornal se atualizasse e tomassem ciência dos acontecimentos. Alem disso o Frotinha dava suas pinceladas no Bom Futebol e ainda fazia soar suas baterias jornalísticas falando sobre acontecimentos de basquete, carnaval e malho.

Willy de Miranda Cooper, o Bill, Antenor Lima, Léo Lima e outros jovens, faziam pequenos textos sobre esportes. Eram todos colocados em TOPICOS ao lado da COLUNA de Jayro Bacellar Vasconcellos que, junto com Manoel Antonio Assumpção, dava lindos toques em seus textos. Ambos eram também Oficiais de Justiça e sempre vinham a redação do jornal O REBATE em companhia do técnico da Seleção de Macaé Antonio Carneiro.

No ano de 1976 paramos de circular por algum tempo e retornamos nos anos 80 devido a coragem do jovem advogado Milton Augusto Ribeiro Benjamin. Ameaçado pela elite que, a esta altura se assanhava em dirigir a cidade, ele não correu da briga. Juntamente com sua companheira Edla Bichara, do advogado Edson Galossi Neves, dos então meninos Demétrio Possati e Paulo Roberto Jardim fizeram tremular mais um tempo a bandeira da verdade com O REBATE nas ruas. Foi um tempo difícil. Sem oficina própria.Coragem que teve seguimento nos anos 90 com a editoria de Cezar Pinho dos Santos, jornalista e editoria lista que, junto com uma equipe não deixou que a década ficasse sem o grito de que: O REBATE VIVE E VIVA O REBATE.

Hoje, quando o REBATE completa 75 anos de existência em Macaé quis fazer esta simples homenagem a sua história falando destes senhores que faziam a beleza de nossos encantamentos e alegrias nos anos 60 e 70. Foram eles que, com suas obras escritas a mão, compostas também a mãos por belos e competentes gráficos, tinham que participar deste dia onde a magia do computador não poderia existir sem suas presenças.

O REBATE é uma história que nunca será apagada da vida de Macaé e do Brasil por que tem sua historicidade marcada na ebulição de sangue de pessoas livres e que sabiam que faziam história. Parabéns a seus descendentes. (José Milbs de Lacerda gama, Editor).

10.6.07

A TIA DE TODOS OS COSTAS E REIS CALA-SE NUMA SAUDADE QUE FICA...

PERPETUANDO A MAIOR DE TODOS OS COSTAS E OS REIS...

A História de nossa região de Petróleo, Sol, Serras, Mares e Origens nativas, perde a Abelha de todas as Rainhas dos Costas e dos Reis. Dona Renê Costa Reis descansou de sua longa luta para continuar vivendo. Figura marcante na vida de Macaé, seus Distritos e Rio das Ostras, ela foi a filha temporão dos Costas e companheira do meu amigo de Faculdade de Direito, Sylvio Martins Reis. Seus pais, como os de Sylvio vieram do distante Portugal e aqui semearam toda a gama dos Costas e Reis que se espalharam em nossa comunidade.
Quem não convive ou conviveu com algum descendente destas duas raízes por certo ainda vai conviver e perguntará quem foi está linda senhora. Quem foi está verdadeira Abelha Rainha que sabia cativar a todos que dela se aproximava.
Dos sobrinhos, desde o simpático e simples Berebéu Costa até a alegre e cativante Roseana Reis, ela não conseguia mudar o sorriso de agrado e de acolhimento. Sempre bem com tudo e com todos, soube entender, na plenitude de sua sabedoria, a passagem do Movimento da Contra-cultura e das belezas puras do Movimento Hippies que cercou de carinho e afeto seus filhos e amigos.
Sua casa era "com certeza uma casa portuguesa" onde seus braços e seu olhar tímido preenchia vazios existentes em cada um que se aproximava e, sabia acalentar com poucas palavras tudo que o "olhar expressa" no sublime entendimento que poucas mães tiveram com seus filhos nestes anos de sofrimento e incompreensão do social.
Para Euzébio Costa Mello era Tia Renê, irmã mais nova de sua mãe. A irmã caçula que tinha sido criada com todo o mimo que existia na bucólica Macaé dos anos 20 e 30. Para Ronaldo e Levy Costa, meus colegas de colégio, era a tia jovem que mais parecia irmã. Dona Renê foi uma privilegiada ou seria os Costas os privilegiados? Ela por ter sido a Tia de todos eles, ou eles por terem sido os sobrinhos dela?
Convivi com esta dama. Fui amigo de seu companheiro Sylvio e amigo de seus filhos de Nato, Manel e Luiza.
Nos anos 90 a cidade de Rio das Ostras foi escolhida para que ela terminasse seus dias. Mais longe de suas origens na Bicuda, Cachoeira de Macaé e Bicuda Grande, mantinha sempre informações sobre a vida das comunidade, através de Tina, via Dodora ou mesmo pelos informes que lhes eram levados pelas centenas de sobrinhos netos e amigos.
Gostava se saber das novidades de Macaé, das Casas Antigas que ainda estavam conservadas e sorria quando lembrava das saudades que ficaram nas tardes noites macaenses dos passeios longos e alegres nas ruas empoeiradas. Revia as saídas do Cine Santa Izabel
e a barulheira das galeras dos anos 50 e 60 e fazia relatos mentais das suas saudades que, no fundo, é a saudade de todos que viveram nesta época de encantamento e sublimação.
O REBATE, como O SECULO ela vivenciou muito bem. Fizeram parte de sua existência e lazer. Soube transferir para seus filhos o desenvolvimento das artes e do amor ao próximo. A tristeza que sua ausência toma conta dos seus familiares se junta ao carinho que ela tinha como O REBATE e nos coloca no mesmo patamar das saudades...
Sylvio, Nato, Manel e Luiza recebam as condolências que sabemos ser de toda a comunidade da região de petróleo do RJ.
Por estar morando no sitio e pouco sair, soube deste acontecimento, hoje, pelo meu filho Luís Cláudio que foi informado por Denise, filha da saudosa professora dona Rosa...
(José Milbs editor e historiador )...

29.5.07

MORRE LUIZ CORGA E DEIXA UMA GRANDE LACUNA NA VIDA DA REGIÃO DE PETROLEO...


LUIZ CORGA UM EXEMPLO DE VIDA E DE RESPEITO AO SEMELHANTE. UMA GRANDE PERDA NA REGIÃO

As cidades de interior do Brasil sempre estiveram ligadas a determinados homens que chegam. Nos anos 60, Macaé era uma cidadezinha sem pretensões de progresso. Daí por que eram sempre notadas as presenças de gente nova em sua comunidade. Foi assim que aqui chegou o, então jovem, alegre e simpático Luiz Corga. Veio gerenciar um dos mais modernos Bancos da região e foi logo se identificando com as pessoas simples, pequenos comerciantes e o povo em geral. Alguma coisa diferenciava este jovem bancário dos demais gerentes. Uma atenção toda especial as pessoas humildes, tímidas e origem pobre. Era comum sua presença, nos fins de tardes, nos pequenos bares e ponto de encontro das pessoas que gostavam das longas conversas. Sempre elegante, com suas vestes brancas e um largo sorriso tímido e um sotaque mineiro, ele ai forjando um mundo novo nesta cidade de Sol e Mar constante.

Luiz Corga sabia confiar nos seus clientes pelo olhar e pela palavra, O REBATE foi um de suas mais lindas conquistas quando objetivamos modernizar nossos equipamentos gráficos nos anos 60/70. Estava eu em Leopoldina MG a passeio com meu velho amigo Antonio Carlos de Assis. Conheci, em conversas nas noites mineiras, o Velho Junqueira, dono de um jornal em BH. Queria vender suas máquinas. Achei que poderia comprar mais não tinha a grana. Liguei para o Corga e ele: Dê um cheque ai no valar, eu cubro aqui e quando você chegar à gente faz um empréstimo. Coisa normal quando se tem um grande saldo. Não era o meu caso. Estava começando a minha vida, filho pequeno de colo, e sem os lastros naturais que seriam necessários para esta grande empreitada. Era a compra de uma Maquina Impresso de grande porte. Fiz o combinado, honramos o compromisso e ficamos devendo esta confiança pura a este grande homem que, ao se aposentar do Banco não quis voltar para sua cidade. Criou seus lindos filhos e honrou a profissão de Corretor Imobiliário. Para minha felicidade a geração de seus descendentes está ai ligado e amigos de meus filhos e netos.

A morte de Luiz Corga, aos 79 anos abre uma lacuna que dificilmente será preenchida na vida das cidades da região de petróleo do RJ, O REBATE une-se as tristezas que tomaram conta de todos que souberam de seu passamento. Eu soube, aqui no Sitio pelo meu primo Sergio (Serginho) Duarte Correa da Silva que também é amigo de seus filhos e dos meus...(José Milbs editor de O REBATE www.jornalorebate.com 75 anos de histórias na região de Petróleo do RJ.

19.5.07

O VELHO GAMA JÁ FAZIA HISTÓRIA EM DEFESA DAS LIBERDADES NOS ANOS DE 1830...

Luiz Gama, herói do povo brasileiro
FÁBIO KONDER COMPARATO


Ele soube denunciar, com competência e indignação, essa impostura perversa. Sozinho, libertou mais de 500 escravos nos tribunais



ELE HERDOU da mãe o caráter indômito e apaixonado. Luiza Mahin, africana livre da nação nagô, oriunda da Costa da Mina, tomou parte ativa nas insurreições baianas de 1835 e 1837 e acabou sendo deportada, não se sabe se para o Rio de Janeiro ou se definitivamente para a África.
Quanto ao pai, de uma família ilustre da Bahia, arruinou-se no jogo e acabou vendendo o filho como escravo em 1840, quando contava dez anos de idade. Luiz Gama teve a suprema dignidade de jamais revelar o nome do seu indigno progenitor.
Embarcado para o Rio de Janeiro com dezenas de outros escravos, o menino foi vendido a um traficante paulista. Subiu a pé de Santos até Campinas, onde foi refugado por um fazendeiro por vir da Bahia, província de má fama à época por ser o teatro de sucessivas rebeliões de escravos.
Alfabetizado por um jovem amigo aos 17 anos, Luiz Gama apaixonou-se de imediato pelos livros, paixão que o acompanhou até a morte.
Aos 18, fugiu do cativeiro doméstico em São Paulo para sentar praça na Marinha de Guerra. Seis anos depois, já cabo-de-esquadra, insurgiu-se contra um oficial insolente que o insultou, foi preso e compareceu perante o Conselho de Guerra, que o excluiu dos quadros daquela força.
Retornou a São Paulo, onde passou a trabalhar no escritório de um escrivão e depois na Secretaria de Governo da Província. Nessa ocasião, veio-lhe a inspiração de estudar direito para defender em juízo a vida e a liberdade da imensa população de negros escravos. Repelido pelos estudantes em sua tentativa de matricular-se na já famosa faculdade de direito, tomou a opção definitiva de atuar como rábula até o fim da vida, em 1882.
A grande questão jurídica que Luiz Gama levantou, na imprensa e nos tribunais, foi a vigência da lei de 7 de novembro de 1831, a qual, em cumprimento a um tratado de repressão do tráfico negreiro celebrado por Portugal com a Inglaterra em 1818, declarara livres todos os africanos desembarcados no país após aquela data.
Enquanto magistrados covardes, cedendo à pressão dos fazendeiros, se recusavam a aplicá-la, o governo multiplicava exigências burocráticas para a soltura dos negros criminosamente mantidos no cativeiro e a Assembléia Geral votava leis destinadas a esvaziar toda força normativa da lei, embora mantendo-a formalmente em vigor.
Em suma, era a velha tática brasileira de cobrir a dominação oligárquica com as vestes ornamentais do "Estado de Direito". Para nós, desde a Independência, a Constituição, os tratados internacionais e as leis votadas no Parlamento sempre foram recebidas como as ordenações d'El Rei, nosso senhor durante o período colonial: respeitosamente acatadas, mas não cumpridas.
Luiz Gama soube denunciar, com competência e indignação, essa impostura perversa. Sozinho -fato único em nossa história-, conseguiu libertar nos tribunais mais de 500 escravos.
Ao mesmo tempo, procurou combater a instituição infame por meio da militância política. Mas aí sua decepção foi absoluta. Atuou sucessivamente no Partido Liberal e no Partido Republicano, retirando-se de ambos tão logo percebeu sua conivência efetiva, embora envergonhada, com o que se denominava à época, com fingido recato, "a questão servil".
Dessa amarga experiência partidária retirou a lição capital de que, sem um amplo movimento de revolta popular, o meio político saberia manter a escravidão até o extremo limite do seu esgotamento.
No final da vida, Luiz Gama foi o grande inspirador do Movimento dos Caifazes, de Antonio Bento de Souza e Castro, que promoveu a fuga de milhares de escravos, desorganizando irreparavelmente a lavoura nos grandes domínios rurais de São Paulo. A lei de abolição da escravatura tornara-se inevitável.
Como se percebe, a opção abolicionista de Luiz Gama foi bem diversa da via estritamente parlamentar, seguida por Joaquim Nabuco. A história veio demonstrar que o advogado negro acertara em cheio o alvo.
Que isso nos sirva de exemplo para enfrentarmos o magno problema da atualidade, no Brasil e na América Latina, problema de solução incomparavelmente mais difícil e de caráter não menos escandaloso que a escravidão: como abolir o regime político fraudulento que encobre, sob o aparato republicano e democrático, a permanente usurpação da soberania popular.

FÁBIO KONDER COMPARATO , 70, advogado, é professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP. É autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno" (Companhia das Letras).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
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10.5.07

A FARSA DO 13 DE MAIO E O LEGADO DA ESCRAVIDÃO NEGRA

HOMENAGEM DE O REBATE A VERDADEIRA HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL...................................................... José Milbs de Lacerda Gama editor...

A FARSA DO 13 DE MAIO E O LEGADO DA ESCRAVIDÃO NEGRA

Ismar C. de Souza (*)

O Brasil, historicamente, tem utilizado o recurso desumano da tortura contra a sua população mais humilde e também contra os brasileiros que ousam desafiar o poder constituído.

Ontem, eram os grandes escravistas, donos de engenhos de açúcar e latifundiários, que recebiam proteção militar da Coroa portuguesa.

Hoje, são os grupos econômicos mais prósperos que contam com os préstimos das polícias estaduais – as quais, ao primeiro sinal de reivindicação trabalhista ou greve operária, montam guarda nas portas das fábricas e empresas públicas e privadas.

Segundo a Anistia Internacional, a tortura continua sendo aplicada contra os presos comuns na maioria das cadeias e presídios brasileiros. Isto precisa ser denunciado sempre, para que não se torne algo tolerado por nossa sociedade, à medida que se trata de criminosos comuns (em sua maioria, cidadãos negros e pobres, moradores da periferia).

A propósito, autores militares difundem o conceito de que o Exército brasileiro é democrático e inter-racial, desde sua origem, na famosa batalha dos Montes Guararapes, em 1654. “O sentimento nativista aflorou na gente brasileira, a partir do século XVII, quando brancos, índios e negros, em Guararapes, expulsaram o invasor estrangeiro. O Exército, sempre integrado por elementos de todos os matizes sociais, nasceu com a própria Nação e, desde então, participa ativamente da história brasileira” ( http://www.exercito.gov.br/01inst/Historia/index.htm ).

Omitem, entretanto, que a coragem demonstrada pelos negros no campo de batalha de nada lhes valeu. No final da batalha, seria uma boa oportunidade de se acabar com a chaga da escravidão - ou, ao menos, proibir o comércio escravocrata em solo nacional, com suas tão conhecidas histórias de sangue e dor. Mas nada foi feito e o sofrimento continuou para os escravos e seus descendentes. A escravidão só foi abolida oficialmente pela monarquia brasileira 66 anos depois da proclamação da independência do Brasil.

Vale, ainda, ressaltar que a escravidão no Brasil foi marcada por uma aliança sórdida e macabra entre os portugueses colonizadores e tribos negras africanas, rivais entre si, que entregavam aos traficantes de escravos seus próprios semelhantes feitos prisioneiros nas guerras tribais, em troca de produtos como o fumo e a cachaça. É uma das formas de comércio mais espúrias de que se tem notícia na história da humanidade.

A favela é a nova Senzala

Sucessora da senzala, a favela é onde se acumulam hoje os marginalizados pelo sistema, uma reserva de mão-de-obra à disposição do sistema de exploração perpetuado no Brasil. É aí que se toca na origem da (repressão) polícia brasileira, criada para manter essa população sob controle.

No período colonial, era feito o controle social dos escravos. Agora, é o controle dos favelados, os excluídos que perambulam pela maioria das regiões metropolitanas brasileiras.

A abolição da escravatura em 1888 apenas beneficiou o senhor escravocrata, falido, que acabou poupando recursos ao empregar a mão-de-obra imigrante que aportava em nosso país (uma alternativa vantajosa à manutenção das senzalas). Ao libertar seus escravos, livrou-se de um fardo dispendioso, pois custava caro mantê-los, vigiá-los e, quando fugiam, pagar aos capitães-do-mato que saíam em seu encalço.

A História se repete hoje, com a chamada flexibilização das leis trabalhistas – principalmente a terceirização da mão-de-obra, que reduz os custos de produção ao eximir o patronato das contribuições para a seguridade social. Trata-se de mais uma forma de sonegação, visando à maximização dos lucros.

Quanto aos terceirizados, ao serem liberados dos vínculos empregatícios, passaram à insegurança total, não tendo mais nenhuma garantia de contar com o necessário para a subsistência se perderem a ocupação atual.

O paralelo com a libertação dos escravos é óbvio. Pode-se dizer que, em 13 de maio de 1888, foram lançadas as bases da favelização e da perpetuação da miséria social e cultural a que foi condenada a maioria dos descendentes da raça negra e grande parte dos cidadãos de origem humilde.

Este processo perverso se verificou tanto aqui quanto nos demais países do mundo onde existiu o regime escravista.

Que este 13 de maio de 2007 sirva para uma reflexão profunda de todos que abraçam a causa da justiça social.

E que no vindouro 20 de novembro – data já aceita pela maioria da comunidade afrodescendente como o Dia da Consciência Negra – fiquemos cada vez mais conscientes da verdadeira História. Começando pelos motivos da luta e morte do herói negro Zumbi dos Palmares, comandante do famoso quilombo que, vale ressaltar, jamais foi oficialmente homenageado por qualquer instituição civil ou militar brasileira (quem prestou esse tributo foi um dos grupos de resistência à ditadura militar, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

Espero que possamos comemorar o começo de uma grande corrente solidária, passando finalmente a agir com objetividade contra esta e outras mazelas – não só da comunidade negra, mas de toda gente batalhadora e sofrida deste nosso querido Brasil.

É necessário, importante e imprescindível estarmos atentos, não nos deixando iludir pela propaganda tendenciosa e marginalizante dos velhos/novos donos do poder – principalmente sua facção golpista, que quer fazer nossa sociedade regredir para o autoritarismo. O cerceamento das liberdades democráticas e garantias individuais, longe de ser solução para os males atuais, agravaria ainda mais as desigualdades sociais e raciais, perpetuando-as.

Breve resumo sobre escravidão negra no Brasil

· O Slave Trade Act, mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen, foi uma legislação da Grã-Bretanha promulgada em 8 de Agosto de 1845, que proibia o comércio de escravos entre a África e a América.

· A Lei Eusébio de Queirós foi aprovada em 4 de setembro de 1850, durante o Segundo Reinado, acabando definitivamente com o tráfico negreiro intercontinental. A lei foi aprovada principalmente devido à pressão da Inglaterra, materializada diretamente pela aplicação do Bill Aberdeen. Por essa razão, no Império do Brasil, o Partido Conservador, então no poder, passou a defender, no Parlamento, o fim do tráfico negreiro.

· No ano de 1854 era aprovada a Lei Nabuco de Araújo (Ministro da Justiça de 1853 a 1857) que previa sanções para as autoridades que encobrissem o contrabando de escravos. Os últimos desembarques de que se tem notícia aconteceram em 1856.

· O Partido Liberal comprometeu-se publicamente com a causa, mas foi o gabinete do Visconde do Rio Branco, do Partido Conservador, que promulgou a primeira lei abolicionista, a Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871 de poucos efeitos práticos imediatos, deu liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas os manteve sob a tutela dos seus senhores até atingirem a idade de 21 anos.

· O país foi tomado pela causa abolicionista e, em 1884, o Ceará decretou o fim da escravidão em seu território.

· A partir de 1887, os abolicionistas passam a atuar no campo, muitas vezes ajudando fugas em massa, fazendo com que por vezes os fazendeiros fossem obrigados a contratar seus antigos escravos em regime assalariado. Em 1887, diversas cidades libertam os escravos; a alforria era normalmente condicionada à prestação de serviços (que, em alguns casos, implicava na servidão a outros membros da família).

· A decisão do Ceará aumentou a pressão da opinião pública sobre as autoridades imperiais. Em 1885, o governo cedeu mais um pouco e promulgou a Lei Saraiva-Cotegipe. Ficou conhecida como a Lei dos Sexagenários, que libertou os escravos com mais de 60 anos, mediante compensações financeiras aos seus proprietários. Os escravos que estavam com idade entre 60 e 65 anos deveriam "prestar serviços por 3 anos aos seus senhores e após os 65 anos de idade seriam libertos».

· Em 13 de Maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil.

* analista de suporte e pesquisador autodidata de história do Brasil
e-mail:
ismarsouza@hotmail.com



29.4.07

FRED SAI NA FRENTE NA LUTA PELA PREFEITURA DE MACAÉ

Fred é pré-candidato a prefeito pelo PMDB

Professor Sérgio liderou o grupo
Fred falou via rádio com o grupo
Fred Kholer é pré-candidato a prefeito de Macaé pelo PMDB para as eleições de 2008. Foi o que anunciou hoje as lideranças do partido durante reunião, que serviu para esclarecer vários pontos do próximo pleito municipal. O vice-presidente da sigla, professor José Sérgio da Silva, descartou a possibilidade de Fred estabelecer alianças com o deputado federal Silvio Lopes (PSDB) e o atual prefeito Riverton Mussi (sem partido).

“Em primeiro lugar, o PMDB não compactua com processos antidemocráticos. A população de Macaé e principalmente aos eleitores que confiam no PMDB e que já votaram maciçamente no Fred, acreditam nas mudanças estruturais necessárias para o município. Por isso, Fred que já foi vereador por vários mandatos, ex-deputado federal e o candidato a deputado estadual mais bem votado nas últimas eleições, reafirma sua condição de oposição à política que tem governado esta cidade há vários anos”, ressaltou o vice-presidente do PMDB em Macaé.

Por telefone o pré-candidato a prefeito informou às lideranças que a estrutura para concorrer às eleições de 2008 já está montada. No encontro, o professor Sérgio disse ainda que o objetivo de Fred é acabar com os bolsões de pobreza, crescimento desordenado, falta d´água, dificuldades do transporte, entre outros. “Fred tem o apoio irrestrito do ex-governador do estado e atual presidente estadual do PMDB, Anthony Garotinho. A oposição de Macaé sempre esteve forte e esse é o momento de mostrarmos a nossa força. O maior partido do Brasil está pronto para mais este desafio, temos nosso candidato próprio, como nas duas últimas eleições”, frisou.

Sérgio ressaltou ainda, que não se pode culpar o atual prefeito pelos problemas que Macaé tem passado, pois mesmo que cheio de boas intenções, foi herdado uma herança difícil de ser administrada. Os representantes do partido e todos os líderes comunitários presentes deixaram claro que o PMDB nunca esteve dividido na cidade. “Estamos mais juntos que nunca e prontos para todas as batalhas que se fizerem necessárias, pois nossa meta é trazer para Macaé dias melhores e o progresso que tanto almejamos. Os que não tinham compromisso político com nosso partido, nossos ideais e nosso estatuto saíram”, enfatizou.

O vice-presidente do PMDB em Macaé acrescentou ainda que fora da esfera política, o prefeito Riverton Mussi tem o respeito e simpatia do presidente do diretório municipal do partido no município, Fred, e de todos os correligionários da importante sigla no cenário macaense. “Foram anos de convivência harmoniosa entre Fred e Riverton, em tempos áureos de vários mandatos no corpo Legislativo municipal que não estão esquecidos e que mantém o respeito entre ambos”, explicou Sérgio.

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17.4.07

ELES FIZERAM PARTE DE NOSSO HISTÓRIA...

ELES FIZERAM A HISTÓRIA DO O REBATE NOS ANOS DE 1960 e 1970.................................................................................. José Milbs de Lacerda Gama

Quando o jornal O REBATE atingiu sua meta de ser um veículo altamente democrático e tinha, com este intuito, o objetivo de abrir espaços para todos eu era seu Editor e Diretor-Responsável. Nunca nenhum jornal teve a petulância de espacejar suas páginas de maneira aberta sem que houvesse qualquer censura. O Rebate fazia questão de desta sintonia e acontecia em Macaé o que hoje acontece na edição On-line. Tentarei nominar alguns dos velhos colunistas que fizeram história no jornalismo macaense e que passaram a figurar, mundialmente no jornal on-line, no web site www.jornalorebate.com, como os verdadeiros pilares da imprensa de Macaé.

Carapebus e sua história eram coordenadas e assinadas por Elbe Tavares de Almeida que relatava fatos recentes e fazia renascer a história e os acontecimentos da história do então segundo distrito de Macaé. Elbinho ia fundo na vida de Carapebus e o jornal cumpria a sua parte. Os jornais eram levados de trem ou de ônibus e eram distribuídos em todos os bairros do distrito. Na usina Carapebús a distribuição de O REBATE era feita no Escritório e lidos pelos demais moradores. A Construção da Igreja, pelas mãos do Frei Balthazar, foi acompanhada pelas edições do O REBATE e reportada pelo Elbe Tavares de Almeida.

Cantinho de Glicério era uma mini-coluna social. Editada pelo Padre Armindo que, num portunhol, uma mistura de espanhol com português, falado em Glicério, trazia as novidades, festas, aniversários e necessidades da região. Sua coluna abrangia ainda o Óleo, Trapiche, Córrego do Ouro, Frada e parte baixa do Sana.

Padre Armindo tinha uma voz suave, um corpo frágil e um olhar meio atento a sua volta. Era Pároco da região e não soube mais notícias suas. Era de uma formação religiosa tradicionalista e fazia questão de que assim fosse visto por todos nós de O REBATE. Teve uma grande polêmica quando ele, na Paróquia fez um bingo de um Jipe e não entregou ao sorteado. Recebemos a reclamação de moradores e, como o REBATE sempre primou pela liberdade de opinião, deu espaço para o reclamante que “acusava o Padre de picaretar o sorteio”. Ele virou bicho e partiu para defesa. Armindo não entendia como, um jornal que ele escrevia, pudesse levar ao público uma coisa que corria de boca em boca na localidade. Até por que, não entendia muito de democracia jornalística já que vinha de uma Espanha Franquista e a gente estava em plena ditadura militar.

Ai o pau comeu. Armando Barreto, que tinha uma coluna EM TEMPO, defendeu o morador. Armindo rebatia que não era real a denúncia e o troço ficou rolando mais de 2 meses nas colunas do o REBATE.

Perguntas como Vigário ou vigarista era comum vindo da página de Armando e, da outra, defesas e palavrões em hispano/português que o Armando fazia.

Se o jipe foi entregue ou se foi feito outro Bingo até hoje não sei. f Fato que, até Euzébio teve que entrar na fala e, em sua coluna ACONTECENCIAS propunha que desse uma Bíblia para cada um dos litigantes, já que ambos eram cristãos embora de seitas diferenciadas. Armando Evangélico e Armando Católico. Numa edição, em plena fervura da briga entre Armando e Armindo, os gráficos erraram os nomes e sapecaram uma manchete: ARMINDO CONTESTA PADRE ARMANDO.

Interessante notar o alto grau de democracia no jornal era o fato de Armando revisar os textos do Armindo mesmo tendo em seu conteúdo porrada nele mesmo. Com o novo sorteio, creio, que a coisa ficou bem e não foi preciso a conciliatória idéia do Euzébio.

Chutes nas Traves por Luiz Pinheiro um dos mais antigos colaboradores da imprensa de nossa cidade. Pinheiro descrevia detalhes em sua coluna de uma forma que os leitores pareciam ver o jogo. Engraçado que um dia ele estava descrevendo em sua coluna uma partida de futebol entre Americano e Fluminense. A oficina era em baixo da Redação onde a gente ficava revendo textos e revisando as matérias paginadas. Os compositores, todos meninos aprendizes e, alguns já adultos, estavam fazendo as matérias que viriam para a revisão. De repente, rompendo o silencio, uma voz corta o ar de uma forma alta e carregada de aporrinharão. Um palavrão comum nestas horas é soltado e todos se calam e se dirigem ao funcionário que fez o “barulho no silencio”. Ele, após explicar o fato Poe a público o motivo. Estava ele compondo a matéria de Pinheiro. Matéria feita a mão e com 5 ou seis laudas para serem copiadas. Ai ele vai compondo. “Bola com Nilson que passa para Paulinho no meio campo. Este olha pra frente, faz da redonda seu meio de mostrar arte. Passa para a esquerda e caminha, já no campo adversário. Vem sinhô para evitar o avanço. Ele vê, dentro da pequena área o George. Este pede a bola. Olha em redor e recebe a menina com delicada maestria, passa por um, passa por dois e, pimba, Bola na Trave”. Americano perde e deixa Antonio Carneiro revoltado que tenta invadir o gramado do Expedicionário. Depois é que todos foram saber que o compositor, compunha e torcia. . Ele era Americano e o “Puta que Pariu” que rompeu os ares da redação tinha seus motivos.

Luiz Pinheiro era também radialista e foi um dos mais atuantes vereadores de nossa edilidade. Amigo fiel de minha família sempre ia a minha casa bater papo mesmo depois de o jornal ter que deixar de circular por algum tempo. Incentiva para que eu escrevesse um livro e nos divertíamos muito com as brincadeiras da redação. Um dia ele ficou muito "retado" (como se diz na linda Salvador BA). Um gráfico, daqueles gozadores que habitavam em todos os jornais, substituiu uma letra e, ao invés de sair Chute nas Traves, saiu Chute nas Trevas. Phidias Barbosa Barreto, um revisor sacana, deixou ir pra rua o jornal e Pinheiro ficou uma Arara. Depois riu pra valer quando soube da sacanas de Phidias. Lembramos ao Pinheiro que era comum isso nas oficinas. Pior tinha sido feito com o saudoso Latif Mussi Rocha da “Gazeta de Macaé”. Os safadinhos dos gráficos trocaram o L pelo P e saiu Patif Mussi. Só o bom humor de Eraldo, seu filho e revisor, evitaram a raiva do grande editor da “Gazeta”.

Notícias da Bicuda vinha com a responsabilidade de Tarcisio Paes de Figueiredo que além de colaborador era também Professor Municipal. Tarcísio deixou um bom emprego no Banco do Brasil para morar neste lugarzinho lindo que era Bicuda. Ali ele podia fazer com que fluíssem suas idéias de ajudar as pessoas que de fato estavam precisando de alguém mais conhecedor do mundo.Educava e passava informes. Sua coluna era recheada de fatos e acontecimentos. Desde as festas até a política. Dizia das dificuldades do lugar e, junto às demais professoras fazia renascer a vida de toda a comunidade.

Sua página ia além da Bicuda Grande até a Bicuda Pequena e ainda ao Serro Frio com dados e fatos. Nesta época a professora Iza Aguiar também fazia textos deste distrito com pseudônimo de Taheb. Iza não queria aparecer com seu nome, além se sua simplicidade era, acho eu, por que seus familiares podiam sofrer algum tipo de perseguição, já que Pedro, seu companheiro e amigo, era Servidor Municipal.

Tarcísio era um colaborador Autodidata. Tinha sido professor de Inglês no antigo Colégio Macaense que viria a ser mais tarde o Luiz Reid. Sua vida foi sempre dedicada à educação e chegou a ser suplente de vereador.

Posta Restante tinha em Osmar Sardenberg sua responsabilidade. Osmar também assinava a coluna com o pseudônimo de Ramos (seu nome visto ao contrário). Era uma página picante e que mexia com os valores da política de modo bem ao gosto do autor que era de uma simpatia extremamente alegre mais de um grande senso de humor critico. Osmar buscava fazer uma coluna onde não tivesse como ser contestado. Meticuloso, apresentava seus textos, todos bem revisados e deles pouco se podiam ouvir negações do que ia ao Público.

Era irmão de Erico Sardenberg que participou da Fundação de O REBATE com o gaúcho Antonio Duarte Gomes em 1932. Osmar foi um símbolo de dignidade jornalista. Embora tendo um irmão vereador ele não poupava criticas ao legislativo quando encontrava seus motivos. Chegou a dirigir o Departamento de Obras e foi um dos responsáveis pelos primeiros passos de nossa arquitetura urbanística juntamente com Ruy Pinto da Silva, outro que colaborava com o jornal sem aparecer...

Mirto era uma coluna que o poeta e escritor português Joaquim Murteira fazia e abordava a história macaense e seus vultos. Critico mordaz, o velho Murteira era muito temido com suas sátiras e versos. Era uma espécie de comentários de fatos havidos e acontecidos e, em sua totalidade críticos a coisas de sua época. Daí que ele usava este nome Mirto para não se expor. Mais sempre dizia que em qualquer hora que o “bicho fosse pegar” estaria pronto.

Heira Couto era o pequeno nome que o bancário do BB e intelectual Herivelto Couto tinha para fazer suas observações culturais. Senhor de um afinado senso de humor ele escrevia sempre suas páginas literárias e políticas de maneira sutil e bem alegre. Autor de uma polemica com o Cláudio Itagiba sobre a palavra Passadólogo eles se desentenderam dentro da escrita mais se entendiam na Redação de forma correta e diplomática. Além de ser bancário, Heira Couto era poeta e jornalista e foi um dos o fundadores da Academia Macaense de Letras.

Volúsia Clara embora com este nome tinha em Cezário Álvares Parada seu responsável. Durante muito tempo ficou no anonimato mais logo assim que assumimos o jornal ele assumiu a coluna e ainda passou a assinar seu nome. Fazia comentários da sociedade e criou vários textos que marcaram sua personalidade de colunista social. A composição era sempre no corpo oito e às vezes alguns textos em negrito.

Ruas de Macaé de Antonio Alvarez Parada. Tonito fazia comentários das origens dos nomes de nossas ruas e exponha ao conhecimento dos leitores seus dados biográficos. Como a Redação do jornal era em frente a sua casa sempre, ao acordar, para ir na Padaria do Enio e do Joãozinho Lima era um dos primeiros dos leitores. Pegava o jornal e ia vendo a matéria que depois passava para sua companheira Detinha. Tonito além de Colunista de O REBATE escreveu alguns livros e deixou um grande acervo dos jornais de seu primeiro número ate os anos 70. Acervo que foi entregue ao atual Secretário de Acervo Público de Macaé, professor Ricardo Meireles que também escreveu vários textos no O REBATE.

Acontecências, Daniel Menos e fatos. Estas 3 colunas tinham em Euzébio Luiz da Costa Mello sua marca. Euzébio mandava sua coluna pelo correio, em manuscritos, terrivelmente difícil de ser entendido. Estudando no Rio de Janeiro era de lá que ele despachava seus textos pelo DCT. Letra misturada com cores de caneta vermelha, verde e preta. Parecia que acabava a tinta e ele emendava outra. Era um Deus nos acuda. Seus garranchos, deliciosamente inteligentes e ferinos tinham o sabor do belo. Cláudio Itagiba, Armando e eu mesmo ficávamos decifrando os textos e tentando pô-los para publicação. Sempre se conseguia e as malícias de suas matérias iam belíssimas para as bancas e para os assinantes. Euzébio fazia para O REBATE a cobertura política da Câmara dos Vereadores. Muitos de seus textos deram dores de cabeça aos edis dos anos 60 e 70 ao ponto de vários processos serem instaurados no judiciário. Todos vencidos pela habilidade advocatícia do nosso editor Jurídico Álvaro Paixão Junior.

Em Tempo de Armando Barreto que tinha a chancela desta matéria nitidamente política e contestativa. Nela vinha o que estava se passando na política como o que ele achava dos fatos. Seus comentários eram sempre polêmicos mais respeitados em todo seguimento da comunidade. Foi candidato a vereador e se elegeu primeiro suplente pelo MDB. Vinha de uma liderança estudantil, Armando Barbosa Barreto, voltaria ao jornalismo no final do século, editando seu próprio semanário de nome Macaé Jornal com a mesma independência que fazia quando assinava sua coluna nos anos 60 /70 de O REBATE.

“Do Bom Futebol” era onde o filosofo e redator Cláudio Upiano Santos Nogueira Itagiba punha a beleza de suas encantadas dissertavas cultural. Falava da história viva dos nossos jogadores e dava um sentido kantiano aos dibles de George e a maestria beleza da elegância de Nilson. Cláudio fez do inédito linguajar filosófico a integração feliz numa ligação pé/mente. Suas obras eram obras de uma lingüística que espantava os menos avisados do Saber. Era como que, flutuando no conhecimento, trouxesse para o papel a beleza das interiorides de uma forma inteligente e culta.

Era lindo ler suas citações da jogadas dos Solons, principalmente de Armandinho e Sá. Cláudio deu uma visão ampla e inteligente ao mundo esportivo de Macaé até porque, alem de filósofo, também jogou futebol. Autor e criador do apelido de “Capitão” ao Antonio Carlos de Assis de quem Cláudio foi contemporâneo e amigo.

Cláudio sabia brincar com a linguagem de uma forma sutilmente entendida. Gostava mesmo era de fazer revisão e ficar a noite nas oficinas. Muitas vezes seu irmão Sergio e Ivairzinho o encontrava deitado nas resmas de papel da oficina, descansando da noite de revisão. Era redator e Colunista de O REBATE e foi o fundador do DEBATINHO suplemento de O REBATE que ainda iremos editor no www.debatinho.com.br de propriedade de nossa Empresa Jornalistica JML Gama, jornais e Revistas.

“Bicando na Grade” era uma coluna feita pelos Galistas de Macaé. Não tinha assinatura mais a gente sabia que por detrás estavam Roberto Moacyr, Augusto, Mangueira, Zé Luiz, Arenari, Paulo Barreto, Waldyr Siqueira e Carlos Augusto Tinoco Garcia. Todos leitores assíduos da coluna. Abordava fatos da Rinha e de seus freqüentadores. Era um setor da comunidade que a gente estava querendo atingir com a leitura do jornal e tivemos amplo retorno. Ate Waldyr Siqueira, pai de Hudson e de Ivan dava suas dicas na coluna onde o velho mestre Petrônio Ramos sempre aparecia para ler alegremente a coluna. Quando O REBATE saiu era comprada por todos que freqüentavam as mesas do Bar e Restaurante Belas Artes, Point dos anos 70 em nossa região. Ali era onde se reunia todos os expoentes da comunidade.

Padre Nabais assinava uma coluna política/religiosa. Ao contrário de Armindo, Nabais, fazia de sua página uma mensagem política mais a esquerda. Vinha sempre com fatos ocorridos em sua terra Portugal, Criticava a ditadura de Franco e sempre tinha seus textos censurados pelos militares de plantão em nossa Redação. À noite os censores sempre vinham para ler os conteúdos das matérias. Nabais tinha um corpo franzino mais se destacava pela voz firme e compassada. Ficava horas conversando comigo Cláudio, Armando, Euzébio e com o Pastor Edmundo.

Sempre ao cair da tarde quando a cidade começava a se acomodar na noite que chegava mansinha e amena, ele aparecia na Redação. Nabais foi transferido de Macaé para alguma cidadezinha do interior ou deve ter voltado para sua terra natal. Não se despediu e nem soubemos mais nada sobre ele...

Dilton Pereira, Pierre Tavares e Edmundo Antunes escreviam textos semanais sobre suas religiões. Dalton abordava fatos de acontecimentos que diziam respeito às festividades dos Espíritas. Pierre Tavares Ribeiro publicava matérias de Chico Xavier, Bezerra de Menezes e fazia comentários sobre irmã Sheilla a quem ele teve o privilégio de ver materializado por obra do Peixotinho. Pastor Edmundo sempre escrevia interpretações de passagens bíblicas e anunciando festividades nas Igrejas Batistas de Maca e da Região.

Era sempre dentro desta democracia que o REBATE se fazia presente na vida dos macaenses.

Cidinha, Alfredinho Cabeleireiro, Sergio Quinteiro e Luiz Ernesto, cada um a sua maneira e modo, retratavam os acontecimentos sociais da cidade em colunas alternativas e semanais. Não havia nada que não tivesse seus olhares críticos ou informativos. Fotos em clichês, textos em composição de l0 negrito, estas colunas eram a que mais davam trabalho aos compositores das oficinas por que tinham que ser preparadas para todo tipo de leitor. As revisões eram feitas pelos próprios articulistas que viravam madrugadas puxando letra por letra das páginas expostas nas bolandeiras.

Lecino Mello e suas Coisas de Política faziam com que as notícias vindas da Câmara Municipal e das atividades dos políticos tivessem sua análise de uma maneira que só ele sabia escrever. Com grande dose de malícia e até com um pouco de provocação ele ia fazendo com que o jornal tivesse mais leitora com sua ferina observação crítica. Seu porte pequeno escondia uma grande coragem de repórter de rua que ele sabia exercer com maestria. Dava cobertura policial e atuava no fórum onde trazia as notícias destes dois lugares. Por ter uma inteligência seletiva Lecino Mello foi considerado um dos mais polêmicos de nossos colaboradores. Sua coragem em retratar fatos era seu carro chefe. Sua morte de deu numa cachoeira da região serrana de Macaé cujo motivo ainda paira dúvidas entre seus amigos.

A coluna de Xadrez era pioneira no Estado do Rio e O REBATE saiu na frente. Enquanto Mequinho dava suas jogadas de mestre do outro lado do mundo o nosso Fernando Frota assinava e jogava suas artes na região. Sendo campeão estadual desta modalidade de esporte o nosso Fernando Quariguazil da Frota fazia com que as pessoas que liam o jornal se atualizasse e tomassem ciência dos acontecimentos. Alem disso o Frotinha dava suas pinceladas no Bom Futebol e ainda fazia soar suas baterias jornalísticas falando sobre acontecimentos de basquete, carnaval e malho.

Willy de Miranda Cooper, o Bill, Antenor Lima, Léo Lima e outros jovens, faziam pequenos textos sobre esportes. Eram todos colocados em TOPICOS ao lado da COLUNA de Jayro Bacellar Vasconcellos que, junto com Manoel Antonio Assumpção, dava lindos toques em seus textos. Ambos eram também Oficiais de Justiça e sempre vinham a redação do jornal O REBATE em companhia do técnico da Seleção de Macaé Antonio Carneiro.

No ano de 1976 paramos de circular por algum tempo e retornamos nos anos 80 devido a coragem do jovem advogado Milton Augusto Ribeiro Benjamin. Ameaçado pela elite que, a esta altura se assanhava em dirigir a cidade, ele não correu da briga. Juntamente com sua companheira Edla Bichara, do advogado Edson Galossi Neves, dos então meninos Demétrio Possati e Paulo Roberto Jardim fizeram tremular mais um tempo a bandeira da verdade com O REBATE nas ruas. Foi um tempo difícil. Sem oficina própria.Coragem que teve seguimento nos anos 90 com a editoria de Cezar Pinho dos Santos, jornalista e editoria lista que, junto com uma equipe não deixou que a década ficasse sem o grito de que: O REBATE VIVE E VIVA O REBATE.

Hoje, quando o REBATE completa 75 anos de existência em Macaé quis fazer esta simples homenagem a sua história falando destes senhores que faziam a beleza de nossos encantamentos e alegrias nos anos 60 e 70. Foram eles que, com suas obras escritas a mão, compostas também a mãos por belos e competentes gráficos, tinham que participar deste dia onde a magia do computador não poderia existir sem suas presenças.

O REBATE é uma história que nunca será apagada da vida de Macaé e do Brasil por que tem sua historicidade marcada na ebulição de sangue de pessoas livres e que sabiam que faziam história. Parabéns a seus descendentes. (José Milbs de Lacerda gama, Editor).

8.4.07

QUEM ROUBOU GRANA DO PODER MUNICIPAL" E GASTA EM BALNEÁRIOS, "ABRA O OLHO DE CIMA".O REBATE TA NO AR...

AS ESTRELAS DO MAR NA RUA DOUTOR BUENO, LUIZ BELEGARD, SACRAMENTO E IGUALDADE VINHAM DAS ONDAS BRAVIAS DE IMBETIBA....

Sempre, nos primeiros dias de Maio ou final de Abril, o cheiro vindo do mar esverdeado em Imbetiba, trazia para a cidade as essências, em cheiro, do nosso mar em ressaca, belamente maravilhosa e virgens. As ruas do Meio, “Rua da Poça”, “Sacramento” e “Igualdade” recebiam o final das ondas que repousavam em frente as nossas casas e quintais.

Quando as ondas, espumando, respirando ao Vento, ao Luar e ao Sol, vinham morrer, trazendo Pedras Brancas e Conchas nativamente puras, eram como presentes para uma criançada alegre e viril que as buscavam em revoadas matinais. Àrvores frondosas existiam em todas as Chácara das ruas citadas e a s crianças se misturavam com frutas nativas e pássaros existentes...

“Estrelas do Mar” de todos os tamanhos eram apanhadas onde hoje tem algumas casas de Atendimentos Médicos na Rua Dr. Bueno. Tinham conchas em frente da casa onde morou Cláudio Moacyr, na Luiz Belegard, no quintal de Otinho, “Piry”, “Paulinho” e “Costinha” na “Rua da Igualdade” e em frente a casa onde morava “Boca de Bagre” e “Zé Puleiro” “na Rua do Sacramento”.

Existe quem afirme, como “Zequinha” Andrade e “Juca” irmão de “Braulinho” que as conchas eram encontradas até na “Lyra dos conspiradores”, onde havia a Pharmácia Siqueira e a Padaria de Seu Celino...

Naquele tempo os nossos Prefeitos eram pessoas voltadas para o Social, moravam na cidade e não tinha casas em Balneários e nem se embebedavam com seus “assessores” com dinheiro tirados dos Cofres Municipais. Era mesmo uma Cidade Pura. Pureza que o meu amigo Paulinho Mendes Campos viu, escreveu no JB e no O REBATE...

O corre-corre, infantilizado pelo sabor das conquistas, tinha a conotação da beleza. Quando se via, ao longo das finalizadas ondas que, moribundas, iam ao encontro do aconchego das campinas da inexistente calçada destas ruas, as Estrelas do Mar, ainda vivas com seu cheiro de maresia e eram disputadas por toda a criançada. Estas Estrelas, assim como as grandes Conchas e as Pedras Brancas tinham o saboramento do belo achado. Quem corria mais, tinha o privilegia de pegar o tesouro.

As crianças menores, usavam a respeitada frase do “È minha que eu vi primeiro” e eram atendidas. Havia um código entre os adultos de respeito ao “Minha que vi primeiro” e “ai” de quem fugisse a estes respeitativo junto a uma criança. Vi muito marmanjo "entregar, na mão grande", lindas e grandiosas Estrela do Mar para alguns menininhos no grito de “È minha, que eu vi primeiro.

O vento que batia nas faces infantis fazia tremular os Encarolados de nossos Cabelos misturam a areia fina vindas com o frescor da maresia que exalava natureza.

As ondas se encontravam com as que voltavam. As que vinham traziam um Branco de Brilho que invejaria as doArcos-Irys das tardes que apareciam no Morro do forte Marechal Hermes. Somente a tela de uma Artista podia expressar este encantamento colorido e natural.

A onda que voltava era meia amarelada porque ia misturada com o lindo amarelo das areias grossas que se renovava com brilho das que vinham do fundo do mar em ressaca.

As pequeninas Monazíticas davam o colorido negro que transformava esta beleza anual na mais linda e pura representação da Praia de Imbetiba de infâncias que não morrem.

Onde foi que o homem recebeu autorização da Natureza para destruir tudo isso. Por que demesticaram e aprisionaram as mais belas das belezas de Minha Cidade?

A Renovação da areia era a forma natural que a natureza encontrava para levar ao Fundo do Mar as que foram pisoteadas e usadas pela população no Verão que ia embora para dar lugar ao Ameno Outono.

As areias de Imbetiba eram brilhantes, eram vivas e se renovavam na formatação natural e eram acompanhadas,brilhantemente por centenas de Conchas, Estrelas do Mar, Caracóis e Pedras Brancas Brilhantes.

Os Raios de Sol que, timidamente rompiam as nuvens negras do mês de maio, formavam filetes que faziam reluzir a mais pura representação do mar na linda e sonhadora Praia de Imbetiba.

Quando que o Poder Judiciário, do qual sou um grande admirador e seu ex Acadêmico de Direito, irá punir estes destruidores do belo e que ainda ostentam riquezas com os desvios de verbas? Como Escritor e participante da história desta cidade, não “vou deixar baixo” esses políticos que riem do Poder Judicário e que ainda passeiam, elegantemente em Praias da região, como se a impunidade fosse um grande bem que se pode e deve ser passado de Pai para Filho. s

Neste início de milênio não se renova mais as areias de Imbetiba. Elas estão reprimidas por recifes artificiais que deram ao local um cartão postal diferenciado do divino. Parece a Praça Mauá do Rio de Janeiro com o fedor que se sente ao caminhar na Orla de Niteroi e adjacencias. Suas belezas foram pisoteadas pela internacionalização do local e sufocadas pelo tambores oleosos que as rodeiam.

Apenas o Morro do Forte e sua laje ainda recebem o beijo natural das ondas vindas das ilhas. Ali o repouso natural do Mar nao foi destruido. E ainda existe quem queira transformar este Forte em Hotel. Eles objetivam construir centenas de casas, jogatinas, prostituição oficial. Seria o final deste remanescente do que resta de natural na região do Petróleo.

Atualmente, a Espuma Branca e o Som Harmonioso que saía dos encontros das Idas e Voltas nas correntezas só pode ser sentido na “Praia Campista” e “Cavaleiros”, ainda mini- entocadas da destruição da busca do Petróleo. Os destruidores nao estão nem ai para estas belezas. Curtem em Balneários o mesmo murmurar do Mar. Só que lá, onde gastam o dinheiro fácil, as autoridades previram que tudo isso passaria e não deixaram que o progresso destruisse o belo.

O borbulhar sonoro que nos fazia recordar as Pororocas da Rua da Praia ainda repicam nas ondas bravias dos “Cavaleiros” e “Campista”. Até quando não sei. No inicio do milênio ainda eram ouvidas e sentidas por quem, como o autor, foi ver a manifestação natural do mar em sua renovação no inicio de maio do ano 2006.

As areias das praias “Cavaleiros “e “Campista” ainda podem ser levadas e trazidas para a renovação anual. A de “Imbetiba” morreu, virou entulho, apodrecida e sem brilho nas cercanias iluminadas por barcos, fluorescentes e gente de língua enrolada .

Nossa sorte é que Cabo Frio e Búzios, onde estamos sempre visitando as suas lindas Casas de Pescadores e Simples Moradores Nativos se prepararam contra a destruição. Embora cercada de Mansões e de gente que gasta, o que nem sabe como ganhou, as pessoas simples de nosso litoral estão de olho aberto e atendo. E nóix aki tmb... Se cuidem...

(José Milbs de Lacerda Gama, escritor Neto do Velho Mathias Coutinho de Lacerda, nascido das terras de Cabo Frio e Araruama nos idos de 1800)...