Boas vindas

Que todos possam, como estou fazendo, espalharem pingos e respingos de suas memórias.
Passando para as novas gerações o belo que a gente viveu.
(José Milbs, editor)

30.7.08

Quando a Região de Petroleo do Rio de Janeiro ainda engatinhava no progresso

UM DOCE PEDAÇO DE MACAÉ QUE SE ESVAI...

(CRONICA ESCRITA REALÇA A SAUDADE DE NOSSAS RUAS EMPOEIRADAS E O GOSTO BOM DOS BOMBOCADOS E CHUVISCO) Leia em José Milbs no texto O DESBRAVADOR DE MACAE NO SÉCULO XX.

O DESBRAVADOR DE MACAÉ NO SÉCULO XX

Macaé ainda não tinha cultura própria no ramo imobiliário nem seus habitantes tinham projeção do que podia acontecer 10 ou 20 anos à frente. Viviam do dia a dia. As vezes na pesca, onde brotava sua maior riqueza, vez outra do comércio, que crescia devagar, devagarinho e estava de bom tamanho para seus membros. A tradicional loja em baixo e a casa do comerciante em cima. Daí que muitas "casas sobrados" ainda existem e são daí que se formou este simbolo de progresso individual tão comum em cidadezinhas do interior do Brasil.

Nos quintais ficavam o terreno para, caso houvesse casamento, as construções se sucederiam. As pessoas estavam e viviam tranquilas nas sonolentas e compassadas horas de Macaé nos anos puros de décadas passadas. A tranquilidade de uma aposentadoria do inps e a certeza de que estavam criando bem a filharada.

Esta Macaé não tinha lá muita preocupação progressista . deixava a coisa acontecer nas idas e vindas de seus filhos na rua principal onde o "point" era cinema nas duas sessões da quinta- feira ou domingo nas matinês.

A Rua Direita, a principal da cidade e que virou Avenida Ruy Barbosa, ao entardecer, quando os milhares de pardais revoavam nas árvores frondosas que reinavam nas ruas periféricas, recebia dois suaves cavaletes. Um na altura do "Bar e Restaurante Belas Artes. Outro em em frente da Casa de Acioli Pena irmão de Dodão e Gó.

As tardes, lá pelas l5 horas, era comum o Bar de Dona Dadá estar cheio de gente tomando média com pão e manteiga. A manteiga era feita na casa de dona Dadá e o pão era da "Padaria e Confeitaria Lima" de "Joãozinho" e Ênio Lima. Padaria que conseguia fazer as melhores bisnagas de toda a regiao litorânea.

Tião, Zé Carlos, Isaura. Conceição, Joãozinho Ramos e, .as vezes a própria dona Dadá, presenteavam, com o servimento do café torrado na hora.

As xícaras brancas e ainda quente, tiradas do lado de uma cafeteira, com um gancho em forma de pegador de macarronada, vinham sempre acompanhadas de torradas, pão e leite. Tipo da média que não será nunca requentada e inspirou Noel Rosa das vielas de Vila Isabel.

Mais tarde tomei estas mesmas médias com pão e manteiga na rua Beneditino, Acre e Leandro Martins nas madrugadas do meu Rio antigo. Este café Tinha o mesmo sabor da média (nâo requentada) de dona Dadá. Igual ao sabor da boa media de Noel, que imagino ter tomado nas encruxas da 28 de Setembro ou Theodoro da Silva nos fins dos anos 20, onde residi um tempo com minha mae Ecila e meus irmâos Djecila e Ivan.

.Media de café pingado com pão e manteiga às l5,30 horas era igual em todo o Brasil afirmo e não aceito contestação. Tomei na Avenida Paulista, esquina com a Brigadeiro em São Paulo e na Avenida Anhanguera em Goiânia.

Vez por outra era ali mesmo que se iniciava as conversas que iam ter seguimento na boca da noite nos "Belas Artes" e fechavam-se no Restaurante Imperatriz, ponto de encontro dos noctívagos e boêmios vindos das Bocadas, do "Quadrado", "Curral das Èguas, Continental ou das Serestas.

O Bar "Imperatriz" não tinha portas. Funcionava dia e noite e, os ônibus que vinham e iam para o Rio ou Norte do Estado, tinham paradas certas e obrigatórias. Do outro lado da rua, onde hoje habita o travestido mundo de humanos assumidos, existia o bar de seu Aristóteles Cândido de Carvalho.

José Rangel, que mais tarde virou "Zé Mengão",dava seus primeiros passos longe de Carapebus, iniciando sua existencia no comércio.

Zé era ainda um jovem inexperiente na vida . Trabalhava à noite no bar de seu Aristóteles, que era uma espécie de primo pobre do "Imperatriz".Sua clientela, uma mistura de pescadores, médios transeuntes e algumas sobras de passageiros que, quando conheciam o café feito por "Zé" e seu Aristóteles, dificilmente deixavam de se transformar em constante freguentador.

José tinha o dom de atender bem a freguesia e paciência era seu forte. Nesta época Trabalhávamos eu, Acy, Jair, Antonino, Manoel Moraes e Dilson José Souto dos Santos, o "Batatinha de Campos, num orgão Público Federal de nome IAPETEC.

'Os doces de dona Zeny, de seu Wanda, os "Pernambucanos", "Bombocados", "Queijadinhas" e "Bolinho de Aipim" só eram igualados com os que faziam a esposa de seu Otávio e as inesquecíveis "Mãe Benta" que Petrônio Ramos vendia na estação de trem que corria mundos em sucessivas idas e vindas dos Expressos, Noturnos e Rápidos nos idos de l950.

O "Olho de Sogra" eram iguais em todos eles. Dizem que vieram de receita única que chegou a cidade pelas mãos de uma Doceira de Campos no inicio do Século. O "Chuvisco" ninguém aprendeu e só as Campistas faziam com maestria.

Os "bombocados" só foram igualados destas mestras por Mariza mãe de Paulinho e Mirna que também são filhos de Jojó.

Mariza mantém a tradição dos mais gostosos doces macaenses. A sua residência, na rua Francisco Portela, está sempre sendo requisitada por quem gosta do sabor de seu Bom-bocado..

Bem pertinho da casa de Petrônio tinha o seu "Zezinho" com um barzinho onde havia de tudo para as crianças. Seu "Zezinho" rompeu gerações com seu modo puro e simples de tratar. Seus filhos Jailton, Juca, Jorge e Maria espalharam por toda a cidade o sangue bom que dele fluiu.

Ainda se avizinhava de Petrônio, onde as crianças gostavam de pegar frutas nos quintais. As saudades de dona Tieta, Lalá e Lilinha, Nicinha, Joãozinho Ramos, Epaminondas, Luiz Macedo, Diamantino e Daniel Alfaiate, fazem parte deste pedaço de uma cidade que se perde no esquecimento rápido que chegaram com as técnicas da comunicação visual...

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Livio Dedeco Campos um gaucho que deixou saudades na região de Petroleo

História dos fatos que levaram a perda do mandato do Prefeito de Macaé nos anos 60 começa com as bicicletas

FILHO DE PEIXE..................JOSE MILBS

O final dos anos 50 e inicio dos 60 foram de convulsão social-política na cidade. De um lado os Estudantes, liderados "pelo locutor que vos fala", como dizia os locutores das famosas rádios rabo quente da época, e no outro lado, um teimoso Prefeito chamado Eduardo Serrano.

Os estudantes querendo de volta mais de 200 bicicletas que não tinham placas (método criado pelo Município) e que foram recolhidas ao depósito da Guarda Municipal. O recolhimento foi feito durante uma sessão de cinema numa 5ª feira onde toda a cidade, como em todo interior do Brasil, fazia, tinha freqüência cheia.

A Federação dos Estudantes de Macaé, bem liderada, modéstia à parte, partiu para o confronto e invadimos o Prédio da Guarda, alguns tentaram resistir, foram dominados, e as 200 bicicletas voltaram a serem pedaladas nas ruas e vielas empoeiradas da velha Macaé dos anos 60.

Serrano chama a polícia, recorre ao judiciário (ele era um abastado funcionário Aposentado do Tribunal de Justiça do RJ), oficializa ao Exército, chama a Câmara dos Vereadores para uma reunião extra e parte para o confronto com a estudantada. " ""Ai a gente, acuado pelos "órgãos de repressão e pelo judiciário que devia" vir de bicho", resolvemos ir para as ruas e fizemos o enterro simbólico do Prefeito", Era a gota d"água que as elites e o Governo do Estado queriam para iniciar o impedimento de governar do Serrano que havia desafiado todos os Poderosos políticos da época, se elegendo Prefeito da cidade, morando e vivendo numa das mais pobres favelas do município. Serrano tinha derrotado o Governador do Estado PTB, o Amaralismo PSD, a UDN e seus conservadores. Tinha sido eleito por um desconhecido PR e a soma dos demais candidatos(6 ao todo) não o alcançou.

Teimoso ele não negociava com a FEM mesmo sabendo de que por trás da reivindicação de não "pegar bicicleta de estudantes e de ferroviários, poderia se desencadear uma briga política mais ampla e de difícil previsão.

Ponderamos, nós estudantes com alguns políticos ligados ao Serrano do perigo da teimosia e que não iríamos abrir mão das passeatas e dos confrontos. Estes senhores vinham a FEM com o intuito de demover a estudantada da luta. Pediam as paralizações do movimento mais o prefeito. A gente ponderava se a Câmara Muncipal ou o Executivo abrissem não da taxa de placas poderia haver um acordo. Luiz Pinheiro, Carlos Eduardo Durval Mota, Mauro Rodrigues, Carlos Augusto Tinoco Garcia, Álvaro Paixão Junior, Abílio de Souza, Joaquim Alberto Brito Pinto, Jorcelino Monteiro e Natálio Salvador Antunes participaram com a gente da reunião tentando remover a teimosia do prefeito. Debalde. Ele queria processar a FEM por danos ao patrimônio, subversão e iria pedir a prisão de alguns dos nossos.

A negativa fez com que a FEM partisse para as ruas, pedradas, tiros, foguetes, quebra-quebra, desligamento de luzes da cidade (a cidade tinha um fraco e pequeno local de abastecimento), enfim, foi neste cenário de reivindicação estudantil e teimosia política que aqui chegou o Repórter fotográfico Livio Campos.

Livio veio a serviço do jornal HJ que tinha ordem do Samuel Vagner para dar cobertura a FEM ai vocês imaginam o trabalho deste bravo repórter. No meio da massa estudantil ele fotografava a pancadaria de seguranças municiais, PM, guardas e estudantes nas ruas escuras de Macaé.

A eminência de a Prefeitura ser ocupada pelos estudantes fez com que o Juiz substituto Benedito Peixoto, requisitasse forças federais. O Exército é acionado. Policia Militar dando tiro pra alto, no escuro, ordenei que alguns estudantes fossem a casa do seu Farias onde se vendia foguetes e tomassem todos que lá tinham. De um lado a PM e nos do outro soltando foguete em cima deles.

Lívio estava lá no meio do fogo e, do alto dos seus quase 2 metros ia fazendo o flagrante e ria dos policiais que corriam no meio do foguetório.

O resto da história, quem tem 60 anos que conte. Apenas revi este episódio para dizer da herança funcional que este lindo amigo deixou. Seus filhos e netos ai estão a fotografar a vida desta cidade que o Gaúcho Livio Campos, escolheu para terminar os seus dias. Sofreu na carne a valentia de sua coragem de repórter e disso toda a cidade se lembra e reverencia.

(José Milbs)
(...texto do livro O Pinguin da Rua do Meio)

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28.7.08

Lembranças e mais lembranças que podem ir para o Pinguin da Rua do meio...

DAS PAREDES ENPOEIRADAS DE MINHA MENTE ALGUMAS LEMBRANÇAS PARA A HISTÓRIA DE MACAE... (Jose Milbs0...

Orlando Tardelly, Osmar Rocha, Eraldo Gomes , Olivier, faziam das noites enluaradas de Macaé o ponto alto das infinitas reminiscências que só o seresteiro encarna e vive...

Ademais, Dona Lindaura do Manel Bahiano, Chica, Peroba, Roberto, Seu Flanque, Moraes, Gilson Correa, Pacuçú, Dona Rola, Seu Joaquim e dona Elvira, Seu Walter, Adilson, Beto de Pacuçú,

”A noite estava assim, enluarada quando a voz”,

Já bem cansada, eu ouvi de um Trovador...

Lua vinha perto à madrugada, quando.

Em ânsias minha amada nos meus braços desmaiou...

...Hoje eu vivo tão sozinho... sem carinho... Na esperança mais atroz...

De que cantando em noites lindas,

”Está ingrata volte ainda, escutando a minha voz”.

Saudades de nossos seresteiros, das Violas Enluaradas...

Meus vizinhos de sítio nos anos 60, minhas poucas galinhas e galos abriam as madrugadas em cânticos e cocoricadas, os galos chamavam as suas parceiras sexuais oferecendo alimento que eram trocados malandramente por aconchegos puros e rápidos, alguns ainda frangotes.

Haviam repiques de cantar com os de dona Lindaura e “Manoel Baiano” com suas galinhas mestiças e galos batedores, outros eram respondidos pelos galos da terra, que coloriam as terras e o terreiro cercado de bambus de dona Rola mãe de “Peroba”, “Chicão” e Roberto, ainda não haviam chegados os ladrões de galinhas e quando elas sumiam, vinham 21 dias depois cheias de pintinhos colorindo ainda mais a harmônica cor do sitio.

Não existia ainda cercas de separação de propriedade. Os meus ---(olhem que possessividade capitalista)--- galos iam até os vizinhos e voltavam sempre com a cabeça pelada e sangrando.

Numa destas noites, onde o entardecer ficava para mais tarde das dezoito horas, sentei na varanda branca do sitio e comecei a observar os desafios entre os galos da região, não havia nenhum barulho de máquinas, o que é comum hoje, e os repiques sonoros iam desde o sitio de Gilson Correa, trançavam pelas casas ribeirinhas onde moravam Pacuçu, e se perdiam nos ecos que findavam no final da casa de Nélio Almeida e dona Rola.

O galinheiro onde Roberto prendia as suas vinham com estampidos maiores já que alguns galos cantavam juntos e estremeciam de beleza os sons que formavam o círculo de cânticos naturais.

Seu Franklin, ainda conserva a pureza humana que Leonídio, seu Joaquim trouxeram dos interiores de suas terras. Seu Joaquim espalhou a família por todo o bairro, ele veio de São Joaquim distrito de São João da Barra e trouxe um lindo, “Galo Macaé”, que também espalhou sua raça... Leonidio era da Serra de Santa Maria Madalena, depois veio seu filho, Bibi casado com Lena e se espalhou também pelo bairro...

Os cumprimentos ainda saiam das raízes do pensamento e se misturavam nas essências criativas herdadas das noites de lua e de estrelas.

Este cumprimento ainda conservava o brilho dos intelectos puros de gente que dificilmente baixam de novo neste mundo cruel.

Os poucos ladrões eram os de galinha e porcos que habitavam as noites na região. A filha de “Bibi” e “Lena”, “Papata”, se casou com o filho de Paulo Fernandes e iniciaram uma vida bonita no bairro onde seu pai sucedeu o avô. “Um dia qualquer nos anos 70 a comunidade tomou ciência que havia sido roubado o galo carijó de seu Franklin, corria a boca pequena que tinha sido o “Peroba”.” “Peroba” tinha fama de gostar de expropriar galináceas que eram comidas em final de noite no bar de “Moraes” e “Beto” que ficava uns 200 metros da casa de seu Franklin e uns 100 do sitio de minha mãe Ecila.

Corre-corre pra lá e pra cá em acusações generalizadas, eu, de minha parte, defendi o “Peroba”, acusando o “Moraes”, já que havia sito expropriado um porco no meu quintal e o Adilson havia deixado transparecer que tinha visto ser comido, no “Bar do Moraes”, uma carne de porco de roça, acusação e descoberta que até hoje não houve provas do fato havido, prometeram me pagar o porco mais até hoje, neca...

Peroba nunca confessou o que não fez e Moraes continuou sem pagar o porco que prometeu arrecadar com quem o comeu.

Adilson era um negro de estatura avantajada, mãos grandes e dentes excessivamente alvos e brilhantes. Era morador do Sitio e mais tarde, após ter sido acusado de crimes contra vidas acabou morto em tocaia policial no “Bairro de Cantagalo”. Sempre alegre e cordial nunca tive motivos para julgá-lo. Era um bom amigo Mara, sua mulher sempre quis que eu batizasse sua filha Alessandra.

Ainda bem que as multinacionais trouxeram para a minha região centenas de Nortistas, Sulistas e gringos latinos que ainda conservam o dom natural de alegres sorrisos e cumprimentos nativos.

De São Paulo o seu Walter chegou e doou terreno onde se fez uma igreja e depois ele mesmo teve o desprazer de se ver fora da entidade assumida pela família de um pastor que lhe tomou as terras. Como bom cristão deixou que a coisa acontecesse e ele mesmo mudou para outra entidade.

Homem puro e bom seu Walter que conquistou a simpatia do bairro pelo seu jeito meigo de ser. Ultimamente vinha sempre aqui no sítio e levava Luís Cláudio para sua congregação. A construção de uma loja e um possível apartamento num pedaço do sítio que minha mãe deixou falado que seria de seu neto Luís Cláudio, fez com que ele conhecesse uma nova profissão.

De ajudante de pedreiro, meia colher e até quase pedreiro ele foi fazendo de um pedaço de terra umas construção bela e imponente, com um rapaz de nome “Edmar Jacaré” que veio de Conceição de Macabú ele aprendeu a fazer radies, montar vigas, foi aprendendo algo que lhe será útil na vida e, o que é muito melhor, esqueceu de jornalismo e oficina de jornal uma coisa que não era legal. Era um mundo onde ele não se adaptaria nunca a subserviência ao poder não é coisa que se pode evitar passar para os filhos.

Luís Cláudio trouxe nova vida ao seu pedaço de terra e muita gente boa foi chegando e, tijolo com tijolo, ele iniciou este milênio com jeito de terminar a obra.

No final do mês de julho de 2001 eu subi na laje da obra de Luís Cláudio. Veio a minha mente, e por isso, entro neste capitulo e falo de uma coisa que o tempo não apaga. Era o ano de l970 e aqui não tinha nada.

O sitio era apenas um local sem luz, sem água de rua, sem nada de progresso. Tinha lindos pássaros, uma nascente que ainda é conservada e nada de rua ou casas, era apenas esta que habito e nada mais. A “Estância Vista Alegre” que tinha escrito na casa, tinha sido uma homenagem do antigo dono de nome Moacyr que era mecânico em Macaé e que foi pracinha da FEB na última guerra. A “Vista Alegre” tinha sua descoberta no deslumbrante e belo cenário que era visto com a Lagoa de Imboassica e o Mar dos Cavaleiros que eram o fundo visual deste lindo lugar. Com a vinda do progresso foram construídas firmas que tiraram a Vista Alegre deste sitio. Não é que Luís Cláudio devolveu a beleza de olhar da Lagoa e do Mar em sua laje? o mesmo azul marinho que existia nos anos 70 estava na distante Lagoa, e o “Velho Azul Esverdeado” da Praia se fez presente.

As mesmas árvores que encontrei quando encontrei e que foram plantadas por Moacyr Amaral, Everaldo Esteves ainda se encontram... Podia falar e vou descrever suas existências embora cercado de firmas de Petróleo e de apoio da Petrobrás que tomaram conta de todo o bairro....

Os “Maracujás do Mato’ de formato oval, amarelo e com sabor silvestre ornam a vegetação do “Brejo” que chamo de “Lago” onde se encontra a nascente que faz jorrar água aqui em cima onde resido”. Ele, o Maracujá nasce e se espalha onde dezenas de passarinhos teimam em viver em sintonia plena com a beleza do lugar...

As Pitangas ainda resistem,seus galhos rasteiros e com formato de que nunca foram podados servem de alimentos também para Sanhaços, “Sabiás do Brejo” e “Biquinhos” que sempre estão no sitio quando a primavera chega e a chuva fina e criadeira vem acariciar o solo...

Enquanto isso, em plena vigorosidade da estação as Acerolas que comprei do Manoel Jatobá dão seus frutos junto as mangueiras que me, trouxe filhotes, o Diomedes Paes e que sombreiam grande parte do lugar... As jaqueiras, com seu formato secular trazem o sabor. Algumas de “Jacas Duras” outras chamadas de “Jaca Mole”. Alimentam galinhas quando caem e os peões de firmas vizinhas que entram no sítio e as deliciam apos seus alimentos de trabalhadores. Fazem suas entradas, pensando que são furtivas mais são observados por mim e Luis Cláudio que autorizamos a “expropriação” num gesto de entendimento e carinho.

Os Cajus, as Goiabeiras, as Jabuticabas, os Araçás, que tanto encantava meu amigo Euzébio estão ainda intocados no seu habitamento primitivo. O pé de Abricó serve de pousada para o casal de Gavião espreitar os pintos e filhotes de rolinhas em ninhos que ficam expostos ao sol e ao vento em tarde de beleza e meditação... Os coqueiros, em sua maioria com 35 ou 40 anos teimam em fornecer cocos com o mesmo sabor dos anos 70 e 80. Privilegiam, em sua copa verde e de balancear divinos os casais de Sanhaços que fazem seu ninho onde a mão faminta do Gavião não alcança... As amoras vermelhas continuam a fornecer alimentos para passarinhos e gente que por seu pé passa e a vê carregadas e lindamente posta perto do pé de Ameixa amarela que orna a parte superior do sitio...O Pé de Limão resiste a seca de um tempo sem chuva e ainda nos fornece frutos. A ausência das Laranjeiras deu lugar ao nascimento de dezenas de pés de Ipês Amarelos que nasceram quando da vinda das mudas a uns l5 anos..O envelhecimento das laranjeiras e sua transformação em “Pé de Limão Galego” abriu espaço para o florescer do Ipês que , paralelo a sua morte, vive em seus mais lindos dias de encantamento dando um colorido diferente ao Sitio...As carambolas, nascidas de uma descoberta de Luis Cláudio quando de suas andanças por entre a nascente e um final de águas ainda pode dar seus frutos em forma nativa e rudemente existencial..Tem o mesmo sabor das Carambolas comuns e se igualam ao dos Cajás que ainda não vieram a nascer na primavera que escrevo estes acontecimentos....

”Cai”... cai balão...

.Cai... Cai balão.

Aqui na minha mão...

”Eu sou pobre, pobre, pobre”.

De marre, marre, marre...

Eu sou rico, rico, rico.

De Marre, Marre, Marre...

Vem cá Bebido... Vem Cá... Bebido...

Vem Cá Bebido vem cá.

Não vou não... não vou não, não vou não, tenho medo de apanhar”....

O DESCOBRIMENTO

Descobrimos que tinha muita galinha chocando no terreno de dona Lindaura, uma mulher maravilhosa, que morava no sítio de “Paulo Careca,” dono de uma farmácia no centro da cidade e que era de uma simplicidade que bem demonstrava suas origens nas serras do Estado do Rio, Paulo pouco falava e sua educação era tanta que não falava, balbuciava.

Hoje tenho com vizinho uma multinacional de petróleo que expulsou também daqui o Lafaiete Ciryaco, Alfredinho Tanus, filho de Camil e Nélinho Almeida. Eu resisto, continuo no meio das multinacionais com seus tratores esporrentos, máquinas diferentes, e gente falando língua trocada, não sei até quando, ou um outro sucumbe... Por mim eu fico até quando viver..Tenho uma nascente no fim do Sítio, cercada de container e galpões..Ela resiste porque está na aba do morro e eu vou ficando também na luta.

Ainda sobre dona Lindaura era uma Baiana que tinha vindo para Macaé com seus filhos e casada Manoel Vieira. Já me referi a esta figura mais sempre que repito me sinto confortável. Ela me disse, “-seu Zé, não se preocupe não, que o seu galo prata vem sempre aqui e tem duas galinhas do senhor pondo aqui no meu quintal, que faço? O senhor quer os ovos ou deixa para chocar”. Era assim a relação neste sitio que eu habitava no meio da década de 70, com que me lembrasse da minha infância na Rua do Meio e de meus vizinhos daquela época.

Via que a beleza do relacionamento afetivo está sempre ligada à simplicidade, quando esta se torna burguesa, a forma de afetivo perde a significação da essência, e se fixa no capital, que é, sem sombra de dúvida, o grande mal da raça humana.

Dona Lindaura morreu ali mesmo onde morava, e muito jovem. Há pouco tempo, quando viajava para o Rio de Janeiro parei num posto um rapaz muito simpático me chamou pelo nome e perguntou sobre Macaé sem ter coragem de perguntar quem era para não magoar sua alegria, esperei que a conversa se desenrolasse para situar-me, ele, desconfiado antecipou, me distraindo falou, Sabe quem sou? Sou filho de dona Lindaura, o senhor me deu uma vez uma porção de gaiola, lembra? Era um dos seus filhos que tinham vindo com ela da Bahia e com sua morte se espalharam por ai. Revi uma outra filha dela que casou com Paulinho sobrinho de Milward.

Na ”viagem" fui revendo este tempo maravilhoso de um bairro que começava a virar cidade...

Quando Vicente Klonoswisk morou, com Gilberto, no sítio, numa casinha que tinha nos fundos conversamos sobre a fundação de um movimento ecológico, Vicente achava que se a gente mudasse os métodos poderia atingir todo o universo que girava em torno e com isso mudar.

”““ ““Fundamos o movimento Ecológico MUTIRÃO que tinha a participação de “Marcelão” Marquinho” “Baixinho do PT”,” Marcus Carola”, “Marcinho”, “Soninha”, “Carlitinho” e algumas meninas que não me lembro. Sônia era a única mulher do grupo e contrabalançava com sua meiga figura, dava sempre suas opiniões que eram aceitas e discutidas.

O imaginário fértil, que embala as noites das maricotas e mariquinhas do disse me disse alheio, via na presença desta menina com a gente algo mais que político. Era fácil tentar minar a ideologia e misturar desejos de sexualidade. Maneira fácil e burguesa de separar as pessoas. acho que correu esta opção na vocação das pessoas da época e, até hoje, paira uma incompreensível presença de coisas que nada tinha a haver e que no ar foi lançado.

Havia um forte respeito até por que elas se faziam respeitar...

Sei que uma das poucas investidas foi pichar o “Farol Velho”, indo com “spray”, dentro da sunga, a nado, rodando as pedras e o “Rodrigo”, e mensageando as pedras no interior da Petrobrás que até hoje deve se perguntar como que entraram lá com toda a parafernália de segurança...

Ser ecologista nesta época era coisa de subversivo e muitas pessoas ficavam de pé atrás. As lutas pela conservação da Lagoa, do Mar do Norte, do Rio Macaé e muitas outras eram comuns a este grupo que se espalhou...

O fato é que o “Mutirão” foi o pioneiro na defesa ecológico/política em Macaé nos meados dos anos 70. As nossas reuniões eram sempre nas praças, rua da Praia e lugares abertos..Na fundação do PT este grupo entrou e fundou o núcleo ecológico.

SOL NASCENTE

Quando o dia começava a receber os primeiros raios de sol e que entravam pelas portas nunca fechadas do “Imperatriz,” e seu Aristeu já caminhava para abrir seu bar na rua principal, era comum ver a moto de Iberê Madureira caminhando em zigue zague em direção ao primeiro que tivesse um cafezinho fresco. Às vezes era mesmo no Bar de seu Aristóteles que, meio sonolento, rendia o plantão de Zé Mengão que ia caminhando a pé até o outro bar, conversava com Itagiba, Flaubert e Frota e ia para mais um dia de descanso de mais uma madrugada das noites macaenses.

Dimas e Flaubert recolhiam seus carrinhos de milho e os restos de carvão para uma nova investida no dia que começava. Dimas foi outro que Campos nos mandou de presente como foram também Ubiratan, “Manduca do SAPS” e Carlos Emir..

A tranqüilidade era reino eterno e os transeuntes, ora Ary Carvalho Charret, ora “Gugu” não nuviava nem balançava com os pensamentos existentes. Faziam parte do quotidiano real e mental e nem sombra era notada quando dos passamentos lentos e cabisbaixos.

Era como que o nascimento de algo já nascido e que não criava a gota d’ água num trasbordamento.

A própria presença de “Felix do Mercado”, Elbo Sodré, “Motinha” ou Álvaro e suas loucuras ébrias não destoava. Não afetava um centésimo de segundos sequer nas energias que haviam em torno das conversas. Fazia parte deste equilíbrio que Macaé tinha com sua gente e suas histórias... Era quase final do século...quase início de um mundo novo que iria abafar as nascentes, destruir praias, matar passarinhos, bitolar habitantes, prostituir pobres indefesas moradoras de bairros periféricos e elevar a cidade ao pedestal de sua auto destruição histórica.. Eram os últimos suspiros ecologicamente puros da cidade que viraria a Capital Brasileira do Petróleo.

Álvaro Paixão ainda caminhava com sua calma franciscana para o “hotel Brasília” que o fogo quis que se perdesse no tempo. As poucas ruas iluminadas não escondiam o medo. Faziam parte do silencio que a claridade podia interromper.

Era como que a meia-luz estivesse ali para anuviar os pensamentos e, com alguns vaga-lumes bailando, pudesse fixar na hora harmônica deste silêncio a beleza estonteante de centenas de mariposas que ao longe podiam se ver nos postes contados a dedo, nas noites que iam e vinham quase iguais mais que se diferenciava no toque alegre dos dias que nasciam.

Antes mesmo das revoadas dos pardais nas árvores que se avizinhavam nas ruas do centro, o “Félix Guarda” já vinha se aproximando do Café e sua velha e bem cuidada bicicleta Monark. Saudado por todos que habitavam a cidade no fim de mais uma tarde. Feliz nos deixou seus filhos Felinho, Amilton e uma menina de nome Therezinha que trabalhava na loja de Nilda ao lado do belas Artes. Ela hoje é proprietária de uma loja no centro da cidade e, se recorda das nossas andanças pelo velho Belas Artes e do próprio Cláudio, de quem conta passagens pitorescas e belas...

Doutor Silveira ainda andava por nossas mesas contando as suas descobertas nas terras de Glicério e as buscas por pedras preciosas que ele descobria a cada dia no distrito...Sempre acompanhado do vereador Manoel Jatobá que a tudo observava. Jociene ainda, elegantemente fardado, era o guarda da Rede Ferroviária e presenteou o nascimento de um bezerro num trem cheio bois que ia para Campos. Para não ser esmagado e morresse o bezerrinho, o velho e bondoso José Cordeiro Peixoto, o “Peixotinho da Estação”, pegou e levou para casa. Deu o nome de "Felicidade" ao bezerrinho que foi criado na mamadeira até ficar grande. Sylvio Roberto dos Reis Peixoto confirma o fato e ainda afirma que, ele mesmo, deu muita mamadeira a este lindo animal salvo pela intuição afetiva e ecologicamente reikiana de seu pai.

Amilcar Quinan Macedo afirmava, quando de suas últimas aparições na Barbeadria do Fanor Monteiro que “Quando Peixotinho ia para estação o bezerrinho o acompanhava...

A cidade era toda cercada de ruas empoeiradas e nitidamente belas.Memórias de José Milbs de Lacerda Gama para o livro "O Pinguin da Rua do Meio. Editoria: www.jornalorebate.com

26.7.08

A singela ingenuidade de Aymar Coelho reflete em seus descendentes...

Estava com um texto pronto para colocar no meu livro " O Pinguin da Rua do Meio" quando recebi um email de um dos filhos do meu saudoso amigo Aymar Coelho. Retratando toda essencia de sua bela formação de menino simples que foi educado sob o manto sagrado que emanava do olhar de seu bondoso pai, Aymarzinho não podia deixar de ter a fluência alegre que herdou seu pai deixou nas ruas da Região de Petróleo.
Coelho foi um dos mais competentes goleiros de nossa região. Tinha a perspicácia nativa que deveria nortear todos que escolhem esta profissão. No amadorismo de nossas peladas ele chegou aos grande s clubes sempre com brilho e dignidade esportiva.
Teve uma existência marcada pelo carinho com todos que o procuravam. Atencioso com seus parentes foi padrinho/tio de Lucia a quem sempre dedicou um afeto especial com palavras de aconselhamento.
Durante o tempo em que a cidade de Macaé, cidadezinha situada ao Norte do Estado do Rio de Janeiro, ainda engatinhava no progresso, Aymar esteve como comerciante na Praça Washington Luiz onde foi riado por sua caridosa mãe que todos chamavam "Mãequinha".
Irmão mais velho de Cinésio e Eduardo Trindade Coelho era dele que todos recebiam os afagos nas horas mais tempestuosas da existência. Sempre que podia, Aymar estava em contato com Elsa sua irmã?companheira que é um dos pilares da verdadeira história da Rua do Meio. Elsa sempre acolhedora dos ensinamentos de Aymar teve o privilégio de hospedá-lo por longo periodo...
Contemporâneo de grandes valores de nosso futebol como Oséias, Padaria, Biriba, Birosca, Elbo, Sinhô, Têca, Alfredinho, Fubeca, Venício, Zé Passarinho, Armandinho, Lulú, Geraldo Cara Suja, Arley e tantos outros que fogem a memória mais que estão gravados na verdadeira e indelével presença de centenas de mentes da região.
Ao publicar o email na integra que recebi de seu filho Aymarzinho desejo deixar para a história de nossa região este vulto alegre e de alta espiritualidade que foi Aymar Trindade Coelho, meu velho amigo e "tio". Posso afirmar, sem sombra de dúvidas: Aymar deixou uma grande saudade na vida de todos que tiveram a alegria de o ter conhecido...
Eis ai a íntegra do email do menino Aymar:
José Milbs,
Gostaria de me identificar, em primeiro lugar, ..sou o filho mais velho de Aymar , "Coelho "como ficou conhecido,
e parabeniza-lo pelo site maravilhoso que espelha a nossa Macaé de ontem e de hoje.
Desejo que vc ao ler este e-mail descreva em seu jornal a pessoa de meu pai , que foi um macaense apaixonado
por sua cidade natal , também Nova Aurora "doente " e torcedor ferrenho do Fluminense F.C.
Mudamos de Macaé em 1982 , para Lorena em São Paulo, e aqui estamos vivemos até hoje.
Papai faleceu em 02 de junho de 2005, aos 86 anos e como vc bem sabe era irmão mais velho de Dudu, seu sogro
e também irmão de Elza (ainda viva ) , Sinésio e Alberto (já falecidos).
Coelho, como era conhecido por todos os antigos em Macaé está sepultado na cidade de Lorena, mas jamais
esqueceu de sua terra natal e também dos amigos que lá ficaram e os que ja partiram deste mundo.
Meu pai foi cabo de Exercito, goleiro do Americano, Portuguesa e Macaé, acabou se aposentando como comerciante,
trabalhando por conta própria e para seu tio Amphilopio Trinadade.
Fiquei muito triste com a morte de Tio " Dudu " ,a qual convivi muito quando crianca, principalmente na Mercearia Garca
na rua Direita e algumas pescarias que participei com ele e com meu pai.
De certa forma acompanhei sua agonia , enfrentando sua doenca, mas fico conformado , pois sei que certamente os irmãos
Trindade estão reunidos no céu , com certeza.
Aproveito para enviar-lhe um abraco e lembrancas da minha mãe , Tereza, que também ficou muito sentida com o falecimento
do tio "Dudu "., assim como todos os meus irmãos também.
Pode ter certeza que sempre estarei lendo suas cronicas on-line, mesmo residindo aqui em São Paulo, capital.
Um abraco fraterno , de seu primo Aymarzinho.
Que a história de nossa região, tão useira e vezeira em esquecer seus verdadeiros filhos, saiba do quanto foi amado e jamais esquecida por um de seus mais simples e carinhoso filho. Mesmo longe de Macaé, residindo na linda Lorena, Aymar Trindade Coelho sempre, no aconchego de suas horas de encantamento, passava para seus filhos o afeto pela cidade que nasceu. (José Milbs de Lacerda Gama, jornalista, cronista, historiador e memorialista. Editor de www.jornalorebate.com )

21.7.08

13.7.08

MORRE ANATALIA RANGEL ASP. A ARTISTA DOS TOQUES DIVINOS...


Quando de uma das muitas exposições, Anatália esteve na PETROBRAS onde seus trabalhos ficaram expostos.
Na foto com Puig, Milbs e Angela Rocha ela dizia-se feliz em poder voltar sempre à Macaé onde tinha belos amigos


MINHA HOMENAGEM A BARONEZA DAS ARTES
Com a aluna e fiel amiga Sonia Rocha onde os últimos anos estiveram juntas na busca da perfeição das Artes. Anatália Asp vai deixar uma lacuna de dificil preenchimento nas belas Artes...(FOTO)

Fica cimentado, nas paredes das memórias de todos que tiveram a honra de conhecer a linda e acolhedoura figura de nossa Anatália Asp, este sem semblante finamente ornado pelo toque maestral da natureza.
Que seu trabalho nas Artes e seu amor a criatividade seja seguido por todos os artistas do Brasil (José Milbs de Lacerda gama)


ANATÁLIA... QUE TAMBÉM É RANGEL E ASP ... Uma vida didicada as Artes...
Poucas vezes a criação fornece ao mundo dos seres vivos determinadas pessoas. Nas artes pláticas, no pincel, no óleo e no amor as artes nos presenteou com a linda presença de Anatália Asp. Sua fragilidade corpórea, sua voz meiga que vinha do fundo do coração fez desta senhora de 70 anos a cópia autêntica do belo humano.
Mestre de muitos mestres, jamais se furtou a fazer do pincel um sacerdócia de amor e paz. Suas mãos, suas telas e o vigor da criatividade jamais serão igualádas.
Vivia simples como simples sempre viveu os Grandes Mestres. Conselheira, amiga e grande alma humana, suas obras eram todos voltados para o exterior da beleza que nasceu em cada toque vindo de seus dedos que tremiam mais faziam nascer as criações que emanavam do pincel.
Sempre que podia, esta figura fortificada pela criação, estava na Região de Petróleo. Vezes expondo seus trabalhos outras ministrando ensinamentos. Tive a felicidade de conhecer a Anatália em muitas de suas pasagens por Macaé, cidadezinha ao norte do Estado do Rio de Janeiro onde ela se hospedava na casa das Amigas Angela e Sonia Rocha.
Era, no encanto de sua voz, que as pessoas ficavam horas e mais horas a deixar entrar nos insconscientes a harmonia que ela deixava no ar. Como pétalas de belas flores Anatália deixava cair os ensinamentos e os aconselhamentos...
Cai uma guerreira das artes do Brasil e do Exterior. Cai um corpo de uma mulher que soube viver e transmitir afeto e carinho. (Jose Milbs de Lacerda Gama, editor de www.jornalorebate.com)